XVII. Bonança
XVII. Bonança
- Anjo, vou buscar a minha mochila no carro.
- Você vai passar a noite aqui comigo?
- Sim!
- Suas costas vão ficar doendo por causa deste sofá.
- Faço alongamento depois.
- Compra um chocolate quente?
- Claro, já volto.
E em poucos minutos já estavam juntas novamente.
- Estou com dor de cabeça, umas fisgadas fortes.
- Vou ministrar o medicamento que o médico prescreveu (explicou a enfermeira).
- Deve ser devido ao stress que passei hoje na hora do depoimento e mais uma vez obrigada.
Depois de ter sido medicada se acomodou com intuito de dormir.
- Linda, boa noite!
- Amor, tenho tido pesadelos, então não se assuste.
- Durma tranquilamente, estarei aqui do seu lado.
- Boa noite!
Depois de alguns beijos trocados, a loira também se deitou e demorou para dormir, ficou admirando a companheira. No meio da madrugada acordou assim que ouviu a namorada gem*r, achou que ela estava com dor, mas logo notou que ela estava agitada.
- Ohana, calma, é só um sonho ruim, já passou (falou abraçando a outra que logo voltou a dormir).
Desta vez o enfermeiro do plantão da madrugada, que sabia dos pesadelos da paciente e já tinha lhe acalmado em outra ocasião, não foi chamado, já que a loira estava se tornando expert em tranquilizar a jornalista. Na primeira noite no hospital, a morena teve vários pesadelos, em determinado momento acordou gritando apavorada, felizmente com o passar dos dias vem conseguindo se sentir melhor e mais serena.
- Bom dia!
- Bom dia, conseguiu dormir?
- Sim e você dormiu bem?
- Confesso que dormi bem melhor com a sua companhia.
- Que bom.
- Linda, quero tomar banho antes do doutor passar.
- Te ajudo e tomo na sequência, trouxe uma troca de roupa.
Por volta das dez horas da manhã receberam o especialista, que junto da equipe médica decidiu dar alta para Ohana naquela data.
Dentro do carro ela tremia, estava feliz por sair do hospital, mas, o medo por tudo que sofreu a deixava muito abalada.
- Respira fundo, não se apavore. Vamos para tua casa ou para a minha?
- Podemos ficar na minha hoje e amanhã na sua?
- Claro.
- Amor, nem acredito que o tormento passou, nunca fez tanto sentido o ditado popular "depois da tempestade vem a bonança".
- E vamos curtir muito a calmaria.
- Mulher você tem noção do quanto gosto de ti?
- Sim, porque nosso amor é recíproco. Mais calma?
- Ainda bem, parei de tremer e nem posso culpar o frio, já que essa cidade é tão quente, acho que meu anjo da guarda deve estar cansado de tanto trabalho, coitado, que missão árdua, não bastasse o acidente no passado, ser sequestrada por um psicopata, coisas que só acontecem comigo e em novelas.
- Fico feliz que você está recuperando seu bom humor.
- Estou muito grata por estar viva, sem sequelas e em breve estarei cem por cento.
- É isso aí, gosto de te ver assim.
- O quê vamos almoçar de bom?
- Podemos pedir o que você quiser.
- Quero panquecas.
- E qual sobremesa?
- Brigadeiros.
- Fechado.
- E muitos beijinhos seus.
- Deixa comigo.
Após o almoço elas tiraram uma soneca, estavam saudosas e loucas para dormir juntinhas na mesma cama, depois de tudo que passaram não queriam mais se desgrudar. Ohana acordou e não queria sair dos braços da namorada, mas, precisava usar o banheiro. Em seguida ligou para terapeuta e conseguiu um horário para sexta-feira, deixou pré-agendado, queria confirmar com a Aisha.
- Senti sua falta na cama (falou sentando no sofá).
- A psicóloga pode me atender na sexta a tardezinha.
- Você já quer viajar nesta semana? Pensei que você fosse aguardar até tirar os pontos.
A jornalista ficou pensativa e abaixou a cabeça.
- Quer ficar sozinha?
- Não!
- Quer conversar?
- Vou me sentir melhor voltando para minha cidade, preciso deste tempo daqui, vai ser bom para a minha cabeça, entende?
- Você está com medo de ficar em Bauru (constatou).
- E se o infeliz escapa, sei lá acaba fugindo, nos procura e mata nós duas (revelou seu medo começando a andar de um lado para o outro).
- Isso não vai acontecer, mas, compreendo que gera insegurança e que foi traumatizante para você. Mas e a gente?
- Quando você precisar voltar já estarei melhor, não quero que tudo isso atrapalhe o nosso relacionamento (afirmou voltando a se sentar no sofá).
- Não vai atrapalhar, vou precisar comparecer no departamento, assinar toda a papelada e deixar tudo acertado. Vou amanhã cedo.
- Então vou confirmar a consulta e tem insulina na geladeira.
- Já vou aplicar. Quer fazer a viagem quando?
- Pode ser na quinta, no horário que você preferir para dirigir.
- Pela manhã depois que tomarmos café a gente pega a estrada, levei o carro para revisão no início do mês passado, então não temos que nos preocupar com isso.
- Vida, obrigada mesmo por se disponibilizar para me levar e principalmente por ficar ao meu lado.
- Eu te amo!
- Amo mais.
Naquela noite jantaram pizza e assistiram filme, um dos gêneros favoritos da loira, ação.
- Bela, amanhã podemos assistir um filme de comédia romântica?
- Sim, hoje escolhi, amanhã é a tua vez.
- Gostei muito deste, mandou bem na escolha.
- Ainda bem, já tem um tempo que queria assistir, é chato quando estamos apostando no filme e temos uma decepção. Sono?
- Um pouco.
- Tomou seu remédio?
- Ainda não, vou tomar. Que delícia dormir na minha cama e agarradinha em você.
- Tudo de bom.
E elas conseguiram descansar, depois de muita tensão e noites mal dormidas.
- Bom dia! Dormiu bem?
- Bom dia! Sim, bem mais tranquila.
- Você resmungou somente uma vez de madrugada, não se debateu e nem se agitou muito.
- Nem lembro de ter tido pesadelo, nada como um dia após o outro.
- Vou me trocar e comprar pão. Quer algo?
- Suco natural de laranja.
Elas tomaram o café da manhã juntas e arrumaram a mala da jornalista.
- A tarde a gente arruma a minha, agora vou dar um pulo no trabalho, qualquer coisa me liga e não faça nenhum esforço por conta da sua mão.
- Vou ficar quietinha, deitada ouvindo música e te aguardando, não demora (disse manhosa, ganhou um abraço e um beijo molhado).
Aisha já tinha comunicado que assim que terminasse esse caso tiraria férias, claro que queria que fosse num outro cenário, para viajar, descansar e curtir a namorada, mas, devido as atuais circunstâncias optou até por tirar mais que trinta dias, com intuito de dar todo o apoio necessário para Ohana.
- Se surgir algo urgente não poderemos contar contigo, já que não vai estar por Bauru e nem mesmo na sua cidade natal, se ao menos você fosse ficar por Botucatu ou região, seria mais fácil. Você precisa mesmo de quarenta e cinco dias? Não pode ser um mês ou vender parte das férias?
- Em outro momento conseguiria, como já fiz tantas vezes, mas desta vez preciso mesmo (explicou para o seu superior imediato).
- Ao menos tentei, vamos sentir sua falta, já sei que vou ter dor de cabeça e ficar sobrecarregado, mas, faz parte. Compreendo seu lado, foi um dos casos mais complicados e parabéns por todo o seu profissionalismo, no seu lugar, passando por tudo que passou, não teria nem metade da tua postura, aprendo muito trabalhando contigo inspetora.
- Obrigada, estou liberada?
- Sim, boas férias e melhoras para a sua namorada.
Ela agradeceu um pouco sem graça, pois, raramente falava da sua vida pessoal no trabalho, mas, devido ao rapto todos do seu departamento acabaram sabendo sobre o seu relacionamento, mesmo ela tentando ser discreta. Pegou o que precisava em sua sala e não se demorou. Assim que entrou no carro mandou mensagem avisando que já estava voltando.
- Que rápida (falou e deu lhe um beijo gostoso).
- Vamos para a minha casa?
- Sim, já fechei tudo e não estou com a sensação de estar esquecendo nada importante.
- Ótimo. Eu carrego essa mala e a mochila.
- Posso ajudar.
- Não precisa.
Assim que entraram no carro, o celular da loira tocou, eram seus pais, queriam saber como ela estava e aproveitou para contar sobre a viagem para São Paulo.
- Eles vão gostar de te conhecer.
- Tomara.
- Certeza e temos que marcar algo.
- Quando retornarmos a gente combina.
- Amor e você vai deixar para contar para a sua família pessoalmente?
- Para a minha mãe sim, já para o meu pai e madrasta prefiro nem falar nada, não temos uma boa relação e é melhor nem ter muito contato, não temos muito diálogo sabe, é só dor de cabeça.
- Que chato.
- Vou te contar um resumo, a mulher do meu pai detesta a minha mãe, antes dos meus pais se separarem, eles tiveram vários términos e muitas tentativas frustradas de continuarem juntos, quando ele já estava conhecendo a minha atual madrasta, ele e a minha mãe tiveram um último ‘remember', quando essa mulher soube, foi um rebuliço, ameaça, constrangimentos, uma vergonha e segundo meu pai, eles ainda nem tinham nada sério, mas, virou um inferno e acabou até prejudicando a minha relação com ele.
- Nossa que rolo hein.
- Coloca rolo nisso. Já escolhi o filme para assistirmos, depois que montarmos a sua mala.
- Vamos tomar uma ducha, lanchar e faço pipoca doce para você comer enquanto assistimos.
- É muito fofa!
- Ainda bem que você não me expulsou da tua vida.
- Jamais, sou muito apaixonada por você. Foi tranquilo no seu trabalho?
- Tudo em ordem, sou toda tua.
- Que sorte a minha.
Elas tomaram banho, Aisha preparou sanduíche natural e assistiram todo o filme em clima de romance, desfrutando da companhia uma da outra em total harmonia.
Fim do capítulo
Feliz final de semana! Beijos e abraços, May.
Comentar este capítulo:
Vanderly
Em: 25/07/2021
Olá May!
Amei o capítulo!
Tomara que a bonança continue, mas assim como a Ohana eu estou com o pé atrás. Acredito que esse psicopata ainda vai fugir para tentar se vingar das duas.
Um ótimo final de semana para ti e volta logo com um novo capítulo.
Beijos no coração.
Vanderly
Resposta do autor:
Olá! Vanderly, fico agradecida em receber seus comentários lindos e feliz por você ter amado. Já percebi que você compreende bem o medo da Ohana, foi tenso né ainda não consigo garantir a data da postagem, estou desenvolvendo o próximo capítulo, mas, espero voltar logo sim. Outro beijo no <3 feliz semana!
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