12. Para não deixar uma sensação de reticências, use um ponto final.
Juliana
Fiquei furiosa com a Caterine. Sei que não tínhamos nada sério, mas me senti traída, de certa forma. A Mariana ainda advogou em favor dela, mesmo sem conhecê-la. Tentou de todas as formas me fazer pensar diferente, mas nada me tirava da cabeça que aquela sem-vergonha havia me usado para causar ciúme no ex-noivo e sabe lá Deus para que mais.
— Juli, você precisa dar mais crédito às pessoas e a você mesma. A Caterine não é a Andreia, e você não é o Quasimodo. Você é a maior gata, cara. Fora que é inteligente pra caralh*! Por que ela não pode estar a fim de você sem um interesse maior por trás?
— Porque ela é hétero. — respondi, querendo encerrar aquele assunto.
— Será, Juliana? Quem é hétero convicto hoje em dia? — argumentou. — Eu mesma, que não posso ver uma perna peluda e um peitoral definido, já me senti atraída por mulher. Por que ela não pode?
— Sim, mas a sua história tem um contexto. No caso da Caterine, ela um dia me tratou feito lixo e no outro decidiu que queria ficar comigo. Não tem sentido. A minha raiva é que precisei ver a porcaria dessa publicação pra conseguir enxergar isso. Que ódio, cara! Sou muito burra.
— Você é muito intransigente, isso sim. Ok, não pegou bem pra garota essa história do ex dela estar no mesmo ambiente em que vocês estavam, mas todo mundo tem direito a defesa, Juli. Ao menos liga pra ela e tira essa história a limpo.
— Não, Mari! Eu não vou ligar. E quer saber? Essa história nem devia ter começado, então melhor aproveitar pra acabar logo.
— Chata!
— Não sou chata. Só tenho os dois pés bem fincados no chão. Não tenho tempo pra me iludir com romance de banca, Mari. Tenho muita coisa importante pra fazer.
— Traduzindo: chata!
— Tchau, Mariana! Vou trabalhar. — falei e saí.
Sequer almocei, o meu estômago estava embrulhando. Fui para a Zéfiro no meu carro. Havia pedido ao motorista para pegar o do Hugo e devolver.
Caterine não saiu um segundo do meu pensamento aquele dia. Tentei me boicotar várias vezes, encontrando desculpas plausíveis que pudessem atenuar a atitude dela. Peguei o celular outras inúmeras vezes para ligar, mas a minha razão venceu. Tinha uma arma muito forte para ganhar aquela batalha: Andreia. Depois do que passei com ela, prometi a mim mesma que jamais deixaria que alguém se aproximasse tanto de mim antes de ter a plena certeza de que poderia confiar.
Precisei fazer muita força para me concentrar no trabalho, pois a noite anterior não saía da minha cabeça. Fiquei lembrando do olhar dela para mim, senti a intensidade com a qual ela correspondera a cada beijo, a cada toque. Ela dormiu sorrindo nos meus braços. Será que alguém podia ser capaz de mentir tão bem daquele jeito?
Pelo sim e pelo não, o mais seguro era acreditar que sim.
Hugo entrou na minha sala e já revirei os olhos, pois sabia que tocaria no assunto.
— A noite foi boa, chefe? — perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
— Aqui estão as chaves do seu flat, Hugo. Obrigada! — desconversei e entreguei as chaves.
— Como assim? Não vai me contar? Quer me matar de curiosidade, só pode.
Eu ri da cara de pau dele e retruquei em um tom firme:
— Sou uma dama, Hugo! Jamais falaria. Vamos trabalhar?
— Você é má, Juliana. Isso sim.
Saí daquele assunto e fui analisar a minuta do contrato da Blanchard. Tudo parecia correto, mas ainda não havíamos apresentado a proposta de pró-labore dos diretores. Faltava apenas aquilo para assinar. Hugo me mostrou os cálculos que havia feito, mas achei os valores altos demais. Discutimos e chegamos em um meio termo.
Fizemos uma conferência com o Marcel Blanchard e quase desfiz o negócio quando ouvi o tom arrogante dele:
— Juliana, o que acha que somos? Mendigos?
— Do que está falando, Marcel? — perguntei me fazendo de desentendida. Queria dar corda para que se enforcasse.
— Dessa proposta miserável que nos fez. Olha, nós temos grande interesse nessa fusão, mas não vamos aceitar esmolas. Se não reajustar essa proposta em pelo menos 50%, não tem mais negócio.
Aquele negócio era de extrema importância para mim e o miserável sabia disso. Eu realmente havia baixado demais o valor, pois sabia que ele viria com uma contraproposta e precisava de margem para negociar, mas aquela abordagem estúpida me tirou do sério. Não sei se porque eu já estava furiosa com a irmã dele ou se foi só o meu preconceito com gente metida gritando, mas respondi sem pensar nas consequências:
— Ok, negócio desfeito.
— Tá maluca, Juliana? — Hugo quase gritou ao dar um salto da cadeira, já com as mãos na cabeça.
Apenas fiz sinal para que voltasse a sentar e fizesse silêncio, e ele acatou, frustrado. Percebi seus olhos arregalados e o rosto vermelho.
Marcel ficou em silêncio por uns instantes, acho que pensou que me derrubaria com aquela ameaça. Era um garoto inteligente e tinha uma veia boa para os negócios, mas era arrogante e ganancioso demais.
— A Construtora Blanchard tem nome e tradição. Agregar a marca Zéfiro a ela seria melhor para vocês do que para nós, então, lamento informar, mas quem saiu perdendo foi você. Até mais! — falou e desligou sem esperar que eu dissesse nada.
Ainda bem, porque eu não queria dizer nada mesmo. Não para ele.
— Você perdeu o juízo, Juliana? O que vamos fazer agora? Já assinamos contrato com os chineses e o prazo para a entrega do projeto da obra do Trairi já está correndo. De onde vamos tirar uma construtora daqui para lá para cuidar disso?
— Você falou bem, Hugo. O prazo para a entrega do projeto está correndo. Não o da entrega da obra. Eu ainda sou engenheira, sabia? Você também é. Não estou preocupada com o projeto, mas sim com a execução. — falei calma e o vi andar de um lado para o outro na sala.
Eu não tinha a intenção de fazer o projeto com as minhas próprias mãos, mas não pude perder a oportunidade de ver o Hugo pirar. Era engraçado.
— Como pode falar com essa tranquilidade? Não é simples assim e você sabe muito bem disso. A Blanchard já está até com maquinário na região. Seria tudo mais fácil.
— Hugo, você é um homem de pouca fé. Confie em mim, rapaz. — disse e peguei o telefone. — Kelly, por favor, ligue para o Edgard Blanchard.
— É pra já, Juliana!
Desliguei e olhei com um sorriso vitorioso para o Hugo, que me observava de cenho franzido, com as mãos na cintura.
— O que você vai fazer?
— O Marcel é só um pirralho metido a besta, Hugo. Tô acostumada a lidar com esse tipinho. Ele é bom, mas ainda tem que amadurecer muito para administrar sozinho uma empresa do porte da Blanchard. Felizmente, o Edgard ainda é o mandachuva por lá. Então, pra que falar com o boi se eu tenho acesso ao dono do curral? — falei e o vi se sentar de novo na minha frente.
Ainda estava inquieto, mas parecia mais calmo. Kelly transferiu a ligação do Edgard e após um breve cumprimento, fui direto ao ponto:
— Edgard, concordamos que essa fusão é importante tanto para a Zéfiro quanto para a Blanchard, mas não posso mais negociar com uma criança mimada. Desculpe, mas se você não tomar as rédeas desse negócio, não tem mais contrato.
Resumi o acontecido para ele, que ficou furioso. Desculpou-se pela atitude do filho e me garantiu que estaria à frente de todas as tomadas de decisões a partir daquele instante.
Apresentei a ele a mesma proposta de pró-labore e, como eu esperava, ele não ficou satisfeito. Mas expos isso de um jeito completamente diferente:
— Juliana, realmente é necessário negociar esse valor. Se você fizer uma rápida pesquisa de mercado, verá que está muito abaixo da margem.
— Ok, Edgard! O que você sugere?
— Pelo menos 40% a mais, em cada.
— Tudo bem, pois façamos assim: eu faço o reajuste de 50% no seu e aumento em 5% a sua participação nos lucros. Mas mantenho os valores dos seus filhos como está. O que me diz?
— Me dê um minuto, por favor!
— À vontade. — concordei e pus no mudo.
Ouvi barulho de teclas, ele devia estar fazendo contas.
— O que pretende com isso, Juliana? — Hugo perguntou, confuso.
— Ser justa. O Edgard é um cara íntegro, mas esses filhos dele são dois folgados, metidos a besta. Não me importo de pagar mais para o Edgard, mas se os pirralhos querem dinheiro, vão precisar trabalhar duro para isso. — expliquei e ouvi Edgard voltar a falar.
— E acha que ele vai aceitar? Ele parece ser louco pelos filhos. Por que acha que são tão mimados?
— Juliana?
Ouvi a voz do Edgard chamando e fiz sinal para que o Hugo se calasse antes de tirar do mudo.
— Estou ouvindo.
— Gostei da sua proposta. É até bom que obrigo os folgados dos meus filhos a trabalharem com mais afinco. Isso vai dar uma boa lição neles. Aqueles dois acham que dinheiro dá em árvore. Negócio fechado.
Cerrei o punho e dei um soco no ar em uma comemoração silenciosa. Hugo sorriu, incrédulo e meneou a cabeça.
— Perfeito! — falei em um tom polido, escondendo a minha felicidade pela vitória. — Pois venha aqui assim que puder. O Hugo já está ajustando a minuta. Venha e assinamos os dois juntos.
— Estou indo agora mesmo.
— Ótimo! Até já.
— Até.
Não sei se estava mais feliz por ter finalmente fechado o negócio ou por estar dando uma lição naqueles dois metidos.
— Você é perigosa, dona Juliana. — Hugo falou em tom de brincadeira.
— Não sou perigosa, Hugo. Mas de boba eu só tenho a cara.
Menos de uma hora depois Edgard chegou à Zéfiro. Hugo já havia feito as alterações na minuta do contrato e assinamos. Pedi à Kelly que trouxesse champanhe e celebramos, de fato, a parceria. Avisei sobre a reunião de sexta e pedi que Edgard trouxesse toda a equipe, pois gostaria de apresentá-los aos nossos contratantes.
Naquele dia saí tarde do escritório. Cheguei em casa exausta e evitei contato com a Mari, pois sabia que ela falaria justamente do assunto que eu estava querendo fugir. Ainda pensei em descer para jogar, mas lembrei que a Andreia estava com mania de aparecer na quadra, então desisti. Chamei o Enzo para jogar videogame, assim a Mari não poderia entrar em assuntos inoportunos. Julius ficou no meu pé com cara de cachorro que caiu da mudança e minha mãe resolveu levá-lo para dar uma volta no calçadão.
Fui deitar cedo, mas dormir foi muito difícil. Havia muita coisa se passando ao mesmo tempo, e meu cérebro não conseguiu desligar. Pelo menos os assuntos de trabalho estavam caminhando bem. Já a vida pessoal estava indo de mal a pior. Havia dois assuntos que eu optara por deixar pendentes, mas que sabia que ainda me perseguiriam.
Andreia não tinha mais o meu número. Depois do término, fiz questão de mudar. Acho que se não fosse isso, eu não estaria tendo nenhum segundo de paz, pois todos os dias recebia inúmeros recados que ela deixava com a Kelly. Aquilo era tão irritante que cheguei a pedir para que Kelly simplesmente ignorasse as chamadas.
Eu ainda sentia ódio de mim por ter cedido às investidas dela na praia, mesmo tendo fugido antes de irmos mais longe. Ela devia estar se sentindo vitoriosa. No mínimo, achando que eu estava caindo em sua lábia de novo.
Eu preciso conversar com ela e dar um basta nisso de uma vez por todas, ou nunca terei paz.
E era exatamente isso que eu planejava fazer, só me faltava coragem, pois ainda não me sentia segura em ficar tão perto dela, mesmo depois da Caterine.
Caterine...
Outra que estava virando o meu juízo.
Será que é pedir demais encontrar uma mulher normal?
Eu ainda sentia muita raiva de ter sido usada por ela.
Fingida... mentirosa... safada... linda... cheirosa... desgraçada! Sai daqui, me deixa dormir!
Pelo menos consegui dormir depois disso. Mas me livrar dela, que é bom, não foi tão fácil assim, pois sonhei a noite inteira com a sem-vergonha.
Seu traidor! Por que faz isso comigo? Eu cuidei de você tão bem nesses 35 anos! Acho que mereço um pouco mais de consideração. — briguei com o meu cérebro, mas foi em vão. Ele apenas riu da minha cara de idiota.
Acordei às seis da manhã naquele dia. Meu corpo tremia, ainda reagindo ao sonho — erótico — que tive com aquela safada. Eu precisava pôr aquela energia toda para fora, ou acabaria fazendo a besteira de procurá-la, mesmo estando com raiva. Resolvi me exercitar na praia, naquela hora a Andreia não estaria por lá.
Desci com o Julius levando uma bola e um frisbee e brinquei com ele na areia por quase uma hora.
— Pronto, gordinho! Agora você vai dormir o dia inteiro. — falei apertando as bochechas dele, que sorria feliz, com a língua de fora. — Tá com sede? Quer água de coco? Vem, vamos lá na Cristal.
Tomamos água de coco e voltamos para a casa.
Naquele dia enfiei a cara no trabalho, pois além de muita coisa para fazer, precisava manter a mente ocupada com algo útil, ou aquelas duas chegariam para me importunar, mesmo sem estarem presente.
Precisei ir até a Blanchard para uma reunião com o Edgard, mas tomei todas as providências para não ser vista, pois não queria cruzar com nenhum dos filhos dele.
— Então ficamos combinados assim. Na quarta que vem você envia a equipe técnica até Trairi. Vou pedir para a Kelly cuidar da acomodação e alimentação de todos. Acho que dois dias são suficientes para concluírem as medições.
— Sim, creio que seja o bastante. Só não sei se vou conseguir acompanhar. Minha esposa marcou uns exames médicos para mim, tenho sentido umas dores estranhas.
— Dores aonde? — perguntei, genuinamente, preocupada.
— Aqui perto do peito, mas vem sempre acompanhada de uma queimação, então deve ser uma gastrite. Nada demais.
Não quis dizer nada para não assustá-lo, mas aquela era exatamente a queixa do meu pai pouco antes de enfartar.
— Não deixe de fazer seus exames, não se brinca com saúde. Espero que não seja nada grave.
— E não vai ser. É excesso de zelo da Louise. Ela é meio hipocondríaca, sabe? — disse, sorrindo, e sorri de volta. — Temos muito trabalho, Juliana, não posso me dar ao luxo de adoecer.
— Ok! Mesmo assim, vou ficar mais tranquila se você fizer os exames. Se for o caso, eu mesma acompanho a equipe técnica, não tem problema. Até sinto falta de ir para campo.
— Não se preocupe. A minha ideia é deixar a Caterine responsável por isso. Só queria ir nesse primeiro momento para orientá-la, afinal, apesar de ser muito boa tecnicamente, falta ainda adquirir um pouco mais de experiência. Mas tenho certeza de que ela dará conta. Amanhã, depois da reunião com os chineses, me reúno com ela e comunico. Assim terei até terça para prepará-la para ir sem mim.
— Combinado!
Eu sempre sentia um orgulho estranho quando ouvia alguém comentar do quão boa engenheira a Caterine era. Era como se aquilo fosse uma espécie de compensação, algo que apagava aquela imagem ridícula de patricinha que ela tinha.
Esquece essa garota, Juliana!
— Inferno! — gritei já dentro do carro após arremessar o celular no banco de trás.
Se não tivesse feito isso, teria ligado para ela. Eu estava irritada por não conseguir parar de me boicotar. Voltei para a Zéfiro tentando tirar da cabeça a ideia absurda de viajar para Trairi com aquela safada só para vê-la em ação.
Mergulhei de novo no trabalho, o único jeito de desfocar. Cheguei em casa tarde de novo, naquela noite, e mais uma vez não desci para jogar. Eu sabia que no dia seguinte teria um encontro inevitável com a Caterine e confesso que estava com medo da minha reação e da dela.
Aceitei o convite da Mari para ver um filme depois de fazê-la jurar que não tocaria nesse assunto, mas me arrependi quando, do nada, bem no meio do filme, ela perguntou:
— Por que você não marca logo com a Andreia pra acabar de vez com essa história? Ninguém tá mais te aguentando, Juli, você está insuportável.
— Mariana, não combinamos que não falaríamos sobre isso? — perguntei, irritada.
— Não senhora! Combinamos que não falaríamos da Caterine. Mas você não mencionou nada sobre a Andreia. Então, anda logo, me responde.
Bufei e me levantei.
— Vou dormir. Boa noite!
— É engraçado, sabia? Você é um tubarão quando se trata de negócios. Mas pra dar um jeito na sua vida pessoal é uma franguinha.
— Não me chama de franga, senão te dou uma almofadada, sua pirralha!
— Pode dar mil, mas vou continuar te achando uma franguinha covarde, que tem medo de mulher. — falou em tom de desafio e começou a imitar um frango.
Peguei uma almofada e arremessei nela, mas só piorou. Ela começou a cacarejar mais alto e também a imitar os movimentos de uma galinha. Continuei arremessando as almofadas, e ela desviando.
— Para, sua abestada! Vai acordar a mãe e o Enzo. — pedi e desviei de uma almofada que voltou.
— Franga! — E mais barulho de cacarejo.
— Para, Mariana! — falei, impaciente.
— Só quando ligar pra Andreia e der um fora nela.
— Você tá extrapolando o limite do ridículo.
— Pó pó pó pó...
Julius apareceu na sala com cara de sono, sem entender nada. Se a minha mãe aparecesse também, estaríamos encrencadas, então cedi.
— Tá bom!
— Pó pó?
— Eu vou ligar, mas para!
— Essa é a minha garota! — disse e pulou em mim.
Caímos juntas no sofá, as duas gargalhando.
Fiquei irritada com aquela brincadeira idiota, mas a verdade era que ela estava coberta de razão. Eu não poderia empurrar com a barriga aquela história com a Andreia para sempre. Então decidi que a procuraria na noite seguinte.
Mariana dormiu comigo naquela noite e acabei pondo para fora tudo o que estava sentindo. Aquilo foi bom, fiquei mais leve e dormi em paz.
De manhã, fui para a Zéfiro. Recebi a equipe da Blanchard. Havia marcado com eles antes que os chineses chegassem, pois ainda não os conhecia muito bem. Falei com o Edgard, praticamente ignorei o Marcel e cumprimentei a Caterine de um jeito frio.
Que filha da mãe linda e cheirosa!
Durante as duas reuniões, evitei olhá-la ou me trairia. Quando acabou, ela foi atrás de mim. Tentei fugir, mas não consegui. Na verdade, não tentei com tanta força assim. Acho que lá no fundo queria ouvir uma explicação dela. Mas eu estava com muita raiva ainda e não acreditei em nada do que ela falou.
Resolvi seguir os conselhos da Mari e parar de fugir dos assuntos que me incomodavam. Caterine e eu não tínhamos futuro, éramos completamente diferentes e jamais ficaria à vontade ao lado dela. Então resolvi encerrar aquela história antes mesmo que ela começasse.
Não foi fácil. Ela tinha bons argumentos e me fez cambalear várias vezes, mas eu precisava me manter firme... e consegui. Só não esperava que depois de estar certa da minha vitória, ela me desestruturaria com a mesma arma que a Mariana usara na noite anterior:
— Tudo bem, deixa quieto. Já entendi o que tá rolando. Você fica aí desfilando para cima e para baixo nessa pose de superpoderosa, mas a verdade é que não passa de uma garotinha insegura e medrosa. Só quero que reflita sobre uma coisa, Juliana. Evitar a felicidade com medo de que ela acabe, é o melhor jeito de se tornar infeliz. Até mais!
Eu a vi sair batendo a porta e caí sentada na minha cadeira convencida de que realmente não passava de uma franga. Pude até ouvir o barulho da Mari cacarejando no meu ouvido.
Minha mão vive dizendo que para não deixar uma sensação de reticências, é sempre bom usar um ponto final. E naquele instante, o ensinamento dela fez muito sentido para mim. Já havia retardado muito o que não devia ter evitado, então, peguei o celular e digitei o número da Andreia. Havia apagado dos contatos, mas sabia decorado. Ela atendeu no primeiro toque:
— Alô?
— Oi, sou eu.
— Meu amor, esperei tanto essa ligação!
— A gente precisa conversar. Vou te enviar um endereço, me encontra lá às 8h, pode ser?
— Claro, estarei lá.
Desliguei sem me despedir.
Já chega! Eu preciso seguir em frente.
Fim do capítulo
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