II. A sexta vítima
II. A sexta vítima
Diferente do dia anterior, Ohana acordou com o despertador, tomou um iogurte aproveitou que a área central da cidade, em específico ao redor do seu apartamento é em sua maioria plana para fazer uma corrida. Depois do banho preparou um café da manhã reforçado, assim que terminou seu celular tocou, era um número desconhecido pensou em não atender, mas, imaginou que poderia ser algo importante e de fato era.
- Ohana bom dia, é o Bruno, foi o Luca que me passou o seu número. Desculpa pelo horário, é que encontraram uma sexta vítima, estou indo para o local.
- Bom dia! Bruno obrigada por me avisar, quero ir junto, consegue me dar uma carona?
Ela informou seu endereço, dentro de poucos minutos ele chegou em seu edifício e ela já aguardava na portaria.
Durante o trajeto conversaram exclusivamente sobre o caso. Não demoraram muito para chegar, desta vez a vítima foi deixada num terreno baldio, já todo cercado por policiais.
Fotos estavam sendo tiradas, por isso, o corpo nu ainda não estava coberto. Ao lado da moça tinham os mesmos itens que já constavam registrados nos arquivos, peças de roupas, todas rasgadas e sujas, além de uma faca toda ensanguentada, que nos relatórios citavam que sempre tratava-se do sangue da vítima, mas, que não tinha nenhuma digital, levando as crer que o assassino usava luvas. No pescoço da vítima tinha uma corda toda enrolada, mais uma morte por estrangulamento.
E na barriga um novo desenho, Ohana ficou observando, tinha quase certeza que a ponta da lâmina da faca era usada para fazer as gravuras e decidiu que analisaria cada uma com afinco, tinha que ter alguma relação entre elas.
Sentiu um calafrio e um enjoo, nunca tinha visto uma cena tão cruel, as mãos e braços da vítima estavam machucados, deixando evidente que ela tinha tentado se defender.
Olhou ao redor e aparentava que o crime não tinha sido realizado ali, já que o mato em volta estava alto. Era bem provável que o assassino estivesse de carro e deixou o corpo próximo do asfalto da rodovia, pois, queria que a localização fosse rápida, tudo de caso pensado e precisamente calculado. Ao redor só matagal, ou seja, nenhuma câmera, novamente nada para incrimina-lo. Ohana ficou muito triste.
Quando Aisha começou a circular analisando a cena do crime, todos se voltaram para ela. Aos trinta anos, a loira de cabelos longos e olhos verdes, para o trânsito por aonde passa, com seu 1,79 m e medidas perfeitas, mesmo se não quisesse, chama a atenção de todos com facilidade.
Ohana ficou impressionada com a beleza da loira, estranhou o que aquela moça tão bonita fazia ali, ao invés de estar em alguma passarela, palco ou como tinha citado Daiana no dia anterior, até mesmo na televisão, já que tem o rosto e corpo perfeitos. Só não a confundiu com alguma personalidade famosa, por conta da roupa toda preta e do coldre.
- Agradeço aos que chegaram por aqui primeiro e nos avisaram. Assumo daqui, todos já estão dispensados. Só fica na cena do crime quem estiver trabalhando na resolução do mesmo.
- Ohana te espero no carro.
Avisou Bruno batendo em retirada junto de vários policiais que seguiram para as suas respectivas viaturas, imperando assim o silêncio no local.
Quando a jornalista voltou a olhar para a vítima, ficou pensando em tudo o que ela tinha passado, quanto sofrimento, medo e dor.
Sentiu um mal estar, presenciar algo tão ruim, a deixou assustada e pálida.
Aisha notou uma estranha na cena do crime, nunca tinha visto aquela morena bonita. Notou que são praticamente da mesma altura, mas, mentalmente se repreendeu, não era hora e nem lugar para admirar as belezas de uma mulher, voltou a se atentar naquele momento crítico, mais um caso de assassinato. Aproveitando que a polícia científica estava em atuação, se aproximou da desconhecida.
- É uma cena muito forte, melhor você se afastar e tomar uma água.
- Confesso que estou assustada e até um pouco zonza.
- Vamos até o meu carro sempre carrego água.
Elas deram poucos passos e Ohana se sentou no banco do passageiro. Respirou fundo e tomou a água ofertada.
- Me inteirei do caso ontem, vi cenas chocantes dos últimos assassinatos, mas, nada se compara em ver pessoalmente.
- O quê você faz aqui?
- Meu nome é Ohana, faço parte do jornal, vim com um colega.
- O grande erro de vocês jornalistas é acharem que vão dar um excelente furo de reportagem, ganhando assim notoriedade desvendando crimes, que nem mesmo a polícia solucionou.
- É melhor eu ir embora, obrigada pela água e desculpa por te fazer perder tempo.
Como Ohana nem mesmo tinha fechado a porta do carro saiu rapidamente e foi ao encontro de Bruno. Aisha se arrependeu de ter sido tão incisiva com a outra que estava apenas fazendo o seu trabalho, até pensou em ir atrás da morena, mas, foi chamada por um agente da polícia científica.
- Bruno, por favor, me tira daqui. Maldita hora que concordei em trocar meu posto que estou acostumada por tudo isso (lamentou para o colega).
- A primeira vez numa situação com esta é complicado mesmo, logo você supera. Relaxa tem quem desmaia, vomita e chora. Você só ficou abalada.
- E ainda levei um esculacho da investigadora.
- Ela não é muito amigável mesmo, é muito respeitada como profissional, mas, dizem que é mais fria que uma geleira.
- Hoje, no fim da tarde terei um novo encontro com a simpatia, preciso de fatos e conversar com ela pode auxiliar muito.
- Boa sorte!
Ainda naquela manhã, enquanto Bruno cuidou de outras pautas, Ohana decidiu continuar lendo o que tinha começado na noite anterior, se atualizando sobre o jornalismo investigativo, tinha aprendido na faculdade, mas, como acabou não praticando precisava se atualizar. Nem conseguiu almoçar, a cena do começo da manhã não saiu mais da sua cabeça, tomou apenas café e mal beliscou um salgado. Em seguida preparou a notícia que seria divulgada na manhã seguinte sobre o novo assassinato e teve aval da chefia. Quando terminou de se ajeitar para sair foi surpreendida, diferente do que imaginava, não precisou ir até a delegacia.
- Bruno, Ohana, queriam uma reunião comigo, aqui estou.
Os dois olharam surpresos para a mulher que entrou sem nem ser anunciada e como a porta estava aberta, nem mesmo bateu na mesma. O primeiro a reagir foi Bruno informando que buscaria café.
- Posso me sentar?
- Mas, é claro, desculpe a minha inércia, não te esperávamos e obrigada por se dar ao trabalho de vir até aqui. Aisha quero que saiba que sou uma profissional ética, não quero de forma alguma atrapalhar o trabalho da polícia, longe disso. Separei inclusive para te mostrar no nosso encontro, o que será noticiado amanhã, espero que entenda como um gesto amigável, para que possamos trabalhar sem infortúnios.
A investigadora pegou o papel e leu tudo em silêncio.
- Ohana, não pretendo e nem vou atrapalhar o seu trabalho, espero o mesmo da tua parte. A sua notícia vai servir como alerta para as mulheres, que são o principal alvo do criminoso. Infelizmente, estamos andando em círculos, nada acaba nos levando ao assassino, ainda não encontramos nenhum fio solto, tudo é muito bem arquitetado, cada morte planejada nos mínimos detalhes, ele sempre deixa o corpo da vítima do mesmo modo, na mesma posição e com os mesmos tipos de agressões, já são seis meses investigando, uma nova mulher morta brutalmente a cada mês e nada, nenhuma prova concreta. Espero que assim como a jornalista anterior que trabalhava aqui, você tenha responsabilidade e cuidado ao lidar com este caso, não podemos colocar tudo a perder.
Bruno voltou com o café, serviu para as duas, mas, achou melhor se retirar, pensando: ‘que muito ajuda, quem não atrapalha'.
- Investigadora, serei bem sincera, me mudei no último final de semana, estava ciente que continuaria trabalhando com o que atuava em São Paulo, desde quando terminei a faculdade, que é jornalismo esportivo, porém, precisei cobrir a jornalista que se demitiu para se dedicar exclusivamente à gestação e a sua família. Depois de estudar todo este caso, entendo o afastamento dela, pois, é muito complexo e triste; totalmente delicado e inapropriado para uma gestante. Então como diz o ditado ‘cai de gaiato no navio', aceitei e estou disposta, pois, como jornalista meu papel é informar e pretendo acompanhar este caso até o final, noticiando que a senhora prendeu o assassino e que ele pagará por todos os seus crimes.
Aisha gostou muito da sinceridade e todo o posicionamento preciso da jornalista.
- Ótimo então estamos falando a mesma linguagem.
- Estou muito intrigada com o desenho na barriga das vítimas, não é por acaso, tenho certeza que o psicopata faz tudo de caso pensado. O Bruno me passou que as gravuras são consideradas abstratas, mas, discordo e acho que precisamos interpretar.
- Sinto em desaponta-la mas, os rabiscos não nos levou a nada, até um especialista em artes tentou analisar e não deu em nada.
- E tem algum fato novo?
- Não.
- Amigos e familiares das moças, o que te disseram?
- Nada que possa contribuir, elas estavam bem, não relataram nada de diferente e estavam seguindo as suas vidas normalmente. Ninguém percebeu nada estranho. Ainda não consegui nenhuma testemunha. Além disso, nada liga uma vítima a outra e são estereótipos totalmente diferentes. Acredito que a escolha seja totalmente aleatória.
Um alerta do celular de Aisha chamou a atenção das duas.
- É hora do meu medicamento e deixei no carro. Bom, já vou indo este é o meu cartão.
As duas trocaram cartões de visitas e se despediram com cordialidade. A jornalista ficou observando a outra se retirar e pensou o quanto bonita ela é.
- Ohana e então como foi com a fera?
- A conversa foi boa, ela é uma profissional muito enérgica e ficou acordado que não vamos atrapalhar uma o trabalho da outra.
- A Maria, que trabalhava no seu lugar, detestava a Aisha, devido a falta de cooperação.
- Espero não passar por isso, fui muito respeitosa e solicita com ela, espero que dê tudo certo.
- Eu já vou indo, quer uma carona?
- Não, obrigada. Ainda vou imprimir umas coisas para analisar.
- Então até amanhã.
Ohana ficou até tarde no jornal, realizou muitas pesquisas, imprimiu várias laudas, colocou tudo numa pasta vazia que encontrou jogada no fundo de uma gaveta e quando chegou em casa continuou trabalhando. Foi dormir já era madrugada e teve pesadelo, acabou sonhando com a última vítima e acordou agitada. Foi uma noite muito mal dormida.
Enquanto isso Aisha fez questão de puxar toda a ficha da recém chegada na cidade, descobriu sobre o acidente que tinha acontecido uns cinco anos atrás, no carro além de Ohana tinham mais duas pessoas e somente ela que estava no banco traseiro que sobreviveu, o ocorrido foi na serra do mar, nas perigosas curvas que dão acesso a Ubatuba. Também viu diversas matérias sobre esportes, todas produzidas pela jornalista, que tem muito talento e já até cobriu copa no exterior. Só não entendia por qual motivo deixou de lado uma carreira consolidada na capital e mudou para o interior.
Depois de confirmar que não tinha nenhum fato comprometedor e que não constava nada em seu certificado de antecedentes criminais, ficou mais tranquila e seguiu a sua investigação, que estava consumindo todo o seu tempo.
Fim do capítulo
Olá! Que tenhamos uma linda semana! Feliz Natal! Que seja doce e belo.
Domingo 27/12 pretendo postar o 3. Beijos e abraços, May.
Comentar este capítulo:
Lea
Em: 14/07/2022
Boa noite May.
Aisha como uma boa policial,já puxou a ficha da Ohana.
*
Já são 6 vítimas,e só estamos no segundo capítulo.
A coisa tande a piorar.
Vamos torcer para que não tenha mais vítimas.
Resposta do autor:
Boa noite! Lea,
Aisha é rápida né rs
Viu só começou tenso...
Marta Andrade dos Santos
Em: 22/12/2020
Feliz Natal!
Resposta do autor:
Muito obrigada e que a alegria natalina se faça presente em todos os nossos dias. Muita luz sempre!
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Mille
Em: 22/12/2020
Oi querida May
Encontro de duas mulheres fortes.
Espero que juntas descubra alguma pista do assassino.
Bjus e até o próximo capítulo
Feliz Natal
Resposta do autor:
Olá! Querida amiga Mille,
Amo mulheres fortes, são admiráveis e inspiradoras. Beijocas!
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Rain
Em: 21/12/2020
Eita! Vai ser difícil para Ohana trabalhar com isso. É algo muito pesado de se trabalhar tem que ter muito estômago e sangue frio para ver tantas coisas ruins assim.
Obrigada, autora!
Feliz Natal e ótima semana!
Abraços.
Resposta do autor:
Muito difícil mesmo, um enorme desafio. Eu sou formada em comunicação social, com habilitação em jornalismo, no meu ponto de vista a área investigativa é muito interessante, mas, por demasiado complexa. Concordo contigo, algo extremamente pesado para trabalhar, um colega de profissão me disse certa vez que é questão de hábito, mas, que de fato, não é fácil. Abraços, May.
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