Minha gente, andei sumida! Final de ano, sabem como é, né?
Espero que ainda estejam por aí, abraços!
Capitulo 30: Até o ano que vem!
O dia da formatura chegou junto com a sensação de alívio de Catarina em finalmente se livrar da escola Professor Artur Gagnon.
O fato de não haver passado no vestibular ainda intimidava um pouco a garota, mas ela estava disposta a traçar novos planos para o ano seguinte, desta vez sem influência alguma de Rodolfo e Débora. Em seu quarto, terminando de vestir a beca, deu uma olhadela para os livros de engenharia civil e se pegou avaliando se era naquele curso mesmo que gostaria de investir quatro ou cinco anos de sua vida. Ao lado dos livros acadêmicos, passou o dedo pela lombar de um de seus romances adolescentes e decidiu pensar sobre o futuro quando ele estivesse mais próximo do presente.
Após prender a faixa de formanda na beca, penteou os cabelos e guardou a escova na mala que estava arrumada desde o dia anterior. A viagem para a serra foi aceita sem muitas objeções por Débora, que, apesar das tentativas de se reaproximar mais de casa, ainda preferia digerir o eminente divórcio sem a presença de Catarina por perto.
O natal na casa dos Barone seria atípico. Nada das grandiosas festas que reuniam os amigos e parentes distantes da família, naquele ano algo havia sido quebrado por tempo indeterminado. Pai, mãe e filha iriam para lugares diversos, cada qual com suas comoções.
A formatura, entretanto, foi tomada como um vínculo obrigatório tanto da parte de Débora como pela de Rodolfo. A mulher optou por deixar as diferenças de lado com o ex-marido e aceitou acompanhá-lo durante a cerimônia. Porém, até quem não conhecesse o que estava por trás dos dois saberia que ali não havia mais a mesma paixão demonstrada com tanto fervor meses atrás. Dentro do luxuoso carro guiado pelo pai de Catarina, a conveniência falava mais alto do que antes era considerado carinho.
Quando os três chegaram na escola, Cate cumprimentou de longe a amiga Audrey que sorria descontraída ao lado de Seu Victor, que não cabia em si de tanto orgulho da filha. Ali também estavam os irmãos gêmeos mais novos da garota, mas nem sinal de sua mãe. Rodolfo não fez questão de ir cumprimentar a outra família, ficando amuado num canto do salão, digitando algo no celular com certa indiferença. As duas garotas começaram as apresentações, vide que aquela era a primeira vez que seus pais se encontravam face a face, afinal elas iam e vinham, uma da casa da outra, completamente sozinhas. O semblante de Débora revelou surpresa ao invés de cordialidade:
- Victor? É o Victor, não é? Meu Deus!
- Ah, você. Quanto tempo! - Victor não compartilhava a mesma empolgação pelo inesperado reencontro.
- Vocês se conhecem? - Audrey sorriu para Débora, em seguida para o pai.
- Sim, nós... fomos colegas de classe no passado... - O homem abaixou a cabeça, visivelmente constrangido.
- Me deem licença, eu vou pegar uma bebida, prazer em te reencontrar, Victor, nunca imaginei que fosse pai de Audrey. Cate, estarei logo ali, na cadeira de frente ao Rodolfo.
- Mas que pressa toda é essa, mãe? Vem Audrey, por que vocês não sentam perto da gente?
- Boa ideia, vamos, pai?
- Já reservamos nosso lugar, minha filha. Desculpe, Cate, fica complicado trocar agora...
- Sem problemas. A gente se vê no final da cerimônia, certo, Audy?
- Sim, assim que terminar vamos dar uma última voltinha pela Gagnon, pra nos certificar que nunca mais voltaremos, ahahaha.
- Tomara! Até já! - Catarina saiu, acompanhando a mãe. Sentaram em silêncio, o mesmo ar solene que emanava desde a saída de casa até então. O clima entre Victor e Audrey estava bem mais descontraído, e a filha não esperou muito para sabatinar o pai:
- Mundo pequeno, hein, grande homem? Colegas de classe? O que mais?
- Por que você é tão espertinha?
- Porque sou sua filha. Não fuja, me conte que rolo foi esse!
- Namorico bobo do passado. Está vendo o cara de nariz empinado atrás da Débora?
- O pai da Catarina, um escroto! Não se deu nem ao trabalho de cumprimentar a gente!
- Eu sei quem é aquele traste. Não mudou quase nada também.
- Então me explica, homem! Você namorava com a mãe da Catarina e ele furou seu olho? Algo assim?
- Na mosca! Demorei meses para criar coragem e chamar a Débora para um encontro. Quando finalmente aconteceu, fomos ao cinema e eu tive que ir ao banheiro. Não consegui mais sair, me trancaram pelo lado de fora. No meio da sessão abriram a porta e eu pude me livrar, mas quando cheguei à sala, esse cara estava beijando a garota por quem eu estava apaixonado desde o começo do ano!
- Nossa, que pilantra! Aposto que ele te trancou lá! Mas ela também, né? Ela foi com você e depois estava lá, beijando outro? Me poupe! Não sabe o que perdeu.
- Pelo visto tinha que acontecer isso, veja, eles estão casados até hoje.
- Mas eles estão se divorciando, não te contei? Vai ser um baita livramento pra mãe dela!
- Bem, desejo o melhor para ela. Isso aconteceu há muitos anos, não tenho mágoas, nem quero que esteja num relacionamento infeliz, eu sei bem como é desgastante. Não vou negar que fiquei um pouco constrangido ao vê-la, afinal ela está ainda mais bonita do que antes!
- E você, lindo e maravilhoso? Dizem por aí que é o melhor pai do mundo também, disparado nas pesquisas do ibope, hein?
- Seu pai tá com tudo ainda, é isso mesmo?
- Com tudo e mais um pouco, grande homem! Anda, vamos sentar longe daquele vilão mexicano ali, que ele já está colhendo o que plantou. Depois eu falo com a Cate.
Um a um os formandos eram chamados para assinar suas respectivas certidões, pousar para as fotos de recordação e abraçar o corpo docente da Artur Gagnon. Foi assim com Catarina, Audrey, Pedro Henrique e Richardson. Como esperado por Cate, Raga havia faltado à cerimônia, mesmo com sua dupla aprovação estampada nos quatro cantos da escola. Ela sabia que a verdadeira Raíssa Gama era uma pessoa que não seria hipócrita ao ponto de abraçar sua tia preconceituosa e sorrir para as conveniências sociais impostas por quem tanto a apedrejou.
O evento terminava e as famílias começavam a se retirar do local, a emoção era latente, enfim aqueles jovens encerraram mais um ciclo de suas vidas, prontos para começarem a jornada mais desafiadora e real que viria a seguir. Débora se despediu friamente do ex-marido, que desejou um igualmente frio "feliz natal" para ela e a filha, saindo em disparada. Catarina pediu licença à mãe para fazer a tal caminhada de despedida com Audrey e também se retirou, deixando Débora sentada a olhar para Victor, de pé no lado esquerdo da plateia.
As amigas passaram por todos os corredores, pátios, salas, até chegarem nas arquibancadas da quadra esportiva, onde também estavam outros alunos vestidos nas pomposas becas, alguns chorando, outros gargalhando ou simplesmente abraçados. Pedro Henrique se juntou às duas depois de um curto abraço e aperto de mão em Richardson, surpreendendo a todos.
- Uau, Pedro Henrique, ele quem te chamou para a cena? Já estava pronta para voar no pescoço dele se fizesse alguma merd* no dia de hoje! - Audrey batia na palma da mão esquerda com a direita fechada em forma de soco.
- Até parece, a Elizete que o mandou fazer isso, estão tentando limpar a imagem dele a todo custo, depois que perdeu a bolsa de patrocínio daquele clube de futebol!
- Ele perdeu a bolsa?! A Raga nem me disse!
- Acho que nem ela sabe, Cate. Eu que ouvi sem querer quando a Elizete estava o aconselhando atrás do biombo, na hora que fui pegar meu capelo. Estão escondendo de todo mundo que encontraram substâncias ilícitas nos exames dele!
- Finalmente eles não conseguiram mais forjar as trapaças! Eu sabia que ainda tinha gente honesta nesse mundão! - Declarou Catarina, com uma sensação de justiça satisfatória.
- Vem cá, por falar em Raga, quando vocês viajam? - Audrey abraçava Pedro, que mais parecia um boneco de cera no momento.
- Hoje. Saindo daqui, para ser mais específica.
- E quando voltam? Queria encontrar vocês antes de começarem as aulas na federal, ela também vai pra lá, né?
- A gente não sabe, Audy, mas certeza que voltaremos antes das aulas, ela vai fazer veterinária lá. E eu tenho que recomeçar a estudar também. Pedro, você conseguiu uma bolsa para uma universidade particular, não foi?
- Sim, e lá o semestre começa bem antes do que na federal. Minhas férias serão mais curtas.
- Então a gente precisa sair juntos logo, garotinho. Antes que só pensemos em seminários, provas e congressos. - Audrey piscou para Catarina.
- Tá falando sério?! Quer sair comigo?
- Vai logo, meu filho. Tá vendo que a mulher tem pressa não? - Catarina ria da situação, Audrey finalmente notou o interesse de Pedro Henrique e ele não sabia onde enfiar a cara.
- Pessoal, preciso ir agora. A gente se vê assim que voltarmos, talvez antes do meu aniversário, eu acho. Obrigada por tudo! Vocês são os melhores amigos que eu poderia encontrar nesse lugar!
- Obrigado, Cate! Vou sentir sua falta! - Pedrinho já estava chorando desde o convite de Audrey.
- Ei, eu não vou morrer, garoto! Vamos nos ver muito ainda, longe daqui, vai ser até melhor, ahahaha.
- Tchau, minha amiga. Aproveita bastante essa viagem! Manda notícias pra gente assim que der!
- Assim que eu tiver um tempo! Feliz natal, galera! E vai se foder, Gagnon!
- Vai se foder, Gagnon!! - Gritaram os três, em uníssono.
*****
Catarina conferiu a mala pela última vez antes de descer as escadas para ver se não havia esquecido nada de importante. Levantou, abriu a gaveta da escrivaninha e tirou de lá a pulseira da sorte que ganhara de Érika, guardando-a em seu closet, no fundo do compartimento destinado às meias. O ônibus que partiria em direção à serra estava programado para as nove da noite e já estava na hora dela deixar a casa e se encontrar com Raga na rodoviária.
Abraçou Débora demoradamente. A viagem ainda não tinha dada certa de volta e a mãe garantiu que daria todo suporte financeiro para a filha passar quanto tempo desejasse:
- Mas tente voltar até o seu aniversário, tudo bem? Sei que não vai ser como os outros, mas...
- Pode deixar. Mãe, desculpa se eu magoei você nesses últimos meses?
- Não precisamos conversar sobre isso agora, Cate. Quando você voltar, quando o novo ano começar também, veremos como as coisas ficam.
- Quando você viaja?
- Amanhã, ele vem aqui buscar Bruce e eu vou em seguida.
- Ele vai ficar na cidade? Não sabia.
- Nem suspeitou por qual motivo?
- Talvez, mas eles não estão juntos...
- Como pode ter tanta certeza?
- Eu só sei.
- Bem, agora tanto faz. Paris sempre me anima de alguma forma! Agora, vá, não deixe sua amiga esperando muito.
- Boa viagem, mãe.
- Boa viagem, minha filha. Mande uma mensagem com o endereço de onde você e sua amiga vão estar, quero saber onde fica, certo? Assim que eu pousar entro em contato. Venha aqui, me dê mais um abraço.
Catarina enfim entrou no carro, acenando para a mãe automaticamente. A despedida de certa forma ainda era diplomática, se comparada ao plácido e cálido passado daquela família, que nunca havia se separado num natal antes. Para elas restava nada mais que o tempo, solução mais oportuna impossível.
Na plataforma 28, o ônibus já estava estacionado e os funcionários da empresa se empenhavam em guardar as bagagens dos passageiros. Entre uma família de três crianças e um casal de idosos, Raga avistou longos cabelos pretos e brilhantes, que balançavam conforme o caminhar de sua detentora. Sorriram ao mesmo tempo.
- Demorei?
- Chegou na hora certa.
- Você também.
- Hã? Mas cheguei primeiro...
Sem responder, Catarina envolveu Raga pela cintura e a beijou ali mesmo, sendo prontamente correspondida. A garota de cabelos coloridos sorriu mais uma vez ao fim do beijo, pegando a outra pela mão que estava livre da mala. Sentaram lado a lado, com as cabeças encostadas. O ônibus partiu no horário marcado, deixando a cidade aos poucos para trás.
Fim do capítulo
Espero conseguir voltar logo, conto com o apoio de vocês, sempre. Até mais!
Comentar este capítulo:
cris05
Em: 26/11/2020
Eu shippo Débora com Seu Victor. E de preferência que eles passem bem apaixonadinhos na frente do Rodolfo.
Confesso que o final do capítulo me deixou apreensiva. Eu gosto da Raga, mas não com a Cate rsrsrs.
Torcendo pra você voltar logo, autora.
Resposta do autor:
Olá, Cris! Obrigada pelas torcidas e apreensões kkkk.
Estava sem tempo para atualizar, mas estou voltando em breve!
Abraço e obrigada por comentar!
malumoura
Em: 26/11/2020
Acho que pode rolar algo entre a Débora e o pai da Audrey, vamos aguardar. Que fofo meu casal. Sinto que já já a inominável começa a correr atrás da Catarina hahahahah e vamos de passar raiva
Resposta do autor:
Oi, Malu! Passar raiva faz parte kkkk, torcer também!
Volto em breve pra desenrolar esse nó!
Abraço e obrigada por comentar!
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Naty24
Em: 26/11/2020
Eita!!!! Essa viagem promete grandes descobertas.
Pai da Audy e a mãe da Cate?ahahaha... que hilário! Rodolfo como sempre trapaceando para seu bel prazer
Ñ vejo a hr de saber qual será as transformações da vida de Érika;a partir de agora. Catarina irá dar-se uma chance ao lado da Raga? Ou.... na sua volta pra casa lhe trará emoções arrebatadoras novamente
Autora tendo apoio das novelas mexicanas kkk... apoio mais inspirações como essa. Bjs,espero tê-la aqui em breve com fortes emoções
Resposta do autor:
Oi, Naty, obrigada por sempre marcar presença, não canso de dizer que faz toda a diferença para mim!
Demorei, mas em breve volto para trazer as respostas de todos os seus questionamentos num novo capítulo.
Abraço e obrigada por comentar!
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