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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 2684
Acessos: 269   |  Postado em: 07/03/2024

Capitulo 37 Amores passados

No carro, Vivienne dirigia lentamente e com cuidado, achava aquele 4x4 enorme da mulher. Ainda não se acostumava em ter que voltar a dirigir. Estava tão concentrada na estrada que só depois de alguns minutos percebeu que Elizabeth falava. Ela pediu para repetir:

- Eu disse que nos conhecemos quando eu era jovem. Adolescente, ela era minha melhor amiga. – confessou Elizabeth.

 

FLASHBACK OF POINT OF VIEW ELIZABETH HEINZ

 

Meu ancestral era um homem austero e severo, era o que contava a minha avó Christina. Holand Von Heinz era soberbo, mulherengo e tremendamente frio. Havia se casado três vezes e dessas mulheres saíram as três linhagens dos Heinz, os Von Heinz Primeiro, Segundo e Terceiro. Como podemos ver, eu sou a terceira linha dos Heinz.

Cada Heinz desempenhava uma função, na qual ele deveria crescer seu próprio “império” para que seja analisado na primeira prova, o de crescimento de poder. Os primeiros Heinz da linhagem de Amélia Von Heinz Primeira, seguiu para a área dos negócios, empresários; Os Segundos Heinz seguiu para o campo da saúde, medicina e por fim, os descendentes de Christina para a advocacia.

Cada um foi destinado para um estado do Brasil, pois meu bisavô era amante das latinas e das terras quentes. Meus tios da linhagem dos primeiros Heinz seguiram para Curitiba; Os meus de segunda linhagem, decidiram se fixar em Nova Amsterdam junto com minha avó Christina que possuía familiares antigos nessas terras.

Com certa idade, todos os três eram orientados e disciplinados pelos maiores acadêmicos da Alemanha.. Mas isso é uma outra história para ser contada em outro momento. Quando meu pai terminou todos os seus estudos, passou a viver e morar em Nova Amsterdam, conhecendo minha mãe Cordelia Victoria, uma competente advogada de direitos humanos e civis. Eles se encontravam e digladiavam nos tribunais até que com a perda dele, ele a convidou para jantar, já que estava com o “ego ferido”. Demoraram anos para casarem e irem para Alemanha, no qual depois de quatro anos eu nasci.

Eu nasci, porém, antes de mim, por alguns minutos de diferença, minha irmã Bess nasceu. Foi aí que meu pai contou toda a situação para a minha mãe. Ela teve ódio dele assim que soube, discutiram durante meses a fio, ela queria convocar a embaixada, a guarda nacional, para expor o esquema maníaco de um falecido poderoso Heinz.

Porém, eles já sabiam e não podiam fazer uma interferência direta. Minha mãe precisava pensar rápido, pois em breve seriamos apresentadas para o restante dos Heinz e se soubesse de mais um herdeiro, a chacina estaria feita. Por sorte, ou por maldição, éramos gêmeas e minha mãe decidiu ocultar a outra. Nunca recebemos nomes distintos, só sabíamos que nosso nome era “Elizabeth Victoria Heinz”

Eu estudei com meus primos, Joseph Von Heinz I e com Beatrix Charlotte Von Heinz II, fomos educados em duas línguas, na materna alemã, uma outra língua da nossa escolha e portuguesa, recebemos nossos estudos até que aos dezesseis anos fomos mandados para cada estado que nossos pais estavam crescendo poderosamente.

Aquele clima da cidadezinha chamada de Nova Amsterdam era algo realmente diferente da Alemanha, do clima frio que eu estava acostumada. Sentia a sensação de minha pele querer derreter com aquele sol tão escaldante. Minha mãe disse que eu iria me adaptar e ficar acostumada. O melhor era a umidade que contrastava com o calor que ali fazia, o vento era delicioso e as praias lindas, nunca havia morado tão próximo ao litoral antes.

Fui matriculada em uma celebre escola no ensino médio. Uma escola responsável pelas três linhas de educação: infantil, médio e da graduação, tornando-se a Universidade Federal de Nova Amsterdam. Acabara de chegar para as aulas de biologia e genética, algo que já havia adiantado na Alemanha, porém precisava preencher esse requisito. A professora era uma mulher de trinta anos, chamada Andressa. Tive que fazer a minha apresentação forçadamente como parecia ser o costume daquele local.

- Sou Elizabeth Heinz, me mudei da Alemanha para cá, é uma satisfação conhece-los. – dizia polidamente.

Havia uns cochichos que já era esperado por mim e suspirei de forma silenciosa vasculhando um lugar para sentar. Ao que parece só haviam mais duas cadeiras vazias, foi para lá que me dirigi, esperava não ficar perto de ninguém. Assim que me alojei perto daquela outra cadeira vazia, novamente a porta se abriu.

Uma garota aparentemente da minha idade parecia está atrasada. Ela deu um sorriso gentil para a professora perguntando se podia entrar e assim Andressa confirmou. Vasculhou na lista de chamada qual deveria ser o nome daquela garota.

- Lorelai Maia, correto? Está atrasada por cinco minutos. – disse a professora a fitando.

- Ainda bem que não foi por mais tempo – disse de forma tremendamente sincera e aliviada, pois em sua cabeça chegaria ainda mais. Mas a sua resposta fez alguns dos nossos futuros colegas rirem e ela ficou vermelha como um pimentão. Ela completou sua fala timidamente - infelizmente meu pai teve que resolver algo de última hora e eu tive que esperar o motorista. Eu sinto muito. Não irá se repetir.

Algo que realmente passou a se repetir de quando em quando. A professora pediu para ela se sentar na única cadeira vazia, ou seja, ao meu lado. Ela caminhava em minha direção, era bonita, morena, olhos azuis claros, um maxilar marcado e uma estrutura óssea maravilhosa. Ela sentou ao meu lado, estava perdida em pensamentos ou melhor admirando-a que não ouvi sua fala:

– Bom dia – disse para mim e repetiu – Bonjour?

– Bonjuor - Eu respondi automaticamente e ela sorriu, parece que havia encontrado um pote de ouro.

– Vejo que fala bem o Francês, você era de lá? – inquiriu curiosa

– Je suis Allemagne[1] (Sou alemã) - sorri gentilmente.

– Je suis de paris, Je m’apelle Lorelai Nunez Maia[2] (Eu sou de Paris, meu nome é Lorelai Nunez Maia.) - ela falava tão encantadoramente aquele sotaque parisiense.

- Meu nome é Elizabeth Victoria Heinz – disse quando fui cortada por nossa professora.

– Meninas eu sei que é bom fazerem novas amizades, Mas vamos prestar um pouquinho de atenção aqui? O intervalo está aí para isso viu. – a professora bronqueou a gente e simplesmente rimos de leve.

O dia realmente foi interessante ela falava sem parar das suas viagens e de alguns locais que conheceu aqui do Brasil foi simplesmente um dia magnífico. Quando chegou o fim das aulas nós nos separamos e cada uma foi para suas respectivas casas. Minha mãe veio me pegar, enquanto ainda não estava acostumada com aquelas ruas e o motorista de Lorelai, também apareceu.

– Então filha como foi o seu primeiro dia? – indagou Cordelia. Naquela época já mantinha um diário a mão para contar tudo para Bess, pois ela assistia aulas remotamente e nunca ficaríamos atrasadas.

– Foi bem interessante fiz uma amizade com uma novata. – informei para a minha mãe.

– Hum... lembre-se, sempre com cautela.

– Sim, eu sei mamãe.

Passado o primeiro ano no novo colégio, Lorelai e eu éramos como carne e unha, foi aí que uma atração por ela me fez perceber do meu gosto peculiar por garotas. Mas como poderia começar a me envolver com alguém se eu teria que dividir com a minha irmã? E pior, e se ela souber que somos duas pessoas? O medo em mim crescia ardentemente como uma chama. Minha única ouvinte e fiel era minha irmã mais velha, Bess que tentava se manter evasiva, mas ao mesmo tempo não muito para não causar muitas alterações ou suspeitas.

Ela me aconselhou a flertar com outras garotas para ver o que de fato acontecia e se era uma atração seleta ou apenas por Lorelai devido ao nosso grau de amizade. De fato, não era uma atração somente por uma única mulher, claro que achava mulheres bonitas e desejava, mas a que eu queria era a Lorelai e isso me angustiava, não conseguia esquecê-la.

Eu estava na sala de aula pensando nesses últimos acontecimentos quando uma doce voz me chama

– Liz está parada no tempo novamente? Se a professora perceber poderá te bronquear, quer sair da sala? – Lorelai me alertava.

– Ah, desculpe, não percebi, merci beaucoup, cherrie.

- De rien, amour. – seu apelido dado a mim, massacrava-me. A professora informava que deveríamos fazer um trabalho em dupla, irmos para a casa de cada amigo e fazermos uma investigação sobre futuras carreiras e entrevistar algum adulto sobre o seu trabalho e o que acham mais difícil e prazeroso em sua área. Quando a aula finalmente acabou e eu me levantei para ir tomar um pouco de água, Lorelai puxou pelo meu braço:

– Ce qui s'est passé? (o que houve?)

– Rien ne s'est passé, je vais bien. (não aconteceu nada, eu estou bem.) não se preocupa Vivi.

– La vem o casalzinho romântico e seu Francês pra lá e pra cá!- um de nossos conhecidos de classe nos enchia o saco com isso

– Cala a boca Hector! - falamos juntas.

Eu saí da sala e me dirigi para tomar água, Lorelai vinha logo atrás. Ela continuava com seu lindo cabelo preto curto desfiado nas pontas. Seu corpo magro e seus seios fartos me deixavam um pouco fora de orbita às vezes. Mas claro que eu sempre fazia algo para que ela não percebesse o quanto estava sendo tentador e difícil, me afastar dela era uma dessas coisas.

Os uniformes da nossa sala eram meninas com uma saia xadrez até o meio da coxa e uma blusa de manga longa branca. Enquanto, os meninos eram para usar calça e camisa social branca de botões com manga longa e uma gravata xadrez. Eu era do contra usar vestimenta feminina e me ajustava como bem podia naquela época, uma calça  preta skinnie e a camisa social dobrada até o cotovelo.

– Liz, por que tanta pressa? Eu tive que correr para te alcançar.

– Estou com muita sede, cherrie. – menti para ela e ela percebeu.

– Parece mais que está fugindo de mim. – informou. – então, tudo certo para hoje depois da aula, vou fazer o trabalho na sua casa, tudo bem?

– Está bem.

Quando fomos liberadas dei graças a Deus por Lorelai ter que ir em casa se ajeitar. Isso me deu tempo para falar com Bess e minha mãe, pois achamos melhor que eu deveria assumir aquela parte, enquanto minha irmã ficaria no nosso quarto. Fui para o meu quarto tomei uma ducha bem gelada, estava muito quente. Molhei meu cabelo e quando sai deixei ele secar naturalmente.

Bess lia um livro de profissões, enquanto eu me vestia, colocava uma calça preta, o sutiã e uma camisa leve quando escutei a porta ser batida e alguém entrava, estávamos concentradas nas nossas atividades e não percebemos quando Lorelai entrou e estava surpresa com o que via. Corri imediatamente para fechar a sua boca e minha irmã trancou a porta.

- Droga e agora, Bess? – falava assustada enquanto segurava a garota.

- Sente-a na cama e deixe-a de boca fechada se a mamãe souber agora estaremos ferradas. – Bess procurava uma bandana e com o que achou fechou a boca da outra que olhava as duas meninas assustadas. – Preciso que fique quieta Lorelai, faça sim com a cabeça se entendeu?

A jovem fez e estava nervosa, o que aquelas duas pessoas estavam fazendo ali, haviam duas?

Bess foi a primeira a explicar toda a situação para a jovem que olhava incrédula.

- Mamãe alertou para algo, assim, você pode receber uma quantia enorme em dinheiro. Nossos pais irão pagar para os seus. Colocar uma renda em uma poupança para seus estudos ou seja lá o que você quiser. Mas precisa assinar aqui.

Lorelai pedia para tirar aquela bandana da boca apontando para soltarem-na. Pediram para ela prometer que não gritaria, ela assim fez. E de fato não gritou, apenas sussurrou

- Vocês são loucas, que bobagem serem gêmeas e que história mais louca! Eu estou aqui para fazer o trabalho e perguntar para uma de vocês se é verdade os boatos que estão ocorrendo na sala

As duas estreitaram os olhos e falaram juntas

- Que boato?

- Vocês são duas pessoas e ainda conseguem ser lentas. Eu preciso saber se é verdade, está rolando o boato de que vocês gostam de mim, aliás uma de vocês. Queria saber a verdade, podem me explicar?

Bess rolou os olhos

- Ah... – disse a gêmea mais velha ao se afastar do assunto. Não acreditava que dizia algo sério e a outra jovem queria saber sobre os boatos.

- Como assim “ah”? – Lorelai estava a fitando com raiva. – é tudo o que tem a dizer?

- Não é da minha conta, está falando com a gêmea errada

A sobrancelha de Lorelai se ergueu.

- É comigo esse assunto  - Izzy sorriu sem vontade. – E sim, é verdade, eu gosto de você, Cherrie, mas não queria estragar nossa amizade. Sem falar que temos esse segredo, ou tínhamos esse segredo e como poderíamos fazer se socialmente eu sou uma pessoa. Jamais fluiria – antes de terminar Lorelai a calou com um beijo.

- Sua idiota, não percebeu que acabei de saber sobre o “grande” segredo. Eu não quero dinheiro, só me deixe ficar com você. Vamos dar um jeito.

- Assine o contrato e será um belo de um começo – dizia Bess se aproveitando da oportunidade.

- Sua irmã é sempre objetiva assim?

Izzy coçava a cabeça rindo um pouco.

- A maioria das vezes sim. – Bess colocava os papeis na mesa.

 – Agora assine e deve jurar não contar isso para ninguém! – informava a mais velha.

- Começo a entender porque tinha dias que você estava de péssimo humor, posso imaginar quem era – Lorelai riu. Bess revirou os olhos. – É uma brincadeira, Elizabeth dois.

- Na verdade eu sou a primeira, nasci alguns minutos a frente. – explicava Bess sem sorrir.

- Então como poderei chama-las – Assim foi passado que Izzy era a mais nova e Bess a mais velha, e Izzy era a pessoa que havia se declarado.

Demorou um tempo para Lorelai se acostumar e reconhecer  nossas características. Mamãe e o papai acataram e aceitaram, fazendo Lorelai assinar mais uma nova papelada para se resguardarem, não sabia que isso poderia acabar ocorrendo, mas tomaram as medidas preventivas e adoraram que eu aparentava estar feliz. Diferente de antes, Lorelai passava agora mais tempo na nossa casa, conversamos rimos de umas bobagens do passado e ela fitava algumas recordações que acabamos construindo.

– Je ne crois pás Izzy (eu não acredito)

– O que foi, Cherrie?

– Você tem essa foto? Logo quando nos conhecemos?

– Claro.. eu gosto dela – confessou a gêmea mais nova.

– Eu estava horrível. – Lorelai riu de si.

– Você sempre foi linda. - Eu vi seu rosto corar um pouco e ela continuo olhando

– Não sabia que tinha tantas fotos nossas – admitiu a morena.

– Eu tenho, gosto de guardar cada momento nosso e principalmente agora que parece que finalmente sou alguém.

– Eu também tenho muitas fotos suas - ela falou baixo que eu quase não ouvi – Você é alguém! Sempre foi e sempre será!

Continuamos namorando até o final do ensino médio e resolvemos cursar a mesma universidade de teatro. Meu pai achava que por sermos duas, conseguiríamos fazer algo que eu gostava e a faculdade de direito. Bess apenas acatou, ela sabia o quanto eu estava feliz e não iria se colocar contra, cursávamos teatro, por minha escolha e claro isso iria nos ajudar para desempenharmos ainda mais nossas habilidades de sermos uma e enganar pessoas.

De fato, fazer a universidade de teatro foi importante para nós, pois conseguíamos despistar qualquer pessoa. Nosso primeiro ano na universidade começou e eu ainda estava feliz da vida com a Lorelai.

 

FIM DO FLAHSBACK UM



[1] Sou alemã

[2] Eu sou de Paris, meu nome é Lorelai Nunez Maia.

Fim do capítulo


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