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Ela Vale Milhões por Bruna 27

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Palavras: 5178
Acessos: 3144   |  Postado em: 15/06/2019

Capítulo 22 - Máscara

A história de Samanta Kane e Sandra Muniz começara anos antes quando elas ingressaram no serviço militar. Em uma época em que o exército ainda se abria para a presença feminina, as duas destacaram-se pelo trabalho eficiente no corpo de saúde. Muniz possuía habilidade com medicações no tratamento de doenças tropicais. Sam e ela passaram muitos anos protegendo as fronteiras do país, sobreviveram a dezenas de missões em mata fechada. E, juntas, salvaram vidas. Elas possuíam a mesma tatuagem em partes distintas do corpo uma da outra. Uma serpente. Para os gregos, a serpente era sagrada, um símbolo de renascimento. Eles costumavam homenagear o semideus da medicina Asclépio, usando serpentes em rituais de cura.

 

Por algum motivo, Muniz abdicara do amor à nação para trabalhar por conta própria. Tornou-se uma espécie de caçadora de recompensa, não se importando de trabalhar para chefões do crime, desde que pagassem seu preço.

 

O destino as colocara juntas novamente. Mesmo com o passar dos anos, Sam sentia que ainda a conhecia muito bem, no que era possível conhecer alguém como Sandra Muniz. Somente após o incidente no motel abandonado, Sam enfim compreendera a revolta dela ao deixar o exército e seguir uma vida errante, sem deveres ou moral para guiá-la. Seu desprezo fora o suficiente para mexer com a cabeça de Muniz. Eram duas mulheres entre homens em meio à floresta fechada, muitas vezes durante meses seguidos. Mas, enquanto Sam conseguia se virar bem no controle de sua libido, a outra parecia transtornada. Não tardou a Muniz tentar algo com sua companheira. Certa vez, no meio da noite, Sam sentiu o peso do corpo da mulher sobre si. Muniz a atacava com beijos e toques ousados. Uma parte de Sam era, involuntariamente, despertada pelas carícias. Afinal, os meses sem sentir o toque de outro ser humano cobravam seu preço. Mas, tinha consciência de que não queria aquilo. Não era assim que tinha suas mulheres, muito menos durante uma missão. Ela repeliu Muniz que após segundos de confusão, compreendera silenciosamente que fora rejeitada. Se houve fúria, guardou para si.  Nunca falaram sobre o assunto. Muniz deixou o exército, anos depois foi a vez de Sam. Reencontravam-se por acaso em bares, cruzavam uma com a outra em algum trabalho. Sam não adivinharia que Muniz alimentara um amor não correspondido por ela, deviam ter sido anos de autocomiseração até tomar a atitude insana de sequestrar Jenny para tentar terminar o que começara naquela fatídica noite.

 

De qualquer modo, contar com Muniz ao seu lado era a melhor aposta de Sam naquele momento. Ela possuía um grande conhecimento do submundo e, assim como Sam, também se especializara em investigações.

 

Muniz sorveu um gole do café que Sam preparara para elas.

 

-- Hum! Amargo -- Disse Muniz -- Você lembrou como gosto.

-- Sempre o faço amargo, Muniz.

-- Ih! Você não me dá nem o gostinho de pensar que se importa comigo, Sam.

-- Não me importo -- Respondeu a guarda-costas, mexendo em alguns papéis sobre a mesa.

 

Encontravam-se no escritório da casa. Sam tinha consigo todos os documentos e pen drives com arquivos digitais do caso Brooks.

 

-- Tudo bem, Sam. Vamos ao trabalho.

 

Muniz largou a xícara de café na mesa e pôs-se a ler alguns papéis, parou ao perceber os olhos de Sam nela.

 

-- O que foi? -- Perguntou Muniz.

-- Não está esquecendo algo?

-- Por exemplo?

-- Contar o que você sabe.

-- Já disse tudo o que sabia, Sam. Rastreei seus passos porque sei exatamente como você pensa. Não a teria encontrado de outro modo.

-- Por hora, vou aceitar o que me diz -- Disse Sam.

-- Tudo bem, Sam. Agora é sua vez de me cotar tudo o que sabe. Ou espera que eu perca tempo lendo toda essa papelada sem saber o que estou procurando.

 

A guarda-costas repassou todos os passos da investigação a Muniz. Ao longo de sua explanação, ela montou um mural com fatos e fotos, tecendo considerações acerca do caso. Muniz ouvia atentamente, sua inteligência aguçada assimilava tudo com a rapidez de uma bala.

 

Quando Sam concluiu, Muniz comentou:

 

-- Interessante.

-- É somente isso o que tem a dizer? -- Perguntou Sam.

-- Calma, Sam. Controle sua ansiedade. Lembra-se do treinamento?

-- Guarde seu sarcasmo para outra ocasião, Muniz.

-- Envolveu-se demais com esse caso, Sam. Perdeu clareza e concisão. Isso limitou seu pensamento.

 

Muniz fez uma pausa, esperando pela reação de Sam.

 

-- Por favor, continue.

-- O fato é que você demorou demais para solucionar esse caso.

-- Está insinuando que estou fazendo de propósito. Para que? Para ter Jenny ao meu lado?

-- Não estou dizendo isso -- Respondeu Muniz, séria -- Estou dizendo que precisa ver as coisas com outros olhos e deixar de lado, pelo menos por enquanto, seus sentimentos em relação a essa garota. Acredite, eu sei quanto os sentimentos atrapalham.

-- Você tem razão sobre tudo o que disse. Sei que as coisas fugiram um pouco do controle. Por isso preciso de você para me mostrar o que está diante dos meus olhos que não consigo enxergar.

 

Muniz não escondeu sua satisfação. Afinal, Samanta Kane precisava de sua ajuda.

 

-- Vamos começar pelo que você já sabe -- Disse ela -- Estamos lidando com um homem jovem e com um grande ressentimento pela garota. Ele quer fazê-la pagar por algo que ela fez ou que ele pensa que ela fez. Enfim, trata-se de alguém próximo a ela. O que nos dá uma lista grande de suspeitos.

 

Sam anuiu. Muniz relatou os fatos com competência.

 

-- Nosso suspeito tem muito dinheiro -- Continuou ela -- Do contrário, não poderia contratar mercenários para fazer o trabalho sujo. Ele não precisa trabalhar, faz isso apenas para estar próximo a Jenny.

-- Pedi a JD que investigasse as finanças de todo o estafe de Jenny Brooks e também de seus familiares e amigos. Até agora não encontramos nada incomum, além dos negócios de Lyanna Smith.

-- E não encontrarão, pois o nosso cara usa uma identidade falsa.

 

Sam inspirou fundo. Já sabia da hipótese da identidade falsa, mas agora que Muniz a colocara em palavras, o próximo passo da investigação parecia óbvio.

 

-- O que significa que ele tem algo a esconder.

-- Que o nome verdadeiro revelaria -- Completou Muniz -- Há algo aí, no passado desse cara.

-- Está sugerindo que...

-- Que talvez o ódio que nosso suspeito sente por Jenny não seja algo de agora.

 

A guarda-costas pôs-se de pé, andando de um lado a outro, pensativa. Parou em frente ao mural e encarou as fotos de Lorena Montenegro e Erick Brooks.

 

-- Você tem razão -- Disse Sam -- Os pecados dos pais tornam-se os pecados dos filhos.

-- Essa mulher, Lorena Montenegro, acha que ela nos esconderia algo?

-- Não sei, mas talvez ela conheça alguns esqueletos no armário do ex-marido.

-- O falecido Erick Brooks? Pelo que consta ele quase a matou, o que sugere uma personalidade no mínimo desequilibrada. O que mais sabe sobre ele?

-- Era muito rico. Grande parte da fortuna veio de herança de família que passou automaticamente para Jenny quando ele morreu. Mas o senhor Brooks lucrou muito com negócios escusos, transferiu muito dinheiro para paraísos fiscais. O governo americano conseguiu confiscar uma parte, mas sabe-se lá quanto dinheiro ele deixou escondido.

 

-- Pode ter repassado para alguém -- Sugeriu Muniz -- Você tem os dados das finanças dele?

 

Sam assentiu. Foi até uma das estantes e retornou com pilhas de documentos.

 

-- Há mais em um pen drive.

 

Muniz suspirou.

 

-- Isso demorará horas.

-- Eu sei, preciso informar a Jenny que não poderei jantar com ela esta noite.

-- Diga à princesa que tem coisas mais importantes a fazer do que ficar se agarrando com ela por aí.

-- Vou ligar para Jenny. Volto em um instante -- Disse Sam, ignorando os comentários de Muniz. 

-- Aproveita e checa se tem algo frio e sem gosto na geladeira. Adoraria ter um jantar como nos tempos de exército.

 

***

 

Jenny contemplou o tabuleiro à sua frente. Seu exército estava em uma situação complicada. Margot estava prestes a capturar seu prisioneiro e ela precisava fazer algo para impedi-la. Era preciso arriscar.

 

-- Você vai perder -- Zombou Júnior que observava o jogo com atenção.

-- Se é tão inteligente porque não tenta?

-- Não preciso disso -- Disse ele -- Já estive no exército. No de verdade.

 

A garota fez uma careta para ele e voltou ao jogo. Fez seu movimento, perdendo um de seus soldados para uma mina terrestre. Na vez de Margot, ela capturou o prisioneiro, vencendo o jogo.

 

-- Eu avisei -- Disse Júnior.

 

Jenny o ignorou. Tudo o que fazia até mesmo brincar com Margot era vigiado de perto pelo irmão de Sam.

 

-- Margot é muito inteligente nesse jogo de combate -- Sorriu para a irmã -- Meu amor, porque não joga uma partidinha com o titio aqui?

 

Júnior recusou em um primeiro momento, mas Jenny não precisou insistir muito e ele aceitou. Desconfiava que tivesse vontade de jogar, mas vergonha de pedir. Então, facilitou para ele.

 

Enquanto observava a partida, Jenny recebeu um telefonema de Sam. No começo ficou muito contente em ouvir a voz dela, mas foi como um banho de água fria quando Sam lhe disse que não viria para o jantar. Após o telefonema, ela ficara cabisbaixa.

 

-- Aconteceu alguma coisa? -- Perguntou Júnior.

-- Sam ligou. Ela não poderá vir para o jantar.

 

Ao ver a tristeza de Jenny, Margot deixou de lado o jogo e abraçou a irmã.

 

-- Tudo bem, garota -- Disse Júnior -- Não é como se fosse o fim do mundo.

 

Mas era. Pelo menos para Jenny que aguardava ansiosamente a chegada de Sam. Naquele dia, ela fora para cama com esperanças de encontrar Sam no dia seguinte.

 

Sam não apareceu ao café da manhã, no almoço ou no jantar. Passaram-se dois dias, três, quatro. Jenny esperou até que no quinto dia, Sam simplesmente desapareceu, assim como Sandra Muniz.

 

Jenny questionou Júnior sobre a repentina ausência de Sam, ele certamente sabia algo. Após questioná-lo à exaustão, conseguiu algumas informações. A parceria de trabalho entre Sam e Muniz parecia ter rendido frutos. Elas seguiam um novo rumo nas investigações. Jenny queria que a ameaça a sua vida tivesse um fim, por outro lado, temia que Sam estivesse correndo perigo. Júnior garantiu-lhe que ela ficaria bem e que enquanto ela não voltasse, sua proteção continuaria confiada a ele.

 

Com Sam distante, Jenny passou seu tempo estreitando os laços com os moradores do sítio Sanches. Tinha que aguentar os arroubos sentimentais de sua mãe que nunca fora uma mulher romântica, mas que ultimamente ficava a ler romances e suspirar pelos cantos, insinuando-se para o senhor Sanches de forma tão explícita que chegava a ser ridículo, principalmente porque seu marido presenciava a tudo, sem jamais ser o alvo dos suspiros da mulher. Já Júnior nunca deixava Jenny sozinha, a garota tinha certeza que ele estava obcecado pelo trabalho de guarda-costas.

 

O consolo de Jenny era ter Margot ao seu lado. As duas costumavam brincar ao ar livre, explorando a região, até aonde lhes era permitido. As conversas despretensiosas com Danilo também agradavam à Jenny. Cada vez mais, descobria que tinham muito em comum. O irmão mais novo da família Sanches era o único que possuía algum talento musical. Sentavam à varanda durante a tarde, tocando violão e cantando antigas canções regionais que Danilo ensinara a Jenny. Ela encantara-se pelos ritmos nordestinos. Crescendo tão longe daquela região, ela nunca em sua vida musical tivera contato tão íntimo com outros estilos.

 

Foi em uma dessas tardes agradáveis que uma Land Rover parou em frente à casa dos Sanches. Após interromper a canção que tocavam, Jenny e os irmãos Sanches, Danilo e Júnior, observaram Sam descer do carro. Ela vestia as mesmas roupas de sempre. Suas roupas de guarda-costas, como Jenny costumava chamá-las.

 

Sam tirou os óculos escuros lançando um rápido olhar a casa antes de voltar-se para o carro novamente e abrir a porta para seu passageiro. Seu cabelo estava mais curto e de uma cor diferente. Não usava óculos, mesmo assim Jenny o reconheceu e abriu um sorriso ante a surpresa daquela visita inesperada.

 

-- Billy?

 

Jenny não podia acreditar em seus olhos. Correu de encontro ao rapaz que, apesar de franzino, ergueu-a nos braços com facilidade.

 

-- Que saudade, Jen!

-- Não acredito que você está aqui -- Disse Jenny, ofegante, libertando-se dos braços do amigo.

-- Acho que sua guarda-costas quis fazer uma surpresa a você.

 

Olhou para Sam que estava parada próximo ao carro conversando com os irmãos. Uma confusão de sentimentos tomou conta dela. Repentinamente, caminhou até a guarda-costas e começou a lhe dá vários socos.

 

-- Como você some assim sem avisar? -- Gritou Jenny.

 

Sam segurou seus braços com firmeza. Parecia esperar por uma recepção impetuosa de Jenny. Não demorou a caírem nos braços uma da outra. A garota encostou o nariz no pescoço de Sam, inspirando seu cheiro.

 

-- Quanta saudade desse cheiro -- Sussurrou ela.

-- Desculpe, eu também senti sua falta -- Disse Sam ao seu ouvido.

-- As pombinhas poderiam deixar isso para depois? -- Questionou Júnior -- Temos um hóspede para acomodar e Sam deve está cansada da viagem.

 

Jenny detestava dá ouvidos a Júnior, mas era preciso.

 

-- E Muniz, onde está? -- Perguntou ela olhando em volta à procura da mulher.

-- Ela não vem, está em uma missão.

 

Sam não entrou em detalhes sobre o que Sandra Muniz estava fazendo, Jenny entendeu que era algo sigiloso. Sem fazer perguntas, ela voltou-se novamente a Billy. Estava tão empolgada com sua chegada que não notou que Sam estava mais atenta que nunca. Antes de entrarem, ela percorreu o olhar em torno da casa tentando detectar o mais leve farfalhar de folhas ou o som de um galho estalando, mas qualquer ruído poderia ser facilmente abafado pelo canto ininterrupto dos pássaros.

 

Na sala, Lorena Montenegro lia sentada à poltrona enquanto seu marido assistia ao noticiário na tevê. A mãe de Jenny ficou muito contente em reencontrar o rapaz.

 

-- Que bom que está aqui, Billy, assim você anima essa garota -- Disse Lorena -- Tem estado uma depressão só.

-- Mamãe!

-- Que foi? Só estou falando a verdade.

 

Orlando desligou a tevê e cumprimentou o rapaz com um aperto de mão.

 

Jenny convidou o amigo a sentar-se. Danilo ficou de pé no hall de entrada. Júnior, por sua vez, postou-se atrás do sofá, de braços cruzados. Sam escolheu um lugar para sentar-se em frente à Jenny e o maquiador.

 

-- Que lugar lindo! -- Disse Billy, observando a sala -- Adorei o estilo rústico do campo. Nunca imaginei Jenny Brooks vivendo uma vida de cowgirl.

 

Jenny riu.

 

-- Não exagera, Bi. E, a propósito, aqui no sítio os Sanches não criam animais.

-- Não? E o que se faz num sítio tão grande.

-- Eles têm plantações.

Billy pareceu animado e passou a fazer perguntas sobre a vida no sítio que Jenny respondia com os olhos brilhando.

 

-- Então, esta é sua casa, Sam? -- Billy perguntou, após ouvir a garota -- Não poderia imaginar que você tinha uma família.

-- Aposto que não -- Respondeu Sam, séria -- Há coisas sobre mim que você jamais poderia imaginar.

 

Jenny dirigiu um olhar estupefato a Sam. Por que ela estava sendo tão rude com Billy? O rapaz, no entanto, pareceu divertir-se com a resposta da guarda-costas.

 

-- Eu disse a você que ela era misteriosa, Jen. E eu estava certo.

 

Fez uma pausa.

 

-- E esses gatões, são seus irmãos, Sam?

 

Sam encarava o rapaz com seriedade. Vendo que ela não responderia, Jenny interviu:

 

-- Que falta de modos a minha, Bi. Deixa eu te apresentar, aquele é o Danilo, irmão mais novo de Sam e este parado atrás de você feito um poste é o Júnior.

 

Danilo e Júnior imitaram a expressão fechada de Sam. Sentindo que algo estava errado, Jenny decidiu intervir:

 

-- Qual o problema de vocês?

 

Ela ergueu-se de um salto, encarando os irmãos.

 

-- Jen, sente-se! -- Sam pediu, com calma.

-- Não, Sam. Até me disserem por que estão sendo tão idiotas com meu amigo. É por ele ser gay, é isso?

 

Nenhum dos Sanches presentes respondeu.

-- Oh, Jenny. Obedeça a sua guarda-costas e sente-se, por favor -- Disse Lorena, depois voltou-se para Billy --  Querido, nos conte como foi de viagem.

 

Jenny, mesmo contrariada, não viu outra opção a não ser sentar-se novamente. Billy que não parecia abalado pela situação descreveu os pormenores da viagem com entusiasmo.

 

Alguns minutos depois, Margot surgiu na sala vinda pela porta de acesso à cozinha. Ela estava ofegante e trazia uma flor amarela em uma das mãos, entregou-a a Jenny, com um grande sorriso no rosto.

 

-- Isso é para mim? Obrigada, meu amor!

 

A pequena pareceu satisfeita.

 

-- Meu bem, você lembra-se do tio Billy?

A garota observou o rapaz ao lado da irmã, tentando recordar seu rosto.

 

-- Tudo bem, querida? -- Perguntou Billy, sorrindo.

 

Ao ouvir sua voz, Margot enfim o reconheceu. Seu rosto contorceu-se em uma expressão de pavor e ela correu aos braços do pai, aos prantos.

 

Jenny não entendeu a reação da irmã.

 

-- Desculpe, Bi. Acho que ela não se lembra de você.

 

Sam que estivera tensa desde a chegada de Margot, ficou de pé e dirigiu-se à Orlando:

 

-- Senhor Montenegro, leve Margot e sua esposa para a cozinha, imediatamente. Meu pai cuidará de vocês.

 

Diante da autoridade de Sam, Orlando obedeceu. Ele e Lorena tentavam consolar a pequena que estava às lágrimas.

-- Sam, o que está acontecendo? -- Perguntou Jenny.

 

A guarda-costas ignorou a pergunta e tirando a Glock 25 da cintura a apontou para Billy. Danilo e Júnior fizeram o mesmo, sacando suas armas.

 

-- A casa caiu para você -- Disse Júnior.

 

Jenny não compreendeu de imediato o que estava acontecendo. Uma vez mais suas certezas eram abaladas.

 

-- Por que estão apontando essa arma para o Billy? -- Disse ela, quase às lágrimas -- Sam, este é o Billy, meu amigo lembra?

 

Sam compadeceu-se da expressão de dor no rosto da garota.

 

-- Jenny, meu bem, eu não queria que fosse assim. Mas foi preciso.

 

Billy que era cercado por todos os lados pelos irmãos Sanches, decidiu enfim falar:

 

-- Oh! Não se desculpe por algo tão banal...

 

Se Jenny não tivesse em frente a Billy não poderia acreditar que era quem falava. Sua voz havia assumido um tom grave, enérgico, que ela nunca tinha ouvido antes. Ele ergueu o corpo, apoiando-se ereto na poltrona. Perdera o aspecto afetado que era sua principal característica.

 

-- Sabia que um dia aquelas aulas de teatro me serviriam para alguma coisa -- Comentou Billy.

 

Incrédula, Jenny mal conseguia articular as palavras.

 

-- Billy, você...

-- Não sou gay? Oh, não, Jen, era apenas insinuação.

-- Não pode ser! Eu vi você várias vezes com caras.

-- Eu sei, até sua guarda-costas me flagrou com um. É preciso ser convincente quando não se quer ser pego.

 

Jenny sentiu as pernas bambas.

 

-- Quem é você? -- Perguntou, atônita.

-- Qual é, Jen. Não me reconhece mais? Estive com você todos esses anos, antes mesmo de você ser famosa. Agora vai me desprezar? Assim me magoa.

 

A garota não reconhecia o homem a sua frente. Assustada, ela recuou, ficando próximo a Sam.

 

-- Isso, se esconde atrás de sua guarda-costas. Afinal, ela tá aqui para isso, não?

-- Pode parar com esse joguinho -- Disse Sam -- Você foi pego, e se depender de mim vai morrer na cadeia.

-- Samanta Kane! Deve estar tão cheia de si. Parabéns, você me pegou! Sabe, no começo, quando soube que assumiria o caso, fiquei receoso. Assustado até. Ouvi tantas coisas sobre você. Mas me mantive por perto, observando, procurando uma brecha até perceber sua “quedinha” por Jenny e usar isso a meu favor. No fim das contas, você era como Jenny, manipulável. Encorajei a atração que a garota sentia por você, ela sempre foi suscetível a mim. Sabe, demora anos para adquirir esse tipo de confiança. Fui paciente, aguentei seus caprichos. Quando enfim a tive nas mãos, iniciei minha vingança, apresentei a ela uma vida de bebidas e curtições, incentivei seu ódio pela mãe e afastei-a da irmã chorona... O bom de conhecer alguém, é que você descobre suas fraquezas. Eu sei que papai não aprovaria o que fiz. Por isso mesmo, tive prazer em fazê-lo.

 

As lágrimas escapavam pelos olhos de Jenny em descontrole.

 

-- Todos esses anos... Pensei que fosse meu amigo! -- Bradou ela -- Meu único amigo! E esse tempo todo só queria me fazer mal? Como pôde? Por quê?

-- Eu já disse o porquê nas cartas -- Respondeu ele -- Você tem tudo e eu não tenho nada.

-- Você é louco! O que quer de mim, afinal?

-- Eu quero vingança! -- Disse Billy, erguendo a voz.

-- Baixa a voz macho alfa! -- Exigiu Sam.

 

Billy tirou os olhos de Jenny e encarou Sam.

 

-- Qualquer um pode ser corajoso com uma arma nas mãos -- Disse ele -- Por que me trouxe aqui, Samanta Kane? Precisa que eu confesse algo?

 

Sam ficou em silêncio. Billy sorriu.

 

-- Quem aqui gosta de joguinhos, afinal? -- Disse ele, triunfante.

-- Eu não preciso de joguinhos, sei exatamente quem você é. Erick Brooks.

 

Com o impacto da revelação, Jenny não conseguiu permanecer de pé. Deixou-se cair na poltrona mais próxima a ela. Sam queria confortá-la, mas não podia perder contato visual com o rapaz.

 

-- Mas, como? Erick Brooks era meu pai!

-- Não! -- Gritou Billy -- Ele era meu pai!

 

A cabeça de Jenny girava e ela sentiu que poderia desmaiar. Descobrira que tinha um irmão, mas não poderia ficar contente com isso, afinal, por algum motivo, ele tentara matá-la.

 

-- Jenny, você está bem? -- Perguntou Sam.

 

Sam ainda mantinha o punho erguido, com a arma apontada para Billy. Sentia-se impotente vendo o estado da garota.

 

-- Por que todos se preocupam tanto com ela? -- Disse Billy, irritado -- Sempre foi assim. Papai a protegia. A princesinha tinha a atenção de todos. Enquanto eu ficava em segundo plano. O bastardo. Se você não existisse, eu teria tido tudo!

-- Eu nunca soube que tinha um irmão -- Rebateu Jenny, saindo do torpor em que estivera imersa -- Como eu poderia ser culpada de algo?

-- Mas você é. Quando me aproximei de você percebi o quanto estava certo. Sempre foi mimada e egoísta. Quando estávamos a sós, você era minha melhor amiga. Em público, era apenas o seu maquiador. Um joguete nas mãos de Jenny Brooks. Até aquela gata idiota tinha mais prestígio do que eu.

-- Kitty... Você a matou, não foi?

-- Eu queria fazer pior com você. Tantas vezes estive tão perto de te estrangular com minhas próprias mãos.

-- E o que o impediu? -- Gritou Jenny. O medo transformando-se em raiva -- Seu covarde!

-- Não sou tão estúpido -- Respondeu ele -- Seria pego facilmente. Por isso, gastei meses planejando um modo de sequestrar você e sair livre. Tudo daria certo, mas você tinha que ser teimosa o bastante para ter entrado no carro errado. Conhecendo você, eu deveria ter imaginado que faria algo assim... Depois, Samanta Kane entrou na jogada e eu precisei ser mais esperto que ela.

-- Mas não foi -- Disse Jenny -- Sam pegou você.

 

Billy gargalhou.

 

-- Acha que estou aqui contra a vontade? Sam nunca iria expor seu esconderijo apenas para a namoradinha ver o melhor amigo. Eu sabia dos riscos quando decidi acompanhá-la até aqui...

-- Não entendo -- Disse Jenny -- Porque veio então?

-- Eu precisava ver sua cara quando soubesse. Esse tempo todo em que mantive minha identidade em segredo ficava imaginando o que você faria se soubesse que seu pior inimigo estava tão próximo a você. Sabe, eu ria da ironia disso. Ria de você, Jenny Brooks.

-- Seu cínico! Louco! Assassino!

 

Billy mais uma vez não pode conter o riso. Jenny sentia cada vez mais a raiva crescer dentro dela. Seu melhor amigo tornara-se um total desconhecido.

 

-- O que você fez a Margot Montenegro para deixá-la daquele jeito -- Perguntou Sam, precisava fazê-lo falar.

 

O rapaz a encarou, com um sorriso cínico.

 

-- Não fiz nada àquela pestinha.

-- Você está mentindo! -- Disse Sam -- Vou dizer o que você fez. Tinha tanto ódio do apego de Margot à irmã que deu um jeito de afastá-las. Ameaçou a criança, disse que mataria Jenny e a gatinha Kitty caso ela abrisse a boca.

-- O que? Você ameaçou Margot? -- Questionou Jenny.

-- Não façam tanto drama -- Disse Billy -- Tudo bem, talvez eu tenha exagerado. Estava com tanta raiva que disse coisas que não deveria ter dito. Acontece!

-- Você é um monstro! Ameaçando uma criança indefesa...

-- Não me venha com moralismos, Jenny. Esqueceu que conheço todos os seus podres.

-- Eu nunca deveria ter deixado você se aproximar de mim.

-- Não? Você sempre foi tão carente, Jenny. Foi muito fácil enganar você. Desesperada por carinho.

 

Com o calor da discussão, Jenny esqueceu o perigo, e sem perceber avançou um passo em direção a Billy.

 

-- Jenny, fique onde está! -- Alertou Sam.

 

A garota parou, sem tirar os olhos de Billy, ela disse:

 

-- Carente? Você nunca se enxergou? Eu tenho minha família, como você mesmo disse, sempre estive cercado por todos. E você? Uma vez me disse que era órfã. Sua morreu mãe, não foi?

 

Billy engoliu em seco. Seu rosto ficou vermelho.

 

Sam compreendeu o que Jenny estava fazendo. Afinal, ela a ensinara a mexer com a cabeça das pessoas e usar seus pontos fracos contra elas. Decidiu entrar no jogo:

 

-- Maria das Dores Gimenez. Esse era o nome da sua mãe. Há alguns anos, ela morreu de câncer. Você teve que acompanhar todo o sofrimento dela sozinho. Seu pai nunca esteve presente. Afinal, Erick Brooks achava que tudo poderia ser resolvido com dinheiro. Ele nunca foi um pai amoroso, não é? Vi o histórico médico da sua mãe, Brooks também batia nela, quando se cansava de agredir a esposa, era ela quem ele procurava. Aposto que sobrava para o menino franzino também. Você não podia defendê-la, era fraco demais.

 

-- Saiam da minha cabeça, suas vadias! -- Gritou o rapaz.

 

Ele estava agitado. As palavras de Sam atingiram-lhe em cheio. Visivelmente perturbando, ele levava as mãos à cabeça. Depois começou a dar socos em si mesmo.

 

Para Jenny fora uma surpresa saber sobre o passado de Billy.

 

-- Isso é tudo culpa sua! Você não devia ter nascido!

 

Os olhos dele estavam vermelhos de ódio.

 

-- Agora entendo seu ódio -- Disse Jenny, baixinho.

 

Tomando uma decisão, ela tocou gentilmente o braço de Sam e a fez baixar a arma.

 

-- Por favor, Sam. Deixei-me chegar perto dele.

-- Não posso fazer isso, ele tentará matá-la.

 

Jenny fitou Sam com carinho. Seus olhos brilhavam ainda marejados de lágrimas.

 

-- Confia em mim, Sam. Eu sei o que estou fazendo.

-- Você tem certeza disso? -- Perguntou Sam.

 

Ela assentiu e caminhou em direção a Billy. Não tinha mais medo.

 

-- Vai se entregar, Jenny? -- Disse Billy.

-- Sinto muito por sua mãe.

-- Então, esse é o novo jogo agora? Tentando criar empatia. Não vou cair nessa.

-- Como disse, eu nunca soube que tinha um irmão -- Continuou Jenny.

-- Podemos ser irmãos, mas isso não significa nada.

-- Não é verdade, significa tudo. Nós dois fomos vítimas nisso tudo. Papai também me enganou. Esse ódio que você guarda dentro de si não é por mim que você o sente. É ele que você odeia. Eu sei porque ele também me decepcionou. Papai nunca foi quem eu pensei que fosse...

-- Mentira. Você era a favorita dele. Ele nunca me assumiu. Era você que ele exibia para a sociedade. Você ficou com tudo.

-- Não! Ele era um monstro. Não era amor o que sentia por mim. Talvez obsessão, narcisismo, não amor. Ele escondeu você de mim, batia na minha mãe e na sua. Era um mentiroso, um ladrão...

-- Cala a boca! Papai era um grande homem, você que o cegou e o colocou contra mim!

-- Ele também era meu herói -- Disse Jenny, com a voz embargada -- Demorou muito para eu acreditar que ele não era. Foi muito doloroso, Billy. Você também precisa passar por isso. Por favor, deixei-me ajudá-lo.

-- Eu não preciso de sua ajuda -- Gritou ele.

Billy começou a chorar, desesperado. Voltou a socar a cabeça, dessa vez mais forte. Com a mão trêmula, Jenny tocou seu ombro. Ele não a repeliu e aos poucos se foi acalmando.

 

Sem se afastar, Jenny o abraçou. Billy aconchegou-se nos braços dela e começou a chorar.

 

Todos assistiam a cena em silêncio. Sam fez sinal para Júnior que fez uma ligação. Em segundos, a sala estava cheia de policiais. Antes de trazer Billy até o sítio ele passou por uma revista completa. Não carregava nada, apenas a roupa do corpo.

 

Sam pegou o gravador que trazia no bolso e entregou a um policial. Jenny pediu a Sam mais alguns minutos com Billy Sens.

 

Durante meia-hora ela esperou, observando Jenny conversar com o rapaz. Ele estava devastado. Mal se movia.

 

-- Jen, não podemos mais esperar -- Disse Sam -- A polícia precisa levá-lo.

 

Billy Sens que na verdade chamava-se Erick Brooks foi levado algemado. Sua expressão era vazia.

 

-- O que vão fazer com ele? -- Perguntou Jenny.

 

Sam a abraçou.

 

-- Ele vai precisar de um bom advogado, Jen.

 

Jenny assentiu.

 

-- Sam, poderia ser eu. Quer dizer, se papai tivesse feito comigo o que fez com ele...

-- Não pense mais nisso, Jen -- Disse Sam, com carinho, beijando a testa da garota -- Agora tudo acabou. Você está segura.

 

Jenny fechou os olhos.

 

-- Desde que você esteja comigo, Sam. Eu estarei segura.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 22 - Capítulo 22 - Máscara:
Lea
Lea

Em: 23/02/2023

Quem diria,o Billy! 

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rhina
rhina

Em: 11/02/2020

 

Grande surpresa.

Um amarrado bem feito da história.

Rhina

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JanBar
JanBar

Em: 16/06/2019

No Review

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