Capitulo 21
O sábado amanheceu lindo, muito sol e temperatura amena, aproveitei que Cris roncava e arrumei minha mala, viajaríamos no dia seguinte no início da noite, separei com cuidado meu vestido para o casamento de Renatinha, pois aceitei ser a madrinha, o casamento seria na fazenda na terça dia vinte e sete e minha prima pediu para ficar com ela, pois segundo a própria, precisava de uma despedida de solteira, ri com esse pensamento, Renatinha não tinha jeito mesmo.
Arrumei a casa, levei o lixo, joguei algumas coisas fora que estavam para vencer na geladeira. Perto das onze Cris acordou e já reclamou do barulho que eu estava fazendo, não dei atenção e continuei a limpeza da geladeira.
- Vi que tem uma mala pronta na sala, que horas vai fazer a minha?
Não acreditei em tamanha cara de pau, já não bastasse eu ter comprado o vestido para o casamento, roupa para a ceia de natal, ela ainda queria que eu organizasse as malas dela... Vai ficar querendo.
- Maria Eduarda está surda?
- O que foi Cris? Estou ocupada aqui, mas não vou fazer mala de ninguém, não sei o que você quer levar, então vai lá e faz.
- Que ruindade, estou com a mão machucada.
- Ainda. Engraçado que para comer a mão não dói né? Ontem você fez pão e amassou numa boa a massa.
- Atrevida! Não sei o que levar, aquele lugar é quente demais, tem ar condicionado pelo menos?
Parei o que estava fazendo, já tinha me arrependido em levá-la para esse casamento.
- Sim lá é quente, estamos no verão e na fazenda tem ar condicionado sim, mas vamos ficar na casa do meu avô na cidade e lá não tem.
- Pelo visto vou morrer de calor!
- É só não ir. – Rebati de pronto.
- Isso é o que você quer, mas só de raiva eu vou!
Não respondi, terminei de organizar a geladeira e comecei a preparar uma salada e um tender para levar na casa da Silvinha, estava distraída, cortando as verduras quando escutei Cris gritando:
- Cadê meus cigarros?
Respondi no mesmo tom:
- Você não vai precisar deles, Silvinha não pode com cheiro de cigarro e minha família também.
- Jogou fora Duda? Você vai pagar cada maço viu?
- Te dou uma fábrica inteira depois que voltar, agora me deixe em paz.
Ô mulher chata!. A cada dia que passa fica pior, só reclama de tudo, reclama do que faço, do que não faço e apesar da última conversa, continua sem fazer nada em casa. A parte boa, é que a audiência para a assinatura do divórcio foi marcada para vinte de janeiro. A Rose entrou com o processo para Cris se aposentar e pelos cálculos em fevereiro ela começa a receber, não vejo a hora.
Conversei novamente com Camila e falei da minha decisão, a filha se esquivou o quanto pôde, mas acabou concordando em ajudar a mãe, pediu apenas que fosse após o carnaval.
Passei o resto da manhã na cozinha e após o almoço Helena me ligou, conversamos por mais de uma hora, ela disse que estava com saudades.
“Saudades de que? Conversamos há dois dias!”
- Não me ligou ontem Má, fiquei esperando.
- Helena desculpe, mas avisei que tinha compromisso, esqueceu é? Perguntei brincando.
- Você esquece de mim às vezes, por causa da amigas, isso é muito chato.
Lá vamos nós de novo, Helena e sua mania de implicar com minhas amigas.
- Precisava ajudar a Lara, e você disse que por causa da medicação da coluna, está dormindo cedo, por isso não te liguei.
- Tá bom, mas fiquei com ciúmes ué, não posso?
- Não tem motivos, Lara é uma grande amiga, me ajudou muito e ainda me ajuda.
- Tudo bem, não vamos falar dela. Vai para a casa da Silvia mesmo?
- Vamos sim, a Silvinha pediu para levar a Cris apesar de tudo.
- É noite de natal Má, deixe esse coração mais leve.
- Vou tentar. Mas e você vai passar aí com sua família?
- Sim meus pais chegaram hoje cedo, meu irmão está na estrada ainda, acredita?
- Ih deixou para a última hora, vai chegar na hora da ceia.
Demos risadas, conversamos mais um pouco, até que ouvi chamarem Helena.
- Linda preciso ir, Feliz Natal!. Uma noite iluminada pra você, dá um abraço nas amigas e principalmente na Silvia.
Fiquei toda emocionada, a vozinha toda melosa de Helena, me chamando de linda...
- Má? Tá aí?
- Desculpe Helena, estou sim...Feliz natal pra você também, tudo de bom e que você ganhe muitos presentes.
Helena deu risada e disse:
- Ganhar não sei, mas o seu presente tá aqui, deixei debaixo da minha árvore, quando voltar à São Paulo, te entrego pessoalmente.
Nossa assim você me mata Helena! Até presente vou ganhar e nem comprei nada pra ela. Nota mental, comprar um presente para Helena.
- Não precisava, mas vou adorar.
Ficamos mais um tempinho conversando, até que alguém a chamou de novo e desligamos.
Perto das nove, fomos até a casa da Silvinha, no caminho pegamos Flavinha e Bia, que estavam temporariamente sem carro. O clima era tenso, Cris no banco da frente nem olhou para minhas amigas, enquanto Bia e Flavinha tentaram puxar assunto, mas sem muito resultado, Cris olhou de cara feia para Bia e voltou sua atenção para o trânsito.
- Põe uma música aí Duda. Pediu Flavinha.
Liguei o som e continuei dirigindo em silêncio, Flavinha cantava baixinho acompanhada de Bia e Cris revirava os olhos.
- Tudo bem aí Cris? Provocou Flavinha.
- Tudo ótimo, por que?
- Você parece desconfortável, o banco é duro?
- Para amor! Por favor.
Conhecendo Flavinha, ela ia infernizar Cris o tanto que pudesse, pelo fato de terem sido ignoradas e pela forma como Cris olhou para Bia.
Percebi que o clima logo ia esquentar, tentei puxar assunto.
- Quando vocês viajam pra Floripa mesmo?
- Na terça e retornamos no domingo, vai ser bom, estou com saudades dos meus pais.
- Vou pedir oficialmente a mão da Bia em casamento. – Flavinha estava toda orgulhosa.
- Que legal, tá virando gente grande Flavia! Debochei da minha amiga.
Cris resmungou algo que não entendemos e dei de ombros.
- Vai ser só o pedido ou já tem a data? Seu Caetano não vai se contentar com tão pouco.
- Iremos casar em junho, quero você e a Silvinha de madrinhas.
- Vai ser aqui mesmo ou em Floripa?
- A ideia é fazer uma cerimônia simples aqui, casamento no civil e um almoço para os amigos mais chegados e em junho fazer uma festa mesmo, com toda a família em Joinville, onde vivem meus avós, meu avô Lothar, pai da minha mãe, disse que ele quer celebrar o casamento.
- Vai ser lindo Bia, duas festas!! Só me avisem com antecedência, por causa do trabalho.
Cris ouvia a conversa atentamente e se intrometeu:
- Besteira casar, pra que? Depois cai numa rotina e aí é ladeira abaixo.
- Dá um tempo Cris! Pedi irritada.
- Ora Duda, nós somos o exemplo vivo de casamento fracassado.
- Acho que depende muito das partes não é? Veja eu e a Flá, a gente sempre se deu muito bem, nos respeitamos, e acima de tudo nos amamos, tudo é decido em conjunto, ela torce por mim e eu por ela, não existe competição para saber quem é a melhor...Desculpe Cris, mas, você não é a pessoa mais indicada para dar conselhos amorosos.
Cris engoliu em seco, fiquei preocupada achando que ela fosse revidar, mas ela se calou. Finalmente chegamos e fomos recebidas por Silvinha, que estava linda num vestido vermelho, minha amiga estava radiante, a casa cheia como ela gostava, além de nós, havia a família dela e do Rick, que sempre nos acolheu muito bem.
À meia noite, fomos cear, todos se espalharam pela casa com seu prato de comida, sentei ao lado de dona Amália, mãe da Silvinha e ficamos conversando, de canto de olhos, observava Cris meio deslocada, olhando de cara feia para as crianças que já tinham comido e corriam de um lado para outro, querendo abrir os presentes.
Perto da uma da manhã, todos se reuniram na sala para entrega dos presentes, Silvinha foi a primeira, pegou uma caixa vermelha com um laço dourado.
- Prometo que não vou me alongar, esse presente vai para uma pessoa, que infelizmente não tive o prazer de usufruir de uma amizade, mas sempre respeitei muito...Cris é pra você!
Cris ficou surpresa e emocionada, eu também fiquei sem palavras, Silvinha como sempre perfeita.
O resto da noite passou de forma tranquila, Cris estava emotiva, tentou me beijar algumas vezes, mas recusei. Brinquei com os meninos, Ricardinho cansou e dormiu no meu colo, enquanto Bruno mostrava os carrinhos que havia ganhado da avó.
Voltamos para casa, Bia ia dormindo no colo de Flavinha, Cris estava quieta e Flavinha e eu conversávamos sobre a noite, de como Silvinha estava bem, das crianças.
- Ricardinho gosta muito de você.
- Ele é um fofo, se eu tivesse um filho, gostaria que fosse como ele.
- Ainda dá tempo Duda, você é nova.
- Você não cansa não Flávia?
- O que foi dessa vez Cris?
- Você é inconveniente, chata, abusada...
Resolvi intervir, antes que piorasse mais.
- Ei dá pra parar? Respeite minha amiga, não fale assim com ela!
- Falo do jeito que quiser, não suporto essa medicazinha de bichos.
- Olha como você fala comigo.
- Vai fazer o que? Vai me bater?
- Gente para com isso, por favor!
- Você bem que merecia uns tapas, mas se eu bater em você serei enquadrada no estatuto do idoso.
Sei que não era o momento, mas caí na gargalhada, Flavinha ria também. Cris estava muito brava, e Bia dormia pesado, felizmente não demorou para chegar na casa das duas, ajudei Bia a sair do carro.
- Essa sua amiga sempre foi uma ridícula.
Tinha acabado de dar partida no carro e andado alguns metros, na hora que ouvi aquilo, dei uma freada brusca, que assustou Cris.
- Ficou doida?
- Ainda não, mas da próxima vez que você destratar ou falar mal de alguma amiga minha, você vai ver o que é enlouquecer.
Cris arregalou os olhos assustada e não falou mais nada, chegamos em casa, fui para o banho e quando saí encontrei ela roncando na cama. Balancei a cabeça e fui para sala, passei a noite com o celular na bolsa e não olhei nada, quando vi tinha várias mensagens dos meus pais, alguns amigos, duas ligações perdidas, uma de Laís e uma de Marina, pensei em ligar, mas era muito tarde, optei por mandar uma mensagem para as duas, desejando feliz natal e me desculpando por não ter atendido.
Não demorou e Marina respondeu:
“Feliz natal Duda!. Espero que sua noite tenha sido linda! Minha mãe e eu gostaríamos que você almoçasse conosco amanhã na ONG, sei que está em cima da hora, mas seria muito bom se você viesse!.
Fique à vontade para trazer sua esposa.
Beijos”
Agradeci o convite e disse que faria de tudo para ir.
Não demorou e Marina ligou:
- Oi Duda! Feliz natal...Se puder venha, queria muito conversar com você.
- Aconteceu alguma coisa Marina? Perguntei preocupada.
- Nada demais.
- Tá bom, vou sim.
- Obaaaa...Te aguardo , chega um pouco antes para gente conversar.
- Tudo bem.
Marina desligou e fui dormir curiosa com a tal conversa que ela queria ter.
Fim do capítulo
A Cris é um porreee não acham?
Beijos
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Gabriella Herculano
Em: 08/04/2021
Amiga,
Silvinha era assim mesmo, um amor, ela deixou um vazio grande, eu quando vou a escola nem olho para a sala dela, sabia?, parece que ela está lá.
Estou simpatizando com essa ruiva, precisa de um empurrão pra ir.
Adorei esse capítulo.
beijos
Resposta do autor:
Oi Gaby,
Não conheci a Silvinha, mas imagino que ela era realmente muito especial.
Essa ruiva tá meio empacada viu? Precisa mesm de um empurrão... Kkkkkkk
Beijos
brinamiranda
Em: 07/04/2021
Cris é uma bomba ambulante rsrsrs muito desagradável, ainda viajou na maionese ao tentar um "remember this" totalmente sem cabimento.
Marina está naquela fase, quer, mas, cheia de dúvidas, tadinha. E Silvinha é uma santa mesmo, só ela para ter a sensibilidade para ainda dar um presentinho para a mala da Cris. rsrsrsrs
beijos amiga, adoreeeeeeeeeeeei :)
Resposta do autor:
Cris é um porreeeee! Ela ainda acha que vive num relacionamento, iludida demais.
Marina é cheia de dúvidas , tadinha mesmo.
Beijos
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fernandail79
Em: 07/04/2021
Oi, Gabi,
A Cris é o pacote completo: alcoólatra, preguiçosa, fumante e roncadora. E que diabo foi aquilo de ela tentar beijar a Duda? Nada a ver mais.
Só me lembrei de quando eu encontrava maços de cigarro do meu irmão dentro do carro da mamãe. Jogava tudo no lixo. :)
A Marina parece que está a fim da Duda. Será que o idiota do César vai levar uma galhada?
A Silvinha simpatiza com a Cris. É uma santa mesmo.
Parabéns pelo capítulo! :***
Resposta do autor:
Oi Fernanda!
Roncadora? Kkkkkkkk.... Adorei! Cris ainda acha que vive um relacionamento com a Duda... Iludida demais!
Marina tá cheia de incertezas, a única coisa certa é que ela sente algo pela Duda, mas e como fica o César?
Ah Silvinha era fofa demais!
Beijos
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