Whitout me por Kivia-ass
Oie
Me chame de Malvina
POV CAT
No momento em que ouvi Malvina pronunciar meu nome, todo o meu sangue sumiu do meu corpo, mas um fio de esperança nasceu em meu peito quando ela me pediu para comparecer em seu atelier mais tarde. Laura me cutucou e eu sai do transe que eu estava, ela me segurou pela mão e fomos até a novata que tinha a cabeça baixa.
-Está tudo bem Theo? – Ela apenas acenou com a cabeça e entrou.
Laura olhou pra ela com pesar e eu tentava processar tudo o que tinha ocorrido naquela manhã de terça feira.
-Cat. – Laura me chamou me fazendo cair na realidade. – Será o que a mãe da Theo quer com você?
-Não sei Laura, estou com medo. – Laura me encarou confusa. – Eu chamei a Theo de bolsista no primeiro dia dela aqui.
Laura caiu na risada e bufei irritada, não era engraçado eu não podia me ferrar por uma besteira dessa.
-Isso que dá, julgar um livro pela capa. – Laura e eu caminhávamos a passos lentos. – Conheci a Theo semana passada, e ela é uma pessoa muito legal.
-Eu não julguei, apenas entrei na onda de Tassia. – Tentei me justificar. – Afinal, ninguém sabia de quem ela é filha.
-Mas indiferente de quem ela seja filha. – Laura era a pessoa mais sensata que eu conheço. – Imagina você chegar em um lugar que não queria estar e seus colegas tornam essa experiência ainda pior?
-Você tem razão. – Suspirei cansada. – Eu devo desculpas a ela.
-Eu sempre tenho razão. – Laura encaixou o braço no meu e fomos para dentro.
Hoje a primeira aula era de Estilismo, com o professor Arthur e era uma das minhas aulas favoritas. Entrei na sala e vi Theodora de cabeça baixa enquanto vários alunos comentavam sobre o ocorrido de mais cedo, suspirei e me sentei em meu lugar.
-Ai Cat, cheguei atrasado e nem vi o bafafá lá fora. – Eduardo sentou em sua carteira e disparou a falar. – Então quer dizer que a bolsista não é bolsista?
-Eduardo isso não é da nossa conta. – Ele me encarou por alguns segundos.
-Uai, eu só queria saber quem são os bolsistas da escola. – Edu disse despreocupado. – Quero saber onde o dinheiro do pai está sendo investido.
Engoli seco com as palavras dele e lembrei o que Daniel tinha me dito no fim de semana. Será que eu perderia meus amigos, caso eles descobrissem minha condição financeira? Deixei meus pensamentos de lado e me concentrei na aula. Vez ou outra eu olhava pra trás e via Theodora ainda de cabeça baixa, queria pedir desculpas, mas ela parecia não querer conversar com ninguém.
-Cat, nem acredito que vamos estagiar juntos. – Eduardo batia palminhas alegres. – Sabia que você conseguiria, você é a melhor da turma.
-Eu ainda não sei o que Malvina quer comigo. – Eu não queria criar esperanças.
-É claro que ela vai querer você no programa de talentos. – Eduardo dizia de forma espalhafatosa. – Você é a melhor e daqui uns anos vai ser a diretora criativa de Malvina's
-Obrigada por sonhar tão alto. – Gargalhamos e o professor Arthur pediu silêncio.
A aula passou rápido demais e a cada segundo que passava eu ficava mais ansiosa e curiosa. Rezando para que Deus me abençoasse e Malvina me aceitasse em seu programa de talentos. Assim que a aula terminou, Theo pegou suas coisas e saiu apressada da sala, nem tive tempo de para-lá e pedir desculpas, e antes de ir ao atelier de Malvina, eu passei no banheiro para ver minha mãe.
-Catarina, eu sabia que minhas preces seriam ouvidas. – Minha mãe estava tão feliz.
-Obrigada por ter tanta fé em mim mãe. – Segurei sua mão rapidinho, mas soltei assim que vi o banheiro enchendo.
Me despedi e ela sussurrou um boa sorte entre os lábios, peguei minhas coisas e parti pro Higienópolis, onde fica o atelier principal de Malvina. Respirei fundo e caminhei para a entrada do enorme prédio, dei meu nome na recepção e esperei por longos minutos até Malvina me receber.
-Entre. – A voz severa de Malvina arrepiou meus pelos da nuca. – Sente-se, não gosto de conversar com pessoas me olhando de cima.
-Me desculpe senhora. – Me sentei e tentava secar minhas mãos suadas.
-Me chame de Malvina. – Concordei com a cabeça. – Vamos direto ao ponto, Catarina eu reconheço um talento quando vejo e fiquei impressionada com seus desenhos.
Meu coração parecia querer pular para fora do peito, eu estava ali diante da poderosa Malvina Barcellos ouvindo ela elogiar meus desenhos.
-Não tenho costume de fazer isso, mas vi uma oportunidade que ambas sairemos beneficiadas. – Ouvia tudo com muita atenção. – Irei te aceitar em meu programa de talentos, seria burrice deixar a senhorita escapar apenas por ser bolsista, afinal de contas um dia eu já estive em seu lugar. Vi suas notas e sei que você é uma pessoa muito esforçada.
-Obrigado Senho... Digo Malvina. – Gaguejei um pouco e ela continuou.
-Em troca eu quero um favor. – Franzi o cenho. – Como você deve saber, eu tenho uma filha rebelde que não se interessa nem um pouco pelos meus negócios, e isso é o meu maior desgosto. Theodora odeia o mundo da moda e eu só queria que ela gostasse, assim como eu sei que você gosta.
-E a senhora quer que eu a ajude como? – Perguntei curiosa.
-Eu quero que você a incentive, ajude ela gostar, faça ela entender que ela vai herdar tudo isso. – Acenei com a cabeça tentando absorver. – Você e ela irão ser uma dupla aqui dentro, eu quero que você faça ela gostar de moda.
-Mas se a senhora disse que ela odeia, qual o motivo dela estar estudando moda? – Malvina arqueou uma das suas sobrancelhas e eu me arrependi de ter perguntado aquilo.
-Por que ela não teve escolhas, eu decido o que é melhor pra ela. – Engoli seco e concordei. – Bom, preciso saber se posso contar com você?
-Claro, eu farei o possível para Theodora se interessar pelos seus assuntos. – Malvina franziu os lábios em um pequeno sorriso.
-Traga seus documentos e entregue ao meu assistente. – Um rapaz entrou na sala após Malvina o chamar. – Esse é o Rogerio, ele vai te auxiliar.
-Muito prazer. – Ele me deu a mão e um sorriso enorme.
-Agora pode ir, e eu espero que Theodora não saiba dessa conversa. – Acenei com a cabeça e sai da sala.
Rogerio dizia o que eu precisava trazer para ele, mas eu não prestava muita a atenção, pois só pensava nas palavras de Malvina e por um momento senti pena de Theodora, deve ser péssimo ter pais que não apoiam suas escolhas.
Fim do capítulo
Voltei, Catarina não é do mal.
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