Capitulo 23
Fui o caminho sem conseguir esquecer o olhar da Marina, se ela ao menos desse algum sinal...Mas vamos esquecer, hora de botar um sorriso no rosto, daqui a pouco chego em Goiânia e reencontro minha família, estou morrendo de saudades de todos.
Antes de chegar em casa, parei em frente ao prédio da Lara, liguei e ela pediu que eu subisse, olhei para o relógio e ainda era cedo, dava tempo de dar um beijo em minha amiga.
- Dudinha que surpresa boa, como você tá? Feliz natal!
- Ai Lara minha cabeça tá uma confusão só! Feliz natal amiga.
- O que houve? Quer conversar. Senta aí.
Lara apontou o sofá e foi buscar água, não queria trazer problemas à ela, mas precisava falar com alguém.
- Antes me diga e você e a Janine?
Lara deu um sorriso sacana, conhecia bem aquela cara de safada.
- Estamos nos conhecendo, como ela mesmo diz estamos nos permitindo.
- E você tá curtindo?
- Demais, ela é fofa, mas sabe ser firme...Ainda é cedo para afirmar alguma coisa, mas acho que tem futuro.
- Fico feliz em saber, e você toda preocupada com o lance de idade, quanta besteira!
- Ah é complicado Duda, ela está no último ano de economia, e falou que adora frequentar as festas da faculdade e eu não tenho mais pique pra isso.
- Deixa de ser boba, mas é claro que tem. E esse lance de ser DJ, é a profissão dela mesmo?
- Por enquanto sim, mas ano que vem ela vai fazer estágio e aí não sabe se vai conseguir conciliar as duas coisas.
- Preciso conhecê-la direito.
- Não seja por isso, ela está aqui.
Fiquei sem graça.
- Ai Lara desculpa, atrapalhei vocês.
- Imagina Duda, estávamos vendo um filme.
Lara foi chamar Janine e eu fiquei pensando se falava ou não da minha conversa com a Marina.
- Janine essa é a Duda, Duda essa é a Janine.
Saí dos meus devaneios, quando Lara voltou com uma morena altíssima, não lembrava que era tão alta assim, Janine foi super simpática, me agradeceu por ter levado Lara até ela e combinamos depois que eu voltasse de viagem, iríamos marcar um jantar.
- Gente preciso ir, só passei pra dar um beijo, daqui a pouco viajo.
- Nem conversamos Duda. Lara me olhou séria.
- Não é nada demais, beijos meninas. Disse levantando e dando um beijo em Janine.
- Te acompanho, vamos.
Lara foi comigo e no elevador perguntou o que tinha acontecido, falei rapidamente da minha conversa com Marina e que me sentia mal por gostar dela.
- Duda você está apaixonada.
Não foi uma pergunta e sim uma afirmação, estávamos na frente do meu carro.
- Mas não posso, ela é casada.
- E essa despedida cheia de palavras não ditas.
- Não sei mesmo. E ainda tem a Helena.
- Arruma esse coração primeiro, antes de pensar em se envolver com a Helena ou a Marina e cuida da cabeça.
- Pode deixar, agora vou mesmo, Cris já me ligou duas vezes.
- Vai levar mesmo a mala extra?
Dei risada, de fato, Cris não era nada agradável.
- Tinha prometido, tenho que levar.
Nos abraçamos, desejamos feliz ano novo e me despedi de Lara com um selinho. Ela bagunçou meu cabelo e mandou que eu tivesse juízo.
Cheguei em casa e Cris estava uma fera, disse que perderíamos o voo, que eu era irresponsável e mais um monte de coisas, que nem dei o trabalho de ouvir. Tomei um banho e vesti uma roupa confortável.
- Vamos, já chamei um táxi.
Estava na porta com a minha mala.
- Cadê minha bagagem?
- Não sei, vamos logo, o táxi já chegou.
- Deixa de ser ruim pega as minhas coisas, minha mão tá machucada.
Respirei fundo e peguei a mala e a frasqueira da folgada. O trajeto até o aeroporto foi rápido, como já tinha feito o check-in, só despachamos a bagagem e fomos para a sala de embarque.
Cris estava animada, parecia criança.
- Nem acredito que depois de tanto tempo vou viajar.
- Não exagera, você foi para a casa da sua mãe faz pouco tempo.
- Mas é diferente, fui de ônibus...Andar de avião é muito bom.
Sem atrasos chegamos em Goiânia, dessa vez quem me esperava era meu pai, fiquei tão feliz em vê-lo, nos abraçamos por um bom tempo, Cris foi simpática.
Chegamos à casa do meu avô e foi uma festa, estavam meus tios, primos, sobrinhos. Bom demais.
Como ninguém sabia do nosso processo de divórcio, Cris e eu iríamos dividir o mesmo quarto e a mesma cama, para meu desgosto, mas deixaria passar, já está terminando.
O jantar foi servido na grande mesa da varanda, o calor era terrível, mas havia vários ventiladores espalhados para amenizar o desconforto, Cris estava bastante incomodada e mal tocou na comida.
- Não está gostando filha? Perguntou meu avô ao ver o prato remexido.
- Não, estou sem fome mesmo, comi no avião.
Cris mentiu de forma descarada, pois reclamou muito do que foi servido no avião, biscoitos de polvilho e água, ela ainda pediu que eu comprasse um lanche, mas me recusei.
- Então se prepare viu? Amanhã você vai experimentar arroz de pequi.
Cris arregalou os olhos e me olhou em busca de socorro.
- Tenho certeza de que ela vai adorar vô.
Após o jantar, levei Cris até a cozinha e pedi à dona Zefa que preparasse um lanche para ela, deixei-a comendo e fui até a sala conversar com meus pais, aproveitei que todos estavam na varanda e contei sobre o pedido de divórcio, minha mãe foi a que ficou mais feliz, já queria me trocar de quarto, mas pedi que por enquanto não comentasse nada, para não gerar comentários.
- Nem devia ter trazido então!
- Mãe depois que comprei as passagens, é que entrei com o pedido.
- Desse um jeito de não trazer, ela olha tudo com cara de nojo.
Meu pai que até então estava calado, disse:
- Deixe de ser implicante, ela só não está acostumada a essas coisas da roça, quero só ver ela comendo o arroz de pequi, filha explica pra ela que não pode morder, por causa dos espinhos.
- Tá bom pai.
Fomos deitar já tarde da noite, enquanto Cris roncava alto, eu trocava mensagens com Helena, ela estava toda fofa, perguntou como foi a viagem, se estava calor, não gostou nada de saber que dividiria a cama com a Cris, expliquei o motivo, mas Helena foi de uma grosseria que fiquei sem palavras e o diálogo que começou tão bem, terminou com um boa noite seco.
“Dane-se também! Helena prepare-se, você será ignorada por um bom tempo ou até me pedir desculpas.”
Como estava sem sono, fui para sala e fiquei de conversa com meus primos, relembramos várias histórias de Brasília e me surpreendi ao descobrir que todos sabiam do meu rolo com Renata.
- Vocês nem disfarçam, só a tia Lídia não percebe e seus pais também. Dizia Artur às gargalhadas.
- Fala baixo cara! Meu pai tá lá fora com o vô.
- Os dois estão bêbados já.
- Mesmo assim, isso é segredo.
- Que todo mundo sabe. Completou Larissa.
Balancei a cabeça e fui à cozinha pegar uma cerveja, quando estava voltando, meu celular vibrou com uma mensagem, achei que era Helena, mas era Marina perguntando como tinha sido a viagem, se estava tudo bem. Respondi que sim, perguntei como ela estava e a resposta foi uma carinha triste, fiquei preocupada e liguei em seguida.
- O que houve Marina?
- Oi Duda, nada demais, só estou um pouco triste.
- Aconteceu alguma coisa? O César disse algo que te chateou?
- Não...É saudade.
Não entendi nada, saudade de que?
- Saudade?
- Saudade do que não vivi Duda, e sei que não vou viver.
- Não fale assim, você está sensível e às vezes ficamos melancólicas, mas não fica assim tá? Amanhã é um novo dia.
- Tem razão, desculpe por incomodar...
- Não. Você não incomoda, quando precisar é só chamar.
- Pode deixar. Como estão as coisas aí?
- Estou na casa do meu avô, é uma delícia, meus primos estão aqui também, tá uma farra. Amanhã vamos comer arroz de pequi...
- Nunca comi, tenho vontade de experimentar, dizem que é um experiência única.
- Com certeza, um dia trago você aqui só pra você conhecer meu avô e provar o arroz.
- Promete mesmo?
Tão bonitinha Marina empolgada!
- Palavra de honra!
Conversamos mais um pouco, até que precisamos desligar. A conversa com Marina fluía de forma leve e ao contrário de Helena sem cobranças. Terminei minha cerveja e fui dormir.
O dia seguinte começou com um delicioso café da manhã, Cris estava mais sociável para meu alívio, passei a manhã toda na piscina e só saí na hora do almoço, as panelas fumegantes estavam na mesa e o cheiro era convidativo, meu avô pegou Cris pelo braço e conduziu até a mesa.
- Quero que você seja a primeira provar, faça as honras.
Cris ficou apreensiva, colocou uma colher de arroz e meu avô interveio:
- Que isso menina, coloca mais!
Fiquei com pena dela, e resolvi ajudar.
- Vô vamos com calma, ela nunca comeu, deixa ela provar.
Cheguei perto de Cris e disse eu seu ouvido:
- Cuidado com o pequi, tem espinhos, não morde.
Ela me agradeceu e comeu, pela cara detestou, mas disse que estava ótimo, todos aplaudiram e fomos comer, minha mãe me cutucou:
- O que você falou pra ela?
- Pra tomar cuidado com os espinhos.
- Devia ter deixado ela morder.
- Credo mãe! Dei risada, não adianta, minha mãe e Cris não se suportam.
Minha mãe deu de ombros e continuamos a comer, no final da tarde Renata chegou para me buscar, Cris achou que o pedido era estendido a ela, mas minha prima disse que era só para as madrinhas, pois no dia seguinte logo cedo iriam nos maquiar e pentear. Ouvi risadinhas dos meus primos e Renata olhou sem entender nada.
Chegamos à fazenda já de noite, o clima estava abafado, mas o lugar era tão lindo, que nem me importei, logo que entrei estranhei não ter ninguém, perguntei por tia Lídia e minha prima disse que ela só viria no dia seguinte.
- E as madrinhas?
Renata que estava atrás de mim, soprou no meu ouvido:
- A fazenda é só nossa, vem! Quero uma despedida de solteira completa.
- Filha da mãe! Vão desconfiar Renata.
- Vão nada, agora vem.
Fui puxada para o quarto e tivemos uma noite gostosa, Renata usou e abusou do meu corpo e eu aproveitei cada segundo, precisava de um tempo pra mim e esquecer a confusão que estava minha vida.
- E você Duda? O que acontece?
Estávamos deitadas na imensa cama de casal, Renata deitada em meu peito, fazendo carinho em meu braço.
- Nada demais.
- Olha a noite foi ótima, você uma delícia como sempre, mas te senti meio distante em alguns momentos.
- Desculpa, mas estou numa fase difícil.
Renata deitou de lado, apoiando a cabeça em uma das mãos.
- Ainda a Cris?
- Também, mas já está quase resolvido, pedi o divórcio e mês que vamos oficializar.
- Que coisa boa, você devia estar feliz.
- E estou, mas ainda tem muita coisa a ser resolvida.
Renata ficou esperando que eu disse mais alguma coisa, mas preferi não falar, não que não confiasse na minha prima, mas não queria estragar o momento dela. Diante da minha mudez, ela pulou no meu colo e agarrando meu pescoço disse:
- Vamos esquecer os problemas e curtir o momento.
Foi o que fizemos, nos entregamos mais algumas vezes até cairmos num sono profundo, só acordamos com o barulho do carro da tia Lídia, Renata correu para o quarto de hóspedes e eu fui para o banheiro tomar um banho e tirar o cheiro de sex*.
O casamento foi realizado logo após o almoço e foi uma cerimônia muito bonita, Renata entrou de braços dados com meu pai e estava linda, o sorriso permanente em seu rosto, Conrado quando a viu abriu a boca, aliás o noivo de Renata era uma figura, usava terno branco e botas e para completar um chapéu de cowboy. A cerimônia foi bem comovente, talvez um pouco demorada, pois o noivo resolveu discursar por um bom tempo e ao final estavam todos cansados e com calor.
A festa rolou até tarde, quando os noivos se despediram, ficamos mais um tempo aproveitando, Cris estava animada, bebeu além da conta e tentou me beijar, mas não dei bola.
Passamos o resto da semana e o ano novo em Brasília na casa dos meus pais. Nesse meio tempo Helena sumiu, também não fui atrás.
Meia noite chegaram algumas mensagens no meu celular, a primeira era da Silvinha, a segunda eram de Flavinha e Bia e a terceira era a foto de uma taça de champanhe, com a legenda: Feliz ano novo Duda! Era mensagem da Marina, senti falta de algumas palavras, mas respondi com um feliz ano novo.
No céu os fogos pipocavam e coloriam, num lindo espetáculo, meus pais abraçados na varanda sorriam e Cris sentada na cadeira tirava fotos, ergui minha taça e disse baixinho:
- Feliz novo ano Maria Eduarda!
Fim do capítulo
Olá meninas,
Duda está merecendo um refresco né? Podexá!
Beijos e até sexta!
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Gabriella Herculano
Em: 12/04/2021
Eitcha Duda terrível kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk adorei, ri demais com essa história.
Estou na torcida por Marina, puxa, a fila andou e Lara ficou com uma DJ, que dó kkkkkk
Time DuLar segue chorando kkkkkkkkk
bjs
Resposta do autor:
Oi Gaby,
Lara cansou de esperar a Duda terrível e fez a fila andar.
Será que Marina vai aproveitar?
Beijos
fernandail79
Em: 12/04/2021
Oi, autora!
Nem acredito que a Duda transou! Aleluia!
A Marina parece apaixonada. Pena que não tem coragem de largar aquele idiota pra viver o que ela sente.
Lara parece mesmo que está em outra. Não faço ideia com quem Duda vai ficar.
Adorei o capítulo!
P.S.: Duda é passiva na cama? Kkkkkkkkkkk!!!
Resposta do autor:
.
Que mané passiva rapá kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Sou Duda, a terrível, me classifico como relativa, mas, se quiserem aproveitar do meu corpitcho eu não posso negar esse prazer as moças.
bjs, Duda :)
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brinamiranda
Em: 12/04/2021
Ahhhh, que o próximo ano seja mais suave ne amiga?, que bom que vem esse refresco para a Duda, ela está merecendo,
Tadinha da Marina, mas, vai chegar os dias de glória rsrsrsrs porque os de luta estão incontáveis...
bjim
Resposta do autor:
Oi Sá!
Dudinha merece demais!!
Beijos
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