Segredos por Elliot Hells
Capitulo 69 The plain
“Passaram algumas semanas desde a última notícia da prisão do famoso Alexander Hoffman, o comerciante de armas oculto, revelado pela jornalista Margarett Van Helleman, do canal 6, graças aos esforços da detetive Valquíria Van Dahl e sua equipe.”[1]
Basicamente esse era a introdução que se repetia incansavelmente, jornal, após jornal. Não importando se fosse de tevê aberta, nacional e até mesmo internacional. A prisão de Alexander era uma das maiores notícias já registradas e principalmente a discussão que estava se encaminhando sobre o processo judicial envolvido com Vivienne.
Porém, não era sobre isso que inquietava Elizabeth Heinz, ou melhor, a primeira gêmea, Bess. O que de fato a incomodava girava sobre o fato de Vivienne Lamartine e ela, ainda não estarem bem, pois ainda estava sobre o véu do término.
Bess estava naquele momento deitada em sua cama, quase não se via um feixe de luz com exceção do cordão de cobre luz de led que Izzy havia colocado no quarto das duas, pois gostavam de um tom fraco de luz para relaxar. A música tocava ao fundo instrumental bem baixa.
A porta se abriu, sem fazê-la se mover e aquele outro corpo se jogou na cama King Size, um suspiro foi ouvido por Bess que apenas disse:
- E então, como foi?
- Tudo ainda parece caótico, nenhum sinal em si de Vivienne. – explicava Izzy. – já falei com Kitty, H2, os pais delas e nenhuma informação ainda, apenas as cartas que você já tem conhecimento. Você acredita mesmo que tudo aquilo foi um erro para ela? Se envolver com você?
- Eu não sei Izzy, gostaria muito de saber se tudo foi uma confusão, uma simples curiosidade. Mas essas notícias na tevê, a prisão do ex-marido dela, não faço ideia de nada.
Izzy soltou um suspiro.
- Por Deus, Bess, você é mais inteligente do que isso, será que Vivienne se confundiria mesmo sobre seus sentimentos? – a irmã a fitava. – Acredito que você tem que resolver isso.
- Prefiro ver até onde isso irá dar. – quis encerrar aquele assunto. – até porque não sou eu a pessoa que estava “confusa”. Então, maninha, não tenho mais nada para “resolver”.
Izzy rolou os olhos e levantou da cama, seguindo para fora do quarto.
- Sim, claro.
Vivienne estava protegida em um hotel, a única pessoa que a acompanhava sempre era Lara, que passou a servi-la agora. Ela estava ao que chamavam de proteção a testemunha e isso a impedia de falar com diversas pessoas do seu ciclo pessoal, ao menos por pouco tempo, até prenderem o irmão de Alexander.
O quarto de hotel era tranquilo e básico, com duas camas separadas, serviço de quarto, banheiro. A jovem sentia-se muito isolada, mantendo contato com Sophie e Valquíria, fora a própria Lara que a protegia. Até que seu celular tocou e no display aparecia a foto da cabeleira ruiva da sua irmã, fazendo um sinal de paz com dois dedos.
- É a Kitty. – informou para Lara.
- Uma hora você terá que dar definições a sua família, acredito que com base nas investigações da detetive Van Dahl, tudo aparenta está ficando mais tranquilo, então atenda. – explicou Lara, enquanto terminava de limpar suas armas.
O aparelho preto continuava a vibrar nas suas mão, Vivienne deslizou o dedo pela tela e atendeu.
- Oi. – disse.
- Que merd* é essa Vivienne? Você some do nada, deixa umas malditas cartas explicando que irá voltar com o Alexander para resolver tudo, depois disso aquele filho de uma pata choca aparece preso e você fica sem dar um sinal de vida? Você sabe o quanto nossos pais já choraram, o quanto eu busquei e procurei por você com a Elizabeth, mas ela disse que não falava com você também a muito tempo e mostrou a maldita carta que você também deixou! Será que você pode explicar que merd* está acontecendo??? – Kitty estava furiosa do outro lado da linha e era compreensível.
Vivienne olhou para Lara como se pedisse por ajuda e a outra suspirou, levantou e pegou o telefone das mãos da ruiva dizendo para ela não sair da casa dela, pois apareceriam por lá e mantivesse segredo sobre essa conversa.
- Não fale a ninguém sobre essa conversa, vocês precisam conversar. – e Lara desligou o telefone. – Arrume-se, iremos até o apartamento da sua irmã e eu irei protege-la.
Enquanto se dirigia para o apartamento de Kitty, uma apreensão percorria por todo o seu corpo, pois não sabia por onde começar e como a irmã iria reagir, afinal estava certa, ela sumiu e explicou poucas coisas. Contudo, a situação pedia por isso.
Em pouco tempo as três mulheres estavam no apartamento de Kitty, a irmã mais velha tinha servido para Lara café preto, não sabia o que preparar ou servir para a outra, então foi tudo que conseguiu fazer rapidamente de última hora. Assim, Lara, tomava a xícara de café, enquanto Vivienne estava ao seu lado no sofá, de pernas cruzadas e cabeça baixa, sendo encarada do outro lado por Kitty.
- Então, quem vai começar a conversa?
Lara colocou a xicara de café vazia na mesa que produziu um barulho característico, ecoando por todo o apartamento.
- Vamos começar do início... – começou Lara.
A jovem guarda costa de Alexander, explicou quem ela era, o plano psicótico de Alexander de contratar uma garotinha para assumir a personalidade de Diana e conseguir manter o controle sobre Vivienne. Narrou sobre o plano que elas tiveram junto do departamento de polícia do Estado, a detetive Valquíria e a legista Sophie e a jovem arrogante jornalista que tinha esquecido o nome. Tudo isso com o objetivo de manter seguros os seus familiares e amigos mais próximos.
Kitty estava surpresa com o que tinha ouvido e piscava diversas vezes, quando Henrique saiu escondido da cozinha, junto com os dois pais de Vivienne, John e Camilla. Vivienne abriu a boca em forma de surpresa e olhou para Lara que nada dizia, como se já estivesse ciente da presença deles ali, afinal, os anos de treinamento mais outros anos sendo segurança pessoal de Alexander Hoffman fariam saber da presença de mais indivíduos naquele recinto além delas três.
- Então, foi tudo para nos proteger? – Henrique dizia, saindo dali.
- Querida, você se colocou em risco por todos nós? – Camilla dizia, indo para perto de Vivienne.
- Ah, caso não se incomodem, eu não contei para ninguém, só para o Henrique que é da família e papai e mamãe, não são ninguém, eles são pessoas importantes. Então, acho que você entendeu, não é? – Kitty se explicava para a Lara.
- Claro, assim economiza de falar mais do que uma vez. – falou a segurança.
- Não sabia o quanto aquele Alexander podia ser psicótico e caótico. – o pai das meninas falava.
- Compreendemos o que teve que fazer agora, mas, Vi... e quanto a Liz? Ela sabe sobre isso, porque vocês terminaram, certo? – explicava Henrique. – Ou você de fato nunca sentiu nada por ela?
Um silêncio pairou naquele recinto e Henrique se deu conta do que tinha falado na frente dos pais da amiga.
- Opa, senhora Lamartine e senhor Lamartine, não foi isso que quis dizer. – se explicava.
- Calma, Henrique, sabemos da sexualidade da Kitty a muitos anos, acha mesmo que uma mãe não iria perceber quando sua outra filha ficaria interessada em alguém? Naquele dia quando a jovem Elizabeth nos recebeu, já dava para perceber algo acontecendo entre elas. – explicava Camilla. – Não temos nada contra e é uma ótima pergunta, se você teve que terminar com aquela jovem adorável e aconteceu algum problemas diante disso, precisará resolver, filha.
- Sim, Enne, pelo que ela me contou, ela disse que você falou que era só uma “fase” para você. Sinceramente, não penso que seja! Há tempo não te via feliz como via você feliz quando está com a Elizabeth. – explicava Kitty.
- Feliz? – Vivienne falou.
- Sim, feliz! E você precisa ser feliz e deixar aquela mulher feliz de novo, pois aparentemente ela mudou de humor de vez e ativou muito mais o seu lado workholic[2]
Duas semanas depois...
Elizabeth continuava a seguir sua rotina normal de muito trabalho em home office, e pensava no que havia conversado com sua família, a vingança contra o primo Joseph já deveria ser tratamada e com o tempo que passou longe de Vivienne, mais estava focada em realizar esse desafio. No início sua mãe e sua irmã foram contra, pois isso era demasiadamente perigoso, porém, ela já havia decidido e não só isso, havia enviado em um bilhete preto o desafio a ser lançado. Naquele mesmo dia, a noite, na parte externa da mansão Heinz, aconteceria o desafio dos desafios dos Heinz.
O dia foi tranquilo, no fundo Bess não conseguia estar nervosa com o que a esperava, na verdade, todo o seu sentimento era de calmaria e pretendia ficar assim para o desafio. No badalar das 23h, todos os membros da família Heinz estavam nas arquibancadas que foram colocadas ali durante o decorrer do dia. Para aquela apresentação, na arena montada estava Charlotte Heinz com um microfone para quem estivesse ali pudesse ouvir.
- Senhoras e Senhores da casa dos Heinz, como sabem sou Charlotte Heinz II e apresentarei o penúltimo desafio de hoje entre Elizabeth Heinz III e Joseph Heinz I – apontava para as duas pessoas que estavam ao seu lado. Elizabeth trajava uma roupa ao que se assemelhava as lutas de MMA, um Top preto, mostrando seu abdômen, e um shorte acima do joelho colado de igual cor, sem nenhuma proteção. Enquanto do outro lado, estava Joseph, com shorts colado vermelho com detalhes pretos de MMA, sem camisa.
- As regras desse jogo são simples! – começava Charlie apresentando as armas que deveriam se enfrentar. – Esses são dois sabres que estão embebidos com um dos venenos mais mortais do planeta, ao qual, um corte, será fatal. As partes concordam em não recorrerem a antídotos, sendo considerado um desafio letal. Estão prontos? – ambos encaravam um ao outro. Charlotte não pediu para se cumprimentarem, pois sabia que ninguém faria isso. Muito menos ela mesma se estivesse no lugar de Elizabeth. – LUTEM! – gritou por fim e aquela luta homicida havia começado.
Já era tarde da noite, Vivienne estava em um sono profundo, no qual estava ela e Elizabeth na praia, no dia que conheceram e resgataram a Blues, ambas estavam acariciando aquela cadelinha peludinha. As falas de Elizabeth eram suaves, delicadas e gentis. Estava como de costume, explicando como deveria estar a posição das mãos para que Blues entendesse qual comando deveria seguir.
- Você está indo bem, Enne. – dizia a Elizabeth do sonho
- Estou tendo uma ótima instrutora. – Vivienne brincava com a outra.
As mãos delas se encontravam quando faziam carinho em Blues e Elizabeth voltava a falar.
- Por que você foi embora sem explicar? Todos aqueles meses que passamos juntas foram falsos? – falava a Bess do sonho, deixando uma Vivienne mais perturbada e em pânico por ver a expressão de tristeza daquela mulher. – as memórias que criamos não foram nada, no final de contas.
- Não, Bess, por favor, não pense assim! – tentava explicar.
Vivienne acordou atônita daquele pesadelo angustiante que estava passando. Percebeu que ao seu lado Lara aparentava estar quieta na cama dela e resolveu não incomodar ninguém. Não sabia Vivienne que do outro lado de onde estava, Elizabeth lutava para poder garantir a sua sobrevivência.
Enquanto, câmeras da arena dos lutadores transmitiam em tempo real para o laptop de Izzy em seu quarto, a gêmea estava acompanhada da presença de Lorelai que ficou sabendo do desafio e fora ajudar a outra. Lorelai segurou a mão de Izzy em gesto de apoio, para tranquilar.
- Você sabe que a Bess é a melhor lutadora com armas brancas, vocês treinaram com isso a vida inteira, se ela propôs esse desafio, certamente, deve está certa em vencer. – tentava convencer Izzy de suas palavras ao mesmo tempo que tentava se autoconvencer.
- Lorelai, minha irmã está com sede de vingança por causa da morte do nosso pai, ela está sim abrindo mão de tudo pela menor chance que exista de conseguir matar o Joseph, sendo que ela esquece que ele é um dos maiores trapaceiros que já existiu e o jogo permite isso, desde que o adversário não saiba. – Izzy a fitou com os olhos cheios de lágrimas – Há chance real de perder a minha irmã, Cherrie.
Ouvir a mulher que tanto amava chama-la pelo antigo apelido de casal entre elas, fez o coração de Lorelai palpitar, ao passo que também a deixava desesperada, pois de fato tinha grande chance de Bess falecer. De supetão, Lorelai, depositou um beijo carinhoso nos lábios de Izzy que se surpreendeu, ao mesmo tempo que retribuiu com o mesmo carinho e gentileza. O beijo fora curto, porém repleto de significado. Elas se afastaram para Lorelai poder fita-la e pegar o ponto de escuta que sabia que as irmãs tinham entre si em situações como aquelas. Aquele momento era para ambas poderem se sentir juntas e fortes.
Assim, Lorelai gritou para Bess por aquele aparelho um
- Bess, não morra! Se você morrer eu mato você, não deixe a minha namorada com esse olhar de tristeza e preocupada de novo, escutou bem! – ralhou Lorelai no ouvido de Bess. E enquanto olhava para a tela do laptop, só pode ver um sorriso naquele rosto anguloso e algo que poderia ser entendido para os outros ali ao redor como falas genéricas, mas que entre as três eram simbólicas.
- Eu não vou morrer! Dizia Bess em posição de ataque com o sabre nas mãos.
Izzy estava perplexa com a fala da outra e repetiu
- Namorada? – com interrogações no olhar.
Lorelai estava envergonhada, pois acabara de chamar assim.
- Podemos analisar isso, claro.
Izzy soltou um sorriso e voltaram o olhar para a tela do laptop.
Enquanto isso na arena, em frente um para o outro, ambos estavam com seus sabres levantados, a plateia estava aposta assistindo o que aqueles dois Heinz poderiam oferecer. O primeiro movimento súbito de corrida foi de Joseph, tentando alcançar Elizabeth que esquivou para o lado direito, sendo surpreendia por um cruzado de esquerda do Heinz de primeira linhagem.
Rapidamente se abaixou, depositando um soco na abertura que se fez no abdômen do homem que se prontificou de se afastar para receber um pouco menos daquele impacto. O olhar sério e taciturno de Joseph era percebido por Elizabeth que o analisava e desenvolvia uma estratégia para superá-lo.
O primo não era tão corpulento, por vezes, na adolescência dos dois, era lento nas aulas de esgrima, sabia naquela época de seus pontos fracos, mas também sabia que ele havia mudado e iria fazer de tudo para camuflar isso. Soubera que havia se especializado em algumas lutas, bem como seu pai a colocou em outros estilos para se superar. A vantagem de ter uma irmã gêmea, eram as quantidades de treino que deveriam desempenhar para cada uma se superar.
A musculatura de Bess era mais desenvolvida do que Izzy, fazendo-a ser mais forte, contudo, Izzy era mais rápida do que Bess, juntas eram imbatíveis. Porém, para Joseph, Bess era muito rápida. Assim, quando as laminas se encontravam, os sons das suas laminas eram a única canção que entoava aquela arena, enquanto os golpes completavam a melodia daquela dança mortal.
O poder de luta dos dois pareciam equilibrados, Joseph sorria, ao limpar do canto da boca um filete de sangue que surgiu após ser acertado no rosto por um soco de Elizabeth. Nenhum dos dois haviam acertado o outro com suas laminas, pois esse seria o fim da luta, como também de suas vidas. Faziam de tudo para se esquivar das laminas, contudo, eram acertados por socos e chutes.
O Heinz de primeira linhagem bradou dizendo que destroçaria a prima e ela nada disse, além de expressar um olhar tedioso, o que o deixava furioso. Novamente, ele a atacou com tudo, ignorando as técnicas de luta e a concentração que é exigida para não ser consumido pelo impulso, o que fazia com que Elizabeth desviasse com mais tranquilidade, aguardando uma abertura para o contra golpe que surgiu logo depois quando sua lamina passou a milímetros do rosto de Joseph e ele arregalou os olhos com tamanha surpresa.
Apenas pode escutar os gritos do seu pai o mandando prestar atenção ou seria deserdado ali mesmo naquela arena. Aquela fala do seu pai, o fez ir com tudo, desferindo golpes mais violentos contra a outra que recebeu um soco no abdômen a fazendo cuspir no chão, seguido de um chute no mesmo local.
Elizabeth rolou para poder tomar distancia, pois Joseph estava preparado para afundar sua lamina no abdômen da jovem, o que a fez rolar para o outro lado, fazendo a lamina afundar no chão de areia, enquanto dava um chuto no rosto do primo, resultando em momentos de desorientação, embora não soltou o sabre de sua mão.
Aquele momento foi importante para ambos puxarem o ar para seus pulmões, aquela luta estava equilibrada e pesada. Córdelia estava aflita ao ver sua filha com hematomas sendo formados no abdômen nu. Charlie segurava sua mão informando que a irmã era forte.
Fazendo um rápido inventário mental, Elizabeth podia perceber que não quebrara nada ainda, isso era um bom resultado.
– Qual o problema priminha? Está analisando qual local ainda falta ser acertada? – Joseph tentava provoca-la sem surtir o efeito desejado. – Você está pronta para recomeçarmos esse duelo?
Elizabeth confirmou com um sacudir de cabeça de forma positiva e retomaram aquele duelo sanguinário. Ambos estavam ficando cada vez mais ofegantes, todo o ambiente ao redor estava marcado por algumas gotas de sangue devido aos socos e chutos, ainda sem as laminas terem feito sua entrada principal. Uma luta demasiadamente equilibrada. Estavam a dez metros um encarando o outro de forma compenetrada.
Dessa vez, foi a vez de Elizabeth fazer o primeiro movimento e correr até Joseph que se preparava para um cruzado direto, quando a outra abaixou para prender a sua perna e derrubá-lo, fazendo uma luta no chão. Alguns golpes de submissão do jiu jitsu, como o chave de braço fora empregado para fazer o homem soltar o sabre que estava em sua mão. O que de fato ocorreu e o combate tornou-se corpo a corpo.
Joseph conseguiu se soltar, desejando aplicar o golpe da guilhotina, sendo considerada uma das finalizações mais perigosas do Jiu-jitsu para poder encaminhar aquele duelo para o fim.
Percebendo o que o primo tramava, Bess relembrou das aulas que recebeu e sabia que a mão no pulso do adversário era essencial para aliviar a pressão daquele golpe para poder começar o processo de transição de escape. Bess estava com o peso projetado nos ombros de Joseph, forçando-o a avançar para a lateral e criando o alivio do arrocho daquele golpe para fugir e assim conseguiu.
Ambos se afastaram e a jovem Heinz, encontrava com as feições rubras e as veias das têmporas sobressaltadas. Joseph, por sua vez, encontrava-se com raiva no olhar, aquele duelo parecia não ter fim. As armas brancas estavam distante dos dois, igualmente por dois metros e eles pensavam a mesma coisa, precisavam recuperar suas armas.
Uma corrida começou para que pegaria a lamina primeiro, aquela corrida, agitou a areia que resultou em uma cortina de areia curta, embora pudesse irritar os olhos dos espectadores, fazendo eles fecharem os olhos por pouco tempo, mas fundamental para perderem a cena que desenrolou a seguir dos dois competidores abraçados um no outro com uma lamina transpassada.
Córdelia levantou de seu lugar sem saber quem havia sido atingido, os outros que estavam ali seguiram seu movimento e ficaram boquiabertos. Aos poucos Joseph se desvencilhava e se afastava dali com a mão segurando o abdômen que escorria o sangue dali e o sabre de Elizabeth ensanguentado com o teor do líquido carmesim do homem a sua frente.
Joseph estava caído, havia recebido a perfuração da lamina de Bess, o que a tornava vencedora daquela disputa. Enquanto era reconhecida que a vitória seria de Elizabeth, após ter baixado a guarda, em seus últimos suspiros, Joseph passou a sua lamina envenenada no braço de Elizabeth que sofreu o corte.
- Posso morrer, mas ao menos levarei você junto Heinz! – dizia enquanto cuspia sangue e parava de respirar aos poucos, segurando seu ferimento.
- Merda, esse infeliz, nem quando está morrendo deixa de ser um verdadeiro trapaceiro. – Chalotte gritava. – Vocês viram, a vitória foi concedida a linhagem dos Heinz terceiro e mesmo assim, Joseph violou as regras após ter sido mortalmente ferido, Elizabeth deverá receber os primeiros socorros e cuidados imediatos.
Na arquibancada, o pai de Joseph gritou em protesto fortemente.
- NÃO, ISSO É TRAPAÇA, ELA RECUSOU O ANTIDOTO! – argumentava ele.
O resto dos membros, por mais que não gostassem de Elizabeth, de fato observaram que as regras do jogo eram claras e houve a violação, a trapaça deveria ser feita sem o outro jogador perceber, Joseph não poderia mais dar o golpe, se sofreu o primeiro, sendo ferido. Assim, a jovem receberia os cuidados.
- Irei tratar dela! – Charlotte, fazia os primeiros cuidados para isolar o veneno, bem como todo o quesito necessário, pois já sabia que tipo de veneno fora aplicado, apenas deveria ser dado o antidoto, mas por medidas mais eficazes, levaria a jovem Heinz para o hospital que era residente.
No Hospital de Nova Amsterdam, Elizabeth se encontrava recebendo todo atendimento e aparato, estava em observação pela sua prima, Charlotte, enquanto recebera a visita de Camilla Lamartine, que entrou no quarto, pois estava de plantão naquela hora.
- Vocês Heinz gostam de fazer uma visita ao hospital, não é mesmo? – ela olhava a ficha e franziu o cenho. – Vocês tem muitas visitas de animais peçonhentos em casa, deveriam ter mais cuidado. E esse isso no braço e no abdomen? Parece que estava metida em alguma briga.
Charlotte estava ali para intervir.
- É, temos algumas plantas estranhas em casa, bem como animais peçonhentos gostam de nos visitar, vivemos próximo de uma reserva, então, acaba acontecendo esses incidentes. – explicou a prima de Elizabeth. – Quanto ao braço, ela se machucou, um arranhão, mas já cuidei disso e não ficará nenhuma cicatriz. Ora, dra. Camilla, Elizabeth pratica jiu-jitsu e participou de uma competição recentemente.
- Compreendo, deve tomar mais cuidado com esses torneios. Está bem estável, o que é bom! Fico feliz com isso. Deixarei você cuidando disso. Melhoras, Liz, e... – Camilla parou para falar. – peço desculpas pela minha filha e espero que possa falar com ela futuramente.
Elizabeth agradeceu aos votos de melhora, mas nada disse quanto a fala de Vivienne.
Mais dois dias se passaram...
Elizabeth havia recebido alta, estava completamente bem e recuperada, Niles ficou de busca-la no hospital e conduzí-la para a mansão Heinz. Seu caminho foi ouvindo alguma música instrumental clássica que não estava prestando muita atenção assim. Quando o carro estacionou no parque de veículos dos Heinz, havia um bilhete indicando para ela ir para a entrada do labirinto da família.
- Niles, pode me explicar o que é isso? – indagava ao seu motorista, porém, quando virou para vê-lo, ele já havia saído pelos fundos. Aquela escrita não era da sua irmã, pois tinham a mesma escrita. Também não era da sua mãe.
Passou a caminhar até a entrada do jardim que ficava a entrada do labirinto, altos arbustos, o chamado labirinto verde. Foi uma inspiração que seu pai teve ao visitar o Reino Unido, com o labirinto Yew Maze e Water Maze. Assim, as paredes são altas e compostas por lindos arbustos, no centro do labirinto há uma passarela de pedra que deverá ser passada para encontra a bela estufa que ali se esconde.
Vendo aquela linda entrada com altos arbustos, outro bilhete entre os curtos galhos estava lá, dizendo que deveria ir para a estufa. Elizabeth olhou ao redor com um ar um tanto furioso e irritado.
- Ok, seja lá quem está fazendo isso é cansativo, eu acabei de sair de um hospital! Seria interessante deixar seja quem for esperando. Izzy se for você, quando eu te encontrar! – bufou de raiva e começou a entrar pelo labirinto relembrando todo o caminho para chegar ao centro, pois ela sabia muito bem quais lados deveria seguir.
Quando chegou no final do labirinto e atravessou a passarela de pedras ao redor da estufa havia um lindo lago. A estufa de vidro, brilhante estava perfeita com sua grandiosidade. O teto com galhos de cerejeira, porta em arco e as mais distintas e belas espécimes de flores e plantas de distintas localidades de outros países. Era um lugar querido para Elizabeth, embora fizesse muito tempo que não fosse ali, pois sua vida havia se tornado corrida demais.
Mas recordava que frequentava aquele local na adolescência, era um dos seus lugares preferidos em toda a mansão. Ali ela pode ver algo que não estava fazia parte dos objetos da estufa, uma tela de mais ou menos 50 polegadas colocada no alto que estava prestes a iniciar um vídeo.
- Mas o que é isso? – disse ao se aproximar – parece que algo está prestes a começar nessa televisão.
Quando começou a perceber, ao fundo tocava a música Shallow e uma Vivienne tímida e sem jeito começava a contar toda a sua história, a razão de ter escrito aquela carta, e principalmente o motivo de ter sumido durante essas últimas semanas e por quase um mês. Narrou que queria protege-la, não só a ela, mas todos, se sentiria infeliz se causasse mais dano do que já havia causado anteriormente.
E aos poucos a música começava a aumentar e naquele vídeo, aparecia a voz de Vivienne cantando timidamente, embora que harmoniosamente, em um estúdio de gravação. Aquela música já havia acompanhado as duas em tantos momentos significativos que ver a ruiva cantando um cover daquele som, fez o coração da mais velha falhar e levar as mãos a boca. Seus olhos azuis disputavam por permanecerem nítidos em frente as lágrimas que teimavam em ofuscar e embaçar aquele momento.
Ao final da música, Vivienne apareceu e ficou em frente aquela loira.
- Oi... – disse Vivienne.
- Sua voz lembra a da cantora holandesa Emma Heesters.
Vivienne soltou um risinho, meio tímida.
- Você sabe mesmo cantar, Lamartine, não sabia disso. É uma caixinha de surpresas.
- A anos não fazia e cantava apenas para a família e em ocasiões importantes e especiais.
- E em qual situação esse momento se enquadra? – indagou a mais velha sem se aproximar ainda.
- Em uma ocasião extremamente importante e especial. – Vivienne se aproximou um pouco dela. – Eu pensei em muitas formas de como iniciar essa conversa. Queria te pedir perdão, sei que te magoei, te deixei esperando, perdida, ferida, mas não podia correr o risco de machucarem você. Alexander estava louco e ele poderia fazer algo contra você, sua família e a minha própria família. Eu não tive outra saída. E de fato, são as mais sinceras palavras. E sei que você acreditaria nelas, pois sabe que é verdade. Mas algo em você ainda estaria em dúvida se o que sinto e vivemos foi real. – Vivienne deu mais um passo a frente. – Desde que nos separamos tive sonhos estranhos e o quanto eles foram perturbadores para mim. Mamãe me disse que você estava hospitalizada a dois dias atrás devido a algum animal peçonhento que a picou. Essa era a história, embora eu soubesse que isso nãõ é verdade. Sabia que o jogo secreto da família Heinz ainda estava rolando e você estava na linha de frente, o que só podia significar que você foi envenenada e a dor e o medo de te perder de outras formas voltaram. Entrei em completo desespero, até mamãe me contar que estava tudo bem, você estava fora de perigo.
Novamente outro passo foi dado por Vivienne, estando agora a um passo de Elizabeth que não ousou se aproximar ou se afastar.
- Falei com a Izzy e ela me contou tudo e eu sabia que por mais nobre que tivesse sido a minha intenção de te proteger, não conseguiria fazer isso para sempre e não poderia usar as palavras que usei, mesmo que para mim, naquele momento parecesse ser a única saída.
- Pois é. – sussurrou a loira.
- Eu queria te contar tudo antes, mas você não merecia um pedido de desculpas por cartas, por telefone. Eu fiz isso, por achar que era o certo, mas estou aqui te pedindo perdão, por ter magoado e machucado.
Elizabeth estava um pouco nervosa pela primeira vez, já havia passado por tantas audiências, dado tantas aulas, apresentado inúmeros trabalhos com centenas de pessoas, nada a abalava ou a deixou tão nervosa quanto aquele momento ali com a ruiva se abrindo para ela.
- Eu posso ter demorado muito para dizer, posso ter falado que me enganei na carta e espero que entenda que eram palavras falsas, pois a verdade é que eu amo você Elizabeth, Bess, Victoria Heinz! – declarou Vivienne Lamartine. – por favor, me perdoa.
Elizabeth a puxou Vivienne pela cintura para acabar com aquele espaço entre elas e pegou seu rosto nas mãos, respondendo aquele suplico de desculpas com um beijo. E naquele momento, toda a saudade que Elizabeth estava sentindo foi expressa naquele beijo, frenético, desvairado com entrelaçar de línguas, uma dança que só as duas podiam fazer naquele momento.
Vivienne envolveu os braços na nuca de Elizabeth, mergulhando-se ainda mais naquele beijo e se envolvendo. A mais velha soltou um suspiro prazeroso e saudoso. Por fim, o beijo ficou mais suave e delicado, até ficarem as duas olhando uma para a outra com as testas coladas.
- Você é incrível, Enne! Confesso que eu já sabia de tudo isso.
Vivienne franziu o cenho sem entender.
- Eu já sabia que você estava tentando proteger a gente, quando finalmente você fez contato com Kitty e foi falar com ela no seu apartamento, de forma imediata, assim que você saiu de lá, ela mandou explicações. Um tremendo áudio de mais de trinta minutos. Explicou toda a situação e eu já tinha perdoado você. Agradeço por cuidar de nós, tomou a decisão tentando proteger a todos, certo? Mas você me deixou irritada com você, Enne. Compreendo tudo o que fez e é como você disse, eu não sabia o que você sentia e se estava bem com tudo isso. Acredito que todos nós passamos por um momento de autorreflexão e saber o que queremos e quis dar a chance de você se entender também e o que o nós representa para você. – Elizabeth a abraçou. – Ainda sim, acredito que deveria ter falado comigo toda a situação, pois era também o nosso relacionamento em jogo e tomou uma decisão sozinha e se colocou em perigo, foi algo doloroso para nós duas. Nós duas nos ferimos e essas marcas nunca irão apagar, nós cometemos erros, mas é sobre isso que o amor representa. Então, eu também amo você Vivienne Lamartine! Só aquele vídeo já significou muito!
Vivienne sorriu.
- Você está certa e eu não estou mais perdida! Encontrei diversos motivos para me fazer forte e seguir em frente e amar o que a vida tem para oferecer!
- Uau, Lamartine! Você me surpreende cada vez mais!
Vivienne voltou a sussurrar a música Shallow para Elizabeth apreciando e desfrutando aquele momento juntas.
[1] setembro
[2] Viciado em trabalho.
Fim do capítulo
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