Segredos por Elliot Hells
Capitulo 35 Sentimentos desvelados
Vivienne encontrou com Izzy durante uma semana seguida. Todos os dias quem assumia era a irmã mais nova, as festinhas e as companhias sonoras estavam de volta e em maior número. Não havia uma oportunidade de esbarrar com a Bess depois daquela situação.
Tentou falar com a Izzy a razão de nunca mais ter visto a outra irmã e a Heinz respondia sempre a mesma coisa que Bess estava assumindo um caso delicado no escritório que precisava de um foco maior da sua atenção. Além disso, estavam ambas corrigindo os artigos dos alunos.
Essa simples resposta não a satisfazia, sentia que era algo mais. Então enviava mensagens privadas para a Bess que custava a responder e repetia exatamente o que a Izzy dizia. Até que ela resolveu indagar:
“Vivienne Lamartine: você está me evitando?
“Bess Heinz: Não.
“Vivienne Lamartine digita: Sinto você distante... diferente.
“Bess Heinz: É impressão sua, estou apenas atarefada.
“Vivienne Lamartine: Você se afastou de mim desde aquela noite.
“Bess Heinz: Você deveria aproveitar essas férias para descansar e relaxar. Não fique pensando muito. Preciso ir agora.”
Ela concluiu aquele assunto antes que Vivienne pudesse puxar mais alguma conversa. Não sabia com quem ela poderia conversar, visto que ninguém sabia que Elizabeth era gêmea. Como iria contar para a irmã que a Bess se declarou para ela, quando todos viam claramente que Izzy tinha encontros toda hora? Ela estava sozinha nessa reflexão e não sabia o que fazer ou agir.
Decidiu por pesquisar no seu celular.
Quando mais nova presenciava muitas pessoas fazerem esse tipo de consulta, embora achasse infantil de sua parte, era o único meio agora. Digitou no campo de pesquisa o seguinte: “Como saber se estou interessada em uma mulher?” depois a pergunta mudou para “ é normal sentir falta de alguém do mesmo sex*?”. As respostas eram quase como um quiz para saber se estava apaixonada por alguém ou pessoas contando como foram sua descoberta ou suspeitas.
- Mas eu não sou lésbica... – dizia Vivienne para si mesma. – Só estou... curiosa para entender o que ela quis dizer para mim.
Kitty surgiu atrás dela indagando um enorme: O que você está lendo?
Vivienne tomou um susto enorme e seu rosto se confundia com a cor de seu cabelo, tentou esconder o celular da irmã.
- O que você está fazendo aqui, quando chegou? – disfarçava a irmã.
- Ora, o Henrique abriu, Enne, por que está tão nervosa? parece que te peguei lendo pornografia. – implicava a irmã mais velha, observando o celular da outra escondido. – Vamos, mostre para a sua irmãzona o que você está aprontando. – Kitty se preparou para roubar o celular da irmã que tentava se desvencilhar a todo custo, mas acabava de perder a batalha.
Estava nesse exato momento constrangida com o que a irmã lia.
Kitty começou a rir.
- Desde quando você se interessa por essas coisas? – a ruiva mais velha secava as lágrimas do seu rosto pela quantidade de vezes que riu, enquanto Vivienne pegava de forma rápida o celular.
- O que tem? eu só queria entender. – falava escondendo o celular contra o peito, como se assim fosse uma forma de se livrar de toda a vergonha que estava sentindo por ter sido pega.
- Hum.. quer dizer que meu bebezinho está afeiçoada por alguém do mesmo sex*? E por que não indagou para a expert aqui? – apontava para si mesma com um olhar de que saberia responder qualquer indagação. Levantava e abaixava a sobrancelha em forma brincalhona.
- Porque claramente você teria essa reação de rir horrores de mim como acabou de fazer. – respondeu Vivienne, rolando os olhos e indo se sentar no sofá novamente.
- Ah, Enne, qual é, vamos, sempre compartilhamos tudo, conversa com sua maninha. – implorou, enquanto seguia a outra para sentar no sofá e cruzou suas pernas como em posição de yoga. E de fato Vivienne queria indagar algo em específico.
- Tudo bem, tudo bem, Kitty... – enrolou um pouco a dizer, mas sua irmã esperava pacientemente, parecia que seu lado sério e responsável estava ativado. – como soube que gostava e se interessava por alguém do mesmo sex*? Eu sei que você chegou e contou para nós sua preferencia, mas como foi que percebeu e se deu conta disso?
Kitty levou o indicador ao queixo como se estivesse lembrando de como foi a sua experiência.
- É uma boa pergunta, - admitiu. – Vou te contar. – Kitty começou a recordar daquele momento. – Eu não acordei em um belo dia dizendo, “acho que gosto de mulheres”, na verdade foi um processo lento e caótico. Recorda da aluna transferida da minha sala a Jane?
Vivienne fez que sim com a cabeça e Kitty prosseguiu.
- Éramos boas amigas, na verdade como foi transferida no meio do ano letivo, não conseguia fazer amizade com ninguém e então eu resolvi ser amiga dela. Estavamos sempre juntas, fazíamos tudo juntas e de fato, acho que ela pode ter sido a responsável por despertar algo em mim. No momento eu acreditava que era tudo uma amizade e que os sentimentos que estavam aflorando em mim dava-se por sermos próximas. Claro que também tinha outras amigas e o estranho é que somente com a Jane acontecia aquele incomodo, aquele ciúme quando ela engavetava um novo relacionamento e sofria. Cada um que machucava o seu coração me deixava feito uma fera até que certo dia dei um soco no namorado dela por pegá-lo traindo com uma de nossas colegas de classe. Bom, o fato foi que comecei a perceber que não via a Jane como olhava para as outras garotas. Ela era especial para mim, mais do que amiga. – Kitty relembrava daquelas memórias. – No final, me confessei para Jane e ela disse que não era reciproco, eu era uma amiga para ela. Aquilo foi doloroso demais e uma semana depois, ela havia ido embora sem jamais dizer a razão. Pensei que o que tinha acontecido com a Jane era uma fase e um momento. Sempre achamos que é uma fase, só que não é muito por aí. – Kitty olhou para a sua irmã – o que eu quero dizer Enne, é que todos nós temos alguma experiência ou momento que irá ser um gatilho para despertar o que está adormecido em nós. Alguns simplesmente acham que há algo de diferente neles desde sempre, só que a verdade é que todos somos iguais e é natural amarmos quem quisermos. Somos livres para podermos amar, a sociedade que fez isso ser um show de horrores, caça as bruxas ou um purgatório.
Enne a olhava, a irmã sempre era brincalhona e alegre, mas quando tratava de assuntos sérios e que envolviam a liberdade seu lado racional era sempre ligado. Kitty colocou a mão no ombro da irmã caçula e a olhou com ternura antes de retomar a fala.
- Eu acredito que somos os autores de nossas próprias histórias Enne, não é ninguém que irá dizer quem você deve amar ou o que você deve fazer, ou para onde deve ir. Se você não conseguiu o que queria agora, calma, tente novamente. E devemos sempre lembrar que não estamos engessados em algo. Se você gosta de homens e se vê interessada em uma mulher, isso não é o fim do mundo ou está cometendo algum pecado capital. Não há crime que diga que gostar de alguém é errado, só se permita sentir. Minha experiência foi importante para construir quem eu sou hoje e o grau de liberdade que aprecio hoje. Só quero que você possa contar comigo também, sou sua irmã e sempre estarei ao seu lado, não guarde ou suporte algo sozinha como fez antes. Eu não quero mais ficar de fora da sua vida, eu sou sua irmã e irei te proteger e apoiar! – Kitty a abraçou e Vivienne retribuiu aquele abraço caloroso sendo ambas interrompidas por Henrique que diziam para elas se arrumarem, pois todos iriam sair.
Embora a ruiva mais nova não estivesse com animo para ir, devido a um turbilhão de pensamentos que invadiam sua cabeça, seu amigo insistiu fortemente. Ela colocou um biquine branco, uma saía fina para cobrir a parte de baixo e acabou enviando uma mensagem para Izzy. Aquelas palavras que Kitty havia dito momentos antes a fizeram tomar um certo tipo de coragem.
“Vivienne Lamartine: H² marcou para todos irmos para a praia hoje, você está sabendo disso?
“Izzy Heinz: Como vai jóia rara, está me convidando indiretamente para um encontro? Gosto de mulheres com atitude também.”
Vivienne enviou emojins rolando os olhos.
“Vivienne Lamartine: Não, sua súcubo, não estou chamando você para um encontro. Gostaria de pedir um favor...
“Izzy Heinz: Hm... um favor? E o que eu ganharei em troca?”
“Vivienne Lamartine: Parece que irei me arrepender disso, o que você quer?
“Izzy Heinz: Na minha presença irá me tratar por mestre durante uma semana e não me chamará mais de súcubo.
“Vivienne Lamartine: Por que eu sabia que você aprontaria algo assim? Tudo bem, tudo bem! Eu irei te chamar de mestre. Agora pode fazer o meu favor?”
“Izzy Heinz: Não está esquecendo de dizer nada?
“Vivienne Lamartine: Agora você pode me fazer um favor, mestre?”
“Izzy Heinz: Sim, slave, diga o que deseja?”
Vivienne começava a se irritar, mas deixou passar.
“Vivienne Lamartine: Queria que a Bess fosse para a praia, eu não a vejo desde a última vez que falamos, sinto que ela está me evitando. Você poderia fazer isso?”
Um silêncio reinou ali. Mas sabia que Izzy havia lido as mensagens. Enviou novamente uma interrogação, aquele silêncio estava deixando a ruiva nervosa por algum motivo. A gêmea mais nova parecia considerar as implicações daquele favor.
“Izzy Heinz: Tudo bem, verei o que posso fazer, está certo?”
“Vivienne Lamartine: Obrigada... mestre”
Izzy não pode deixar de rir.
Assim foi terminar de se arrumar. Ela e Kitty iriam com Henrique. Vivienne não sabia se poderia contar com a presença de Bess, não estava tão esperançosa. Desceu do carro do Henrique e foram para a areia, no qual haviam lindas tendas abertas com estofados brancos e aconchegantes. O valor daquela tenda era um pouco elevado. Um responsável atendeu e já tratou de servir diferentes frutas e petiscos.
Kitty estava com um chapéu preto de borda longa, biquine também preto e uma canga ao redor da sua parte de baixo.
- E então, quem mais vem? – Kitty indagava, enquanto finalizava de pedir sua bebida. – Será que as meninas irão vir? Já sinto falta delas. Acredito que depois daquela conversa tensa que tivemos semanas atrás sobre o Alexander, precisamos mudar o foco.
- Você viu todo mundo a pouco tempo, Kitty. – começou Henrique. – E sim, o cretino do Alexander foi longe demais.
- Por favor, não quero recordar disso agora, podemos mudar de assunto? – pediu Vivienne.
Com o tempo perceberam um aglomerado de pessoas se juntarem a alguns metros dali. Uma pessoa com uma bermudinha acima dos joelhos preta, uma camisa branca e preta florida dava alguns autógrafos. Aquela cabeleira branca era muito familiar.
- Vejam, parece que ali é a Lizz, não é? – Kitty se esforçava para ver.
O coração da ruiva mais nova deu um solavanco, será que Izzy havia conseguido fazer a irmã ir?
- Sim, parece mesmo com ela. – Henrique falou logo em seguida, concorda com a amiga. Ele levantou a mão, agitando para ela e para ca em busca de que a outra visse. – Está cercada de muitas mulheres, não acredito que poderá nos ver. Irei enviar uma mensagem.
Enquanto Henrique escrevia, Vivienne prestava atenção de quem poderia ser. Acabou se deixando levar e começou a dar passos em direção a multidão. Percebeu que a forma daquela assinatura e a mão eram identificações claras de que era a Bess. Perceber que era ela a fez sentir um novo palpitar forte no peito e ainda mais quando uma fã atrevida puxou Elizabeth para um selinho.
Isso a deixou raivosa e se apressou para lá puxando rapidamente Bess pela mão. Enquanto a Heinz não entendia nada dessa atitude. As fãs ficaram descontroladas, mas Elizabeth disse que haviam encerrado ali mesmo. Assim, Vivienne conduzia a Heinz para o local que estavam, ambas ainda de mãos dadas, o qual a ruiva não tinha percebido devido ao seu estresse.
Elizabeth não sabia o que dizer e muito menos entender, porque Vivienne agiu assim, visto que era algo comum entre as fãs. Mas estava ali, sendo arrastada pela mais baixa e com suas mãos dadas. Sua mente estava confusa, a ruiva a havia rejeitado e mesmo assim estava fazendo algo estranho. Quis falar, mas nada saiu da sua boca. Elas se aproximaram da tenda que os outros estavam, sendo cumprimentada por Henrique e Kitty.
- Lizz, tão bom rever você – Kitty a abraçou calorosamente. – É tão bom poder estar com vocês novamente.
O próximo a abraçar a advogada foi o moreno, seus braços fortes a cercaram. Ele sussurrou no ouvido dela:
- Ainda bem que apareceu, tinha uma ruivinha que estava querendo a sua presença. – ele sorriu e ela ainda estava confusa.
Em pouco tempo estavam todos em seus lugares, Kitty próximo ao Henrique, enquanto Lizz ficou ao lado de Vivienne. Ali discutiram alguns temas triviais, voltado para a empresa do moreno. Novos funcionários estavam em período de experiência, buscando melhorar os netwoking’s e o nível de popularidade.
- Talvez precisaremos avaliar os contratos empregatícios em breve Lizz. – o moreno dizia tomando uma batida sem álcool de frutas, pois iria dirigir de volta.
- Acredito que serão pequenos ajustes, de nomes, qualificações e funções. Posso enviar um novo modelo para o seu pessoal do RH. – Lizz estava despreocupada quanto a isso.
- E quanto ao trabalho Lizz? A Enne disse que estava atarefada com algumas ações. – Kitty foi a próxima a falar, enquanto a sua irmã ficava ainda em silêncio.
- Sim, estava bastante atarefada com algumas ações que surgiram. – na verdade ela não estava, o nível de trabalho para a Bess era o mesmo de sempre, a única coisa que mudou foi que não estava muito pronta para encarar a ruiva ao seu lado. Estava constrangida desde a última interação pessoal que tiveram e consequente rejeição. – peço desculpas por deixa-los preocupados.
Vivienne percebeu que ela estava um tanto diferente de antes. Resolveu falar.
- Está tudo bem, só sentimos a sua falta. – Elizabeth a fitou com curiosidade no olhar, indagava se essa saudade era também da ruiva. – Mas espero que sua carga de trabalho jurídico tenha diminuído.
- Estou já resolvendo tudo. – finalizou a Heinz.
O assunto saiu de uma área profissional para questionarem se haveria a probabilidade de encontrar com Sophie e a detetive, contudo Henrique disse que tentou entrar em contato com as duas no grupo que fizeram depois da casa de praia, mas ninguém respondeu. Acreditavam que estavam trabalhando fortemente.
- A última vez que falei com a Sophie, ela e a Valquíria estavam resolvendo outro caso. Vocês devem ter ficado sabendo do incidente que ocorreu, depois que ocorreu a situação complicada com a Sophie e o sequestro, correto? – todos afirmaram positivamente com a cabeça. –
Então devem ter visto no canal onze, pela repórter, Margarett Van Helleman.
- Fala da Helleman? – Henrique se assustou.
- Sim, você a conhece? – Elizabeth o inquiriu sem entender a surpresa.
- Está brincando, antes dela ser essa pessoa – fez aspas com os dedos – “famosa” por ir atrás de histórias de serial killers, ela teve que crescer de outra forma. Helleman sempre gostou de flertar com o que era grande. Duas empresas de colegas conhecidos da faculdade chegaram a fechar por ela ter denunciado que havia relatos de trabalho análogo a escravidão.
- Embora seja de fato uma realidade que infelizmente exista aqui em nosso país, para isso o Ministério Público do Trabalho tem atuado fortemente contra essas ações – explicava Lizz. – Fazer uma denuncia desse condão requer provas.
- Sim, requer provas ou pode-se conseguir forjando-as – explicou ele. – Ambas empresas abriram de forma legal, sempre vigiada e regulamentadas. Ocorre que meus colegas eram humildes e não queriam holofotes neles. A entrevista para senhorita Helleman foi negada e daí começou o verdadeiro inferno na vida de ambos. Ameaças anônimas e relatos fora de eixo com aproveitamento e edições de frases cortadas. Uma verdadeira manipulação da mídia, não é atoa quando falam que quem governa a mídia detém um grande poder. Atualmente eles ainda estão sob investigação, mas tiveram que fechar e declarar falência, perderam diversas conexões com empresas internacionais. Aquela mulher levou a vida a se aproveitar. As empresas começaram a respirar depois que ela encontrou um novo bichinho a massacrar. – finalizou Henrique.
- Que mulher horrível! – exclamou Kitty e Vivienne juntas.
- E é exatamente isso que venho falar, Sophie e Valquíria estão lidando com as notícias de uma vítima de aparente suicídio. Certamente Helleman está querendo mudar algum jogo e elas precisam lidar com isso. – Elizabeth finalizava sua fala.
- Para lidar com a aquela mulher é preciso muito estomago. – dizia Henrique.
- Sim, a Sophie tem de sobra e acredito que a Van Dahl também.
- Não vamos falar de situações agonizantes, que tal pedirmos alguma coisa para comermos? – Kitty estava já com o cardápio em mãos e desejava pedir lagosta, molhos e saladas. Todos concordaram com o seu pedido.
A tarde na praia foi agradável, ficaram embaixo da tenda, tomaram um banho no mar, jogaram um pouco de vôlei, uma disputa entre Henrique e Kitty, no qual a ruiva mais velha saiu como vitoriosa. O desejo de competição dela era inibalável. Enquanto as outras duas assistiam a competição dos dois, Vivienne e Elizabeth ficavam em silêncio, aquilo parecia um incomodo que a mais nova não estava acostumada a sentir. Principalmente por não ter gostado do beijo que a fã deu na atriz.
- Quanto ao beijo com aquela fã mais cedo – começou ela. – achei que isso era mais a cara da Izzy.
Elizabeth demorou um pouco para responder e disse.
- Apenas foi um incidente irrelevante e totalmente inesperado, não sabia que ela iria me puxar de supetão. Mas está certa em mencionar que é algo que geralmente ocorre com a Izzy. – explicou a Heinz tomando sua limonada.
Mais um silêncio antes de voltar a fala de Vivienne.
- Noto mesmo que você está diferente comigo... – explicou a ruiva.
Elizabeth optou por ser sincera e direta.
- Não é que eu esteja diferente com você, eu só não sei como agir por enquanto dado a situação que nos encontramos anteriormente. Como disse, eu não sou de enrolar, se eu estou interessada em alguém direi para ela, da mesma forma caso não esteja essa pessoa também saberá. Isso, claro, sou eu. Bess. – continuava a irmã. – Izzy ela já tem mais técnica de sedução, ela gosta de fazer porque no final não podemos desenvolver laços com essas pessoas. Então, porque seriamos honestas com elas em dizer se gostamos ou se temos interesse?
Era muito para Vivienne entender, mas o que a gêmea mais velha estava dizendo para ela é que existe um interesse muito maior do que o simples flerte?
Quando ela iria fazer uma próxima pergunta para a Heinz, Henrique e a irmã voltaram e encerraram aquele assunto. Se ajeitaram para irem para casa e Henrique perguntou se Lizz poderia deixar Vivienne, enquanto ele levava a outra ruiva alcoolizada para casa. Elizabeth confirmou que faria isso e a volta para casa em seu Wrangler foi silenciosa, bem como a subida do elevador até chegaram na porta de ambas.
Vivienne foi a primeira a quebrar o silêncio.
- Posso entrar? Acho que temos uma conversa para finalizar caso não se importe. – expressou a ruiva.
- Tudo bem, acho que precisamos. – Elizabeth abriu a porta e deu passagem para ela entrar.
Vivienne ficou um pouco deslocada, fazia alguns dias que não entrava ali, Blues tinha ficado entre uma casa e outra, porém sempre Izzy deixava com Vivienne na porta e ela assim fazia o mesmo com a Izzy. De fato, perguntava para si mesma se Elizabeth adentrou o apartamento por outro local para ver a Blues, ela não sabia dizer. Quando estava dentro a border collie apareceu e esperou sentada e quieta pelo comando de liberação.
Vivienne fez como havia aprendido, deixou ela quieta por um momento e depois disse o “ok” para que ela se aproximasse e falasse com ambas as tutoras. Depois de falar com Enne, Blues percorreu para a cozinha atrás de Elizabeth que servia suco para a ruiva e uma bebida forte para si. Deu a taça para a outra e falava com Blues docemente.
A border collie estava feliz, isso fez Vivienne pensar que não se viam a um tempo.
- Você não tem vindo ver a Blues? – arriscou perguntar.
- Izzy a levou para a mansão todos às vezes que ficou responsável. – dizia a Heinz acariciando a cadelinha e se dirigindo para o sofá. De igual modo fez a Vivienne e sentou próximo dela.
- Ouça, Bess... – começou suavemente, fitando o recipiente que tinha em mãos. – não planejei que algo mudasse entre nós. Aquela situação me surpreendeu e eu não soube como reagir. – uma pausa reinou ali. Até que Vivienne tornou a falar.
- Eu não posso negar que reajo quando você está por perto, principalmente hoje, quando uma estranha a beijou repentinamente. Eu não consigo entender meus sentimentos, não sei se de fato isso pode estar acontecendo depois de tanto tempo, porque eu me fechei muito. – Vivienne priorizou ser sincera com a mulher a sua frente, pois era confuso para ela. Ela resolveu encarar Elizabeth. – Tudo é tão novo para mim, você é tão diferente do que eu já conheci, que me tira da minha zona e me faz...
Vivienne parou a frase e relembrou da fala que Kitty dizia para si anteriormente “Se você gosta de homens e se vê interessada em uma mulher, isso não é o fim do mundo ou está cometendo algum pecado capital. Não há crime que diga que gostar de alguém é errado, só se permita sentir”. Respirou fundo.
- Eu faço o que com você? – Elizabeth sentiu curiosidade e se aproximou mais para encará-la.
- Faz com que eu me sinta viva pela primeira vez em muitos anos e segura. Não quis me afastar da forma que fiz, só foi novo, eu pensei durante muitos dias quando estivemos afastadas e eu senti a sua ausência, sentia a sua falta. – a mão de Elizabeth pousou por cima daqueles cabelos ruivos cheios em forma de carinho.
- Eu também senti a sua falta Enne. – Chamou pelo apelido que a irmã da ruiva tanto usava. Percebia que aquele apelido na boca da outra era tão prazeroso.
Elizabeth a fitava de baixo para cima, parando em cada curvatura, seus olhos estavam mais escuros do que o de costume, sorriu gentilmente de lado e umedeceu seus lábios, e depois mordeu. Sentia um desejo incontrolável de abraçar a pequena.
- Não se controle mais. – Disse Vivienne se referindo ao momento de dias atrás, enquanto olhava para baixo, envergonhada.
- O que disse? – Elizabeth não tinha entendido, precisou levantar o rosto da outra para poder observar e ouvir melhor.
- Você disse antes, alguns dias atrás, que não conseguia se controlar perto de mim, eu não pude responder daquela vez, então estou respondendo agora. Não se controle mais. Essa foi a minha resposta – Vivienne a olhava intrigada, acariciando o rosto da outra.
Elizabeth a beijou gentilmente, recebendo em troca o beijo quente e molhado da outra, suas mãos desciam pela cintura de Vivienne que estremeceu com o toque. A mais nova envolveu os braços no pescoço da outra e sentiu a mais velha agarrar com força sua cintura trazendo-a para perto de si. Um beijo que começou calmo, mas começava a se intensificar.
Fez Vivienne se afastar um pouco para recuperar o seu ar. Elizabeth a fitava, tentava se controlar, precisava ir com calma.
- Podemos ficar só no beijo por hoje, acredito que já é um passo enorme para você. – Elizabeth a abraçou apertado e aquele abraço foi recebido de bom grado.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: