Capítulo 4

Bar 507

de Amoras, por Klarowsky

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Alice

Enquanto eu percorria entre os carros  que estavam  parados ou, em baixíssima velocidade no trânsito caótico de São Paulo, as palavras de Joseph latejavam em minha mente.

Não conseguia assimilar a ideia de um jovem bonito e com inúmeras possibilidades e privilégios, pedir a minha ajuda pra conquistar uma mulher. Seria trágico se não fosse tão cômico. 

Me perguntava incrédula o por que isso mexeu tanto comigo?! Será que era pelo fato da Laura ser de longe a mulher mais intrigante e misteriosa que já tinha ouvido falar e por eu já ter tentado tantas vezes negociar com os assessores dela uma oportunidade para, a partir do meu trabalho, me mostrar a ela?! – sorri sentindo o vento acariciar meu rosto e constatar que Joseph estava tentando fazer o mesmo que eu já tentara tantas vezes.

Mas o que mais me incomodava era o fato de ele ser homem e certamente teria sucesso em seu plano com mais facilidade. Afinal, até onde eu sei, a tão poderosa Laura Veiga é hétero, e o que adiantaria meus mirabolantes planos na tentativa de me fazer ser conhecida a ela, se eu, mulher, lésbica, jamais teria chances.

Cheguei ao imponente edifício Dallas para a reunião que tinha marcado. O assunto de Joseph tinha me deixado tão encabulada que nem parei para almoçar. Segui direto rumo ao meu compromisso.

A reunião foi tudo dentro do esperado. Consegui fechar um contrato de grande importância e dessa forma, estava com mais uma empresa em ascensão na minha carta de clientes. Finalizei meu compromisso muito feliz e queria comemorar com minhas amigas. Ao entrar no elevador, liguei para a Carol, minha amiga confidente e a convidei para sairmos a noite pois tinha novidades a contar. Ela aceitou o convite e disse que levaria um casal de amigos, aceitei tranquilamente.

Antes de ir ao nosso encontro, descansei um pouco do dia corrido e organizei meus horários do dia seguinte.

--x--

Fui a primeira a chegar ao Bar 507, onde marcamos nosso encontro.

Escolhi uma mesa na varanda para poder ver o movimento da avenida. Pedi um chopp claro e enquanto estava à espera do pessoal resolvi marcar as aventuras para o final de semana.

Agendei meu salto de paraquedas numa cidade a 150km da capital para o sábado de manhã.

Carol chegou como de costume, toda alegre, falando alto e rindo com dois novos amigos. Um moço alto, negro, cabelo black power lindíssimo, vestia uma calça jeans bem apertada e jaqueta igualmente jeans porém larga que completava o visual com uma camiseta ostentado as cores do arco íris, e uma moça linda,  com cabelos curtos , pele morena clara, brincos grandes e roupa casual. Usava um delineador perfeito, fazendo realçar os olhos negros como jabuticabas que faziam contraste com batom carmin e um sorriso encantador.

- Oi "miga"! Saudade de você – Carol me cumprimentou com um beijo no rosto – esses são meus novos amigos. Gil e Bia.

- Prazer! Alice! – cumprimentei ambos com dois beijinhos no rosto para não perder o costume.

Gil já foi logo puxando uma cadeira e sentou-se ao meu lado chamando o garçom. Carol ficou a minha frente e Bia a frente de Gil. Bia se mostrou tímida. Conversamos e nos divertimos ao longo da noite, enquanto por inúmeras vezes troquei olhares com a Bia que sempre que eu a olhava e nossos olhares se encontravam, ela desviava baixando o olhar e esboçando um leve sorriso no canto da boca, o que fazia aparecer uma linda covinha.

Acredito que eu não estava conseguindo esconder minha admiração por aquela garota que surgiu inesperadamente naquele encontro.

Gil nos contou que trabalhava como personal e que se soubesse de algum colega que estava a procura de um amor, era para disponibilizar o telefone dele, pois tinha certeza que logo encontraria algum homem bom igual a ele para viverem uma linda história.

Bia estava estudando para ser comissária de bordo, e nos contou que o curso intenso consumia muito seus dias devido os treinamentos que são obrigados a concluir antes de poderem ingressar no mercado de trabalho.

Carol, minha amiga de adolescência, alma gêmea fraterna é bióloga e muito tagarela. Estava animadíssima com a possibilidade de seu livro ser publicado, já que tinha passado os últimos seis meses praticamente enclausurada escrevendo sobre as minuciosidades biológicas das frutas – e nos contava os detalhes das floradas frutíferas e seus benefícios para nossa espécie.

Eu me mantive mais participante das conversas e acabei não contando as novidades do meu dia. Me concentrei então na troca de olhares com a Bia que foi ficando mais intensa a medida que a pilha de copos de bebidas ia se aumentando em nossa mesa.

- Que comecem os joguinhos - refleti tomando um gole de cerveja e encarando Bia que retribuiu o olhar igualmente em um gole da caipirinha de limão que havia pedido. 

Carol percebeu a troca de olhares e sorriu discretamente, me lançando uma piscadela como que aprovando o possível envolvimento.

- E vocês, Bia e Carol, se conheceram onde? - perguntei na intenção de saber quais seriam as possibilidades para a noite.

Carol já tomou a frente e foi logo respondendo :

- Miga, lembra que te chamei pra ir no Pub na sexta mas como você ia fazer trilha no sábado e não foi?! Então, conheci a Bia e umas amigas que estavam passeando por aqui e trocamos "zap". Por fim, nos falamos a semana toda - e riram.

- Entendi! E você, Gil? - perguntei apoiando meus cotovelos na mesa e a mão no queixo.

- Eu sou personal e confidente da Bia, né Bia?! - e estendeu as mãos para alcançar as mãos dela que retribuiu o gesto.

- Sim! Gil é um querido e amo estar com ele, apesar de ele sempre me trocar pela queridinha dele - e revirou os olhos - quase todos os dias. Mas ainda assim o amo e fico o aguardando incessantemente na academia - concluiu a frase lançado uma piscada para ele e um sorriso pra mim que fiquei sem graça.

- Você sabe que não é isso né?! A Laurinha tem horários restritos e eu tento adaptar os treinos de acordo à disponibilidade dela - explicou-se Gil.

- Ah! Gil! Fica tranquilo que de clientes complicados eu entendo - sorri ao falar e tomar mais um pouco do chopp, aproveitando para direcionar novamente o olhar pra Bia que retribuiu, sorrindo.

Ficamos mais um tempo conversando e então nos apressamos em ir embora.  Os relógios já apontavam quase 21h e o próximo dia era cheio de compromissos para todos. Pedimos a conta da mesa e saímos para nos despedirmos na calçada.

Gil e Carol iriam no mesmo carro de motorista por aplicativo, dividindo a corrida por fazerem trajetos próximos, e a Bia começou a solicitar uma corrida a ela, quando perguntei pra onde iria e ela me respondeu que seria por caminhos semelhantes.

Então, a ofereci carona. Todas as vezes que saia com a Carol a levava embora de moto, portanto, já estava com um capacete reserva na moto. Bia aceitou.

Carol me olhou e fez sinal com os dois dedos direcionando aos seus próprios olhos e a mim, como quem diz: "estou de olho" - sorri e acenei em despedida.

Nos direcionamos até onde minha moto estava estacionada, ofereci a ela o capacete, vesti o meu e me ofereci a ajudar prender o dela. Arrumei a frente do capacete, vesti sobre sua cabeça e ao prender a presilha de proteção no queixo, ela segurou em minhas mãos, me olhando profundamente nos olhos.

Senti um arrepio na espinha que subia para o meio das costas. Retribui o olhar com um sorriso.

Subimos na moto e seguimos nosso trajeto. Minha surpresa foi quando ao acessar a marginal, senti suas mãos entrelaçarem minha cintura, apoiando seu corpo em minhas costas e a cabeça no ombro. Mantive a direção firme e sorri com o afago. Seguimos assim por todo o caminho, até que chegamos em frente a um prédio residencial, daqueles com portaria e estacionamento subterrâneo.

Estacionei, desliguei a moto. Ela desceu, tirou o capacete, chacoalhou os curtos fios de cabelo pretos como a noite, me olhou com sorriso nos olhos :

- Obrigada pela carona, moça bonita! Foi um prazer te conhecer - me falou deitando um pouco a cabeça sob os próprios ombros, esticando os braços para me entregar o capacete.

- Por nada, moça bonita! O prazer foi todinho meu! - e sorri pegando o capacete de suas mãos e encaixando no meu antebraço, de modo que ficou pendurado perto do cotovelo.

Ela então se aproximou para me dar um beijo de despedida e senti quando seus lábios, pintados com irretocável batom carmin e quentes como o sangue, encostaram no canto dos meus lábios e com uma das mãos me tocou a face com a mão gelada pelo trajeto na moto.

Na realidade o beijo durou segundos, mas para mim foi em câmera lenta e durou uma eternidade.

Pude sentir o cheiro de seu perfume, com notas doces e amadeiradas e o toque dos seus lábios em minha pele, aceleraram meus batimentos cardíacos. Fechei os olhos enquanto ela direcionava aquele singelo, porém surpreso beijo e sorri ao mesmo tempo em que sentia minha garganta secar.

Suspirei profundamente, no que ela me perguntou:

- Está tudo bem, moça bonita? - e me lançou um sorriso travesso.  Apenas balancei a cabeça, em sinal positivo a olhando fixamente.

- Agora já sabe onde moro! Venha sempre que quiser. Moro sozinha aqui em Sampa. Minha família é do interior.

- Jura?? Eu vou para o interior no sábado, saltar de paraquedas. Quer ir? - perguntei empolgada a ela.

- Nossa!! Então além de linda, também é aventureira? - me perguntou lançando um sorriso faceiro.

Corei de vergonha

- Sim! Sou aventureira. E você? O que esconde esses lindos olhos?? - a indaguei olhando para sua boca.

- Se quer saber dos olhos, olhe para eles e verá, mas se quiser saber da boca - ela parou e fez um bico - pode descobrir também - me respondeu baixinho e chegando mais perto.

Sorri e a encarei nos olhos. Ficamos em silêncio apenas nos olhando. Eu estava completamente encantada com a beleza daquela mulher que estava ali toda jogando charme pra mim.

- Aceito!! Quero ver se é aventureira mesmo ou é só da boca pra fora - ela me respondeu quebrando o silêncio que estava entre nós. Me deu um beijo rápido no rosto - Vou pra cama que amanhã tenho treino pesado!! Obrigada mais uma vez, moça bonita.

E se afastou subindo na calçada antes que eu pudesse retribuir o beijo. Baixei a viseira do meu capacete,  liguei a moto, lancei um último olhar e parti rumo a minha casa com um sorriso nos lábios e a espinha ainda arrepiada.


Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

3
P

patty-321

31/03/2022 às 17:14

Será a mesma Bia q a Alice saiu?

M

mtereza

20/03/2022 às 09:35

Sério que ela bebeu e ainda saiu de moto mais que inresponsavel Alice rsrsrsr.

Gostei da Bia será que vai rolar e agora com o Gil será q a Alice vai finalmente poder conhecer a sua Crush 

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