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Touch por Etoile

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Palavras: 2582
Acessos: 3387   |  Postado em: 21/02/2019

VII

O resto da tarde de Aline foi sem graça e sem ânimo, se sentia melhor do mal estar, porém Verena não saía de sua cabeça.  O que será que ela e meu pai conversaram?pensou. O pai ja havia lhe contato o motivo do seu aparecimento repentino tão cedo, havia recebido uma ligação anônima e o liberaram do serviço para começarem o inquérito da investigação. A menina ficou preocupada com o ocorrido, não esperava que fosse acontecer tudo de novo e tão rápido.  Dormiu apreensiva e a noite voou, logo seu despertador a tirou do sono e a trouxe para a realidade.  Fez tudo no automático, e desceu para o café com uma sensação de medo. - Minha filha, me perdoe por novamente isso acontecer, não me sinto nada feliz por proporcionar essa vida a você. Um abraço apertado acalentou o coração da pequena.  - Eu amo o senhor e não preciso lhe perdoar, pois o senhor não fez nada. - Você está tão grande Line, minha princesa cresceu. Termina rápido mocinha, a princesa tem que estudar. Assim que terminaram o desjejum, pegaram a estrada em direção a escola. Aline entrou na sala, estava um pouco atrasada e logo Giovana e Guilherme chamaram-na para sentar com eles. - Você tá melhor? - Giovana apertava as bochechas da menina.  - S-sim. - Você fez falta menininha.  - Magina, Guilherme - corou. - Sério, japinha! A professora de Biologia logo chamou atenção do trio e eles voltaram atenção pra aula. Naquele dia havia física no último tempo de aula, o coração de Aline saltava, somente de imaginar que ela viria. Durante o intervalo das aulas, Aline e seus colegas foram lanchar na cantina ao ar livre, durante as conversas paralelas a menina notou um movimento na sala dos professores e voltou sua atenção pra lá. A distância da sala e dos seus olhos era enormes e a menina precisou semicerrar os olhos para poder tentar focar a imagem. Um homem alto, aparentemente forte, usava um sobretudo e um chapéu estilo retrô, muito elegante, chegou a sala dos professores e depois de um tempo Verena saiu, ela parecia impaciente e gesticulava um pouco enquanto falava, o homem mantinha-se calmo. Aline percorreu os olhos pelo corpo da sua professora. Como pode uma mulher linda não ter ninguém?  Voltou a atenção nos dois, e o homem entregou um envelope preto a ela, que recebeu e logo entrou para sala. Era estranho, quem será aquele homem? Pelo modo que Verena o tratava, deviam se conhecer muito bem. Refletia. - Que foi Aline? - Guilherme tentava descobrir pra onde a menina olhava tanto. - N-nada não... - Ela estava olhando pra professora de física e pro macho alpha dela - Giovanna sorriu. Aline arregalou nos olhinhos puxados, arrancando risadas dos dois. - Ele nunca entra aqui, eu ja o vi aí por fora algumas vezes, ele a traz até aqui. - Guilherme parecia pensativo.  - Eu ja vi também, acho que deve ser parente dela, ou pode ser uma amizade colorida.  - Pensei nisso também Gi, mas não parece que eles tenham algo, das vezes que eu o vi pela cidade, ele a trata com muito respeito. - Algumas meninas do último ano pagam um pau pra ela, quando ela passa pelo corredor, as meninas da torcida chegam a babar, mas ela parece que não ver. Quando as meninas abordam ela no corredor pra perguntar qualquer merd*, a professora da um sorriso de lado que eu acho que todas elas tem uns orgasmos múltiplos.  Aline ouvia a conversa em silêncio. Então Verena tinha muitas pretendentes... foi o que a menina pensou. - O que é um orgasmo múltiplo? - a menina disparou. Giovana e Guilherme olharam-na ao mesmo tempo, ela estava muito envergonhada pela pergunta.  - Que fofa meo deos, outra hora falamos sobre isso, agora é a aula da toda poderosa. Os três levantaram e foram para a sala de aula. A menina sentiu-se uma idiota por fazer aquela pergunta, achou muito infantil por ter 16 anos e não saber coisas basicas sobre adultos. Sentia chateação por isso, pois se deu conta do quão boba era. Verena entrou na sala, tinha uma pilha de papéis apoiado no braço e a sua maleta no outro O cabelo formava uma trança lateral frouxa e vestia uma calça preta de couro e uma camisa de manga comprida branca. A menina acompanhou todo o movimento da mulher e desviou os olhos quando a professora a encarou. - Bom dia!  - Bom dia - dessa vez Aline também respondeu com todos. - Eu trouxe um exercício avaliativo que contém 7 questões básicas sobre a aula passada. Formem dupla e me entreguem até o fim da aula, usem calculadora, quem não conseguir terminar eu deixo trazer amanhã, valendo menos ponto, claro. E Aline - direcionou o olhar e a menina estremeceu - Você fica comigo. A menina ficou sem entender. - Pegue uma carteira e senta aqui ao lado da minha, você faltou na aula passada. Aline levantou e deixou uma cadeira ao lado da mesa da professora, estava tão nervosa que quase caiu por cima do braço onde apoia o caderno Verena saiu distribuindo as folhas de dupla em dupla e sentou-se ao lado da menina. - Vou revisar o assunto de ontem com você, e você tenta responder algumas, tudo bem? - Uhum. - Você se sente melhor? - Verena falou relativamente baixo. - S-sim.  - Comeu direitinho? - Uhum. - Allne, seu pai é psicólogo forense, certo?  Allne sentiu estômago revirar ao ouvi-la falar do seu pai.  - Sim. - E ele está trabalhando agora?  Os olhos desviaram para a folha, sentia um enorme enfado, mas assentiu a contra gosto, não tinha a mínima vontade de encarar a sua professora.  O interrogatório continuou.  - Você fica sozinha, ele chega mais ou menos que horas todos os dias? Até o momento estava se controlando, a menina achava muita cara de pau pedir essas informações logo pra ela mesma. Pegou seu lápis e anotou o número do pai numa folha que estava embaixo do cotovelo da professora.  Verena percebeu que a menina estava recuando a conversa e não quis mais incomodar.  Explicou o assunto e logo Aline estava tentando resolver os cálculos. Vez ou outra a menina olhava de soslaio para professora, e ela permanecia olhando pra um ponto qualquer, distraída. A sala estava num absoluto silêncio e Aline podia ouvir nitidamente a respiração dela. O sinal da campanhia soou, e o som ecoou mais alto que o normal por causa do silêncio diante da concentração de todos, assustando a maioria, Verena sorriu discretamente pelo ocorrido, mas Aline percebeu.  Cada dupla ia saindo e deixava as folhas em cima da mesa da professora.  - Almoça comigo? - A professora sussurou próximo ao ouvido da menina.  - Almoço.  Todos ja haviam saído e elas ja estavam se preparando pra sair também.  - Você quer que eu vá na frente? - Não Aline, pode ir junto comigo. - Mas todo mundo vai notar isso, não será estranho? - a menina estava assustada. - Não meu amor, não estamos fazendo nada demais, vamos apenas almoçar. - Verena disse ternamente Saíram do colégio e foram seguidas por muitos olhares de quem havia ficado pelos arredores da escola. Aline queria corre, mas Verena permanecia inexpressiva caminhando calmamente. A professora olhava para a rua e parecia procurar algo. Entraram no carro e Aline viu o homem elegante que vira mais cedo, ele estava outro lado da rua e segurava um jornal, mas estava com outra roupa. Um sobretudo cinza claro.  Verena pôs os óculos escuros, mas Alline percebia sua inquietação alternando a atenção entre os três retrovisores. A menina ja estava apreensiva. Chegaram na casa, adentraram com o carro pela pequena estradinha que dava acesso a sua garagem. Aline nunca estivera ali, era do outro lado do terreno e ali havia 4 carros estacionados, a professora saiu do carro, mas a menina não se moveu. - Não há ninguém aqui meu bem, são meus. - O que tá acontecendo? - Não está acontecendo nada meu amor. - Hoje foi bem estranho, você tá agindo estranho. - Tá tudo bem, não farei mau a você e não deixarei que ninguém faça. Venha, vamos almoçar. Quando a menina entrou na casa, sentiu um cheiro delicioso de comida, Verena a conduziu para a sala de jantar, a menina nunca esteve ali, sentou-se na cadeira que a mais velha puxou para ela. A sala de jantar era toda branca, a mesa de 6 cadeiras era preta, o vidro era bastante espesso e as cadeiras também eram na mesma tonalidade, com detalhes em prateado, a cozinha era toda arejada por enormes janelas que podia-se perfeitamente contemplar a paisagem de árvores externas. - Gosta de lasanha? - Amo - a menina respondeu entusiasmada. - Espero que goste, não foi eu quem fiz, então está deliciosa. Verena saiu e logo voltou com uma travessa de vidro e luvas de cozinheiro. Deixou a travessa com cuidado e em seguida se ajeitou na cadeira. - Deixa eu te servir, tá bem quente. - levou um pedaço ao prato da menina, o queijo esticava e aquilo mexia com a fome que sentia. - Obrigada Verena. Comeram em silêncio, realmente Aline achou a lasanha divina e repetiu. Verena comeu bem pouco e a mais nova se sentiu estranha por comer quase metade da lasanha, achou que fora deselegante.  - O que foi, não estava bom? - Verena indagou preocupada. Recebeu um sorriso sem graça. - Tirando o fato que quase acabei a lasanha e você deve tá me achando desesperada. - Magina, foi feita pra vocè.  - Por isso não comeu? - Aline quase gritou. - Calma - sorriu - Eu como pouco, nã sinto fome, apenas como pra não cair desmaiada. - Vou fazer você comer um dia, eu sei cozinhar e você vai ter que comer tudo.  - disse orgulhosa.  - Você sabe cozinhar? - a professora estava surpresa. - Sim, sei fazer de tudo. Você não sabe? -  Aquilo deixou Aline encabulada, a professora apenas meneou um não e sorriu. De repente o clima mudou quando Aline passou a olhar fixamente para boca da mulher, aquilo estava deixando a professora desconcertada.  Verena não queria ir pra esse lado, mas a menina a provocava com os olhos a cada segundo. Tentava se controlar pois a menina não devia fazer intencionalmente. Mas a mais velha se enganou, Aline levantou e a pegou pela mão. - Quero conversar com você.  Foram para a biblioteca, Verena queria passar longe do quarto. Sentaram em um estofado de leitura que mais parecia uma cama. - Pronto Aline. - encaravam-se. - Verena, está interessada no meu pai? Aquela pergunta a deixou sem reação, mas logo ela sorriu e isso chateou a japonesa. - Não, claro que nãdo, desculpa isso foi meio absurdo. - Hmn. Você anda muito interessada nele. - Tenho meus motivos, mas por enquanto é confidencial. - Confidencial?  - Não se preocupa, tá?  - Vou tentar. Verena, porque absurdo? meu pai nem é tão feio assim. - Porque homens não fazem parte da minha vida, Aline. - Nenhum?  - Me refiro intimamente.  - Ah, você sempre foi assim? - Assim...? Aline mexia nas pulseiras inquietante. - Não gostar de homens... intimamente. - a menina ficava sem jeito por perguntar - Sobre eu ser lésbica? Aline assentiu.  - Desde que eu me lembro sempre tive desejo por mulheres. - Verena estava sentada com as pernas cruzadas de frente pra Alline, não desviava os olhos em nenhum momento. - Ah...- refletiu por alguns segundos - Nunca teve um contato - fez aspas com dois dedos - "intimamente" com algum homem? - Nunca é uma palavra forte. Os olhos da menina olharam-na em perplexidade. - Nunca fui pra cama com um homem, mas na faculdade um cara bêbado me beijou. - Nossa, você correspondeu? - Não, não me senti bem sendo obrigada a esse tipo de coisa. - Eu imagino. Meu pai disse que o pai dele trabalhou pra sua família, todos eram professores? você parece ser bem famosa por aqui. - Eles eram agricultores, minha família toda, e temos negócios ainda nesse ramo, mas eu prefiro lecionar, porém entendo de tudo. As vezes tenho que me desdobrar em duas. - O que cultivam? A menina estava deitada de bruços e tinha o cotovelo apoiado no estofado.  - Variadas frutas, legumes e muitas estufas com várias espécies de flores. - Flores? Nossa!! eu amo flores, você tem cheiro de flor. Verena se remexeu na poltrona e mudou a posição das pernas, alternando. - As flores são exportadas e muitas delas são usadas em composição de fragrâncias, eu também amo flores. Novamente a conversa tomou o rumo proibido. Aline estava inquieta e logo sentou no braço da poltrona, no lado que Verena estava. - Verena? - aproximou na altura do rosto da mulher. - Diga... - sentia a respiração da menina. - Por favor... Verena a trouxe ao seu encontro e puxou a menina delicadamente pela cintura, Aline caiu deitada de lado, no colo da mulher e o beijo ganhou um incentivo a mais para ambas. - Me beija, não pára de me beijar. - a menina implorava entre as carícias.  O beijo estava cada vez mais urgente e quando Verena caiu em si Aline tinha as mãos por deixado do tecido grosso da sua camisa.  - Calma meu amor... - Não me repreende Verena.  - Aline, olha pra mim.  A menina tinha o olhar penetrante. - Não devemos fazer isso agora, e além do mais as 16 horas eu tenho reunião no colégio. - fazia carícia naquele rostinho triste. A menina soltou um muxoxo, talvez estivesse agindo por impulso e pensou que Verena estava poupando uma nova frustração que poderia vim caso continuassem. Agradeceu por ter conhecido alguém tão incrivel, sabia que era arriscado, mas quanto mais a conhecia, mais sentia necessidade de conhecê-la, aquilo assustava a menina, mas na presença de sua professora os medos, os receios e as dúvidas dissipavam-se como fumaça.  Verena não era aquilo que todos diziam, ela era reservada e Aline sentia-se bobamente especial por ela ser a única na qual, sua professora permitiu se aproximar.  Deixaram a casa, combinaram de Verena deixar Aline em casa, mas a menina preferiu ir andando assim que chegassem na escola, pois teria que passar na loja de conveniência. Verena estava tão distraída com sua menina que baixou a guarda e não percebeu que estavam sendo observadas.

Fim do capítulo


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