Capitulo 4
Então lá estava eu, e o pior parecia ter passado. O monstro foi criado pela minha ansiedade. Ansiedade que fazia doer a cabeça, fazia doer o estômago, o peito. Ansiedade que dava fome, tirava fome, dava medo. Que controlava o passar do tempo, fazia o dia ficar mais longo, as noite pareciam intermináveis. O dia que descobri que enfim entraria para a faculdade não fui mais capaz de dormir para algo além de curtos cochilos. Assim que os dias se aproximavam e algo novo parecia surgir na minha vida, o tecido da noites era rasgado. Temia que o momento tão aguardado falhasse, que meu corpo se entregasse ao cansaço, ao medo, e que por fim eu não compreendesse nada, que minha paspalhice impedisse de absorver o conteúdo. Desde quando não mais dormia, sonhar me enchia de medo. Pensava: e se... Durante um sonho alto desse eu voltasse a me esborrachar no chão, como já aconteceu outrora. Eh que fica difícil de acreditar que algo possa funcionar, quando sua tendência sempre é o erro. E se eu tomasse gosto de novo pelo reino dos absurdos? E se fosse puxasse bruscamente para a minha realidade dilacerante? Começar era apenas um degrau da escada. Difícil mesmo era chegar ao topo. Contei nos dedos os dias, as horas, os segundos que faltavam para enfim o primeiro dia chegar. Ora desejei que ele logo chegasse, ora desejei que desacelerasse. E quando enfim chegou, o coração dava pinotes dentro do peito, enquanto eu antecipava todo o sofrimento, lá sentada, no ar frio daquela manhã que adentrava pelos vidros da sala, as caras pardacentas dos colegas desconhecidos, a marcha desorganizada dos calouros pelos corredores, o despertar ronco dos motores nas ruas.
Com um telefone preso entre a orelha e o ombro, uma figura desenrolava a saia de couro social. Com os cabelos molhados de um ruivo tingido. Meus olhos se fixaram nela. E enquanto eu a mirava perdida em devaneios, seu olhar se encontrou com o meu. O olhar se estreitou e ninguém desviou, como era de praxe quando olhares de desconhecidos se encontram. De repente ela me sorriu de modo simpático e acenou, como se fossemos velhas conhecidas. Passei a retribuir os gestos e ela se sentiu segura de vir em minha direção, enquanto eu me levantava e lhe estendia a mão, que ela ignorou e me abraçou.
Me chamo Jacqueline. Mas, pode me chamar de Jacque -- Disse com voz grave de mulher forte.
Me chamo Ana --- Respondi.
E como posso te chamar? -- Perguntou De ana mesmo.
Nos encaramos seriamente e depois gargalhamos, ela se sentou na cadeira vaga a minha frente, deste modo, firmamos um contrato de amizade ligeira, que nasceu da solidão de um complemento simpático. Jacqueline, aquela que gostava de ser chamada de Jacque me salvou da solidão do dia derradeiro. Me pareceu motivação o bastante para não desistir e sair correndo dali. Aquele par de olhos graúdos derramava curiosidade sobre os outros corpos que ali habitavam temporariamente, desconfiei, que tanto ela, quanto eu, quanto os outros temiam por este dia.
Quantos anos você tem? -- Perguntou sem se virar Trinta --- Pensei que lhe causaria espanto, mas não. Eh casada?
Não.
Tem filhos?
Nenhum
Que bom! Essa eh sua primeira faculdade?
Sim
Essa eh minha terceira tentativa. Ainda não descobri o que quero. Mas, essa eu termino.
O que você gosta de fazer? Gosto de sex* e de beber. Não. Para trabalhar? Gargalhou
Ninguém gosta de trabalhar. Tampouco de estudar, mas preciso disso para sair das ruas.
Não conseguia decidir se se ela me acalmava ou desesperava. Continuou a falar e só parou quando dois homens cruzaram a porta.
Boa noite -- Falou um dos rapazes --- Sejam bem-vindos a nossa universidade. Meu nome é Rafael, sou presidente do D.A dos cursos de ciências biológicas. E os meus colegas aqui são presidentes dos outros diretórios. Estamos aqui para lhe dar as boas-vindas -- Sorriu maliciosamente.
Tive vontade de abrir o berreiro. Cruzando a linha da sanidade entre minhas notas mentais sobre o primeiro dia e os trotes, versus a fantasia de que tudo correria pacificamente. Olhei para Jacqueline apreensiva.
-- Guardem seus cadernos, livros e dispositivos eletrônicos.
Nesse momento minha voz se perdeu na frequência de outras vozes, reclamações despontaram e aos poucos todos ascenderam. Depois de fazer algazarra com ruídos de indignação todos se calaram. A porta se abriu para um figura de cabelos ruivos se uniu aos nossos algozes, seu olhar cruzou de imediato a minha direção. Me encarou e algo nela me parecia familiar. Ela quem entregou os envelopes. E na hora de me entregar, sorriu marotamente. Seu olhar era indecifrável. Se aquele sorriso foi para me tranquilizar, falhou duplamente.
--- Não abram os envelopes. A partir de agora esta proibido falar, rir, tossir, espirrar. Não amassem, rasurem ou danifiquem o envelope. Quem descumprir as regras, sofrerá consequências. Agora podem abrir os envelopes.
O coração dava pinotes dentro do peito, eu respirava profundamente como se me faltasse ar. Praticamente quarenta alunos abriram o envelope ao mesmo tempo. O fiz com toda a delicadeza. Dentro tinha um papel com um número 50 em arial 12.
Mas a minha folha esta em branco -- Se revoltou um rapaz. E logo dois veteranos retiraram ele da sala.
Contei nos dedos silenciosamente as horas que faltavam para o fim daquela manhã. Na barriga um mosaico de sensações fazia o estômago arder. Com os cabelos frescos frescos de banho, a veterana ainda me mirava, eu devolvia o olhar em provocação. A garganta estreitou, como era de praxe quando me postava valente o bastante para não recuar a nenhuma encarada indecifrável. As caras pardacentas
dos meus colegas, de repente tornaram-se invisíveis, o despertar rouco da rua silenciou, parecia que só existia eu e ela.
Com o passar das horas as pessoas tentavam decifrar aquilo de diversas formas. Alguns colocavam sob a luz, outros estragavam o envelope e eram retirados da sala por dois veteranos. Depois de algumas horas uma galera em grande quantidade numérica desistiu. Sobrando apenas eu a Jacqueline e mais oito calouros. E eu? Nem me dava ao luxo de respirar com força.
Olhei para os lados e conclui que logo o tédio bateria e a maioria sairia. Eu não me renderia. E foi exatamente o que aconteceu, o tempo passou e eu fui ficando. As pessoas indo embora e eu ficando. Eu estava mais habituada a esperar dentro de uma sala em silêncio, era uma situação que em muito se assemelhava aos dias que com medo não descia para o recreio com as outras crianças.
Logo restaram apenas eu e a Jacque e a veterana bonitona cuidando de nós. Já tinha se passado praticamente quatro horas, e confesso que não imaginei que duraria tanto. A veterana gostosona me encarava e isso só me assustava cada vez mais. Minha ansiedade me convencia que todo mundo me odiava. Gritava que tudo era por uma razão pessoal. Era sempre assim. Se a Mari não me respondia eu começava a inventar coisas, acreditando que ela não queria mais falar comigo. Que eu só a incomodava. Que estava me ignorando de propósito. Que me odiava, tinha pena.
Com relacionamentos evitava mandar a primeira mensagem por puro medo da rejeição. Saber que alguém viu minha mensagem e decidiu não me responder me fazia ter falta de ar. Me sentia invisível. Sempre me apegava demais aos detalhes. Se a pessoa me olhava muito, ou se não me olhava. Se falava pouco comigo, e se falava muito era superficial. Se me dava muita atenção, sentia culpa por desperdiçar tanto o tempo do outro. Ou que só falavam comigo por educação.
Fosse Mariana, minha mãe, o Duda, ou um desconhecido eu precisava de afirmações constantes de que era amada. Do contrário já me surgiam os piores pensamentos. De acordo com a voz ensurdecedora da minha ansiedade o mundo estava contra mim. Eu já saia de casa pensando nas coisas ruins que poderiam me acontecer. Também era difícil me manter otimista quanto já se tinha passado por tantos momentos estranhos, quando já se foi humilhada tantas vezes. Nunca soube o que dizer em situações sociais, ora muito calada, ora tagarela. Não sabia me portar de modo convencional. Não sabia me encaixar na multidão. Eu sempre estava à margem.
Se já era difícil pra mim manter uma longa conversa com a minha mãe, imagina com uma ruiva estranha que não parava de me encarar. Ela devia me odiar. Todo mundo me odiava. Todo mundo ria de mim pelas costas.
Se fosse um flerte eu não saberia corresponder. Nunca fui de criar esperanças. A verdade eh que minha ansiedade me fazia duvidar do meu valor. Um elogio não me convencia. Eu estava sempre na defensiva. Algo me fazia acreditar que a veterana não tinha ido muito com a minha cara, apesar dela não me olhar de forma
ameaçadora, muito pelo contrário, ela mantinha um olhar sereno e curioso sobre mim. Por alguma razão eu também não conseguia tirar meus olhos de cima dela. Junto com uma sensação de que já a conhecia.
Com o iPhone preso por entre os dedos, ela desenrolava um fio de sua blusa quase transparente com a estampa da Frida Kahlo, furiosa por não conseguir deter a falha que ficou no tecido. Na barriga, um mosaico de cores apontava que abaixo existiam mais arte na pele, de retidão matemática. Com os cabelos ruivo frescos do banho, ela era uma provocação, mirei, irascível. A garganta estreitou, como era de praxe quando me fazia de valente.
Ela sorriu pra mim. O susto de me descobrir atraente era maior que o espanto de estar absurdamente atraída por aquela mulher completamente desconhecida, e que ao meu tempo não me era tão estranho. Trancada dentro de mim mesma e empenhada em evitar espelhos era fácil esquecer minha real beleza. Me prendi tempo demais com a Ana dos meus pensamentos -- que era feita de abstrato, matéria de poucos sopros --- Que passei a me enxergar sem graça. Imaginava-me encolhida com a minha pele escura, a cara entregando a exaustão do cotidiano puxado de quem não tem tempo para dormir, descuidada a desempenhar as tarefas do dia com muito esmero, capricho cansado, e atenta aos gritos do relógio preocupada com as trapaças do tempo.
-- Você vai nos deixar aqui até anoitecer? --- Jacque cuspiu por entre os dentes revoltada. Levantando-se da mesa.
A veterana foi até ela para retirá-la.
-- Não precisa, pode continuar. Eu sei onde fica a saída -- Continuar o que? --- Tchau amor, depois a gente se fala --- Falou se virando pra mim e saiu.
Naquele momento apenas sorri. Não expressei qualquer outra reação temerosa que colocasse tudo a perder. Voltei meu olhar para veterana e ela se demonstrava um pouco mais tensa do que outrora.
-- Você não esta disposta a desistir mesmo né? --- Me questionou.
Cerrei os lábios e balancei a cabeça em negação. Ela soltou uma gargalhada gostosa. Me envergonhei, as pernas finas se cruzaram com constrangimento educado, os olhos fixos naquela silhueta perfeita. Ela ainda com os braços cruzados, reagiu à provocação: Olhou minhas pernas com atenção.
-- Pode falar, só tem eu e você aqui. Não irei te entregar. Continuei em silêncio.
--- Ok, vou dispensar os meninos que estão na porta. Ai você vai se sentir segura de falar comigo?
Dei de ombros, mas mesmo assim ela foi até a porta e dispensou os outros veteranos.
--- Pronto. Agora você pode me dizer seu nome? --- Eu ganhei? que dizer que tenho um coringa? --- Defina coringa?
Sorri e levantei arrumando meus materiais. Senti ela se aproximar e congelei.
--- Significa que vocês não irão raspar minha cabeça, me embriagar até eu entrar em coma ou me fazer descer até o chão dançando funk pelada.
Ela gargalhou de maneira gostosa.
--- Calma. --- Sorriu com um sorriso que me fez sorrir também --- Vou pensar no seu caso esta bem?
--- Poderia me dizer o que significa esse papel?
--- Sexta teremos uma festa de boas vindas na república onde moramos. O número do envelope, significa o valor que cada um tem que contribuir, quem quebrar as regras paga o dobro.
--- Eu te devo 50 temers então? --- Abri minha carteira e tirei a nota. --- Não precisa! Faz assim, me diz seu nome que estamos quites.
--- Ana.
--- Parabéns Ana. Te vejo na festa. --- Disse sorrindo.
--- Obrigada. --- Pisquei numa falsa segurança.
Ela sorria tanto pra mim que eu ainda esperava o pior. Me pareceu motivo o bastante para arrancar meu corpo dali o mais rápido possível, antes que algum veterano não me deixasse sair ileso. Sai, enquanto o par de olhos graúdos e verdes se derramavam sobre meu corpo, senti como se ela fosse capaz de enxergar as
cicatrizes da minha alma ainda de corte fresco, acusei a proximidade das pestanas dela da minha carne.
Na saída Mariana me daria uma carona. Como estagiava num hospital infantil e maternidade estatal duas vezes por semana, me deixaria no metrô. Dali tinha que correr para a padaria. Negociei duas horas de extra para compensar os atrasos devido a faculdade, caso contrário colocariam algum outro no meu lugar. O que não falta eh gente para trabalhar, e eles não costumavam dar cargo de padeiro para mulheres como eu... Algumas de nós precisavam tirar licença para parir todo ano, a contabilidade não fecha, mais fácil não contratar. Evitar despesas... As vezes não podemos levantar caixas, fazendo corpo mole, ou em algum envolvimento amoroso com algum colega de trabalho e terminando num dramalhão danado. Esse era o discurso decorado do gerente.
Pois eu não queria nenhum gerente, tampouco nenhum português dono da padaria me torrando os pacovas, falando sobre dígitos e produções. Estava farta daquela conversa. No entanto choveu. Pouco mas o bastante para parar São Paulo, e para os filetes frios escorrerem pela blusa antes que pudesse correr da estação para a padaria. Praguejei com forca. Quando pisei na padaria, o meu dono antecipou que muitos pedidos de eventos aguardavam, o melhor mesmo era me preparar. Amassaria muito pão naquela tarde.
--- Dona Ana, não sei como consegue se atrasar todos os dias. --- Balbuciou irritado --- Isso que dá contratar gente que mora no extremo do extremo --- Soltava com um engasgo e fôlego o bastante para lançar esses lamentos agudos no ar. Sonoramente gritando padaria adentro. --- Saia mais cedo. --- como? se sempre vivia a espera do primeiro ônibus do dia.
Uma cliente cravava os olhos em mim, não conseguia decidir se ela me causava piedade ou ranço. No vestiário arranquei uma camiseta do cabide, com as mãos segurei os seios. Através de um buraco na parede que dava na cozinha era possível espiar as funcionárias se trocando. Me senti observada, olhei o buraco e lá estava dois pares de olhos. E como nasci enamorada das propriedades mágicas do grito, então gritei.
--- O que houve? --- Perguntou a garota do caixa, antes que eu fechasse o buraco indiscreto próximo dos armários e seguisse em trote afobado em direção a gerência.
--- Em qual setor a senhora trabalha? --- Perguntou mesmo sabendo a resposta.
Ao cruzar esta linha em ousar me queixar, senti que os ponteiros do relógio traçaram um caminho reverso e a memória dos pés se sobrepunha ao caminhar de agora, tão certa de que teria apoio. Enquanto meu gerente tomava sua caneca de café com uma expressão inalterada e me oferecia uma bala do pacote que tirou da
gaveta. Quando me dei conta de que ele não via gravidade alguma no que eu lhe tinha acabado de relatar, senti uma pressão dolorida como se alguém desse com uma barra de ferro na minha cabeça, abri o berreiro. Porem o par de pés que caminhou ate a minha cadeira ao invés de me acalmar apenas me desesperou. Sua mão tentou me alcançar, eu recuei. Levantei e fui ate a porta, voltei ate meu posto e me pus a amassar pão. Todos me olharam como a dramática e me vi sozinha em uma redoma de vidro a olhar para as pontas dos dedos sujas de massa. Como se os calos tão visíveis se diferenciassem das outras mais, de outras, outras consciências, de outras Anas. Trintas anos, endividada, negra, padeira. Um empréstimos. Lésbica. Um contrato. Dígitos. Um emprego. E eu senti falta daquilo que nunca vivi. Senti inveja de quem não era explorado, humilhado por uma esmola denominada “remuneracao”. Acordei sem forcas, cheia de cicatrizes e feridas que ainda latejam dentro de mim e me senti extremamente mal por querer parar e não poder. Minha rotina e desgastante, eu não consigo pensar em continuar porque tudo me suga e exige demais de mim e quando eu preciso parar me sinto culpada. Fracassada. Estou farta de ouvir que as coisa são naturalmente assim. Cansada de ouvir que tenho que me acostumar com uma sociedade desigual e machista, isso eh pedir de mim conformismo. Pedir que eu aceite minha condição de objeto hipersexualizado, de explorada. Onde todo dia tiram uma fatia de mim e no final eu acabo sozinha e vazia.
Para completar meu estado. Uma cliente me xingou, se referindo de modo cruel a cor de minha pele. A colega me escapuliu da boca do estômago, escalou a garganta e, antes que eu me desse conta, jorrou. encontrei-me aos gritos no centro da padaria iluminada. Abri o berreiro de raiva, estava em fúria. Aquela mendiga de alma, dos dentes brancos, rogava as pessoas ao redor que lhe auxiliassem. Os outros funcionários direcionavam ao meu encontro.
Passado o episódio. Implorava ao gerente com desespero arrependido que me deixasse ficar, que me reconhecesse as qualidades, que me perdoasse o disparate e por fim me absolvesse dos meus pequenos crimes. Rogava que pudesse esclarecer as coisa com o dono. O gerente me adiantava que os sócios não me deixariam ficar depois do episódio, que as normas internas se intensificavam quando se tratava de maltratar clientes. Ora, maltratada fora eu.
---- Ela me chamou de macaca --- Gritei ---- Me acusou de tentar rouba-la. O império começava a travar queda lenta.
--- Dona Ana, não inverta valores. A senhora saia daqui agora. Procure seus direitos --- Cuspiu o gerente.
--- Trabalho aqui a cinco anos. O mínimo que espero eh que pague meus direitos.
--- Ana? Querida, vá para casa, não vê que passou dos limites? Voce gritou a toa com uma cliente, esta claro que não te condições de lidar com pessoas. --- Tentei falar --- Não me interrompa porque estou falando.
Duas horas e meia depois ja em casa, minha mae enxugava as lagrimas de desespero e prometia se ter condições de cumprir que tudo ficaria bem. De qualquer modo me senti acolhida. O melhor lugar do mundo era naquele colo.
-- Agora sossegue, pare de chorar, pois antes de qualquer coisa voce me tem. Então suba e troque de roupa, esta com a blusa molhada e não quero que se resfrie.
Fui para o quarto que dividimos na casa de dois cômodos. Enquanto algumas portas se abriam, outras se trancavam. O corpo estava maltratado como se tivesse atravessado o deserto do Saara. A cabeça latej*v*, os ouvidos zuniam, o coração apertado, bombeava sangue ralo, tambor anêmico. De repente deitada na cama pensamento turbulento deu espaço para aquela garota curiosa. A única desconhecida naquele dia que foi gentil comigo. Quando a porta da sala de aula se abriu la estava ela, olhei e me deparei com seu olhar sobre mim. Com uma pose petulante, nariz empinado. Porém depois daquele olhar cruzado, a postura dela mudou totalmente. Adormeci como se a veterana gostosona me fosse um ponto de paz. Incrédula que uma estranha pudesse me trazer tantas sensações novas.
Fim do capítulo
Amores!
Demorei, mas cheguei.
Novo capítulo fresquinho.
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