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O amor e suas nuances por Gabi2020 e Duda Fagundes

Ver comentários: 3

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Palavras: 1936
Acessos: 1684   |  Postado em: 07/04/2021

Capitulo 21

 

 

O sábado amanheceu lindo, muito sol e temperatura amena, aproveitei que Cris roncava e arrumei minha mala, viajaríamos no dia seguinte no início da noite, separei com cuidado meu vestido para o casamento de Renatinha, pois aceitei ser a madrinha, o casamento seria na fazenda na terça dia vinte e sete e minha prima pediu para ficar com ela, pois segundo a própria, precisava de uma despedida de solteira, ri com esse pensamento, Renatinha não tinha jeito mesmo.

Arrumei a casa, levei o lixo, joguei algumas coisas fora que estavam para vencer na geladeira. Perto das onze Cris acordou e já reclamou do barulho que eu estava fazendo, não dei atenção e continuei a limpeza da geladeira.

- Vi que tem uma mala pronta na sala, que horas vai fazer a minha?

Não acreditei em tamanha cara de pau, já não bastasse eu ter comprado o vestido para o casamento, roupa para a ceia de natal, ela ainda queria que eu organizasse as malas dela... Vai ficar querendo.

- Maria Eduarda está surda?

- O que foi Cris? Estou ocupada aqui, mas não vou fazer mala de ninguém, não sei o que você quer levar, então vai lá e faz.

- Que ruindade, estou com a mão machucada.

- Ainda. Engraçado que para comer a mão não dói né? Ontem você fez pão e amassou numa boa a massa.

- Atrevida! Não sei o que levar, aquele lugar é quente demais, tem ar condicionado pelo menos?

Parei o que estava fazendo, já tinha me arrependido em levá-la para esse casamento.

- Sim lá é quente, estamos no verão e na fazenda tem ar condicionado sim, mas vamos ficar na casa do meu avô na cidade e lá não tem.

- Pelo visto vou morrer de calor!

- É só não ir. – Rebati de pronto.

- Isso é o que você quer, mas só de raiva eu vou!

Não respondi, terminei de organizar a geladeira e comecei a preparar uma salada e um tender para levar na casa da Silvinha, estava distraída, cortando as verduras quando escutei Cris gritando:

- Cadê meus cigarros?

Respondi no mesmo tom:

- Você não vai precisar deles, Silvinha não pode com cheiro de cigarro e minha família também.

- Jogou fora Duda? Você vai pagar cada maço viu?

- Te dou uma fábrica inteira depois que voltar, agora me deixe em paz.

Ô mulher chata!. A cada dia que passa fica pior, só reclama de tudo, reclama do que faço, do que não faço e apesar da última conversa, continua sem fazer nada em casa. A parte boa, é que a audiência para a assinatura do divórcio foi marcada para vinte de janeiro. A Rose entrou com o processo para Cris se aposentar e pelos cálculos em fevereiro ela começa a receber, não vejo a hora.

Conversei novamente com Camila e falei da minha decisão, a filha se esquivou o quanto pôde, mas acabou concordando em ajudar a mãe, pediu apenas que fosse após o carnaval.

Passei o resto da manhã na cozinha e após o almoço Helena me ligou, conversamos por mais de uma hora, ela disse que estava com saudades.

“Saudades de que? Conversamos há dois dias!”

- Não me ligou ontem Má, fiquei esperando.

- Helena desculpe, mas avisei que tinha compromisso, esqueceu é? Perguntei brincando.

- Você esquece de mim às vezes, por causa da amigas, isso é muito chato.

Lá vamos nós de novo, Helena e sua mania de implicar com minhas amigas.

- Precisava ajudar a Lara, e você disse que por causa da medicação da coluna, está dormindo cedo, por isso não te liguei.

- Tá bom, mas fiquei com ciúmes ué, não posso?

- Não tem motivos, Lara é uma grande amiga, me ajudou muito e ainda me ajuda.

- Tudo bem, não vamos falar dela. Vai para a casa da Silvia mesmo?

- Vamos sim, a Silvinha pediu para levar a Cris apesar de tudo.

- É noite de natal Má, deixe esse coração mais leve.

- Vou tentar. Mas e você vai passar aí com sua família?

- Sim meus pais chegaram hoje cedo, meu irmão está na estrada ainda, acredita?

- Ih deixou para a última hora, vai chegar na hora da ceia.

Demos risadas, conversamos mais um pouco, até que ouvi chamarem Helena.

- Linda preciso ir, Feliz Natal!. Uma noite iluminada pra você, dá um abraço nas amigas e principalmente na Silvia.

Fiquei toda emocionada, a vozinha toda melosa de Helena, me chamando de linda...

- Má? Tá aí?

- Desculpe Helena, estou sim...Feliz natal pra você também, tudo de bom e que você ganhe muitos presentes.

Helena deu risada e disse:

- Ganhar não sei, mas o seu presente tá aqui, deixei debaixo da minha árvore, quando voltar à São Paulo, te entrego pessoalmente.

Nossa assim você me mata Helena! Até presente vou ganhar e nem comprei nada pra ela. Nota mental, comprar um presente para Helena.

- Não precisava, mas vou adorar.

Ficamos mais um tempinho conversando, até que alguém a chamou de novo e desligamos.

Perto das nove, fomos até a casa da Silvinha, no caminho pegamos Flavinha e Bia, que estavam temporariamente sem carro. O clima era tenso, Cris no banco da frente nem olhou para minhas amigas, enquanto Bia e Flavinha tentaram puxar assunto, mas sem muito resultado, Cris olhou de cara feia para Bia e voltou sua atenção para o trânsito.

- Põe uma música aí Duda. Pediu Flavinha.

Liguei o som e continuei dirigindo em silêncio, Flavinha cantava baixinho acompanhada de Bia e Cris revirava os olhos.

- Tudo bem aí Cris? Provocou Flavinha.

- Tudo ótimo, por que?

- Você parece desconfortável, o banco é duro?

- Para amor! Por favor.

Conhecendo Flavinha, ela ia infernizar Cris o tanto que pudesse, pelo fato de terem sido ignoradas e pela forma como Cris olhou para Bia.

Percebi que o clima logo ia esquentar, tentei puxar assunto.

- Quando vocês viajam pra Floripa mesmo?

- Na terça e retornamos no domingo, vai ser bom, estou com saudades dos meus pais.

- Vou pedir oficialmente a mão da Bia em casamento. – Flavinha estava toda orgulhosa.

- Que legal, tá virando gente grande Flavia! Debochei da minha amiga.

Cris resmungou algo que não entendemos e dei de ombros.

- Vai ser só o pedido ou já tem a data? Seu Caetano não vai se contentar com tão pouco.

- Iremos casar em junho, quero você e a Silvinha de madrinhas.

- Vai ser aqui mesmo ou em Floripa?

- A ideia é fazer uma cerimônia simples aqui, casamento no civil e um almoço para os amigos mais chegados e em junho fazer uma festa mesmo, com toda a família em Joinville, onde vivem meus avós, meu avô Lothar, pai da minha mãe, disse que ele quer celebrar o casamento.

- Vai ser lindo Bia, duas festas!! Só me avisem com antecedência, por causa do trabalho.

Cris ouvia a conversa atentamente e se intrometeu:

- Besteira casar, pra que? Depois cai numa rotina e aí é ladeira abaixo.

- Dá um tempo Cris! Pedi irritada.

- Ora Duda, nós somos o exemplo vivo de casamento fracassado.

- Acho que depende muito das partes não é? Veja eu e a Flá, a gente sempre se deu muito bem, nos respeitamos, e acima de tudo nos amamos, tudo é decido em conjunto, ela torce por mim e eu por ela, não existe competição para saber quem é a melhor...Desculpe Cris, mas, você não é a pessoa mais indicada para dar conselhos amorosos.

Cris engoliu em seco, fiquei preocupada achando que ela fosse revidar, mas ela se calou. Finalmente chegamos e fomos recebidas por Silvinha, que estava linda num vestido vermelho, minha amiga estava radiante, a casa cheia como ela gostava, além de nós, havia a família dela e do Rick, que sempre nos acolheu muito bem.

À meia noite, fomos cear, todos se espalharam pela casa com seu prato de comida, sentei ao lado de dona Amália, mãe da Silvinha e ficamos conversando, de canto de olhos, observava Cris meio deslocada, olhando de cara feia para as crianças que já tinham comido e corriam de um lado para outro, querendo abrir os presentes.

Perto da uma da manhã, todos se reuniram na sala para entrega dos presentes, Silvinha foi a primeira, pegou uma caixa vermelha com um laço dourado.

- Prometo que não vou me alongar, esse presente vai para uma pessoa, que infelizmente não tive o prazer de usufruir de uma amizade, mas sempre respeitei muito...Cris é pra você!

Cris ficou surpresa e emocionada, eu também fiquei sem palavras, Silvinha como sempre perfeita.

O resto da noite passou de forma tranquila, Cris estava emotiva, tentou me beijar algumas vezes, mas recusei. Brinquei com os meninos, Ricardinho cansou e dormiu no meu colo, enquanto Bruno mostrava os carrinhos que havia ganhado da avó.

Voltamos para casa, Bia ia dormindo no colo de Flavinha, Cris estava quieta e Flavinha e eu conversávamos sobre a noite, de como Silvinha estava bem, das crianças.

- Ricardinho gosta muito de você.

- Ele é um fofo, se eu tivesse um filho, gostaria que fosse como ele.

- Ainda dá tempo Duda, você é nova.

- Você não cansa não Flávia?

- O que foi dessa vez Cris?

- Você é inconveniente, chata, abusada...

Resolvi intervir, antes que piorasse mais.

- Ei dá pra parar? Respeite minha amiga, não fale assim com ela!

- Falo do jeito que quiser, não suporto essa medicazinha de bichos.

- Olha como você fala comigo.

- Vai fazer o que? Vai me bater?

- Gente para com isso, por favor!

- Você bem que merecia uns tapas, mas se eu bater em você serei enquadrada no estatuto do idoso.

Sei que não era o momento, mas caí na gargalhada, Flavinha ria também. Cris estava muito brava, e Bia dormia pesado, felizmente não demorou para chegar na casa das duas, ajudei Bia a sair do carro.

- Essa sua amiga sempre foi uma ridícula.

Tinha acabado de dar partida no carro e andado alguns metros, na hora que ouvi aquilo, dei uma freada brusca, que assustou Cris.

- Ficou doida?

- Ainda não, mas da próxima vez que você destratar ou falar mal de alguma amiga minha, você vai ver o que é enlouquecer.

Cris arregalou os olhos assustada e não falou mais nada, chegamos em casa, fui para o banho e quando saí encontrei ela roncando na cama. Balancei a cabeça e fui para sala, passei a noite com o celular na bolsa e não olhei nada, quando vi tinha várias mensagens dos meus pais, alguns amigos, duas ligações perdidas, uma de Laís e uma de Marina, pensei em ligar, mas era muito tarde, optei por mandar uma mensagem para as duas, desejando feliz natal e me desculpando por não ter atendido.

Não demorou e Marina respondeu:

“Feliz natal Duda!. Espero que sua noite tenha sido linda! Minha mãe e eu gostaríamos que você almoçasse conosco amanhã na ONG, sei que está em cima da hora, mas seria muito bom se você viesse!.

Fique à vontade para trazer sua esposa.

Beijos”

Agradeci o convite e disse que faria de tudo para ir.

Não demorou e Marina ligou:

- Oi Duda! Feliz natal...Se puder venha, queria muito conversar com você.

- Aconteceu alguma coisa Marina? Perguntei preocupada.

- Nada demais.

- Tá bom, vou sim.

- Obaaaa...Te aguardo , chega um pouco antes para gente conversar.

- Tudo bem.

Marina desligou e fui dormir curiosa com a tal conversa que ela queria ter.

Fim do capítulo

Notas finais:

 

A Cris é um porreee não acham?

Beijos


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Comentários para 21 - Capitulo 21:
Gabriella Herculano
Gabriella Herculano

Em: 08/04/2021

Amiga,

Silvinha era assim mesmo, um amor, ela deixou um vazio grande, eu quando vou a escola nem olho para a sala dela, sabia?, parece que ela está lá.

Estou simpatizando com essa ruiva, precisa de um empurrão pra ir.

Adorei esse capítulo.

beijos


Resposta do autor:

 

Oi Gaby,

Não conheci a Silvinha, mas imagino que ela era realmente muito especial.

Essa ruiva tá meio empacada viu? Precisa mesm de um empurrão... Kkkkkkk


Beijos

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brinamiranda
brinamiranda

Em: 07/04/2021

Cris é uma bomba ambulante rsrsrs muito desagradável, ainda viajou na maionese ao tentar um "remember this" totalmente sem cabimento.

Marina está naquela fase, quer, mas, cheia de dúvidas, tadinha. E Silvinha é uma santa mesmo, só ela para ter a sensibilidade para ainda dar um presentinho para a mala da Cris. rsrsrsrs

beijos amiga, adoreeeeeeeeeeeei :)


Resposta do autor:

 

Cris é um porreeeee! Ela ainda acha que vive num relacionamento, iludida demais.

Marina é cheia de dúvidas , tadinha mesmo.


Beijos

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fernandail79
fernandail79

Em: 07/04/2021

Oi, Gabi,

 

A Cris é o pacote completo: alcoólatra, preguiçosa, fumante e roncadora. E que diabo foi aquilo de ela tentar beijar a Duda? Nada a ver mais.

 

Só me lembrei de quando eu encontrava maços de cigarro do meu irmão dentro do carro da mamãe. Jogava tudo no lixo. :)

 

A Marina parece que está a fim da Duda. Será que o idiota do César vai levar uma galhada?

 

A Silvinha simpatiza com a Cris. É uma santa mesmo.

 

Parabéns pelo capítulo! :***


Resposta do autor:

 

Oi Fernanda!

Roncadora? Kkkkkkkk.... Adorei! Cris ainda acha que vive um relacionamento com a Duda... Iludida demais!

Marina tá cheia de incertezas, a única coisa certa é que ela sente algo pela Duda, mas e como fica o César?

Ah Silvinha era fofa demais!


Beijos

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