Whitout me por Kivia-ass
Vocês precisam de ajuda?
POV CATARINA
Não preciso dizer que não fui muito feliz no show de Laura, não pelo show em si, pois minha amiga estava excepcional, mas a partir do momento que meus olhos pousaram em Theodora ao lado da morena, o show perdeu a graça, eu detestava ainda sentir algo, isso já não devia fazer parte de mim, mas eu não pude evitar, me sentei e passei o show inteiro introspectiva. Quando Laura encerrou o show, ela me chamou pro camarim e eu aceitei, não queria ver a cena de Theodora lá embaixo.
-Amiga, você foi incrível. – Abracei Laura.
-Obrigada amiga, eu amei que você veio.
-Não perderia por nada. – Dei meio sorriso.
-Hey, que carinha é essa? – Laura me conhecia como ninguém. – Tem a ver com uma pessoa que está lá embaixo?
-Não sei Laura, é tudo tão confuso, sabe? – Me sentei com a mão no rosto. – Eu achei que tinha superado, que oito anos me tiraria esse amor do peito, mas ainda está aqui, e eu não posso fazer nada em relação a isso.
-Pode sim, e você sabe disso.
-Você não entende, a mulher que está lá fora, não é a mesma de oito anos atrás, eu também não sou a mesma, e isso que está aqui dentro, é apenas algo que eu gostaria que acontecesse. – Laura ouvia meu desabafo. – Eu não posso ser egoísta novamente, eu fiz minha escolha, e tenho que aceitar isso, mesmo que eu não consiga seguir em frente.
-Mesmo que todas as vezes que eu olhar pra ela, eu vou lembrar da dor nos olhos dela aquele dia, e agora é aceitar que mesmo ela estando perto, ela está longe. – Deixei algumas lágrimas rolarem.
Isso estava preso em mim e eu precisava colocar pra fora, eu sempre guardei todo esse sentimento, eu me blindei por fora, mas por dentro, meu coração sempre pertenceu a ela.
-Você sabe o que eu penso. – Laura se ajoelhou de frente pra mim. – Eu sempre te fui sincera quando eu dizia que você deveria lutar pela sua felicidade, você sempre pensa nos outros e nunca coloca você em primeiro lugar, isso tá acabando com você, Catarina.
-Eu sou covarde. – Encarei minha amiga. — Eu não consigo.
-Eu sempre estarei aqui com você. – Laura me abraçou novamente e eu nem sei quanto tempo ficamos naquele contato.
Resolvemos descer, pois já havia muito tempo que estávamos no camarim e Alessandro estava lá embaixo sozinho. Resolvi passar no banheiro e Laura me acompanhou, porém eu podia ter esperado, pois a cena que eu vi lá dentro me fez querer sumir. Theodora estava beijando a mulher sem se preocupar com nada, inclusive o namorado dela estava lá fora com cara de bobo.
-Estamos interrompendo? – Laura chamou a atenção das duas.
-Oi meninas, claro que não. – Theodora tinha um sorriso despretensioso. – Já estávamos saindo.
Encarei o chão, não queria que ela percebesse que eu estava chorando, mas também eu tenho certeza de que ela não se importaria.
-Ok, obrigada pelo Show. – Theodora disse de forma apressada. – Você foi incrível tampinha.
-Obrigado Theo. – Ela abraçou Laura e a outra mulher sorria com a cena. – E depois eu preciso conversar com você.
-Me liga depois, tchau Catarina, te vejo por ai. – Ela teve a cara de pau de piscar pra mim antes de sair.
Sorri desacreditada e olhei pra Laura que suspirava, agora minha amiga entende o que eu quero dizer, Theodora não é a mesma e eu preciso conviver com isso.
Acabei indo embora mais cedo, não tinha cabeça pra continuar ali, deixei Alessandro em casa e segui pra minha. Entrei em casa e passei no quarto de Luna que dormia profundamente, dei um beijo no rostinho dela e segui pro meu quarto. Tentei dormir, mas foi impossível, ainda mais depois de tudo o que rolou.
{...}
Depois do meu desabafo, vesti minha armadura, e voltei a ser a carrasca que todos dizem. Foquei na minha coleção e decidi entregar o meu melhor. Tínhamos muito trabalho pela frente e eu agradecia pela equipe empenhada que tínhamos.
-Com licença Catarina, a prova de tecido vai começar as três. – Fabiana entrou em minha sala com a agenda na mão.
-Mas eu pedi as duas. – Revirei os olhos.
-Me desculpe Catarina, me confundi. – Ela respondeu de cabeça baixa. – Vou tentar mudar o horário.
-Eu não gosto de pessoas incompetentes, Fabiana. – Falei rude e Alê entrou na hora.
-Hey, vamos conter os animos. – Alessandor trouxe várias pastas. – Deusa, precisamos terminar a seleção do casting dos modelos.
-Ok, deixe a prova para as três. – Respondi irritada. – Agora vá fazer o seu trabalho, Fabiana.
- É impressão minha ou você anda irritada com a Fabi? – Alessandro perguntou assim que a loira saiu.
-Eu só não gosto de gente incompetente. – Ele me encarava.
-Achei que tinha a ver com ela perguntando sobre a filha da Mal. – Ele me conhecia e sabia que eu não estava feliz com Fabiana querendo saber mais sobre Theodora.
-Não viaja, e vamos trabalhar. — Ele deu os ombros e voltamos a trabalhar.
Graças a Deus o dia do lançamento chegou e meu nervosismo estava a mil. Tinha que dar tudo verto, era o meu nome que estava estampado por ai. "Malvina's por Catarina Avellar" era um sonho que eu estava realizando.
-Oi Catarina, tá tudo lindo. – Uma repórter se aproximou, era um dos credenciados. – Pode me conceder umas palavras?
-Claro. – Sorri e me posicionei.
A mulher fez várias perguntas sobre a coleção e comentou que o império de Malvina só crescia, e se eu tinha vontade de ter minha própria marca, respondi que sou feliz em ser diretora criativa de Malvina e que no momento não penso nisso, ela questionou se Malvina participou da campanha e o motivo pelo qual ela anda sumida, desconversei e disse que precisava entrar.
-Uma última pergunta? – Consenti com um aceno. – E esse coração como anda? As pessoas são curiosas, sua vida sempre foi tão particular.
-Tá aqui, batendo e bombeando sangue. – Sorri pra ela e me despedi. Eu nunca falei ou permiti que invadissem minha vida privada, não seria agora que eu falaria.
O coquetel estava correndo de forma incrível, convidamos alguns influenciadores pra gerar engajamento pra coleção, e Alessandro ficou encarregado disso, eu até gostei da ideia. Malvina não demorou para chegar e me rasgou elogios, ela estava empolgada e eu tenho certeza de que podia sentir que ela estava orgulhosa, mas ela não falaria isso em voz alta.
-Amigaa, você deu o nome. – Laura me abraçou por traz. – Tá incrível.
-Obrigada Laura. – Estava feliz em vê-la ali. – Nossa equipe é incrível.
-Estou orgulhosa de você, e ansiosa pra ver essa coleção. – Agradeci e fomos nos sentar.
O desfile começou e antes Malvina fez um pronunciamento, agradecendo o esforço da equipe e me parabenizando por tudo, ela me deu todos os créditos e as pessoas pareciam surpresas com a informação. Agradeci de longe e sorri para os flashes apontados pra mim. Malvina se sentou ao meu lado e logo vi Theodora se sentar ao lado da mãe, ela sorriu pra mim e Laura e o desfile começou.
A cada modelo que entrava meu coração batia mais rápido, cenas do último desfile que Theodora presenciou vieram a minha mente e eu tinha medo de algo dar errado, porém a galera parecia empolgada e gostavam das peças. A última modelo encerraria com a peça principal, e seria Isis a escolhida, Malvina morria de amores pela modelo e sempre a convidava para desfilar, quando ela entrou Theodora ficou de pé e começou a ovacionar a amiga, a galera gostou da ideia e fizeram o mesmo, sorri com a cena e me levantei também. Alguns modelos vieram me buscar e encerramos o desfile juntos na passarela.
O after do desfile seria uma festa fechada para equipe e alguns convidados, recebi vários elogios e até convites para desenhar para outras marcas, neguei todos sutilmente e fui curtir um pouco, pois eu merecia também. A festa rolava e a galera bebia e dançava pelo local. Malvina estava mais reclusa, porém se divertia ao lado dos amigos. Laura precisou ir embora e meu fiel companheiro ficou comigo.
-Você conseguiu. – Alessandro me disse quando me entregou outra taça de champanhe.
-Nós consguimos. – Brindamos juntos.
Engatamos um papo animado, e Alessandro me fazia rir o tempo todo. Mas meu sorriso morreu quando vi Fabiana cheia de sorrisos pra Theodora, esse era meu novo carma, presenciar, Theo ficar com todas mulheres possíveis. Encarava as duas quando ela notou e se aproximou.
-Oi, não tive tempo de te parabenizar. – Ela estendeu a mão e uma corrente elétrica me preencheu. – Minha mãe me disse que você fez tudo, tá incrível e eu sempre soube que você ia conseguir.
-Obrigado. – As palavras dela eram tão sinceras, que me lembrou a antiga Theo.
Não tínhamos muito o que conversar, na verdade era estranho qualquer proximidade nossa. Ela soltou minha mão e meu irmão chegou apressado ao meu lado.
-Cat, precisamos conversar. – Ele falou baixo no meu ouvido. – O papai foi preso.
-O que? Preso? – Falei alto demais e Theodora parou pra prestar atenção. – Como assim Cadu?
-Eu não sei direito, a esposa dele me ligou e precisamos ir. – Cadu estava apreensivo.
-Desculpa gente, mas não pude deixar de ouvir. – Ela entrou na conversa e minhas mãos estavam trêmulas. – Vocês precisam de ajuda? Posso acompanhar vocês.
-Não, Sim. – Meu irmão e eu respondemos juntos. – Precisamos de um advogado, Cat, e como não sabemos o que aconteceu, melhor já irmos com uma.
-Ok. – Respondi e pedi ao Alê pra pegar minha bolsa.
-Eu só estou indo pra ajudar, mas se você não quiser, está tudo bem. – Theodora falou pra mim.
-Cadu está certo, eu só estou nervosa. – Ela acenou com a cabeça.
-Vamos? – Cadu nos chamou e seguimos até onde meu pai estava.
Fim do capítulo
Olha ai a Cat mais humana, calma que tudo se ajeita
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Lea
Em: 11/11/2022
Catarina mais humana,onde?? Só pq ela não atribuiu o sucesso da coleção só à ela??
Agora que o acúmulo de tarefas e dedicação a coleção "passou",quero ver como será a Catarina mãe. Ela não parece se importar com a filha. Digo em termo de carinho e atenção!
Como todos falam,ela se tornou uma cópia da MALVINA!
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Catarina não gosta,mas eu adoro essa Theodora que pega e não se apega!
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