XIV - Resgate
XIV. Resgate
- Bruno?
- Temos uma localização. A ligação foi curta, todavia, foi possível rastrear.
- Por favor, me diga que não é longe.
- Não faço ideia.
- Como assim?
- Parece ser no meio do mato.
- Você vem comigo? (Questionou colocando uma jaqueta e apanhando armas).
- Claro, vou sim.
- Então, vamos logo.
- Ainda não tenho o endereço exato.
- Leve o que precisar, podemos fazer como na noite passada, que você conseguiu o endereço do escritório do infeliz quando estávamos na rua, só não consigo ficar aqui parada.
Afirmou já saindo do escritório, indo em direção da garagem e ansiosa para reencontrar Ohana.
- Em alguns minutos o sistema termina de processar (avisou assim que entrou no carro, com o notebook em seu colo).
- Enquanto isso, vou dirigindo sentido rodovia, para já adiantar.
- Certo.
- Coloque o cinto.
- Tenha cuidado!
- Assim que você souber todos os detalhes me avisa para acionar reforços.
- Tem alguma semelhança no tempo que as vítimas ficam desaparecidas?
- Sim, até três dias, nunca passou disso, após este período o traste praticamente entregou elas mortas, deixando-as em local que tenha alguma circulação, com o objetivo de que os corpos fossem encontrados e em diversos locais pela cidade.
- Ohana sumiu na quinta, então hoje é o terceiro dia.
- Ainda não me conformo dela ter sido capturada por aquele doente (disse esmurrando o volante).
- Ele só traz elas de volta para Bauru depois de mortas (constatou).
- Isso não sabemos, ele nunca tinha deixado nenhuma pista e nem fios soltos.
- Ele tem um sítio em Agudos, acabei de descobrir.
- Vou ligar para um colega e pedir para nos encontrar na entrada da cidade, não podemos perder tempo procurando e nos perder está fora de cogitação.
- Cada segundo é muito valioso.
- Na agenda do meu celular, procure por PM Bueno e coloca no viva voz.
- É para já.
Logo na primeira tentativa o policial atendeu e se colocou à disposição para auxiliar.
- Agora é contar para o meu chefe que estou de volta, como ele me conhece, deve imaginar que nunca fiquei de fora. Por favor, envie a gravação da ligação para o grupo do meu trabalho e o endereço completo.
- Como você consegue dirigir tão veloz, planejar como vai chegar ao local, ter cabeça para avisar a todos e ainda ficar tão concentrada?
- Estou no automático, mas, por dentro estou despedaçada.
- Nós vamos encontra-la.
- Ainda faltam alguns minutos para chegarmos em Agudos.
- Seu chefe acabou de responder, disse para você não se precipitar e avisou que vai mandar reforços.
- E sobre o sítio descobriu algo?
- Parece ser uma propriedade pequena, mas, não consegui nenhuma imagem de satélite.
- Como não descobrimos esse endereço antes?
- Não sei.
- O infeliz está machucando ela, fiquei desesperada ouvindo a Ohana chorar e gritar de dor (contou com os olhos cheios de lágrimas).
- Ela é forte e eu acho que como a ligação foi rápida, ele deve pensar que a gente não conseguiu rastrear.
- Assim espero.
- Aquela viatura no acostamento, será que é o seu colega?
- Bem provável.
Aisha nem mesmo desligou o carro, estava com muita pressa.
- Bueno, obrigada por ter vindo, Bruno por favor, passa para ele o endereço.
- Sei onde fica, é sentido zona rural, temos que pegar uma estrada de terra, vamos aguardar mais unidades ou já podemos seguir até o local?
- Não temos tempo.
- Então vou na frente e você me segue.
- Sem sirene e também não acione sinalizador visual. É importante não chamarmos atenção.
Percorreram uma estrada de servidão, por cerca de dez minutos e estacionaram na frente de uma porteira marrom.
- Bruno, fique aqui no carro.
O jornalista até pensou em ir junto, mas, ficou com receio de acabar atrapalhando.
- Chefinha aguenta firme, a Aisha está chegando.
Preferiu rezar e ligar para o SAMU, imaginando que a amiga precisaria.
- Inspetora, não é melhor aguardarmos apoio?
- Bueno, se preferir não precisa me acompanhar. Eu vou entrar agora, não aguento mais aguardar, foram muito meses de investigação.
- Não vou deixar a senhora sozinha. O meliante é o assassino do zodíaco?
- Sim, o nome dele é Gaspar.
- Será que ele está sozinho ou com alguma vítima?
- Com a minha namorada (lamentou).
- Eu não fazia ideia, te darei cobertura.
Os dois entraram em silêncio, atravessaram todo o quintal e quando chegaram próximo da casa ouviram música instrumental. Eles se aproximaram de uma janela na lateral e dali conseguiram ver Gaspar mexendo em um frasco com uma seringa.
Nos resultados das autópsias, tinham dúvidas se ele ministrava algum tipo de droga nas vítimas, não tinham certeza se era alguma substância química ou se a alteração era de bebidas alcoólicas, tudo indicava que ele aplicava em pouca dosagem e com espaçamento de tempo. Aisha acabou de ter certeza, fez sinal para o Bueno ir pelos fundos e ela foi pela frente. Tentou fazer o mínimo de barulho possível, mas, estava muito nervosa, não era somente mais um caso, trata-se da mulher que ela ama, sofrendo moléstia.
- Fica parada ou ela morre antes da hora (afirmou Gaspar segurando um objeto cortante próximo do pescoço da jornalista).
- Acabou, se entrega! (Gritou terminando de entrar pela porta principal).
- Você está enganada, ainda não acabei e já que você chegou vou te deixar assistir.
- Gaspar, a casa está cercada, se entregue.
- Isso é um blefe, se você entrou sozinha não tem mais ninguém contigo.
- Já chega você foi longe demais.
- Como você me atrapalhou vou ter que matar vocês duas, era para você encontrar o corpo dela numa praça e eu te mataria só depois.
- Para de falar bobagem, assim você só piora as coisas para você mesmo.
- Eu tenho o total controle da situação, largue a sua arma agora (mandou mostrando a faca ensanguentada).
- Tudo bem, arma no chão (falou largando o objeto que estava na sua mão e calculando em quanto tempo pegaria a outra pistola escondida nas suas costas).
- Sua namoradinha não é comportada, precisei dopa-la mais de uma vez, agora ela está bem tontinha e não vai conseguir falar contigo para se despedir pessoalmente, ainda bem que fui caridoso te ligando. Desligue o som ao teu lado para que possamos conversar melhor.
Aisha avistou Bueno, que tinha acabado de entrar pelo lado oposto, ela nem se deu ao trabalho de procurar onde desligava o aparelho, puxou o fio da tomada.
- Me conta, a tua incompetente equipe descobriu o que uso?
Falou apontando para uns frascos que estavam na mesma mesa que Ohana estava deitada.
- Não.
- Inventei uma solução, com clonazepan, dramim e quetamina, com baixa concentração nos fluidos corporais, mas, sendo suficiente para fazer a minha obra de arte nas impuras.
- Gaspar, você matou muitas inocentes (lastimou).
- Você deve ter alguma algema, coloque no seu próprio pulso, sente naquela cadeira do outro lado da mesa, já que você chegou em uma boa hora vou te deixar assistir o que farei agora (falou com petulância desabotoando sua calça jeans).
Aisha não estava mais aguentando ouvir a voz dele, a vontade dela era estrangular ele com as próprias mãos. Bueno imaginando que não estava sendo nada fácil para elas, preocupado com a insinuação de violência sexual, decidiu acabar logo com tudo aquilo e não deixaria que a inspetora tão respeitada por todos sujasse as suas mãos. Se posicionou e atirou no criminoso, deu um tiro de contenção, almejando atingir um ponto não vital e ao mesmo tempo gerando uma incapacitação mecânica. Gaspar gritou de dor, quando a bala se alojou em sua perna e assim que ele caiu no chão, Aisha se aproximou pronta para lhe dar mais um tiro, desta vez, com intuito de neutralizar o alvo.
- Inspetora, imagino a sua dor e sede de vingança, mas, não vale a pena. A senhora é superior a ele, não faça algo que possa se arrepender, a morte é pouco para tudo que ele fez com tantas mulheres.
Ela nada respondeu, apontou sua arma para a cabeça dele e o encarou com ódio.
- Aisha, te peço. Não perca seu tempo com esse lixo, a tua namorada precisa de ti.
E assim, ela despertou da raiva, mas, antes chutou as partes íntimas dele, que voltou a gritar e com a própria arma, desferiu um golpe certeiro na cabeça dele, ocasionando uma concussão e o deixando desmaiado.
- Meu amor, vai ficar tudo bem (afirmou beijando a testa da companheira).
Bueno tirou a camiseta que estava usando por baixo da farda, entregou para Aisha que colocou em Ohana, que estava apenas de lingerie e com vários hematomas pelo corpo.
- Ela precisa de cuidados médicos com urgência, a mão dela está sangrando muito (a loira averiguou).
- Vamos levá-la para o teu carro.
Quando estavam chegando próximo da porteira, uma ambulância chegou e na sequência algumas viaturas. Aisha entregou a chave do seu carro para o Bruno e fez questão de acompanhar a namorada até o hospital mais próximo. Enquanto Bueno se encarregou de relatar todo o ocorrido.
Fim do capítulo
Olá! Feliz abril, que seja um mês repleto de saúde, esperança e boas notícias.
Comentar este capítulo:
Vanderly
Em: 10/07/2021
Ai que alívio!
Tomara que a Ohana não fique traumatizada.
E que esse Gaspar seja muito bem preso, pra não acontecer uma fuga e mais mulheres sejam assassinadas.
Beijos!
Vanderly
Resposta do autor:
Vanderly, depois de muita tensão, a gente precisava de alívio não é mesmo rs
Gaspar é o mal personificado, tem que ficar muito bem preso mesmo, foi muito maquiavélico. Beijinhos!
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Marta Andrade dos Santos
Em: 01/04/2021
Nossa que legal!
Resposta do autor:
Marta, como vai? Obrigada por acompanhar e comentar. Que bom que você achou legal. Beijinhos
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Mille
Em: 01/04/2021
Que alívio agora é a recuperação física e psicológica da Ohana.
Esse Gaspar merece teve o que mereceu, e se posso acreditar vai ser muito bem tratado pelos outros presos.
Bjus e até o próximo
Resposta do autor:
Mille, foi puxado né problemão resolvido e agora que venham as superações. Dia 10 tem o próximo. Beijo!
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