Whitout me por Kivia-ass
Quer carona?
POV THEODORA
Depois que minha mãe foi embora, eu não conseguia raciocinar direito, estava um saco ouvir as pessoas comentando sobre a minha vida a cada canto que eu ia. Não via a hora daquela aula chata acabar e eu ir pra casa.
-Estou viva dona Gê. – Entrei no banheiro e assustei a mais velha que estava concentrada na limpeza dos vidros. – Pelo menos por enquanto.
-Que susto Theo. – Ela deu um sorriso e arrumou os óculos no rosto. – Então quer dizer que você é filha da dona Malvina? Agora eu entendo seu medo.
-Agora a senhora sabe que vivo em uma ditadura. – Dona Geralda sorriu e balançou a cabeça. – Mas e como a senhora está, ein? Sempre venho aqui desabafar, mas nunca paro pra te ouvir.
-O meu bem, obrigada por perguntar. – Ela se escorou na pia e me encarou com uma expressão feliz. – Eu to muito feliz, minha filha vai conseguir realizar um dos sonhos dela.
-Que legal Gegê! – Ela parecia amar muito os filhos e isso me aqueceu por dentro. – Vai dar certo sim, eu tenho certeza.
-Deus sempre ampara quem tem um bom coração. – Ela era muito religiosa e eu gostava disso.
-Então peça a Ele pra me salvar do castigo que me aguarda mais tarde. – Dona Geralda balançou a cabeça e sorriu.
-Oi Theo, tá tudo bem? – Isis entrou no banheiro acompanhada de Mari. – Fiquei sabendo que você quebrou a cara da Tassia ontem.
-Oi Isis, estou bem sim. – Desci de cima da pia e a dona Geralda voltou a limpar os espelhos. – Mas eu não quebrei a cara de ninguém, mesmo que ela merecesse.
-Que pena, daria tudo pra ver aquela esnobe destruida. – Isis disse de um jeito espalhafatoso. – Mas eu vim atrás de você pra te chamar pra almoçar.
Me surpreendi com o convite, pois achei que ficaríamos só no beijo lá na festa.
-Isis eu preciso ir pra casa. – Encolhi os ombros. – Minha mãe me espera.
Ela pareceu compreender e eu me despedi delas e da dona Geralda. Falei com Isis que podíamos almoçar amanhã e ela se animou e deixou um selinho nos meus lábios, arrancando um sorriso de dona Gê.
Fui pra casa, tomei um longo banho e fiquei pensando nos possíveis castigos que minha mãe poderia me dar, o pior deles seria me tornar sua assistente, eu ia preferir a morte. Desisti de sofrer por antecipação e fui maratonar How to get away with a murder, eu estava obcecada nessa série e meu desejo de fazer faculdade de direito só aumentava. O dia passou rápido demais e quando dei por mim Claudia batia em minha porta avisando que o jantar já ia ser servido e que minha mãe me aguardava lá embaixo. Suspirei fundo e fui dar uma ajeitada na cara antes de descer, não queria piorar minha situação com minha mãe.
-Oi. – Eu disse baixo e me sentei.
-Oi filha. –Ela estranhamente estava calma e não me chamou pelo nome. – Como foi seu dia? Teve mais algum problema na faculdade?
-Não. – Respondi estranhando as perguntas. – Vamos direto ao ponto, qual será meu castigo?
Minha mãe largou o notebook de lado e me encarou com um sorriso.
-Filha, eu não irei punir você por se defender. – Parece que um peso saiu das minhas costas. – Mas espero que esse tipo de comportamento não se repita, ok?
Concordei com a cabeça e fomos servidas por Claudia, minha mãe e eu começamos a comer em silêncio.
-O programa de talentos começa amanhã. – Minha mãe quebrou o silêncio e eu fingi interesse. – E eu olhei o portfólio daquela garota da festa dos Barbosas, ela é brilhante.
-A Catarina? – Minha mãe prendeu minha atenção quando elogiou a garota.
-Sim, ela começa amanhã. – Assenti e minha mãe continuou. – Inclusive você será a dupla dela no estágio.
-Como assim? – Perguntei sem entender.
-Uai meu amor, você precisa estagiar e nada melhor que começar desde o primeiro periodo. – Minha mãe dizia tranquila. – Você precisa se acostumar com a rotina do atelier.
Sabia que a calmaria da minha mãe era suspeita, ela me forçaria a trabalhar no atelier, me mantendo ocupada sem tempo de fazer minha segunda graduação, como estava nos meus planos.
-Mas mãe, eu quero tentar uma segunda graduação. – Tentei não brigar.
-Filha, você vai ficar sobrecarregada. – Claudia recolhia o jantar sem prestar a atenção em nossa conversa. – Vamos fazer o seguinte, quando você terminar a faculdade de moda, começa no direito, e eu até apoio, pois teremos uma presidente que entendera de todos os assuntos.
Suspirei derrotada, era impossível negociar com minha mãe, ela sempre ganha. Terminei o jantar despedi da minha mãe e fui para o meu quarto, me resta apenas passar quatro anos nessa tortura.
A aula de quarta feira passou voando, algumas pessoas ainda cochichavam pelos corredores quando eu passava e algumas até vieram falar comigo, como esse povo é falso, puta que pariu. A suspensão de Tássia e Layla foram suspensas, por um lado eu achava justo, pois eu não levei nenhum tipo de punição, mas por outro lado eu queria mais é que elas se ferrassem. No fim da aula enquanto esperava Ramires, Isis me abraçou por trás e ficamos conversando com Mari e Ester, até que Catarina e Laura se aproximaram.
-Theo, tudo bem? – Laura perguntou e eu acenei com a cabeça. – A Catarina queria falar com você.
Franzi o cenho e esperei ela começar a falar.
-Na verdade eu quero lhe pedir desculpas. – Ela parecia sem graça. – E agradecer também, aquele dia na festa da Bia, você fez com que sua mãe recebesse meu portfolio.
-Que irônico isso, se não descobrissem quem é minha mãe, até hoje estavam me tratando como uma zé ninguém. – Laura confirmou com a cabeça e Catarina suspirou. – Mas está tudo bem, eu não guardo rancor, vamos Isis, o Ramires chegou.
Me despedi das meninas e entramos no carro, Isis começaria hoje a modelar para Malvina's e eu ofereci carona pra ela, quando fechei a porta me lembrei que Catarina também começaria, e eu jamais pagaria na mesma moeda, eu sou altruísta demais pra isso.
-Hey Catarina. – Abaixei o vidro e todas elas olharam. – Quer carona? Você começa hoje também, né?
Ela afirmou que sim com a cabeça e despediu das meninas entrando no carro. Catarina e eu fomos em silêncio enquanto Isis tagarelava pelos cotovelos, o menina que conversava!
Fim do capítulo
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