Mais tarde tem outro capítulo hein, agora fiquem com este. Espero que gostem!
Capitulo 5: Fuga para Audrey mais próxima
Nove e meia da noite Audrey pausou sua partida de Mortal Kombat e resolveu acordar a, anteriormente chorosa, Catarina. Não conversaram desde o toque nervoso da campainha até a entrada atabalhoada da vestibulanda, tropeçando no tapete e distribuindo alguns grãos de areia pelo chão. Assim era a amizade das duas: quando o momento não pedia perguntas, elas não seriam feitas.
Após a confusão mental que a levou até a praia, Catarina estava certa de que não conseguiria voltar para casa naquele mesmo dia, seria necessário ir para o único lugar em que não teria de dar explicações diretas pelo seu estado. Antes, se culpou por não ter avisado à mãe onde estava, discou o número e suplicou mentalmente para que sua interpretação soasse o mais natural possível:
- Alô, mãe?
- Cate, graças a Deus! Por que está demorando tanto? Seu pai também sumiu, ninguém atende minhas ligações, vocês querem me matar de preocupação?
- Perdão, mamãe... Me desculpa, por favor...
- Aconteceu alguma coisa?
- A prova foi mais difícil do que eu pensei. Acho que não fui bem...
- Oh, meu amor, sinto muito! Então por isso a demora, né? Onde estão? Vou me encontrar com vocês...
- Meu pai não está comigo. Mas ele está bem, logo aparece...
- Não entendo...
- Escuta, estou indo para a casa da Audrey, dormirei lá hoje, preciso organizar as ideias depois do fiasco, espairecer... Meu pai já sabe, conversamos antes.
- Puxa, ele podia ter me avisado! E pior que não entra nem em contato, Rodolfo não é disso...
- Mãe, meu pai... - pensou em dizer "está melhor do que eu", mas conteve o ímpeto, iria falar demais - deve estar chegando. Nada aconteceu, eu só preferi ficar com minha amiga. Você entende?
- Essa parte sim, o sumiço dele que... Espera, ele acabou de chegar! Não morre tão cedo!
- Bom, então preciso ir, até amanhã. Te amo!
- Te amo mais. Quando quiser conversar sobre hoje, venha para casa. Juntos iremos pensar...
- Sim, amanhã. Sei que juntas passaremos por isso. Tchau.
Desligaram. Catarina sentiu-se nauseada só de imaginar a cena do pai chegando, abraçando a mãe como se nada houvesse acontecido, beijando-a como sempre fazia ao chegar da rua. Com certeza ele não contaria a verdade, iria continuar enganando-a - "sabe-se lá há quanto tempo se encontra com aquela garota" - encerrou a avaliação, contrariada.
Agora, Audrey olhava atentamente para a esfarrapada amiga deitada em sua cama. Nem parecia a mesma garota bem arrumada e com a coisa certa a se dizer na ponta da língua. Algo realmente grave parecia ter acontecido:
- Ok, nunca te vi assim. Chega do silêncio respeitador, vamos quebrar as regras. Foi o vestibular?
- Posso deitar a cabeça no seu colo?
- Bem, você não precisa pedir, mas pode sim... Pronto?
- Aham. Me deixa ficar assim mais um pouco?
- Deixo.
A conversa não estava fluindo, Catarina parecia travada, envergonhada por um erro que nem era seu, isso a deixava frustrada. Aos poucos, entretanto, foi se acalmando, sentindo as cálidas mãos da amiga passando por seus cabelos. Eram mãos calejadas, porém gentis ao ponto de fazê-la sentir-se mais confiante.
- Meu pai está traindo a minha mãe.
- Caramba! Nem nos meus piores palpites adivinharia... E você descobriu hoje, justo hoje?
Catarina refez em palavras todo o percurso, da saída de casa naquela manhã até o fatídico momento na calçada do café. A cada parte do discurso Audrey arregalava mais os olhos, para ela a família de Cate era um eterno comercial: felizes, unidos, simpáticos. Ricos. Interveio no fim do relato:
- Eu contaria para minha mãe.
- Oi?
- Se eu fosse você, eu contaria. Amanhã mesmo! Ninguém merece ser refém de uma mentira assim. Se eu não contasse, me sentiria traindo-a também. Ele, querendo ou não, está destruindo vocês duas ao mesmo tempo!
- Para ela é mil vezes pior. Eles estão sempre juntos, quando ele viaja a negócios ela sempre vai. Eu os vejo se agarrando pela casa todos os dias, se beijando antes do café da manhã... Como ele pôde? Nem imagino como arranjou tempo e espaço para enganá-la. A amante é tão jovem! Acho que é quase da nossa idade!
- Eca! Piorou o que já estava afundado na merd*! Eu entendo o que disse, mas a tua mãe precisa saber, Cate. Por mais que doa, acho que doerá mais se ela continuar achando que teu pai é um príncipe... como ela chama mesmo?
- Príncipe do chocolate derretido! É nojento mesmo...Preciso pensar mais um pouco... Sabe, por causa desse problema fiz uma prova terrível! Com certeza não pass...
- Shhh... - Audrey pressionou os dedos sobre os lábios da amiga aflita - não pronuncie o resto dessa frase ainda, espere o resultado. E estamos juntas, tá bem? Seja qual for a decisão que tomar, teu pai foi um bosta, é culpa totalmente dele você ter sofrido um baque desses no dia mais importante do ano pra ti! Nunca será tua culpa...ei, quer dormir de novo? Amanhã vê o que faz.
- Não quero dormir mais, quer me deixar em coma? Dormi desde que cheguei aqui.
- Então pega o segundo controle. Vou deixar que surre meu Scorpion para dar uma aliviada... Opa, isso pareceu erótico?
- Na sua cabeça "maior de idade" sim. Bobona!
- Que seja, menor, eu ainda vou deixar você vencer!
- Negativo! Você vai resistir e eu vou ganhar porque jogo muito bem de Kitana.
Foi o primeiro sorriso de Cate desde o acontecimento com o pai. As decisões ficariam mesmo para o dia seguinte, graças ao colo da amiga e ao vídeo game no quarto.
Mais tarde, naquela noite, deitaram lado a lado na mesma cama. Não importava o pouco tempo de amizade entre elas (apenas correspondente ao ensino médio), se entendiam muito. Audrey passou o braço carinhosamente em volta do ombro de Catarina, sentindo a cabeça dela encostar em seu peito logo após. Minutos depois, a camiseta da mais velha começava a ficar encharcada. Tentou aliviar mais uma vez a tensão:
- Só não vale assoar na manga da minha blusa...
- Tarde demais - Cate terminou o serviço, soluçando e fungando o nariz na estampa do Batman.
Diferentemente do sono da tarde, desta vez sonhou. Madrugada adentro, aquela garota beijava o pescoço de seu pai, enquanto sorria sedutoramente. E lá estava ela, Cate, parada em frente à vidraça, batendo, batendo, gritando sem voz alguma. De repente, a garota levanta e caminha, surgindo magicamente do lado de fora. O mundo gira, num flash os carros aceleram de forma anormal. Lábios passam agora pelo pescoço de Catarina, braços a envolvem. Ela se vê sentada no lugar que antes era ocupado por seu pai. Uma voz feminina sussurra:
- Não era isso que você queria?
Fim do capítulo
Esta história atingiu 500 leituras em apenas 4 capítulos! Pra mim, que tô começando agora, achei incrível, estou muito agradecida. Enquanto uma pessoa ler, já será gratificante, mesmo sem muitos comentários (mas se puderem comentar, seria ainda mais legal). Até mais!
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