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Minha mente esta em seu caos por Tamires Marinho

Ver comentários: 1

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Palavras: 1614
Acessos: 709   |  Postado em: 11/08/2020

Notas iniciais:

Olá manas, 

Finalmente um pouco de HOT. 

Leve e poetico, espero que gostem!

Capitulo 9

Antes de entrar no chuveiro olhei pela janela daquele quarto num apartamento bem localizado e lembrei do aglomerado de casas, que se amontoavam em espaços estreitos, no extremo dessa metrópole carnívora. Grajaú é como um agreste paulista, que não tem seca, mas tem esquecimento. Embora tempestades sejam sinais de preocupação, pois podem resultar em enchentes. Minha casa se localizava ali, nas margens de um córrego, numa viela de encruzilhada. É neste cenário que vivi os últimos quinze anos da minha vida, de fase penosa atenuadas apenas pelo amor e proteção de mamãe, extremamente devota ao meu bem estar. Mamãe me sustentou toda a vida com dinheiro das faxinas que fazia na casa da gente branca. 

Nosso barraco, atestava pobreza. Os únicos dois cômodos de construção não rebocados mostravam os tijolos baianos, e o teto era de telha barata. Durante as chuvas que às vezes despencavam, entrava água dentro da casa. Poucos e modestos eram os móveis, garantindo-nos o básico e nada mais de conforto. Caixas serviam de guarda-roupa, uma pequena mesa com livros, frutas e contas em cima. Uma cama de madeira que dividia com mamãe, um fogão e uma geladeira onde cozinhávamos. O chão era em todos os cômodos de ladrilhado. No banheiro a porta era uma cortina e por agora tínhamos chuveiro com água quente. 

Embora o cenário parecesse ruim, já havia sido pior. Mamãe era mulher solteira, quando engravidou trabalhava como faxineira na casa do pais de Mariana, não dormia no trabalho, mas, quando meu avô, homem de caráter violento, alcoólatra descobriu que a filha estava embuchada. A expulsou. Mamãe escondeu dos patrões o quanto pode a gravidez, até que se tornou evidente demais. Quando descobriram, Mariana que aquela altura já era criança, estava apegada demais a sua mãe negra para que eles pudessem a expulsar. Moramos por lá, na despensa que virou o quarto de empregada. Mamãe nunca se casou, não tinha boas lembranças daquele pai beberrão. 

Me livrei dos devaneios e entrei na água quente, senti a umidade escorrer morna  pelas minhas entranhas. Minha consciência alertava que era ali que ela se banhava, será que se tocava? será que pensava em mim ? O perigo morava com ela, em suas águas empesteadas de um veneno misterioso e encantador. Um calor trafegava pelo meu corpo, antecipava meus anseios, coberto por calafrios leves, como que ao ansiar por um contato breve, eu mesma me trasmutasse em ferida aberta. A regra era simples; caso ficasse tempo demais sobre o efeito de atingir a nota maior do céu, coisas deliciosas aconteceriam com os meus dedos abrindo espaço. Estava certa que choraria prazer ali, como um castigo por ser uma mulher tão curiosa por outras mulheres. Então me transportei para o reino dos absurdos e a imaginei ali, com um beijo ansioso, repetindo movimentos que me faziam febril para além de qualquer doença, senti que sairia dali fraca e desidratada. Tive espasmos e quis aprofundar sensações, estava domada pelo desejo de ser tomada por aqueles lábios macios. Tomei portanto um banho longo, sentindo a pressão da água por entre as pernas. Delírio! Meu respirar se tornou pesado, a pele ardia. 

Sai do banho ainda atordoada, vesti a roupa que me foi emprestada. Me serviu bem, ao menos assim pude sentir o cheiro dela. O cheiro doce de cremes e perfumes caros, embora o que eu desejasse mesmo era sentir o cheiro de sua pele crua, nua. 

Enfim voltei para a festa. Minha garganta estava seca, cobiçava um gole de cerveja. Sem me deter, desci as escadas. “Como tudo isso é opressivo” pensei. Apesar desta conclusão sufocante, senti-me alegre como se de repente um peso gigante tivesse saído dos meus ombros, passei ansiosamente meus olhos ao redor procurando-a.

Aquela hora ainda havia poucas pessoas na festa. Duas mulheres bêbadas tropeçando nos próprios pés e mais uns cinco homens formavam um grupo de pessoas que eu não conhecia. Mas, quem importava não estava ali ao alcance dos meus olhos. 

Restou-me apenas iniciar a bebedeira e quem sabe assim ter um pouco mais de lucidez. Então com uma cerveja gelada, que havia pego no balde cheio de gelo, atravessei a sala e encontrei-a na varanda cercada por homens e mulheres. Ela estava particularmente deslumbrante e só agora na calmaria depois dos acontecimentos derradeiros me dei conta. Seus companheiros falavam-lhe algo, mas, ela parecia não ouvir. Mirava-me com olhos brilhosos e curiosos. A blusa que me emprestara era de frente única e deixava parte do meu corpo exposto. O ar se encheu de desejo. Será que a visão do meu corpo semi-exposto lhe fazia sentir fome, vontade?

Da primeira vez, fiquei confusa. Por que ela me encarava tanto? Sua intenção me pareciam nebulosas. Depois, me pareceu que havia uma espécie de atração, talvez do tipo raso, que transformam mulheres como eu em sedentas por sex*. Quero dizer que poderia ser apenas um fetiche a toa. Algo parecido com ser posta de quatro, perversões e chicotes. De qualquer modo, agora eu sabia que ela estava sedenta por mim. Mas, suas intenções ainda me eram obscuras. No mínimo deveria esperar alguma espécie de manipulação sexual, alguma sensação do experimentar o proibido, o exótico. 

Ao seu lado havia um tipo, com um aspecto de burguês mal acostumado, estava sentado ao lado dela com um copo na frente, e vez ou outra bebia enquanto dava um jeito de tocá-la sutilmente. Meu sangue ferveu, desfiz nossos olhares trocados e pela minha feição irritada, ela demonstrou confusão. Aborrecia-me quando a via na companhia de outros homens e mulheres e mostrava-me colérica. No meio dos outros ela sabia o que falar, como se portar; era-lhe mesmo verdadeiramente fácil demonstrar-se agradável. No seu exterior, era uma mulher muito atraente, impecável, carismática. Estava encantada com o jeito que ela mexia nos cabelos. Aparentando uma autoconfiança intimidante, notei-me odiando-a por isso. Ao passo que ela avançava em algum diálogo entusiasmado com uma garganta de sucesso aguardando-a em cada esquina, eu recuava, ansiosa, insegura, sentindo dificuldade de me aproximar, ao mesmo tempo que percebia-me desejando com ela o contato que o sex* proporciona. No entanto, duvidava de ser sexualmente desejável. Tinha na minha própria auto-imagem total vulnerabilidade. Sem confiança como mulher e como amante. Eu estava num círculo vicioso, perdendo todo os dias um pouco do respeito por mim mesma e assim não conseguia analisar nada direito. Fiquei medrosa, achando que a única saída era o amor de migalhas que Eduardo me ofereceu por anos. Queria que a veterana me enxergasse bela e simpatizasse comigo. Queria que ela reconhecesse que todos os acontecimentos da minha vida haviam conspirado contra a possibilidade real de tomar qualquer atitude. Eu acreditava no meu fracasso e sentia-me marcada de maneira tal que jamais poderia mudar minha realidade. 

 

“ Veja só da onde venho!” -- Falava com a Jacque que aquela altura já tinha notado meu interesse -- Olhe para ela, ninguém nunca esperou que ela tivesse que ganhar a vida, como eu poderia esperar que ela me notasse. Existe um abismo gigantesco entre nós. 

 

“Talvez ela não se importe” - Jacque retrucava -- Você se vira muito bem.

 

Jacque também não entendia. Embora que de fato em termos intelectuais eu pudesse professar ideias chamativas. Como eu pudera regredir e me diminuir tão grotescamente? O que tinha acontecido comigo? Muitas coisas na verdade. Boa parte das dificuldades com a qual me confrontava tinham base concreta em minha infância. Marcas que implicam nas minhas ações e crenças. Em meio a toda a dor e confusão reconhecia de algum modo que eu conservava as palavras que me diminuíram na infância, mesmo com todas as distorções. Certamente meu relacionamento com Eduardo também contribuiu -- sendo ele o protetor e eu a protegida -- eu enxergava minha imagem distorcida, sobretudo na minha relação comigo mesma. Como menos forte, menos merecedora e menos competente. Sim, essa era a minha ética errônea de mulher com a auto-estima destruída. Uma vez reconhecendo ter raiva da ideia de precisar assumir a responsabilidade pelo meu próprio bem estar, e assim tive raiva dela por forçar-me a enxergar as profundas desigualdades que nos cercavam. Senti-me envergonhada e profundamente invisível. Como era possível sentir tanto medo de não ser amada ? 

Encontrei em alguns textos desses feministas de internet um pouco de orgulho, de identidade, era a primeira vez que via gente enaltecendo a cor da minha pele.  No entanto, entre todas as pessoas que enalteciam, existiam o dobro ou mais para vomitar ódio em nossas vidas. Como eu poderia me orgulhar ? Se em todos os momentos da minha existência me senti amedrontada e solitária, bicho fera de pele preta, andava pelas ruas e via-me observada. Entrava numa loja e sentia-me seguida. Não houve momento de exceção. Pensava que eu talvez fosse uma aberração, alguma espécie de “ET”, indefesa, estranha e o mundo aterrorizava-me.

Apenas depois de conhecer Angela Davis conseguia entregar-me a leitura, e me reconhecer tal qual uma mulher negra capaz de debater negritude com alguém. Outras mulheres relataram suas experiências. Eu me sentia inserida. Eduardo, o embuste no entanto, homem branco sempre se apresentava decepcionado, exibia desinteresse quando dividimos intimidades. Sobretudo, porque esperava de mim mais libido. Respirava fundo e recuperava meu fôlego. Se aquele homem me deixasse quem mais iria me querer? aquele sentimento de total isolamento sempre me acompanhou, e eu me entregava sem prazer algum. 

No segundo ato eu me conscientizei de algo e não ia permitir que toda minha vivência fosse desvalorizada pelo mero fato dela não me enxergar. Minha vivência real e mutilante, era um fenômeno nacional ainda intocado. Isso de certo que merecia valor. 

Me distrai por uns segundos e quando me dei conta ela já estava junto a mim… 

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 10 - Capitulo 9:
kasvattaja Forty-Nine
kasvattaja Forty-Nine

Em: 11/08/2020

Olá! Tudo bem?

 

Você escreve bem, muito bem mesmo: articula bem as palavras, constrói coerentemente as ideias. Torcendo para a sua historia ficar melhor do que já está.

 

É isso!

 

Post Scriptum

 

 

Motivo

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.

 

Cecília Meireles

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