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Logo que saíram da casa do agora cabo Arruda Medeiros que até algum tempo atrás era tenente, a coronel se encaminhou diretamente junto com os outros até o presídio militar.

Ao chegar à sentinela se apresentou perguntando quem era Márcia já pedindo os documentos.

-- Bom dia soldado Prata! – Eu sou a coronel Mantovanni e esses são a coronel Monteiro, a minha esposa tenente coronel Mantovanni, e meu cunhado major Paiva Jr. Eu quero falar com o major Malaquias. Ele está?

-- Sim coronel, eu vou avisá-lo da sua presença. Disse o rapaz que estava um tanto assustado. Tanto André como Cláudia haviam percebido.

-- Não soldado, pode deixar que eu mesmo irei até ele.

-- Mas coronel eu não tenho autorização para...

O rapaz parou de falar assim que a coronel levantou a mão dizendo ao mesmo:

-- Agora você tem! – Com licença. E assim entrou.

Quando chegou ao corredor em que ficava a sala do major, a coronel viu que uma policial saia da sala do mesmo, abotoando a camisa da farda. Logo já chamou a moça.

-- Ei você, soldado. Pare ai!

A moça parou e ao se virar viu quem era a pessoa em questão. Trocou de cor na hora e claro que a coronel havia percebido algo.

-- Bom dia coronel!

-- Bom dia! Respondeu com cara de poucos amigos.

-- Em que posso ajudar coronel?

-- Por enquanto em nada e agora você terá três segundos para sumir da minha frente. Ah e vê se arruma esses botões dessa camisa da farda, isso aqui não é um puteiro para a senhora ficar se refestelando com o major.

-- Sim coronel!

Andressa e os demais ficaram olhando para Márcia. A esposa perguntou o que a coronel iria fazer com a moça.

-- Nada! – Afinal, uma gozadinha não faz mal pra ninguém. Foi só para assustar! Agora ela pensará em fazer isso em outro lugar.

Enquanto Andressa e o irmão, ficaram esperando do lado de fora da sala do major, Gênova e Genaro levaram as crianças ao Mc Donald’s. O major estava de cabeça baixa mexendo no celular quando escutou:

-- Bom dia major Malaquias!

Ao levantar a cabeça e ver quem era, quase caiu da cadeira.

-- Bom dia coronel! – A senhora aqui a essa hora? – A sentinela deveria ter me avisado. Ah, mas eu me acerto com ele depois.

-- O senhor não vai acertar nada com ninguém major. Fui eu que deu a ordem para que ele não o avisasse sobre a minha presença. E agora? – Vai contestar uma ordem minha? – Essa é a coronel Monteiro! – O senhor a conhece?

-- Não, não coronel! – Todos sabemos que depois do nosso comandante coronel Torres, a senhora é a autoridade máxima da corporação. E sim, eu não a conhecia, mas já ouvi falar muito dela. Prazer coronel. Disse dando a mão para ela. A coronel assim como Cláudia, ficou olhando para o major.

-- Major o assunto que traz a mim e a coronel Mantovanni aqui hoje, é muito sério e tanto eu como ela, gostaríamos que o senhor não enrolasse e fosse direto em suas respostas.

O major olhou para Cláudia meio que desconfiado. Afinal, que assunto era esse para que a comandante do Canil e a segunda autoridade máxima da Polícia Militar estivessem ali em sua frente? Pensou.

-- E o que seria esse assunto coronel Monteiro?

-- Sobre um certo policial que está detido aqui há quatro meses ao qual a família não pode visitar. 1ºTenente PM Alberto Arruda Medeiros. Atualmente conhecido como cabo Medeiros. O senhor tem conhecimento sobre isso?

O major trocou de cor na hora, ficou parecendo um semáforo de três fases com defeito. Márcia que gravava toda a conversa, internamente se divertia com a situação. Afinal, a amiga havia entrado de sola no major que estava agora vermelho igual a uma pimenta.

-- Major! O senhor está se sentindo bem? Aceita um copo com água? Perguntou Márcia.

-- Não coronel está tudo bem. Só um pouco quente!

-- E ficará mais quente ainda se o senhor não responder as perguntas que lhe serão feitas. Então? – Vai falar ou não?

-- Está bem coronel, eu vou mandar buscar o processo e a ficha de serviço do cabo!

-- Cabo não! – Primeiro Tenente corrigiu Cláudia.

Assim que foi trazido o prontuário do “cabo” Medeiros e o processo criminal militar contra ele, a coronel Mantovanni foi logo perguntando:

-- Major! – Porquê, esse prontuário e esse mandado de prisão contra o Medeiros, não chegou ao meu conhecimento?

-- Eu não sei coronel! – Só estou fazendo o que me foi pedido e a senhora sabe que eu nunca contestei uma ordem. Sei tanto quanto a senhora.

-- Mas porquê, você então não comunicou a coronel Mantovanni sobre esse pedido ou ordem que lhe foi feita? – O senhor está achando que aqui, na sua frente, estão duas imbecís? Perguntou Cláudia.

-- De maneira alguma coronel, eu só não quero confusão principalmente com as senhoras.

-- E quem foi o comandante que deu a ordem? – Sim, por que isso só pode ter vindo do alto escalão.

-- Não foi do alto escalão coronel Monteiro. Foi do intermediário mesmo, do próprio comandante do Medeiros o major Bergamota.

As duas coronéis ficaram de boca aberta quando o major falou quem estava por trás da prisão do “cabo”, afinal, o major era amigo de longa data das duas e isso que o oficial havia feito com o subordinado para a coronel Mantovanni era inaceitável.

-- O Bergamota? Perguntou Márcia.

-- Sim coronel, ele mesmo. Também não entendi o motivo dele ter feito isso. Mas sabe-se que ele não aceita coisas erradas.

Depois de mais algumas perguntas e respostas até de momento aceitáveis, a coronel falou:

-- Pois bem major! De momento acatarei as suas respostas. E agora eu quero que o senhor avise ao Medeiros que ele ainda hoje irá para casa.

-- Mas coronel, a senhora vai libertá-lo? – A senhora não pode fazer isso, está passando por cima de ordens restritas. Principalmente as minhas.

Agora Malaquias escutaria tudo o que ele não imaginava.

-- Como é que o senhor falou comigo major? Perguntou a coronel.

-- Eu só contestei os seus métodos coronel!

-- O que eu faço com os meus métodos é um problema meu. E quem é você Malaquias para se dirigir a mim assim dessa maneira? Até as cinco horas da tarde de hoje, eu quero esse homem solto. Vou pedir para o Radamés preparar os papéis de soltura e quanto a você major, a partir de agora está afastado de suas funções nesse departamento. O senhor irá trabalhar futuramente na zona Sul junto com o Bergamota já que vocês se dão tão bem. Mas de momento o senhor estará tirando umas férias forçadas até que eu resolva o caso do “cabo” Medeiros. Estamos conversados?

-- Mas coronel Mantovanni, tenha piedade! – Eu vou ter o meu salário reduzido e isso não é justo!

A coronel olhou de cara fechada para o major respondendo:

-- Não é justo major? – O Medeiros ficar aqui detido sem receber a visita da família é justo? Você no final de semana ficar com a sua família no Clube dos Oficiais é justo? – Ficar comendo a sua secretária aqui na sua sala é justo? – Aceitar ordens sem que um superior maior que o senhor e o Bergamota saiba, é justo? Falou gritando para que todos ouvissem.

-- Meu Deus André, eu não queria estar lá agora no lugar do Malaquias!

-- Nem eu! – Imagino eu, que ele já cagou e mijou na calça. Respondeu o cunhado da coronel para a irmã.

-- Então, estamos entendidos major?

-- Sim coronel, estamos!

Antes de sair a coronel ainda falou:

-- Major, eu já tenho o seu substituto, o da sua secretária e também o subcomandante será substituído. E eu ainda vou pensar se o senhor e o major Bergamota voltarão a ser tenentes! – Passar bem major!

-- Passe bem major! Respondeu a coronel Monteiro

Assim que elas saíram, o major se sentiu aliviado, mas não por muito tempo. Ele receberia novamente a visita das duas coronéis. E a conversa Mantovanni X Bergamota, ainda vai render muito pano para a manga.

Fim do capítulo

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Comentários

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patty-321

25/01/2022 às 22:16

Caraca! Que saia justa o major ficou, hehehe, merecido. Gente de gorda q desonra a corporação. Ansiosa pelo próximo. Bjs meu bem.

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