Whitout me por Kivia-ass
Vocês conversaram?
POV THEODORA
Os dias se passaram e minha vida estava bem estranha, a faculdade estava cada vez pior, todos os dias eu precisava ouvir várias piadinhas sobre minha mãe e o desfile catastrófico, eu tentava não me importar, mas as vezes era impossível, e com isso eu passava mais tempo com a dona Gê no banheiro. Ela era uma das poucas pessoas em que eu me sentia bem, e como Catarina não estava indo na aula, eu desabafava com ela.
-Ai dona Gê, eu juro que estou tentando não birgar. – Entrei no banheiro e joguei minha mochila no chão. – Qualquer dia desses eu juro que jogo essa Tássia pela janela.
-O meu bem, eu imagino como deve estar sendo dificil. – Ela me abraçou e beijou meu cabelo. – Mas eu sei que você é forte e não vai deixar isso te abalar.
-Obrigada, eu nunca imaginei que ter uma sogra seria tão bom. – Fiz ela gargalhar.
-E eu nunca pensei que teria uma nora como você. – Ela acariciou meu rosto. – Fico feliz de Cat ter você ao lado dela.
-Eu gosto muito da sua filha. – Dona Gê me puxou pra um abraço. – Agora eu preciso ir.
Despedi de dona Geralda e sai, mesmo Catarina meio distante, eu não consigo negar o quão apaixonada eu estou, ultimamente ela anda estranha, mas sei que ela está ocupada no ateliê, e por isso não está vindo à faculdade, porém eu estava morrendo de saudades. Tratei de dissipar os meus pensamentos e fui de encontro ao meu motorista, pelos caminho ainda escutei algumas piadinhas, mas ignorei todas elas. Passei pelos portões da faculdade e abri um sorriso enorme quando vi meu pai escorado no carro.
-PAAAAAI. – Corri e o abracei apertado.
-Meu amor, que saudades. – Ele me levantou no colo. –Você está ainda mais linda!
-E você ainda mais bobo. – Ele me colocou no chão e fez um carinho em meu rosto. – O que você está fazendo aqui?
-Vim ver você, minha princesa. – Meu pai beijou meu rosto. – Como você está?
-Estou bem, pai. – Suspirei antes de responder.
-Está mesmo? – Acenei que sim, mas meu pai me conhece como ninguém. – Vem, vamos tomar um sorvete.
Entramos no carro e fomos conversar sobre amenidades, eu amava conversar sobre qualquer assunto com meu pai, ele consegue deixar tudo mais leve. Chegamos em nossa sorveteria favorita e ele fez nossos pedidos.
-Ei, que carinha é essa? – Estava apoiada em meu punho com o pensamento lá em Catarina.
-Nada, só queria que a Cat estivesse aqui. - Respondi me endireitando na cadeira.
-Liga pra ela. – Meu pai tinha um sorriso ligeiro nos lábios. – Eu gostaria de conhecer minha nora.
-Liguei mais cedo, mas ela não me atendeu. – Dei os ombros e nossos pedidos chegram. – Ela estava no ateliê da mamãe.
-Que coincidência, eu estava lá ainda pouco. –Ele disse despreocupado. – Possivelmente até nos esbarramos por lá.
-O que foi fazer lá? – Perguntei curiosa. – Não foi brigar com a mamãe, né? Ela já tá cheia de problemas.
-Sua mãe é quem briga comigo. – Ele respondeu sorrindo. – Mas eu fui conversar sobre você. Theo eu estou preocupada com você, com essa situação toda.
-Eu estou bem, pai! Logo todo mundo esquece isso.
-Você sabe que essas coisas nunca saem da mídia, Eu conversei com Malvina. – Ele segurou minha mão por cima da mesa. – Você vai comigo pra Londres, você vai estudar direito, e não vai precisar estar aqui contra a sua vontade.
-Como assim? – Perguntei sem entender, e indignada com os meus pais que sempre tomam decisões por mim.
-Você não gosta do seu curso, você e sua mãe vivem em pé de guerra. – Meu pai sempre tão calma, tentava me explicar seus argumentos. – Acho que é o melhor momento pra isso.
-Mas agora tem outras circunstâncias, pai. – Minha mente só pensava em Catarina. – Eu amo a Cat, e agora eu preciso pensar nela também.
-Calma, não vamos tomar nenhuma decisão agora. – Meu pai deu uma colherada em seu sorvete. – Eu quero te ver bem, e vou respeitar suas decisões.
-Obrigada pai. – Sorri e voltei a atenção para o meu sorvete.
Mudamos de assunto e a nossa tarde foi bastante proveitosa, meu pai é um cara sensacional, e eu o admiro muito. No fim da tarde ele me deixou em casa e pediu que eu pensasse em minhas escolhas, mas eu já havia me decidido, eu ficaria no Brasil e mesmo não gostando do curso de moda, eu continuaria, pra não sair de perto de Catarina.
Cheguei em casa e minha mãe não estava, aproveitei e liguei pra Luiza, precisava conversar com a minha amiga sobre o luau que a Mari faria amanhã. Tinhamos planejado um jeito para eu pedir Cat em namoro e queria acertar os detalhes.
-Já tá tudo no esquema. – Luiza estava apoiada em seu violão. – Você leva ela pro lado mais escuro, onde a Mari explicou e eu estarei lá com o Enzo cantando a música que você escolheu, depois a gente vaza e você deita o cabelo.
-Estou nervosa, será que vai dar certo? – Mordia as unhas ansiosa. – Eu preciso confirmar se ela vai mesmo, tem dias que não conversamos direito.
-É claro que ela vai aceitar, vocês se gostam. – Luiza me abraçou pelo ombro. – Espero que quando for minha vez de pedir a Ester, você me ajude também.
-É claro que sim. – Ficamos ali programando o pedido que até esqueci da conversa com meu pai.
Enzo se juntou a nós e Claudia nos trouxe um lanche, Luiza tocava umas músicas no violão e cada vez eu ficava mais encantada com a voz da minha amiga. Tentei ligar pra Catarina algumas vezes, mas ela não entendeu, deixei algumas mensagens e tentei me distrair com os meus amigos.
-Theo, eu vou embroa. – Luiza se levantou e guardou Violão no case. – Não quero encontrar a chata da sua mãe.
-Eu também vou, Malvina me tira do sério. – Enzo se levantou e me abraçou.
-Nos vemos amanhã, então? – Perguntei abraçando meus braços.
-Vai dar certo, não entra na neura. – Luiza beijou meu cabelo e Enzo repetiu o movimento.
Eles saíram e eu subi pro meu quarto, estava agoniada por não ter conseguido falar com Catarina o dia todo. Tomei banho e deitei com o celular na mão na expectativa dela me retornar. O tempo passou e eu resolvi tentar novamente.
Cat ligação on:
-Até que enfim, eu estava morrendo de preocupação. – Falei de forma apressada assim que ela atendeu. – Está tudo bem?
-Oi Theo, eu agarrei no ateliê. – Ela respondeu de forma fria. – Estou bem sim e você?
-Estou bem,mas estou com saudades, precisava tanto de um abraço seu hoje. – Eu estava carente dela, e só queria sentir o seu cheiro. – Me deixa dormir ai.
-Hoje não dá. – Novamente respondeu rápido me deixando apreensiva – Hoje eu estou muito cansada.
-Tudo bem, não vou te incomodar. – Suspirei pesado, mas sabia que ela estava cansada. – Mas e amanhã? É o luau da Mari, quero ir com você.
-Tudo bem, a gente se vê lá amanhã. – Dei um sorriso enorme quando ela confirmou. – Agora preciso desligar, beijo.
-Tchau Cat, beijos e fique bem. – Eu sempre ficava na expectativa dela dizer que me amava também, mas eu sei que não devo apressar nada.– Amo você!
Ligação off:
Ela desligou e deixei o celular na cama, esse desfile da minha afetou a todos nós, e eu não vejo a hora de tudo poder voltar ao normal. Acabei descendo pra fazer um lanche, já estava tarde e eu estava entediada, preparava uma tapioca quando minha mãe chegou visivelmente irritada.
-Oi mãe, tá tudo bem? – Fui até a sala onde ela jogava a bolsa no sofá.
-Você ainda está aqui? – Ela me perguntou e eu fiquei sem entender. – Pensei que já tinha ido embora com seu papaizinho.
Revirei os olhos, minha mãe tinha que ser sempre assim? Tão indelicada?
-Se você não sabe, eu sou um ser humano e geralmente consigo tomar minhas próprias decisões. – Respondi no mesmo tom de deboche. – E pra sua informação, eu decidi que não vou pra Londres, e irei terminar o curso de moda.
-Filha? – Minha mãe pela primeira vez na vida ficou sem palavras.
-Como você disse, eu posso fazer direito depois, não é sacrifício ter duas graduações. – Minha mãe não respondeu, mas estranhamente me abraçou apertado.
Era estranho, mas eu sei que todos esses acontecimentos deixaram minha mãe bem fragilizada, retribui o abraço e tentei transmitir que tudo iria se encaixar.
-Vai ficar tudo bem, você vai dar a volta por cima. –Minha mãe concordou com a cabeça e subimos abraçadas, hoje eu cuidaria dela.
O sábado amanheceu ensolarado, e minha ansiedade estava a mil. Acordei na cama da minha mãe e ela já havia saído, fui pro meu quarto e liguei pra Isis, ela me ajudaria no look pra mais tarde, estava empolgada e nada poderia dar errado, combinamos de ir ao shopping e em menos de uma hora Isis e eu já andavamos procurando uma roupa.
-Não acredito que estou aqui te ajudando com a roupa pra você pedir outra em namoro. – Isis falava de forma afetada – Isso é muita humilhação.
-O bebê, me desculpe. – Isis e eu criamos uma relação de amizade muito forte. – Mas é que a Cat é a única dona e exclusiva do meu coração.
-Eu sei disso, e eu espero que ela te faça muito feliz! – Isis me deu um beijo na bochecha. – Você é um ser humano incrível, e merece ser feliz!
-Você também é, e eu te desejo o mesmo. – Devolvi o beijo e fomos bater perna.
O dia passou voando, além de compras passamos também no salão, fizemos um dia de princesa, o famoso barba, cabelo e bigode. Saímos do shopping e fomos pra minha casa, o luau ia começar ao pôr do sol e já estávamos levemente atrasadas. Avisei Catarina que a encontraria lá e ela me confirmou que iria. Meu coração bateu apressado e eu só pensava naquele sorriso que me deixava fora de órbita. Vesti a roupa que Isis escolheu pra mim e partimos pro local da festa, nossos amigos já estavam lá e quando chegamos recebi muitos elogios.
-Você está linda! – Ester e Bianca falam juntas. – Uau Theodora!
-Obrigada gente. – Sorri e fui cumprimentar todos.
De longe avistei Laura e fui até ela, estava morrendo de saudades de conversar com a tampinha, não tivemos muito contato desde o desfile, nos desencontramos várias vezes na faculdade.
-Oi tampinha. – Ela segurava uma camera nas mãos.
-Nossa, Theo. – Ela me abraçou. – Você está linda!
-Você também está. – Laura sempre estava linda. – Viu a Cat por aí? Ela já chegou?
-Vocês conversaram? – Laura me perguntou receosa.
-Sobre o que? – Perguntei confusa. – Cat anda estranha, mas sei que ela tá trabalhando demais.
-Theo... – Laura ia me falar algo, mas se calou. – Deixa pra lá, a Cat acabou de chegar.
Olhei pro lado e abri o sorriso mais largo do mudo, Catarina consegue me deixar sem ar só de me olhar, ela tinha uma expressão séria e parecia procurar alguém com os olhos, ela estava linda e eu me aproximei dela.
-Oi, você está linda! – A puxei para um abraço e ela soltou um suspiro longo.
-Oi Theodora. – Ela geralmente não me chamava pelo nome inteiro. – Podemos conversar?
Fim do capítulo
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patty-321
Em: 10/10/2022
Poxa, acho q vou chorar, a Theo vai tomar o maior caldo da vida curta dela, acho w depois desse sofrimento l, ele irá mudar. A doce e meiga e sonhadora Theo vai se transformar. Foda. Mas e difícil julgar a cat, ela quer vencer, sair da situação de pobreza e tá escolhendo esse caminho, são tão jovens e tem tanto a aprender.
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