VEGAS por AutoraSoniaG
Medidas Drásticas.
Uma característica interessante sobre pessoas como Carol Watson, é que nunca param de lutar por seus objetivos, não importa as armas que elas terão de usar.
Megan, viu na sogra uma adversária forte e determinada, que faria de tudo para transformar seus dias em um inferno, ela atacaria por todos os lados sem dó nem piedade. Seu primeiro ataque foi de certa forma esperado, mas Stevens nunca achou que ela agiria de maneira tão astuta.
Max Button, era um espécie magnífico, mulheres de todo o mundo, todo o mundo mesmo olhariam para ele uma segunda ou até mesmo terceira vez, pois ele tinha aquele tipo de queixo quadrado, cabelo perfeito e sorriso brilhante, não era de se estranhar que Catherine estivesse olhando tanto pra ele, ela parecia uma adolescente diante do seu primeiro amor.
A proximidade que ele mantinha ao lado da loira era calculada, um pavão mostrando suas penas, os trejeitos copiados dos galãs de cinema, até o jeito como ele bebia seu caro Champanhe parecia copiado dos membros da realeza.
— E assim termina nossa utopia! — Holly surge atrás de Megan.
— Adoro quando você é otimista. — diz virando a taça na boca.
— Meio difícil manter o otimismo vendo um cara desses.
— Você veio aqui para me animar?
— Não, na verdade quero compartilhar meu mais novo plano.
— Qual seria?
— Podemos roubar a mansão e depois sumir pelo mundo. — Megan se virou para Holly.
— Não vamos roubar a mansão, nós vamos roubar a empresa!
— Stevens, não vamos conseguir! A garota não confia em você, não gosta de você... ela é hetero!
— Eu vou dar um jeito!
— E como vai fazer? Vai ficar grávida? Dizer que o bebê é da Catherine?
— Não seja ridícula! — Stevens perdeu a paciência. — Eu só preciso encontrar a maneira certa de trazer Catherine para o meu lado.
— Boa sorte.
— Me diga, Nicols. O que você está fazendo para conseguir algum dinheiro?
— Veja bem, Stevens. Eu tentei usar meu lado engraçado, mas ela não gostou muito disso, então apostei no meu lado sensual, e ela me deu uma sonora bofetada, ameaçou chamar a polícia se eu chegasse perto dela novamente, então tudo que estou fazendo no momento é tentar descobrir quanto valem os quadros que minha esposa tem na parede. — Holly disse bebendo tudo que restava em sua taça. — Sabe, quando nós planejamos isso em Las Vegas eu achei que tínhamos finalmente acertado, mas me enganei, até agora tudo que conseguimos foi nos foder, e não estou falando em foder do jeito bom, estou falando no sentindo bem ruim da palavra.
— Nós vamos conseguir, tenha paciência.
— Paciência requerer tempo, e nós não temos tempo!
Megan ia confrontar Holly, mas foi impedida pelo pronunciamento de Carol Watson.
— Um momento da atenção de todos, por favor. — Todos os convidados se voltaram para ela. — Gostaria de dar boas-vindas a Max Button, ele chegou hoje sem avisar e nos proporcionou uma excelente surpresa. Bem-vindo, querido.
— Obrigada, Senhora Watson. Estou muito feliz por ter retornado, vou logo avisando que dessa vez pretendo ficar definitivamente.
Os olhos de Button se fixaram em Catherine, Megan observou a esposa ficar vermelha e sorrir sem graça.
Holly a cutucou de leve, revirou os olhos e bufou emburrada. Suas chances começaram a diminuir ferozmente, além de Catherine ser difícil agora ela teria que lidar com o tal Max, se tentasse uma aproximação mais direta com Catherine poderia ter suas costelas quebradas pela babá Red.
— Acho bom você ir defender seu território. — Holly disse tirando Megan de seu devaneio.
Max e Catherine saíram para o jardim, Megan olhava boquiaberta o total descaso de Catherine com o casamento delas, sair com um homem para o jardim bem diante da esposa não foi uma atitude muito legal.
Seguiu os dois com o olhar até perde-los de vista, entregou a taça vazia para Holly e foi atrás da esposa.
Ficou alguns passos atrás por ter de desviar de algumas pessoas, mas conseguia ver o contorno dos corpos indo para a parte mais escondida do jardim. Haviam pequenos bancos e altos arbustos, viu quando os dois sentaram lado a lado, ela acelerou o passo até conseguir ouvir as vozes, se escondeu atrás de um dos arbustos a poucos metros deles.
— Eu me lembro de quando você era só uma menina, brincando nesse jardim. Dois dos seus dentes tinham sumido. — Megan ouviu o homem dizer.
— Você não tinha um dos seus.
— Tem razão, você é muito perspicaz, e bonita. Não entendo como Larry teve coragem de... você sabe.
— Minha mãe contou?
— E, ela me contou sim. Também falou sobre seu atual.... Casamento.
— Nem me fale disso. — A loira levou as mãos ao rosto. — Fui tão idiota.
— Não se culpe, querida. Esse tipo de gente se aproveita de pessoas frágeis como você.
Esse tipo de gente? Megan indagou para si mesma. Ela não era uma pessoa ruim, bem ela não era uma pessoa certinha, vez ou outra derrapava na lei, mas certamente não merecia ser citada como " Esse tipo de gente". Pensou em dizer poucas e boas para o tal Max, mas resolveu esperar a resposta de Catherine
— Ela é... Excêntrica, eu diria.
— Isso é tão estranho, você casada com uma mulher, mesmo que não seja de uma forma plena... Bem, vocês não...
— Não! E, isso com certeza não vai acontecer!
— Ela só quer seu dinheiro, lembre-se disso caso ela tente alguma aproximação.
— Eu sei.
— Sabe mesmo?
— Não se preocupe!
— Lembra quando nós estávamos no ensino médio, e você simplesmente odiava Alan Parker? Nossa, você não conseguia olhar para ele, mas aí o pobre Alan ficou doente, toda a sua raiva foi esquecida, você só pensava em ser legal com o garoto. — Megan ouvia atentamente. —Catherine, seus sentimentos mudam muito rápido, se você ver fragilidade ou algo que julga valoroso em uma pessoa acaba baixando suas defesas, e você não pode baixar suas defesas agora.
Megan deixou seu esconderijo, mas ela não interrompeu Catherine e Max, ela apenas saiu em silêncio até voltar para festa, sua cabeça trabalhava de forma intensa, caminhava entre as pessoas perdida em seus pensamentos, mas um toque sutil em seu braço a fez olhar para o lado.
— Parece meio perdida, querida. — Carol disse exibindo um pequeno sorriso. — Será que algo não lhe agrada?
— De forma alguma, Senhora Watson. Estou muito satisfeita com a noite de hoje.
— E mesmo? E o que a fez gostar tanto dessa noite?
— Sua companhia, certamente. — Megan disse com seu característico sorriso cínico.
— Aproveite, pois não falta muito para seu tempo conosco acabar.
— Assim vou achar que a Senhora não gosta de mim.
— Nem posso definir o quanto a detesto. No dia em que você sair de nossas vidas, darei uma festa muito mais grandiosa que essa, e melhor comemorando o noivado de Catherine com Max.
— Não tenha tanta pressa, eu ainda estou respirando.
— Apenas desista, lhe darei um bom dinheiro.
— Meu amor por sua filha não tem preço.
— Não seja cínica! — Carol quase se exaltou.
— Não me peça algo tão difícil.
— Ora, sua...
— Senhora Watson, cuidado com suas palavras.
Carol a fuzilou com o olhar, engoliu uma sequência de impropérios, girou nos saltos e seguiu para longe de Megan.
Stevens continuou andando, olhava para todos os lados, procurava insistentemente pela pequena figura de Holly, e como ela previa a amiga estava perto do bar virando taças e mais taças de Champanhe.
— Estava mesmo procurando por você.
— E meu poder de atração. — Holly disse.
— Se esse poder existisse você estaria agarrada a uma mulher e não a uma taça de Champanhe.
— Cada um agarra o que pode.
— Isso não vem ao caso agora, precisamos falar.
— Estamos falando.
— Não aqui, sua idiota.
— Stevens, não me faça levantar à toa.
— Sem piadas Nicols, venha!
As duas saíram por uma porta lateral, Megan na frente e Holly logo atrás. Andaram pela enorme casa até chegarem em uma ampla varanda, Megan checou todos os cantos do local, até ter certeza de que ninguém as ouviria.
— Megan, ninguém se esconderia atrás de um vaso tão pequeno. — Holly disse ao ver a paranoia de Stevens.
— O que tenho que falar com você é muito sério, não podemos correr o risco de sermos ouvidas.
—Não seremos ouvidas aqui, então fale logo, estou ficando aflita. — Stevens então se virou para ela.
— Tenho um novo plano. — Holly revirou os olhos.
— Não acredito que me tirou do bar para falar sobre mais um dos seus planos idiotas.
— Não é idiota, é um ótimo plano, na verdade é o melhor que já tive!
— Esse seria o primeiro.
— Vai me deixar falar ou não?
— Tenho outra escolha?
— Não!
— Ok...
— Segui Catherine e o tal Max pelo jardim, e consegui uma informação simplesmente incrível. — Megan dizia enquanto andava de um lado para o outro.
— Que informação?
— Catherine tem uma queda por pessoas doentes. — Megan olhava de forma animadamente lunática para Nicols.
— Isso é algum tipo de fantasia sexual dela?
— O que? Não! — Megan estava incrédula. — Não é uma fantasia sexual...Como você... como alguém pode...? Fique calada, Holly! — Respirou fundo. — Como eu estava dizendo, Catherine é uma pessoa muito sensível, então... pensei que se eu por acaso desenvolvesse alguma doença ou sofresse algum acidente poderia me aproximar dela.
— Esse é o plano mais idiota que você já teve.
— E um ótimo plano, e você me ajudar!
— Eu não sei como ajudar você a contrair uma doença terminal.
— Esqueça a doença terminal, vou precisar apenas que você me ajude a sofrer um acidente.
— Que tipo de acidente?
— Um atropelamento.
***
Três dias se passaram desde que Megan teve seu grande plano, nesse pequeno intervalo de tempo Stevens entrou em desespero, Catherine estava cada vez mais próxima de Max, os dois saiam com frequência , e a loira a cada dia falava menos com ela, estava encantada pelo príncipe perfeito que Button parecia ser.
Na noite do quarto dia arquitetou tudo, entrou no quarto de Catherine, enquanto ela estava no banho e Helga fazia o jantar, foi até a bolsa e retirou a carteira da loira, ela andava tão distraída pensando em Max que certamente não iria perceber até a manhã seguinte.
Saiu pelo corredor com a carteira no bolso da casaco, foi até o quarto que agora dividia com Helga e escondeu os documentos da esposa entre suas roupas.
Durante o jantar o silêncio reinou, Catherine estava como sempre com aquela cara de donzela dos anos 30, apaixonada até o último fio de cabelo pelo belo pretendente. Ela mexia na comida distraída, Megan aguardava ganhar um olhar ou qualquer tipo de atenção, mas não vinha, a loira já não reclamava da presença dela, mas aquilo não era bom, pois a cada hora que se passava ela ficava mais indiferente, e a indiferença era algo complicado de se reverter.
Naquela noite Stevens se recolheu mais cedo, mas não conseguiu dormir, passou boas horas trocando mensagens com Holly, aquela ideia precisava dar certo.
Quando o dia amanheceu pulou da cama, recolheu a carteira e foi diretamente para cozinha onde preparou café, tentou parecer a pessoa mais normal do mundo.
— Red, não encontro minha cart... — Catherine parou ao ver Megan sentada tomando café.
— Achei que fosse Red.
— Estou quase ofendida. — Megan riu.
— Por que está acordada tão cedo?
— Tenho um compromisso mais tarde. — Mentiu. — Me diga, posso ajudar em algo?
— Minha carteira sumiu e... — Catherine olhou novamente para Megan. — Esqueça. — Se preparou para sair, mas resolveu falar novamente. — Preciso ir para o trabalho mais cedo, então assim que Helga aparecer peça que ela procure minha carteira e mande para mim o mais rápido possível. Pode fazer isso?
— Claro.
— Obrigada.
A loira saiu e Megan contou os segundos até ouvir a porta bater. Pegou o celular e enviou uma mensagem para Holly.
Segundo seus cálculos precisaria descer as escadas nesse exato momento se quisesse encontrar Catherine em frente ao prédio.
Correu até a saída de incêndio, desceu as escadas com rapidez pulando alguns degraus. Seu coração ardia no peito, mas ela precisava chegar a tempo.
Quando chegou ao fim das escadas, seu celular vibrou, isso significava que tudo estava preparado.
Passou pela portaria e viu Catherine se preparar para entrar no carro.
—Catherine! — Gritou.
A loira se virou e viu Megan levantar sua carteira, Stevens andava tranquilamente até ela, mas então uma cena maluca se formou diante dos seus olhos.
Um ciclista aparentemente desgovernado simplesmente atropelou Megan, ela a viu ser levantada bons centímetros do chão e cair sobre a calçada.
Catherine correu até o corpo caído, e se assustou ao ver sangue cobrir parte do rosto do rosto da esposa.
Fim do capítulo
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