• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Negue se for capaz!
  • Capitulo 10 - Tudo ia ficar bem?

Info

Membros ativos: 9579
Membros inativos: 1617
Histórias: 1971
Capítulos: 20,927
Palavras: 52,929,536
Autores: 808
Comentários: 108,967
Comentaristas: 2597
Membro recente: Anik

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025
  • Livro 2121 já à venda
    Em 30/07/2025

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (234)
  • Cronicas (232)
  • Desafios (182)
  • Degustações (27)
  • Natal (9)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Entrelinhas de um contrato
    Entrelinhas de um contrato
    Por millah
  • RASGANDO O VEU DE MAYA
    RASGANDO O VEU DE MAYA
    Por Zanja45

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • 2121
    2121
    Por Cristiane Schwinden
  • Proibida de te Amar
    Proibida de te Amar
    Por Ana Pizani

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (234)
  • Cronicas (232)
  • Desafios (182)
  • Degustações (27)
  • Natal (9)
  • Resenhas (1)

Negue se for capaz! por Jessy Mendes

Ver comentários: 1

Ver lista de capítulos

Palavras: 3948
Acessos: 691   |  Postado em: 07/08/2024

Capitulo 10 - Tudo ia ficar bem?

 

.

 

 

Lara.

 

 

Lucas tinha me feito rir praticamente o almoço todo e eu não precisei forçar sorriso hora nenhuma. Acho que eu estava começando a aceitar minha vida e os fatos que tinham acontecido de forma louca ultimamente. Talvez eu estivesse me acostumando com sua ausência, com o fato dela ser somente minha chefe, mas eu ainda ficava triste quando percebia meu coração se acostumando sem ela. Era triste desistir, mas ela não me dava outra opção, não é mesmo? Durante o almoço marcamos de fazer algo esse fim de semana. Voltamos pra empresa conversando bobeiras, e eu pude perceber como ele estava cada vez mais apaixonado pelo Mau. Eles tinham se conhecido num desses congestionamentos enormes de SP, vocês acreditam? Eu também não acreditei. Mas ele me disse que detalhes do ocorrido Mau me contaria no sábado. Nos despedimos com a promessa de que sairíamos no fim de semana. E assim que passei pela porta da chefona, me senti triste. Eu queria poder entrar na sua sala e não ir para a minha que era totalmente sem graça. Entrei, fechei a porta e suspirei. Eu andava suspirando muito ultimamente, repararam? Bem, enfim, trabalhar aqui não era nada ruim, mas trabalhar olhando para ela era melhor. Fiquei olhando para janela e decidi que não adiantava ficar aqui esperando a vida mudar, eu tinha trabalho a fazer. Assim que virei para me sentar, percebi uma coisinha que não estava em cima da minha mesa antes. Dei um passo rumo à coisa e parecia... Uma tortinha de morango? Quem fez aquilo? Olhei para os lados temendo ser algum tipo de brincadeira muito sem graça. Foi quando olhei de novo mais de perto, vi o bilhete e reconheci a letra. Abri o maior sorriso que podia, quase rasgando a boca.

' Uma tortinha de morango em troca de um sorriso? '

 

Não acreditei! Olhei de novo para os lados, só para ter certeza que não era nenhum tipo de pegadinha, mesmo. Só podia ser Ana, não é? Quem mais seria? Tive receio. Olhei bem a letra e colei o papel na ponta do nariz para verificar bem de perto. Eu tinha passado pouco tempo com ela, mas já reconhecia sua caligrafia o suficiente. ' Uma tortinha em troca de um sorriso?’ Eu daria quantos sorrisos ela quisesse em troca de nada. Tá bom, eu não gostava de doce o suficiente pra comer uma torta sozinha, só quando eu estava naqueles dias sabe? Aqueles mesmos. Mas fora esses dias eu praticamente não podia sentir nem o cheiro, no entanto nunca fiquei tão feliz por receber uma tortinha de doce. Eu não sabia o que fazer, mas decidi ir atrás de Ana. Se eu chegasse em sua sala e não tivesse sido ela quem deixou a torta ali, eu mataria o desgraçado que tinha feito aquilo. Ainda com ela na mão fui na sala dela e mal cumprimentei Vanessa, fui direto. Bati na porta, esperei ainda com o sorriso, rezando pra ter sido ela quem realmente deixou lá.

-- Entra...

Aí aquela voz! Eu estava toda eufórica, isso porque eu falei a pouco tempo que estava me acostumando com a ausência dela, né? Pois é, retiro o que disse. Entrei, olhei para dentro da sala. Ela tava sentadinha e quando me viu olhou para a tortinha em minhas mãos, sorrindo. Confirmando silenciosamente, minha dúvida. Abaixei o olhar e sorri, ainda calada. Ela estava esperando eu dizer algo primeiro, era notável pela sua expressão que ela estava se divertindo com aquilo. Ficamos nesse silêncio por um tempo, até que resolvi quebrá-lo.

-- Oi... - disse muito sem graça.

-- Oii... - seu sorriso era singelo e lindo. Ela já sabia que eu já sabia. Abaixamos as cabeças e rimos do nosso nervosismo, juntas.

-- Humm... Você deixou isso na minha mesa? - 'diz que sim! Diz que sim!' – Ergui a tortinha no ar, mostrando para ela.

-- Deixei sim... - Ela parecia uma criança arteira, pelo menos pra mim. Com aquele dedo na boca e o outro na maça do rosto, em uma feição tentando ser séria, mas divertida. Acho que aquele dedo era só para tentar esconder o riso.

-- Ah...

 

Silêncio de novo enquanto nos encarávamos. Olhei pra baixo, olhei pros lados, depois olhei pra ela. O que ela esperava que eu dissesse? O que eu diria?

-- Muito obrigada.

-- Lara, veja bem. Eu não te dei nada, porque eu nunca dou nada de graça aos outros. Fiz uma troca. – E ela deu uma piscadela. Nenhum comentário passou pela minha cabeça, porque eu estava sem ar.

‘‘Respira! 1...2...3...’’

-- Ah sim... - Sorri, quase virando um riso. Toda vez que eu ficava nervosa eu começava a rir. É sério, e isso já tinha me atrapalhado várias vezes. Mas eu só queria respirar, gente.

‘‘Respira! 4...5...10...’’ Olhei para baixo ainda meio nervosa, meio tímida tentando esconder meu sorriso, eu não gostava dele, achava meus dentes muito grandes.

-- Aí está o que eu queria. -- Ela se levantou, ficou de frente sua mesa, encostou lá e ficou me olhando. Levantei o olhar e olhei pra ela também, ainda com medo, mas querendo desesperadamente me soltar. -- Senti falta disso, Lara. Não aguentava mais ver você toda dura, igual estava comigo.

-- Ah... -- Meu Deus! Aquilo estava mesmo acontecendo? A chefona estava ali, paradinha na minha frente, dizendo que sentia minha falta? O que eu ia falar agora, sem me entregar em cada silaba? Aff, a mulher estava ali toda doce, então não tinha porque me segurar mais. -- Eu também senti muita falta, Ana...

-- Eu...-- Ela começo a remexer com as mãos, apertando uma a outra. -- Eu queria poder dizer tantas coisas, mas eu sou tão ruim com isso. -- ela começou a falar do nada. Aí parou e ficou me olhando, com aqueles olhos do gatinho do Shrek.

-- Só fala, sem pensar muito nas palavras antes. Vai soltando o que vier e no fim a gente junta e vê o que deu. - Ela sorriu e deu uma respirada. Viu? Eu estava quase me desapaixonando por ela, aí ela vem e faz essas coisas. Não era culpa minha! Por favor, alguém registra aí que não era culpa minha?

-- Lara eu... Primeiro, eu sinto muito por ter brigado com você o dia que o Victor estava aqui. Eu estava nervosa com ele, por que... Bem, isso são coisas passadas, mas enfim, acabei descontando em você. Entenda... Ninguém nunca me viu chorar antes e eu estava frágil no momento e com medo...

-- Eu entendo sua posição aqui, Ana. Sei o qual durona você tem que se fazer todos os dias. Tudo bem.

-- Sim, também, mas quero que saiba que não tive e não tenho preconceito nenhum contra quem você é. Respeito totalmente e sempre fui assim. Para mim, ser homossexual é como ser negro ou deficiente. Você não escolhe nascer assim e nem deve ser tratado diferente por isso. No fundo somos todos iguais, não é mesmo? Eu acho... Na verdade, me enoja quem trata alguém mal só porque a pessoa não se encaixa no padrão que “a sociedade inventou”.

 

Ela deu os ombros, como quem deixava claro pensar daquele jeito e não fazer grande caso com isso. Ela não era linda? Podia ser durona, marrenta, mas era um amor de pessoa. Meus olhos brilharam quando ela disse isso. Ai.. ai... Ela continuou.

-- Então chegamos no dia da reunião com meu pai. -- Ela fez uma cara de brava, soltou um suspiro e deu um sorrisinho. -- Lara, você é uma pessoa muito arteira que entra na vida das pessoas sem pedir permissão e isso me deixou e ainda me deixa muito nervosa.

Seu sorriso sumiu e se transformou em uma feição quase de dor. Ela andou, saiu da posição que estava e ficou encarando a janela de costas pra mim. Eu que tinha aberto um sorriso com suas ultimas palavras, fiquei tensa, pois sua expressão mudou. Respeitei o silêncio que tomou a sala, pois eu sabia que ela começaria a se abrir e esses momentos eram difíceis para ela. Eu mesma nunca me abria, por mais aberta que eu parecesse ao mundo.

-- Meu pai e eu temos alguns problemas. Na verdade, não damos nada certo. Não importa o que eu faça, o quanto eu mude ou o quanto eu rale. Pois nada é o suficiente pra ele. -- ela parecia cansada. Ainda mais depois daquele suspiro.

-- Seu pai é um idiota, com todo perdão. - Ela deu um riso sofrido. Eu e minha boca grande. Tinha que ser mineira, por onde passam vários ''trens'' todo dia! Mas não me arrependia das minhas palavras.

-- Tudo bem, eu também o acho um idiota todo tempo. Enfim, ele me detesta, eu acredito assim. Ele... Ele vê minha mãe em mim a cada vez que me olha. Ela nos abandonou há muito tempo e agora ele é um homem amargurado por isso. Tentei fechar esse buraco em seu peito por muitos anos, mas... Ele não dá valor. Nunca deu. Odiei minha mãe muitos anos, sem entender o porquê de ela ter nos deixado. Hoje sou uma mulher, e talvez agora eu a entenda. -- ela olhou pra mim em um misto de raiva, gratidão, suplica e divertimento. -- Bem, tudo começou a parecer fora do lugar desde que você apareceu. Não sei por que, como ou quando, mas... - Ela parou um segundo. Mas as quantas realmente andavam seus pensamentos eu não saberia, não agora, porque ela cortou o assunto e foi para outro. - Me desculpa. Meu pai me machucou muito, eu estava nervosa e fui extremamente rude, eu sei. Minhas sinceras desculpas ficam aqui.

 

Tudo parecia fora do lugar desde que eu apareci? Gente, aquilo não era qualquer coisa não. Se ela soubesse que eu também me sentia assim, fora de lugar desde que ela apareceu em minha vida. Não conseguia pensar direito, suas palavras me deixaram meio abobalhada, quase bêbada. Eu pensaria em cada palavrinha mais tarde, mas agora? Que fossem para o inferno as regras. Andei até ela olhando bem fundo naqueles olhos, coloquei a mão em seus ombros e falei baixo, com calma, tentando consolá-la e mostrar que eu podia não ser ninguém importante, mas que queria fazer toda a diferença em sua vida.

 

-- Ana, seu pai só dá valor no dinheiro e em quem trás algum dinheiro pra ele. Quando você era mais jovem o dinheiro comprava tudo. Você tinha amigos, tinha boas viagens, escola particular, celulares e etc. Sua mãe em algum momento sentiu falta de si mesma e foi embora. Ela não foi certa em deixar você tão pequena, mas tenho certeza que teve seus motivos. Você está presa na armadilha que seu pai plantou e manipulou desde que sua mãe se foi. Hoje em dia você é uma mulher, a cada dia se torna mais e mais madura e agora você sabe que o dinheiro não compra carinho, amor, amizade, toque e nem uma vida. -- olhei bem fundo para ela antes de completar. -- Muito menos um abraço. -- e foi o que eu fiz gente, abracei ela. Primeiro bem devagar, depois fui apertando mais para ela sentir segurança. Meu corpo estremeceu pela proximidade, não vou negar. Mas aquele não era o momento, pois aquele instante pedia seriedade e compaixão, pedia cuidado e amor. E foi tudo o que eu tentei dar nesse abraço. Ela apoiou a cabeça no meu ombro e eu afundei o rosto nos cabelos dela, tão cheirosos, tão macios. Ficamos assim por um tempo e eu a apertei um pouquinho mais antes de soltá-la. Olhei para ela de novo e dei um sorriso.

-- Eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas já que eu apareci vou tentar mudar um pouquinho da sua vida, como eu puder e com o que eu tiver. Se você me permitir, é claro. Eu sei que não é qualquer uma que deixa sua vida nas mãos de uma louca, mas...

 

Ela riu, coçou os olhos e assim que os abriu, seu olhar fixou algum ponto em cima da mesa. Olhei também e percebi o que ela tanto encarava. Sorri e ela também, antes de dizer:

-- O melhor investimento da minha vida foi essa tortinha de morango.

 

Olhei para ela ainda sorrindo, seus olhos brilhavam agora e eu queria que eles brilhassem sempre.

 

 

Ana

 

Fiquei na minha sala praticamente todo tempo, tentando me convencer de que eu não estava nervosa. Tentei ler alguns papeis, fiz alguns desenhos esquisitos em folhas que não deveria. Rasguei e joguei fora as mesmas, depois liguei para Vanessa imprimir outras e xinguei várias vezes, até a porta. Olhei para a janela, respirei 10 vezes e pronto, me acalmei.

O tique na minha perna direita, oscilando, não confirmava minha calmaria, quando alguém bateu na porta.

-- Entra. – Mal consegui dizer, pois eu já reconhecia até seu ‘‘toc-toc’’

E ela entrou sorrindo meio tímida, mas finalmente sorrindo! Ufa, além disso, ela estava segurando a tortinha. Achei tão fofinha a cara dela, com ela carregando aquilo que sorri. Ela olhou pra baixo, envergonhada? Aquilo não me parecia pertencer a Lara. Mas eu estava igual a ela, sem saber o que fazer. O que me deu pra colocar aquilo na mesa dela? EU TAMBÉM NÃO SEI! Ela e somente ela me fazia sentir assim. Eu sentia a cada dia que ela me fazia encontrar meu verdadeiro eu. Encontrar eu mesma, mas me deixando totalmente perdida. Ai droga! Pensa, pensa, pensa... O que falar ou o que fazer? Deixei que ela falasse primeiro, pois eu queria ver sua reação.

-- Oi. - Ela disse sem firmeza. Amém, alguém tinha quebrado o clima. Eu nunca soube como era me sentir meio retardada, até aquele momento. Ela já sabia que era eu quem tinha deixado a tortinha, e agora?

Oi. – Eu disse e rimos da nossa cumplicidade no nervosismo. Quase duas adolescentes. Eu estava me sentindo uma adolescente.

-- Humm... Você deixou isso na minha mesa? - Gente, que sorriso torto mais malandro e lindo.

-- Deixei sim... -- Peguei o espírito da coisa fácil e entrei na brincadeira, também. Eu queria que tudo voltasse a ficar bem, só isso.

-- Ah... – Como assim só ‘‘Ah’’???!!!!

Silêncio. Ela olhou para baixo, para os lados e se brincar até pro avião que passava pela janela. Será que ela queria devolver? Ainda tava fechadinha. E se ela não me desculpasse? Alguém, pelo amor de Deus! O que foi esse ‘‘Ah...’’?

-- Muito obrigada. - Enfim algum som nessa sala, porque até o ar tinha sumido nesses segundos. Achei o ar que eu tinha perdido e disse:

-- Lara, veja bem. Eu não te dei nada, porque eu nunca dou nada de graça aos outros. Fiz uma troca. – Eu estava nervosa, sim, mas não tinha esquecido meu propósito. Dei uma piscada para ela de cumplicidade e lá estava o que eu queria, o seu sorriso. Eu queria que o seu perdão viesse de brinde, além do sorriso, mas só não deixei isso muito claro no nosso contrato sem linhas, papel ou leis.

-- Ah sim... – Ela disse. Começou a abrir um sorriso, abaixou a cabeça como quem se esconde, mas ainda sim, ali estava Lara de volta.

-- Ai está o que eu queria. - Aquilo me atingiu, em cheio, me fazendo tremer por dentro e me fez sentir extremamente estranha. Sempre que ela sorria daquele jeito, aquele tremorzinho me atingia e eu sentia vontade de chorar que nem criança. Isso não era muito esquisito? Minhas emoções me carregaram nessa hora, dei a volta e apoiei na mesa. Falei sem pensar, apenas sentindo. -- Senti falta disso, Lara. Não aguentava mais ver você toda dura, igual estava comigo.

-- Ah... - Ela olhou pra todo lado de novo, como se não soubesse o que falar, quando disse num suspiro, olhando para mim. -- Eu também senti muita falta, Ana... – Adorava o modo que ela pronunciava meu nome, era sem igual. E se eu não estivesse apoiada na mesa, eu teria caído, com certeza. Cadê os ossos dos meus joelhos? Eu já não pensava direito, então comecei a falar, porque parecia uma fonte de sentimentos presos aqui dentro, querendo sair.

--- Eu... – Remexia as mãos, nervosa. -- Eu queria poder dizer tantas coisas, mas eu sou tão ruim com isso. -- Lá estava eu, perdida, tentando me explicar e pedir desculpas. Olhei para ela, confusa e com medo.

-- Só fala, sem pensar muito nas palavras antes. Vai soltando o que vier e no fim a gente junta e vê o que deu. -- Não tinha como não sorrir do seu jeitinho. Parecia que Lara via o mundo através dos olhos de uma criança, na maioria das vezes. E eu fui falando.

-- Lara eu... Primeiro, eu sinto muito por ter brigado com você o dia que o Victor estava aqui. Eu estava nervosa com ele, por que... Bem, isso são coisas pessoas, mas enfim, acabei descontando em você. Entenda... Ninguém nunca me viu chorar antes e eu estava frágil no momento e com medo... – Depois que falei, percebi que metade dessas coisas aí não era para ter saído da minha boca. Mas ela não me deu tempo para arrependimento.

-- Eu entendo sua posição aqui, Ana. Sei o qual durona você tem que se fazer todos os dias. Tudo bem. -- E quando eu pensava que ela era uma criança, ela vinha se mostrar muito mais adulta, atenciosa e observadora do que a gente pensava.

-- Sim, também, mas quero que saiba que não tive e não tenho preconceito nenhum contra quem você é. Respeito totalmente e sempre fui assim. Para mim, ser homossexual é como ser negro ou deficiente. Você não escolhe nascer assim e nem deve ser tratado diferente por isso. No fundo somos todos iguais, não é mesmo? Eu acho... - Eu fui falando tudo, fora de ordem, como ela tinha me falado para fazer. Eu não ia e nem conseguia pensar muito bem agora. Dei os ombros porque não tinha mais o que falar sobre isso, achava desnecessário. Preconceito era um assunto tão bobo, não deveria nem existir. Ficamos em silêncio um tempo e eu continuei.

-- Então chegamos no dia da reunião com meu pai. – Lembrei do dia e tentei fazer cara de brava, mas não consegui e acabei sorrindo. -- Lara, você é uma pessoa muito custosa que entra na vida das pessoas sem pedir permissão e isso me deixou e ainda me deixa muito nervosa.

Eu queria sorrir, amenizar o clima pesado da sala. Mas ao mesmo tempo eu queria falar tudo de uma vez, queria gritar. Eu estava permitindo que ela entrasse em terreno perigoso, então fui pra janela e fiquei olhando lá fora.

 

 

-- Meu pai e eu temos alguns problemas. Na verdade não damos nada certo. Não importa o que eu faça, o quanto eu mude ou o quanto eu rale. Pois nada é o suficiente pra ele. - Suspirei cansada, como se fosse uma velha. Meu pai e o Victor tinham o dom de me fazer sentir uma velha.

-- Seu pai é um idiota, com todo perdão. -- E lá estava ela, com seu ar de criança, fazendo bagunça. Dei um sorriso triste. Eu queria ser assim, solta que nem ela. Chamar o próprio chefe de idiota, que maluca!

-- Tudo bem, eu também acho ele um idiota todo tempo. Enfim, ele me detesta, eu acredito assim. Ele... Ele vê minha mãe em mim a cada vez que me olha. Ela nos abandonou há muito tempo e agora ele é um homem amargurado por isso. Tentei fechar esse buraco em seu peito por muitos anos, mas... Ele não dá valor. Nunca deu. Odiei minha mãe muitos anos, sem entender o porquê dela ter nos deixado. Hoje sou uma mulher, e talvez agora eu a entenda. -- Olhei pra ela. Eu me senti triste pela minha própria história, me sentia cansada, como não me lembro de ter sentido tanto, antes. Senti raiva por ela ter aparecido em minha vida pra me despertar dos mortos e pensando bem, tudo era uma coisa muito maluca. -- Bem, tudo começou a parecer fora do lugar desde que você apareceu. Não sei por que, como ou quando, mas...

Eu parei aqui. Tive receio do que poderia vir depois daquelas palavras, até porque eu não sabia nada sobre o que estava acontecendo entre eu e ela. Muito menos o que estava acontecendo dentro de mim ou na minha vida. Lembrei da minha meta, que era só pedir desculpa.

- Me desculpa. Meu pai me machucou muito, eu estava nervosa e fui extremamente rude, eu sei. Minhas sinceras desculpas ficam aqui.

Sem eu prever seu movimento, ela andou até mim, me olhou bem nos olhos e eu me senti entorpecida. Seu olhar era profundo e eu estava me perdendo nele, cada vez mais. Do momento que ela me lembrava uma criança até seus momentos mais mulher. Segurou meus ombros, de maneira forte e disse:

-- Ana, seu pai só dá valor no dinheiro e em quem trás algum dinheiro pra ele. Quando você era mais jovem o dinheiro comprava tudo. Você tinha amigos, tinha boas viagens, escola particular, celulares e etc. Sua mãe em algum momento sentiu falta de si mesma e foi embora. Ela não foi certa em deixar você tão pequena, mas tenho certeza que teve seus motivos. Você está presa na armadilha que seu pai plantou e manipulou desde que sua mãe se foi. Hoje em dia você é uma mulher, a cada dia se torna mais e mais madura e agora você sabe que o dinheiro não compra carinho, amor, amizade, toque e nem uma vida. – Me olhou mais profundamente ainda e disse: Muito menos um abraço. -- E foi o que ela fez. Eu não esperava, no entanto descobri que era o mais queria. Um abraço. A criança dentro de mim urrou. Eu nunca tinha dito nada para ela, nunca tinha deixado nenhuma porta aberta ou nenhuma brecha pra ela me conhecer tão bem assim. Ela me assustou com seu lado maduro, observador e me confortou com seu abraço tão protetor. Foi bem assim que eu me senti, protegida. Afundei o rosto no pescoço dela, respirei seu perfume. Lembrei do meu quarto, da minha cama, dos meus sonhos, de abrigo e de paz. Ela afundou o rosto nos meus cabelos. Depois me apertou por um segundo mais forte, me soltou, olhou pra mim e sorriu. Eu me sentia em paz, realmente. Minha alma... Eu não sabia colocar o que sentia em palavras.

-- Eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas já que eu apareci vou tentar mudar um pouquinho da sua vida, como eu puder e com o que eu tiver. Se você me permitir, é claro. Eu sei que não é qualquer uma que deixa sua vida nas mãos de uma louca, mas...

Ela deu os ombros, convidativa e divertida. Poderia eu gritar, ‘‘ACEITO!’’? Sorri, me sentindo leve. Cocei os olhos, até parecia que eu tinha chorado a noite toda. O sol bateu na mesa e refletiu no plástico da tortinha, fiquei encarando-a. Como coisas tão pequenas podem fazer coisas tão grandes em nossas vidas? Ela olhou também, curiosa. Eu então expliquei.

-- O melhor investimento da minha vida foi essa tortinha de morango.

 

Ela riu, eu ri e rimos juntas, ainda meio abraçadas. Uma risada tão gostosa. Tudo ia ficar bem.

 

 

.

Fim do capítulo

Notas finais:

Oláaaaa, meninas, como vocês estão?

 

Sei que, às vezes, pode parecer meio repetido algumas partes, mas eu como leitora sempre amei saber os dois lados dos pensamentos e sentimentos dos personagens, então, eu acabo fazendo isso na minha escrita. Espero que vocês gostem também!!

 

<3


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 10 - Capitulo 10 - Tudo ia ficar bem?:
S2 jack S2
S2 jack S2

Em: 07/08/2024

Adorei a Ana ter se permitido viver esse momento de carinho e acolhimento com a Lara...

 

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web