Whitout me por Kivia-ass
Eu já li esse livro
POV THEODORA
-Já vai? – Estava vestindo a blusa quando Izadora acordou com a cara amassada. – Toma café comigo?
-Hoje não dá, estou indo encontrar o Cadu. – Me aproximei e dei um selinho nela. – A gente se vê depois?
Ela suspirou e se levantou sem dizer nada e seguiu pro banheiro. Já estávamos ficando a quase um mês e eu sei que ela pode estar confundindo as coisas, principalmente por eu dormir no apartamento dela todas as vezes, preciso arrumar um lugar pra mim, pois na casa da minha mãe eu não tenho muita privacidade.
-Hey, preciso ir tá? – Fui até ela e a abracei pela cintura.
-Ok, te vejo mais tarde. – Ela selou nossos lábios. – Mas queria que saíssemos pra jantar.
-A gente pode pedir comida aqui, e depois curtir um pouco. – Dei um sorriso tentando contornar a situação.
-Você entendeu o que eu quero dizer. – Ela se soltou e apertou a corda do roupão. – Não estou mais na idade de sex* casual, Theodora.
-Podemos conversar sobre isso depois? – Passei a mão nos cabelos.
-Queria entender o motivo de você fugir tanto, do que você tem medo? – Ela perguntou de forma analítica. – O que acontece pra você se resguardar tanto?
-Hey, vamo parar? Minha psicóloga fica na Oxford Street, do lado do prédio da H&M. – Sorri pra ela, mas Izadora continuava séria. – Olha só, eu curto o que nós temos, gosto de você, mas eu não estou pronta pra me relacionar..
-E eu não quero ficar nesse lance casual, eu quero poder fazer programa de casal, quero te apresentar pra minha família, quero fazer passeio no domingo à tarde. – Ela se aproximou e colocou meu cabelo atrás da orelha. – Eu não quero perder tempo.
-Me desculpe. – Me afastei e ela se sentou com a mão no cabelo. – Eu nunca quis magoar você, mas eu não estou na mesma vibe, e você sabe que eu não pretendo ficar no Brasil.
-Ok Theodora, te vejo na reunião mais tarde. – Izadora nem ao menos me olhou, suspirei e peguei minha bolsa.
Sai rapidamente, me senti um pouco culpada, mas sempre tem algo que me trava, eu não consigo me entregar, não consigo me permitir sentir essas coisas, Izadora é uma pessoa incrível, seria uma namorada perfeita, pois pelo pouco que estamos convivendo, sei que ela cuida de todos ao seu redor, mas eu não consigo. Me livrei dos meus pensamentos e fui encontrar com Cadu.
Consegui que o Seu Sebastião cumprisse prisão domiciliar, ele era idoso e isso facilitou meu trabalho, mas ainda precisa esperar o julgamento. Estávamos indo resolver algumas pendências, e depois eu precisava trabalhar no caso do Deputado Magno, Charlles estava otimista e sabia que íamos conseguir.
-Bom dia Doutora. – Cadu me esperava na porta do fórum, ao lado do pai.
-Bom dia Cadu, Bom dia seu Sebastião. – O homem me deu a mão.
-Bom dia doutora, e eu gostaria de agradecer pelo que tem feito por mim. – De início o homem não confiava muito no meu trabalho, mas agora ele viu que eu não estou pra brincadeiras. – Você deu seu nome, e eu tive um pré julgamento sobre você.
-Não precisa agradecer, é o meu trabalho. – Apertei a mão dele e entramos.
Hoje ele viria assinar alguns papéis e precisava da minha presença, ele cumpriria prisão domiciliar e usaria tornozeleira eletrônica. Resolvemos todas pendências e agora ele estava liberado para ir pra casa, mas não poderia sair de lá sem permissão, ele compreendeu minhas orientações e Cadu foi deixá-lo em casa.
-Querem entrar? – O deixamos na portaria.
-Não pai, eu preciso ir pro escritório, e a Theo tem que ir pra reunião dela. – Cadu respondeu e eu acenei com a cabeça.
-Obrigada Seu Sebastião, e não se esqueça de cumprir o raio de distância, não saia sem permissão. – Ele concordou e fomos embora.
Entrei no carro de Cadu e vi uma foto de Luna no chaveiro do retrovisor, dei um sorriso e ele ligou o som do carro.
-Ela é lindinha demais. – Segurei o chaveiro e Cadu olhou sorrindo.
-É a nossa alegria. – Ele falou empolgado e seguiu o caminho.
Eu tinha muita curiosidade pra saber mais sobre Catarina, queria muito saber o que aconteceu na vida dela durante esses anos, mas eu não tinha como perguntar essas coisas, ainda mais pro irmão dela.
-Theo, muito obrigada pelo que você fez pelo meu pai. – Ele me agradeceu novamente. – Eu estou muito chateado com essa situação, a Cat sempre nos deu uma vida confortável, me ajudou, ajudou a mamãe, e sempre ajudou o papai, não sei por qual motivo ele se meteu nessa.
-Hey, não é culpa sua ou da sua irmã, algumas pessoas fazem escolhas ruins. – Ele suspirou pesado.
-É, mas a escolha dele afetou pessoas que não tinham nada a ver. – Durante a semana, saíram algumas notícias envolvendo o nome de Catarina. – Minha irmã trabalha tanto, ela sempre foi tão reservada, e agora está sendo exposta por algo que não fez.
-Eu sei que ela vai dar a volta por cima, sua irmã é uma excelente profissional. – Eu não tinha muito o que falar sobre ela, mas sei que ela é uma boa pessoa.
-Obrigado. – Ele me agradeceu novamente e estacionou em frente ao gabinete do deputado. – Te vejo depois, e acertamos seus honorários.
-Fiz por vocês, não se preocupe com isso. – Dei um abraço nele. – E se precisarem de qualquer coisa só me ligar.
-Ok, agora eu preciso ir, tem reunião na escola da Luna, e a Cat não pode ir. – Acenei e desci do carro.
Cada informação solta, me fazia ter certeza que Luna não tinha um pai presente, mas ainda sim minha curiosidade me corroía, será que ela era filha do boneco de cera? Mas ela era linda demais, se bem que ela é a cara da Catarina é óbvio que ela ia ser linda. Me livrei dos pensamentos e entrei.
Hoje iremos estudar a defesa, o julgamento seria no próximo mês e precisávamos estar preparados para tudo, é um caminho difícil, mas estávamos confiantes. Tiago e Izadora já estavam na sala, lendo alguns arquivos.
-Oie, tudo certo por aqui? – Perguntei animada.
-Oi Theo, estavamos te esperando.
-Estava com o Cadu. – Coloquei minha bolsa na mesa e me sentei. – Vamos começar?
Izadora quase não falava nada e já estava um clima chato, Tiago era o único que tagarelava o tempo todo. Passamos os dias envolvidos nos papéis, e quando dei por mim já estava tarde.
-Cansei. – Tiago tirou os oculos. – Vamos beber alguma coisa?
-Tenho um compromisso. – Izadora respondeu me encarando. – Deixa pra próxima.
-Vamos então Theo? – Sorri de lado.
-Isis me chamou pra jantar, deixa pra proxima. – Respondi juntando minhas coisas.
-Já vi que tenho que ir pra casa tomar cerveja sozinho. – Ele disse de forma dramatica.
-Sem drama gatão, e trate de baixar um aplicativo de encontros. – Dei um tapinha nos ombros dele e Izadora deu um sorriso discreto.
Saímos do gabinete, em silêncio, dessa vez Izadora não me ofereceu carona, liguei pro Ramires e ele já estava a caminho. Duas coisas que preciso resolver, um apartamento e um carro. Em poucos minutos Ramires chegou ao apartamento de Isis, onde Ester e Luiza já estavam por lá.
-Oi povo. – Falei assim que Isis abriu a porta. – Já estão bebendo?
-Pra comemorar. – Luiza levantou o copo de cerveja. – Demorou, ein?
-Eu sou adulta agora. – Me joguei no sofá e tirei a sandalia. – Comemorando o que ein?
-Comemorando a vida, furacão. – Demos uma gargalhada.
A noite estava animada, as crianças brincavam no tapete enquanto comíamos e bebiamos na varanda do apartamento. O namorado de Isis não demorou e se juntou a nós. Eu já estava levemente alterada, já havia perdido as contas de quantas latinhas de cerveja já tínhamos tomado. Estávamos conversando sobre o governo quando meu celular aptou algumas mensagens.
-Com quem você tanto conversa, ai? – Isis se aproximou xeretando meu celular. – Deve ser mulher, tá cheia de risinho.
-Deve ser a Iza, minha amiga tá caidinha na Theo. – Izadora e Ester se conheciam de um evento, e eram amigas.
-Não é a Iza. – Guardei o celular, sem responder a foto de Luna, que Catarina havia me mandado. – Hoje de manhã nós duas meio que nos desentendemos.
-O que houve? – Ester perguntou curiosa.
-Ela quer namorar, e eu não. – Olhei pra minha latinha de cerveja e suspirei. – Ela é legal, mas acho que não estou preparada, e eu ainda preciso voltar pra Londres, isso não daria certo.
-Eu gosto de vocês duas juntas. – Luiza fez um afago na minha cabeça. – E eu acho que você merece ser feliz, igual eu sou.
-Que boiolas! – Sorri pra minha amiga.
-A gente se preocupa com você, e só queremos sua felicidade. – Isis completou e minhas amigas me deram um abraço triplo. – Mas agora solta sua língua, e conta com quem você tava conversando.
-Com a Catarina. – Respondi quase em um fio de voz.
-O QUEEEE? – Isis deu um grito, que quase deixou a gente surdo. – Theodora?
-É sobre trabalho, gente. – Minhas amigas me olhavam julgadoras. – Eu consegui uma liberdade provisória pro pai dela, e ela estava me agradecendo e eu me ofereci pra processar os sites que estão difamando ela.
-Eu já li esse livro, começa assim, você fazendo tudo por ela e no final ela te dando um belo pé na bunda. – Luiza falou mais pra ela do que pra nós, mas deu pra ouvir claramente.
-Lu, não fala isso. – Ester tentou amenizar.
-Tá tudo bem, Ester. – Me levantei e coloquei meu copo na mesa. – A Luiza não está errada, mas eu sei me cuidar hoje em dia.
-Espero que sim. — Minha amiga respondeu. – Não quero você beijando minha mulher de novo.
-Se ela deixar eu beijo. – Luiza me deu um soco no ombro. – Agora eu preciso ir, Malvina tá atrás de mim.
Me despedi de todos, e deixei muitos beijos na Valentina e no Arthur, eu sou apaixonada em crianças e ainda sonho em ser mãe um dia, mas um dia muito distante.
-Isis, me passe o numero da corretora, preciso de um apartamento, preciso de privacidade.
-Você quer um abatedouro, isso sim. – Ester disse sorrindo.
-Quem sabe não te levo pra conhecer em primeira mão. – Falei brincando e Luiza me olhou com cara feia. – Brincadeira, mulher de amiga minha é sagrada.
-Bom mesmo.
Me despedi e parti pra casa, acho que pelo efeito do álcool, eu comecei a pensar demais nas palavras de Luiza, talvez ela esteja certa, eu estava fazendo o mesmo que fazia no passado, me doava demais e acabei me ferrando por isso, e eu não quero sentir aquilo de novo, não quero ter meu coração pisoteado por um salto agulha Louboutin. Talvez seja a hora de voltar pra Londres, voltar pra minha vida de antes, acho que minha mãe já está bem, e depois do julgamento posso marcar minha passagem de volta.
Fim do capítulo
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