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Touch por Etoile

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Palavras: 1597
Acessos: 1106   |  Postado em: 21/02/2019

VIII

A tarde estava amena, o frio invernado soprava gelado nas árvores que continham resquícios de gelo impregnadas em seus caules, pareciam esconder-se diante daquele montante branco.  Verena deixou Aline na porta da escola, a menina iria na loja de conveniência, a professora ainda tentou convencê-la de ir junto, mas a menina não quis atrapalhar os planos da mulher.  Comprou umas guloseimas e azeite que seu pai pediu, acertou os valores no caixa e logo pôs-se a caminhar pela estrada fechada, que estava mais clara, por conta da neve adormecida. Caminhava depressa e olhava pra trás diversas vezes. Chegou próximo ao cemitério e andou entres os túmulos, seu coração palpitante denunciava a inquietação que a mesma sentia. Ouviu pneus de carro e notou um vindo logo atrás, na estrada de terra. Era um Peugeot preto, ela tentou focar na placa mas havia apenas um adesivo preto cobrindo, o carro se aproximava e a menina tentou andar mais rápido, ao ponto de correr durante os passos que dava, a sacola de guloseimas deslizou entre os dedos e caiu, mas Aline logo continuou a correr mais rápido que podia. Estava na metade do cemitério e o carro deu meia lua em sua frente cortando a passagem, Aline tentou voltar-se para o lado oposto, mas outro carro vinha em seguida na mesma velocidade, a menina estava a ponto de desmaiar de nervosismo e lembrou-se do pai, mas se fosse pra fazerem alguma coisa, ela preferia que fosse com ela mesma, não suportaria perder o pai. Soltou a única sacola, a dos azeites e o carro parou bem ao seu lado. Um homem saltou com duas pistolas calibre 38 nas mãos, na porta de trás desceu dois caras com tipos de armas que Aline desconhecia.  O Peugeot tentou se esvair, mas logo os homens apontaram para o carro preto, Aline não entendeu mais nada, estava confusa, com medo e muito frio. Tentava não olhar diretamente aos homens mas o rapaz de sobretudo cinza ela o reconheceu de logo mais cedo, era o que estava com Verena. VERENA? Pensou a menina. O homem a enlaçou pelo braço e a colocou por trás, a protegendo. - Desçam do carro ou eu atiro.  Aline ouviu um estrondo de tiros e fechou os olhos ficando de cócoras, tapando os ouvidos. O rapaz havia furado os 4 pneus do carro preto. - SAIAM - ordenou ele. Dois homens saíram com as mãos na cabeça e logo os outros das armas fortes se aproximaram e o fizeram ajoelhar-se ao chão.  - Levem eles, que eu verificarei o carro. - ordenou o rapaz do sobretudo.  Aline mantinha-se na mesma posição, de olhos fechados e lágrimas desciam silenciosas. O homem puxou um telefone parecia impaciente ligando. Na quarta tentativa atenderam - Finalmente atendeu!! tentaram atacá-la, eu cheguei a tempo, a segui como me pediu, estávamos certos. Venha buscá-la, tenho um vasto material pra analisar. Desligou o telefone e Aline tinha vontade de fugir, já não sabia quem era quem, muito menos em quem confiar. - Ei mocinha, tá tudo bem, levante-se. A menina olhou com receio e levantou devagar. O homem recolheu suas compras e a devolveu.  - Tá tudo bem Aline, não aconteceu nada, ja estão vindo lhe buscar. - Quem é você? Meu pai? Eu quero vê-lo - a voz da menina soou trêmula e abafada pelo choro. - Seu pai está bem, não se preocupe - o homem analisava o veículo que alvejado.  De repente Aline assustou-se com um carro vermelho Honda Civic que freou bruscamente perto de onde estava. Verena saiu do carro, estava muito pálida e mais séria que o de costume. Agachou-se diante da menina, Aline não a olhava.  - Você está bem? Venha comigo. - tocou em seus braços.  - Não toca em mim - Aline esquivou-se gritando.  - O que aconteceu Aline? Olhe pra mim. - Verena insistia.  - Me deixe, o que você quer comigo? O que foi isso? Porque tá metida nisso? eu não acredito que fui tão idiota. - gritava entre soluços. Aquelas palavras atingiram a professora com um baque tão forte que a deixou tonta ao se levantar.  - Eu nunca faria algo a você, eu te prometi que não deixaria ninguém fazer nada com você. Aline estava cansada, emocionalmente abalada, sô queria deitar e se recompor do susto. Calou-se. - Aline por favor não faz isso comigo, fala comigo. Por favor. - Verena não sabia mais como tentar acalmá-la. - Me diz que você não fez isso, me diz por favor. Diz que não quer me machucar - a menina ainda chorava. O homem observava as duas, porém mantinha-se concentrado na investigação. Estava surpreso ao vê sua "chefe" naquele estado, nunca imaginou um dia vê-la daquela forma.  - Confia em mim Aline, só lhe peço isso. - estendeu a mão na direção de sua menina. Aline tocou a mão de sua professora que a levou até o carro. Verena virou-se pro homem e fez um gesto assentindo. - Quer que eu lhe deixe em casa? - Verena analisava aquele rostinho tão pálido.  - Quero ir pra sua casa. Papai não pode ms ver assim. Tomaram a estrada e Verena dirigia como um furacão, em poucos minutos estavam adentrando a garagem e alguns homens vieram abrir imenso portão..  - Não se preocupe Aline, são pra seguran�a.  �—��—��—� Estava anoitecendo e o pai de Aline ligou, ela se portou normalmente, o pai não sabia do ocorrido e a menina não quis preocupá-lo. Verena sentou-se a frente dela e a cobriu com o edredom. - Quer conversar comigo? - a professora estava aflita.  - Sim, me diz o que está acontecendo.  A mulher cruzou as pernas e pôs os cabelos pro lado, movimento que não passou despercebido pela menina, achava Verena estupenda. - Deita aqui no meu colo, meu amor. Com cuidado Aline aproximou-se e se aconchegou naquele corpo quente que exalava rosas, deitou devagar e Verena a abraçou por trás.  - Desde o nosso segundo encontro, Joe percebeu alguém nos observando, sempre naquele carro que estava hoje no cemitério. Joe é o meu segurança particular, ele é detetive aposentado também, trabalhava pro meu pai, ele me alertou, pois poderia ser alguém querendo algo de mim, mas o alvo não era a mim e sim a você, ele passou a observar você desde aquele dia, e você me contou sobre o seu pai e sobre as ameaças frequentes. Joe ligou os fatos e eu pedi que ele tomasse conta de você, meu amor - abraçou mais forte - Eu fiquei muito preocupada quando ele me trouxe provas de que alguém rondava a escola, justo naquele maldito carro, e hoje você quis ir sozinha pra casa, eu pedi que ele a acompanhasse de longe, desculpe se não lhe disse nada - pausou para respirar fundo - Eu só queria ter certeza, eu não quero que ninguém faça mal a você, e nem com seu pai. - Verena, meu pai, eu tenho que contar a ele, você me ajuda? Ele vai ficar louco quando souber, vamos ter que ir embora de novo, eu nao quero ir embora, nunca tentaram atingir a mim, e ele não vai suportar isso.  - Xiii, calma minha menina, eu ajudo você, não pense nisso agora. - Me perdoa por eu ter falado daquela forma, eu estava nervosa e confusa, não fique chateada comigo, me desculpe. - suas mãoszinhas acariciavam os braços que apertavam firme seu corpo. - Já passou, eu entendo você, eu entendo você meu amor. - Obrigada por tudo, por você existir na minha vida. Agradeço todos os dias a Deus por ter colocado você na minha vida -- virou-se frente a frente com ela - Nunca saia dela, por favor. O coração de Verena foi aquecido por uma onda de ternura. Aline a beijou com carinho, não sentia apenas desejo, nem pela beleza, sentia algo mais forte, mais sólido. Sentia amor. A japonesa olhou nos olhos daquela mulher e a admirou por longos segundos. - Verena, eu amo você. - Eu descobri que te amo, desde o primeiro dia que eu lhe vi chorar, descobri que eu fui cruel por fazer você me tocar, me perdoa? - Verena, foi pelo toque que eu descobri seu calor, e seu calor tomou conta da minha alma gelada. Eu não preciso te perdoar, só preciso te amar, mais do que qualquer coisa. Os olhinhos puxados da menina sorriram junto com a boca pequena e abraçaram-se mais forte.  Ambas sentiram-se completas, o medo passou, as desconfianças desfizeram-se como fumaça.  Aquele desejo da carne havia ficado no segundo plano, o primeiro que falava mais alto, era o desejo do amor, da descoberta.  Uma precisava da outra, uma encontrou na outra o que não havia achado em ninguém, enquanto outra encontrou pela primeira vez o que era de fato ter sentimento por alguém.  De qualquer forma, tudo que ambas sentiam resumia-se em amor.  O recíproco amor.

Fim do capítulo


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Comentários para 8 - VIII:
LeticiaFed
LeticiaFed

Em: 22/03/2019

Olá! Comecei a ler na semana passada e gostei muito de sua história, mas ja ha algum tempo nao temos mais capítulos. Quando postará atualização? Alguma previsão? Não desista do conto, por favor! Beijo.

 


Resposta do autor: Estou finalizando. Obrigada pelo carinho.

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