Capítulo 9

IX

de Touch, por Etoile

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A calmaria se instalou no coração da menina, já se passava das 19 horas quando Joe as levou até a casa da menina, Verena envolvia a pequena em um abraço e ambas apenas divagavam em seus pensamentos. Pensavam no que poderia vir a seguir. O caminho estava silencioso, apenas podia-se ouvir agouros das criaturas noturnas por entre as árvores pela estrada, que era iluminada apenas pelo cintilante luar. Fazia frio e Joe ficava atento a qualquer resquício de desconfiança pelo caminho.  -- E se o meu pai desconfiar de alguma coisa? - a menina encarava a professora preocupada. -- Nós vamos contar a ele. -- Mas e você? Ele vai me separar de você. - se agitou no banco. -- Eu vou ficar sempre ao seu lado independente do que aconteça. -- Verena, meu pai vai mandar prender você - alterou a voz. A professora franziu o cenho e entendeu ao que ela se referia. -- Meu amor, primeiro vamos contar a ele sobre hoje, o que aconteceu com você. Sobre nós - pensou - deixamos como está, de certa forma seu pai tem todo o direito de me denunciar - olhou pela janela refletindo - Não é certo o que fiz, mas eu amo você.  A menina emudeceu, não entendia como a vida era tão injusta. Chegaram na frente da casa da menina e Joe estacionou próximo a entrada. -- Qualquer coisa estou aqui.  -- Obrigada Joe! Vamos meu bem, ja está tarde. - segurou as mãos da menina e foram ao encontro do pai. Aline abriu a porta devagar, estava nervosa, Verena estava logo atrás dando apoio. A casa estava silenciosa, Tulio estava sentado próximo a janela, mantinha as pernas cruzadas e tinha uma xícara em mãos. -- Papai? -- Meu amor! - levantou-se - Pensei que não viria mais. - olhou para Verena - Boa noite senhorita Bolder. -- Boa noite - disse observando aquele homem. O pai de Aline tocou na testa da menina e notou uma leve febre. -- Tâ tudo bem Alline? - examinava a menina. -- Sim papai, estou melhor. Verena interviu. -- Senhor, hoje tivemos um incidente logo a tarde, alguém tentou sequestrar Aline e na hora Joe, que trabalha pra mim estava próximo e a livrou, eram dois homens. - Verena omitiu informações.  -- O quê? - o homem ficou furioso. - Eu ia perder minha filha e você me informa disso agora? - olhou no relógio - Quase oito horas da noite? -- Papai, fui eu que pedi, Verena apenas me ajudou - a menina tentava acalmar o pai. -- Cala sua boca Aline e já para o quarto - apontou para as escadas e a menina se assustou com o tom de voz do pai e pediu ajuda com o olhar, para sua professora.  - Vai ficar tudo bem meu anjo, descansa - Verena sorriu ternamente. O homem ficou olhando para aquele gesto. - Desde quando você dá ordem pra minha filha? Quem são essas pessoas que estão querendo fazer mal a ela? Você sabe de alguma coisa que não sei? - Você quem deveria saber, quem trabalha na polícia é você. Aline ficou atrás da escada ouvindo a conversa, estava triste e magoada, nunca tinha visto o pai daquela forma. - Porque Aline passa a maioria do tempo contigo? Estudando? Aquilo estava tirando a paciência da mulher, mas não se permitiria perder a razão.  -- Sua filha é muito inteligente, por mudanças frequentes que ela teve que passar, de fato afeta o rendimento. - Quem é você pra dizer alguma coisa sobre a vida dela? - chegou bem perto do rosto da professora.  Verena mantinha sua postura e olhava bem dentro dos olhos dele. - Sou professora dela, me preocupo, e ela terá de mim o que ela quiser. - Ela é minha filha, ninguém sabe o melhor pra ela, só eu, tá me entendendo? Tulio apontava o dedo em riste com fúria. Verena ja esperava esse comportamento, agora jogaria a isca. -- Eu entendi perfeitamente, nem a segurança da sua filha você faz, ja que é tão ameaçado. -- Cale a maldita da sua boca, sua vagabunda, eu não deixarei que ninguém toque na minha menina, nem mesmo você, o que você quer dela? Vamos me diga sua gananciosa? Bingo! Verena ja tinha parte do que queria saber, agora só restava as provas, por enquanto teria que se contentar com o que tivesse ali. Mas antes deixaria tudo as claras com o homem. -- Por favor, me respeite e se dê o respeito. Você não me engana e não adianta tentar me manipular, a mim você não possui domínio. -- ALINE - gritou e logo a menina apareceu, o coração estava batendo descompassado. -- S-sim papa...pai. -- Arrume suas coisas, vamos sair daqui logo, sem perguntas, apenas ande logo. Agora!!!. Verena o tocou no braço o fazendo encará-la. -- Você não ouse sair daqui e nem tirá-la da escola. Ou eu lhe acho até no inferno, você vai pagar por tudo. Se der um passo em falso eu acabo com você. - sua voz saiu firme. O homem ergueu o braço e aprumou um tapa que iria na face da mulher, porém Aline correu e o baque atingiu a têmpora da menina, que caiu em cima do sofá.  -- Cafajeste, desgraçado... - Verena suspedeu Aline e a abraçou acalentando.  Joe entrou na casa e segurou o homem por trás imobilizando os braços. - Me tira daqui por favor, me tira. A professora saiu a deixando dentro do carro. -- Só um momento, eu já volto minha vida. Joe ainda o mantinha preso porém Tulio se encontrava mais calmo. -- Ela vai conosco, se você tentar alguma coisa eu te entrego pra polícia, seus comparsas, não pense que és o único a lidar com eles. - Joe o ameaçou.  Verena estava atrás do carro, andou mais um pouco até chegar próximo a uma árvore, respirou fundo e o nó na garganta se desfez, lágrimas caiam sobre seu rosto e tentava se acalmar pra poder passar segurança pra menina. Respirava pela boca tentando resgatar o ar que fora impedido. Não suportaria perder Aline, não suportaria, teria que provar que o pai da menina era metido com esquemas de adulteração de cenas de crimes. Estava sendo ameaçado por terceiros e eram eles que tentaram pegar a menina, seria a troca pelo pai. E era isso que Verena queria proteger, a menina e deixá-la longe de qualquer perigo.  Teria que ser rápida, ou corria o risco de perder o amorzinho da sua vida.

Fim do capítulo

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