Whitout me por Kivia-ass
Você está se precipitando
POV CATARINA
-Sabe Catarina, às vezes não temos escolhas. – Acenei com a cabeça, ouvindo as palavras de Malvina. – Eu sempre quis o melhor pra minha filha, eu sempre quis que ela seguisse meus passos, e tudo o que eu fiz e faço é para o bem dela.
-Eu entendo. – Respondi de cabeça baixa.
-Minha filha é a única coisa que importa. – Ela dizia tudo com pesar. – E eu espero que essa conversa não chegue até ela.
-Eu não faria isso. – Apressei em dizer.
-Minha vida nunca foi fácil, eu não tive muitas escolhas e eu só cheguei onde estou, pois abri mão de muitas coisas. – Malvina estava literalmente desabafando comigo. – Eu nunca quis ser mãe, não estava nos meus planos, pois só minha carreira importava e como eu estava começando a ter sucesso, uma gravidez só iria me atrapalhar, ainda mais engravidando de um modelo sem futuro que trabalhava pra mim.
- Eu entrei em desespero quando soube que estava grávida e pra piorar o modelozinho sumiu no mundo. Malvina se levantou e se serviu uma dose de uisque. – Eu achei que minha vida estava arruinada, que eu estaria na lama, foi aí que eu decidi tirar a criança, eu não podia carregar aquele fardo. Mas aí o Gael reapareceu em minha vida, nós dois éramos colegas na adolescência e eu sempre fui apaixonada por ele. Ele estava recém separado e quando contei sobre a minha gravidez ele me pediu em namoro e assumiu minha filha.
-Malvina... –Tentei falar algo, mas ela continuou contando sua história.
-Theodora nasceu e eu me apaixonei por ela, minha filha era o meu bem mais precioso e até hoje eu me culpo por ter pensado em interromper minha gravidez. – Malvina tinha lágrimas nos olhos. – Acontece que ela foi crescendo e Gael se tornou o herói dela, até hoje. Ela sempre foi ligada ao pai e eu sentia ciúmes dessa relação, até porque, ele não era o pai dela, nunca entendi o motivo dela gostar mais dele do que de mim. E agora ele conseguiu o que sempre quis, tirá-la de mim.
-Malvina, ela pode querer ficar. – Eu estava penalizada e tentando processar tudo o que ela acabou de me dizer.
-Não seja tola Catarina, ela largaria tudo pra ir viver com o pai. – Malvina disse de forma armagurada. – De um lado isso até é bom, ela sairia de perto daquela sapatãozinha que vive grudada nela, eu não posso admitir mais essa desgraça manchando meu nome.
Engoli seco quando ouvi aquelas palavras, Malvina falava com ódio e eu sentia os pelos do meu corpo arrepiarem.
-Vou te dar um conselho, isso é pra você levar pra vida. – Malvina me encarava nos olhos. – Nunca, jamais troque seu sucesso, por um amor. Sua carreira é a única coisa que nunca vai acordar pela manhã, dizendo que não te ama mais. Agora, me deixe sozinha Catarina, eu preciso criar uma coleção nova.
Sai da sala de Malvina sem rumo, as palavras dela martelavam em minha mente, eu estava tentando processar esse tanto de informação, eu precisava desabafar com alguém. Liguei pra Laura e pedi que ela me encontrasse o mais breve possível.
-Amiga, respira. – Eu conversava com Laura sobre as palavras que ouvi de Malvina. – Você está nervosa.
-Você não está entendendo Laura. – Eu não sabia o que fazer. – Malvina pode destruir a carreira que eu ainda nem comecei.
-Catarina, você está se ouvindo? — Manu perguntava tentando me acalmar. – Ela nem faz ideia que você e Theodora estão juntas.
-AMIGA, eu não posso fazer isso. – Me exaltei um pouco. – Theo vai seguir outros caminhos e eu não posso ser um empecilho.
-Você está se precipitando. – Eu levei as mãos no rosto.
-Eu sabia que isso não daria certo, Theodora e eu somos de mundos diferentes.
-Cat, para um pouco de falar besteira e me escuta. – Laura segurou meus braços. – Você se quer parou pra ouvir Theodora, você acabou de descobrir que ela passou por maus bocados na faculdade e nem se preocupou em saber se ela está bem.
-Você não está ajudando em nada.
-Estou tentando fazer você entender que Theodora passa por cima dos problemas dela, pra não prejudicar as outras pessoas, e com isso eu quero que você entenda que ela jamais deixaria Malvina prejudicar sua carreira. – Laura dizia como se tudo fosse fácil. – Seja racional Catarina.
-Eu estou sendo, e por esse motivo eu acho que Theodora e eu não temos chances futuras. – Me levantei e peguei minhas coisas, Laura me encarava incrédula. – Eu já me decidi, eu vou seguir o conselho de Malvina.
Sai sem dar chances a ela, eu tinha tomado minha decisão só precisava criar a coragem. Eu gosto de Theodora, gosto muito, mas eu não vou jogar meus sonhos pro alto, não vou arriscar meu futuro, eu posso estar sendo egoísta, mas tenho certeza que isso também será bom pra ela. Theodora vai ter um futuro brilhante e eu não quero ser um empecilho pra ela.
Cheguei em casa e me joguei na cama, meu celular apitava várias mensagens, muitas era de Theo e algumas eram de Laura, ignorei todas e fiquei ali com meus pensamentos.
Assustei quando minha mãe bateu na porta do meu quarto.
-Filha, Theo está no telefone. – Minha mãe colocou a cabeça pra dentro da porta.
-Não quero atender, fala que eu não cheguei ainda. – Respondi secando os olhos.
-Theozinha, ela ainda não chegou, aviso sim meu bem, não se preocupe, beijos. – Ouvir aquilo me doía o coração. – Filha, o que aconteceu? Vocês brigaram?
-Não brigamos, mãe, eu só não quero conversar agora. – Minha mãe se aproximou e se sentou ao meu lado.
-Me conta o que houve? A Theo também estava tão pra baixo hoje. – Descobrir aquilo me deixou ainda mais triste. – Aquelas nojentas da faculdade não a deixam em paz.
-Isso vai acabar mãe, ela vai embora daquele lugar. – Falei abraçando meu travesseiro.
-Como assim filha?
-O pai dela vai levá-la para Londres. – Minha mãe me abraçou e eu deixei as lágrimas rolarem. – Mãe, a gente não pode ter tudo na vida, eu sempre soube disso, e no momento eu quero ter sucesso profissional, mesmo tendo que abrir mão de quem eu amo.
-Catarina, isso não precisa ser assim. – Minha mãe acariciava meus cabelos. – Vocês podem conversar.
-Não adiantaria, não temos nada a nosso favor. – Me encolhi ainda mais e deixei as lágrimas caírem.
Meu celular voltou a tocar, e se eu não atendesse eu tinha certeza que Theodora bateria aqui na minha porta, e eu não estava preparada pra encara-la.
Theo ligação on:
-Até que enfim, eu estava morrendo de preocupação. – Aquela voz rouca preencheu meus ouvidos, me fazendo fraquejar. – Está tudo bem?
-Oi Theodora, eu agarrei no ateliê. – Respondi tentando não fraquejar. – Estou bem sim e você?
-Estou bem,mas estou com saudades, precisava tanto de um abraço seu hoje. – Engoli seco. – Me deixa dormir ai.
-Hoje não dá. – Respondi em meias palavras. – Hoje eu estou muito cansada.
-Tudo bem, não vou te incomodar. – Ela suspirou do outro lado da linha. – Mas e amanhã? É o luau da Mari, quero ir com você.
-Tudo bem, a gente se vê lá amanhã. – Meu coração batia apressado. – Agora preciso desligar, beijo.
-Tchau Cat, beijos e fique bem. – Ela suspirou novamente. – Amo você!
Ligação off:
Encerrei a ligação e minha mãe me encarava com pena nos olhos. Talvez o meu destino era esse e só me restava aceitar.
Fim do capítulo
Eita Catarina
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