Segredos por Elliot Hells
Prólogo
E mais uma vez o sol estava escaldante na cidade, naquele ano de 2018, o qual era considerada como pequeno Hawaii brasileiro. Raramente o céu dava lugar para as bolsas carregada de chuvas. O vento devia estar agradável no lado de fora do fórum. Ela não poderia saber nas próximas horas. Mesmo a sala sendo climatizada com ar condicionado, ambos com temperaturas de 16º graus, Vivienne estava brotando de suor em cada junta do seu corpo. Suas mãos estavam suadas e frias ao mesmo tempo, a jovem ruiva mordeu tantas vezes o lábio inferior que encontrava-se roxo. Era um habito que nunca acabaria. Os olhos esmeraldas atentos observavam cada gesto das pessoas dentro daquela sala retangular. À frente, por trás de uma mesa de madeira, encontrava-se a juíza, imponente, que vinha acompanhando seu caso. Era a segunda audiência, sendo esta a de instrução e provas. A primeira de conciliação era puramente para seguir o procedimento, foi isso que lhe contaram. Não havia como existir conciliação em um caso como o seu. A juíza lia alguns papéis sem externar uma única expressão, totalmente imparcial como mandava o figurino das academias de direito. Mas sabemos que a realidade é outra. A maioria dos juízes são parciais, quando eles não conhecem à outra parte, simplesmente, ficam alheios aos casos. Porém, era difícil naquela pequena cidade colonizada por holandeses na zona sul, ninguém se conhecer. Juízes antigos fizeram universidade com outros juízes e os filhos desses juízes cresceram juntos e os futuros filhos deles, devem crescer juntos também e simplesmente ferir o princípio da imparcialidade do juiz no ramo jurídico. Afinal, sabemos que no plano das ideias o direito é impecável, porém, a prática é sombria, como aquela amante obscura que você teria vergonha de dizer que trai sua esposa com ela. É assim que são as coisas, toda história requer dois lados, assim como o direito.
A juíza, Miriam, mulher que caminhara nos seus 38 anos, era morena com cabelos castanhos escuros cacheados. Mineira de berço, estava naquela cidade por causa do emprego do seu marido. O qual haviam se conhecido a muito tempo atrás. Juntos tinham dois filhos. Uma garota de 20 anos, estudante de publicidade e um garoto de 16 anos terminando o ensino médio. Miriam tentava ser sempre o mais justa possível em seus casos, não deixando seu lado emocional falar, para ela, o que deveria ser defendido era o direito! E se o direito encontrasse em luta com a justiça, então ela lutava pela justiça. Na universidade, sempre fora totalmente contra a falta de hermenêutica de alguns juristas e professores. A norma não deveria ser lida e logo em seguida aplicada. Deveria ser interpretada e analisar o caso concreto para ver se esta deverá ser aplicada.
O caso a sua frente deveria ser simples, era o que muitos pensariam. Mas não era só um divorcio litigioso comum, aquele processo possuía mais de três volumes. Ali dentro daquele caderno processual, os fatos narrados eram os mais sombrios que já vira. Quando Miriam escolheu a área de direito civil, lidando com as varas de família, seus amigos penalistas faziam chacota dela, afinal para eles, o direito penal superava o civil. Ela dizia em sua mente "garotos infantis, não sabem os pesadelos que o direito civil esconde. Pensamos que por ser civil, todos os casos são tranquilos e sem histórias sombrias, é aí que mora o perigo, a ilusão de que será só mais um caso simples", pensava enquanto olhava para aquele recinto. Aquele processo carregava muita dor, muitos boletins, provas complexas e protocolos de outros processos em área penal. Seria um dia puxado para aquela juíza.
Enquanto isso, Vivienne sabia que demoraria um pouco para a audiência começar, a outra parte não havia comparecido ainda, apenas o advogado, que nesse momento encontrava-se fora da sala fazendo alguns telefonemas. Suspirou profundamente e levantou a cabeça fitando o alto teto branco. Havia voltado para aquela pequena cidade a um ano atrás. Mas muita coisa já havia acontecido. Enquanto esperava a audiência começar, reviveu em sua memória o início em que retornou para aquela cidadezinha batizada de: Nova Amsterdam.
Fim do capítulo
Estamos prestes a começar...
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Zanja45
Em: 16/01/2025
Hummm! Vivienne está em processo de separação? Será que a outra parte irá comparecer? Já gostei do prólogo, essa pequena introdução já foi suficiente para conhecer um pouquinho sobre o direito civil( Pelo que vi não é uma área tão fácil, mas sim bem complicada).
Elliot Hells
Em: 17/01/2025
Autora da história
OIII Zan!!! tudo bem? Como você está?
Bom, sim, começamos esse primeiro momentinho no forum! Nossa querida Vivi ela está passando por esse momento de separação e para estar no tribunal, é uma separação litigiosa e não de forma consensual, ou seja a outra parte não concorda com algumas coisas. Por isso estamos nesse momento no forum.
Direito civil pensamos que é mais suave, só que não, é tão tenso quanto o direito penal. No civil temos sim a presença de uma violencia psicológica, assédio, muitas coisas que não é de uma vez, mas por partes.. de forma lenta e por vezes a vítima não sabe que está dentro de um ciclo tóxico.
É uma obra como uma montanha russa, logo espero que goste.
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Sem cadastro
Em: 16/01/2025
Hummm! Vivienne está em processo de separação? Será que a outra parte irá comparecer? Já gostei do prólogo, essa pequena introdução já foi suficiente para conhecer um pouquinho sobre o direito civil( Pelo que vi não é uma área tão pacata mas sim bem complicada).
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MalluBlues
Em: 30/10/2023
Elliot Hells
Em: 30/10/2023
Autora da história
Ah, satisfação enorme vc marcar presença por aqui.
????
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