Capitulo 29
Pietra
Alguns dias depois
Tudo tinha acontecido muito rápido, estou na sala de espera do hospital particular com papai ao meu lado, mamãe tinha passado mal, tivemos que chamar uma ambulância para leva-la para o hospital, papai a encontrou inconsciente no quarto, a equipe que fez o socorro disse que seus batimentos cardíacos estavam muito fracos. As lágrimas estavam escorrendo por meus olhos de forma abundante, papai estava abraçado comigo, dizendo que tudo ficaria bem, eu só pensava no pior, mesmo tentando ser positiva, a sensação de que algo estava fodidamente errado, não saia do meu peito.
De repente a porta da sala foi aberta, por ela passou uma médica, e outras duas pessoas, no crachá de uma delas tinha seu nome e “assistente social” logo abaixo, no crachá da outra tinha o nome e o “psicóloga” logo em seguida, meu pai levantou e mesmo com minhas pernas muito trémulas, me obriguei a fazer o mesmo, a médica respirou fundo, mas papai falou antes dela.
- Como está minha esposa, doutora?
- Olavo, posso chama-lo assim, certo? vamos sentar, sim? – A médica que tinha o nome de Vitória escrito no jaleco disse. Papai segurou minha mão e insistiu.
- Apenas nos fale como está minha esposa, doutora. – A vi respirar fundo novamente, meu coração estava muito acelerado, ele batia cada vez mais rápido, e a demora dela em responder, estava o deixando cada vez pior. Ela me olhou rapidamente, voltou a encarar papai e disse.
- Infelizmente nós a perdemos. – Um grito muito forte saiu por meus lábios sem que eu me desse conta.
- NÃO! NÃO! VOCÊ ESTÁ MENTINDO! – Senti minhas pernas falharem, eu cai de joelhos, e um choro convulsivo tomou meu corpo, papai se ajoelhou ao meu lado, mas eu não ouvia mais nada do que era dito, eu só conseguia chorar e gritar que não.
Senti papai tentar chamar minha atenção para ele.
- Filha, preciso que você olhe para mim. – Ele falou isso e tentou prender meus olhos com os dele, que assim como os meus, estavam banhados por lágrimas.
- NÃO PAPAI, ELA NÃO FEZ ISSO COM A GENTE, ELA NÃO FEZ ISSO, EU PRECISO VÊ-LA! – Ao falar isso, tentei levantar, e consegui, a médica entrou na frente e disse.
- Infelizmente você não poderá fazê-lo agora, e eu preciso que se acalme.
- EU NÃO VOU ME ACALMAR, QUERO VER A MINHA MÃE, E VOCÊ NÃO VAI ME IMPEDIR.
- Filha, por favor.
- NÃO PAPAI! NÃO! – Senti meus joelhos enfraquecerem novamente, eu ia cair, mas a médica foi mais rápida, me segurou, e me colocou sentada na poltrona, ela então falou.
- Vou aplicar um calmante em você, pois se continuar exaltada desse jeito, vai passar mal.
- EU NÃO QUERO CALMENTE, QUERO VER A MINHA MÃE. – Eu não conseguia falar baixo, eu estava gritando, só gritava e chorava, sentia uma dor tão forte no peito que minha vontade era de enfiar a mão ali e arrancar meu coração. A dor aumentava ainda mais, quando eu pensava que nunca mais a veria sorrindo, não sentiria seus braços ao redor do meu corpo, seu cheiro que me acalmava, sua voz doce me chamando de filha. A dor estava insuportável, eu estava me sentindo sufocada.
Doutora Vitória viu que eu estava sem conseguir respirar direito, então me olhou dizendo.
- Respire fundo, sei que o momento é muito difícil, mas se não quiser ser medicada, terá que se acalmar, como médica, sei que seu estado de nervos poderá resultar em algo sério, então respire fundo, e tente se acalmar. - Papai vendo o meu estado falou.
- Filha, aceite o calmante.
- Eu não quero, o que eu quero e preciso é ver a minha mãe. – Minha voz que estava completamente alterada, perdeu a potência, minhas palavras saíram como um sussurro. Nesse momento a assistente social finalmente falou.
- Vamos fazer assim. – Levantei meus olhos e a olhei. – Você aceita ser medicada, e aí sim, a doutora Vitória, a doutora Vanessa e eu liberaremos para que você veja sua mãe por cinco minutos. – Suas palavras deveriam ter me acalmado, mas meu choro que já não era calmo, tomou uma proporção ainda pior, meu pai me abraçou forte, ainda dentro do seu abraço, controlei o choro por uns segundos e respondi.
- Ok. – Assim que disse isso, a dra. Vitória saiu da sala, então a psicóloga que estava calada até o momento, falou diretamente comigo.
- Assim que a medicação fizer efeito, eu os acompanharei até o local, mas realmente será por apenas cinco minutos. – Papai balançou a cabeça confirmando e Vitória voltou para a sala acompanhada por um rapaz que me olhava com cara de pena, pediu para papai se afastar, mediu minha pressão, disse que estava alta, o que fez que eu tomasse dois medicamentos.
Um tempo depois estávamos andando por alguns corredores do hospital, meu choro ainda era constante, porém não tão barulhento como estava no início, a dor continuava a apertar meu peito, mas eu já não tinha forças para gritar, finalmente Vanessa parou em frente uma sala, e falou.
- Esperem um minuto aqui, por favor- Ela bateu na porta e entrou logo em seguida, segundos depois ela voltou acompanhada por um senhor. – Podem entrar.
Eles ficaram ao lado da porta nos dando passagem, eu respirei fundo e entrei, papai me seguiu. Entrei na sala de cabeça baixa, quando a levantei, vi o corpo de mamãe em cima de uma mesa, coberto por um lençol branco, apenas seu rosto estava a mostra, com passos incertos caminhamos até ela, eu não conseguia respirar, toquei sua pele que estava estranhamente gelado, mesmo assim eu falei.
- Mamãe, acorda, não nos deixe, por favor, por favor! – Minhas palavras estavam entrecortadas, e o tom estava muito baixo, pois o bolo que se instalou em minha garganta impedia-me de falar normalmente. – Eu te amo tanto, não vou suportar viver em um mundo em que você não esteja presente! Por favor mamãe, não me deixa. – Papai chorava e beijava a testa dela. Até que ele falou.
- Deus, que dor horrível, minha mulher era uma pessoa tão boa, não merecia isso! Ela não merecia! Nós não merecíamos isso! – Suas palavras eram sussurradas, mas mesmo dentro do meu desespero, consegui entender.
- Por favor Deus! Por favor! Por favor! Nos devolva ela! – Deitei meu rosto no peito da minha mãe, por cima do lençol, minhas lágrimas molhava o tecido. Escutei um barulho nas minhas costas, era a dra. Vanessa.
- Infelizmente, vocês têm que sair agora. – Papai foi quem a respondeu.
- Já sairemos doutora. – Ele deu a volta na mesa, beijou a testa da mamãe uma última vez, e depois segurou em meus ombros falando. – Precisamos ir, filha, se despeça dela. - Beijei seu rosto, fiz um carinho, e com o coração sangrando de tanta dor, me afastei. Ele me abraçou pelos ombros, e assim saímos da sala, porém, quando a porta foi fechada em minhas costas, eu não aguentei, apaguei!
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Lea
Em: 23/07/2021
Nossa que capítulo,meu coração ficou apertado!! O câncer é cruel,quando se espalha quase sempre é fatal! Antonele estava sentindo que não iria sobreviver,mesmo que fizesse a cirurgia!! A Pietra vai precisa de muito carinho e compreensão, pois ela vai querer se fechar e aí que mora o perigo. Ela poderá tentar contra a própria vida! Esses próximos capítulos serão tensos, só acho!!
Resposta do autor:
Meu coração também ficou apertado...
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Marta Andrade dos Santos
Em: 23/07/2021
Triste!
Resposta do autor:
Eu também fiquei triste...
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SorayaFla7
Em: 23/07/2021
Não estava preparada pra isso????
Resposta do autor:
Talvez você supreenda-se...
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