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  • Quarta Temporada - TRANSFORMAÇÕES VII

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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

Ver comentários: 11

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Palavras: 17659
Acessos: 10761   |  Postado em: 12/04/2020

Quarta Temporada - TRANSFORMAÇÕES VII

 

 

--E vai ser amanhã, Olga! -- Mariângela dizia ao telefone -- Camille disse que a tal da Letícia vem almoçar aqui! -- pausou -- Acho que estão mesmo namorando! O que eu faço? Como devo me comportar? O que você fazia quando Seyyed aparecia com mulher em casa?

 

Olga riu. -- Nada de mais! -- pausou -- Mari, fique calma, você fala como se a menina fosse casar amanhã. É só um almoço. Seja natural como você é com qualquer pessoa que conhece.

 

--Mas é diferente, Olga!

 

--O que fez quando conheceu Fátima?

 

--Ah, mas naquela época eu não desconfiava de nada! Agora sei de tudo! Além do mais Fátima era uma moça mansinha e essa tal Letícia é cobra criada!

 

--Como sabe que é cobra criada? -- achava graça

 

--Ela não é como Fátima, disso tenho certeza!

 

--Mas é claro, são duas pessoas diferentes!

 

--E de mais a mais, Camille me disse que a mulher é mais que doutora, esteve em um monte de países, ganhou um monte de prêmios em congressos... Essa aí é poderosa! Fátima ganhou poder só depois que a conheci!

 

--Seja como for, fique calma e seja você mesma. Converse com ela, procure ver o tipo de pessoa que é, e não seja dura demais com a moça. Pode ser uma boa pessoa, por que não?

 

--Eu não estou habituada com isso! Fazia tanto tempo que essa menina não namorava! -- pausou -- É a primeira vez que me sinto conhecendo uma genra!

 

--Calma, mulher! Tudo vai dar certo!

 

--Por que não vem pra cá com Mariano e o menino amanhã também? Você poderia me ajudar a fazer uma análise bem criteriosa! -- propôs

 

--Não, eu te agradeço, mas não seria uma boa idéia. Camille poderia ficar tensa na presença de tanta gente, bem como a moça. Não vamos dificultar as coisas desnecessariamente. Haverá o momento certo pra que nos conheçamos todos.

 

--Ai, ai, ai! Acho que vou me pegar com minha santa pra amansar essa mulher!

 

--Fala como se ela fosse uma fera! -- riu

 

--Eu tô é apavorada! -- confessou

 

--Se bobear, Camille e a moça estão mais apavoradas que você! -- pausou -- Fique tranqüila, tudo vai dar certo!

 

--Ih, Camille vem chegando. Vou desligar. Depois te ligo pra dizer como foi!

 

--Tchau, querida! Tudo vai dar certo, fique calma!

 

Quando a loura entrou em casa, a costureira fingia tranquilamente estar assistindo a uma novela.

 

***

 

Tânia fazia compras no supermercado quando uma moça veio abordá-la.

 

--Oi, tudo bem? -- sorria -- Deixa eu te perguntar, você é irmã da Tatiana, né?

 

“Ué? Que negócio é esse?” -- pensou desconfiada -- E você, seria quem? -- olhava atentamente para o rosto da outra

 

--Sou amiga dela. Nós trabalhávamos juntas. -- continuava sorrindo -- Por onde anda aquela danada, hein? Sumiu que ninguém soube mais de nada! Até o número de celular parece que não funciona mais...

 

Tânia não conseguia acreditar na conversa dela.

 

--Mas o e-mail funciona, por que não escreve? -- sorriu -- Tati foi fazer um curso fora do país. Todas as amigas dela sabem disso. -- mentiu -- Qual é o seu nome, à propósito?

 

--Ah, eu sou a Paula. -- respondeu sem graça -- Eu não sabia desse curso. Quando ela volta?

 

--Não sei, uai! Pergunte a ela quando mandar e-mail.

 

Novamente ficou sem graça. -- Quando falar com ela diga que mandei lembranças.

 

--Pode deixar.

 

A mulher se despediu e Tânia ficou prestando atenção nela. “Tenho que avisar a todo mundo que apareceu essa tal aí atrás da Tati!” -- pensou -- “Tomara que ninguém desconfie que ela tá na casa da Sabrina...”

 

***

 

--Aummmmmmmmm!!! Aummmmmmmm!!

 

Lila estava com sete pessoas no Aterro do Flamengo dando aula de meditação. Priscila e Ulisses, pai da gaúcha, assistiam de longe.

 

--É isso que ela faz todos os dias, seu Ulisses. E também dá aulas de pompoarismo tântrico, faz sessões de cristalografia, cromoterapia, massagem, tratamento de chakras...

 

--Mas, bá, não é possível! -- exclamou revoltado -- E os estudos? -- olhou para Priscila

 

--Aummmmmmmmmm!!! Aummmmmmmmmmmmmmm!!

 

--Lila não estuda, nem livros ela tem! -- respondeu olhando para ele -- Se faz faculdade, perdoe dizer, é de picaretagem avançada! -- pausou -- Com todo respeito... – complementou

 

--Capaz!! -- estava perplexo -- E por que a chama de Lila? O nome dela não é Lila! É Jaqueline! -- protestou

 

--Ela não aceita ser chamada assim. -- pausou -- Olha, eu não me meteria nisso e nem teria pedido pra papai falar com o senhor se não fosse por causa dos outros problemas! Ela nunca quer pagar a parte dela no aluguel, come nossa comida e não quer repor e além do mais pegou a péssima mania de vender as nossas coisas!

 

--O que???? -- perguntou com os olhos arregalados

 

--Aummmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!! Aummmmmmmmmmm!!

 

--Ela vendeu o anel de noivado que nossa colega Lady havia ganhado do ex namorado e minha Pashmina comprada na Síria. -- jogou os cabelos -- Isso pra mim foi a gota d’água! -- pausou -- Eu pensei muito antes de chegar a esse ponto de envolvê-lo na história, mas... Cada vez que procuro minha Pashmina e não encontro me dá um ódio que nem sei explicar! -- suspirou -- E comprada no mercado de Damasco? Pôxa, que sacanagem! -- lamentava

 

--Bá, mas essa pouca vergonha tem que acabar, daí! Jaqueline mancha o nome de nossa família agindo desse jeito! -- olhou na direção da filha -- E eu vou dar um jeito nisso é agora! -- partiu furioso para pegar a mística

 

--Calma, seu Ulisses! -- a dentista seguia atrás dele preocupada -- "Ih, meu Deus, é agora!” -- pensou com medo do que iria acontecer

 

--Aummmmmmmmmmm!!! Aummmmmmmmmmmmm!!!

 

--Jaqueline Prado Hirstern!! -- Ulisses gritou -- Pare com esses ‘aums’ porque tua farsa acaba aqui!! -- estava cheio de raiva

 

--Papai!! -- arregalou os olhos e se levantou assustada -- O que faz aqui?? -- estava em choque. Olhou para Priscila e deduziu -- Você... -- fez cara feia

 

--Tu vens comigo agora, guria! -- falava entre dentes -- E vocês! -- olhou para os alunos dela -- Por hoje acabou!

 

“Bá, mas que vergonha!!” -- Lila pensava -- Calma, papai. -- foi até ele tentando disfarçar o constrangimento -- Vamos conversar com calma, posso explicar tudo!

 

--Ah, mas explica, sim! E muito do bem explicado porque te sustento até hoje e não é pra te ver fazendo ‘aum’ em parque no Rio de Janeiro! -- segurou-a pelo braço -- Vem!

 

--Meus queridos, depois eu explico tudo! -- Lila dizia para os alunos enquanto era arrastada pelo pai -- Por hoje é só e a aula que tivemos fica como cortesia, não precisam pagar! -- sorria -- Namastê!

 

As pessoas não entendiam direito o que estava acontecendo e permaneceram sentadas assistindo a cena em choque. Enquanto isso Priscila sorria e pensava: “Lila, sua picareta! Seus dias de golpista acabaram!” -- esfregou as mãos -- Toma, papuda!

 

***

 

Lady e Priscila estavam no quarto da morena, cada uma com um copo colado aos ouvidos para ouvir melhor através das paredes.

 

--Jaqueline, eu quero uma explicação! Afinal de contas quando é que tu vais me dizer que virou advogada com carteirinha da OAB e tudo mais? -- Ulisses perguntava revoltado

 

--Ih, então ela faz direito?? -- Priscila perguntou aos cochichos

 

--Que nada! Ela faz é tudo errado mesmo! -- Lady respondeu no mesmo tom

 

--Infelizmente, papai, a resposta é: nunca! -- silenciou -- Eu nunca sequer fui aluna do curso de direito!

 

--O que??????????? Capaz!! Então fomos enganados durante todos estes anos?? -- berrou

 

--Nossa, que coisa bombástica! -- Lady exclamou com os olhos arregalados. Priscila fez sinal para que se calasse

 

--Eu prestei vestibular pra Português Literatura! Era o que eu queria fazer! -- respondeu resoluta

 

--Português Literatura??? Pra que, Jaqueline? Pra ser uma professora mal remunerada de um bando de adolescentes que não vão dar a mínima pro que tu vais dizer a eles? É isso que tu queres?? -- socou a parede -- Sendo advogada eu iria te passar cada um dos meus clientes e terias uma carreira bem sucedida calçada sobre o nome de teu pai!

 

--Eu não quero ser advogada! -- respondeu em voz bem alta

 

--Nossa, que coisa tensa! -- Lady falou para a dentista

 

--Se queres ser professora por que estás iludindo as pessoas ao invés de dar aulas??

 

--Por que eu não me formei! Tranquei matrícula antes de ir pra Índia e não mais voltei a faculdade!

 

--Eu sabia! -- Priscila exclamou. Lady fez sinal para que silenciasse

 

--Então tu queres é ser uma golpista e enlamear o nome da família como vens fazendo?? É isso??

 

--Eu não sei o que quero, pai! -- respondeu emocionada -- Você sempre decidiu minha vida por mim e desde que prestei vestibular eu determinei que isso iria acabar! Chega!! -- gritou

 

--É muito fácil ter o discurso de filha que quer ser independente sendo sustentada por mim até hoje! De agora em diante, Jaqueline, Lila, ou seja lá quem você for, estás por tua conta! Não te darei nem mais um tostão! Quero ver como vais bancar a moradia na zona sul apenas enrolando o povo e sem receber um centavo meu!

 

--Nossa, que coisa difícil! -- Lady exclamou

 

--Eu dou meu jeito! -- percebia-se que lutava para não chorar

 

--Como deu teu jeito na Índia? Usando os cartões de crédito de teu pai e de tua mãe? -- riu -- Tu nunca te viraste sozinha na vida, Jaqueline. Logo vais voltar pra Porto Alegre de cabeça baixa e pedindo arrego! Tens 26 anos e te comportas como se tivesse quinze!

 

--Isso não vai acontecer! Não vai!! -- gritou

 

--É o que vamos ver, guria! É o que vamos ver!

 

--E agora, amiga? -- Lady desencostou o copo da parede -- Se Lila já era difícil de pagar as contas recebendo dinheiro do pai imagine agora que vai ficar na penúria!

 

Priscila também desencostou o copo. -- Sinto que vamos ter problemas redobrados... -- revirou os olhos

 

***

 

Camille e a mãe preparavam-se para receber Letícia. Quando a professora chegou, a loura foi abrir a porta.

 

“Ai, minha Nossa Senhora, é agora!” -- Mariângela pensou com nervosismo -- "Amansa ela, minha Virgem, amansa ela!” -- olhava para o alto

 

Letícia entrou na casa delas cheia de formalidades. Estava nervosíssima, porém disfarçava bastante. A loura, igualmente, sentia o coração batendo acelerado.

 

--Mãe, essa é a Letícia! -- apresentou receosa

 

A costureira respondeu seriamente. -- Olá, Letícia. É um prazer recebê-la aqui em casa. Fique à vontade. -- apontou o sofá para que se sentasse -- "Ela é bonita!” -- pensou

 

“Nossa, como mamãe tá formal!” -- a loura pensou com estranheza

 

--É um prazer conhecer a famosa dona Mariângela. -- estendeu um embrulho -- É pra senhora. Espero que goste. -- sorriu -- "Ela é uma gracinha! Quando Camille ficar mais velha vai continuar linda!” -- pensou

 

--Hum... o que seria? -- pegou o pacote e abriu curiosa. Era um conjunto de calça, blusa e meias para prática esportiva -- “Gostei disso aqui!” -- pensou

 

--A senhora gostou?

 

--Gostei. Obrigada! -- respondeu seriamente -- "Ah, ela está querendo me conquistar com presentinhos... É o velho truque da genra que se faz de simpática!” -- pensou -- Vamos nos preparar para o almoço. Vou aprontar a mesa! -- olhou para a filha -- Fique fazendo sala a sua... amiga. -- foi para a cozinha

 

--Será que ela não gostou do presente? -- a professora perguntou desconfiada

 

--Gostou. -- respondeu convicta -- Mamãe é como eu. Ela tá te testando! -- olhou para ela

 

--E será que eu passo no teste dessas duas mulheres? -- falou em voz bem baixa sorrindo sedutoramente para a engenheira -- Eu tenho me aplicado bastante!

 

--Só quando deixar de ser safada! -- deu um tapinha no braço dela

 

***

 

O almoço correu tranqüilo e elas conversaram sobre amenidades. A costureira continuava séria, mas Letícia aos poucos foi perdendo o nervosismo, assim como Camille. Ao final, a professora se propôs a lavar a louça e ainda arrumou a cozinha. Mariângela havia simpatizado com ela, mas não dava o braço a torcer. Permanecia desconfiada por não saber as reais intenções dela com sua filha.

 

--Camille, vá no mercadinho e compre coisas para o lanche da tarde. -- ordenou

 

--Ô louco, mãe! Acabamos de almoçar e você já fala em lanche? -- estranhou

 

Mariângela olhou para ela com cara feia e disse: -- Faça o que lhe mandei!

 

A engenheira entendeu que a mãe queria ficar sozinha com Letícia e decidiu obedecer.

 

A professora também percebeu os objetivos da mulher mais velha e ficou tensa. “Eita, o que será que ela quer?” -- pensava desconfiada

 

Quando a loura saiu, a costureira virou-se para a física e disse: -- Camille me disse que você é física, tem mestrado, doutorado, pós doutorado e mais um monte de premiações por aí. -- afirmou -- Eu admiro muito esse tipo de coisa, mas não por isso vou achar que você é acima de qualquer suspeita!

 

--O que a senhora quer dizer com isso? -- perguntou sem entender

 

--Minha filha é uma moça de respeito, viu? Ela é séria, não vive no meio de safadeza e não gosta de bagunça! Se é o que quer, afaste-se dela! -- falava com seriedade

 

--Calma, dona Mari. -- sorriu sem graça -- Ela já me disse isso! Eu sei que sua filha é uma moça séria.

 

--Hum... É bom que tenha essa noção! -- pausou -- Quero que saiba também que nessa casa não há racismo! O filho da minha cunhada é negro, a esposa dele também e a família dela quase toda. Sou muito amiga de todos eles e os tenho como sendo de minha  própria família!

 

--Eu sei que em sua família não existe esse preconceito bobo. Camille me falou.

 

--O que lhe digo seria dito a mais branca das mulheres. Estou zelando pelo bem de minha única filha! -- continuava séria

 

--Claro.

 

Ficou calada e após alguns segundos perguntou à queima roupa: -- Você fuma maconha, cheira cocaína ou experimenta qualquer uma dessas drogas malucas que tem por aí? -- estudava o rosto da outra

 

--Eu não! -- respondeu enfática

 

--Você procura briga na rua? Anda com prostituta?

 

--Não!! Por que pergunta isso? -- não entendia

 

--Você já foi presa?

 

--Nunca!!

 

--Você é do tipo que bebe até cair, vive nas farras, gasta todo dinheiro que tem em noitadas...?

 

--Mas, minha nossa! Claro que não! -- acabou achando graça -- Eu sei cuidar do meu dinheiro e quando bebo é uma ou outra caipirinha. Também curto um vinho em ocasiões especiais, mas quando dirijo não ponho uma gota de álcool na boca!

 

--Gostamos de vinho na nossa família, mas Camille não bebe. Espero que não queira mudar esse hábito na vida dela!

 

--Não se preocupe. Camille tem muita personalidade pra ser convencida quanto ao que não quer fazer! -- lembrou-se de todos os foras que levou da loura

 

--Sei... -- pausou -- Eu até gostei de você, mas espero que não magoe minha filha. Ela já sofreu demais!

 

--Eu sei, dona Mari. Fique tranqüila que eu não estou na má intenção.

 

--Acho bom! -- pausou -- Repito que essas perguntas seriam feitas a mais branca das mulheres. Nada tem a ver com racismo, mas é porque não a conheço!

 

--A senhora verá que não há motivos para preocupações comigo.

 

O telefone tocou e ela se levantou para atender -- E saiba que ficarei de olho em você! Faço boxe e o meu cruzado de esquerda é animal! -- tirou o telefone do gancho -- Alô?

 

“Cruzado de esquerda??” -- pensou espantada -- "Gente do céu, que mulherada louca é essa?” -- pensou tentando disfarçar o sorriso -- "Camille teve bem a quem puxar...”

 

13:15h. 23 de junho de 2005, Edifício Rubro Negro, Flamengo, Rio de Janeiro

 

Priscila e Isa conversavam no quarto da morena.

 

--Minha vida tá uma paz, amiga! -- a dentista deitou-se na cama e virou-se de lado -- Minha especialização tá muito legal, tô saindo com um carinha interessante, Lady namora um rapaz normal pela primeira vez desde que a conheço e Lila continua Lila mas paga as contas, não rouba comida ou nossas coisas... -- sorria -- Nem sei como pode ser isso, já que não recebe mais dinheiro do pai, mas parece que ficou responsável; -- pausou brevemente -- pelo menos é o que parece.

 

--A vinda do pai dela resolveu mesmo a situação? -- deitou-se de lado também olhando para a amiga

 

--Bem, ela ainda faz ‘aum’ dentro de casa e é a mesma kaozeira de sempre, mas o ponto é que tomou vergonha e mudou de comportamento conosco. Se eu soubesse que funcionaria tão bem, teria falado com papai desde o começo mas quis dar uma de independente... -- riu -- Como Lila paga as contas em dia agora eu não sei, mas também nem me interessa!

 

--E quanto ao rapaz com quem anda saindo? Dessa vez é sério ou...

 

--O de sempre, Isa: coisa passageira! -- mordeu os lábios -- Conto os dias pro ano acabar e eu ir pro Canadá! Não vejo a hora! -- falava excitada -- E você? Quando parte pra Istambul pro seu festival de dança?

 

--Dia quinze! -- desmanchou o sorriso -- E Ed não vai poder ir comigo... -- lamentou

 

--Por que? -- perguntou curiosa

 

--Porque ela tem que preparar dois carros antigos pra uma novela urgentemente e ainda falta um monte de coisa pra fazer! E também o dono dos carros é um saco! -- reclamou -- Além de Léo, teve um outro mecânico que pediu demissão, porque foi morar em Minas com a família, e o trabalho pra ela aumentou ainda mais. -- pausou -- Vou sozinha mesmo...

 

--E a tal Diva? Estará lá?

 

--Ela disse que não ia. Agenda lotada!

 

--Será? -- perguntou maldosamente -- Eu acho que ela vai aparecer por lá sem que você espere!

 

--Não... Uma mulher ocupada como ela é não tem tempo de fazer essas gracinhas. E além do mais um festival não é bagunça. Se ela fosse com sua Companhia se apresentar por lá teria que ter deixado isso definido desde o começo.

 

--E se ela for só pra assistir? Pra te assistir?

 

--Eu, hein, Priscila! -- deitou-se de barriga para cima -- Você tá parecendo até a Ed, fazendo mil suposições sobre Diva! -- sorriu -- Aliás, eu adoro quando ela tem ciúmes de mim!

 

--Não provoque os ciúmes da mulher, tá, Isa? -- deu um tapinha no braço dela -- Isso não é legal!

 

--Eu não provoco! -- olhou para ela -- É que Diva e eu temos perfil no Orkut e Ed fica agoniada. -- pausou -- Eu sei que ela criou um perfil fictício pra me vigiar. -- sorriu -- Mas é bobagem porque não me imagino com ninguém mais além daquela mecânica sem vergonha...

 

--Não mesmo, Isa? Às vezes acho que aí existe um pouquinho mais do que admiração profissional...

 

--Acho que você vê coisas onde não existe! -- respondeu chateada

 

--Diga quando voltar! -- sorriu -- Diva com certeza estará nesse festival e vai cair rachando em cima de você! Vejamos se vai resistir...

 

--Eu, hein, Priscila? -- sentou-se de cara feia -- Outras mulheres já ‘caíram rachando’ e eu não dei a mínima!

 

--Mas elas não eram Diva Bustamanti, a maior coreógrafa do momento! -- sentou-se -- E devo confessar que, embora não goste de mulher, ela é muito charmosa!

 

--Está querendo me incentivar a trair, é isso? -- fez cara feia

 

--Eu não! Só tô dizendo que aguardo ansiosa seu retorno porque só Deus sabe o que vai rolar nesse festival! -- continuava sorrindo

 

--Nada! Somente vamos dançar muito! -- levantou-se e olhou para o relógio -- Está na minha hora! -- olhou para a amiga -- Tchau! -- foi para a sala

 

--Calma, amiga! Deixa eu abrir a porta pra você! -- correu atrás dela

 

***

 

Suzana e Juliana estavam em Petrópolis. Namoravam debaixo do edredom, ocupando um gostoso chalezinho no alto de uma pequena colina.

 

--Eu gosto daqui. E curtir um friozinho é legal. -- a delegada olhava para a amante -- Mais gostoso fica pra fazer amor! -- sorriu

 

--Você só pensa nisso, não é, delegada safada? -- mordeu os lábios dela -- Só pensa em fazer amor comigo! -- sorriu e se sentou sobre ela -- Será que é só comigo que pensa em fazer? -- perguntou dengosa

 

--Só com você! -- sentou-se também e a abraçou pela cintura -- Sabe que sou fiel a minha japonesa! -- beijou-a

 

--Acho bom! -- mordeu o lábio dela -- Minha índia canibal é só minha! -- arranhava as costas dela

 

--Eu sou canibal e é você que me morde toda! -- beijou-a

 

--Pra você saber que tem dona! -- mordeu novamente

 

--Tenho! Sou mulher de uma só e gosto disso! -- deitou-se sobre ela -- Quero você de novo e agora!

 

--Vem, meu animal! -- abriu as pernas para acomodá-la entre elas -- Vem! -- beijaram-se apaixonadamente

 

A morena seguiu beijando o corpo da amada, provocando os seios, mordendo e fazendo cócegas na enfermeira, até se lançar entre suas pernas e deliciar-se com o sex* que a aguardava ansioso.

 

--Ai, meu amor! -- gemia -- Ai, ai, ai!! -- sentia as mãos da índia provocando seus seios -- Sem vergonha, ai... -- sorria

 

Suzana começou a penetrá-la com os dedos ágeis enquanto continuava a provocá-la com a língua.

 

--Ai, Suzana... -- gemia e rebol*va espontaneamente -- Ah!!!

 

A delegada lambeu seu corpo até chegar nos seios, sem no entanto parar de estimulá-la com os dedos.

 

--Ai, amor... ai, ai -- gemia

 

Mordiscava os seios da amante e retirou a mão de entre as pernas dela.

 

--Não... -- gem*u

 

--Sim! -- respondeu no ouvido dela

 

A morena sorriu e rapidamente virou a japonesa de costas para si. -- E agora? -- deitou-se sobre ela e começou a penetrá-la novamente -- Tá melhor assim? -- sussurrou no ouvido dela

 

A enfermeira sentia o peso do corpo da amante, suas mãos vigorosas fazendo o que bem queriam e a boca faminta beijando-a e mordendo-a na nuca e orelhas e não conseguia responder. Apenas gemia. Chegou ao clímax rapidamente.

 

--Ai, Suzana, você é tão faminta que chega a ser indecente, sabia? -- sorriu enquanto se virava de frente para a outra

 

--Pensei que você gostasse disso! -- beijou-a

 

--Gosto... amo! -- deitou-a de barriga para cima e sentou-se sobre ela -- Agora é hora de cuidar do meu nenenzinho! -- mordeu o queixo dela

 

--Você tem a mania de dizer isso! Não sou neném! -- fez cara feia

 

--É sim, meu nenenzinho lindo! -- beijou-a -- E eu sei o que esse nenenzinho quer... -- sorriu e seguiu beijando, mordendo e arranhando a pele da morena

 

--Gosto assim... ai... -- acariciava a cabeça dela

 

Juliana sorriu e invadiu o sex* da amante repentinamente. Penetrava-a com velocidade e fazia movimentos com a língua que levavam a delegada a loucura.

 

--Não é assim que você gosta, meu neném? -- parou propositadamente para perguntar

 

--Não faz isso, Ju! -- falou com a voz rouca de desejo -- Continua, vai? -- olhava para ela

 

--Hum... meu nenenzinho não gosta de esperar. -- mordia as coxas dela -- Então... -- voltou a provocá-la com a boca

 

--Ah... -- arqueou as costas e fechou os olhos. Estava enlouquecendo com as provocações da enfermeira até que finalmente atingiu o orgasmo

 

--Não, não, não, Suzana Mello! -- mordeu a barriga dela -- Você hoje foi mais rápida do que eu esperava... -- seguia beijando e mordendo o corpo da amante

 

--Eu já tava excitada e com essa provocação toda... -- sorriu -- Não deu!

 

Sorria. -- Muito feio isso. -- mordiscou um seio de leve

 

--Ai...

 

--Amor, escuta. -- olhou para ela e a beijou -- Que acha da gente... começar a incrementar mais... na nossa vida sexual? -- perguntou cheia de jeito

 

--Como assim? -- perguntou desconfiada

 

--Calma, meu nenenzinho! -- beijou-a novamente -- Eu falo... -- pensava em como dizer -- a gente nunca usou uma coisa diferente e...

 

-- Por que tá falando isso? -- não a deixou terminar de falar -- Não sente mais prazer comigo? Estava fingindo? -- perguntou preocupada

 

--Claro que sinto prazer com você, amor! Será que não nota que eu não fingia? Nunca fingi com você! -- respondeu com carinho -- Só estou dizendo que a gente podia fazer umas coisas diferentes, só isso!

 

Suzana fez uma cara feia e se remexeu na cama buscando se sentar.

 

--Que foi, amor? -- perguntou preocupada -- "Eu devia ter falado de outro jeito...” -- pensou se recriminando

 

--Olha, Ju. -- sentou-se na beira da cama -- Eu gosto do jeito como a gente faz amor e se você gosta também não tem porque ficar inventando moda! -- continuava de cara feia

 

--Amor, fica calma! -- engatinhou até ela de um jeito bem sexy -- Não tem porque ficar insegura assim! -- sentou-se no colo dela -- Eu só falava em tornar o que já é muito bom em algo melhor ainda. -- sorriu sensualmente e tentou beijá-la, mas a morena não permitiu

 

--No que pensa? -- perguntou desconfiada

 

--Ah, a gente podia... -- envolveu o pescoço dela com os braços -- usar algum acessório, fazer umas brincadeiras... -- sorria

 

--As mesmas que fazia com Seyyed? -- estava contrariada

 

--Não é nada disso...

 

--Ela era bem melhor e mais criativa do que eu, não é? -- levantou-se rapidamente desvencilhando-se da japonesa

 

--Que é, isso, Suzana? -- ficou chateada -- Pensei que já tivesse parado com isso de ter ciúmes de Seyyed!

 

--Olha só, Juliana, ouve uma coisa que eu só vou te dizer uma vez! -- olhou para ela com a cara bem feia -- Eu não vou ficar usando acessório de sexshop, calcinha comestível, creminho lambível e essas outras palhaçadas que se inventa por aí pra tirar dinheiro dos trouxas! Sexo comigo é como é! Se você gosta do jeito que a gente faz, tá ótimo, e se não gosta é melhor que procure outra mulher! -- falou em voz alta

 

--Suzana, o que deu em você? -- perguntou decepcionada -- Você não fala comigo dessa maneira! -- levantou-se também -- Por que tá sendo tão ignorante?

 

--É, eu sou ignorante! -- continuava olhando para ela -- Talvez já esteja na hora de procurar alguém melhor do que eu e mais criativa na cama! -- foi para o banheiro e se trancou lá

 

--Minha nossa! -- exclamou surpresa -- Nunca pensei que ela pudesse ficar tão irritada com uma coisa como essa! -- passou a mão nos cabelos e ficou olhando para a porta do banheiro fechada

 

***

 

Juliana vinha dirigindo e a morena estava muda olhando para fora. Parecia estar bem longe dali. A japonesa estava preocupada, pois a delegada mal falou com ela desde que se exaltou no quarto da pousada. Estava séria e sisuda.

 

“O que será que ela tá pensando?” -- queria encontrar uma forma de reverter aquela situação -- "Um final de semana tão bom terminou de um jeito...”

 

“O que será que Juliana tem? Será que anda de saco cheio de mim? Será que acha que dou pra ela um feijão com arroz sem graça que já encheu?” -- a delegada pensava chateada -- "Será que aquela proximidade na época do curativo fez com que ela voltasse a sentir algo por Seyyed? Será que sente saudades? Ed deve ser bem melhor que eu na cama e ela comparou, viu que perdi e aí veio com essa de usar acessório! Vê lá se Suzana Mello é mulher de usar acessório! É ruim!” -- sentia uma tremenda insegurança mas não tinha coragem de externar isso -- "Que droga! A gente casa com uma pessoa, vive junto, pensa que tá tudo bem e aí ela vem com essa e acaba comigo... Aposto que não demora muito vai querer se separar de mim!”

 

“Suzana é muito complicada e ainda muito complexada no que se refere ao próprio desempenho sexual. Eu devia ter tocado no assunto de outra forma...” -- pensava -- "Mas ela também não precisava ter sido tão grossa comigo! Falou de um jeito que pensei até que iria me bater, dada a cara feia e a agressividade na voz!” -- pausou -- "Não vou ficar puxando o saco dela, se não quer falar, que não fale!” -- olhou para a outra de soslaio -- "Mas eu gosto tanto do meu nenenzinho...”

 

“E eu nem tenho mais minha dona Lourdes pra me aconselhar... Não posso falar com Ed porque o assunto a envolve, não posso falar com Brito porque nem vive mais aqui! Que droga, nem tenho com quem desabafar!” -- pensava com tristeza -- "Mas não vou ficar de papo com ela! Tem que aprender a me dar valor!”

 

***

 

Suzana e Seyyed caminhavam pela orla de Ipanema.

 

--Eu pensei muito antes de desabafar contigo, mas a coisa toda foi o que te contei... Ela me veio com essa! -- colocou as mãos nos bolsos -- Fiquei sem chão... -- pausou -- Eu entendi qual foi a dela. Usou essa conversa pra me dizer que nossa vida sexual anda sem graça... -- chutou uma pedrinha

 

--Qual é, Suzana? Ela não usou conversa! Se Juliana achasse que a vida sexual de vocês anda sem graça ela diria isso diretamente, sem meias palavras. Será possível que até hoje não conhece a mulher que tem? -- olhou para a delegada -- O que ela fez foi simplesmente te propor uma coisa diferente!

 

--E por que faria isso se não achasse que a coisa anda ruim? -- olhou para Ed com a cara feia -- Eu não sou burra!

 

--Burra não é, mas tá sendo uma ignorante! -- retrucou -- Você podia ao menos ter conversado decentemente com ela!

 

--Eu fiquei nervosa!

 

--E por isso tem que ser grossa? Você deve ter assustado ela! -- parou de andar -- Suzana, quando a mulher da gente diz que quer uma coisa nós temos que, ao menos, deixar ela falar! Juliana é uma mulher fogosa, quente, deliciosa na cama...

 

A delegada segurou a mecânica pelo casaco e quase a ergueu no ar. -- Tá se empolgando demais!

 

--Eu pensei que essa coisa entre nós já tivesse acabado! -- respondeu receosa

 

--A culpa de tudo isso é tua! -- soltou-a chateada -- Você foi quem colocou nela o hábito indecente de usar esses troços de sexshop! Pensa que eu não sei? -- fez cara feia

 

--A indecência está nos seus olhos! -- endireitou a roupa -- Eu gosto de ousar com coisas que não agridam minha parceira e nem a mim. -- olhou para a outra -- Isa gosta de inventar umas brincadeiras e vou na onda. -- sorriu -- Adoro dar prazer a mulher que tá comigo e se ela curte uma coisa diferente por que não experimentar?

 

--E se essa coisa diferente vai contra seu senso de decência? Você também acha que vale a pena? -- novamente andava com a mão nos bolsos -- Não sou do tipo que pensa que entre quatro paredes vale tudo!  -- protestou

 

--Você nem sabe o que ela tava pensando, como pode afirmar com tanta certeza que vai contra seu senso de decência? -- voltou a andar também -- Está reagindo de um modo tão esquisito quanto a isso que nem parece você!

 

--Eu vejo sex* de uma forma diferente da maioria das pessoas. Pra mim é uma conexão sagrada que não deve ser maculada com vulgaridades!

 

--E quem disse que ela quer vulgaridade? Ouça o que ela tem em mente e diga a ela, de forma educada, como se sente em relação ao que ela propõe. Mas ouça antes de responder! Você não é obrigada a concordar em fazer todas as coisas que sua parceira propõe, mas tem que haver diálogo! Não pode ser grossa com ela e dar o assunto por encerrado!

 

A delegada ficou calada por uns instantes e depois disse: -- Eu não sou como você, Ed! -- olhava para o chão enquanto caminhava -- Você sabe manter uma mulher amarradona na tua indefinidamente. Eu não!

 

A mecânica riu brevemente. -- É aí que você se engana! -- pausou -- Juliana tá amarradona na sua e fim! Enquanto isso Isa vai pra um festival de dança em Istambul agora em julho e acho que quando voltar a gente já era!

 

--Por que diz isso? -- perguntou preocupada

 

--Por causa da peste de uma coreógrafa chamada Diva Bustamanti que chegou na minha vida pra me destruir! A desgraçada mora nos Estados Unidos e, mesmo de tão longe, consegue causar distúrbio na minha relação com Isa. -- pausou -- Tenho certeza de que aquela maldita vai aparecer em Istambul sem mais, sem menos! -- suspirou -- E só Deus sabe o que vai acontecer... Eu não vou poder ir...

 

--Que é isso, Ed? -- segurou-a pelo braço fazendo-a parar e olhar para seu rosto -- Por que tá falando desse jeito? Agora sou eu quem diz: nem parece você!

 

--Eu não tenho condições de competir com ela, Suzana! A mulher é a coreógrafa do momento, tem dinheiro, tem fama, tem classe, é bonita...

 

--Mas eu sou mais você! -- sacudiu a outra -- Ei, Ed, desperta pra vida! Desde que sofreu o ataque daqueles playboyzinhos malditos você ficou assim, se sentindo pra baixo! Eles machucaram seu corpo, não pode deixar que atinjam sua alma também! -- soltou-a -- Isa é sua mulher! Sua! E ela te ama! Não pode se desmerecer desse jeito!

 

--Eu ando meio pra baixo mesmo... -- virou o rosto em outra direção -- Até Camille quer me deixar...

 

--Como assim?

 

--Ela vai prestar concurso público. -- olhou para a outra -- Com certeza vai passar e pedir as contas. -- suspirou -- Arranjou até uma namorada...

 

--Arranjou?? -- perguntou espantada

 

--Eu acho! Uma tal de Letícia... Parece que já foi até na casa dela conhecer a mãe... -- falava de cara feia

 

--Peraí, Ed. -- acabou rindo -- Você não se decide entre uma e outra e agora acha que vai perder as duas! Qual você quer afinal?

 

--Isa, droga! -- pausou -- Mas não nego que essa coisa com Camille tá doendo!

 

--Ah, pára com isso! -- deu um soco no ombro dela -- Se você quer a Isa, deixa claro que ela é TUA mulher! Não dá mole pra tal da Diva! Quanto a Camille, não embaça a vida da garota!

 

--Eu sei! -- esfregou o ombro -- Você não deixa de ter a mão pesada! -- riu

 

--É bom pra você tomar vergonha na cara! Quer pegar todo mundo, eu hein?

 

--Eu não! Tô na minha e fiel a Isa! -- olhou seriamente para a delegada -- E você fala de mim, mas tem que tomar vergonha também! Peça perdão a Juliana pela grosseria que fez e ouça o que ela tem a dizer. Entenda o que ela queria te propor e pense com justiça, sem preconceitos bobos! Nós, que somos casadas com mulheres lindas e interessantes, não podemos dar mole. Senão vem outra e aí...

 

--Tem uma mulher no hospital e outra no tal do PCons que dão mole pra minha Ju. Eu já notei! Sou doida pra quebrar a cara de todas as duas... -- lembrou com raiva

 

--Você diz isso mas fica aí dando mole!

 

--Olha quem fala! Tá entregando tua mulher de bandeja pra tal da Diva! -- protestou

 

--Segue meu conselho e eu sigo o seu. Prometo! -- respirou fundo -- E vou fazer um esforço sobre humano pra não me sentir abalada por dentro depois desse talho na minha cara! -- sorriu -- Isa disse que gosta de mim com essa cicatriz. Será verdade? -- perguntou esperançosa

 

--Claro que é! Isa e Ju gostam de mulheres duronas! -- sorriu -- E você ficou mais charmosa mesmo. -- admitiu -- Não é à toa que eu te admiro.

 

--Também te admiro. E queria ter essa força toda que você tem. Força interior e força física! Acho que se fosse você no meu lugar, os dois bandidinhos teriam se lascado. -- sorriu -- E você? Vai seguir meu conselho?

 

--Vou. E vou preparar uma surpresinha pra ela. -- sorriu pensativa

 

--Ela te ama, Suzana. Não tá de saco cheio de você. Pode ter certeza!

 

--E deixe a Camille viver a vida dela! -- advertiu

 

--Vou deixar... Eu sei que a maluca que ela escolheu é boa gente. É uma doutora cheia das formações, bonita, simpática... Camille merece alguém assim mesmo!

 

Voltaram a andar. -- Escuta, Ed... Tenho também um outro assunto bem delicado pra tratar contigo. -- afirmou com cuidado

 

--Sobre? -- perguntou curiosa

 

--Seus sogros... Ambos me preocupam.

 

--Por que? -- olhou para ela

 

--Sua sogra anda metida com magia negra. Um dia desses eu tava em Bonsucesso e a vi deixando uma casa bem esquisita de uma rua de lá. Fiquei besta porque pude ver que ela seguia vinculada a duas entidades tenebrosas! Ambas vampirizando ela!

 

--Gente! -- exclamou surpresa -- Isso explica porque ultimamente, quando lido com ela, me sinto meio mal.

 

--Eu tenho estudado sobre os segredos da alma desde que voltei de Roraima e você sabe que depois que dona Lourdes morreu comecei a frequentar o centro de vocês. -- pausou -- Não falo sem conhecimento de causa que sua sogra ainda vai se dar muito mal com isso...

 

--Claro que vai! Magia negra não é Umbanda e nem Candomblé, longe disso! É um troço que só traz atraso pra vida de quem se dedica a ela!

 

--E seu sogro... Eu não descobri coisas sobre ele, mas não tenho dúvidas de que esteja metido com o tráfico de drogas. A cobertura onde mora, o carrão, isso é coisa ilícita, Ed. Emprego algum faz um cara dar um salto absurdo no padrão de vida da noite pro dia!

 

--Ah, Suzana, eu nem sei o que fazer! Isa se relaciona com os pais, mas não é um vínculo muito forte, sabe? Ela sempre conversa com a mãe, confidencia coisas a ela, mas sei lá. Não é como mamãe e eu, ou como vocês e dona Lourdes quando ela tava aqui... Com o pai a coisa é ainda pior! Hoje em dia eles se dão, mas é tudo muito superficial.

 

--Fale com Isa que ela precisa dar mais atenção aos pais! Eles estão se destruindo e ela precisa ao menos tentar fazer alguma coisa. Se não der certo, não deu. Mas precisa ao menos tentar!

 

--Vou falar... -- pensou -- Ela anda ensaiando como louca! Esse negócio de dança contemporânea é diferente, nem sei explicar! Na véspera da viagem converso com ela sobre nós duas e quando voltar, falo sobre os pais. -- pausou -- "De fato, Isa precisa aprender a dar mais valor a família!”

 

***

 

Juliana chegava em casa do trabalho. O dia havia sido muito duro e ela também estava triste por causa das atitudes de Suzana. Tudo parecia silencioso demais e deduziu que a companheira não estava em casa. “Por onde anda aquela nhambiquara safada?” -- pensou com tristeza -- "Aposto que quando chegar mal vai trocar poucas palavras comigo...”

 

Tomou banho e vestiu um pijaminha. Estava sem fome e sentou-se na cama sem saber o que fazer. De repente, ouviu uma voz que cantava suavemente:

 

--Ainda bem, que você vive comigo, -- olhou para a porta e viu Suzana entrando no quarto com um buquê de rosas -- porque senão, como seria esta vida? Sei lá, sei lá... -- entregou-lhe as flores

 

--Ah... -- sorriu

 

Continuava cantando para ela. -- Se há dores tudo fica mais fácil, seu rosto silencia e faz parar, as flores que me mandam são fato, do nosso cuidado e entrega. Meus beijos sem os seus não dariam, -- beijou-a rapidamente -- os dias chegariam sem paixão, meu corpo sem o seu uma parte, seria o acaso e não sorte!

 

--Eu adoro essa música! -- respondeu sorrindo -- E você canta tão bem!

 

--Neste mundo de tantos anos, entre tantos outros, que sorte a nossa, hein? Entre tantas paixões, esse encontro, nós dois, esse amor. -- ajoelhou-se diante da japonesa -- Entre tantos outros, entre tantos anos, que sorte a nossa, hein? -- Juliana olhava para a delegada sorrindo feliz -- Entre tantas paixões, esse encontro, nós dois, esse amor...

 

--Sua nhambiquara safada! -- segurou-a pelo queixo e a beijou

 

--Perdoe-me pelo modo como falei com você! -- respondeu seriamente -- Fui ignorante e você não merecia aquilo. Tem minha palavra que não vai acontecer novamente!

 

--Eu pensei que você fosse me bater... -- relembrou -- E se fizesse isso eu iria comer o seu rim! -- afirmou enfática

 

A morena riu. -- Eu só batia nos vagabundos que mereciam. Jamais agrediria a mulher que amo. Disso tenha certeza! -- pegou a mão dela e a beijou -- Você me perdoa?

 

--Hum... claro que sim, meu nenenzinho! -- sorriu e a beijou de novo -- Agora levanta desse chão e vamos conversar. -- levantou-se -- Antes deixa eu colocar minhas flores num jarro e já volto pra cá.

 

A enfermeira foi para a cozinha e preparou as flores colocando-as em um jarro na mesa da sala. Quando terminava de fazer isso sentiu-se envolvida por dois braços fortes e foi suspensa do chão.

 

--Suzana! -- riu

 

--Tava demorando muito! -- levou-a no colo para o quarto. Chegando lá, a delegada sentou-se na cama e a japonesa enroscou as pernas em sua cintura e os braços em seu pescoço -- Agora tá melhor! -- sorriu e a beijou

 

--Amor, por que você reagiu tão mal quando eu falei da gente fazer algumas coisas diferentes? -- foi direto ao assunto

 

--Por que primeiro eu achei que era um jeito sutil de me dar um toque sobre a nossa vida sexual sem graça... Sem graça, na sua opinião, quero dizer... -- respondeu receosa

 

--Mas eu não disse que nossa vida sexual é sem graça! Eu não acho que seja! -- afirmou com sinceridade -- Eu só propus da gente fazer uma coisa diferente... -- beijou-a -- Em momento algum estava me queixando de você... -- sorriu -- Só queria em determinadas ocasiões ter as suas duas mãos totalmente livres pra abusar de mim... -- beijou-a novamente

 

--Eu também sou cismada com essas coisas, com o uso de  acessórios... -- disse com certo constrangimento -- Acho que vulgarizam o ato sexual e, pra mim, sex* é uma coisa sagrada... Especialmente com você!

 

--Ai, que lindo, meu nenenzinho! -- beijou-a -- Mas por que acha que ficaria vulgarizado? Eu não pensei em trazer vulgaridade pra nossa vida! -- acariciava o rosto da delegada

 

--Sou cismada com essas coisas... -- suspirou -- Mas já que você quer eu... -- sentiu os dedos da japonesa cobrindo seus lábios com delicadeza

 

--Não é o que eu quero que importa, mas o que nós queremos. Eu vou mostrar pra você o que estou pensando e aí você me diz se quer tentar ou não. Mas faremos só o que as duas quisermos. Não quero que você faça coisas pra me agradar. Não quero que se sinta desrespeitada. -- acariciava os braços da morena -- As pessoas são diferentes e isso tem que ser considerado.

 

--Eu vou tentar ser menos geniosa nas minhas reações... -- segurou o rosto dela e a beijou

 

--E, à propósito, -- sorriu -- eu também não suporto a idéia de uma calcinha comestível...

 

--Ai, que bom! -- deitou-se sobre a japonesa -- Porque a única coisa que eu gosto de comer quando tô assim contigo é... -- beijou-a e deslizou a mão até entre suas pernas -- você!

 

--Índia canibal sem vergonha... -- riu e deu um tapa no braço da morena -- Ai, Suzana... -- sorria e se deleitava com as carícias da amante

 

***

 

Camille e Letícia acabavam de chegar na festa de aniversário de uma colega de Samira.

 

--Essa festa aqui é esquisita, meu! -- a loura olhava para todos os lados -- Só tem mulher! Olha quantas! É uma baita pá!

 

Letícia riu. -- A aniversariante, Carina, é do mesmo motoclube da Samira. -- apontou para mostrar quem era -- E as garotas do LClub são meio exclusivistas, sabe? Elas só gostam de andar com quem é lésbica ou simpatizante; nada de homens!

 

--Eu acho isso preconceito! Não crio restrições. -- ocuparam uma mesinha -- Uma festa sem homens exclui meu tio, Renan, Ricardinho, seu Claudio, Brito... gente que eu gosto!

 

--Também não crio restrições, mas veja por outro lado, já que tudo tem um lado bom. -- reclinou-se na direção dela -- Se a gente quiser namorar um pouco não haverá qualquer problema! -- piscou

 

A loura corou. -- Até parece que eu fico de agarramento com você, Letícia! -- protestou

 

“Não fica, por enquanto!” -- a professora pensou sorrindo

 

--A caipira deve estar vindo por aí! -- olhou para o relógio e depois para a outra

 

--Ela não tem nome, não? -- riu brevemente -- Você só chama a coitada de caipira! Qual o nome dela, afinal??

 

--Eu não sei e nem quero saber! É um acordo nosso! Ela também não sabe meu nome e me chama de Crisálida!

 

--Eu hein! -- riu

 

Carina e Samira foram até a mesa delas para cumprimentá-las. -- Oi, gente! -- Samira chegou dando beijinhos nas duas -- Deixa eu apresentar a aniversariante. -- apontou para a moça -- Carina, estas são Letícia e Camille!

 

--Prazer! -- ela falou sorrindo

 

--Eu já te conhecia por foto! -- a professora respondeu sorridente -- Espero que goste. -- entregou um presente a ela -- Se não gostar a culpa é de Samira porque a dica foi dela! -- brincou

 

--Esse é o meu! -- a loura entregou seu presente -- Se não gostar a culpa é da Letícia que pega dica fria com Samira! -- brincou também

 

--Ah, mas se foi Samira que falou, -- olhou para a motociclista -- vocês devem ter acertado em cheio! -- sorriu

 

“Hum... aí tem!” -- a engenheira pensou

 

Carina abriu os embrulhos e manifestou satisfação com os presentes. Deu beijinhos nas duas e foi com Samira falar com algumas mulheres que ocupavam outra mesa.

 

--Ô, Letícia! Não me diga que essa tal de Carina é cacho da motoqueira doida?

 

A professora riu de novo. -- Elas ficaram algumas vezes no passado, até onde pude notar!

 

--Esse meio de vocês aqui é a maior bagunça, viu? É uma pouca vergonha... -- olhou para a física -- Eu não fico contigo por causa disso! Não gosto dessa coisa de troca troca, dorme com uma, pula pra cama da outra... Vocês parecem até as mulheres do The LWorld! Tudo tarada!

 

--Pois eu não tenho pulado na cama de ninguém! -- aproximou-se da loura novamente -- A cama onde eu quero pular é de muito difícil acesso!

 

Camille nada respondeu.

 

--Gente, posso me sentar com vocês? -- Samira perguntou

 

--Claro! -- as duas responderam

 

--E então, Camille? -- olhou para a loura -- Sua amiga vem mesmo? -- sorriu

 

“Mas será possível que essas malucas não podem ver uma carne nova no pedaço que já querem atacar?? Ô louco!” -- pensou revoltada -- Vem. -- respondeu simplesmente

 

--Como ela é? Letícia disse que também escreve, assim como você. É a Solitudine, não é isso?

 

--Assim como eu, não, minha querida, porque ela tem que comer muito feijão com arroz pra escrever como eu! -- fez cara feia -- Mas ela é uma pessoa séria, romântica, que foi deixada pela namorada há coisa de um mês e não merece cair nas garras de uma mina tarada que nem você!

 

--Camille?! -- Letícia exclamou envergonhada

 

--É isso aí, Letícia, eu falo mesmo! -- olhou para Samira -- Vocês aqui são uma mistura de The LWorld com Melrose e ela não é mulher disso! É uma pessoa séria, assim como eu!-- gesticulou -- Só nisso a gente se parece, que fique bem claro! -- esclareceu

 

--Calma, garota! -- riu -- Eu não sou nenhuma maníaca sexual. Talvez você tenha ficado com essa má impressão por causa da minha paixonite por Seyyed, mas eu não sou tão sem vergonha quanto você pensa! Letícia é muuuito pior do que eu!

 

--Obrigada, Samira, você é uma amiga e tanto, viu? -- a professora respondeu sarcástica

 

--E, sinceramente... -- olhou para a loura -- eu queria muito mesmo namorar alguém que levasse as coisas mais à sério. Já ando farta de superficialidades...

 

--Sei... -- Camille fez um bico não acreditando na conversa de Samira -- Ih, olha ela chegando! -- apontou para a amiga

 

--Olá! Será que eu tô muito atrasada? -- Solitudine sorriu e olhou para as três -- Letícia??? -- riu -- Ah, mas eu não acredito nisso, não, uai!!! -- abriu os braços

 

--Ah, mas fala sério que a caipira é você?? -- levantou-se e abraçou a outra

 

--Vocês se conhecem?? -- Camille e Samira perguntaram ao mesmo tempo

 

--Há quanto tempo, mulher! -- olhou para a professora -- Eu não te via desde que era uma doutora fresquinha! -- brincou

 

--Doutora fresquinha... -- deu um tapa no ombro da outra -- Nunca imaginei que a senhora atendesse pelo pseudônimo de Solitudine e fosse amiga de... -- pensou antes de falar -- Crisálida. -- riu

 

--Vocês se conhecem da onde, hein? -- a loura ainda estava intrigada -- "Não me diga que até essa caipira já andou na safadeza com Letícia??” -- pensou

 

--Dos tempos de faculdade, uai! -- a caipira respondeu

 

--E antes que pense besteira, -- olhou para Camille -- nunca rolou coisa alguma entre nós! -- Letícia esclareceu

 

--Você pensou isso? -- riu -- Deixa eu te cumprimentar! -- deu beijinhos nela

 

--Ah, minha filha, eu não duvidaria de nada mais! -- a loura respondeu enfática

 

--Desculpe, eu nem me apresentei. -- Solitudine estendeu a mão para Samira -- Como vai? Meu nome é... -- lembrou-se do acordo com Camille -- depois te digo! -- sorriu -- "Que moça bonita...” -- pensou

 

--Oi! Eu sou Samira! -- segurou a mão dela e deram-se beijinhos de comadre -- "Até que essa caipira faz o meu tipo...” -- pensou

 

Com o decorrer da festa as quatro conversaram bastante e conheceram várias pessoas dentre as convidadas. Depois de algum tempo Samira e Solitudine ficaram conversando à parte. Camille estava surpresa com a quantidade de cantadas que ouviu, mesmo tendo Letícia ali do lado, a qual, da mesma forma, foi consideravelmente assediada.

 

--Eu não tô entendendo qual é a dessa mulherada! Elas me cantam, cantam você, cantam a motoqueira doida, a caipira... Elas vêem que estamos juntas e não se tocam! -- a loura exclamou de cara feia -- Isso aqui não é festa, é um verdadeiro faroeste lésbico! O povo atira e a primeira que cair, créu! -- estavam paradas perto da pista de dança

 

A professora riu mais uma vez. -- Ai, ai, Camille, você me diverte... -- balançou a cabeça -- Mas Samira me avisou que o espírito era esse mesmo: pegação total!

 

--E você me traz nisso?? -- perguntou revoltada

 

--Eu precisava ter uma chance de ficar à vontade com você e sem te fazer entrar em pânico. -- aproximou-se dela -- Afinal de contas, já conheço tua mãe, você já conheceu minha família, sabe onde trabalho, eu sei onde você trabalha... -- pôs a mão na cintura dela

 

--E o que tem a ver? -- começou a ficar nervosa

 

--Tudo! -- aproximou-se ainda mais -- Me dá uma chance, vai, Camille? -- pediu olhando nos olhos dela -- Eu não tiro você da cabeça! Desde que te conheci, você é a mulher que domina meus pensamentos. -- levou uma das mãos ao rosto da loura -- Confesso que no começo eu só estava atraída fisicamente, mas agora eu tô querendo tentar uma coisa legal, sólida... Não é papo pra te levar pra cama, te dou minha palavra! -- seus olhos se alternavam entre os olhos e os lábios da engenheira -- Namora comigo? -- pediu com carinho -- Eu te provo que posso ser uma namorada digna de você. Não quero te fazer sofrer! Não tô na malandragem!

 

Camille sentiu sinceridade nas palavras dela e tomou a iniciativa de beijá-la. Sentiu o abraço apertado da outra mulher e envolveu seus braços no pescoço dela. O beijo foi intenso, longo, carregado de desejo e paixão.

 

A jovem engenheira queria se dar ao direito de sentir o que estava sentindo naquele momento. Já havia sofrido demais. Era hora de saber o que é ser desejada por alguém, sem medos ou culpa. Ser homossexual não era um pecado ou uma aberração. Aos poucos conscientizava-se disso e evoluía seus conceitos em relação aos mistérios da vida e da alma.

 

--Mas... -- a loura interrompeu para advertir -- eu não vou pra cama com você assim tão rápido. Eu...

 

--Eu espero! -- beijou-a -- Não tenho pressa. -- sorriu -- Não tenho... -- beijaram-se novamente

 

“Ela beija tão bem...” -- Camille pensava ao sentir a língua da outra invadindo sua boca

 

--Parece que finalmente nossas amigas estão se entendendo. -- Samira falou ao olhar para Camille e Letícia se beijando

 

--Que bom! Letícia já andava em tempo de levar alguém à sério. -- sorriu e olhou para a motociclista

 

--E você? -- sorriu sedutoramente -- Você me pareceu ter ficado com medo das mulheres que te assediaram ao longo da noite... -- bebeu um gole de vinho sem tirar os olhos da outra

 

Ficou encabulada. -- Eu... até tava aqui pensando... -- não sabia como dizer -- Deixa eu te falar que não sou sedutora e interessante como essas outras mulheres que estão aqui e nem sou tão... rápida! -- sorriu -- Não consigo ficar com uma mulher sem antes vê-la e ouvi-la... Tem que haver algo mais que puramente atração física... -- passou a mão nos cabelos tentando disfarçar o nervosismo -- Não queria fazê-la perder seu tempo comigo mas é que a conversa tava tão boa que eu... -- olhou nos olhos de Samira -- acho que fiquei presa. Perdoe se fui inconveniente em ficar te alugando...

 

--Não, não foi! -- segurou a mão dela -- Eu precisava muito de alguém que quisesse me ver e me ouvir. -- pausou -- Cansei de conhecer pessoas que olham pra mim e não vêem mais que a oportunidade de uma boa trans*. -- estava sendo sincera -- Acho que todo mundo anda muito superficial... ninguém mais parece querer se envolver...

 

--Os momentos atuais são difíceis, há muita mentira, muita dor e um monte de gente fugindo de um encontro real consigo mesmo. Foi previsto que haveria um tempo em que o amor esfriaria nos corações; vivemos esse tempo! -- acariciava a mão da outra -- Eu já sofri muito mas... -- sorriu -- acredito no amor e acho que sem ele a vida perde o sentido!

 

--Você é mesmo o tipo de pessoa romântica? -- aproximou-se mais -- Durante todo o tempo foi o que me pareceu! -- pausou -- Ou isso é só a sua tática de caipira pra seduzir uma mulher? -- brincou -- Porque se for... -- sorriu -- tá dando certo....

 

Sentiu o coração acelerar. -- Não sei dar cantadas, nunca fui boa nisso de sedução, tenho que admitir... -- riu e acariciou o rosto dela -- Tô sendo sincera. -- pausou -- E também não posso negar que você me chamou a atenção desde que cheguei...

 

--E depois de toda nossa conversa, qual foi sua impressão sobre mim? -- aproximou-se ainda mais

 

Sorriu. -- Você me deixou curiosa e eu gostaria muito de conhecê-la melhor. Mas eu me refiro a conhecer a verdadeira Samira, aquela que você talvez esconda a maior parte do tempo.

 

--E será que posso confiar em você a esse ponto? --  a garçonete passou e Samira entregou seu copo a ela

 

--Com certeza pode! -- sorriu

 

--Nossa, senti firmeza! -- olhou bem para ela -- Você... é muito fofa, sabia? -- envolveu o pescoço da outra com os braços

 

--Mas não é que a caipira já tá aos beijos com a motoqueira doida? -- Camille falou para Letícia -- Olha aqui, -- pôs as mãos na cintura -- depois você fala com aquela tal de Samira pra não sacanear minha amiga, viu? Ela tá carente e passando por uma fase braba! Ficou sem namorada e até a beta se cansou da história dela e deu no pé!

 

--Esquenta, não, minha branquinha! -- puxou-a pela cintura para junto de si -- A caipira, como você diz, não se quebra com qualquer cacetada. -- sorriu -- E Samira, no fundo, sempre quis encontrar um amor! Elas vão dar mais certo do que você imagina! -- beijou-a -- Assim como nós! -- beijou-a de novo -- Você vai ver! -- mordeu o lábio dela

 

--Vocês são tudo safada! -- sorriu -- Não confio em nenhuma!

 

--Eu vou fazer você confiar! Pode deixar! -- sorriu e beijou-a novamente

 

***

 

Letícia passou rapidamente na ESSALAAM apenas para se despedir de Camille, pois iria para China por conta de um congresso.

 

--Quando você volta? -- a loura perguntou brincando com o cinto da outra

 

--Domingo. -- sorriu -- O congresso começa nesse domingo e vai até sexta. -- beijou-a rapidamente

 

--Não pode me beijar aqui! -- deu um tapinha no ombro dela -- Esse é meu lugar de trabalho! -- sorriu

 

--Mas o expediente já acabou e você está alguns minutos além do horário. Não chega mais cliente aqui e os mecânicos já foram embora... -- acariciava o rosto dela

 

--Ed está aqui...

 

--Ela tá lá mexendo naqueles carros antigos. -- puxou Camille para junto de si -- Não vai vir pra cá! -- beijou-a

 

--Você fez tudo isso de propósito! Quinta passada me leva naquela festa e uma semana depois vem se despedir porque vai viajar. -- sorriu -- Queria me prender pra viajar em paz!

 

--Descobriu meu plano todinho! -- mordeu o lábio dela

 

--Você trate de se comportar por lá! -- segurou-a pelo casaco

 

--Pode acreditar! Tô no compromisso agora! -- beijou-a novamente. Camille envolveu os braços ao redor de seu pescoço

 

Seyyed não sabia que Letícia estava lá e foi até a sala de Camille oferecer-lhe carona para casa. Chegando na porta, antes que pudesse dizer qualquer coisa foi pega de surpresa pela cena que presenciou: a professora e a loura beijando-se entusiasmadamente ao lado da mesa. “Não acredito!” -- pensou indignada

 

A morena ficou parada olhando as duas por alguns segundos e sentiu uma dor imensa no peito. Saiu de lá às pressas e correu para o banheiro. Não sabia o que fazer.

 

--Que barulho foi esse? -- Camille perguntou sem graça

 

--Deve ser Ed trabalhando. -- respondeu sem se incomodar -- Agora eu tenho que ir, meu bem! -- beijou-a -- Será uma longa viagem e é bom chegar com antecedência suficiente no Galeão.

 

--Vai com Deus e se cuida. -- beijou-a -- Chegando lá, me manda um e-mail assim que puder! -- sorriu

 

--Pode deixar! -- beijou-a -- E vai pra casa porque tá tarde!

 

--Só mais uns quinze minutos e eu vou!

 

Ed andava em círculos pela oficina e em sua cabeça mil coisas se passavam.

 

“Ela tem que viver, Seyyed. Precisa se sentir amada, desejada... Precisa ter alguém só dela. Você tem mulher e já fez sua escolha. Não pode querer as duas.” -- dizia para si mesma -- "Deixe ela ir! Deixe-a ser feliz e da mesma forma, construa sua felicidade!”

 

--Camille, eu não esqueci! Sei que o concurso será neste domingo e tenho mentalizado sorte e sucesso pra você! -- segurou as duas mãos dela -- Fique calma, pense em Deus e tenha fé! Tudo vai dar certo! -- beijou-a -- E você é o máximo! -- sorriu

 

A loura sorriu. -- Obrigada!

 

--Bem, como eu disse, tá na minha hora. O taxímetro já deve estar marcando uns noventa reais. -- Letícia sorriu, despediram-se mais uma vez e partiu

 

Camille preparava-se para ir embora quando Ed apareceu na porta pela segunda vez. -- Ainda aí? Pensei que tivesse ido com sua namorada!

 

--Ela foi pro Galeão. Viaja hoje pra um congresso! -- respondeu sem olhar para a mecânica

 

--Isa viaja amanhã pra Turquia. -- respondeu por nem saber o que dizer -- Olha, Camille, eu não tenho nada com sua vida mas aqui não é lugar pra ficar de agarramento com Letícia! -- foi direto ao ponto

 

“Meu Deus, ela viu!” -- virou-se de costas para Ed e fechou os olhos momentaneamente -- Desculpe! Não vai se repetir. -- olhou para ela

 

--Espero que não! -- pôs as mãos nos bolsos. Seu olhar era sem expressão -- Quer carona pra casa? -- ofereceu sem pensar -- "Por que estou oferecendo? Não quero ficar perto dela agora!” -- pensou

 

--Não, obrigada! -- voltou a arrumar suas coisas -- "Por que não aceito a carona dela?” -- pensou

 

--Tudo bem... -- mordeu os lábios -- Camille!

 

Ela olhou para a morena.

 

--Eu sei que perdi você sob todos os aspectos. -- falava com emoção -- Então eu queria te dizer que desejo que seja feliz na sua vida, que seja feliz no emprego que sei que vai conquistar e que nunca mais duvide de si mesma ou se entregue à depressão como fez no passado. -- pausou -- Você é uma pessoa incrível! Nunca conheci alguém que tivesse mudado tanto em poucos anos! -- olhava fixamente para ela -- Eu amo a Isa, mas posso dizer que te amo também. Não da mesma forma, não o mesmo tipo de amor, mas sei que amo! Aprendi a amar e respeitar você mais e mais com o tempo. -- respirou fundo -- Quando sair, bata com a porta. Já cuidei das outras coisas como em todos os dias. -- retirou-se rapidamente

 

 

Em toda sua vida, Ed nunca saiu da oficina antes de um funcionário, mas ela precisava sumir dali. Já havia puxado as portas e arrumado o que deveria. Colocou o capacete, subiu na moto e partiu com velocidade.

 

A loura não sabia o que fazer ou o que pensar. Respirou fundo e passou a mão nos cabelos. Agora não tinha mais dúvidas quanto aos sentimentos da morena, mas percebeu que Seyyed havia desistido completamente de tentar algo com ela, primeiramente por causa de Isabela e agora, por causa de Letícia.

 

Sabia que ela havia se decidido pelo que era o certo a fazer, sabia que seria melhor assim, mas não podia evitar de sentir uma certa tristeza. Andava pela sala pensando o quanto que aquela sensação lhe era familiar: perder Seyyed para Isabela.

 

Não iria embora da oficina imediatamente, mas sentia que esse momento não tardava a chegar. Sabia que a cada dia estavam se despedindo.

 

***

 

Seyyed chegou em casa mais tarde que o habitual. Isabela a aguardava ansiosa vestindo seu pijaminha. Aquela noite estava particularmente fria.

 

--Ed, pelo amor de Deus, por onde andou? -- olhava para ela com preocupação -- Você desligou o celular por que?

 

A mecânica jogou o capacete na poltrona e tirou os sapatos. -- Eu precisava pensar. -- tirou a jaqueta de couro

 

--O que há com você? -- aproximou-se dela com um olhar triste -- Às vezes eu te acho tão estranha... Não sou acostumada a te ver séria desse jeito... -- pausou -- Por que sumiu? Sabe que vou viajar amanhã e me deixa sozinha assim...

 

--São bobagens minhas. Acho que não vinha tendo sabedoria pra lidar com certas coisas... -- olhava nos olhos dela -- Mas isso acabou!

 

A ruiva não estava entendendo o comportamento da outra. -- Está com fome? Fiz um lanche pra você e deixei no forno.

 

--Não tenho fome agora. -- aproximou-se dela sem deixar de olhá-la nos olhos -- Você viaja amanhã então tem coisas que quero que fiquem muito bem claras!

 

--Do que tá falando? -- perguntou receosa. Sem que esperasse, a mecânica puxou-a pela cintura e colou seu corpo no dela -- Ai... -- gem*u arrepiada

 

--Eu sei que aquela Diva maluca vai aparecer por lá, tenho certeza! E sei que ela vai jogar pesado pra te conquistar. -- segurou-a pelo queixo com firmeza, mas sem machucá-la -- Eu não tenho a grana que ela tem, muito menos a fama e o sucesso dela. Não sou coreógrafa, não posso te dar as coisas que ela pode, mas posso te dar amor de um jeito como sei que ela não tem condições de te dar! Eu te conheço de verdade e você é minha mulher e não dela, entendeu?

 

A bailarina sorriu empolgada. -- Ai, Ed, você me deixa toda arrepiada quando faz assim! -- envolveu o pescoço dela com os braços

 

--Você é minha mulher! -- falava com atitude -- Minha e de mais ninguém! -- beijou-a intensa e possessivamente

 

Isa soltou um gemido gutural e se envolveu naquele beijo totalmente em abandono, como se quisesse confirmar sem palavras o que a morena havia lhe dito.

 

Sem interromper o beijo, Ed ergueu-a no colo e caminhou até o quarto. Deitou-se na cama mantendo-se sobre a ruiva e começou a despi-la como se tivesse urgência em fazer amor com ela. A bailarina estava adorando e da mesma forma despia sua mulher.

 

--Você é minha... -- sussurrava em seu ouvido -- Minha, toda minha... Eu te amo! Eu escolhi você! Quero você e só você!

 

--Só sua, meu amor! -- arranhava as costas nuas da morena -- Só sua! -- fechou os olhos e se entregou

 

 

23:15h. 19 de julho de 2005, Palácio Topkapi, Istambul, Turquia

 

Isa e as colegas da Companhia de Dança da EEFD confraternizavam em uma festa magnífica que acontecia nos jardins do famoso Palácio Topkapi. O evento era patrocinado conjuntamente pelos Ministérios de Cultura e Turismo da Turquia.

 

--Eu tô impressionada com tudo aqui! -- Carolina dizia para a ruiva -- Achei o CRR Cemal Resist Rey Concert Hall um luxo e essa festa aqui... -- olhava tudo ao redor -- Divina! Pena que não sirvam alcoólicos! -- olhou para Isa e riu

 

--Eu também me impressiono! -- concordou -- Inclusive com a sua memória pra saber o nome completo do Concert Hall! -- riu e bebeu um gole do coquetel de frutas

 

--Nós arrebentamos com nossa apresentação hoje, não foi? -- Zélia abordava as duas colegas batendo com seu copo no delas -- Gente, eu tô nas nuvens! E que país é esse??? -- deu uma cotovelada em Carolina -- Aqui só tem moreno gato dos olhos verdes, fala sério! E eles dão um mole... Hoje não saio daqui sem levar um pro meu quarto de hotel! -- riu escandalosamente

 

--Se eu não tivesse noivo... -- Carol lamentou enquanto bebia um gole de refrigerante

 

--Aqui também tem cada mulher bonita! -- Zélia piscou para Isa

 

--Eu sou casada, Zélia! -- sorriu -- E fiel! -- complementou

 

--Hum, falando em mulher, -- Carolina disse para a ruiva -- viu quem nos assistia com a maior das empolgações?

 

--Eu não! -- olhou para ela -- Quem foi?

 

--Nem precisa responder. -- Zélia olhou para outro lado -- Ela vem vindo pra cá. -- indicou com o queixo

 

Isa acompanhou o olhar da colega e viu que Diva caminhava na direção delas. Usava um vestido longo preto brilhoso, saltos altos e os cabelos presos em um coque elegante. Caminhava como felina mantendo seus olhos fixos na ruiva.

 

--É melhor a gente sair. -- Zélia puxou Carolina -- Tchau, ruiva!

 

--Tchau, amiga! -- Carolina disse

 

--Tchau meninas! -- respondeu para ambas e olhou para o chão -- "Ai, meu Deus, e não é que ela veio mesmo?” -- pensou nervosa

 

--Olá, Isa! -- sorriu --Ainda bem que cheguei à tempo de ver a apresentação de vocês! -- olhou-a de cima a baixo -- Magnífica!

 

A bailarina não sabia se o ‘magnífica’ era um elogio a sua aparência ou à apresentação do grupo. -- Olá Diva! Que bom que gostou! Um elogio vindo de alguém como você é mais que especial! -- agradeceu encabulada e sorriu -- Fez boa viagem? -- olhava para ela

 

--Ah, fiz! Estou com minha Companhia de Dança em Paris. De lá pra cá é rápido e barato. Cheguei hoje mesmo de manhã cedinho!

 

--Pensei que não viesse. Você disse que não iria participar...

 

--Eu já havia me comprometido em Paris por essa época e não poderia desmarcar. -- caprichou no olhar mais sedutor -- Mas nada poderia me impedir de vê-la! -- olhou-a de cima a baixo novamente -- E valeu a pena com toda certeza! Você estava maravilhosa no palco. Sem dúvida foi o destaque do dia!

 

--Obrigada! -- corou e olhou para o chão

 

--E está ainda mais maravilhosa agora com esse tentador vestido branco!

 

A ruiva bebeu todo o coquetel de um gole só. “Priscila e Ed não se enganaram quando disseram que ela viria pra cima de mim com tudo!” -- estava ainda mais nervosa

 

--Eu vou embora amanhã, mas volto na quinta pra ver o encerramento do festival e as premiações. -- segurou-a delicadamente pelo queixo e virou o rosto dela em sua direção  -- Quando volta pro Brasil? -- soltou-a

 

--Sábado. Não haviam vôos disponíveis na sexta quando nós compramos as passagens. -- calou-se -- "Por que estou dando tantas explicações a ela?” -- pensou se recriminando

 

“Perfeito!!” -- pensou e sorriu -- E o que fará na sexta? -- perguntou curiosa

 

--As meninas queriam fazer um pouco de turismo. Circular pela cidade e terminar o dia com uma massagem no banho turco mais famoso daqui.

 

--Eu adoro essa cidade, sabe? Isso aqui é pura história! A antiga Bizâncio, mais tarde Constantinopla! -- olhou na direção do palácio -- A arquitetura daqui é ímpar! -- olhou novamente para Isa -- Você já se deu conta que estamos na única cidade do mundo que se divide em dois continentes?

 

--Sim, e é por tudo isso que queremos aproveitar a sexta-feira ao máximo e mais a manhã do sábado. Quero comprar um monte de lembrancinhas no Grand Bazaar! -- sorriu empolgada

 

--Diva! Que surpresa maravilhosa! -- Vera, ex professora de Isa abordava a coreógrafa espalhafatosamente -- As meninas me disseram que estava aqui e tinha visto nossa apresentação! -- deu beijos de comadre -- Mas só agora te vejo! -- sorria -- Que honra que tenha vindo só por nossa causa!

 

--Pois é. Eu assisti vocês mas tive de me retirar correndo por conta de um telefonema urgente; por isso não as cumprimentei ao final. -- sorria -- "Vera, como sempre, inconveniente!” -- pensou chateada

 

Isabela aproveitou a chegada de Vera e pediu licença as duas para ir ao banheiro. Na verdade estava fugindo. Refugiou-se junto às colegas da Companhia.

 

--Que faz aqui?? -- Zélia perguntou surpresa -- Pensei que a essa altura você estaria na cama da Diva! -- falou mais baixo

 

--Zélia! -- arregalou os olhos -- Tá querendo dizer que eu sou o que, hein? -- perguntou revoltada

 

--Meu amor, se eu gostasse de mulher e alguém como Diva Bustamanti me desse o mole que ela te dá, eu não pensaria duas vezes! Uma mulher dessas pode te levar ao auge da fama em um estalar de dedos! E com seu talento seria ainda mais rápido!

 

--Eu não sou prostituta. E de mais a mais sou casada! -- retrucou

 

--E quem disse que tem que deixar de ser, sua boba? -- piscou para ela -- Aproveita! E Diva é bonitona! -- aproximou-se do ouvido dela -- Deve ser boa de cama! -- sussurrou

 

Isa ficou olhando para Diva conversando com Vera e outras dançarinas estrangeiras. De fato, era uma bela e interessante mulher. Ficou pensando se teria coragem de ir para cama com ela. Não podia negar que não passou indiferente ao assédio dela e talvez Seyyed tivesse razão em desconfiar que seu contato freqüente com a coreógrafa pela internet fosse devido a algo mais que somente uma admiração profissional.

 

“Diva poderia me ajudar a conquistar tudo o que sempre quis...” -- pensou

 

***

 

A cerimônia de encerramento do festival aconteceu no Borusan Kultur Sanat, localizado na famosa Istiklal Caddesi, mesma rua do Concert Hall. Isabela e mais duas dançarinas receberam um prêmio como destaques da temporada, o qual foi entregue pelas mãos do próprio Ministro da Cultura. A ruiva estava emocionadíssima. “Quando mamãe souber disso vai enlouquecer!” -- pensava empolgada

 

Diva assistia a tudo aguardando ansiosamente pelo momento em que teria oportunidade de conversar com Isabela. Quando sentiu que era a hora, não perdeu tempo. -- Hoje você não fugirá de mim como fez naquela festa! -- falou no ouvido da ruiva que se virou rapidamente para vê-la

 

--Diva? -- sorriu espantada -- Você vive me surpreendendo!

 

--Essa cerimônia foi interessante mas um pouco monótona. Que tal sairmos daqui? Aluguei um carro e estou com ele aí fora. -- sorriu maliciosamente -- Conheço um gostoso restaurante no bairro de Ortakoy onde podemos comer alguma coisa leve e apreciar a visão do Bósforo. Que me diz?

 

Isabela ficou uns segundos calada. “Por que não?” -- pensou -- Vamos! -- afirmou resoluta

 

As duas foram para o restaurante e a ruiva se surpreendeu ao constatar que Diva já tinha reservado mesa para elas. Apreciaram um jantar leve, conversaram sobre a dança contemporânea e durante todo tempo a coreógrafa usou seu charme para encantar a mulher mais jovem.

 

--Já ouviu falar nas Ilhas dos Príncipes, Isa? -- bebeu um gole de espumante

 

--Não. Por que? -- limpou os lábios no guardanapo

 

--Elas eram o refúgio dos príncipes bizantinos no mar de Mármara. Hoje são recantos para os turistas que podem pagar. Há locais mais populares dentre elas, mas outros continuam exclusivos para um público seleto. -- olhava nos olhos da ruiva -- Pensei que talvez você e eu pudéssemos... -- sorriu sedutoramente -- passar o dia de amanhã por lá. Dá tempo de voltarmos no sábado sem que você perca o avião.

 

--Diva eu... -- não sabia o que dizer

 

--E nessa noite poderíamos tomar uns drinques no meu hotel. -- segurou a mão dela -- Estou hospedada no melhor cinco estrelas da cidade!

 

--Eu sou casada, Diva. -- recolheu a mão

 

--Eu sei. -- deslizou o pé na perna da bailarina -- Mas nada é para sempre, não é mesmo? -- sorria

 

Isa sentiu-se tentada a aceitar aqueles convites mas sabia que não era o que seu coração desejava. -- Eu agradeço muito, mas... -- mudou de posição na cadeira para impedir as carícias da outra -- Não quero! Amanhã passarei o dia com minhas colegas e hoje durmo sozinha no meu quarto de hotel.

 

--Eu não me incomodaria de ir pra lá com você...

 

--Eu disse que durmo sozinha! -- respirou fundo -- Quero ir embora, Diva.

 

--Ora, querida, se veio até aqui é porque também se sentiu tentada. Se não quisesse nada comigo não teria vindo. -- respondeu calmamente

 

--Eu queria ter certeza de algumas coisas, Diva. Agora tenho. -- olhou nos olhos dela -- Se você é a mulher de classe que sempre achei que fosse, vai me levar pro hotel e continuaremos colegas de trabalho como temos sido até então.

 

Diva sentiu-se ferida em seus brios e chamou o garçom. -- Eu vou para o Brasil em setembro e não preciso pedir que faça uma audição pra saber que te quero na minha Companhia de Dança e na minha vida. Tem até lá pra pensar melhor! -- falou sem rodeios

 

Isabela nada respondeu, apenas pensava em suas possibilidades.

 

***

 

Lady dançava pela sala abraçada com seu vestido de noiva. Um cheiro forte de naftalina invadia o ar. O rádio estava ligado e ela cantava alto: -- Você pra mim foi o sol, AHAHAHAHAH, de uma noite sem fim, que acendeu o que sou e renasceu tudo em mim, ai, ai, ai!! -- rodopiava -- Agora eu sei muito bem, que eu nasci só pra ser, o que minha gente? Diz aí!! Sua parceira, seu bem, e só morrer de prazer, AHAHAHAHAH!!!

 

--Minha nossa! -- Priscila saía do elevador. Podia-se ouvir a cantoria de Lady desde a entrada do prédio

 

--Caso do acaso, bem marcado em cartas de tarôt, oi,oi, meu amor, esse amor, de cartas claras sobre a mesa, é assim!! Ai!!! -- e rodopiava

 

Priscila entrava em casa. -- Lady que loucura é essa? -- perguntou de cara feia

 

--Signo do destino, que surpresa ele nos preparou, oi, oi!! -- mandou um beijo para a amiga enquanto continuava rodopiando

 

--Deixa eu ir pro meu quarto que é o que melhor faço! -- fez um bico

 

--Meu amor, nosso amor, estava escrito nas estrelas, tava, sim, ai!!!

 

--Como pode isso? Lady me ressuscita Tetê Espíndola nessa altura do campeonato! -- revirou os olhos

 

--Você me deu atenção, Príncipe Charles, e tomou conta de mim, por isso minha intenção, é qual? É qual? É prosseguir sempre assim, pois sem você, meu tesão, ui!!! -- rodopiava -- Não sei o que eu vou ser, agora preste atenção, quero casar com você!!! Ai!!!

 

--Eita, meu Pai! -- Priscila se aprontava para tomar banho

 

--Ih, uhuhuh, uuuuuuuu, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, eita, é muito amor, eita, é um queimor, ui,ui,ui!!! AHAHAHAHAHAHAHAH!!! Ai, ai, ai, AHAHAAHAH!!! -- gritava e rodava

 

Priscila apareceu na sala enrolada de toalha e desligou o rádio. -- Lady pelo amor de Deus, que escândalo! Feliz ou triste você sempre faz um fuzuê pavoroso, eu hein? -- fez cara feia

 

--Ai, Pri, hoje eu fui na dona Mari e peguei meu vestido repaginado! Agora vai amiga, Charles me pediu em casamento! -- estendeu a mão -- Olha o anel de noivado!

 

--Que bom, Lady! Pela primeira vez você arrumou um namorado normal e que não vive enchendo o saco aqui em casa!

 

--Ai, e você não sabe! Charles passou no processo seletivo de uma empresa americana de construção civil! Vai ficar aqui no Rio fazendo um estágio e quando o ano acabar nós vamos nos casar e ir pra Indonésia! -- rodopiava sorridente

 

--Jura?? -- perguntou empolgada -- "Eu não acredito! Deus ouviu minhas preces! Agora ela vai!!” -- pensou feliz -- Mas espere aí! Você não se forma nesse ano! Como vai morar na Indonésia? -- estava desconfiada -- Não diga que vai abandonar a faculdade?

 

--Não, eu vou trancar a matrícula! Além do mais nós não vamos morar lá, é que a empresa dele tá trabalhando nas obras de reconstrução pós tsunami da província de Aceh. Ficaremos por seis meses e depois voltamos. Aí eu me formo no final do ano e é isso! -- continuava rodopiando -- E seremos felizes para sempre!!

 

--E os preparativos do casamento? -- continuava desconfiada -- "Ô, meu Pai, será que vai mesmo, hein?”

 

--Charles não quer festa, casaremos só no civil mesmo! Ele quer que seja em dezembro. -- sorriu -- Eu não me importo com falta de festa, nessa altura do campeonato o que quero é ter uma aliança no anelar esquerdo! -- olhou para Priscila -- Ai, amiga, estou vivendo um sonho! -- correu até ela -- Acredita que me sinto Katy Prinslet navegando em um Titanic da paixão?? -- sorria como uma alucinada

 

--Ih, eu, hein, Lady? -- riu e foi indo para o banheiro -- Muda de filme que o Titanic afunda. Além do mais Jack Dawson morre no final...

 

--Ah, mas isso é o Ribamardo diCaprio que é sem noção da vida! Meu Príncipe Charles não morre, não! -- sorria -- Só se for com o prazer que eu dou a ele na cama! -- ligou o rádio novamente e voltou a rodopiar -- Foi Deus quem fez você... -- cantava

 

 

19:10h. 15 de agosto de 2005, Edifício Illudere,  Ipanema, Rio de Janeiro

 

Ana recebia cinco amigas em seu apartamento. Estava se exibindo para elas.

 

--E aí, meninas, vocês não imaginam! Isa recebeu o prêmio de melhor dançarina contemporânea do mundo das mãos do Presidente da Turquia! E de quebra, o Presidente dos Estados Unidos e mais um monte de membros da ONU estavam lá aplaudindo de pé!

 

--Gente! -- uma das mulheres exclamou surpresa

 

--Meu Deus, que coisa magnífica! -- outra falou

 

--Começou aqui com o casal presidencial, não foi, queridas? Agora é com os demais presidentes. Eu disse que essa menina ia conquistar o mundo! -- ergueu sua taça de espumante no ar

 

--Ana, que orgulho, hein? -- outra comentou sorrindo

 

--E vocês não sabem! O Primeiro Ministro de Israel estava lá e mais aquele líder da Palestina. Eles pediram pra Isa dançar na faixa de Gaza! -- mentia descaradamente

 

--Oh, mas que arriscado! Se a menina for pra lá ela pode morrer! Só se vê bomba explodindo naquele lugar! -- uma delas comentou preocupada

 

--Não! Eles acham que só Isa e sua dança trarão paz ao Oriente Médio! -- levantou-se -- Ela, toda vestida de branco, dançando como pomba da paz esplendorosa! -- deu um rodopio -- Ui! -- quase derrubou bebida no chão

 

Nesse momento a campanhia toca. -- Espera alguém, Ana? -- uma das amigas perguntou

 

--Ah, deve ser a Isa! Ela estava gravando para a abertura da nova novela das oito que vem por aí: Fofíssima! -- andou até a porta -- Vocês têm que assistir viu, meninas? Essa novela promete! -- abriu a porta e deu de cara com a ruiva -- Oi, minha artista! -- beijou o rosto dela

 

--Oi, mãe! -- beijou o rosto da mãe também e olhou para a sala -- Ai, desculpe, eu não sabia que recebia visitas! -- ficou sem graça

 

--Que visitas, são amigas, -- abraçou-a e veio andando com ela para o meio das mulheres -- minhas queridas amigas! -- olhou para elas -- Deixem-me lhes apresentar: -- foi apontando uma a uma -- Ceci Guimarães, dona da academia HFitness, Lili Peixoto, esposa do rei dos enlatados, Quiqui Tavares, esposa do magnata dos charutos, Bibi Lerner, dona da rede de supermercados ILoveRio e Mimi Siane, esposa do rei das noites cariocas. -- sorria


“Por que o nome dessa mulherada rica sempre termina com ‘i’?” -- a ruiva pensou intrigada

 

As mulheres cumprimentaram a bailarina que teve de responder a um monte de perguntas motivadas por causa das mentiras de sua mãe. Depois de muita conversa fiada, as visitantes foram embora e Isa pôde ter privacidade com Ana.

 

--Mãe, agora que elas foram embora, posso ter uma conversa séria com você. -- olhou para Ana -- Não saí direto pra cá de uma gravação que me tomou o dia todo somente pra vir lhe dar um beijo! Temos que conversar!

 

--O que foi? -- sentou-se empolgada ao lado dela -- É sobre Diva? Decidiu que vai embora com ela? -- seus olhos brilhavam

 

--Não tem nada a ver com Diva mas com você e papai! -- cruzou os braços -- Desde quando está envolvida com magia negra? -- perguntou à queima roupa

 

--Que é isso, menina? -- levantou-se constrangida -- Uma mulher fina como eu...

 

--Chega de mentiras, mãe! -- levantou-se também -- Eu não minto pra você, acho que merecia o mesmo comportamento de sua parte!

 

--Quem lhe disse isso? -- perguntou de cara feia

 

--Eu sei, mãe! -- olhou para ela -- Depois me lembrei daquela história de filha de Oionha. Você anda metida com magia não é de hoje!

 

“Mas como essa menina ficou sabendo disso? Quem contou a ela?” -- pensou contrariada -- No começo eu fui atrás da Umbanda pra fazer seu pai parar com aquela história de amantes. A magia veio depois, mais recentemente...

 

--Mãe, pelo amor de Deus!! Magia negra só atrai o mal e prejudica!

 

Ana respirou fundo e afirmou fazendo-se de abnegada: -- Tudo o que eu fiz e faço é pelo bem de nossa família! Não sabe dos sacrifícios que já fiz por você e seu pai!

 

--Você precisa parar com isso! -- pediu agoniada

 

--Essa decisão compete a mim, Isa! -- respondeu com rispidez -- Você não pode me dizer o que fazer!

 

--E o papai, hein? Também está de acordo com o fato dele trabalhar pro tráfico de drogas?

 

--Isa, fale baixo! -- advertiu revoltada -- Quer que todos ouçam e saibam? -- olhou para ela -- "Mas quem teria dito todas essas coisas pra ela?” -- pensava intrigada

 

--Mas o que deu em vocês, hein?? O que pretendem? Acham que isso vai acabar bem?? -- estava apavorada

 

--Eu não sabia que seu pai andava metido nessas coisas! -- mentiu -- Esse é o motivo porque me meti com magia pesada! -- fingiu-se emocionada -- Como acha que me sinto sabendo disso, hein?

 

--Meu Deus, mãe! -- abraçou-a -- Por que isso? -- olhou para ela -- Se você tivesse largado ele quando lhe aconselhei...

 

--Você tem que ir embora do país, Isa! -- Ana segurou-a pelos ombros -- Depois do desmanche daquela quadrilha de roubo de remédios as coisas ficaram meio tensas! Você tem que ir embora do Brasil e nos levar junto! E tem que fazer isso ainda nesse ano! Do contrário, não sei o que pode acontecer com seu pai! Ele anda tenso e apavorado, louco pra largar tudo, mas não pode fazê-lo! Se fizer, será nosso fim! -- lançou-lhe um olhar suplicante -- Nossa salvação está em suas mãos!

 

--Mas, mãe... -- lágrimas brotaram em seus olhos

 

--Eu nunca lhe pedi que se sacrificasse por nós, Isa! Peço isso agora porque a situação exige! -- andou até a janela e olhou para fora -- Eu ia lhe contar tudo, filha, mas aí aconteceu aquela desgraça com Seyyed, e essa sua vida corrida... depois você viajou e agora veio esse trabalho que está fazendo nessa abertura pra novela... -- olhou para a filha -- Não sabe como faço um esforço hercúleo pra disfarçar a agonia que me consome por dentro!

 

--Ô, mãe... -- chorava

 

--Por favor, filha! Vá embora do país e nos leve com você! -- pediu antes de cair em um choro fingido

 

***

 

Rubens, o mais antigo funcionário de Seyyed, caminhava até sua moto para ir embora após mais um dia de trabalho. Nisso, foi abordado por Léo e João.

 

--Olá, Rubens, será que podemos conversar? -- João perguntou sorridente

 

O mecânico olhou para os dois ex colegas desconfiado. -- Eu, hein? -- pegou o capacete -- Vocês dois são fria! -- abriu o cadeado da moto

 

--Eu tô sabendo que você tá precisando de dinheiro. -- Léo falou

 

--A gente sempre tá, né, Léo? -- olhou para ele e colocou o capacete na cabeça

 

--Ouve o que a gente tem pra dizer! -- sorriu -- Você não vai se arrepender!

 

--Léo tá certo, cara. Ouve a gente que o papo é reto! -- João segurou o braço dele

 

--Tá bom, mas eu não tenho muito tempo. -- sentou-se na moto -- Tão de moto aí?

 

--Tamos. -- João respondeu -- Espera a gente aparecer na esquina e vem atrás! -- foi andando com Léo


“Será que eu tô fazendo uma boa coisa?” -- Rubens pensou -- "Mas de fato, eu tô precisando de grana mesmo!”

 

***

 

Anselmo estava andando pelo Aterro do Flamengo sem saber ao certo para onde ir. Pensava em muitas coisas e uma enorme tristeza tomava conta de sua alma. Perdido em meio a suas angústias, foi despertado por uma voz infantil.

 

--Oi!

 

Olhou para baixo e viu que Ricardinho lhe sorria. -- Oi, garotinho! Eu me lembro de você! -- abaixou-se para ficar da altura dele -- Cadê seu papai ou sua mamãe? -- perguntou sorrindo

 

--Ali! -- apontou Mariano que vinha apressado na direção deles -- Você tá tiste? -- perguntou preocupado

 

--Um pouco... -- sorriu

 

--Fica não! Fala com Deus e Ele ajuda! Foi mamãe que me contou!

 

--Ah! -- riu. Não sabia o que dizer

 

--Oi, tudo bem? -- Mariano chegava esbaforido -- Eu acho que não tenho mais fôlego pra acompanhar o pique desse menino! -- sorriu e segurou a mão da criança

 

--Pai, ele tá tiste! -- olhou para o contador

 

--E ele, do jeito dele, me recomendou que rezasse. -- levantou-se sorrindo

 

--É um bom conselho! -- respondeu -- Seja lá o que está lhe fazendo mal, peça orientação a Deus e Ele lhe ajudará. Eu sou devoto da Virgem Maria e também entrego sempre nas mãos dela.

 

Anselmo passou a mão na cabeça e respondeu: -- Eu preciso é de um milagre, e milagres não acontecem!

 

--Só quando a gente não faz nada! -- colocou Ricardinho no colo -- Ele tinha AIDS e se curou; pra mim isso foi um milagre! -- pausou -- Bem, temos que ir. Tenha uma boa tarde! -- cumprimentou-o com a cabeça e foi embora

 

Anselmo ficou olhando os dois e morreu de inveja daquela felicidade simples de Mariano. Queria ser igual a ele: um homem de consciência tranqüila, bem casado, pai de um filho ao qual ele se dedicava e que o amava.

 

“Eu não fiz nada direito... Não fui bom marido, não fui bom pai, acostumei Ana com o supérfluo, perdi um emprego de anos e ainda me meti com a contravenção...” -- suspirou -- "Deus, por favor, me oriente... Eu não sei como sair dessa...”

 

***

 

Camille e Letícia terminavam de jantar em um restaurante romântico na Barra.

 

--Espero que tenha gostado! -- a professora falou

 

--Eu adorei! -- sorriu -- Você teve bom gosto pra escolher o lugar e sugerir os pratos.

 

--Era o mínimo que eu poderia oferecer pra uma garota que passa em um concurso nacional em primeiro lugar. -- segurou a mão dela -- Fiquei muito orgulhosa! -- sorria -- Imagino como não ficou sua mãe!

 

--Ah, ela ficou maluquinha. E o jantar de comemoração que fez foi muito da hora! Tio Mariano, dona Olga, Ricardinho, Seyyed, Isabela, Juliana, Suzana, Flávia e Aline se esbaldaram com tanta comida boa! -- acariciava a mão da professora

 

--Que pena que eu tinha uma defesa de tese pra comparecer justo no dia seguinte! Se eu não tivesse viajado pra Recife naquela noite não daria tempo de estar na banca do rapaz logo pela manhã... -- lamentou -- Espero que da próxima vez que eu encontrar com dona Mari ela não me mostre o poder de seu cruzado de esquerda animal por causa disso! -- brincou

 

A loura riu. -- Como sabe do cruzado dela? -- perguntou surpresa

 

--Creia que fui bem advertida quando estive em sua casa pela primeira vez. -- riu também

 

As duas ficaram se olhando sem nada dizer até que a professora quebrou o silêncio. -- Sabe, Camille, eu tenho pensado muito e você tinha razão quando disse que meu comportamento não era o esperado pra uma budista. Eu levei minha vida amorosa muito na brincadeira e com isso me tornei uma pessoa superficial em termos de amor. -- pausou -- Eu tô realmente disposta a tentar uma coisa séria contigo. Não faço promessas de amor eterno e nem te cobro coisa alguma, apenas queria tentar. Com sinceridade... -- estava sendo verdadeira -- Você me encanta dia a dia... -- olhava fixamente para ela

 

--Também não faço promessas ou cobranças, até porque sou uma pessoa muito complicada, mas... também quero tentar...

 

--Posso te levar pra um lugar onde possamos ficar a sós? Só você e eu? -- perguntou receosa

 

--Pode... -- respondeu sentindo o coração acelerar -- "Ai, meu Pai, será que eu devo mesmo?” -- pensava

 

***

 

Camille e Letícia estavam em um motel. Haviam acabado de tomar banho, mas o fizeram separadamente por um pedido da loura.

 

As duas estavam somente enroladas de toalha, paradas uma de frente para a outra.

 

--Eu... -- a mulher mais jovem começou a falar -- não tenho muita experiência e... Não sei se você já esteve com uma aleijada antes...

 

--Não se refira a si mesma dessa forma! -- foi até ela e segurou seu rosto -- Você pode não ter uma perna mas isso não me importa. -- olhava nos olhos dela -- É muito mais mulher do que muitas aí fora! -- beijou-a -- Não sabe o quanto eu te quero... -- beijou-a com paixão e carinho

 

Enquanto se beijavam Letícia removeu as toalhas de ambas e Camille estremeceu ao sentir o contato direto de seu corpo com o da namorada. A professora interrompeu o beijo, segurou as mãos dela conduzindo-a para a cama e fez com que se sentasse. Ajoelhou diante dela e começou a tirar a prótese com cuidado. Feito isso, segurou seu rosto com as duas mãos beijando-a com desejo.

 

--Ah... -- a loura gem*u

 

Letícia seguiu beijando sua pele como se quisesse descobrir o corpo da amante com detalhes e se deleitou mordiscando e lambendo seus seios. Suas mãos vagavam sentindo a maciez da pele da outra com ansiedade.

 

--Ah, ai, Letícia... -- fechou os olhos e cravou as unhas em seus ombros

 

A professora continuava beijando e lambendo lentamente até chegar aonde mais queria. Abriu as pernas da outra e mergulhou ávida de desejo em seu sex*.

 

--Ah!! -- Camille reclinou o tronco para trás e deitou-se na cama delirando com Letícia fazendo loucuras com a língua -- Ah, ah... -- sentiu as mãos dela provocando seus seios

 

Após alguns minutos, atingiu o clímax e seu corpo tremeu espontaneamente.

 

--Vem aqui, minha linda! -- a professora deitou-se na cama e puxou Camille para que pudesse ficar sobre a loura -- Você é deliciosa, sabia? -- beijava o pescoço dela

 

“Meu Pai, e se ela quiser me beijar na boca? Depois de ter feito o que fez? Ô louco, isso dá herpes!” -- pensou entrando em pânico -- Ai... -- gem*u ao sentir que novamente mordiscava-lhe o seio -- Você já quer mais?

 

--Acha que vai ficar só nisso? -- sorriu para ela sensualmente -- Não mesmo... -- voltou a se deleitar com os seios dela

 

“E eu tenho que fazer o mesmo que ela fez comigo... Cadê coragem?” -- pensava receosa -- Letícia, nós temos que conversar! -- afirmou tensa

 

--Conversar? -- riu olhando para ela -- "Será que eu não tô agradando?” -- pensou preocupada -- O que foi, querida? Fiz alguma coisa que você não gostou? -- deitou-se do lado dela

 

--Não, você foi ótima! -- deitou-se de lado para olhar para Letícia -- Eu é que sou cheia de... cismas... -- corou

 

--Qual é sua cisma? -- acariciava o rosto dela

 

--São várias... por exemplo.... -- pausou -- Você não pode me beijar agora!

 

--Por que não? -- riu

 

--Ah, porque... Você sabe bem por onde essa boca andou! -- respondeu resoluta -- Isso dá sapinho ou, o que é pior: herpes!

 

Letícia riu gostosamente. -- Ai, Camille, tudo bem. Eu vou no banheiro e lavo o rosto.

 

--Eu também não sei se tenho coragem de fazer o que fez. -- desviou o olhar -- Eu... dá um medo...

 

Riu de novo. -- Tudo bem! Faça só o que tiver vontade de fazer. -- continuava acariciando seu rosto

 

--Você vai desistir de mim não demora muito... -- olhou receosa para ela

 

--Vou não... -- sorriu -- Você vai ver. -- levantou-se -- Mas antes, deixa eu lavar o rosto. -- foi para o banheiro

 

“Mas que situação constrangedora!” -- Camille cobriu o rosto com as mãos -- "Ela deve estar me achando uma ridícula!”

 

Letícia lavava o rosto e se olhou no espelho. “Essa maluquinha é diferente de todas as mulheres com quem estive e mais me deixa interessada.” -- sorriu -- "Vai ser um prazer ensiná-la a perder todos os medos e pudores...”

 

***

 

Camille e Letícia beijavam-se sofregamente roçando sex* contra sex* com urgência. A professora deslizou a mão para entre as pernas dela enquanto a boca devorava um seio.

 

--Ah!! -- a loura gem*u alto

 

A professora segurou a coxa da jovem e manteve um ritmo de penetração intenso.

 

--Ah!! -- Camille gem*u arranhando as costas dela e gozou -- Ah...

 

Sem que a física esperasse, a loura inverteu as posições e ficou deitada sobre ela. Começou a penetrá-la com os dedos enquanto provocava seus seios. À princípio, estava insegura quanto ao que fazer mas acabou por levar a professora a um orgasmo delicioso.

 

--Ah, Camille... -- acariciava a cabeça dela -- Ah... -- gemia

 

--Consegui dar prazer a você? -- beijou-a e sorriu

 

--Com certeza! -- segurou o rosto dela -- Assim como na sua primeira tentativa e na segunda. -- beijou-a

 

Corou. -- Então não fiz tão feio por não ter feito...? Você sabe... -- beijou-a

 

--Não, não fez... Tudo a seu tempo! -- deslizava os dedos pelo rosto dela -- É bonito o contraste da sua pele branquinha com minha pele negra, não é? -- sorriu

 

--É! -- sorriu e se lembrou de uma coisa -- Que horas são? -- arregalou os olhos -- Mamãe deve estar aflita!

 

--É bem tarde... -- beijou-a -- Sinceramente, embora dona Mari não fale com todas as letras, ela sabe que a gente namora e deve ter deduzido que hoje... -- inverteu as posições e deitou-se sobre ela -- muitas coisas acontecem! -- seguiu beijando, mordendo e lambendo o corpo da loura

 

“Ai, mas parece que eu sou um doce que ela saboreia...” -- pensou e sorriu -- Ah... -- Letícia devorava seus seios com a boca e as mãos -- Você me enlouquece fazendo isso...

 

--Diz se eu enlouqueço mais quando... -- mordeu a barriga dela -- faço isso... -- mergulhou entre suas pernas

 

“Mas que tarada que só gosta de viver...” -- seus pensamentos foram interrompidos pelos próprios gemidos de prazer -- Ai, Letícia, sua tarada... ai... -- gemia -- "Ô louco...”

 

***

 

Àjé estava reunida com Luizinho Beira Rio e os três dos principais líderes de sua facção.

 

--Pro que vocês me pedem, eu vou precisar de muito mais que o habitual. -- cruzou as pernas -- Sabem que para os magos das trevas o sangue humano é o mais precioso tesouro que se pode ter. -- sorriu diabolicamente

 

--A gente manda uns X9 pra vala e... -- Luizinho começou a falar

 

--Não assim! -- ela o interrompeu -- Preciso que eles me cheguem aqui vivos! -- pausou -- O sacrifício fica por minha conta! -- bateu na mesa -- E tem que ser hoje à noite!

 

--Mas quem tu quer? -- um deles perguntou -- Nós pega quem cismar ou...

 

--Nesse momento... -- ela olhou fixamente para o homem que acabava de falar -- sinto que três rapazes procuram por seus homens de confiança. Eles querem drogas, eles são violentos, eles têm todos os ingredientes que eu preciso. -- pausou -- Tragam-nos pra mim!

 

Luizinho imediatamente pegou o rádio e comunicou-se com alguns de seus homens.

 

Enquanto isso, Hugo, Bernardo e Orlando rumavam para a boca de fumo onde o primeiro costumava a comprar drogas.

 

--Pô, vocês são vacilão mermo! Saíram pra porr*r umas sapata e nem me chama! -- Orlando reclamou

 

--Foi nada disso! A gente tava de bob e apareceu aquelas duas. Quando deu, nós fomos pra porr*r! -- Bernardo afirmou sorridente

 

--Uma delegada babaca pegou a gente nem sei como, mas meu pai safou nossa cara! -- Hugo disse orgulhoso -- O coroa é chato mas é muito foda como advogado!

 

--Pô, eu queria ter curtido essa! -- Orlando continuava reclamando

 

--Quando a gente sair daqui, fica doidão e sai pra enfileirar umas vagaba e porr*r uns viado e umas sapata por aí! -- Hugo falou sorrindo

 

Cumprimentavam os homens com quais cruzavam pelo caminho até que encontraram aquele a quem Hugo procurava.

 

--E aí, choque? -- Hugo saudou o traficante

 

--E aí? -- Bernardo prestou uma rápida continência

 

Orlando nada falou apenas cumprimentou com a cabeça.

 

--Tu tá me devendo uma! -- o traficante falou para Hugo -- Ralou peito e me deixou na pista, mermão! -- fez cara feia -- Tá querendo ir pra vala?

 

--Eu tava sem grana, cara. O coroa tava fazendo jogo duro, mas, -- abriu a carteira -- hoje eu trouxe o teu e mais algum pra comprar mais pó. Os amigo aí também tão querendo.

 

--Já é! -- o traficante sorriu maliciosamente -- Chega aí! -- foi andando e os três rapazes o seguiram

 

Foram até um local mal tratado e cheio de lixo onde cinco homens mal encarados manipulavam com as drogas preparando pequenas trouxinhas. Dois carros estavam parados perto deles.

 

--Ah, os vacilão! -- um deles falou de cara feia

 

--Foi mal aí, mas hoje eu acerto as parada toda. -- Hugo anunciou sorridente

 

Os traficantes se amontoaram em um grupo e ficaram conversando em voz baixa.

 

--Aí, -- Bernardo falava para os colegas em voz baixa -- vamos ralar peito porque isso aqui tá me cheirando mal...

 

--Pra mim também! -- Orlando concordou

 

--Amarela não! -- olhou para os dois -- Eu conheço os caras, são gente boa, meus parceiro! Relaxa que tá tudo tranqui! -- Hugo respondeu confiante

 

--Quanto é que vocês querem? -- um dos traficantes perguntou

 

--Trezentas gramas pra cada um! -- Hugo respondeu -- Tá aqui a grana! -- estendeu o dinheiro. Os colegas fizeram o mesmo

 

O homem foi até eles e pegou o dinheiro. Os rapazes ficaram esperando receber a droga; o clima era tenso.

 

--E agora? -- Orlando perguntou desconfiado para Hugo

 

--E aí, sangue? -- Hugo perguntou -- Cadê a parada? A gente quer ficar doidão pra chapa esquentar! -- sorriu

 

O traficante sorriu e fez um sinal com a mão. Os cinco homens avançaram sobre os rapazes e bateram neles até que perdessem os sentidos.

 

--A chapa esquentou, choque! -- sorriu olhando para os jovens de rostos desfigurados -- Leva esses playboy babaca pro cafofo da feiticeira, que o chefe mandou! Ele tá lá esperando! Mete o pé! -- olhou para os colegas que não tardaram a levar os jovens para os carros

 

Horas depois, Hugo, Bernardo e Orlando eram sacrificados por Àjé em um terrível ritual de magia. Mais tarde, suas almas despertariam em completo pavor no ambiente astral compatível com suas vibrações perturbadas e brutalizadas pela vida que levavam.

Seriam necessários muitos anos de sofrimento para que eles finalmente aprendessem o valor da vida e dos seres humanos diante de Deus. Não estavam esquecidos no concerto da Criação, de forma alguma, mas precisavam aprender a se harmonizar em pensamentos e sensações.

 

“Digo-te: não sairás dali, até pagares o último ceitil.”56

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Música do Capítulo:

Suzana canta:

[a] Ainda Bem. Intérprete: Vanessa da Mata. Compositores: Vanessa da Mata / Liminha. In: Essa Boneca Tem Manual. Intérprete: Vanessa da Mata. Sony & Epic Records, 2004. 1 CD, faixa 1 (4min29)

Lady canta (um pouco distorcido):

 

[b] Escrito nas Estrelas. Intérprete: Tetê Espíndola. Compositor: Veloso Dias. In: Escrito nas Estrelas. Intérprete: Tetê Espíndola. Barclay, 1985. 1 disco vinil, lado A, faixa 1 (4min06).

 


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Comentários para 21 - Quarta Temporada - TRANSFORMAÇÕES VII:
NovaAqui
NovaAqui

Em: 17/06/2024

Mariangela conheceu Letícia e já mandou a real: minha filha é para casar kkkk

Os playboyzinhos foram de arrasto pra cima: perdeu, mané 

 


Solitudine

Solitudine Em: 20/06/2024 Autora da história
kkkkk Mariângela morria de medo de conhecer uma genra. Conheceu, colocou moral!

Esses playboy procuraram, não é fi? Acharam...

Beijos,
Sol


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Samirao
Samirao

Em: 03/04/2024

GOOOLLL!!! 500!


Solitudine

Solitudine Em: 10/04/2024 Autora da história
Ave Maria, Samira, você me faz cada uma que parece duas! rs


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jake
jake

Em: 24/03/2024

Oie Sol.Bom o final deu medo. Eita que esse lance  de Magia me dá arrepios antes era o Velho ,agora essa  Ajé. Bom que bom que Camile está se permitindo viver algo  com Le .Amo a participação da Samira e Sol. Sol me responde se puder sua fala diz um pouco de vc ou é  fictício?Fiquei curiosa.  Continuo sob os encantos de Maya. Obrigada 


Solitudine

Solitudine Em: 02/04/2024 Autora da história
Olá querida!

A magia negra é uma realidade obscurecida pelos meios de comunicação e até mesmo no debate religioso. Ela tem que ser vista e discutida pois muitos males ocorrem no mundo inteiro por causa dos interesses que a movem. Por isso fiz questão de colocar esse tema no conto.
Camille deixou-se levar pelos encantos de Letícia mas com o pé atrás.
Gostou de Samira e Solitudine no conto? Por essa eu não esperava. rs

Acho que meus contos dizem tudo de mim. Até o que não verbalizo no meu dia a dia.

Quero ver você aqui até o final para me dizer o que achou. E não deixe de ler A História da História, por favor.
Beijos,
Sol


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Samirao
Samirao

Em: 07/10/2023

CONVIDE foi a primeira depois Maya... agora tô no Tao apesar da revolta com a Clarice


Solitudine

Solitudine Em: 11/11/2023 Autora da história
kkkk Os anos passam mas essa sua revolta não passa!

Beijos,
Sol


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Samirao
Samirao

Em: 23/03/2023

Vc vai ter que tirar um dia só pra responder! Huahuahua


Solitudine

Solitudine Em: 26/03/2023 Autora da história
Uma noite, melhor dizendo! rs


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Alexape
Alexape

Em: 10/12/2022

Tenho que parar por aqui senão eu morro! A história me abduziu. Até amanhã!


Resposta do autor:

kkkkkk

Até, querida!

Eu demoro um pouquinho a responder, não estranhe. Tenho vindo aos finais de semana!

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 13/09/2022

Negócio tá ruim pro meu lado é minha sogra, Priscila, todo mundo querendo me detonar com a ruiva! E ainda apareceu a Diva pra jogar pesado! Mas eu que naosou besta marquei território e de certo hehe até os funcionários tão de olho em me detonar 

Cami não quer cair de boca na vida?? Não pode!! Lady Lady hehe


Resposta do autor:

Você estava passando por uma fase turbulenta na ocasião, mas não faltaram advertências. Só que Seyyed é Seyyed e você fez exatamente isso, de marcar o território. Certíssima! rs

Camille vivia seus dilemas, porém vamos reconhecer que ela já havia evoluído um tanto.

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 13/09/2022

Letícia só ganhando terreno! Até tu já tá pegando mulher, né safada? Hehe Eu tento gostar da Priscila mas não dá. A franga só joga contra meu time poxa! Lilaaaa a cada caiu! Hahaha puta merda Suzana que bola fora. Só eu pra te botar no caminho hehehe


Resposta do autor:

Letícia é insistente e ela queria porque queria a loura! rs

Uai, caipira também é filha de Deus! E a bichinha é mansa! rs

Priscila é prática. Pena que a praticidade dela raramente favorece você. 

Suzana se sentiu insegura. Aí, você foi lá e ajudou a pobre! rs

Beijos,

Sol

Responder

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Samira Haddad
Samira Haddad

Em: 23/04/2020

Agradece por te dar constelação, vai?


Resposta do autor:

Sabe que eu acho isso uma mutreta.

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 23/04/2020

Solzinha tudo bem por aí? Já parou de comprar os trens? Mulher rica é outra coisa viu? Kkkkk...

 

Beijossss

 

 

Ps. Só me dei conta que era feriado ao ligar a televisão ver que era aniversário de Brasilia.


Resposta do autor:

Rica? A casa na penúria... E tinha que levar os trem para as velhinhas também. Não as quero batendo perna em rua neste perigo!

Beijos

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 21/04/2020

Solzinha! Lindo dia pra você! Feriaadoooo... 

 

Dona Mari toda preocupada com a Letícia só de conhecer, agora imagine se ela soubesse do currículo da moça? Ela foi bem mãe mesmo, perguntou, investigou... Kkkkkk...

 

 

A casa caiu da Lila ou melhor foi derrubada com a ajuda da Priscila. Sabe que apesar de picareta, me divertia com ela. O pai dela tem razão em muita coisa, mas querer decidir a vida profissional dela aí não dá mesmo!

 

 

 

Suzaninha é um poço de insegurança.

 

Quem diria Ed e Suzana conversando, trocando confidência e conselhos. Isso que é evolução!

 

 

Outro encontro épico, Solitudine e Samira... 

 

 

Own Ed com ciúmes da Camille, até com ciúmes ela tenta ser racional, muito fofa ela.

 

Ed fala, fala e não convence e nem se convence... Deiexa tudo nas entrelinhas, Isa percbeu algo e não quis desvendar essas entrelinhas, aí fica difícil. Comunicação é a palavra  

 chave para qualquer relação e isso digo e repito, falou para Ed e Isa.

 

Diva não pede tempo, não vem com subterfúgios , é direta e objetiva e Isa foi o alvo ideal, vulnerável e querendo uma carreira internacional. A bailarina foi muito ética nessa primeira abordagem e deixou clara seu compromisso e que era casada, porém, Diva não joga para perder e já deu um ultimato na ruiva e se não bastasse a Diva, ainda tem a mãe uó, ninguém merece.

 

 

 

Lady, Lady... Sempre alegrando meu dia... Kkkkkkk... 

 

 

Beijos e bom feriado aí! Kkkkk...

 

 

 

 


Resposta do autor:

Gabinha, nem senti que era feriado de Tiradentes. Foi um tal de compra os trem, leva os trem, desinfeta os trem, lava os trem, seca os trem e guarda os trem que fiquei até doida! kkk

 

Dona Mãe não foi muito simpática à Letícia porque deve ter percebido que Camille poderia se machucar envolvida com ela. Coisa de maama.

Lila picareta era divertida mesmo. Mas além disso querer se bancar com dinheiro alheio não dá. Ulisses não poderia determinar a profissão dela, mas Lila fingiu que aceitou que faria Direito. Aí também ficou no erro.

 

Seyyed e Suzana ficaram amigas. E ainda têm um rim em comum.

"Outro encontro épico, Solitudine e Samira..." kkkkkkk

A comunicação não foi muito boa e isso ajudou a confundir sim. Diva, no entanto, acostumada a ter tudo que quer a tempo e hora não iria deixar de se aproveitar disso (mesmo sem conhecer os detalhes).

 

Lady era a grande figurinha do conto! kkkk

Beijos,

Sol

 

Responder

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