"Para Ilana Casoy, autora do livro "Serial Killer: Louco ou Cruel?", são raras as vezes em que o criminoso conhece as suas vítimas. Em geral, elas são escolhidas aleatoriamente por serem a representação de uma espécie de símbolo que faz sentido para o algoz".
XI. Alvo
XI. Alvo
- Amor eu poderia muito bem te levar.
- Não precisa ficar me levando de um lado para o outro não e nem gosto de abusar da tua boa vontade.
- Deixa disso não é abuso nenhum e faço questão de te buscar quando terminar no salão.
- Já terminou teu compromisso?
- Sim, foi uma reciclagem de aula de tiro, depois decidi ficar na academia aqui do centro de treinamento e terminei a pouco de tomar uma ducha. Ansiosa para amanhã?
- Não, estou tranquila.
- Entrevista você tira de letra.
- Atualmente sim, mas, no começo da carreira ficava até trêmula.
- É tão engraçado isso, no começo toda a dificuldade e insegurança, com o tempo e a experiência, começamos a fazer de olhos fechados. Amor, ainda não chegou?
- Estamos chegando? (Questionou ao motorista que confirmou).
- Acho que está demorando mais que o normal (comentou a investigadora conferindo em seu relógio).
- Estou achando este caminho diferente e mais distante (reclamou para o taxista que alegou seguir as instruções de certo aplicativo).
- Amor, tudo em ordem?
- Não sei (respondeu com certa apreensão).
- Fique calma e faça o que vou te pedir, pelo WhatsApp envie um vídeo curto, em cento e oitenta graus, assim consigo saber onde vocês estão. Não desligue a nossa chamada.
Aproveitando que estava usando o fone de ouvido, continuou falando com a namorada, com discrição fez o vídeo e encaminhou para a outra, que não gostou nem um pouco.
- Amor, não comenta nada para não o alarmar, este não é o trajeto para o salão, na verdade este local é saindo da cidade. Continue falando comigo, já estou entrando no carro.
- Então, como? Porque?
- Mantenha a calma, é importante que a gente continue dialogando.
- Você trabalha que horas amanhã?
- Meu bem, vou te encontrar confie em mim. Agora me diga ele tem aparência de ser novo?
- Não, deve só ser a crise da meia idade, minha morena.
- Já entendi, ele é moreno e tenha meia idade. Faça uma nova pergunta, quero ouvir a voz dele.
- Senhor, falta muito para chegar?
- Não.
- Será que o aplicativo está correto?
Ele nem se deu ao trabalho de responder e Ohana começou a ficar angustiada.
- Amor, preciso que você seja forte, saiba que farei de tudo para te encontrar, se for uma tentativa de assalto não reaja, vai ficar tudo bem. Se a ligação começar a falhar, corre o risco de ficarmos sem sinal, mas, não se desespere. Já estou chamando reforços.
- Eu te amo!
- E eu te amo muito mais.
- Me ajude a lembrar de redigir a última matéria do especial que estou fazendo.
- Mas você já concluiu.
- Isso mesmo.
- Não consegui compreender.
- Hoje o Bruno disse que vai comprar ômega 3, ele está querendo, você usa né.
- Pode continuar dizendo, estou gravando, só tenha cuidado para que ele não perceba.
- É o método.
- Ele tem cabelo curto?
- Isso.
- É magro?
- Te acho forte.
- Cor da camisa?
- Estou pensando em usar preto amanhã na entrevista.
- A ligação está com ruído.
- Aisha...
A chamada foi encerrada, a investigadora tentou retornar, porém, deu fora da área de cobertura. Colegas policiais confirmaram que já estavam a caminho, ela colocou em prática todo o seu treinamento de direção ofensiva e afundou o pé no acelerador, ela bem sabe a importância de cada minuto num resgate. Naquele momento ela queria acreditar que tratava-se de um assalto e que logo encontraria a namorada, nem mesmo cogitava sobre sequestro.
XI.II
Quando o carro foi estacionado num terreno baldio, Ohana, tentou abrir a porta, com o intento de sair correndo, gritando e pedindo ajuda.
- Travei as portas traseiras, só abrem pelo lado de fora.
- Onde estamos?
- Longe.
- O que você quer?
- Te mostrarei.
- Quem é você?
- Um velho conhecido teu, ultimamente você vem escrevendo muito sobre as minhas obras de arte.
Ela não teve coragem de dizer mais nada, sentiu um forte calafrio, estava com medo e não queria ser mais uma de suas vítimas.
XI.III
Naquela noite, Aisha não encontrou Ohana, foi até o local que a namorada tinha conseguido filmar, procuraram por toda a redondeza, mas, nenhum sinal. Passou a noite no departamento policial, debatendo com outros peritos, tentando descobrir uma forma de encontrar a namorada e decidiram que pela manhã voltariam a procurar, por ela passariam a noite procurando, todavia, sabia que tinham mais chances durante o dia. Ela não conseguiu dormir, estava muito preocupada, imaginando os perigos e temendo pela segurança da outra.
A sexta-feira amanheceu chuvosa e as buscas foram retomadas. Por volta das onze horas da manhã a investigadora foi acionada, ela e seu colega de trabalho, que estava dirigindo, seguiram até o local indicado, tratava-se de uma estrada de terra e em um terreno baldio encontraram o táxi abandonado.
- Inspetora, temos certeza que era neste táxi que a jornalista estava, encontramos os pertences dela, incluindo a carteira com seus documentos.
- Quero ver tudo.
Afirmou Aisha, que emocionalmente estava muito abalada, mas, que não deixava transparecer, demonstrando que era muito bem treinada para a profissão que exercia.
Quando ela viu a bolsa marrom, sabia que era de Ohana e sentiu seu coração bater em um ritmo diferente. A polícia civil já estava analisando toda a cena, ela respirou fundo e começou a estudar cada detalhe. Nada disse, ficou apenas observando tudo e ouvindo o que os seus pares comentavam.
- Atenção, quero um laudo pericial papiloscópico com urgência.
- O papiloscopista já esta a caminho.
- A chuva não está ajudando.
- Confirme o isolamento da área.
- Eu acho que ele arrastou a vítima por esse milharal.
- E já tinha um outro carro esperando por eles do outro lado da estrada.
- Só tem terra e mato neste lugar, nenhuma câmera de vigilância.
- E nenhum morador próximo.
- Talvez o cativeiro seja em algum sítio aqui da redondeza.
- Eles podem já estar bem longe daqui.
- Tirem muitas fotos para que possamos analisar.
- Que fim de mundo, quero fazer uma ligação e nem tem sinal.
- A jornalista se tornou alvo de bandidos.
Todas aquelas suposições só estavam deixando Aisha agitada e com muita dor de cabeça. Em silêncio ela continuou avaliando todo o ambiente. Duas horas depois, cansada de andar em círculos, exigiu relatórios detalhados e deixou o local.
- Quer que eu deixe a senhora em sua casa?
- Não, vamos voltar para o DP.
Nada mais foi dito, todo o trajeto foi realizado em total silêncio. Assim que entrou na sua sala foi avisada que já tinham conhecimento sobre o dono do carro, no início daquela manhã um taxista registrou um boletim de ocorrência, relatou que no final da tarde, do dia anterior, já tinha terminado de trabalhar e que seu carro foi furtado quando estava voltando para casa. Ela estava olhando cada traço do retrato falado, quando uma marmitex foi deixada pela secretária em sua sala e tinha um bilhete de algum colega, dizendo que saco vazio não parava em pé e que ela precisava continuar forte. O almoço era do restaurante vizinho e ela gostava da comida, mas, precisou insistir para conseguir comer ao menos um pouco. Quando seu celular tocou e era de um número desconhecido atendeu rapidamente.
- Alô!
- Investigadora, boa tarde! É o jornalista Bruno.
- Fale!
- Gostaria de saber se a senhora sabe da Ohana, ela faltou na entrevista que tinha hoje cedo, não apareceu aqui no jornal, não atende as minha ligações e nem responde as mensagens que mandei.
- Venha até a delegacia e sem alardes.
Bruno não pensou duas vezes e em menos de meia hora já estava entrando na sala de Aisha. Que tinha acabado de tomar um remédio para dor de cabeça.
- Por favor, me diga que a Ohana está bem.
- Eu não sei, acho que ela foi sequestrada, ontem, quando saiu do jornal entrou num táxi, tinha horário marcado no salão, estávamos conversando por ligação quando percebemos que tinha algo errado com o trajeto. Hoje no final da manhã o táxi foi encontrado num terreno baldio, com os pertences dela.
- Cacete. Como isso foi acontecer com ela? Não consigo acreditar.
- Temos que encontra-la.
- Preciso avisar nosso chefe, ele está preocupado, ela nem mesmo se atrasa e hoje faltou em um compromisso profissional.
- Me fala o número dele que já ligo, explico a situação e não quero que nada seja divulgado, para não atrapalhar nas investigações.
Enquanto Aisha falava com Luca, Bruno se aproximou do painel semântico do crime que ela tinha na sua sala, viu tudo e em seguida fixou a sua atenção nos papéis que ela tinha sobre a sua mesa. Ficou olhando desconfiado para o retrato falado e quando ela encerrou a chamada com curiosidade questionou:
- Ohana, fez descrições na ligação?
- Tudo que ela falou bate, cabelo baixo e moreno. Este retrato foi descrito pelo taxista.
- E o que mais ela falou?
- Tudo isso que escrevi (disse e entregou o papel com as anotações que fez na noite anterior).
- Aisha, ela estava dando dicas, ontem falei para ela que tenho curiosidade de conhecer o sistema de investigação Ômega, por isso, ela citou que você usa e quando ela disse sobre terminar a última matéria, foi um aviso sobre o assassino do Zodíaco.
- Continue.
- Pensa comigo. Qual número a Ohana calça?
- Trinta e nove.
- A Daiana era libriana e o serial killer captura as suas vítimas seguindo a astrologia. Qual o signo da Ohana?
- Escorpião, ela vai fazer aniversário daqui quinze dias.
- Quando ela citou método, é em alusão ao modus operandi.
- Seja claro, o que você está querendo dizer?
- Ele pegou a Ohana (constatou apavorado).
Aisha ficou estarrecida, ainda mais preocupada com a integridade física e mental da namorada.
Fim do capítulo
Olá! Feliz março! Que seja um mês excelente, repleto de saúde e boas histórias. Beijos e até dia 7.
Comentar este capítulo:
Vanderly
Em: 10/07/2021
Boa tarde!
Acho que o assassino cometeu o primeiro erro de cálculo, pegar a namorada de uma investigadora.
Acredito que Bruno vai ajudar a desvendar um pouco mais sobre o assassino.
Beijos!
Vanderly
Resposta do autor:
Muita ousadia, ultrapassou todos os limites e justo a namorada, pesado né
Aisha e Bruno mandando bem na investigação juntos e Ohana em apuros. Bjs
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Cma24
Em: 04/03/2021
Pela N. Senhora das Jornalistas lésbicas, ela conseguiu escapar e tá fazendo o assassino de refem em algum lugar que não tem sinal de telefone para ela contatar a amada... kkkk
Resposta do autor:
Não conhecia essa santa protetora da minha categoria kkk #adorei e a tua teoria foi muito boa hahahaha
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