Whitout me por Kivia-ass
Eu não sei o que responder
POV CATARINA
Era pra ser um dia incrível, mas meu pai conseguiu estragar tudo, como sempre. Entrei em casa e minha mãe estava na sala apreensiva.
-Oi meu amor, como você está? – Ela me deu os braços e eu me encaixei nela. – O Cadu me ligou.
-Por que tudo tem que acontecer comigo, mãe? – Deixei algumas lágrimas rolarem.
-Não é culpa sua, filha. – Ela secou meu rosto. – E eu sei que tudo sempre se ajeita.
-Obrigada por sempre estar ao meu lado, eu não conseguiria sem a senhora. – Minha mãe sorriu e nos sentamos. – Minha filha já dormiu?
-Sim, ela queria te esperar, mas estava cansadinha. – Minha mãe não pode ir ao desfile, e aproveitou para ficar com Luna. – Suba e vá tomar um banho, vou preparar algo pra você comer.
Subi sem ânimo, meu corpo todo estava doendo, minha mente não parava de pensar nas ultimas coisas que aconteceram, e por mais que eu pensasse no meu pai, era Theodora quem não saia da minha cabeça. A forma com que ela se impôs contra o meu pai, a forma como ela explicou o que estava acontecendo, me fez sentir orgulho dela, e quando ela se ofereceu pra ajudar, eu tive certeza de que era a mulher que eu conhecia. Liguei o chuveiro e deixei a água cair, eu precisava relaxar um pouco, eu estava tensa demais.
Depois do banho me enrolei no roupão e alcancei meu celular, estava cheio de notificações, ignorei todas e joguei o celular na cama, não estava afim de falar com ninguém, e muito menos ler fofocas sobre o meu nome.
-Fiz um chazinho pra você, meu bem. – Minha mãe estava sentada na ilha da cozinha. – Quer conversar?
-Cadê o Cadu? – Perguntei antes de me sentar.
-Foi deitar, ele estava cansado. – Minha mãe disse com pesar. – O seu irmão sente demais e se expressa de menos, sempre foi assim.
-E ele é o único que atura o pai. – Suspirei. – Acredita que ele foi super estupido com a Theo?
-A Theo? Como assim? – Minha mãe perguntou confusa.
-Ela se ofereceu para ir na delegacia com a gente, Cadu e eu estávamos nervosos e não sabíamos o que fazer. – Minha mãe abriu um sorriso enorme. – Ela colocou o papai no devido lugar dele.
-Theo furacão é o nome dela. – Minha mãe nunca poupou elogios para Theodora. – E como você se sentiu em relação a isso?
-Eu não sei, é tudo tão estranho. – Dei um gole no meu chá. – Ao mesmo tempo que somos duas estranhas, parece que nada mudou, quando ela me olha eu sinto meu coração bater rápido, mas aí eu lembro de tudo e caio na real.
-Eu te disse a seguinte frase no dia em que a Luna nasceu: Geralmente a vida não dá segundas chances, o que tem que acontecer, acontece. – Minha mãe me encarava de forma intensa. – E por algum motivo, o universo está te dando novas oportunidades.
-Mãe, nós duas não temos segunda chance, ela tem a vida dela e eu tenho a minha. – Me servi com mais chá.
-Eu não estou dizendo que vocês vão casar e ter mais dois filhos. – Ela sorriu abertamente. – Mas eu sempre gostei da amizade que vocês tinham, sempre gostei da forma que vocês se entendiam, e talvez vocês possam ser amigas de novo.
-Não sei, pra isso acontecer teríamos que nos conhecer novamente. – Me levantei e depositei minha xícara na pia. – Agora vou dormir, amanhã o dia vai ser longo.
Depositei um beijo na testa da minha mãe e desejei boa noite, subi pro meu quarto e vesti um blusão antes de me jogar na cama, senti algo me incomodando e notei que deitei em cima do meu celular. O desbloqueei e as mensagens começaram a chegar, passei os olhos rapidamente e quando ia guardar o celular, meu coração disparou com o número desconhecido.
Li e reli a mensagem um milhão de vezes, digitei várias respostas, mas nenhuma era boa o suficiente, meu coração ainda batia forte e eu só queria ser corajosa, pra falar tudo o que eu queria.
Flash back on:
-Faz força, filha. – Eu apertava a mão da minha mãe. – Estamos quase lá.
-Era pra ela estar aqui comigo, mãe. – Falei entre as lágrimas causadas pela dor intensa que eu estava sentindo.
-Ela quem, meu amor? – Minha mãe perguntou e eu gritei fazendo mais força.
-A Theo. – Falei em um fio de voz e ouvi o chorinho da minha filha ecoar pelo quarto.
-Meu amor, a vida não costuma nos dar segundas chances, mas ainda bem que podemos ir atrás e consertar nossos erros. E essa lindeza veio ao mundo pra você pensar mais nas suas escolhas. – Minha mãe pegou Luna e me entregou, minhas lágrimas banharam meu rosto e o chorinho dela me encheu de alegria.
-Eu prometo te amar a cada segundo das nossas vidas. – Beijei sua cabecinha.
Flash back off:
Acordei com a cabeça latejando, na verdade eu nem dormi, fiquei a noite pensando no meu pai, pensando no que levou ele a fazer isso, a se envolver com coisa errada, eu sempre fui generosa com ele, o ajudei, investi na fazenda dele, mas parece que não foi o suficiente.
Levantei, tomei um longo banho e me vesti, eu precisava ir ao ateliê, mas também queria acompanhar meu irmão até a delegacia, suspirei ao me lembrar que não havia respondido Theodora, meu coração voltou a palpitar. Desci pro café e meu irmão já estava pronto pra sair.
-Bom dia. – Os dois me olharam e responderam. – Já está indo?
-A Theo me ligou hoje cedo, ela já está lá.
-Vou com você então. – Ia me levantar.
-Você precisa trabalhar, mana. – Ele me deu um beijo na testa. – Eu resolvo isso e te mando notícias.
-Não deixe de me comunicar. – Ele concordou com a cabeça.
-Beijos, amo vocês. – Cadu saiu e eu me servi uma xícara de café.
Meu irmão saiu e eu suspirei fundo, minha mãe segurou minha mãe e sussurrou que tudo ia ficar bem, tomamos nosso café e conversamos sobre alguns pontos da coleção de ontem. Decidi ir ao ateliê, ficar pensando no meu pai só iria me fazer mal. Me arrumei e fui trabalhar.
Assim que o elevador abriu, fui recebida por uma salva de palmas, abri um sorriso enorme e Alessandro me entregou um buquê com minhas flores favoritas, me emocionei, pois ali era a prova que todo o meu esforço era válido.
-Parabéns Cat, você merece. – Malvina saiu do meio da galera e me abraçou. — Eu sempre soube que fiz a escolha certa.
-Obrigada por acreditar em mim. – Sequei meus olhos, eu estava sensível depois dos últimos acontecimentos.
Depois da recepção calorosa, fomos trabalhar, nossos telefones não paravam, as vendas dispararam e os jornais queriam nos entrevistar a todo custo, preferi responder tudo depois. Laura me avisou que estava a caminho e eu só precisava desabafar com minha amiga.
-Oie, aqui é a sala da maior e melhor estilista desse país? – Laura deu duas batidinhas e colocou a cabeça dentro da minha sala.
-Oi Laurinha. – Me levantei e me encaixei no abraço dela.
Nos sentamos e eu contei tudo o que aconteceu depois do desfile, ele me ouvia com atenção e a expressão dela era impagável.
-Theodora Barcellos, a advogada. – Laura deu uma gargalhada. – Amiga, eu amo aquela mulher!
-Eu tambem. – Laura paralisou com a minha fala e esó ai eu me liguei do que eu havia acabado de dizer. – Quer dizer...
-Eu sempre soube, você só tinha medo de externalizar isso. – Coloquei a mão no rosto, porque minha vida tinha que ser essa bagunça? – Eu vou falar mais uma vez, corre atrás do prejuízo, ainda dá tempo.
-Não Laura, meu tempo já passou. – Ela suspirou. – Ela é apenas a advogada do meu pai, no máximo que teremos, serão encontros na prisão.
-O pior mentiroso é aquele que acredita na própria mentira. – Ela deu os ombros.
-Eu não consigo, eu não sei como agir, não sei o que fazer. – Laura prestava atenção em mim. – Não consegui responder a mensagem dela até agora.
-Como assim mensagem? – Peguei meu celular e mostrei a ela. – Catarina?
-Eu não sei o que responder. – Falei cobrindo o rosto com as mãos.
-Me dê esse celular aqui? – Ela pediu impaciente. – Anda, passa pra cá.
-Laura, o que você vai mandar? – Me sentia uma adolecente de novo.
Ela digitou rapidamente algumas palavras e meu coração parecia sair pela boca, me levantei e ela me devolveu o celular. Li o conteúdo e balancei a cabeça, Laura era terrível, era apena uma mensagem de agradecimento, me senti boba por não ter escrito antes.
-Pronto ninguém morreu. – Neguei com a cabeça e minhas mãos tremiam. – Te garanto que ela não te deixaria no vácuo, agora preciso ir, preciso encontrar meu namorado.
Nos despedimos e eu passei o dia tentando ter foco, de cinco em cinco minutos eu olhava o celular, não sei o motivo, mas eu esperava uma resposta, abrir novos meio de comunicação com ela, não consegue prestar atenção em nada desde a hora que Laura me devolveu meu celular. Já era início da noite quando me dei conta de que não tinha comido nada durante o dia, o expediente estava quase acabando quando ouvi batidas na minha porta.
-Podemos entrar? – Sabe quando a você prende a respiração sem saber o motivo? – Achei essa garotinha lá embaixo.
Foi isso que eu fiz quando dei de cara com Theodora segurando Luna e minha mãe logo atras das duas com um sorriso enorme.
-Oi mamãe. – Luna me deu os braços me fazendo cair na realidade.
-Oi filha, resolvemos dar uma passada aqui e encontramos a Theo lá embaixo. – Minha mãe falou com tranquilidade.
-Me desculpe a hora, mas o dia foi corrido. – Theodora me entregou Luna. – Vim trazer notícias do seu pai, o Cadu me disse que você estaria aqui.
-E ai? – Perguntei aflita.
-Eu fiz um pedido de investigação, seu pai me contou que era apenas um laranja, e tem alguns documentos guardados na fazenda de vocês. – Ela falava com aquela pose de advogada. – O caminho não é fácil, mas vamos conseguir ajuda-lo.
-Eu sei que sim. – Abri um sorriso de volta.
-Mamãe, eu estou com fome. – Luna segurou meu rosto. – Queria tanto uma "batatinha fita"
-Hoje é segunda-feira, nada de batatinhas fritas.
-Eu também estou morrendo de fome. – Theodora falou sorrindo.
-Aposto que a senhorita não comeu nada hoje. – Minha mãe entrou na conversa e minhas bochechas ruborizaram.
-Vamos comer algo aqui perto, aproveitamos e conversamos sobre o seu pai. – Ela sugeriu e Luna amou a ideia.
Peguei minha bolsa e Luna rapidamente deu a mão para Theodora, elas foram andando na frente enquanto minha mão e eu seguíamos atrás, minha mãe me olhava e dava um sorrisinho de lado, ignorei isso e fomos para a pizzaria que tinha próximo ao ateliê.
Nos acomodamos e Luna quis se sentar ao lado de Theo, Luna arrancava gargalhada dela o tempo todo e aquilo estava aquecendo meu coração de uma forma muito intensa.
-Sei que você disse não, mas posso pedir batata frita pra ela? – Ela perguntou olhando diretamente pra mim.
-Pode, hoje eu vou permitir. – Era como se eu não soubesse dizer não pra ela. – Mas só hoje, mocinha.
-Eba!!!! — Ela e Luna bateram as mãos e minha mãe e eu olhávamos a cena com cara de bobas.
Fim do capítulo
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Rita Dlazare
Em: 12/11/2022
Quando tem que ser, não adianta, tudo conspira a favor.
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