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Nórdicos por Natalia S Silva

Ver comentários: 6

Ver lista de capítulos

Palavras: 3854
Acessos: 1301   |  Postado em: 30/03/2024

Capitulo 24

 

Gunnar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os meses se passaram arrastado, eu não sabia os motivos pelos quais meu pai ainda me mantinha viva, a tortura aos poucos foi cessando e eu já não o via há bastante tempo.

Certo dia fui tirada do porão onde estava desde o meu retorno à colônia, e levada para o porão do casarão do falecido Lord Harald, presa a um cômodo com cama e banheiro disponível, diferentemente do anterior. No começo acreditei que as coisas só iriam piorar naquele lugar, mas nada aconteceu e os dias continuam passando.

 

Tentei arrebentar a porta do cômodo inúmeras vezes, mas ela era feita de um metal grosso e resistente, impossibilitando-me de qualquer tentativa de fuga. Ainda nos primeiros dias naquele lugar, comecei a ouvir o choro insistente através da parede, tudo me levava a crer que era alguma prisioneira do meu pai que assim como eu, estava presa em algum cômodo ao lado. Porém, foi numa noite chuvosa e depois de ouvir muitos gritos de dor e desespero, que o som estridente do pranto de um bebê recém nascido ecoou por todas as paredes daquele porão.

 

Minha curiosidade foi atiçada com aquele fato novo, porém, de nada adiantaria saber quem era a prisioneira e o bebê, e a julgar pela condição que se encontrava, era meio óbvio que ela era moradora da colônia e a criança era fruto de estupro, provavelmente vindo do meu pai.

 

 

Aquela noite em especial não consegui sequer cochilar, o choro da mulher durou toda a noite, assim como vez ou outra a criança também chorava. No entanto, pela manhã ouvi vozes e movimentos do lado de fora do cômodo onde estava, e com os ouvidos atentos pude ouvir parte da conversa.

 

 

 – Por favor! Por favor! Não tire ele de mim!

 

 

A mulher suplicava às pessoas que não tirassem o bebê dos seus braços, mas de nada adiantou, a criança foi levada para sabe se lá onde, para ser criada pelo seu genitor, qual eu acreditava cegamente se tratar do meu pai.

 

Tentei ignorar o choro da mulher, tentei ignorar o fato de que acabava de nascer um bebê que provavelmente era meu meio irmão e deixei meus pensamentos vagarem até Stephanie, tentei me concentrar nos seus olhos e afastar minha consciência daquele lugar, qual eu passei a odiar profundamente.

 

Dias se passaram e a mulher continuava chorando, eu já não conseguia me alimentar nem um pouco agoniada com aquela situação, sem mencionar que vez ou outra ouvia seus gritos e súplicas, enquanto ela aparentemente era estuprada novamente por seu algoz.

 

 

Eu estava sentada no chão encostada na parede, de frente para o pequeno banheiro no canto do cômodo, que fazia divisa com a parede de onde as vozes vinham. Quando comecei a prestar atenção no encanamento que passava por debaixo da pia e atravessava a parede.

Rapidamente me levantei e andei até lá me colocando de joelhos em frente à louça. O espaço era muito pequeno, não era possível ver através dele, mas devido à abertura o material usado para construir a parede estava frágil e com algum objeto pontiagudo eu poderia tentar abrir um pouco mais. Porém, mesmo procurando por todo o cômodo, não encontrei nada que pudesse ser usado, até que o jantar chegou. Toda refeição era entregue por uma abertura na porta, a comida vinha numa tigela juntamente com uma colher e um copo de água, os quais deveriam ser entregues voluntariamente assim que terminasse a refeição. Eu devia colocar no chão do lado de fora, todos os utensílios usados na refeição, e eles seriam recolhidos quando a refeição seguinte chegasse, o que me dava algumas horas para usar a ferramenta.

 

Assim que o jantar foi servido, aguardei próximo da abertura da porta e quando tive certeza de que não havia mais ninguém naquele porão além de mim e da prisioneira ao lado, apanhei rapidamente a colher e corri para o banheiro. O objeto não era o mais indicado para aquela tarefa, mas era melhor do que com as mãos, então eu usei o cabo para ir abrindo espaço entre o cano que trazia água para o banheiro e a parede. Porém, era uma tarefa muito complicada e eu precisaria de alguns dias para conseguir algo razoável, se é que daria certo.

 

 

 – Shit! “(Merda!)”.

 

 

Eu estava a horas debaixo da pia do banheiro e não tinha conseguido nada mais do que uns dois centímetros entre o cano e a parede, e pra ajudar a colher já estava toda marcada, o que provavelmente levantaria suspeita nos soldados que traziam a comida.

Me levantei sentindo o corpo reclamar da posição incomoda que estava a bastante tempo e me dirigi até a cama, onde me sentei de frente para parede oposta de onde o banheiro ficava.

 

Depois de ficar bastante tempo divagando em meus próprios pensamentos, limpei a poeira que havia ficado debaixo da pia do banheiro e resolvi o problema da colher com o cabo marcado, coloquei-me a rabiscar algumas runas na parede, na intenção de disfarçar o verdadeiro motivo das marcas. 

 

O dia amanheceu e depois de passar a maior parte do tempo acordada, ouvi a movimentação dos soldados no corredor, e como era de se esperar eles perceberam as marcas na colher.

 

A porta de metal foi aberta e três guardas adentraram empunhando espadas, posicionando-se em pontos estratégicos do quarto caso eu tentasse alguma coisa. 

Como eu estava deitada naquele momento, me sentei devagar na beirada da cama para não causar nenhum atrito logo cedo, arrumar ferimentos novos não me adiantaria de nada. Porém, toda a minha apreensão foi para os ares ao perceber o quarto homem que adentrou no cômodo, que era ninguém menos que Ivar, um dos meus guerreiros e amigo pessoal. 

 

Meus olhos imediatamente cruzaram os seus, enquanto meu corpo recebeu uma descarga de adrenalina instantânea, era a primeira vez que via um rosto familiar desde o retorno à colônia. No entanto, algo me dizia que a rebelião havia ido para os ares e os homens que discordam do meu pai, por algum motivo passaram a obedecer cegamente como nunca feito antes.

 

 

 – Hei Gunnar! “(Olá Gunnar!)”

 

 

Os olhos de Ivar desviaram momentaneamente dos meus, indo para os desenhos na parede e a poeira no chão.

Eu queria voar no seu pescoço e matá-lo com minhas próprias mãos, nunca imaginei que ele seria meu carcereiro um dia, era uma das pessoas que mais confiei em toda minha vida.

Desviei meus olhos para o chão e me mantive cabisbaixa e em silêncio.

 

 

 – Alle ut! “(Todos pra fora!)”

 

 

Não houve resistência da parte dos outros homens que imediatamente deixaram o cômodo e fecharam a porta em seguida. Ivar se aproximou colocando-se à minha frente e com a voz baixa começou a falar.

 

 

 – Jeg hadde ikke noe valg! Han visste om opprørsplanene våre og broren Enok var undercover. Jeg ble tvunget til å hjelpe dem! Han truet familien min! “(Eu não tive escolha! Ele sabia dos nossos planos de rebelião e seu irmão Enok estava infiltrado. Fui obrigado a ajudá-los! Ele ameaçou a minha família!)”

 

 

Ouvir aquilo era de certa forma consolador, ao menos ele tinha por quem lutar e era exatamente isso que estava fazendo, mesmo que isso significasse trair nossa amizade e me entregar de bandeja ao meu pai.

 

 

 – Jeg hadde ikke noe valg! Hvis jeg kunne, ville jeg byttet plass med deg! “(Eu não tive escolha! Se eu pudesse trocaria de lugar com você!)”

 

 

Levantei lentamente o meu rosto na sua direção antes de perguntar pelo restante da minha família.

 

 

 – Min mor og mine søstre? “(Minha mãe e minhas irmãs?)”

 

 

 – Din mor Hulda og dine søstre, Sigrid, Helga og Freya har det bra! De har alle allerede sin egen familie. “(Sua mãe Hulda e suas irmãs, Sigrid, Helga e Freya estão bem! Todas já têm suas próprias famílias.)”

 

 

 – Freya også? “(A Freya também?)”

 

 

 – Ja! Etter Noras død giftet hun seg og forlot farens hus! “(Sim! Depois da morte da Nora ela se casou e deixou a casa do seu pai!)”

 

 

Freya era minha irmã mais nova, que já deveria ter completado 15 anos, mas era uma surpresa saber que ela havia se casado e principalmente, que Nora, sua mãe e mãe de Heimdall estava morta.

 

 

 – Hva skjedde med Nora? “(O que houve com a Nora?)”

 

 

Ivar não respondeu de imediato, mas a julgar por sua expressão, sua explicação a seguir era desnecessária.

 

 

 – Hun følte tapet av Heimdall og siktet faren. Du kan allerede forestille deg resten! “(Ela sentiu a perda de Heimdall e cobrou do seu pai. O resto você já pode imaginar!)”

 

 

Saber que ela havia sido assassinada pelo marido por imaginar que o filho estivesse morto era desolador, Heimdall vivia e ficaria arrasado se descobrisse aquilo.

 

 

 – Se på Gunnar! Jeg beklager alt dette, men jeg kan ikke hjelpe deg, jeg må tenke på hva som er best for familien min, og dessverre er det å følge din fars ordre! “(Olha só Gunnar! Eu sinto muito por tudo isso, mas não posso te ajudar, tenho que pensar no que é melhor pra minha família e infelizmente é seguir as ordens do seu pai!)”

 

 

Ivar andou na direção da porta enquanto retirava um objeto da cintura que estava oculto pelas suas roupas, depositando-o sobre o batente da porta de metal antes de dar algumas batidas para chamar a atenção dos outros guerreiros.

 

 

 – Hvem er kvinnen på den andre siden av veggen? “(Quem é a mulher do outro lado da parede?)”

 

 

A porta foi aberta e antes de sair, Ivar voltou seu rosto na minha direção, respondendo minha pergunta.

 

 

 – Astrid!

 

 

Minhas pupilas dilataram com aquela informação, Astrid era ninguém menos que a mãe de Stephenie, esposa do Lord Harald, a qual acreditava que estava morta há bastante tempo. Ivar trancou a porta assim que saiu, deixando-me atônita com aquela revelação. Astrid não tinha mais idade para ter filhos, já devia ter mais de cinquenta anos e mesmo assim havia dado à luz a não só um meio irmão meu, mas também de Stephanie e aquilo com certeza mexeu demais comigo.

 

Me levantei andando até a porta, conferindo o objeto deixado para trás por Ivar, que era simplesmente uma ferramenta, que se chamava chave de fenda. Apanhei-a indo imediatamente para o banheiro, certificando-me de que não havia nenhum ruído no quarto ao lado e eu podia continuar abrindo espaço na parede, agora com mais facilidade.

 

 

Meus pensamentos divagam enquanto eu batia na parede arrancando pequenos pedaços de pedra, abrindo espaço pelo qual já conseguia enxergar do lado oposto que também era um banheiro. 

 

Percebi a movimentação do lado oposto e instintivamente parei de bater, até perceber que a mulher do outro lado da parede espiava para ver quem estava tentando abrir espaço.

 

 

 – Gunnar?

 

 

Astrid se abaixou ficando na mesma altura que eu, espiando-me pelo buraco na parede. 

 

 

 – Sou eu! 

 

 

 – Eu não sabia que estava aí!

 

 

 – E eu achei que você estava morta desde o dia que fugimos da colônia.

 

 

 – Eu estava perturbada com a morte do Harald e voltei, devia ter ido embora com vocês!

 

 

 – Está aqui desde então?

 

 

 – Sim! Seu pai me fez de refém!

 

 

 – A criança é dele?

 

 

A voz de Astrid estava carregada de sentimentos, havia mágoa e dor estampado no seu rosto.

 

 

 – Sim! E ele o tirou de mim! 

 

 

 – Esqueça! Ele vai ser criado como um de nós! Nem vai saber quem era a mãe dele. Se ficar se culpando por isso, vai enlouquecer!

 

 

 – Eu já estou louca Gunnar! Meu marido está morto, todos os meus filhos e filhas estão mortos! Eu só tenho esse bebê!

 

 

Ela estava presa e com certeza meu pai havia contado a história de Enok, quando me trouxe de volta a colônia.

 

 

 – Preste bem atenção Astrid! 

 

 

Me aproximei ainda mais da parede, com medo de que pudesse ser ouvida por alguém além dela.

 

 

 – A Stephanie, a Elisabeth e a Anne estão vivas e num lugar seguro! Heimdall e Finn estão com elas e vão dar as vidas para protegê-las.

 

 

Astrid se movimentou colocando-se de joelhos do outro lado da parede, aproximando-se ainda mais da abertura, acreditando não ter ouvido minhas palavras com clareza.

 

 

 – O que disse?

 

 

 – Suas filhas estão vivas! Meu pai não sabe disso, ninguém além de mim e Enok!

 

 

Pude ver as lágrimas imediatamente tomarem conta do seu rosto, Astrid começou a chorar em meio a sorrisos aliviados quais eu compreendia perfeitamente.

 

 

 – Eu achei… que tinha perdido todos eles!

 

 

 – Finn e Heimdall as levaram para uma ilha, muito distante daqui! É um lugar bom como a colônia era antes de nós chegarmos! Elas ficarão bem!

 

 

 – Porque não está com elas?

 

 

 – Não podia deixar que as capturassem ou coisa pior! 

 

 

 – Se sacrificou pelas minhas filhas?

 

 

Era mais uma afirmação do que uma pergunta, mas eu respondi com sinceridade.

 

 

 – Na verdade pela Stephanie! Não sei se faria pelas outras. Talvez fizesse porque Heimdall e Finn se importam com elas, mas, fiz por Stephanie!

 

 

 – Ela tinha razão em gostar de você!

 

 

Não disse nada em relação ao seu comentário, não queria pensar em Stephanie e nem na possibilidade remota de voltar a encontrá-la um dia, tudo parecia cada vez mais impossível. No entanto, encarando a ferramenta em mãos e lembrando que a porta era feita de metal, uma faísca de esperança reacendeu na escuridão do meu peito, talvez eu conseguisse desprendê-la ao invés de arrebentá-la.

 

 

 – A criança? É um menino?

 

 

 – Sim!

 

 

Me sentei no chão, sem encarar a mulher do outro lado da parede, apenas ouvindo sua respiração entrecortada, embalada pelo choro.

 

 

 – Eu quero que você limpe a poeira que deve ter no chão do seu lado da parede! Depois cubra esse buraco com alguma coisa, pode ser com uma toalha! 

 

 

A mulher não respondeu, tentava se acalmar e manter a sanidade diante de todo aquele inferno proporcionado pelo meu pai.

 

 

 – Durante a noite eu vou tentar sair daqui! Se tudo der certo eu volto pra te buscar!

 

 

Depois de alguns segundos em silêncio, Astrid finalmente se manifestou, incrédula daquela possibilidade.

 

 

 – É impossível! Eu já tentei! E pelos sons vindos do seu lado da parede! Aposto que você também! 

 

 

 – É diferente agora! 

 

 

Encarei a ferramenta nas mãos sem acreditar que meu plano funcionaria, mas com a certeza de que não permitiria que o meu pai saísse impune de mais aquela atrocidade, eu não permitiria que a mãe de Stephenie morresse dentro daquela cela, sem a chance de ver suas filhas de novo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O dia passou arrastado, eu estava ansiosa e enfurecida, não consegui comer e nem beber nada o dia todo, a comida ia e vinha e eu não tocava nela, incomodada com a maldita ferramenta deixada por Ivar, que parecia inútil, já que a porta não tinha parafusos aparentes.

 

 

 – Hva i helvete! “(Mas que diabos!)”

 

 

Me joguei sobre a cama completamente exausta, estava a horas envolta daquela porta e nada de conseguir achar uma brecha sequer. 

Permaneci deitada e de olhos fechados por longos minutos, ouvindo minha respiração ofegante e o som que vinha do lado externo das paredes, e apesar de não ter janelas no porão, podia afirmar com certeza de que chovia muito naquele início de noite.

 

 

Fui arrancada dos meus pensamentos quando ouvi ruídos nos corredores do lado de fora do cômodo, era a hora que normalmente os guerreiros traziam o jantar.

 

Batidas na porta anteciparam a frase do homem que não soube identificar.

 

 

 – Hvor er containerne? “(Onde estão as vasilhas?)”

 

 

Sentei rapidamente na beirada da cama, avistando a bandeja com a comida qual não havia tocado, ainda sobre o balcão no canto do quarto.

 

 

 – Faen det! “(Que se foda!)”

 

 

Era minha obrigação deixar os utensílios do lado de fora da porta após as refeições, tendo as feito ou não, e naquela tarde envolvida com minha missão de escapar daquele buraco, esqueci de devolvê-las e provavelmente, eles entrariam para apanhar, como tinham feito em outras ocasiões.

 

No entanto, daquela vez as coisas não seriam como antes, eu não tinha planejado sair dali através de um confronto, mas dessa vez eu tinha mais do que minhas mãos e uma colher pra me defender.

 

Segurei a ferramenta na mão direita e me mantive sentada na cama, na tentativa de não alertá-los antes que tivesse a oportunidade de surpreendê-los e matá-los rapidamente.

 

A porta foi aberta e como sempre, dois guerreiros entraram empunhando suas espadas, e o terceiro veio logo atrás para apanhar os utensílios.

 

 

 – Det er en stund siden faren din beordret deg til å bli straffet! Det må være derfor du har glemt reglene! “(Faz tempo que seu pai não manda te castigar! Deve ser por isso que esqueceu as regras!)”

 

 

O terceiro homem apanhou a bandeja e rapidamente retornou para fora do cômodo, enquanto o primeiro se aproximou e ainda que empunhasse a espada, estava com a guarda baixa e não esperava uma reação, foi o suficiente pra mim.

 

 

Quando o homem se aproximou, rapidamente apanhei o braço que segurava a espada, impedindo-o de me atingir, e o golpeei embaixo do queixo com a ferramenta, perfurando o seu rosto duas vezes. O segundo homem avançou contra mim e tentou golpear-me com a espada, no entanto, eu empurrei o primeiro guerreiro morto na sua direção, e sua espada atingiu o ombro do seu companheiro, prendendo-a no local.

 

Me livrei do corpo inerte em mãos e enquanto ele caía no chão, soquei o rosto do segundo guerreiro que estava momentaneamente desarmado, o jogando na direção da porta, por onde o terceiro que havia saído a pouco com os utensílios, retornava atraído pelo barulho.

 

Os guerreiros esbarraram um no outro, atrapalhando-se, dando-me vantagem e espaço para jogar todo o peso do meu corpo sobre eles, atingindo o que estava à frente com ambos os pés no peitoral.

 

Rapidamente me coloquei em pé e enquanto os homens tentavam se desvencilhar, chutei o rosto do primeiro, deixando-o inconsciente. Parti finalmente para o terceiro que empunhava uma arma de fogo e disparou duas vezes na minha direção, sem mira e atrapalhado, os disparos não me atingiram, permitindo-me avançar, apanhando a sua mão armada, torcendo-a para trás, ouvindo o som dos ossos se partindo.

O homem gritou, mas seu desespero durou pouco, porque aproveitando-me de que ele ainda estava no chão, apanhei sua cabeça e girei, quebrando o seu pescoço sem muita delonga. 

 

 

Eu não tinha tempo a perder, apanhei a arma das mãos do homem e quando me dirigia para juntar uma das espadas, ouvi alguns passos vindos do corredor.

 

 

 – Ikke rør deg! “(Não se mexa!)”

 

 

Me voltei na direção da voz já sabendo de quem se tratava. Enok estava a alguns metros de distância, empunhando uma glock na minha direção.

 

 

 – Ikke få meg til å gjøre dette Gunnar! “(Não me obrigue a fazer isso Gunnar!)”

 

 

 – Jeg skal ikke tilbake til det hullet Enok! “(Eu não vou voltar para aquele buraco Enok!)”

 

 

 – Jeg kan ikke la deg gå! “(Eu não posso te deixar ir!)”

 

 

 – Da må du skyte meg bror! “(Então vai ter que atirar em mim irmão!)”

 

 

Enok se manteve alguns segundos em silêncio, como quem pondera as opções que tem.

 

 

 – Du vil ikke kunne komme deg gjennom portene! Og hvis du gjør det, vil faren vår sette en hær etter deg, og han kommer tilbake til det hullet på en eller annen måte! “(Não vai conseguir passar pelos portões! E se passar, nosso pai vai colocar um exército atrás de você e vai voltar pra aquele buraco de um jeito ou de outro!)”

 

 

 – Ikke bekymre deg! Jeg flykter ikke denne gangen! “(Não se preocupe! Não vou fugir dessa vez!)”

 

 

 – Du kan ikke beseire ham! “(Não pode derrotá-lo!)”

 

 

 – Hvis det er noen som kan! Du ser på ham! “(Se existe alguém que pode! Você está olhando para ela!)”

 

 

Enok balançou, fechou os olhos e abaixou à arma, eu não esperava que ele tomasse aquela decisão, mas me alegrava saber, que apesar da sua traição, ele não havia mentido sobre tudo.

 

 

 – Redd det som er igjen av familien vår! Fortell moren vår at jeg elsker henne og at jeg beklager alt! Og vær så snill, ikke la alt være forgjeves. Bygg et hjem her, for alle! “(Salve o que sobrar da nossa família! Diga à nossa mãe que a amo e sinto muito por tudo! E por favor, não deixe que tudo tenha sido em vão. Construa um lar aqui, pra todos!)”

 

 

Me aproximei de Enok, enquanto o mesmo guardava a arma no coldre.

 

 

 – Det kan ikke virke som om jeg lar deg gå! “(Não pode parecer que eu te deixei ir!)”

 

 

 – Jeg vet! Og jeg beklager bror! “(Eu sei! E sinto muito irmão!”)

 

 

Antes mesmo de concluir a frase, o golpeei com a coronha da arma que tinha apanhado a pouco do guerreiro morto, atingindo-o na testa, fazendo com que desmaiasse imediatamente. 

Sem perder tempo, me dirigi até a abertura na porta do cômodo ao lado e dirigi a palavra a Astrid que estava atenta a tudo que acontecia do lado de fora.

 

 

 – Eu volto pra te buscar!

 

 

 – Gunnar! Não me deixe aqui!

 

 

 – Eu volto! 

 

 

Sem dar ouvidos às súplicas da mulher, me dirigi à escadaria que levava para fora do porão, eu sabia que corria o risco de não retornar para salvá-la, mas não podia me dar ao luxo de pensar somente nisso, pois não podia protegê-la e matar meu pai ao mesmo tempo. Sabia que estava jogando com a sua vida, mas naquele instante era o mais sensato a se fazer.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Outra reviravolta kkkk quem esperava por isso?


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Comentários para 24 - Capitulo 24:
lindacy
lindacy

Em: 31/03/2024

UUU agora começa pra valer, vamos Gunnar!!!


Resposta do autor:

Vai dar pano pra manga kkk

Responder

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Mmila
Mmila

Em: 31/03/2024

 Ao esperava menos que este tipo de atitude do Enok. Só peço força e sabedoria pra Gunnar nos próximos passos a serem dados.


Resposta do autor:

Sabedoria ela tem, o problema é o autocontrole kkkk

Responder

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Garotadasfacas
Garotadasfacas

Em: 31/03/2024

Oiê. Quais os dias que você publica? Um norte pra minha ansiedade, plis.


Resposta do autor:

Boa noite!

Praticamente todas as noites, as vezes a rotina me atrapalha, mas quase sempre.

Obrigada por acompanhar.


Garotadasfacas

Garotadasfacas Em: 31/03/2024
Quase todas as noites?! Tá brincando, que isso, o sonho de uma leitora realizado, que assim não fico até às 05 lendo kkk, e tenho conteúdo todos os dias (ou quase todos) nossa, que maravilha. Favorita já.


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Mmila
Mmila

Em: 31/03/2024

Força Gunnar.

Responder

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Garotadasfacas
Garotadasfacas

Em: 31/03/2024

Não acredito que você atualizou ontem. Não vou aguentar de ansiedade pro próximo. Eu comecei ele ontem e terminei na madrugada, fui dormir 05 horas da manhã, CINCO HORAS DA MANHÃ, querendo ver elas juntas, aaaaaaaa vou surtar aqui. 


Resposta do autor:

kkkkkkkkk

Que fofa!

Fico muito feliz, mas se acalme mulher, desse jeito vai arrumar uma gastrite kkk

Logo já atualizo.

Beijos

Responder

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Marta Andrade dos Santos
Marta Andrade dos Santos

Em: 31/03/2024

Tá complicado mesmo mas você vai vencer.


Resposta do autor:

Gunnar é forte demais! Vai dar certo, eu acho.... kkkk

Responder

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