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  • 6. As coisas mais prazerosas da vida devem ser apreciadas de olhos fechados

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O Amor Está no Ar, Salve-se Quem Puder por linierfarias

Ver comentários: 5

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Palavras: 3572
Acessos: 1261   |  Postado em: 09/02/2020

6. As coisas mais prazerosas da vida devem ser apreciadas de olhos fechados

Juliana

O efeito avassalador que a Andreia causou em mim quando apareceu naquele quiosque foi substituído por uma sensação estranha e nova depois que senti o corpo da maluca do Detran tão perto do meu. Despida da raiva que eu sentira dela mais cedo, pude perceber o quão linda e cheirosa era, apesar de absuramente ridícula de tão metida. Senti seu hálito bem próximo ao meu rosto quando a puxei e a segurei, e o cheiro dela fez subir um calor por dentro. Até esqueci por um instante que Andreia nos observava.

Mas ao contrário do que meu corpo sentiu, meu cérebro abominava o tipo de pessoa que ela demonstrava ser. Patricinha demais, fresquinha demais para o meu gosto. Sem contar que sua falta de noção beirava o mau-caratismo.

Adorei vê-la corar com a minha pegadinha. Não resisti quando falou que eu não a havia notado por ali antes.

— Impossível.

Sim, impossível. Era linda demais para passar despercebida. Não que eu seja galinha, e eu não sou. Mas não sou cega. Mesmo assim não tinha a intenção de deixa-la ficar por cima. Não ia dar bandeira permitindo que ela soubesse que havia me atraído.

— Eu teria notado esse rosa fluorescente. — completei e vi o rosto envergonhado mudar para a expressão costumeira, aquela de dona do universo, que me fazia lembrar do motivo pelo qual eu não daria em cima dela.

Caterine!

Repeti o nome dela mentalmente enquanto caminhava na direção do elevador com um sorriso idiota no rosto.

Será que vamos nos ver de novo? — pensei e lembrei da Andreia. — Será que ela pensa que sou alguma imbecil?

Não posso dizer que a presença da Andreia ali e aquela insistência toda, apesar de ter me irritado, não mexeu comigo. Eu estava magoada, ainda doía o fato de ter descoberto que ela estava tramando contra mim. Mas mesmo assim senti vontade de beija-la. Eu ainda gostava muito dela, sentia falta de sua companhia, mas confiança é algo que prezo acima de tudo, e ela perdera a minha, completamente. Meu orgulho jamais permitiria que eu a perdoasse.

Voltei a realidade quando senti a língua do Julius na minha perna. Agachei e fiz carinho na cabeça dele.

— Tá com sede, grandão? Já vamos beber água, tá? Ah, Julius, acho que tô precisando de contato físico. Na mesma noite senti atração por duas criaturas de caráteres questionáveis.

Ele me olhou em apoio e lambeu minha mão.

O elevador chegou ao nosso andar. Tirei a coleira do Julius e andamos devagar até a porta de casa. Assim que entramos, já ouvi as gargalhadas da Mari e do Enzo, que assistiam algo no celular.

Às vezes acho que esses dois têm a mesma idade!

— Tia Juli, vem aqui, rápido. Você precisa ver esse vídeo... — Enzo chamou empolgado, ainda ofegando de tanto rir.

— Eu vou tomar um banho rapidinho e volto, estou salgada, cheia de areia... — tentei, mas ele me puxou e acabei me sentando para ver o vídeo.

— Coi... coitada da garota, Enzo! — Mariana tentava falar, mas era impedida pelas próprias gargalhadas, que a faziam rolar no sofá.

A Noiva Cadáver — Vi na thumbnail e lembrei do vídeo que o Hugo tentara me mostrar mais cedo.

Não curto muito esse tipo de vídeo que viraliza na internet, geralmente são bobos demais ou toscos demais. A Mari vive dizendo que sou sisuda, que não rio da vida, que deveria relaxar mais, mas esse tipo de entretenimento não chama minha atenção. O que eu posso fazer?

Minha concepção sobre isso mudou no momento em que o vídeo começou e reconheci a protagonista daquela cena inusitada. A patricinha do Detran, Caterine, vestida de noiva, com a maquiagem toda borrada, discutindo com um agente de trânsito para tentar se livrar de uma multa. Ela tentou suborna-lo e quase foi presa.

— Não acredito nisso. Que pilantra! Até policial ela quer comprar. — falei mais para mim do que para os outros enquanto ria também da cena, que de fato era hilária.

— Como assim? Você a conhece? — Mariana quis saber.

— Longa história, depois te conto.

O vídeo era uma compilação que destacava as frases de maior efeito. Tinha cerca de um minuto e vi três vezes seguida, sem acreditar que era aquela maluca.

Passei um bom tempo rindo da palhaçada, tentando absorver a enorme coincidência. Aquilo foi assunto do jantar.

Fui deitar cedo aquela noite. O dia seguinte seria cheio e eu precisava me preparar para a reunião com os Blanchard. Fugi de uma comedia romântica que a Mari queria assistir. Eu adorava assistir a esses filmes com ela. Era o que mais gostávamos de fazer juntas desde pequenas, mas naquele dia eu estava especialmente precisando ficar sozinha.

— Não vai me contar a história da menina do vídeo?

— Amanhã. Tô morta!

— Tá bom, vai descansar então. Boa noite!

— Boa noite! — desejei e dei um beijo em seu rosto antes de ir para o quarto.

Quando deitei, a insônia deitou ao meu lado, e pensei na Andreia. Não poderia me esquivar dela para sempre, tinha que achar um jeito de dar um basta na história e ficar em paz. Chorei abraçada ao travesseiro, ainda sentia muita raiva dela... e muita falta também. Mas não deixaria que aquilo me consumisse.

Resolvi mudar o foco. Precisava pensar no dia seguinte, na reunião sobre a futura fusão da Zéfiro com a Blanchard. Peguei o celular e comecei a fazer algumas anotações. Saí da janela do "notas" com a intenção de checar uma informação no meu e-mail, mas vi o ícone do YouTube e não resisti. Acabei vendo e revendo o vídeo da Noiva Cadáver tantas vezes que já estava decorando as falas. Não consegui entender o motivo daquela obsessão, mas também não lutei contra ela.

Será que vou vê-la de novo? — indaguei com um olhar perdido no teto branco. Foi quando me dei conta de que queria aquilo.

— Eita, Juliana, o que é isso, mulher? — repreendi-me e me virei para expulsar aqueles pensamentos, mas fiquei pensando nela até adormecer.

Saí cedo de casa, teria um dia cheio e aquele almoço estava me deixando apreensiva. Eu estava com uma pressa perigosa para um negócio daquele tamanho, mas precisava estar tranquila para não ceder a qualquer contraproposta absurda que os Blanchard pudessem apresentar.

Hugo falava sempre do quanto ganharíamos com a parceria, mostrava gráficos e vislumbrava possíveis portas que se abririam, além daquela com os chineses. Eu aceitava as ideias cabíveis, mas sempre depois de ponderar bastante, pois ele demonstrava ser ambicioso demais.

O almoço estava marcado para as treze horas. Fomos com o motorista da Zéfiro, pois eu precisava enviar uns e-mails do carro.

Só larguei o celular quando tocamos a campainha, faltando exatamente um minuto para uma da tarde. Uma das coisas que mais prezo na vida é a pontualidade, e Hugo sabia disso.

Quando cruzamos a porta, meus olhos imediatamente focaram na figura daquela mulher deslumbrante, vestindo uma calça social branca e uma camisa de seda cor de vinho. Todo o resto pareceu se ofuscar. Era ela, a maluca do Detran, também conhecida como patera-com-de-rosa da Beira-Mar e noiva cadáver, mas que para mim pareceu uma figura inteiramente nova, que nem de longe remetia às outras versões que eu conhecera no dia anterior. Aquela era Caterine.

— Você?

— Você?

Dissemos em uníssono.

Nossas caras de espanto devem ter ficado visíveis a todos que estava naquela sala, pois não tivemos tempo de disfarçar. Ela arregalou os olhos e ficou boquiaberta, e eu sorri feito uma pateta. Hugo sorriu ao meu lado, sem entender, e perguntou olhando alternadamente para nós duas:

— Vocês já se conhecem?

Um breve silêncio se fez, até que ela respondeu meio sem jeito:

— Não exatamente!

— Como assim? — Foi a vez do Edgard insistir, enquanto todos observavam em silêncio a cena.

— A Juliana é a moça do Detran, papa. A que me ajudou ontem com aquele... probleminha. — completou com um sorriso sutil e lançou um olhar profundo no meu, que fez a minha pupila dilatar.

— Mas que coincidência agradável! Juliana, preciso te agradecer. Essa mocinha aqui é o meu tesouro. Estou em dívida com você. — falou abraçado a Caterine, que sorria envergonhada.

— Imagina, Edgard! Não foi nada.

Os cumprimentos se seguiram junto com o leve constrangimento que se instalou entre mim e Caterine. A mãe dela, Louise, era linda, uma espécie de versão dela mais velha. Tentava ser simpática, mas percebi que não passava de uma esnobe metida a besta. Sabe aquele tipo de pessoa que hiper educada com todos, mas que você percebe que identifica até a marca de papel higiênico que você usa só de olhar para a sua cara? Pois é, essa era Louise Blanchard.

Ela nos deu as boas-vindas, e logo após um pequeno couvert, que foi servido na sala mesmo, convidou-nos à enorme mesa de jantar, luxuosamente posta para seis.

A mansão Blanchard ficava em um condomínio de luxo, no Meireles. O ambiente extremamente elegante, muito bem decorado, combinava perfeitamente com aquela que parecia ser a família mais perfeita que já existiu. Todos muito bonitos e refinados. Quem olhasse sem saber de nada, jamais desconfiaria que estavam à beira da falência, dependendo de uma suburbana emergente para terem as peles de pêssego salvas da água da CAGECE. Quase ri daquela ironia, mas me controlei.

Eu odiava aquela pompa toda, assim como o cardápio que fora servido. Algum prato da culinária francesa, cujo o nome eu jamais conseguiria pronunciar. Eu gostava mesmo era da comida simples que a minha mãe fazia. Mas por mais que abominasse tudo aquilo, na minha posição, eu precisava saber me portar em qualquer ambiente, então disfarcei o meu desconforto e pus em prática minhas lições de etiqueta.

Depois das conversas triviais à mesa e das várias trocas rápidas de olhares entre mim e a Caterine, voltamos para sala, onde iniciamos finalmente a nossa reunião.

Louise pediu licença e se retirou, alegando que tinha um compromisso importantíssimo — provavelmente com o cabeleireiro ou com a manicure —, além de não entender dos negócios. Despediu-se de mim e do Hugo com aqueles dois beijinhos falsos de praxe e depois saiu.

Sentei-me em uma poltrona individual. No sofá grande, o restante dos Blanchard se acomodou. E na poltrona de frente para a minha, ficou o Hugo, que não tirava o sorriso de satisfação do rosto.

Edgard foi direto ao ponto:

— Juliana, fiz questão de marcar essa reunião aqui, na casa da minha família porque queria que você entendesse o valor sentimental que essa construtora tem para nós. A Blanchard foi fundada pelo meu bisavô. Depois de sua morte, meu avô assumiu, seguido do meu pai e depois, de mim. Como vê, esse é o grande legado da nossa família, e eu gostaria que depois da minha morte, meus filhos dessem sequência a essa história. Entende?

— Entendo.

— Enfim, eu nunca pedi que meus filhos estudassem engenharia, eles seguiram esse caminho por conta própria, mas sei que foram influenciados pela história de seus antepassados.

— Sei como é. Eu também escolhi a engenharia por causa do meu pai.

— Ah, seu pai é engenheiro civil? — Caterine quis saber.

— Não, ele era pedreiro. — respondi com naturalidade, pois não tinha a menor vergonha de falar da minha origem. Ao contrário, eu me orgulhava.

O sorriso em seu rosto ao ouvir a minha resposta se tornou uma leve expressão de constrangimento, que ela logo fez questão de disfarçar.

Edgard, de forma muito rápida e precisa, contornou a situação:

— Você disse "era"? O que houve com ele?

— Ele faleceu quando eu era criança ainda. Tinha problemas no coração.

— Oh, eu lamento muito a sua perda!

— Tudo bem, obrigada! Mas continue, Edgard, por favor.

E então ele começou a falar e falar, parecia que não pararia nunca mais. Em determinado momento, deixei de absorver as informações e passei a me concentrar na Caterine. Cada movimento, cada olhar. Era perfeita... uma patricinha metida a besta, mas nem por isso menos linda demais da conta. Saber que ela não era de todo uma dondoca, que havia se formado em engenharia civil e que trabalhava com o pai na construtora, fez com que eu a achasse mais interessante. Sei lá, depois de ouvir isso, ela deixou de ser só uma garota bonita e passou a ter um "algo mais".

Pelo menos sei que não é burra, afinal, você pode até entrar em um curso de engenharia civil, mas só o conclui se for minimamente inteligente.

— E então, Juliana, o que nos diz? — Marcel quis saber após o pai apresentar a contraproposta.

Em resumo, eles queriam manter o nome da empresa, além de um aumento de 10% na participação dos resultados. Pediram também para adicionar uma cláusula no contrato que me obrigaria a desincorporar a Blanchard da Zéfiro a qualquer momento, desde que eles me apresentassem uma proposta de retomada, cujo a valor ultrapasse ao menos 20% do valor de mercado da empresa na ocasião da oferta.

Eu ri. Eles deviam me achar com cara de imbecil, no mínimo. Posso não ter um legado de família ou mil anos no mundo dos negócios, mas eu não teria erguido do nada uma empresa como a Zéfiro se não soubesse exatamente o que estava fazendo.

— Meus caros, façamos assim: eu admiro bastante o empenho de vocês em manter o nome da construtora, afinal, há muita história por traz dessa marca. Além disso, acredito que até seja bom para a Zéfiro, uma empresa bem jovem, atrelar um nome tradicional como o da Blanchard ao seu. Então aceito manter a marca, desde que façamos a inserção de um selo da Zéfiro, indicando que ela pertence ao grupo.

— Construtora Blanchard, uma empresa do grupo Zéfiro. — Hugo completou.

— Isso mesmo, Hugo. — concordei e vi Edgard e Marcel se entreolharem.

— Parece razoável, papa. — Caterine afirmou.

— Sim, é bastante razoável. Não tenho objeção quanto a isso, Juliana.

— Ótimo! E com relação aos outros pleitos? — Foi a vez de Marcel perguntar.

— Bom, com relação à participação nos lucros, não posso mexer no percentual. A Zéfiro está investindo muito alto nesse negócio, a Blanchard tem muitas dívidas, e receio que esse aumento possa onerar demais o caixa. Mas estou disposta a incluir um pró-labore para vocês três, de acordo com as funções que exercem. Vou discutir isso com o Hugo e no máximo amanhã apresentamos os valores. Assim, vocês poderão contar com um valor mensal certo, até a margem de lucro atingir os índices planejados.

Vi Marcel coçar o queixo e Edgar franzi o cenho enquanto Caterine alternava o olhar de um para o outro.

— Certo! Apresentem a proposta e, se for o caso, discutiremos.

— Ok. Hugo, ponha isso na nossa pauta, por favor.

— Pode deixar, chefe!

— Agora, com relação à cláusula de desincorporação, não tenho sequer uma contraproposta. Eu não aceito. O que posso garantir para vocês é que a qualquer momento em que queiram me fazer uma proposta de retomada, estarei aberta a negociações. Mas não vou pôr isso em um contrato. É arriscado demais.

— Mas, Juliana...

— Não, Edgard, por favor! Você sabe do meu interesse na sua construtora e sabe que não tenho tempo de correr atrás de outras propostas, mas se essa for a condição para fecharmos, considere o negócio desfeito. — falei firme.

Um breve silêncio se fez, o clima ficou um pouco carregado. Meu tom não foi nada sutil, mas foi necessário. Serviu para perceberem que eu não estava ali para brincadeiras, que, por mais que eu parecesse, não era qualquer "maria ninguém" que havia ganhado fortuna e poder através de sorte.

— E que garantia nós teremos de que você estará aberta a uma possível proposta nossa ou de que não venderá a empresa fundada pela minha família para um terceiro?

— A minha palavra. — respondi olhando nos olhos dele e me levantei.

Meu gesto foi repetido pelos demais. Dei um passo em sua direção.

— Eu sou uma mulher de palavra, Edgard. E não te conheço muito bem, mas percebo que é um homem íntegro. Não vou vender a Blanchard para terceiros e estou te afirmando que estou aberta a uma possível negociação de retomada. Esses são os meus termos para fecharmos o negócio. Se estiver de acordo, assinamos o contrato o mais rápido possível. E então, negócio fechado? — perguntei e estendi a mão direita para ele, que olhou por alguns segundos e depois a apertou, firme.

— Negócio fechado. — respondeu.

Fechamos o acordo e vi todos parecerem aliviados com o fim daquela negociação.

— Ok, não temos tempo a perder. Marcel, vamos ao escritório cuidar da parte burocrática? Precisamos desse contrato assinado o mais para ontem. — Hugo propôs.

— Claro, vamos logo.

— Então vamos. — completei.

— Juliana, deixe que os meninos cuidem disso. Fique mais um pouco, quero te mostrar um projeto da obra de um parque eólico que construímos há pouco tempo na região de Aracati.

— Tudo bem, mas não tenho muito tempo.

— É rápido, logo te libero. Vamos?

Hugo e Marcel saíram em seguida, e Edgard e Caterine me levaram até o escritório da casa. Enquanto ele procurava o projeto, Caterine e eu continuamos com aquela guerra silenciosa de olhares e sorrisos de canto de boca. Eu não tinha certeza, mas estava quase acreditando que ela estava se insinuando para mim.

— Que estranho! Não acho o projeto. Mas tenho uma cópia dele no meu HD externo, está no meu quarto. Você me dá um minuto?

— Claro.

— Caterine, mon petit, enquanto esperam, seja gentil e ofereça um cálice daquele licor maravilhoso que eu trouxe de Marselha, na minha última viagem.

— Certo, papa.

— Com licença. — pediu e saiu.

Fiquei sozinha com a noiva cadáver. Pensar naquilo me fez sorrir de súbito. Felizmente, ela não viu. Estava de costas, servindo o licor. Depois, virou-se e caminhou na minha direção, carregando dois pequenos cálices nas mãos.

— Gostei do que fez no cabelo. — falei e recebi um dos cálices da mão dela.

— Obrigada! Você está bem diferente também.

E estava mesmo. Nas duas vezes em que ela me vira, eu estava de cabelo preso, sem maquiagem, completamente largada. Até eu me sentia outra pessoa quando vestia o meu uniforme de empresária importante. Mas não resisti:

— Diferente bom ou diferente ruim?

Ela sorriu, mas ao invés de responder, desviou o assunto:

— Qual a probabilidade de duas pessoas, que nunca se viram antes, se encontrarem por acaso, três vezes em dois dias?

— É, eu também pensei nisso. — Ela sorriu e mexeu nos cabelos, semicerrei os olhos e passei a analisá-la. Aquele gesto me causou um desconforto que não consegui explicar. — Prova. — disse se referindo ao licor. — É maravilhoso. Papa ama.

— Ok! — concordei e levei o cálice à boca.

— Espera! — pediu e pôs a mão livre sobre a minha, impedindo que eu o levasse à boca. — Fecha os olhos antes de degustar. — Foi uma ordem quase sussurrada. — As coisas mais prazerosas da vida devem ser apreciadas olhos fechados... — completou e me fez sentir arrepios da cabeça aos pés.

Obedeci e a senti largar a minha mão. Tomei um pequeno gole do líquido e consegui ver o rosto ansioso dela me observando ao abrir os olhos apenas o suficiente para conseguir enxergá-la, depois fechei de novo.

Degustei ainda de olhos fechados. Precisava me recompor, estava em uma reunião de negócios e não poderia misturar as coisas, apesar de estar plenamente certa de que ela estava tentando me seduzir.

Quando abri os olhos o sorriso dela desintegrou todos os meus pensamentos coerentes. Eu sorri e passei a língua nos lábios.

— E então?

— É perfeito!

Ela se afastou, sorrindo orgulhosa, e bebeu do cálice dela. Saboreou de olhos fechados e desejei beija-la no momento em que vi a ponta da língua dela deslizar discretamente pelos lábios.

Meneei a cabeça negativamente e suspirei, tentando recobrar a razão. Quando voltou a me olhar, usei o que pude para fugir daquela situação.

— Eu vi o seu vídeo.

O ar sedutor dela se esvaiu e seu rosto passou a exibir uma expressão de desconforto e chateação.

— Ah, viu? Imagino que tenha rido bastante às minhas custas.

— Desculpa, mas é impossível não rir. — falei sorrindo.

— É, parece que eu fui a única que não achou engraçado. — retrucou chateada, me deixando extremamente sem graça.

— Desculpa! Eu não quis...

— Tudo bem! Eu só quero esquecer que aquele dia horroroso existiu. Então, por favor, se pudermos mudar de assunto.

— Claro.

Ela parecia outra. Apesar da empáfia ainda estar estampada em sua essência, ela não lembrava nem de longe aquela criatura patética do dia anterior. E aquilo estava mexendo comigo de um jeito quase incontrolável. Eu estava prestes a puxa-la para mim, queria sentir o gosto daquela boquinha orgulhosa na minha, mas felizmente fui salva pelo pai dela, que voltou.

— Juliana, mil perdões. Acho que deixei meu HD na construtora. Já procurei por toda parte.

— Tudo bem, Edgard. Depois você me mostra. Eu não iria poder ficar muito mesmo, tenho uma reunião daqui a pouco. Obrigada pelo almoço, estava maravilhoso.

— Imagina! Foi um prazer.

Cumprimentamo-nos e me despedi, saindo de lá o mais rápido que pude.


Fim do capítulo


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Comentários para 6 - 6. As coisas mais prazerosas da vida devem ser apreciadas de olhos fechados:
Leticia Petra
Leticia Petra

Em: 01/03/2020

Aí ai 

Caramba...

Ju caindo em uma baita cilada... 

Responder

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alineyung
alineyung

Em: 18/02/2020

Muito bom a história...gostando muito aqui...mas a história sobre o vídeo já tá ficando chato...foi um dia difícil para ela...e as pessoas não têm noção das coisas, tipo, colocar vídeos expondo a imagem de uma pessoa na internet sem a permissão dela é algo bem chato

 

Responder

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Mille
Mille

Em: 10/02/2020

Olha que essa aproximação esta dando bem certo e não pelo plano do Marcel. 

E que pai mala inventou o projeto só para as duas ficarem sozinhas. 

Ja ansiosa pelo próximo capítulo 

Bjus 

Responder

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NovaAqui
NovaAqui

Em: 10/02/2020

As coincidências que não são coincidências kkkk

Essas duas vão se pegar já já ❤️

Tem que dar um chega para lá na ex.... Ex só serve para perturbar

Vamos ver como será o próximo encontro

Fui a outra plataforma ver em qual capítulo estava e falta pouquinho para alcançar. Ansiosa para chegar

Abraços fraternos procês aí!😘

Responder

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cris05
cris05

Em: 09/02/2020

Juliana, manda essa Andreia pastar e investe na "Noiva Cadáver "!

Curtindo demais essa história, autora. Parabéns! 

Responder

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