Dúvidas e certezas Reta final
- O quê você pensa que está fazendo aqui!
A Mulher a minha frente cruzava os braços e sua voz autoritária me irritava.
-Saber se a Yumi está.
- Não ela saiu, mas qualquer coisa digo que você veio aqui.
Me surpreendi com sua fala, e assenti antes de me afastar, minha cabeça estava pegando fogo.
Ao retornar pro quarto encontrei minha esposa sentada tomando café, me aproximei puxando uma cadeira ao seu lado.
-Algum problema, Magnólia ?
Ela pois a xícara no Pires e me olhou da maneira mais sexy que nenhuma mulher consegui me ver.
-Tirando o fato que você ainda não me perdoou... E que está me colocando em banho Maria, a Amanda esteve aqui procurando por você.
-A Amanda esteve aqui, deveria ser importante.
-Duvido muito.
-Ahh tá vendo, não precisa desse carão todo, você é melhor que isso.
Sua mão passava pelo meu rosto e a segurei, dando leves beijos.
- Tá bom, agora chega Magnólia.
Não acredito que essa mulher vai me fazer implorar.
Ter o olhar daquela jovem a minha frente me instigava, a Luana que via com a Amanda sempre estava bem diferente da Luana a minha frente, mas continuava uma espoleta por dentro, saber que tanto ela como eu apreciavamos a arte me deixava mais animada, seus olhos afoitos olhavam para a minha marca, fiz questão de não esconder afinal era um mulher desejada pelos homens.
- Você quer que eu vá te buscar?
Ela pareceu sair do seu devaneio e voltou a mirar meus olhos.
- Eu venho te buscar, até porque fui eu que a convidei.
Seu descontentamento saia daqueles lábios carnudos e vivos, acompanhei sua saída e ao ouvir a porta se fechar sorri satisfeita.
Estranhei não ver a Amanda no restaurante e nem na academia, liguei para a instituição e também não estava, então peguei minhas coisas e fui para casa. Ao chegar encontrei com minha filha assistindo algo na televisão, ao me ver comentou que amanhã seria a festa da Clara. Subi e tomei um banho rápido, escolhi um vestido preto básico e uma jaqueta de couro marrom, a noite estava fria, soltei meus cabelos e terminava de me maquear quando a porta se abriu.
-Vai sair mãe!
- Sim filha, a Luana me convidou.
Olhei pelo retrovisor e Lara da maneira que estava deitada em minha cama, e olhando para o teto, permaneceu.
Que estranho nenhuma reação.
-E bom assim a senhora se distraí.
-O que você tem ? Me parece distante filha.
Lara apenas se levantou e me deu um beijo.
-Nada não mãe, nada não.
Ela saiu do meu quarto meio tristinha, e pensei se fosse uma boa idéia sair com a Luana, ao terminar ouvi uma buzina, olhei pela janela e era ela, suspirei e peguei minha bolsa.
Ao fechar a porta Luana tirou o capacete e sorriu fraco.
-Madame não se importa se fomos de moto né ?
Seu jeito brincalhão e esportivo me fez rir.
- Não é convencional, mas se é o que tem.
Ela me estendeu o capacete e subi na garupa.
- Pra não cair precisa se segurar em mim.
O teor da malícia em sua voz me fez me arrepiar.
- Eu sei Luana.
Apertei sua cintura e senti o calor que emanava de sua pele, e o perfume adocicado que inspirava da sua nuca.
Pensei duas vezes em ir de carro ou moto, mas seja quem for o dono daquela ch*pada não vou me menosprezar. Escolhei uma jeans preto colado que realçada minhas curvas, uma blusa branca de manga e uma jaqueta de couro preta.
Não pude deixar de babar diante daquela deusa, Ester estava muito bonita e elegante, estava mesmo arrebatando meu coração, sentir suas mãos em minha cintura me trouxe saudades de outras coisas, mas precisava manter o foco ou pelo menos tentar. Ao chegarmos estacionei e entramos, sentamos na última fileira além de confortável poderíamos ficar mais a sós.
Mordia os lábios de tanta tensão, gostaria que sua noite fosse especial.
-Você tem um bom gosto, o Fastasma da ópera comemorou 30 anos.
Ester falava toda orgulhosa, como era linda suas palavras suavisavam o momento, e nem reparei que estava a admirando demais, ao notar os olhos cor de mel nos meus.
-Parece que gostou do que disse.
Deu um pequeno sorriso maroto e confirmei, voltando a atenção para a peça.
-12.500 vezes o Fantasma da ópera foi apresentado, podemos dizer que somos sortudas.
Pisquei para Ester que deu uma leve ruborizada.
-Parece saber muito bem das coisas, Luana.
Mais do que você imagina.
As cenas eram lindas principalmente a do barco, houve um momento que Ester estava eufórica com a peça, e pousou a mão em meu braço, que me arrepiou por inteira. Ao perceber retirou a mão se desculpando, afirmei que não necessitaria se desculpar era normal se sentir feliz.
Ela me pareceu ficar triste e ao final da peça, fui ao banheiro e ao sair notei que Ester estava indo embora. Corri atrás dela e toquei em seu ombro, ela olhou pra um lado e depois pro outro, aonde estava.
-Sabia que ir embora sem falar com a convidada e falta de educação! Não precisa ser assim, vem te levo pra casa.
Ester parou de andar estava estranha provavelmente tendo uma crise talvez.
- Não precisa me levar, está tudo bem Luana, será que agora pode me deixar passar.
- Não está nada bem, e só passando por cima do meu cadáver você vai embora desse jeito.
-Estou pedindo com educação, quero ir pra casa!
Ester ameaçava me passar várias vezes, mas a impedia.
- Por mim pode perder a educação agora, de vez se quiser.
Falei com tanta garra que cheguei a assusta-la, mas essa não era a minha intensão.
-Pra vocês jovens é tudo muito fácil, acham que vão viver essa euforia esse contentamento pra sempre, mas tudo um dia acaba.
- Não generalize Ester, posso ser jovem, mas quero te ajudar te entender.
Dei alguns passos pra frente e a mulher se retraiu.
- Por que está fugindo posso saber ?
- Eu só quero ir pra casa, a Lara não está bem e quero ajudá-la.
-Lara está ótima, você que precisa de ajuda... da minha ajuda.
-Pelo que sei você não é médica, deveria está tomando conta da sua namorada, e me deixar em paz!
Passei por Luana mas fui impedida por seu braço, garota impertinente.
- Eu não tenho namorada!
Olhei em seus olhos cintilantes e seu tom sua expressão, tudo havia mudado de repente.
- Não tem ?
- Não...não tenho ainda, agora se puder voltar comigo, te levo em casa.
Sua mão me envolveu em um abraço, me senti acolhida. Ao nos aproximarmos da moto conversávamos sobre a peça, e aos poucos fui ficando mais relaxada, ao chegarmos em minha casa, ela me acompanhou até a varanda.
-Está entregue e segura!
- Luana, eu só conheço um sentimento e é a perda, quando você me disse sobre ser feliz foi como se o chão se abrisse diante de mim. Essa noite para mim foi mágica, a quanto tempo não vinha num teatro, e não só isso você me ajudou, mas não precisa se prender a mim ou até mesmo procurar lugares assim, você é jovem vai ter outras amizades.
-Oi? Ester não Quero ter outras amizades, qual é acha que fiz isso tudo por amizade ?
Ela franciu o cenho e cruzou os braços.
-E foi pelo que Luana?
-Foi... Foi porque gosto de você, de verdade. Esse cara com quem você sai não vai te levar a nada.
-Peraí com que direito pode mandar em minha vida, era só o que me faltava uma pirralha mandando em mim!
Encostei a mulher autoritária na parede e inclinei o meu corpo, era inevitável não me sentir atraída por ela.
-Pirralha não, dona Ester. Sou bem mais do que você imagina.
-Percebi, então esse papo de peça de teatro era tudo pra me dá o bote.
Intercalei meu olhar entre seus olhos e sua boca, uma vontade imensa de morde-la me consumia.
- Na verdade era pra te conhecer melhor, não preciso da o bote, até porque não sou cobra...
-É está mais pra piranha mesmo!
Suas mãos me afastaram e sorri com sua teoria, mas meu sorriso se desfez ao ver a porta sendo fechada na minha face, ah aquilo não iria ficar assim.
-Boa noite mademosele Ester!
Gritei seu nome e a luz acendeu da janela do segundo andar, sorri ao ver seu rosto corado. Fiz um coração estilo justin Biber e finalizei com um beijo.
Na manhã seguinte:
Cecília havia chegado a noite em minha casa, jantamos e fomos dormir cedo, reclamou de estar cansada e que sua chefe a fez trabalhar muito. No dia seguinte ao acordar ouvi o barulho do chuveiro ligado, aproveitei para tomarmos um banho juntas, mas ao entrar no box a abracei por trás, notei seus ombros tensos, comecei a beijar sua nuca seu pescoço e ombros, apertei seus seios e ouvi seu gemido rouco, sorri por dentro, apertei novamente e ela se afastou, desligou o chuveiro e passou por mim pegando a toalha e saindo, como se não fosse nada ali presente, me senti tão péssima que terminei o banho e procurei por uma roupa esportiva, ao descer o café estava pra sair peguei o jornal do dia e comecei a ler.
-Hoje e a festa da Clara, comprou um presente pra ela.
-Ainda não, mas a Clara merece o melhor, sempre fiel a mim!
Troquei de página com destreza e Cecília se calou, ao passar o café me serviu numa xícara.
-Amanda se for em relação ao que houve no banheiro, tenho que te contar que...
-Que o que Cecília! Coloquei o jornal ao lado, Quer saber não Quero saber de nada, absolutamente nada! As vezes e bom nem saber de certas coisas.
-Amanda para de gritar comigo, estou tentando falar com você.
- Acho que está um pouco tarde pra falar não acha!
Bebi um pouco do café que desceu queimando.
-A única coisa boa nisso e que temos duas casas, assim não preciso aturar o seu mal humor.
Cecília se levantou e caminhou até a porta.
-Ótimo pois já conhece o caminho!
-Estúpida!!
A porta bateu com tanta força que pensei que fosse quebra-la.
-Ótimo Amanda agora você e a insensível a bruta tudo que não presta!.
Fim do capítulo
Quem diria até dona Ester está se dando bem hehe.
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