Capítulo 25

Capitulo 25 - Sopra o vento

de O farol, por brinamiranda

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Ilha Verde, 28 de junho de 2021

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     A Biblioteca imponente localizava-se no centro de Ilha Verde, sendo chamada de "pérola preciosa" pelos moradores mais antigos, tanto pela coleção de livros raros, datados de mais de 700 anos, quanto por conta da beleza esplendorosa do ambiente. Batizada de "Biblioteca Municipal Katherine Giovanni Viana", em homenagem a escritora ilhaverdense e doadora não apenas do espaço físico, mas, da maior parte do seu acervo literário, o espaço era o orgulho da cidade. As visitas eram limitadas, portanto, disputadas por pessoas que iam pelos livros, pelas artes, ou por ambos.

     Atualmente a biblioteca estava sob a orientação da bisneta da escritora, que herdou não apenas o seu nome, como o amor pela literatura. O espaço com aproximadamente 70 mil livros inspirava poetas e artistas, o lugar completamente voltado a arte, encantava com os afrescos de anjos pintados no teto, que refletiam beleza e suavidade, fora os traços do rococó que enfeitava as estantes e paredes. A sala principal continha três andares de prateleiras e afrescos, representando os signos do zodíaco. A sala mais disputada levava o nome de Clarice Lispector, onde ficavam os romances brasileiros, o ambiente toda revestido com seda vermelha atraia os jovens amantes que deliciavam com os pufs suaves e o seu aconchego, devido aos excessos  amorosos, sempre algum segurança ficava de prontidão, caso alguém se "empolgasse" nos carinhos.

     Era uma tarde quente, as gêmeas aproveitaram um descuido da babá e resolutas seguiram em direção a biblioteca, chegando com facilidade a portaria.

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- Boa tarde, queremos ler os jornais antigos...moço...

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     O porteiro olhou tentando conter o susto com a aparência tão peculiar, sorriu para espantar o preconceito e ser o mais solicito possível, não queria espantar futuras leitoras.

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- E as mocinhas fizeram reserva?, hoje infelizmente não tem mais vaga.

- Mas, moço, não vamos ter outra oportunidade, entende?.

- Entender, eu entendo, mas, infelizmente não posso deixar que entrem.

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     Mas, por sorte do destino, Katherine chegou mais cedo do que o costumeiro, trazendo consigo alguns livros de literatura francesa que haviam sido doados por Aurelie, sua professora de francês.

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- Boa tarde Seu Heitor, quem são essas fofuras de gêmeas?. - Falou sorrindo com a sua sinceridade ariana.

- Dona Katherine, elas queriam entrar, mas, infelizmente a cota já acabou, pedi que voltassem amanhã. - Alheias a fala, as gêmeas continuavam de braços cruzados, esperando a sua hora de fala..

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- Amanhã nós não podemos moça, tem que ser hoje...

- E onde está a mãe de vocês?.

- Trabalhando...

- Quem trouxe vocês, então?.

- Nós viemos sozinha, fugimos da Babá... - Respondeu Amélia desapontada em ter que dizer a verdade.

- Então, vamos fazer assim, vou ligar pra ela e avisar que eu mesma vou levar as mocinhas em casa. Mas, o que tanto querem ler?.

- É segredo, estamos investigando um caso, precisamos ver os jornais mais antigos da cidade.

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     Katherine tentou segurar sua risadinha melódica, e sorridente agachou para olhar as meninas mais de perto, colocando os cabelos dourados cortados a Chanel para trás das orelhas.

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- Como me deram o número, vou ligar e logo estou de volta.

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As meninas esperaram ansiosas que Katherine cumprisse com o combinado, e para seu alívio, logo entraram na biblioteca, com Amélia segurando a mão da administradora.

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- Caraca, parece um pouco com o palácio de Harry Potter. - Falou Alice sorrindo para logo depois levar a mão dominante a boca.

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     Katherine sorriu e entrou na grande sala, mostrou um dos  computadores, e avisou que bastava digitar o nome do que queriam pesquisar e o computador puxava tudo a respeito do assunto.

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- Tem muito jornal velho, podia se dissolver, escanemos e disponibilizamos tudo no virtual. Estava terminando de explicar quando o celular vibrou, a babá estava na porta esperando, Katherine saiu para busca-la.

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- E agora Amélia, o que a gente faz?.

- Vou digitar assim, Caso Lindalva, Ilha Verde, deve vir tudo.

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- Olha mana, que coisa...

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     Infelizmente só havia uma nota pequena sobre o caso ocorrido em 1952, narrando a história da menina Lindalva de Lucca Ferraricci e sua irmã gêmea Luísa, ambas haviam morrido em um incêndio criminoso, quando os pais haviam ido ao teatro, deixando as filhas com a babá que também faleceu no incêndio.

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- Está vendo Alice?, é estranho, porque só a Lili ficou presa na casa?, precisamos descobrir isso, mas, ela sumiu faz uns dois meses.

- Pois é mana, isso dificulta...isso dificulta.

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     Na porta Katherine e a babá, na verdade uma amiga de Anna, conversavam animadas. Sendo apontadas por Amélia.

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- Olha isso mana, as duas estão paquerando.

- Também acho.  - As duas riram e a babá se aproximou com o rosto rubro.

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- Vocês quase me matam, sabia?, pensei que tivesse acontecido algo, por favor, não façam mais.

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     A volta pra casa foi silenciosa, e mesmo com toda explicação, as meninas ficaram de castigo, os olhos de Kayra estavam cheios de água, mesmo assim, sabia que Anna tinha razão, foi perigoso demais essa expedição a biblioteca, fugindo de Sábatha, a babá, que precisou relatar o ocorrido.

Mais tarde, as mães conversavam no quarto.

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- Amor, tadinhas, deu até dó, mas, você fez bem...

- Não entendi porque essa curiosidade com esse caso tão antigo, o que será que as duas estão aprontando?.

- Não, sei, mas, algo tem ai...

- Vamos dormir meu doce, estou esgotada por hoje.

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Kayra logo adormeceu para sonhar.

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Miraflor, 12 de outubro de 1850

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     Lucrécia segurava os cabelos de Cora, que vomitava muito com o adiantar da gravidez, os enjoos eram frequentes e a barriga de cinco meses era visível. Todos comentavam na cidade, mas, na frente da família a falsidade era pungente.

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- Dona Cora, que bom que seu Afonso deixou esse presente, acho que dessa vez é o menino que ele tanto sonhara...

- Pois é Calica, também estou achando, fora que minha barriga está muito maior que na época de Elisa, com certeza vai ser um meninão robusto. - Falou sem virar o rosto, enquanto escolhia as cortinas do quarto.

- Acho tão interessante, as mães sentem o sexo do bebê, nenhuma nunca errou na escolha das cores, vai ficar lindo o quarto, tenho certeza.

- De certo, o filho varão do meu Afonso terá tudo o que o pai sempre sonhou, vai ser o reizinho da casa.

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     Comprado os tecidos Cora saiu com o motorista da carruagem em direção ao médico, chegou cedo e ficou esperando na antessala.

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- Boa tarde Cora, sua barriga está linda, com certeza Seu Afonso ficaria orgulhoso...

- E sua filha está bem?, tão cedo e já grávida...

- Sim, ela casou faz muito mais de dois anos, sabe como são as coisas do amor, arrebatam de sobremaneira que ninguém consegue resistir, a senhora não concorda?,

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     Cora sentiu um certo tom de ironia na fala da vizinha, mas, não estava disposta a retrucar, usou o racional, sabia que se revidasse a provocação, poderia ouvir o que não queria.

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- Sabe, a senhora tem toda razão, não... - As palavras circulavam livremente em sua boca, mas, teve que engoli-las, pois o médico a chamou para entrar.

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Dr. Lassale apalpava a barriga, auscultando o coração valente que Cora levava no ventre.

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- Ora mais que surpresa, Afonso lhe deixou dois presentes Dona Cora, batem dois corações em seu ventre, duplique as coisas porque vem mais um no caminho.

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     Por sorte a mulher estava deitada na maca, pois teve um desmaio quase que momentâneo, voltando a si com o médico passando suavemente um lenço embebido em álcool em seu rosto.

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- Cora, que bom que voltou, fiquei preocupado, está tudo bem?.

- Agora sim...tem certeza Dr Lassale, carrego duas crianças?.

- Pra você, é só Antônio....

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     Cora fingiu uma timidez inexistente, tinha certeza que Dr, Lassale tinha um sincero afeto, e estava muito disposta a conquista-lo para manter a cidade ainda mais calada.

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- Ora, a senhora fica ainda mais bonita com esse rubor na face.

- Não brinque assim com uma pobre viúva, depois que meu Álvaro se foi eu sinto um oásis no coração.

- Ah Corinha, não chore, me deixe cuidar de você, da sua família, eu posso ser o pai dos seus meninos.

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     O que Cora não sabia é que o Dr. Bonitão, estava um tanto falido devido o vício em dados e queria uma nova chance de reconstruir sua vida.

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

7
Foto de Lea

Lea

06/06/2022 às 14:35

Amélia e Alice são muito inteligentes.



Resposta do autor:

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=)

umas fofas essas meninas...

Foto de Rosa Maria

Rosa Maria

01/06/2022 às 01:34

Sabrina...

Fiquei imaginando a beleza dessa biblioteca incrível a descrição dos detalhes parabéns. Um capítulo para despertar ainda mais a curiosidade...

 

Beijão 



Resposta do autor:

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Bom dia Rosinha,

Que bom receber novamente os seus comentários. Então. eu amo bibliotecas, a desse livro é a junção de várias que realmente existem, juntei todas em uma só e ainda dei uma incrementada.

Capítulo curtindo, só para ir desatando os nós.

beijão

Foto de Gabriella Herculano

Gabriella Herculano

31/05/2022 às 21:41

Saudades de confabular com a Rosa hahahaha

É impressão minha ou o passado que a Kayra sonha, não tem nada a ver com o presente delas?.

Outra coisa, a noiva que se jogou não é Elisa e nem Dália, entendi certo?.

beijossssss 



Resposta do autor:

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Gaby, quando comecei a escrever, a ideia era que a Kayra e Anna fossem a reencarnação da Dália e Anna, mas, não tive coragem de tornar mais trágico a histórias das meninas, então, tomou um outro rumo. A noiva que se jogou é outra.

beijos

Foto de florakferraro

florakferraro

31/05/2022 às 21:17

Esqueci de perguntar, Kayra ainda vai lançar o livro com a história da cidade?.

beijosssss



Resposta do autor:

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Sim, no final da história...rsrs

bjs

Foto de florakferraro

florakferraro

31/05/2022 às 21:15

Boa noite Sabrina,

Tão bom ler um capítulo teu antes de me preparar para dormir. Quer dizer que as gêmeas enfim descobriram o lance da Lili?, fiquei ainda mais curiosa. E gostei muito da nova personagem, Katherine, lindo nome. Mudando de assunto, vai ter conto do dia dos namorados na Fleur e Sammy?, saudades delas.

E acho que a Cora merece um novo safado kkkkk vão viver de golpe.

beijos e boa noite 



Resposta do autor:

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Bom dia Flora,

Não apareceu as duas confabulando o lance da biblioteca, mas, descobriram sim, não é mesmo?, com a idade delas eu amava ir a biblioteca municipal também...

Ainda não sei se vai rolar algo no dia dos namorados, vou pensar. bjs

Foto de Gabriella Herculano

Gabriella Herculano

31/05/2022 às 20:03

Amiga,

Avisa quanto postar, eu adoro ler na hora kkkk Lara quem me mandou o aviso pelo Whats. 

O que dizer desse capítulo?, achei relevador, por várias razões. Primeiro porque as gêmeas são mais espertas do que pensamos, depois porque amei a Katherine, tão acolhedora com as crianças, adorei a ariana, e que biblioteca MARA é aquela?, amaria que fosse real, mas, eu vi cada pedacinho na imaginação, muito lindo. Agora tenho a impressão que Cora vai se dar mal, senti falta da Elisa e da Dália.

Parabéns minha amiga, está voltando a prática.

beijim 

 



Resposta do autor:

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Que bom que gostou Gaby, não vou me prolongar aqui pq a gente se encontra mais tarde rsrsrs.

bjs minha amiga

Foto de Lara Lefevre

Lara Lefevre

31/05/2022 às 19:50

Oi Sá,

Eu amei essa fuga das gêmeas, owww meninas espuletas, não é?, adorei as duas, elas são divertidas, apesar da aparência tão incomum, eu vejo as duas de uma maneira muito linda, que bom que a avó teve o destino merecido, sumindo kkkkk.

Agora, eu adorei Cora grávida, de quem será os filhos que carrega na barriga?, será que ela vai se dar mal com o médico?. Estou com saudade é da Nicolle e Júlia, esperando o retorno delas.

E gostei dessa Katherine, acho que ela vai ter um love ai.

xêro grande e com muitassss saudades.



Resposta do autor:

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Bom dia Lalinha,

As duas são figurinhas mesmo, são divertidas...quanto a avó ela sumiu quando percebeu que não ia conseguir nada, Kayra protege sua família de uma maneira muito forte, acho isso lindo.

Quanto aos gêmeos de Cora, acho que nem ela mesmo sabe, viu? kkkkk

bjsss

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