Resolveu acreditar que términos doem, mas, que recomeços curam.
I. Uma nova cidade
I. Uma nova cidade
Ohana estava com muito calor quando desceu do ônibus na rodoviária de Bauru. Cheia de esperança para recomeçar no interior, carregava consigo uma mala de rodinha, outra de mão, uma mochila e também uma bolsa a tiracolo colo. Ela sempre chama a atenção por onde passa, com seus um metro e oitenta, corpo bem desenhado, devido, aos anos praticando esportes, seu cabelo castanho escuro é longo e encaracolado, morena de olhos de jabuticaba e personalidade muito forte. Um taxista auxiliou com a bagagem.
A morena é jornalista esportiva e foi contratada para trabalhar em um dos principais jornais da cidade, por isso, a paulistana deixou a capital, aos seus vinte e sete anos. A nova oportunidade veio em um bom momento, pois, estava estagnada no jornal de esportes que trabalhava e tinha recém descoberto uma traição, seu namorado acabou voltando com a ex-esposa.
Resolveu acreditar que términos doem, mas, que recomeços curam.
Era domingo, as ruas estavam vazias e logo chegou ao apartamento que tinha alugado no centro da cidade. Desta vez quem a ajudou foi o porteiro, que lhe entregou as chaves e auxiliou a colocar tudo no elevador. Em São Paulo, morava no vigésimo andar, desta vez ficará no sexto, já que o edifício atual não ultrapassa dez andares e o que fechou era o último mobiliado disponível na imobiliária.
Deixou seus pertences na sala, abriu todas as janelas, conferiu cada parte do local, gostou muito de tudo que viu, tinha feito um bom negócio; também tinha acertado com a imobiliária uma diarista visando deixar tudo limpo, pois, tem rinite e fez questão de um item novo, seu colchão. Passou a tarde organizando todas as suas coisas.
No final do dia decidiu dar uma volta, a cidade era maior do que imaginava, claro que bem menor que a sua cidade natal, mas, não era uma cidadezinha pequenina do interior, o que a deixou mais aliviada e esperançosa de se acostumar logo; novamente chamou um táxi e foi até ao shopping. Geralmente quando o fazia era em transporte coletivo, em São Paulo os seus favoritos são os que tem fácil acesso ao metrô, tais como os da avenida Paulista, do Tatuapé, Santa Cruz, Tucuruvi, dentre outros. Decidiu não se desfazer do seu apartamento na capital, até tinha pensado em alugar, mas, ao menos a princípio, optou por o deixar como sendo seu refúgio para quando ficar saudosa ou caso tenha algum compromisso, assim não vai precisar se hospedar na casa de familiares, amigos ou até mesmo num hotel. Logo que entrou no shopping se atentou as placas e foi em direção ao cinema, estava louca para assistir um filme de romance que tinha sido lançado na última quinta-feira e ainda nem tinha tido a oportunidade de assistir. Comprou seu ingresso, uma pipoca pequena e seu refrigerante favorito. O longa foi melhor do que ela imaginava, saiu da sessão muito satisfeita.
Deixar o cinema tão próximo da praça de alimentação é uma estratégia muito utilizada nos principais shoppings. Ohana nem estava sentindo fome, mas, ao deparar com a sua franquia de pizzaria preferida não resistiu e devorou dois pedaços generosos. Logo que voltou para o seu novo apartamento tomou uma ducha demorada. Decidiu não dormir tarde, pois, no dia seguinte logo cedo tinha que se apresentar no jornal. Colocou seu relógio de cabeceira e também seu celular para despertarem, tudo para não correr o risco de se atrasar, logo no primeiro dia. Cansada da viagem não demorou para adormecer.
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I.I
Um novo emprego e um surpreendente desafio
A ansiedade fez com que ela acordasse bem antes do horário, se trocou e desceu para o espaço fitness do edifício, se exercitou na esteira e no elíptico, fechou seu treino matinal com abdominais. Tomou um bom banho, estava faminta e ainda de toalha foi até a geladeira, que estava desligada, abriu o armário e também estava vazio. Naquela segunda mesmo, após o expediente, faria uma compra completa. O jeito foi se trocar e tomar café da manhã na padaria mais próxima.
Com a grande mudança profissional, acarretando também em mudar-se de cidade, ultimamente Ohana vem pensando em como a vida muda muito e tanto. Ela não é a mesma de dez anos atrás, também pudera, se for voltar no tempo, aos dezessete ela estava ingressando na faculdade, não tinha nem metade da maturidade que tem hoje.
Atualmente, ela descobriu que pode e deve se reerguer, depois de ver o seu mundo cair, aprendeu que não é fácil se levantar, mas, que é fundamental o fazer e o amor próprio é essencial.
Ao chegar no seu novo ambiente de trabalho, gostou muito de toda a estrutura, até a fachada do jornal é bonita, na recepção apresentou seu documento, logo lhe entregaram o seu novo crachá, assim que colocou sentiu um frio na barriga, certa insegurança com o novo e disposta a começar uma nova etapa.
- Olá! Meu nome é Daiana, sou estagiária e você deve ser a nova contratada, Ohana.
- Bom dia! Eu mesma, prazer.
- Fui incumbida de fazer um tour contigo. Hoje a minha tarefa matinal é te apresentar tudo e todos.
- Agradeço desde já.
- Você é tão bonita, deveria trabalhar na televisão.
- Obrigada pelo elogio, mas, prefiro a redação, não me sinto confortável nem com fotos, filmagem piorou. Mas e você, qual período da faculdade?
- Ainda estou no ensino médio, tenho mais um ano e meio para concluir.
- E já escolheu o curso?
- Fotografia.
- É muito interessante, gosto muito de fotojornalismo.
Daiana trabalha no jornal têm seis meses, conhece a todos e apresentou Ohana para cada um ali presente. Quando o chefe chegou já tinham passado por todos os departamentos e até tomado um cafezinho. Já tinha falado com a chefia por vídeo conferência, por intermédio de uma amiga que a indicou para a vaga.
- Ohana, tem alguma possibilidade de você aceitar uma nova proposta? (Questionou o seu novo chefe depois que se cumprimentaram).
- Luca como assim? Não entendi.
- Bom, é que ficou tudo acertado para você atuar no caderno de esportes, já que o responsável por este setor vai se aposentar em breve. Porém, hoje bem cedo, recebi a ligação da nossa jornalista investigativa, ela decidiu se demitir para se dedicar exclusivamente para a gravidez. Relatou que os hormônios estão a flor da pele e prefere se afastar do trabalho no momento.
- A minha experiência é toda com esportes.
- Sei disso, você é muito boa no que faz e por isso, te contratei.
- Eu estava jurando que cobriria muitos jogos no ginásio panela de pressão e logo me acostumaria a narrar as vitórias do Bauru Basket.
- Também estava contando com isso, fomos todos surpreendidos.
- Para encarar este novo desafio, vou precisar de muito respaldo, pois, navegarei em águas desconhecidas.
- Já adianto, você não vai se arrepender, devido a sua prontidão é justo que o seu salário seja aumentado e providenciarei. O seu primeiro caso, é um assassino em série.
- Preciso conferir o horário do próximo ônibus para retornar para São Paulo (brincou).
- Já notei que além de disposição, você tem senso de humor, seja muito bem-vinda! Agora vou te acompanhar até a sua nova sala, o redator auxiliar vai te deixar inteirada sobre tudo.
Ohana passou o dia todo tomando nota de tudo junto de Bruno.
- E a polícia já tem avançado na investigação?
- Na realidade eles estão totalmente perdidos.
- Cinco mulheres assassinadas brutalmente, que absurdo, precisam investigar mais a fundo e cada detalhe.
- A investigadora responsável pelo caso é muito detalhista e competente, seus casos sempre são desvendados de forma rápida, mas este já têm meses sem solução.
- Bruno, me mostre tudo que vocês possuem, vou me debruçar neste caso e só vou sossegar quando encontrar o assassino (falou com convicção e com ânimo de principiante).
O caso era muito mais pesado do que Ohana imaginava, o modus operandi era assustador, em um dos arquivos com fotos das vítimas constava a seguinte descrição:
‘Maníaco da faca' - estuprador, sadista e homicida. Mata exclusivamente mulheres.
As cinco vítimas foram encontradas nuas, enforcadas, com sinais de agressão e tortura. Nas partes íntimas e seios, haviam marcas de mordidas.
Chamou a atenção de Ohana que em todas as fotos tinha uma espécie de desenho no abdômen das mulheres assassinadas.
- Bruno, qual o significado destes desenhos?
- Não sabemos, ninguém faz ideia, deve ser algo abstrato. Escuta o que estou lendo, venho estudando sobre diversos casos, para ver se encontro alguma pista. Você sabia que um jornalista e roteirista brasileiro, publicou um livro intitulado: "Loucas de amor: mulheres que amam serial killers e criminosos sexuais".
- Mentira, é sério isso?
- Sim, tem relatos de muitas mulheres que mandam cartas e são apaixonadas por presos que cometeram crimes brutais.
- Não posso acreditar nisso. Como conseguem? Só de pensar em algo assim tenho medo.
- Vou ler um trecho de uma carta que mandaram para um assassino em série "Francisco, não deixe a tristeza tomar conta de você e acabar com o brilho do seu olhar. Acredite em Deus, você não está e nunca ficará sozinho. Jesus te ama, sua mãe e seu pai também e, principalmente, eu". Detalhe ele é casado com uma mulher que conheceu por carta.
- Bruno que história surreal.
- Pior que é toda baseada em fatos reais, tem muito sangue envolvido e famílias destruídas.
- Já entendemos que o assassino tem o ímpeto de matar diversas vezes. Qual o perfil das suas vítimas?
- Até agora só sabemos que são mulheres.
- Faixa etária?
- Totalmente variada, a mais nova tinha vinte e um, já a mais velha cinquenta. Profissões sem nenhuma correlação, uma era babá, outra farmacêutica, tinha uma professora e assim por diante. Raça e cor de cabelo também variam, não tem nada de semelhante entre elas, ou seja, escolhidas ao acaso.
- Fiquei intrigada com o desenho na barriga.
- Indecifrável.
- Qual a tua opinião? É um psicopata?
- Sim e de tudo que li o classifico como sendo um assassino torturador com perversão sexual.
- E o infeliz é inteligente, cinco mortes e nenhuma pista que leve até o criminoso.
- Nada, nenhum deslize.
- Consegue agendar um horário na delegacia?
- Vou ligar e ver o que consigo.
No final do dia Bruno informou que tinha conseguido marcar um horário no dia seguinte, no final da tarde com a responsável pelo caso, Aisha Lacerda que é investigadora forense e perita criminal.
Naquela noite Ohana decidiu não levar nada do caso para casa, precisava estudar sobre tudo, mas, para um primeiro dia já tinha recebido muita informação. Deixou a redação e foi direto para o supermercado, aproveitou para espairecer fazendo compras para abastecer o seu novo apartamento.
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Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Vanderly
Em: 10/07/2021
Olá May!
Comecei a ler hoje e já gostei.
Eu não sou muito fã de ler histórias inacabadas, pois fico com medo da autora por algum motivo não finalizar, mas resolvi seguir a risca com mais uma.
Ótimo final de semana para nós.
Beijos!
Vanderly
Resposta do autor:
Olá! Vanderly, que felicidade receber seus comentários. Compreendo e compartilho do mesmo receio, mas, vai dar tudo certo e vou conseguir concluir, devido a correria diária não consigo postar com a frequência que gostaria, mas, não abandono, sei o quanto é ruim uma história inacabada. Beijos e abraços, May.
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Mille
Em: 16/12/2020
Oi querida May
Gostei adoro uma trama policial e investigativa. Só não gostei desse assassino vejo que terei que tomar muito chá para acalmar o coração.
Bjus e até o próximo capítulo
Resposta do autor:
Olá! Querida amiga Mille, mais uma história juntas =D Fico feliz por você gostar da temática, já tinha um tempinho que queria abordar e felizmente agora vem fluindo. Assassino detestável mesmo. Beijos e abraços, May.
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Marta Andrade dos Santos
Em: 15/12/2020
Gostei
Resposta do autor:
Olá! Fico feliz por você ter gostado e obrigada por ter comentado. Beijos e abraços, May.
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