Whitout me por Kivia-ass
Faça o que for preciso!
POV THEODORA
Chegamos no DP da polícia federal e dava pra notar como os dois estavam apreensivos, Catarina estava calada o tempo todo e vi algumas lágrimas em seus olhos.
-Boa noite, Sou Theodora Barcellos, advogada criminalista e preciso de uma informação. – O recepcionista me olhou e acenou para que eu prosseguisse. – Sebastião Avelar.
-Só um momento, que vou consultar. – Ele digitou algo em seu computador. – Ele está aqui sim.
-Gostaríamos vê-lo.
-Somente você. – Olhei para o Cadu e Catarina já ia protestar.
-Escuta... – Olhei o nome do policial no uniforme. – Oficial Leandro, eu sou advogada e eles dois são filhos do senhor Sebastião, eles estão sem notícias do pai há dias e estão preocupados, quebra essa pra nós? Prometemos não demorarmos mais que dez minutos.
-Ok, mas apenas dez minutos. – Concordei com a cabeça e um outro policial nos acompanhou.
O policial pediu que aguardássemos e foi buscar o pai de Catarina, nos sentamos e Cadu roia as unhas impaciente.
-Filho?– O homem estava com a expressão cansada e Catarina se levantou imediatamente. – Oi Filha, você também veio.
-Pai, o que aconteceu? – Ela perguntou apressada.
-Me envolvi em um esquema de lavagem de dinheiro, preciso de um advogado.
-Olá, sou Theodora Barcellos e estou aqui pra ajudar. – Me apresentei para o homem e ele me olhou de cima a baixo.
-Jovem demais para estar aqui, não acha? – Ele perguntou com certo desdém. – Você trabalha tanto Catarina, o máximo que conseguiu foi uma estagiária?
-PAI! – Cadu e Catarina falaram juntos.
-Não se preocupem, estou acostumada com esse tipo de arrogancia. – Interrompi os dois. – Vou ser bem direta, A Lei nº 9.613 de 1998 descreve o crime de "lavagem" ou ocultação de bens, muito conhecido como lavagem de dinheiro, que consiste no ato de ocultar ou dissimular a origem ilícita de bens ou valores que sejam frutos de crimes. A pena prevista é de 3 até 10 anos de reclusão e multa. A Lei prevê penas maiores para os casos nos quais o crime ocorra de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.
Falei com clara e objetiva, o homem não me encarava e sei que ele estava envergonhado, mas eu vim para ajudar e não para julgá-lo.
-Atualmente sou a advogada principal do caso do deputado Magno Casagrande. – Quando pronunciei o nome do deputado, Sebastião me encarou. – O senhor o conhece?
-Só pelo nome, mas ele estava no esquema. – Ele respondeu abaixando a cabeça novamente.
-Magno iria delatar alguns nomes, mas ainda não tinha falado nada. – Me levantei. – Como o senhor caiu?
-A polícia disse que meu nome surgiu na investigação e ligaram os pontos até mim. – Sebastião começou a falar, mas fomos interrompidos pelo policial.
-Vocês precisam ir agora.
-Sr. Sebastião, eu posso ajudar o senhor, mas preciso que me aceite como sua advogada. – Estendi a mão para o homem e ele acenou com a cabeça. – Volto amanhã, e vamos ter tempo de conversar melhor.
Sai e deixei eles se despedirem com privacidade, eu sei que não era fácil e eu lidava com essa cena frequentemente. Bebi um copo d'água e senti Cadu se aproximar.
-Hey Theo, obrigado e me desculpe pelas palavras do meu pai. – Peguei na mão dele.
-Não se preocupe, ele deve estar nervoso. – Dei um sorriso e Catarina se aproximou secando os olhos.
-Vamos? – Ela acenou com a cabeça.
-Eu vou de táxi, não precisam se incomodar.
-De forma alguma, posso te deixar em casa. – Cadu me impediu e eu entrei no carro.
Catarina não dizia nada e eu sei que ela está sofrendo. Eu estava em conflito comigo mesma, pois senti vontade de abraçá-la, mas ao mesmo tempo esse contato parecia estranho e sei que não tínhamos intimidade para isso.
-O que precisamos fazer agora? – Catarina quebrou o silêncio que se instalou no carro.
-Amanhã irei me encontrar com seu pai novamente, agora para uma visita formal e ele precisa me contar tudo de ilícito que fez. – Respondi guardando o celular. – Como eu já estou no caso do Magno, já temos um caminho a seguir, talvez seu pai seja só um laranja, e se for, é mais fácil conseguir que ele pague apenas uma multa. Mas antes preciso saber se vocês me querem como advogada dele também.
-O caso é seu. – Catarina respondeu firme. – Faça o que for preciso.
Nossos olhos se conectaram pelo espelho retrovisor e eu senti meu peito bater mais forte, aqueles olhos verdes me encaravam de forma intensa e como um filme, eu me lembrei exatamente do momento em que me apaixonei por ela, desviei o olhar e abaixei a cabeça.
-Amanhã eu passo pra pegar você. – Cadu estacionou em frente a minha csa. – E obrigada mais uma vez, eu confio em você.
-Me agradeça quando tudo terminar. – Soltei o cinto e apertei a mão de Cadu. – Tchau e Catarina, não se preocupe, tudo vai dar certo.
-Obrigada. – Ela deu um sorriso de lado e eu desci do carro.
Acenei antes de entrar, e meu coração batia apressado, me chingava internamente por me permitir sentir isso.
FLASH BACK ON:
Hoje era o meu trigésimo quinto dia em Londres, já havia uma semana que eu estava na nova universidade, tudo aqui era extremamente diferente do Brasil, aqui as pessoas eram focadas e mal falavam umas com as outras. Eu sentia falta dos meus amigos, da minha família, sentia falta do calor humano e principalmente, eu sentia falta da minha garota, era insuportável a falta que Catarina me fazia.
Por diversas vezes eu disquei o número dela, mas apagava logo em seguida. "Eu não amo você" martelava na minha cabeça, o som das palavras dela faziam com que meu coração ficasse pequeno e parecia que eu não sabia como respirar, mas como a minha nova psicóloga disse, era apenas ansiedade.
-Posso sentar aqui? – Um rapaz narigudo despertou meus pensamentos. – Não tem lugares vazios.
-Tanto faz. – Respondi em português e ele me encarou confuso. – Whatever.
Dei os ombros e ele se acomodou ao meu lado, ele tirou o caderno e uma caneta e eu continuei olhando um ponto fixo na parede.
-Também sou brasileiro, e me chamo Tiago. – Ele me deu a mão, mas eu deixei ele no vacuo. – Desculpa, se não quiser conversar, tá tudo bem, a maioria do pessoal daqui é mal educado mesmo.
-Desculpa, eu só não estou me sentindo bem. – Me culpei, pois eu sei como é horrível estar em um lugar em que as pessoas são hostis. – Me chamo Theodora.
Ele sorriu pra mim e o professor entrou na sala iniciando a aula. Dei graças a Deus, minha mãe me forçou a fazer inglês desde pequena, sorri ao lembrar de Malvina, tenho certeza que ela me odeia, desde o tapa em meu rosto, nossa relação nunca mais foi a mesma.
-Graças a Deus hoje é sexta. – Tiago largou a caneta na mesa. – Você vai ao encontro da turma hoje?
-Nem estava sabendo. – Dei os ombros.
-Se quiser ir, vai ser no bar que tem no segundo quarteirão ao lado do campus. – Ele juntou o material. – Seria legal ver você por lá.
Ele piscou e saiu, suspirei e juntei meu material também. Fui pra casa, combinei com o meu pai que iria sempre de trem, não queria ter motorista particular, eu sentia que estava traindo Ramires. Sorri com meu pensamento e segui para a estação.
-Oi Theo, como foi a aula? – Sam me perguntou assim que entrei na cozinha. – Fiz moqueca pra você, pesquisei a receita na internet.
-Muito legal da sua parte, Sam. – Minha nova madrasta sempre tentava levantar o meu astral. – Vou me trocar e já desço pro almoço.
Ela assentiu e eu subi pro meu novo quarto, apesar de sentir falta do Brasil, meu quarto na casa do meu pai era muito mais a minha cara, meu pai sempre respeitou minhas escolha e sempre mantinha meu quarto exatamente como eu deixava. Tirei meus sapatos e tirei o casaco, não estava muito frio, mas o outono já dava indícios de que seria um ano gelado. Ainda não tinha desfeito minha mala, estava enrolado pra fazer isso, fui até ela abri o zíper e comecei a tirar as coisas lá de dentro, no fundo da mala tinha uma foto e antes de pegá-la meu coração bateu apressado.
Era uma foto minha e de Catarina, tiramos no dia do aniversário dela, no dia que mobilizei todo mundo pra fazermos ela se sentir melhor, naquele dia eu já sentia algo por ela, mas eu não sabia que era paixão até ela me abraçar e dizer que estava feliz por ver ali, meu cérebro parecia sentir o cheiro dela, encarei a foto e até conseguia ouvir a risada dela, deixei lágrimas grossas rolarem pelo meu rosto. Todos esses dias eu esperei pelo menos uma ligação dela, uma mensagem, mas não veio, eu sofri todos os dias por alguém que não me ama. "Eu não amo você" aquela frase ecoava na minha cabeça, era doloroso demais. Passei as costas da mão nos olhos e sequei minhas lágrimas.
-A partir de hoje, eu não vou deixar você me fazer sofrer, a partir de hoje ninguém mais me fará sofrer, eu não me permito amar ninguém mais, nunca mais meu coração pertencerá a alguém, pois ele era seu e você o destruiu. – Era algo infantil de se dizer, mas eu precisava, rasguei a foto ao meio, e depois em pequenos pedaços. – Adeus Catarina, e espero que você seja feliz.
Me levantei e joguei a foto na privada, entrei no banheiro e tomei um banho rápido, conversava comigo mesmo e prometi que não ia derramar lágrimas por ninguém, nunca mais. Vesti uma roupa casual, e desci correndo.
-Vou sair. – Avisei Samantha que terminava de arrumar a mesa. – Como quando eu chegar, me desculpe Sam.
-Tá tudo bem. – Ela sorriu pra mim, sei que ela sempre quis que eu ficasse bem. – Vou separar o seu prato.
-Obrigada, Sam, você é uma mãe incrível. – Ela me abraçou e deixou um beijo em meus cabelos.
-Juízo, e lembre se que você é maior de idade só depois dos 21, nada de álcool. – Balancei a cabeça e sai.
O bar não era muito longe, o trem era quase ao lado, entrei no lugar e vi várias pessoas da faculdade por lá, dei uma olhada e vi o Tiago bebendo sozinho em um canto, me aproximei e ele sorriu quando me viu.
FLASH BACK OFF:
Entrei em casa e dei de cara com Malvina sentada no sofá, ela conversava com uma mulher que eu me lembrava ser amiga dela.
-Oi filha, tentei te ligar. – Elas se levantaram.
-Boa noite! Desculpa, eu não vi. – Dei meio sorriso. – Tive que ir à delegacia.
-Aconteceu algo? – Minha mãe perguntou preocupada.
-Não, um novo cliente está com problemas. – Ela acenou com a cabeça. – Preciso descansar, amanhã o dia vai ser longo.
-Tudo bem, durma bem, minha filha. – Minha mãe me deu um beijo no rosto e eu me despedi da mulher.
Peguei minha bolsa e estava quase no meio da escada quando meu coração pediu que eu fizesse aquilo.
-Hey mãe? – Ela me encarou. – Você pode me passar o número da Catarina?
Entrei no quarto encarando meu celular, não sei o motivo de ter feito aquilo, mas eu precisava, isso não quer dizer que meu amor por ela vá voltar de um dia pra noite, é apenas uma relação de duas adultas que estão envolvidas no mesmo ciclo de pessoas. Respirei fundo e digitei as primeiras palavras.
whats app on:
Theodora Barcellos: - "Oie, me descculpe o incomodo, só quero dizer que farei tudo para ajudar o teu pai, não fique preocupada,vai dar tudo certo. E mais uma vez, parabéns pelo desfile, estava incrivel!"
Senti vontade de apagar a mensagem, estava me sentindo uma grande estúpida por ainda me importar com Catarina, mas não estava fazendo isso só por ela, queria provar que eu sou superior a isso tudo. Suspirei e joguei o celular na cama, eu não queria esperar por uma resposta dela!
Fim do capítulo
Ai ai
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