A Detetive por Isis SM
Capitulo 4
Capitulo 4
Mudanças
O Domingo passou rápido, fiquei o dia todo montando os relatórios dos depoimentos, Lisa me ligou duas vezes para falar sobre o caso e informar que tinha algumas informações sobre o reitor, pedi que me enviasse por e-mail e assim passei minha folga, ignorando completamente minha noite passada, atribuí tudo o que senti a estar muito tempo sozinha. Na segunda-feira tive meu dia cheio e estressante, Lisa me acompanhou até o pequeno apartamento da vítima e depois que falamos ao síndico o ocorrido ele liberou com pesar a chave do apartamento, fiquei na dúvida se o pesar era pela perda do aluguel ou pela morte da menina, não encontramos nada revelador de primeira apenas fotos dos pais e dela com o namorado, cadernos e roupas que não seriam mais usados, cuidar de assassinatos era uma grande responsabilidade e sempre usei toda minha frieza e profissionalismo para cada caso porém quando se tratava de vítimas muito novas eu sempre ficava emotiva, e aquela menina era só 6 anos mais velha que minha irmã, tinha planos e sonhos que foram interrompidos. O apartamento era mais um dormitório, era apenas o quarto divido no meio por uma pequena cozinha e o banheiro onde eu estava, olhava um frasco do que parecia remédio para dor de cabeça quando Lisa me chamou.
_ Achou alguma coisa? - Disse esperançosa.
_ Não sei, mais para uma menina tímida esses acessórios são bem desinibidos. - disse Lisa olhando uma caixa que encontrara embaixo da cama. Olhei a caixa e lá havia lingeries, utensílios sexuais, todos jogados de forma relaxada.
_ Pela arrumação, seja lá o que ela fazia, não parecia muito contente. - Disse Lisa olhando uma peça rendada.
_ Como assim? - Disse sem entender seu ponto de vista.
_ Essas roupas e acessórios não são baratos, no mínimo se ela os usava com frequência ou se ganhou de alguém, não acha que estariam em uma situação melhor do que jogados e amontoados em uma caixa embaixo da cama?
_ Bom se ela ficou cansada de servir aos fetiches dessa pessoa, com certeza esse alguém não deve ter ficado contente, pelas condições desse lugar ela não teria dinheiro para gastar em roupas assim. - Disse pensativa.
_ Será que ela se prostituía para conseguir pagar o material ou até o aluguel?
_ Não sei, vamos continuar procurando, uma aspirante a jornalista tem que ter no mínimo um notebook nem que seja velho.
_ Pensei nisso mais só encontrei esse cartão magnético da biblioteca.
Nos entreolhamos pensando provavelmente a mesma coisa, ela não tinha condições para ter um computador, logo deveria ter um passe direto na biblioteca do campus. Pedimos uma equipe para fotografar e isolar a área e coletar possíveis provas e seguimos para o departamento, lá encontramos os pais da vítima nos aguardando, eram pessoas simples a mãe já beirando seus quarenta e poucos anos e o pai um pouco mais velho tinham a mesma aparência cansada e marcada por anos de trabalho no campo, eles tinham uma pequena fazenda no interior e lutaram muito para que a filha não passasse pelas mesmas dificuldades, quando os levamos para reconhecer o corpo e tiveram a certeza de sua morte, foi um caos, a mãe após chorar e gritar entrou em estado de choque e teve um desmaio, o pai ficou firme, mas seu olhar vazio mostrava o grande luto que sentia... Esses momentos sempre são bem difíceis para os familiares. Eu ainda lembrava o momento em que eu e minha família recebemos a comprovação de que meu pai não sobrevivera aos ferimentos, minha mãe desabou em um choro tão doloroso que nunca vou conseguir esquecer, eu estava em estado de choque ainda, havia presenciado tudo, minha irmã era muito nova para lembrar, mas ficou por muito tempo perguntando quando papai voltaria. Foram os piores anos de minha vida. Deixei o casal sendo amparados por Lisa e me retirei, assim que me acomodei González trouxe as imagens das câmeras para analisarmos.
Os vídeos estavam em uma qualidade melhorada e ampliada mostrava o movimento do píer, das lojas, mas nada estranho.
_ Isso está muito estranho, a menina foi encontrada boiando na água no mínimo teria que estar em alguma imagem. - Disse frustrada.
_ É verdade ou estamos perdendo algo ou ela era uma sereia. Disse González com um tom debochado e claramente frustrado, típico dele.
_ Sabe eu li os relatórios dos depoimentos, e sei lá, algo parece errado no depoimento daquela amiga da vítima, vocês não acham? - Disse Lisa surgindo sabe Deus de onde.
Lembrei que Lisa já havia sentido algo antes, mas na época não nos preocupamos, mas agora... _ O que exatamente te chamou atenção? - franzi as sobrancelhas em dúvida.
_ Não sei, é só que... Se a amiga sabia tanto da vida dela, como ela simplesmente não contou do namorado ciumento antes, logo na primeira vez que você falou com ela?
_ E lá vamos nós. - Disse González revirando os olhos e o repreendi com o olhar.
_ Eu entendo que pode parecer suspeito, mas como já falamos antes há inúmeros motivos para alguém depor ou se contradizer. - A contestei.
_ Sim eu sei, é só uma sensação... Eu posso voltar a interrogá-la, para caso...
_ Por hora não falaremos com ninguém até termos mais pistas, preciso de você em outra função Lisa, caso haja necessidade voltaremos a falar com todos os amigos da vítima. - Disse séria, mas guardei a suspeita de Lisa, eu nunca deixo hipótese nenhuma passar. _ Vamos fazer uma pausa para o almoço, quando voltarmos recomeçaremos com as análises. -Disse em tom cansado aquele caso estava tomando minha energia.
Assim que dispensei a equipe meu telefone tocou e na tela vi um número desconhecido, esse número me ligou ontem à noite, mas costumo não atender aqueles tipos de ligações porque normalmente é alguém querendo me vender algo, demorei para atender mais pela insistência poderia ser importante.
_ Detetive Valdez. -falei séria.
_ Ei Bibi, tudo bem?
Ouvir meu apelido que só era usado pela minha irmã e minha mãe quando lembrava que tinha outra filha (ou precisava de algo) era reconfortante, fazia meses que não via minha irmã mais nova, Dália estava com 19 anos e passou os últimos meses estudando para fazer provas para faculdade então não nos falamos desde então, minha mãe por sua vez muito raramente me ligava, preferia saber de mim por Dália. Desde que papai morreu ela não era mais a mesma e minha decisão de não ser médica como ela queria e sim policial a deixara decepcionada, desde então só nos vemos em datas comemorativas importantes.
_ Lia? Quanto tempo? Já terminou as provas? Como foram? - Falei empolgada.
_Que tal você almoçar comigo e eu te contar tudo?
_ Não dá Lia eu estou atolada em trabalho...
_ Não está não estou vendo daqui!
Me virei para a porta e a vi parada no vidro do escritório, sorri imediatamente Lia era o que eu mais prezava e éramos muito grudadas, agora ela era praticamente uma mulher com formas invejáveis, mas para mim ainda era uma minha menininha. A abracei forte e percebi como ela estava mais alta que eu.
_ Quanta saudade! E então vamos comer naquele restaurante mexicano que eu adoro? Não aceito não como resposta. - Disse ela com aquela euforia de sempre.
_ Pelo visto não tenho escolha! - Disse rindo.
Chegamos ao restaurante e Dália nem precisou olhar o cardápio, pois sempre pedia a mesma coisa, tacos e refrigerante de uva e eu escolhi burritos e suco apesar de querer uma cerveja.
_ E então qual o motivo da visita surpresa? - Disse ainda meio impactada.
_ Eu recebi as cartas das universidades e queria te contar. - Dália disse empolgada batendo palminhas.
_ Que ótimo foi aceita em alguma? Fala de uma vez menina! - Falei contente e aflita.
_ Fui aceita em duas, mas, queria ficar em uma em especial.
Esperei a garçonete servi os pratos e as bebidas para perguntar.
_ Bom é ótimo, mas conheço essa carinha, o que ouve? - Perguntei enquanto mordia o burrito.
_ Então... Essa universidade é ótima e tem uma grade ótima para o curso que eu quero fazer, ótimos professores sabe. - Disse sem me olhar.
_ Dália, qual é o motivo dessa demora toda para falar? Diga de uma vez.
Ela respirou fundo e ainda sem jeito disse quase em um sussurro que a universidade que ela tanto queria era a UEMC, Não pude evitar fechar a cara, Dália ainda falava que se eu não me importasse ela queria ficar comigo no meu aparamento e que estava com saudade de morar comigo de novo, a notícia da jovem assassinada ainda não tinha sido vinculada a Universidade então ela não entendeu minha reação negativa, explicou que estava sem graça em pedir para ficar comigo e que estava com medo de que eu não aceitasse. Lógico que iria adorar ter minha irmã morando comigo, eu como uma irmã coruja e protetora iria adorar ter ela sobre minhas asas, o que me preocupava era ela querer ir para a mesma universidade em que a menina do caso estudava.
Ela ficou em silêncio e pareceu desapontada com a minha reação, lhe expliquei que não havia problema algum em ela ficar comigo e que minha reação não tinha nada a ver com ela, imediatamente ela abriu um sorriso e me fez lembrar a menininha que eu sempre protegi.
Ainda relutante perguntei sobre nossa mãe e Dália me contou que ela ficou super orgulhosa do sucesso dela e que já estava contando a todos que teria uma filha advogada, aquele comentário me machucou apesar de não demonstrar para minha irmã, não queria tirar o momento dela, mas eu sentia falta dessa versão de minha mãe. Dália parecia feliz em vir morar comigo, mas havia algo errado em relação ao curso, eu senti no exato momento em que ela contava sobre a reação de nossa mãe, mas deixei que me contasse quando quisesse. Enquanto esperávamos a sobremesa, ou melhor, a sobremesa dela, minha irmã me perguntou sobre o que eu menos queria falar ou pensar no momento.
_ Mas me conta, tem saído com alguém?
_ Lia! Não vou ficar falando da minha vida amorosa com você! - Disse tentando disfarçar minha cara vermelha pois lembrei de Carolina e automaticamente bloqueei qualquer sentimento sobre isso.
_Ah qual é? Não sou mais criança maninha! E pela sua cara tem alguém em vista. - Disse rindo.
Aproveitei sua distração com o sorvete para não responder, eu não queria admitir que a única pessoa que mexeu com meus hormônios era uma mulher até por que nem tinha certeza disso. Desconversei falando da sua mudança para daqui a alguns meses e todas as documentações que iria ter que trazer, Dália viria algumas semanas antes da mudança definitiva para que pudesse resolver a questão da papelada com a UEMC e se familiarizar com a cidade, isso me daria tempo de me organizar para recebê-la. As coisas estavam mudando rápido dava para sentir, já era para eu ter me acostumado, afinal minha vida toda foi assim, em um momento estou em uma rotina costumeira e do nada um turbilhão de coisas aconteciam ao mesmo tempo.
Deixei Dália na rodoviária para voltar para casa e nos despedimos com a promessa de nos vermos em breve, voltei para o DPMC para finalizarmos as análises das câmeras e enfim concluir que não havia nada que incriminasse ninguém. Fiz cópias dos vídeos para juntar com o resto de nada que eu tinha sobre o caso, Lisa ainda insistiu que tinha algo que não tínhamos visto ou pensado, mas só serviu para eu me aborrecer, se tinha algo que me deixava frustrada era ter a sensação de que estava deixando passar algo importante. Estava sentada na minha mesa examinando meus depoimentos da UEMC enquanto Lisa que estava sentada a minha frente não parava de falar sobre como ela tinha sido morta e a brutalidade dos fatos e aquilo já estava me tirando do sério, quando ela tocou no assunto de interrogarmos os amigos de novo pela milésima vez eu já estava a ponto de jogá-la pela janela.
_Lisa! Pelo amor de Deus cala a boca! Sério você não está ajudando em nada com esse disco arranhado sobre a morte e amigas estranhas, que inferno! - Disse tudo enquanto recolhia minhas coisas e pegava a jaqueta para ir embora. Apesar de não ter excedido minha voz ao ponto de parecer histérica sei que fui grossa, mas já tinha tanta coisa na cabeça que não consegui evitar e pedir desculpas nunca foi meu forte. Fui para casa ainda com aquele dia cheio de altos e baixos me tirando a paz.
Fim do capítulo
Oiiiii Capitulo fresquinhoo jajá posto mais
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Isis SM Em: 22/12/2024 Autora da história
E tem coisa pra rolar viu