Capítulo 26

Capitulo 26

de Proibida pra mim, por Zoe Lopes

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“Eu vou roubar essa mulher pra mim.”[1]

 

            Isis chegou em casa muito descontrolada. Estava limpa há alguns anos, mas naquele momento queria sentir a paz que apenas a cocaína lhe proporcionava. Seu pensamento não saía da cena que presenciou mais cedo. Marília, com a mulher grávida e uma filha linda. Tudo perfeito demais para que aquela família não fosse sua.

            - Droga! Caralho! Não é justo.

            Ela gritava enquanto jogava alguns objetos contra a parede da sala, o que chamou a atenção dos vizinhos que logo reclamaram na portaria.  Ela estava bebendo desde cedo na praia e cheirou tudo que comprou na boca de fumo.

            A morena já era conhecida por episódios semelhantes a esse e o porteiro, rapidamente, ligou para seu irmão.

            - Seu Felipe, boa noite! Aqui é o Carlos, porteiro do prédio da Dona Isis, acho que ela não tá muito bem não.  Os vizinhos estão reclamando do barulho que está vindo do apartamento dela desde cedo.

            - Ela chegou faz tempo? Está sozinha? O senhor sabe me dizer?

            - Ela chegou antes do meu turno, mas se ela está sozinha eu já não sei.

            - Obrigada, seu Carlos. Eu chego já por aí.

            Felipe dirigiu puto até o apartamento da irmã. Ele sabia que aquilo só poderia ser decorrência do uso de cocaína. Ela tinha prometido parar e, até então, estava cumprindo o acordado. Ele estava preocupado porque ela não apareceu para trabalhar e não deu nenhuma satisfação, mesmo sabendo que tinha compromissos agendados com antecedência, mas agora a raiva estava tomando o lugar da preocupação.

            Ao chegar no prédio, Felipe subiu direto para o andar da irmã, ele tinha a chave do apartamento e entrou sem avisar.

            - Que porra é essa Isis? O que aconteceu, cara? Me ligaram reclamando de você.

            - Mano, aquela família era para ser minha.

            Felipe não estava entendendo nada e diante da sala cheia de garrafas, restos de pó sobre a mesa de centro e vidro quebrado por todos os lados, ele percebeu que a irmã estava machucada.

            - Você está bêbada desde que horas? E cheirou? Você tinha prometido, cara. Vem vou cuidar de você, seu pé está sangrando. Levanta, vou te dar um banho.

            Isis não mostrou resistência e aceitou a mão do irmão que lhe levou para o banheiro da suíte. A morena não conseguia conter as lágrimas e repetia que a família era pra ser dela.

            Depois de banhada e vestida, ela já estava um pouco mais sóbria e, enquanto Felipe fazia um curativo em seu pé, ela contou que tinha encontrado Marília.

            - Mana, isso aqui era pra levar ponto. Vamos para o pronto-socorro.

            - Lipe, eu não tenho vontade de nada. Faz um curativo aí que dar certo.

            - Marília te viu?

            - Viu, cara. Foi super fria comigo. Parecia que a gente não tinha vivido nada, sabe?

            - Cara, você queria o que? Que ela largasse a filha e a mulher grávida e corresse pros teus braços?

            - Ela podia trazer as filhas que eu criava. – Falou ensaiando um sorriso de canto.

            - Me poupe, Isis. Você só está assim porque não suporta a ideia que ela seguiu sem você. Se ela te aceitasse de volta, você sacanearia com a menina na primeira oportunidade que um rabo de saia desse mole pra você.

            - Também não é assim. Eu mudei, me arrependi do modo que eu agi quando a gente perdeu a bebê. Sei que fui fraca, covarde e muito escrota com ela. Mas eu a amo, ela é a única que eu amei na vida.

            - Mana, você perdeu sua chance. Se conforme, continue sua vida, cuide de você e, se você a ama desse jeito, deixa a menina seguir a vida dela. Pelo que você diz, ela está feliz, então fique feliz por ela e siga seu caminho.

            - Não sou um ser iluminado a esse ponto. Não consigo aceitar que ela seja feliz com outra pessoa. O lugar dela é comigo.

            - Não é mesmo. O lugar dela é onde ela está feliz e você deixe desse papo que não aceita. Você tem que aceitar e ponto. Por favor, não faz nenhuma besteira. Não atrapalhe a vida da Marília e nem acabe com sua vida.

            - Não posso prometer nada. A vontade que estou é de ir na casa da mãe dela. Ela precisa ouvir o que tenho pra falar.

            - Você não inventa. Se você pirar eu vou ter que contar tudo para nosso pai e, da última vez, ele prometeu que ia te internar.

            A morena voltou a chorar e abraçando o irmão disse que não desistirá de lutar pela mulher que ama.

            Felipe retribuiu o carinho e pediu que ela esfriasse a cabeça e não se drogasse mais. Qualquer decisão por mais estúpida que fosse deveria ser tomada de forma lúcida. E a morena prometeu, mais uma vez, que se manteria limpa e que não agiria de rompante

            Os irmãos pediram comida e enquanto Felipe limpava a bagunça do apartamento, Isis sentou no chão da varanda e chorou olhando as fotos do tempo em que viveu com Marília. Ela havia guardado muitas fotos da baixinha grávida e rever os momentos mais felizes de sua vida lhe apertava o peito. Nesse momento, Isis se prometeu que ia tentar retomar a felicidade que não soube aproveitar e valorizar na época.

            - Mana, para de se torturar! Isso não é saudável. Anda, vamos comer porque sei que você só bebeu o dia todo.

            - Lipe, estou sentindo uma dor rasgando aqui. – Falou apontando para o próprio peito.

            - E essa dor só apareceu agora quando você viu a Marília bem? Ou você sentia quando pegava todo mundo na farra?

            - Cara, eu amo aquela mulher. Sei que errei, mas não posso ser penalizada eternamente. Eu vou lutar por ela, não vou desistir sem tentar.

            - Você que sabe, mas tenha cuidado para não se machucar, nem machucar a menina e lembra que a mulher dela está grávida. Vê se não faz nenhuma besteira, tá?

            - Tá. Vou pensar na melhor maneira de conseguir conversar com ela. Juro que não vou fazer nada que possa prejudicar ninguém.



[1] Proibida pra mim. Charlie Brown Jr.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

2
Foto de Lea

Lea

01/05/2022 às 11:44

Quanto mais eu leio,mas odeio a Isis e fico indignada como a Marília foi capaz. Que ódio.

S

Socorro

20/12/2021 às 12:04

Autora, volta aqui

aff

nao apronta viu 

manda a Ísis plantar batatas e ir pra pqp

Uma conversa adulta até pode ter agora atrapalhar nao 

olha lá o que vc vai fazer ..

Marília e a esposa não merecem isso .. 



Resposta do autor:

Aiii, não prometo nada....

Bjao

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