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Nórdicos por Natalia S Silva

Ver comentários: 3

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Palavras: 4612
Acessos: 1749   |  Postado em: 07/03/2024

Capitulo 8

 

Gunnar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acordei por volta das 06h00min da manhã, meu corpo todo doía, me sentei na beirada da cama sentindo uma fisgada forte no peito, além do desconforto imediato na perna que já sabia bem do que se tratava. 

Constatei que estava nua debaixo do fino cobertor, o qual empurrei para o lado assim que acordei, no entanto, eu não me recordava de ter feito aqueles curativos em mim mesma, assim como sabia que a curandeira também não tinha feito.

 

Levantei os olhos e rapidamente identifiquei a pessoa sentada na poltrona no canto do quarto ao lado da lareira, se tratava de ninguém menos que a filha mais velha de Lord Harald, Stephanie.

 

 

 – Min Gud! “(Meu Deus!)”

 

 

Levantei-me da cama apanhando algumas roupas limpas, as quais vesti rapidamente para não correr o risco de ser flagrada nua mais uma vez. Não conseguia raciocinar direito, nem entender os motivos pelos quais ela estava no quarto, então tomei os remédios e me dirigi para a porta sem conseguir sair, fiquei alguns segundos com a mão sobre a maçaneta, pensando em como deveria reagir àquela situação.

 

 

 – Du er en idiot Gunnar! “(Você é uma idiota Gunnar!)”.

 

 

Dei meia volta indo até a cama, apanhando um cobertor fino, o qual estendi levemente sobre o corpo da garota, que dormia profundamente, encolhida na poltrona.

Perdi alguns segundos admirando a beleza da jovem, enquanto minha mente me amaldiçoava por toda aquela fraqueza e falta de foco. Eu estava me deixando distrair pelos encantos da moça, desviando da minha missão naquele lugar e ainda que soubesse qual seria o desfecho final para todos naquela colônia, eu não conseguia simplesmente ignorá-la como sempre fiz com todos ao meu redor.

 

 

 

 

 

 

A manhã passou arrastada, evitei passar perto do casarão do Lord para não ter que encontrar com sua filha, apenas me certifiquei de que Heimdall estava bem e me dirigi aos portões de entrada da colônia, tínhamos muito trabalho pela frente.

 

Ivar era um grande amigo e um ótimo soldado, não era tão experiente quanto Torsten, porém nas circunstâncias que nos encontrávamos, depois da morte do mesmo, Ivar era o melhor de todos e o único substituto à altura, então sendo assim o coloquei a frente do grupo, para fazer o que eu no momento não podia.

 

Passamos a manhã discutindo melhorias para se fazer na colônia, os engenheiros estudaram algumas idéias minhas e do Ivar e tentaram projetar as torres de vigilância de forma que fosse mais viável e ainda mais útil. 

 

 

 

Era por volta das 12h00min quando paramos para almoçar, ali mesmo próximos à entrada da colônia em uma espécie de bar, os responsáveis garantiram que todos os guardas e nórdicos tivessem alimentos e bebidas a vontade. Pude reparar que desde a nossa chegada há quatro dias, ainda que fosse muito pouco tempo, os moradores da colônia começaram a nos tratar com mais empatia, sentia a recepção mais favorável com o meu povo e isso me agradava, ainda que momentaneamente.

 

 

 

Enquanto os homens comiam e bebiam, conversavam e riam junto com os demais moradores da colônia, me afastei indo até a parte externa do bar, sentando-me sobre o guarda-corpo da varanda.

Ao levar a caneca de cerveja à boca, levantei os olhos e avistei Lord Harald e sua família. Revirei os olhos incomodada com sua presença, não queria vê-los nem falar com nenhum deles. 

Harald estava distraído, mostrava a esposa e filhas as melhorias que estávamos fazendo nas torres, enquanto Stephanie sem prestar muita atenção no pai, varreu toda área com os olhos até me encontrar no seu campo de visão. 

Suspirei um tanto irritada, ela não desistiria tão fácil, sabia que continuaria insistindo na nossa aproximação, na tentativa de me convencer a ajudá-la a romper o trato feito entre nossos pais. Porém, eu sabia que nada podia ser feito, Agnar não abriria mão de nada, não depois de Harald ter dado sua palavra, sem mencionar que Erling era seu primogênito e preferido, ele não iria contrariar o seu herdeiro, não depois da escolha ter sido feita.

 

 

Sorvi todo o conteúdo da caneca e quando desci do guarda-corpo, na intenção de me retirar sem ser vista, Harald chamou pelo meu nome.

 

 

 – GUNNAR?! Por gentileza?! Venha até aqui.

 

 

 – Gammel jævel! “(Velho bastardo!)”

 

 

Resmunguei ainda de costas, depositando a caneca sobre uma pequena mesa, para só depois andar a passos lentos até onde o homem e a família estavam sem querer demonstrar que o meu corpo estava sofrendo com os ferimentos da última batalha.

 

Evitei os olhos verdes que me encaravam, dando atenção ao homem falso e bajulador, na tentativa de evitar futuras dores de cabeça.

 

 

 – A Juny, médica que cuidou dos seus ferimentos ontem. Disse que não te encontrou pela manhã no quarto. Estávamos preocupados!

 

 

 – Tinha trabalho a ser feito!

 

 

 – Mas isso pode esperar! O importante é que você se recupere logo!

 

 

 – Nada aqui pode esperar!

 

 

Harald lançou um olhar rápido à família, incomodado com minha antipatia, depois voltou sua atenção a mim.

 

 

 – Mas nos diga! Como se sente?

 

 

 – Ótima!

 

 

 – Isso é maravilhoso! Achamos que ia ficar algumas semanas de molho pra se recuperar! Mas vejo que é mais forte que a maioria dos meus homens!

 

 

 – Na verdade sou mais forte que todos os seus homens!

 

 

Harald finalmente fechou o sorriso idiota do rosto, mas antes que pudesse me retirar, ele engoliu seu orgulho e continuou com a bajulação.

 

 

 – Eu e minha família gostaríamos de dar início a construção da sua casa! Aqui na nossa colônia! Como agradecimento por tudo que tem feito por nós!

 

 

 – Não precisa! Ainda não sei qual são os planos do Lord Agnar para mim! Pode ser que eu não fique tempo o bastante por aqui.

 

 

 – E pra onde mais você iria? 

 

 

E lá estava o sorriso imbecil novamente.

 

 

 – Meu povo não costuma criar raízes! Custo acreditar que dessa vez será diferente!

 

 

 – Mas nós temos um acordo! 

 

 

 – Não! Você tem um acordo com o meu pai, não comigo!

 

 

Aquela era a mais pura verdade, eu não tinha um acordo com ele nem com ninguém, Agnar logo colocaria fim aquela colônia e partiríamos pra outro lugar quando nada ali o interessasse mais, e se por algum motivo isso não acontecesse, eu iria embora em breve, não podia contrariar meu pai e não suportava mais viver sob suas regras.

 

Saí sem olhar pra trás, não conseguia ficar debaixo do peso do olhar de Stephanie, era como se eu tivesse feito alguma promessa a ela, pelo tanto que esperava de mim.

 

 

Andei alguns metros e praticamente esbarrei em Heimdall e Finn.

 

 

 – Hva gjør du her? “(O que está fazendo aqui?)”

 

 

 – Vi kom for å gå! Jeg har det veldig bra, jeg orker ikke å bli låst inne på rommet mitt eller bare gå rundt i den jævla hagen! “(Viemos caminhar! Sinto-me muito bem, não suporto mais ficar fechado no quarto ou andar somente naquele maldito jardim!)”

 

 

 – Du skulle ikke være her og enda mindre i den jævla hagen, omgitt av disse ukjente amerikanerne! “(Não era pra você estar aqui e menos ainda no maldito jardim, rodeado por esses americanos desconhecidos!)”

 

 

 – Hvilken er søster? Jeg tåler ikke å bli gjemt mens du kjemper de beste kampene! “(Qual é irmã? Eu não suporto ficar escondido enquanto você trava as melhores batalhas!)”

 

 

Ignorei o comentário de Heimdall, retornando até o bar onde apanhei mais uma caneca de cerveja e me dirigi mais uma vez até a varanda, sendo seguida de perto pelos dois.

 

 

 – Hvordan føler du deg? Jeg følte meg ikke bra i går! “(Como você se sente? Não estava nada bem ontem!)”

 

 

 – Flink! “(Bem!)”

 

 

 – Og hva skjer mellom deg og Herrens eldste datter? “(E o que está rolando entre você e a filha mais velha do Lord?)”

 

 

Arregalei os olhos quase cuspindo a cerveja que tinha acabado de colocar na boca, engoli o líquido para depois encará-lo com a feição mais ameaçadora que consegui, tentando intimidá-lo como fazia quando ele era só uma criança, coisa que não acontecia já alguns anos.

 

 

 – Hva faen er det du snakker om? “(De que diabos você está falando?)”

 

 

 – Hvordan av hva? Jeg er ikke ti år lenger Gunnar! Jeg forstår ting, hun ville ikke overnatte på et skremmende barbarrom og pleie sårene sine hvis ingenting hadde skjedd. I hvert fall ikke, uten å være din slave, tjener eller elsker. “(Como do quê? Eu não tenho mais dez anos Gunnar! Eu percebo as coisas, ela não ia passar a noite no quarto de uma bárbara aterrorizante, cuidando de suas feridas, se nada tivesse acontecendo. Pelo menos não, sem ser sua escrava, serva ou amante.)”

 

 

 – For du oppfører deg fortsatt som en ti år gammel gutt! Det skjer ingenting fordi ingenting skal skje. “(Pois você ainda se comporta como um garoto de dez anos! Não tem nada acontecendo até porque não deve acontecer nada!)”

 

 

 – Det er greit! Og hvorfor tar hun ikke øynene fra deg? Som nå? “(Tá bom! E porque ela não tira os olhos de você? Tipo agora?)”

 

 

Olhei na direção do Lord e sua família e imediatamente meus olhos cruzaram com os verdes de Stephanie, que não disfarçou minimamente ao ser flagrada. Não sustentei o olhar e desviei novamente na direção do meu irmão.

 

 

 – Hun vil bare ha en tjeneste! Og du prøver å overbevise meg! “(Ela só quer um favor! E está tentando me convencer!)”

 

 

 – Hvilken tjeneste? “(Que favor?)”

 

 

Lancei um olhar ao redor, e só respondi depois de me certificar de que ninguém além de Finn e Heimdall ouviria.

 

 

 – Hun vil hindre søsteren i å gifte seg med Erling! “(Ela quer impedir que a irmã se case com o Erling!)”

 

 

Heimdall ficou desconfortável com o que ouviu, não soube identificar o motivo, mas percebi que tentou disfarçar antes de questionar-me mais sobre o assunto.

 

 

 – Og du? Hva tenker du om dette? “(E você? O que pensa sobre isso?)”

 

 

 – Du, Finn, Ivar og avdøde Torsten, var de eneste som visste hva jeg synes om mange ting, jeg er sikker på at du vet min mening om dette emnet! “(Você, Finn, Ivar e o falecido Torsten, eram as únicas pessoas que sabiam o que eu penso sobre muitas coisas, tenho certeza que sabe minha opinião sobre esse assunto!)”

 

 

Heimdall manteve os olhos fixos da direção onde Lord Harald e sua família ainda estavam, e continuou me questionando mais do que normalmente já fazia.

 

 

 – Og hva skal du gjøre med det? “(E o que vai fazer a respeito?)”

 

 

 – Og må jeg gjøre det? Jeg vil ikke gjøre noe! Det er ikke opp til meg! Ingenting som vil skje med disse menneskene er ikke mitt problem! “(E eu tenho que fazer? Eu não farei nada! Não cabe a mim! Não é problema meu nada que vai acontecer com esse povo!)”

 

 

 – Jeg elsker faren vår! Men jeg er uenig i måten han lever på og hvordan han behandler folk. “(Eu amo o nosso pai! Mas discordo da forma como ele vive e como trata as pessoas.)”

 

 

Sorri de canto para o meu irmão, que retribuiu imediatamente, um sorriso amarelo e sem vontade.

 

 

 – Du har absolutt arvet det fra meg! “(Isso com certeza você herdou de mim!)”

 

 

Finn que estava calado até o momento, coçou a barba comprida e finalmente opinou sobre o assunto, tocando em um ponto que eu realmente concordava.

 

 

 – En dag må noen gjøre noe med det! Noen må ha ballene til å stå opp mot faren din. “(Um dia, alguém vai ter que fazer alguma coisa a respeito! Alguém tem que tenha culhão pra enfrentar o seu pai.)”

 

 

Heimdall balançou a cabeça em concordância, com os olhos ainda presos na direção de Harald e sua família, obrigando-me a olhar também. Harald apontava na direção das melhorias que tinham sido feitas, enquanto sua esposa, Elisabeth e Anne prestavam atenção, apenas Stephanie mantinha os olhos em nós, levando-me a acreditar que era isso que Heimdall tanto encarava.

 

 

 – Det er tydeligvis du som holder øye med henne! “(Pelo jeito você é quem está de olho nela!)”

 

 

Sorri, dando um chute leve no seu pé, fazendo-o rir, assim como Finn. Heimdall sorriu abertamente e depois me encarou de forma séria.

                                                                      

 

 – Vi har snakket sammen noen ganger når jeg går for å gå til hagen! “(Nós temos conversado algumas vezes, quando vou caminhar até o jardim!)”

 

 

Engoli seco enquanto meu rosto camuflava um sorriso falso e sem vontade, estava claro que a única coisa que ela pretendia era livrar a irmã de ogros como nós. Estava apenas tentando me desestabilizar com toda aquela empatia e simpatia, mas não ia funcionar, não comigo e nem com Heimdall. Ele era só um garoto de 17 anos, ingênuo e influenciável, eu não permitiria que ela o estragasse. 

Senti a garganta arranhar enquanto tentava agir com naturalidade e acompanhar as brincadeiras que Finn fazia com ele, dizendo que logo o garotinho seria um homem. Aquilo me incomodou profundamente, mas eu já devia esperar que ela não se interessasse por mulheres, menos ainda do meu tipo, ela já havia se casado, era viúva, estava sozinha hoje por opção, não que estivesse à espera de alguém como eu.

 

 

 – Bare ikke forelsk deg i Heimdall! Hun er ikke en kvinne for deg! “(Só não se apaixone Heimdall! Ela não é mulher pra você!)”

 

 

 – Jeg vet det! Og det er det som irriterer meg mest. “(Sei disso! E é o que mais me irrita.)”

 

 

 – Ikke la henne bruke deg! Men hvis hun vil ligge med deg, gjør det. Men ikke la henne manipulere deg. Du og jeg vet hva alles skjebne blir her. Det er ikke verdt å bry seg. “(Não deixe que ela te use! Mas se ela quiser se deitar com você, assim o faça. Mas não deixe que ela te manipule. Você e eu sabemos qual será o destino de todos por aqui. Não vale a pena se importar.)”

 

 

Finn riu, Heimdall pareceu constrangido.

 

 

 – Jeg tenker ikke på det! Jeg...jeg, liker å være sammen med henne. Selv om ingenting kommer til å skje! “(Eu não estou pensando nisso! Eu… eu, apenas gosto de estar com ela. Mesmo que não vá acontecer nada!)”

 

 

Esfreguei as têmporas completamente irritada com aquela conversa, com raiva de ter que fingir normalidade e com total desprezo por Stephanie, ela era calculista e quase caí no seu jogo, fui tão ingênua ou mais que Heimdall.

 

 

 – Ikke prøv for hardt. Skaden din var mye mer alvorlig enn min! “(Não se esforce muito. O seu ferimento foi muito mais grave que o meu!)”

 

 

 – Det kan gå! “(Pode deixar!)”

 

 

 – Jeg må tilbake på jobb! “(Preciso voltar ao trabalho!)”

 

 

Dei um tapinha nas costas de Heimdall e depois de beber mais uma caneca de cerveja, retornei ao trabalho evitando cruzar novamente com Harald e sua família.

 

Durante a tarde, apanhei um dos cavalos do celeiro e saí para conferir a área que tinha ao redor de toda a colônia, a qual era construída entre montanhas, dificultando o acesso por qualquer lado senão à frente. 

A área frontal era composta por uma planície de aproximadamente uns 400m, depois vinha uma longa descida e mais a frente o imenso bosque que atravessamos para chegar até ali. 

Havia mais de dois pontos extremamente bons para se construir torres de vigilância mais adiante, onde se podia monitorar o bosque a quilômetros de distância, sem mencionar que a defesa seria ainda mais fácil ali do alto. No entanto, não tínhamos tempo para erguer novos muros e torres, não sabíamos quando seríamos atacados novamente, e não poderíamos ser pegos de surpresa com as defesas baixas, então por hora, de nada adiantaria.

 

Os cientistas da colônia passaram a tarde estudando a possibilidade de criar artefatos para deixar instalados por toda extensão da planície, ligados a fios de energia que poderiam ser ativados de dentro da colônia a qualquer momento. Isso demandaria um pouco mais de tempo do que os artefatos usados duas noites atrás, já que aqueles eram muito mais grotescos e ativariam com qualquer contato.

 

 

Já era noite quando retornei ao casarão, depois de organizar os turnos de vigilância dos guardas e garantir que ninguém fosse prejudicado. À tarde mandei um grupo até o acampamento dos árabes e quando retornaram, trouxeram boas notícias, de que o acampamento havia sido abandonado, o que significava que não seríamos atacados, pelo menos não naquela noite.

 

 

 

 

 

 

 

Tomei um banho demorado, estava me acostumando com a água quente que saia do objeto na parede, seria difícil viver sem aquelas regalias dali para frente.

Sentei-me na beirada da cama e fiquei observando o ferimento na perna, não era nada demais, já tinha sofrido piores. No entanto, sabia que precisava me curar rápido e com o auxílio do conhecimento e dos remédios da colônia, seria muito mais fácil.

Levantei-me indo até a cômoda, os curativos que a curandeira havia deixado durante o dia, retornando para a cama, onde me sentei e enfaixei os ferimentos, não tão bem quanto Stephanie havia feito.

 

 

O jantar foi servido no quarto a pedido de Harald, pois retornei muito tarde e perdi a hora propositalmente. Depois de me alimentar me sentei na bendita poltrona em frente à lareira, com um jarro de vinho em mãos. 

 

Batidas na porta interromperam o meu momento de reflexão, irritando-me profundamente já que não queria ver ninguém, nem mesmo Heimdall. Mantive-me em silêncio e as batidas na porta persistiram, até que alguém abriu a mesma e adentrou sem ser convidado.

 

 

 

Recusei-me a acreditar quando Stephanie se dirigiu até mim, vestindo roupas de dormir e um longo casaco fino por cima.

 

 

 – Não me ouviu batendo na porta?

 

 

 – Ouvi!

 

 

 – E porque não atendeu?

 

 

 – Porque não queria ninguém enchendo o meu saco!

 

 

Ela andou até a minha frente, me encarando como se fosse um absurdo não querer vê-la, até pareceu decepcionada com minha resposta, e realmente deveria estar a julgar pelos seus planos de conquistar minha confiança e convencer a me virar contra minha própria família.

 

 

 – Eu precisava falar com você!

 

 

 – Não precisava não!

 

 

Coloquei-me em pé depositando a garrafa sobre uma pequena mesa no canto, aumentando a distância entre nós duas.

 

 

 – Eu estou exausta, desde que cheguei nessa maldita colônia não tenho um minuto de paz e minha única tarefa era manter a porr* do acordo do casamento em pé. Então me deixe em paz pelo amor de Deus.

 

 

Enquanto falava, me dirigi até a porta abrindo-a e fazendo sinal para que ela saísse, de preferência em silêncio e sem me olhar.

 

 

 – Eu… eu sinto muito! Pelo que tem acontecido! Mas…

 

 

 – Cai fora! 

 

 

Mais uma vez fiz sinal para que se retirasse, impedindo-a de continuar falando e prolongar o tempo ali dentro. Stephanie pareceu incomodada, se calou e andou na minha direção, surpreendendo-me com sua atitude. Empurrou a porta obrigando-me a retirar a mão, fechando-a em seguida.

 

 

 – Porque está me tratando assim?

 

 

 – E como diabos eu deveria te tratar?

 

 

 – Como tem feito desde que chegou aqui!

 

 

 – Não tive muito tempo para processar as coisas que aconteceram por aqui. Mas te garanto que não foi minha intenção te dar esse tipo de abertura. Eu não ligo pra você, não me importo com o que você sente e não escolho as palavras para me dirigir a você, só pra não te magoar.

 

 

Praticamente cuspi as palavras, me encurvando para me aproximar mais dela, que por sinal era muito mais baixa do que eu.

 

 

 – Você não nega mesmo que é uma deles! Por um momento achei que você fosse diferente!

 

 

 – Digo o mesmo! É tão insuportável quanto o imbecil do seu pai.

 

 

Cruzei os braços me afastando alguns centímetros, estava tremendo de raiva, morrendo de vontade de apanhá-la pelos braços e sacudir até que se arrependesse de ter tentado me enganar, mas principalmente, por estar jogando com a ingenuidade do meu irmão.

Stephanie cerrou os olhos e contraiu o maxilar, instintivamente ergueu a mão direita e esbofeteou o meu rosto, com força o suficiente pra me irritar ainda mais se é que era possível.

 

Levantei a mão rapidamente, mas não tive coragem de batê-la, ainda que estivesse com raiva e com meu ego ferido, não consegui revidar o golpe, até porque aquilo com certeza seria muito ruim para o acordo e a machucaria de verdade.

Apanhei-a fortemente pelo queixo empurrando-a contra a porta, com a mão direita cobrindo a sua boca, impedindo-a de falar qualquer bobagem que me fizesse perder o controle ainda mais.

 

 

 – Você deveria pensar melhor antes de me irritar! Eu tenho tentado não ser tão ogra como a maioria de nós é. Mas você está por um fio de me fazer perder a paciência com você.

 

 

Stephanie me segurou firmemente pelo braço com ambas as mãos, me obrigando a soltá-la, mas ainda sem me afastar um único centímetro.

 

 

 – Eu não fiz nada pra você! Tenho tentado me aproximar! Tenho tentado ser uma boa anfitriã, me preocupei com você ontem porque sei que tem arriscado a vida pela minha família. E você está me tratando mal sem ter motivos.

 

 

 – Eu sou uma bárbara! Sou nórdica, não temos bons modos!

 

 

 – Até ontem você tinha! Pelo menos comigo.

 

 

Seus olhos estavam arregalados e úmidos, não soube dizer se de raiva, mágoa ou fingimento, mas aquilo me fez titubear e me arrepender como nunca antes em toda minha vida.

 

 

 – Você só quer livrar a sua irmã do Erling! Não se importa comigo, Heimdall ou com ninguém do meu povo!

 

 

 – Isso é verdade! Eu quero salvar a Anne de tudo isso. Ela vai fazer 15 anos em poucos dias, mas ainda assim é muito jovem para se casar, principalmente com um homem da idade do seu irmão.

 

 

Vê-la confessar mexeu ainda mais com meu brio. 

 

 

 – Então não finja que tem alguma coisa além disso! Não ouse usar o Heimdall, nem brincar com a minha inteligência! Eu posso ser boa quando quero. Mas eu normalmente não sou!

 

 

Tentei desvencilhar meu braço de suas mãos, mas ela insistiu, não queria se afastar e nem quebrar o contato visual, ainda que as lágrimas tivessem começado a rolar timidamente.

 

 

 – Eu quero a sua ajuda mais que tudo! Mas isso não significa que eu não me importo com você! Eu não confio no seu pai nem nos seus irmãos ou qualquer um do seu povo! Mas eu… eu, eu não sinto a mesma coisa quando olho pra eles, que sinto quando olho pra você. Eu sei que mesmo com toda essa sua brutalidade, ainda existe uma pessoa boa debaixo dessa casca e que eu posso contar.

 

 

 – Você não pode!

 

 

Afastei com força meu braço de suas mãos, não me importando se isso a magoaria, sentindo um nó gigantesco se formando na minha garganta, coisa que não sentia desde a infância.

Stephanie sem dar qualquer sinal, me esbofeteou pela segunda vez e quando percebi o que ela havia acabado de fazer, encarei-a incrédula e quando abri a boca pra xingá-la, fui esbofeteada pela terceira e quarta vez, sucessivamente. 

 

 

 – Que inferno! Você está louca?

 

 

Segurei suas mãos, afastando-as e empurrando contra a porta, acima de sua cabeça, enquanto ela me encarava em meio às lágrimas com um sorriso sarcástico nos lábios.

 

 

 – Você se importa!

 

 

Encarei-a tentando decifrar o que ela estava tentando dizer, sem entender absolutamente nada.

 

 

 – Você se importa Gunnar! Se importa com a Anne e se importa comigo! 

 

 

 – Não fale besteira!

 

 

 – Você se importa comigo! Aceite isso! Se fosse qualquer outra pessoa batendo no seu rosto, inúmeras vezes, eu já estaria morta agora ou no mínimo, toda arrebentada, mas não. Olhe pra você! E olhe pra mim!

 

 

As palavras dela invadiram minha cabeça dando um nó na minha consciência, a única pessoa que batia no meu rosto era o meu pai, e eu suportava por respeito. Além dele, ninguém nunca exerceu qualquer tipo de poder sobre mim, pelo menos não até agora.

Eu estava a centímetros do seu corpo, mantendo-a presa contra a porta, com as mãos acima da cabeça, sentindo o calor do seu corpo por cima daquelas vestes indecentes. Peguei-me sem resposta e sem conseguir tomar qualquer atitude, encarando-a, salivando enquanto ela me encarava com um sorriso convencido nos lábios, que daquela distância pareciam tão convidativos. Seus olhos verdes se estreitaram diante do meu silêncio, as lágrimas haviam cessado e o sorriso morreu, enquanto seu olhar oscilava dos meus olhos a minha boca.

 

Eu queria impedir, queria resistir, sabia que ela estava me usando, mas meu corpo pulsava dos pés a cabeça, enlouquecido querendo sentir o seu gosto, seu cheiro e o seu calor. 

Abri e fechei a boca inúmeras vezes tentando articular uma única sílaba que fosse, mas a única coisa que eu conseguia era sentir o tremor dos seus braços entre as minhas mãos, sem saber se ela estava com medo ou outra coisa distinta.

 

Fechei os olhos e tentei criar forças pra soltá-la, ouvi sua respiração ofegante batendo contra o meu rosto e não consegui controlar, eu precisava sentir e precisava saber do que se tratava toda aquela loucura dentro de mim.

Desci meu rosto na direção do seu e sem pedir licença, cobri seus lábios com os meus, sentindo-a gem*r imediatamente contra minha boca.

 

Senti meu corpo vibrar e encostei-me a ela, pressionando-a com certa brutalidade contra a porta, sentindo meu corpo todo pedindo por aquele contato, até um resquício de consciência surgir, obrigando-me a me afastar, sem querer ser como meu pai, meus irmãos e a maioria do meu povo. Ela não queria aquilo e eu não a obrigaria, eu não era assim e não achava correto.

 

Soltei seus braços num rompante, me afastando bruscamente do seu corpo, colocando alguns metros de distância entre nós.

 

 

 – Saia!

 

 

Sem conseguir encará-la, andei de volta até a mesa onde havia deixado a garrafa de vinho, ouvindo a porta abrir e bater com força logo em seguida.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Boa noite meninas!

Finalmente um capítulo mais longo e mais envolvente, espero que tenha agradado.

Beijo a todas!


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Comentários para 8 - Capitulo 8:
Isis SM
Isis SM

Em: 27/04/2024

Eiitaa

Responder

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thays_
thays_

Em: 21/03/2024

A Stephanie ainda vai amolecer o coraçãozinho da Gunnar. Adorei o beijo!


Resposta do autor:

Vai sim, com jeitinho ela consegue tudo.

Responder

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Marta Andrade dos Santos
Marta Andrade dos Santos

Em: 08/03/2024

Eita tá complicado Gunnar a tentação quanto mais se corre mais chega.


Natalia S Silva

Natalia S Silva Em: 08/03/2024 Autora da história
Agora ficou difícil escapar kkkk


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