13. Quem desdenha, quer comprar.
Caterine
Saí da Zéfiro com um gostinho de vitória na boca, pois estava certa de que a minha deixa havia sido o bastante para fazer a Juliana voltar atrás na decisão de não ficarmos mais juntas.
— Eu vi a cara dela, Antoine! Ela não é tão imune a mim quanto quis demonstrar ser. — falei enquanto almoçávamos em um restaurante perto da construtora.
— E quem, no universo, consegue ser imune a senhora? Você é uma deusa, meu amor! Aquele Olaviadinho pulou fora porque é um tosco, mas bem que tirou várias casquinhas de você antes de sair do armário.
— Isso é verdade! Ele tirou várias casquinhas. Mas pensando bem, agora que você falou, ultimamente ele andava muito desinteressado. Como não percebi isso antes?
— Não percebeu porque estava tão focada no casamento que acabou deixando passar.
— É, deve ser. Quer saber, Antoine? Acho que já tinha muito tempo que não havia mais nada entre mim e o Olavinho. Falo de sentimento, sabe? Eu não sinto falta dele. Penso que o que doeu mesmo foi a vergonha de ser trocada. Mas agora, pensado melhor, talvez isso tenha sido a melhor coisa que me aconteceu.
— Ai, musa, que orgulho! Eu sabia disso há muito tempo, só você não queria enxergar.
— Sim. Mas acredita que a minha mãe ainda tem esperança da gente reatar?
— Ai, bee, madame Louise é uma rainha, né? Ela se recusa a sair do conto de fadas.
Rimos juntos. Minha mãe era boa pessoa, mas muito sem-noção.
— Enfim. Voltando à sua Docinho. Não sei se é impressão, mas tenho percebido a senhora empolgada demais com essa história. Me atrevo até a dizer que vejo um brilho diferente nesse olhão lindo quando você fala dela. Será que não temos mais alguém saindo do armário por aqui? — perguntou, empolgado.
— Nada a ver, Antoine! — retruquei com desdém. — Tá bom, eu admito que não foi ruim ficar com ela, mas isso para mim não passa de um negócio. Aliás, falando de negócios, agora que voltei a trabalhar e estou ganhando o meu próprio dinheiro, quero o senhor lá em casa amanhã, às 9h. Meu cabelo tá um desastre!
— Ai, que orgulho! O nome da minha deusa levando glamour à folha de pagamento sem graça daquela empresa! — disse e bateu palmas com as pontas dos dedos. — Ok, estarei lá. Mas, voltando a falar da Docinho, escreve o que tô te dizendo: ainda vou ver a senhora confessar que está amando o tratamento de pele a base de lama do brejo.
— Vai sonhando, seu bobão! Agora tenho que ir, senão papa corta o meu ponto. Não vejo a hora de casar com a Juliana pra me livrar disso. — falei revirando os olhos e me despedi dele.
Eu estava segura de que havia plantado uma sementinha no coração da Juliana, mas o que eu não fazia ideia era de qual seria o meu próximo passo.
Esperar? — pensei enquanto dirigia de volta para a construtora.
Talvez esperar que ela desse o próximo passo fosse o correto, mas não era tão simples assim. A dona Toda Poderosa era linha dura. Depois daquela conversa, percebi que era mais orgulhosa do que eu calculara.
— Oh, bichinho orgulhoso é pobre!
Lembrei da minha mãe falando isso depois de oferecer dinheiro ao nosso motorista para que desentupisse o vaso sanitário do banheiro do deck e ouvi-lo recusar, ofendido.
Tá, eu sei que a Juliana não é pobre, mas, segundo a minha mãe, uma vez pobre, mesmo que ganhe todo o dinheiro do mundo, a essência da pobreza nunca vai sair de você.
Eu não conhecia nenhum ex-pobre para tirar a prova dos nove daquela afirmação, mas aí encontrei a Juliana e passei a concordar com a madame Louise.
Ué, não me olha assim. Isso não é preconceito, é realidade. A culpa é dela. Não lembra como ela estava vestida quando nos conhecemos no Detran? Um mendigo se vestiria melhor.
Enfim, o fato era que eu precisava pensar rápido em uma estratégia de aparecer sem parecer que estava correndo atrás. Felizmente não precisei me esforçar muito, pois assim que cheguei à construtora fui avisada pela secretária do meu pai que ele me esperava em sua sala para uma reunião.
De início, fiquei chateada com a notícia que teria que viajar para Trairi na quarta-feira seguinte. Papa queria que eu coordenasse a equipe que faria a vistoria da área, o levantamento e a análise dos dados necessários para o desenvolvimento do projeto das usinas eólicas.
— Mas achei que o senhor fosse fazer isso pessoalmente. — questionei disfarçando o meu desconforto.
— Essa era a minha ideia, mon petit, mas apareceu um compromisso inadiável, e você precisará fazer isso no meu lugar.
— Papa, é um projeto muito complexo. Será que dou conta? Estou afastada há tanto tempo, além disso tenho pouca experiência...
— Eu não tenho a menor dúvidas de que você dará conta, meu amor. Além disso, você terá o meu suporte a distância. Qualquer coisa é só me ligar.
— Eu agradeço a sua confiança, mas o suporte à distância não vai ser a mesma coisa. E se eu tiver algum problema que só consiga resolver com alguém mais experiente in loco?
Eu realmente estava tentando me esquivar daquela demanda porque não estava disposta a passar dois dias inteiros comendo areia debaixo daquele sol escaldante, mas havia mesmo a insegurança. Aquela era a fase inicial do projeto. Não era muito complexa e os dados coletados lá ainda passariam pela revisão do comitê responsável, mas, mesmo assim, eu não tinha espaço para errar.
— Caterine, não sabe o quanto fico feliz em ver a sua preocupação com o resultado do trabalho. Isso só mostra o quão comprometida você pode ser quando quer e me enche de orgulho. Vem cá, papa quer te dar um abraço.
Ele se levantou sorrindo e abriu os braços. Levantei também e dei a volta em torno da mesa para abraçá-lo, sorrindo também. Eu adorava quando ele olhava para mim daquele jeito e acabei me emocionando.
Depois do abraço, voltei para a cadeira secando com as pontas dos dedos a lágrima que fugiu de um dos meus olhos.
— Você vai conseguir. E pode ficar tranquila, porque, eu não vou poder ir lá, caso haja alguma emergência, mas falei com a Juliana, e ela me garantiu que se precisasse, iria no meu lugar.
Esse é o Brasil que eu quero! Dificulta mais um pouco, destino, porque assim tá fácil demais.
Meu coração vibrou com aquela informação, mas a despeito da vontade que eu senti de gritar de alegria, precisei me conter, pois papa não concordava com aquele plano.
— Ótimo! Sendo assim, fico mais tranquila. — Tranquila nada, eu tô é eufórica.
— Que bom! Agora vamos trabalhar. Peça para a Kátia reunir a equipe na sala de reuniões e vá com eles para lá. Vou daqui a pouco. Temos que montar a estratégia de atuação e já estamos em cima da hora.
— Certo, papa!
Saí da sala dele ainda tentando disfarçar a minha felicidade e avisei à secretária para chamar a equipe técnica.
Fui direto para a sala de reunião e enviei mensagem para o Antoine antes que as pessoas começassem a chegar. Ele ficou eufórico, mas me alertou para uma coisa:
— Mas como vai conseguir que seu pai te ajude? Vai criar um problema de verdade lá para convencê-lo a chamar a Docinho? Ele vai ficar furioso se descobrir que a fez viajar sem necessidade.
— Não posso fazer isso. Ele vai ficar muito chateado comigo se acontecer e não quero decepcioná-lo. Vou ter que pedir ajuda pro imbecil do meu irmão e pro Hugo. É o único jeito. Mas essa eu não vou perder.
Depois da reunião, chamei o Marcel na minha sala e contei da viagem.
— Eu tô por aqui com aquela suburbana metida a dona do mundo. — Fez um gesto no alto da cabeça. — Ela manipulou o papa e agora ele está comendo na mão dela. Se não agirmos rápido, vamos perder a empresa da nossa família para sempre.
Me incomodava o jeito que o Marcel se referia a ela, mas no fundo ele tinha um pouco de razão, apesar de ser um grande babaca. A nossa empresa estava nas mãos da Juliana para fazer o que tivesse vontade. E se ela decidisse simplesmente nos tirar do páreo? Era só ela querer e nós perderíamos tudo. Eu precisava salvar a nossa família daquele perigo.
Marcel ligou para o Hugo e pôs no viva-voz. Contou a nossa ideia a ele e depois ouvimos o que ele disse:
— Eu não sei o que você falou para ela, Caterine, mas depois que saiu daqui a mulher ficou louca. Tá parecendo uma máquina de dar ordens. Impaciente, imediatista... acho que tá querendo descontar a frustração dela no trabalho.
Ouvir aquilo me deixou muito feliz.
Hugo continuou:
— Então, essa viagem é uma oportunidade e tanto, mas você precisa ser bem concisa, Caterine. Se der um passo em falso, a Juliana pula fora. Ela já era cismada com tudo antes e ficou mais ainda depois do golpe que a ex dela tentou dar.
— Golpe?
A grandona. Então foi por isso que se separou dela.
— É... faz uns meses. O amante dela tentou vender por uma fortuna a patente de um protótipo de outra pessoa pra ela, só que a Juliana é esperta. Não fechou negócio até descobrir tudo o que podia sobre o protótipo e sobre o sujeito e, no meio de tudo, acabou descobrindo que a Andreia estava envolvida. Depois disso, nunca mais se envolveu com ninguém.
— Que mau-caráter filha da mãe! — exclamei me referindo à grandona e ouvi Marcel sorrir com sarcasmo.
— Até parece que você é santa, né, irmãzinha? Onde está enxergando diferença entre você e essa Andreia aí? — Soltou uma risada de deboche.
— É completamente diferente, Marcel. Eu não quero roubar a Juliana. Só quero recuperar a empresa da nossa família.
— E ganhar vida boa. Sabe como é o nome disso? É golpe do baú. Entendeu? Golpe, G-O-L-P-E. — soletrou pausadamente me fazendo bufar de raiva.
Aquele babaca não perdia uma oportunidade de ser desagradável.
Onde já se viu? Me comparar com uma bandida! Sim, porque o que ela fez com a Juliana é crime, eu acho. Muito diferente do meu objetivo. Eu só estava aproveitando uma oportunidade de usar o sentimento dela por mim em meu favor. Não queria roubá-la.
— Cala a boca, Marcel. — ordenei impaciente e o vi sorrir de braços cruzados. — Continua, Hugo!
— Então... você vai segurar as pontas por lá até sexta. Daí, nesse dia, eu falo pra Juliana que o Edgard está preocupado com o seu desempenho e pediu pra ela ir lá.
— E se ela ligar pro papa?
— Não se preocupe, vou cuidar pra que não aconteça.
— Tá, continua.
— A Juliana tem aversão a futilidade e é viciada em trabalho, então, te ver em ação no campo vai encher os olhos dela. Quando ela chegar, demonstre ao máximo o seu profissionalismo e empenho.
— Não preciso fingir isso, Hugo. Eu preferia não ir para campo, mas já que vou, darei o meu melhor. Jamais decepcionaria o meu pai.
— Bom! Depois disso é com você, Caterine. A Juliana tem uma casa a poucos quilômetros de Trairi, na praia da Lagoinha. Ela ama aquele lugar, mas faz tempo que não vai lá. Se você fizer o negócio direito, talvez ela te convide para o final de semana.
— Ela vai convidar e vamos voltar de lá namorando, você vai ver. — concluí, segura.
— É assim que se fala!
Encerramos a conversa e desligamos. Expulsei o Marcel da minha sala e voltei a trabalhar.
O final de semana foi longo. No sábado, o Antoine foi fazer o meu cabelo de manhã e à tarde fui ao shopping com a maman. Eu precisava comprar umas botas adventure para viajar, e ela precisava comprar o shopping inteiro. Papa escondera dela a real situação das nossas finanças, mas acho que no fundo ela sabia e fingia não saber.
Aquela noite se arrastou. As horas pareciam infinitas e o sono me abandonou. Falei por horas ao telefone com o Antoine, que me insistiu, sem sucesso, para que eu saísse com ele e uns amigos. Eu não estava com clima para pessoas.
Passei quase o tempo de um filme procurando algo para assistir na Netflix e acabei adormecendo depois de ver um cuja atriz principal lembrava muito a Juliana.
Sonhei com a minha Docinho...
Eu tô mesmo obcecada com esse plano!
No domingo, acordei cedo e decidi correr na praia. Sabia que não encontraria Juliana por lá, mas fui com o objetivo de me exercitar mesmo. Antes de voltar para casa, parei em um quiosque e pedi um coco.
— Moça, você tem álcool em gel? — perguntei para a menina que me deu o coco.
— Não, desculpe!
— Tudo bem.
Peguei um guardanapo de papel seco mesmo e limpei a cadeira de plástico para me sentar enquanto tomava a água. Tomei o primeiro gole, pus o coco na mesa e peguei o celular para mudar a música que tocava. Foi quando uma moça muito parecida com a Juliana — tanto que pensei que fosse ela — tocou meu ombro e disse:
— Oi!
O sorriso era igual.
Eu devo estar ficando louca. Tô vendo a Docinho em tudo agora.
Pisquei várias vezes antes de responder. Precisava saber se aquela semelhança era real ou coisa da minha cabeça.
— Oi! — respondi.
— Caterine, né?
— Isso. De onde me conhece?
— Prazer, Mariana! — disse e me estendeu a mão. — Sou irmã da Juli... Juliana.
Eu sabia que não estava louca! — Respirei aliviada.
— Prazer! — falei e apertei a mão dela. — Quer sentar? Me acompanha numa água de coco? — perguntei. Não perderia uma oportunidade daquelas por nada.
O que a Docinho tinha de sisuda, a irmã dela tinha de simpática. A menina era só sorrisos.
— Quero sim! — disse já se sentando, depois virou para a moça do quiosque e pediu: — Cristal, você me vê um coco?
— É pra já, Mari! — A mulher respondeu de dentro da barraca e logo depois veio deixar o coco para a minha quase melhor amiga e futura cunhada.
— Você é a cara da sua irmã. Nossa! — falei para puxar assunto.
— É, todo mundo acha. Mas sou mais bonita! — disse sorrindo, colocando as duas mãos embaixo do queixo e tomou um gole da água de coco.
— Lamento, mas preciso discordar.
Resposta certeira. Ela me lançou outro olhar depois de me ouvir dizer aquilo.
— Tá me chamando de feia? — perguntou, brincando e sorri.
— Não. Impossível você ser feia, é a cara da Juliana. Só tô dizendo que ela é mais bonita. Não sei explicar.
— Entendi, boba! Tô só te zoando. Mas, e então, o que faz por aqui?
— Eu moro aqui perto, corro aqui quase todos os dias. — menti.
— Engraçado, nunca te vi.
— Estranho mesmo. Também não lembro de você. Mas se nunca me viu, como sabe quem eu sou?
— Ué, a Juliana me falou de você. E...
— E você viu meus vídeos.
— Desculpa. Foi impossível não ver. — falou sem jeito.
— Tudo bem. Já tô até me acostumando com isso. — tranquilizei-a. — Mas, me conta, o que a sua irmã falou de mim? — perguntei demonstrando curiosidade e a vi sorri de um jeito malicioso.
— Tudo! — falou e corei na hora. Meu rosto chegou a arder. Ela percebeu a minha vergonha e tentou contornar. — Claro que me poupou dos detalhes, mas fez um resumo do geral.
— Entendi. — falei e tomei um gole da água.
— Olha, Cat... posso te chamar assim, né?
— Pode!
Eu não gostava de apelidos e nem de abreviações, mas estava enxergando nela uma aliada promissora, então se quisesse me chamar de Joelma do Calypso, eu seria capaz de dançar a música do cavalo manco.
— Então, Cat, a minha irmã é cismada com o mundo, sabe? Sofreu muito bullying na infância e na adolescência. Nós éramos muito pobres e éramos bolsistas numa escola que só tinha filho de gente muito rica e poderosa. Por isso, ela desenvolveu um tipo de aversão às pessoas da alta sociedade, mesmo depois de subir vida. Eu sei, isso é um tipo de preconceito, pois o fato de fazer parte de uma família assim não implica em você ser uma elitista metida a besta.
Uau! Lembro dela me falando do que passou na escola, mas não sabia que aquilo havia causado um impacto tão grande na vida dela!
— No primeiro encontro que tiveram, você não foi exatamente agradável com ela. Então a barreira já começou a ser erguida ali. Mas, mesmo assim, ela te deixou passar e acabou se decepcionando com aquela publicação ridícula.
— Eu sei, Mariana. Realmente fui uma tremenda babaca com ela, mas não foi de propósito, eu juro. Eu estava uma pilha naquele dia... foi a manhã seguinte ao vídeo da noiva cadáver. — falei e revirei os olhos ao lembrar. — Acabei descontando todas as minhas frustrações nela e em outras pessoas que estavam ali. Tanto que, mesmo ainda sem saber quem ela era, eu a ajudei a se livrar de uma maluca que insistia em falar com ela bem ali. Depois nós conversamos e até me desculpei.
— Eu sei. Entendi dessa forma também. Eu vi o vídeo e me pus no seu lugar. Se não acreditasse nisso, nem estaria aqui conversando com você.
— Então, eu não fiquei com a sua irmã pra fazer ciúme no meu ex, Mariana. Fiquei porque quis, porque me senti atraída, seduzida. Ela é uma mulher incrível, me encantou.
Afirmei aquilo sem pensar e depois fiquei me perguntando se estava falando só para convencer a Mariana a advogar por mim ou se realmente achava aquilo tudo da Juliana.
— Você já havia ficado com alguma garota antes?
— Não. Nunca.
— Então por que ela?
— Não sei... eu só senti vontade. — Suspirei exasperada. — Não sei por que essa é uma questão. Eu não tenho como saber a real essência da minha natureza até experimentar tudo. E até conhecer a sua irmã, eu só havia ficado com o Olavinho... a minha vida inteira. Como posso saber se sou lésbica, hétero, bi, tri, tetra...? Ah, isso é tão chato, sabe? E quer saber do que mais? Por que eu preciso ter um rótulo na minha testa pra me sentir atraída por uma pessoa? O amor não é livre?
— Ei, calma! Eu não tô te acusando de nada.
— Eu sei que não, mas isso me irrita, cara!
E era verdade, aquela história de ser lésbica ou hétero era uma questão que me tirava do sério, pois nunca me imaginei com uma plaquinha pendurada no pescoço definindo a minha sexualidade. Sempre me considerei apenas um ser humano capaz de gostar ou não de outros, independente de suas características.
— Desculpa, eu não quis te irritar.
— Tudo bem, já passou. O que não passa é a raiva que eu tô sentindo da sua irmã. Que mulher difícil!
Ela sorriu e se levantou.
— Foi um prazer conversar com você, Cat, mas agora tenho que ir. Espero que se acerte com a minha irmã para podermos ter mais oportunidades de conversar. Gostei de você. Tenha paciência com ela. Vai com calma que dá certo, tá? — falou e me deu um beijo no rosto. — Cristal, põe os dois na conta da Juli, tá? Essa conta, ela quem tem que pagar. — gritou para a mulher do quiosque e saiu em seguida.
Voltei para casa pensando que se a irmã dela havia me dado tanta ideia daquele jeito era porque a dona Juliana estava falando demais sobre mim para ela. Pensando nisso, resolvi que não poderia passar a semana inteira sem ser vista ou ela poderia acabar se acostumando com a distância e me esquecendo.
Na noite da segunda arrisquei de novo ir para a Beira-Mar e daquela vez a vi. Estava jogando na quadra de areia. Usava apenas um top e um shortinho de tactel. Reparei nos ombros e braços definidos, provavelmente por causa de tanto vôlei que jogava.
Fiz uma pausa estratégica e esperei que saísse da quadra para tomar água. Quando o fez, passei correndo em frente, fingindo não vê-la. Levantei os olhos bem na hora em que ela me viu e meu corpo liberou tanta adrenalina naquele instante que senti minhas pernas bambearem. Quase caí, mas continuei correndo. Ela acenou, mas apenas a ignorei, virando o rosto, e segui.
Um a zero para mim.
Na noite seguinte fiz o mesmo, mas daquela vez ela me chamou.
— Tá fugindo de mim? — perguntou, sorrindo.
Estava de novo só de top e shortinho. Cabelo preso, cheirando a suor. Mas lá no finalzinho senti o cheiro do perfume dela e meu corpo inteiro reagiu.
Que cara é essa? Eu disse que foi agradável ficar com ela. Isso é normal!
— E por que eu fugiria de você?
— Passou ontem e nem me cumprimentou. Já ia fazer isso de novo hoje.
— Ué, mas você não falou que queria manter a nossa relação o mais profissional possível? Aqui não é local de trabalho. — Fui irônica.
— Sim, mas isso te impede de me cumprimentar?
— Não estamos trabalhando, estamos? — perguntei e fui saindo.
— Ei, espera. Vamos tomar uma agua de coco?
— Não, obrigada! Tenho que ir. Viajo amanhã cedo e ainda tenho muita coisa pra arrumar. Tchau! — falei e saí.
Ainda a ouvi chamar:
— Caterine...
Mas simplesmente ignorei e segui com o coração quase saltando para fora do peito.
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Galera, quem puder/quiser, segue lá nas redes sociais:
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Twiter: @LinierF (esse é novo, ainda nem sem como mexe. Kkkkk sou péssima nessas coisas)
❤️🧡💛💚💙💜 Obrigada 😘🌈
Fim do capítulo
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Leticia Petra
Em: 02/03/2020
Joelma do Calypso, eu seria capaz de dançar a música do cavalo manco. Kkkkkkkk
Adorei
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