Capítulo 21 - O coração quer o que ele quer
Quando Jenny saiu porta afora, Sam cerrou os punhos. Por alguns segundos, sua raiva direcionou-se a Sandra Muniz. Ela quis socá-la novamente, mas controlou o impulso.
Sem dizer palavra a guarda-costas dirigiu-se a janela e perdeu seu olhar num ponto distante. Júnior pôs as mãos nos bolsos, estranhando a falta de interesse de Sam em causar dor àquela mulher. Subitamente, ele compreendeu para seu desespero que a irmã mudara de ideia. Não suportando mais o silêncio, ele perguntou:
-- Em que está pensando Sam?
Ela o encarou, após um suspiro longo.
-- Jenny não pode ficar sozinha -- Anunciou ela, caminhando em direção ao irmão -- Confio que você poderá cuidar dela.
Júnior engoliu em seco.
-- Cuidar dela? Como assim? -- Questionou, confuso -- O que pretende, Sam?
-- Preciso que retorne imediatamente ao sítio -- Falou Sam, com firmeza -- Ela não pode ficar sozinha nem um minuto, entendeu?
Mesmo a contragosto, Júnior assentiu.
-- Preciso ficar a sós com Muniz -- Explicou Sam, lançando um olhar a mulher no centro da sala que se esforçava para ouvir a conversa entre eles.
-- Vai matá-la, Sam? Sabe que terei prazer em ajudá-la...
-- Sei bem o quanto de prazer você teria nisso, irmão -- Constatou Sam, com a voz neutra -- Lamento frustrar os seus prazeres, mas preciso de você em outro lugar agora.
-- Não se preocupe Sam, enquanto estiver sob meus cuidados, a garota estará segura -- Garantiu ele antes de retirar-se.
Mal o irmão saiu pela porta, Muniz comentou:
-- Que belo cãozinho obediente você tem, Sam. Deu pena ver a decepção dele. Sabe, é fascinante perceber o quanto sua influência sobre ele supera seus impulsos assassinos.
Sam não deu ouvidos aos comentários da mulher. Pegou sua Glock 25 e a pressionou contra a testa dela. Sua mão não tremia. Muniz fitou Sam, sem medo de encarar a morte. Fechou os olhos esperando pelo disparo que não veio.
Num gesto rápido, Sam desviou a arma da cabeça de sua ex-companheira de exército. Aturdida, Muniz observou Sam tirar uma faca tática que trazia a cintura e desamarrá-la.
-- O que está fazendo, Sam? -- Perguntou, sem esconder a surpresa.
-- Soltando você -- Respondeu a guarda-costas.
-- Quer dizer que vai me deixar livre?
-- Você encarou a morte sem medo, Muniz. Sem hesitar. Somente uma pessoa que não tem nada a perder agiria assim -- Explicou Sam -- Sua atitude me faz acreditar que você falou a verdade, por mais absurda que ela seja.
-- Isso é algum truque?
-- Pensei que me conhecia suficiente para saber quando estou blefando -- Disse Sam, séria -- Ou será que esqueceu todos aqueles anos no exército?
-- Como poderia esquecer? -- Rebateu Muniz, tocando a tatuagem no braço -- Nós éramos as melhores.
-- Eu Sei. Por isso tenho uma proposta para lhe fazer. Ajude-me a descobrir quem está querendo matar Jenny Brooks.
-- Tem certeza disso? -- Espantou-se Muniz.
-- Sim. Você é livre para ir se quiser. E não obterá nada em troca de mim a não ser a oportunidade de redimir-se do que fez. Cometeu um erro imperdoável vindo até aqui. Eu poderia tê-la matado facilmente, mas em vez disso estou dando-lhe uma segunda chance.
-- Por que, Sam? Por que não me matar? -- Questionou ela -- Só posso pensar que a garota amoleceu seu coração.
Sam aproximou-se de Muniz, para falar-lhe face a face. A ex-companheira não escondeu o arrepio que perpassou seu corpo ante a aproximação da mulher.
-- Essa vida que levamos, Muniz. Cedo ou tarde, acaba nos matando. Mesmo o pior de nós sabe que é preciso abandonar o barco, se não quiser afundar com ele.
-- Então, você pretende pendurar as chuteiras por aquela garota? -- Constatou Sandra, decepcionada -- Não acha que está se precipitando, Sam? Arriscar tudo por ela. Vale mesmo à pena? Uma garota como Jenny Brooks não passaria o resto da vida com alguém como você. Ela vai usá-la como um brinquedinho e depois se cansar. Então, você estará sozinha, desejando nunca ter abandonado tudo para ficar com ela.
Sam não respondeu. Nada do que Sandra Muniz dissesse a convenceria. Ela era guiada apenas pelo ressentimento de não ser ela aquela por quem seu coração batia mais forte.
-- Por que não escolheu a mim, Sam? -- Continuou Muniz, colocando em palavras o que Sam já sabia -- Depois de tudo o que vivemos juntas. Vimos à morte de perto, várias vezes.
-- E esse é o motivo pelo qual lhe dei uma segunda chance -- Disse Sam -- Você não me deu uma resposta. Irá me ajudar?
-- Como nos velhos tempos?
Sam estendeu a mão para Muniz que a apertou com força.
-- Como nos velhos tempos.
***
-- O que você faz aqui?
Jenny encarava o olhar frio do irmão de Sam.
-- Estou na minha casa -- Respondeu ele, irônico -- Já você está muito longe da sua.
-- Onde está Sam?
-- Sam está ocupada -- Disse ele, deixando-se cair em uma poltrona -- Pediu-me para ficar de olho em você.
-- E Sandra? O que vocês fizeram com ela? -- Questionou Jenny, desconfiada.
-- Não fizemos nada.
-- Se você está aqui significa que Sam ficou a sós com ela -- Falou Jenny, mais para si mesma do que para seu interlocutor.
Embora ainda zangada com Sam, Jenny precisava saber o que estava acontecendo. Precipitou-se para a porta da frente, mas foi interceptada por Júnior que correu rapidamente até ela.
-- Você não pode andar por aí sozinha -- Informou ele.
-- Saia da minha frente! -- Rosnou Jenny, encarando aqueles olhos diabólicos.
-- Para onde pensa que vai? Voltar à casa de Sam?
-- Isso não é da sua conta -- Rebateu ela, indignada.
Júnior segurou o braço da garota.
-- Sam me pediu para ficar de olho em você e é isso que farei.
-- Foda-se! -- Bradou Jenny -- Você não manda em mim.
-- Garota teimosa -- Grunhiu ele, entredentes -- Não entendo como pôde conquistar minha irmã.
O sangue de Jenny ferveu.
-- Escuta aqui. Qual o seu problema? -- Confrontou-o, corajosamente -- Isso é ciúme da Sam? Você acha que ela é sua por acaso?
-- Sam e eu nos dávamos bem melhor antes de você aparecer aqui -- Queixou-se ele.
-- Você parece um bebê chorão -- Riu Jenny.
Por segundos, a expressão dele contorceu-se furiosa, mas logo se abrandou retornando ao costumeiro sarcasmo.
-- Você acha que sabe tudo, garota -- Disse ele -- Mas não sabe nada.
-- Sei mais do que pensa. Sei que você é um psicopata inconsequente. -- Retrucou Jenny -- E quer saber não tenho medo de você.
-- Pois deveria -- Respondeu em tom de ameaça.
-- Não me faça rir. Você nunca encostaria um dedo em mim. Sam não permitiria.
Tocou a ferida. Aprendera com Sam sempre buscar o ponto fraco do inimigo.
-- Vejo que a subestimei, garota -- Desdenhou -- Mas tem razão. Somente meu apreço por Sam, me impede de retalhar esse seu lindo rostinho.
Embora aquele homem fosse assustador e Jenny soubesse que ele era capaz de fazer aquilo e ainda pior, ela não se deixou intimidar. Era agora bem mais capaz de enfrentar seus medos do que antes. Sem dar-se conta das ameaças dele, ela desvencilhou-se do aperto em torno do seu braço e saiu porta a fora.
Júnior a seguiu. A garotinha o havia enfrentado. Ele era suficientemente esperto para saber quando perdia uma discussão. Pegou-se admirando a petulância de Jenny Brooks. Não era qualquer um que o encarava.
-- Você é bem determinada -- Elogiou ele.
Jenny revirou os olhos.
-- Não me enche!
Júnior riu.
-- Sabe, ninguém nunca falou assim comigo.
-- Deve ser por isso que você é tão convencido -- Rebateu Jenny, sem medir palavras.
Dessa vez, o irmão de Sam gargalhou.
-- Isso tá ficando cada vez melhor -- Disse ele, divertido.
Jenny o ignorou andando apressada pelo íngreme caminho. Quando chegaram à casa de Sam, ela encontrou a porta destrancada. Júnior retirou uma arma da cintura e a ergueu.
-- Por via das dúvidas -- Disse em resposta ao olhar reprovador de Jenny.
Encontraram o quarto de hóspedes vazio. No chão, havia algumas gotas de sangue. Antes de deixar o quarto, Jenny presenciara Muniz sangrar em consequência dos socos desferidos por Sam e o irmão.
-- Elas não estão aqui -- Constatou Júnior.
-- Isso é óbvio. Então, onde elas estão?
Ouviram o barulho de água escorrendo. Jenny seguiu até o banheiro do corredor com Júnior em sua cola. Ela hesitou por alguns segundos com a mão na maçaneta. Seu olhar encontrou o de Júnior. Podia sentir a ansiedade dele e a sua própria.
Girou a maçaneta.
No box, banhando-se abaixo do chuveiro estava Sandra Muniz completamente nua. Não ficou surpresa com a invasão. De fato, parecia esperar por ela. Os dois invasores, porém, estavam petrificados.
Passado o choque, Jenny e Júnior reagiram. Mais ágil, o homem empurrou Muniz contra a parede, segurando seus braços atrás do corpo. A água derramada pelo chuveiro encharcava sua roupa.
-- Onde está Sam? -- Perguntou Júnior.
-- O que você fez com ela, sua desgraçada? -- Gritou Jenny.
Sandra Muniz tinha um sorriso zombeteiro no rosto.
-- Largue-a, Júnior -- Disse uma voz firme.
-- Sam! -- Exclamou Jenny, correndo até sua guarda-costas e jogando-se em seus braços.
-- Eu estou bem, Jenny.
-- Você pode me soltar agora ou está gostando? -- Muniz questionou Júnior.
Ele deu-se conta da posição constrangedora em que se encontrava. Observou o corpo nu de Sandra e enrubesceu, distanciando-se dela.
-- Você a soltou Sam? -- Perguntou Júnior.
Jenny libertou-se dos braços de Sam.
-- Você fez isso, Sam? -- Perguntou ela.
Sam assentiu. Júnior estava perplexo, mas não questionou a decisão da irmã. Jenny, por outro lado, parecia confusa.
-- Vocês vão ficar aí ou eu posso tomar meu banho em paz?
-- Sua depravada! -- Exclamou Jenny diante da nudez frontal da mulher. Ela era musculosa e tinha várias cicatrizes pelo corpo assim como Sam. Seu corpo era bonito e Jenny quase teve inveja dela.
Júnior decidiu ir atrás de roupas limpas. Deu uma última olhada para o corpo de Muniz que retribuiu com uma piscadela deixando-o envergonhado.
-- Garota, não tem nada aqui que Sam já não tenha visto -- Muniz provocou Jenny, após o irmão de Sam deixar o banheiro constrangido.
Jenny mostrou os dentes, irada. Em seguida, empurrou Sam para fora do banheiro, fechando a porta com uma batida forte. Jenny fez uma careta ao ouvir Muniz começou a cantarolar no chuveiro.
O silêncio caiu entre as duas.
-- Devo-lhe desculpas, Sam -- Disse Jenny, após um tempo, quebrando o silêncio -- Pensei que você ia matá-la.
O rosto de Sam estava indecifrável. Ela disfarçava bem suas emoções. Mas que motivos teria para escondê-las? Jenny pensou que só haveria uma razão. Ela a magoara profundamente.
-- Sam, talvez seu orgulho a impeça de reconhecer o quanto te machuquei com minhas palavras -- Disse Jenny, com sinceridade -- Mas não poderia ter reagido de outro modo já que não concordava com o que vocês pretendiam fazer.
-- Sei que assustei você -- Sam reconheceu -- Quase me deixei me cegar pelo ódio momentâneo que Sandra provocou. É diferente quando mexem com suas feridas mais profundas, fica difícil assumir o controle.
Jenny ergueu a mão lentamente, acariciando o rosto de Sam.
-- Não quero mais falar sobre o que aconteceu -- Continuou -- Algumas coisas mudaram. Muniz agora está do nosso lado.
-- Confia nela?
-- Decidi confiar. Se estiver certa, só saberemos com o tempo. Estamos correndo um risco com ela. Mas, risco maior seria não tê-la ao nosso lado.
Jenny assentiu. Trocaram olhares cúmplices, diminuindo a distância entre seus corpos. Suas bocas quase se tocaram quando Júnior apareceu e elas se afastaram.
-- Interrompi algo? -- Perguntou, cínico.
Jenny lançou-lhe um olhar enviesado.
-- O que você acha?
Ele riu. Depois se dirigiu a irmã:
-- Então, Sam. Já posso levar a cunhadinha para casa?
-- Me levar? -- Espantou-se Jenny.
-- Jen, você não pode ficar aqui por enquanto -- Esclareceu Sam.
-- Por quê?
-- Tenho trabalho a fazer com Sandra. E preciso está concentrada.
-- Sam, não vou deixar você a sós com aquela descarada dando em cima de você.
Jenny estava com os nervos à flor da pele. Tinha uma personalidade explosiva que ia da alegria a raiva em segundos. Júnior divertia-se assistindo as reações dela.
-- Jen, não se preocupe -- Disse Sam -- Sei lidar com Muniz.
-- Você pode confiar que ela não queira nos matar, não significa que ela não vá andar se exibindo com aquele corpo musculoso dela...
-- Garota, como você é ciumenta -- Interveio Júnior -- Sam, admiro sua paciência.
-- Ninguém te chamou nessa conversa -- Retrucou Jenny.
-- Parem vocês dois! -- Bradou Sam -- Jen, arrume suas coisas e acompanhe Júnior até em casa.
-- Mas, Sam...
-- Não quero ouvir mais protestos! -- Exclamou Sam, enérgica -- Jen, por favor, faça o que Júnior pedir.
-- Eu não vou obedecer esse idiota! -- A garota bateu o pé, mas ao ver a expressão de Sam, ela cedeu.
-- E você -- Disse a guarda-costas, puxando o irmão pelo colarinho -- Se deixá-la sozinha um minuto, terá que se ver comigo, entendeu?
Ele assentiu.
-- Não quero mais ver vocês discutindo -- Falou Sam, encerrando o assunto.
Resignada, Jenny foi ao quarto de Sam recolher suas roupas e objetos pessoais. Olhou para a cama. Elas mal tiveram tempo... A noite que passaram juntas parecia ter acontecido há uma eternidade. Os lençóis já estavam frios.
Mordeu o lábio, pensativa. Após um tempo, retomou sua tarefa. Ao virar-se para a porta do quarto, deu de cara com Sam parada ali, olhando-a.
-- Já estou terminando. -- Disse Jenny.
-- Deixe-me ajudá-la -- Ofereceu-se Sam, diante da dificuldade de Jenny em fechar a mala.
-- Obrigada -- Agradeceu Jenny, tímida.
Sam segurou sua mão.
-- Vem aqui! -- Convidou ela, guiando-a até a cama.
Fez Jenny sentar em seu colo e encará-la.
-- Sei o que está pensando -- Murmurou ela -- Sinto o mesmo, Jen. Não sabe quanto queria ter você aqui, em meu quarto, dormir com você todos os dias...
-- Então porque não pode ser assim?
-- Já expliquei a razão, Jen.
Jenny enlaçou os braços em torno do pescoço de Sam que a puxou pela cintura, estreitando o contato entre seus corpos.
-- Será que você ainda me quer? -- Sussurrou Jenny, com a voz rouca.
Sam respondeu avançando sobre os lábios de Jenny com os seus. Logo, a garota a provocava com sua língua, movimentando-a sensualmente.
As mãos de Sam avançaram por baixo da blusa dela, massageando suas costas, arrepiando-a, arrancando suspiros guturais. Era para ser só um beijo, mas ela não resistiu, abrindo o fecho do sutiã da garota. Em seguida, levantou sua blusa, afrouxando o sutiã para abocanhar um seio. Jenny mordia o lábio com tesão, enquanto a língua de Sam passeava sobre seu mamilo, ch*pando, mordendo e a levando ao delírio.
Estavam de tal modo entregues àquela maravilhosa loucura que não repararam nas figuras paradas à porta, observando-as.
Num gesto rápido, Sam interrompeu o ato e puxou a blusa de Jenny para baixo. Ela a olhou confusa. Com um aceno, Sam apontou às costas de Jenny. Ao virar, ela se deparou com Muniz e Júnior.
-- Mas, que po...
-- Qual é! Continuem! -- Disse Muniz -- Estava sendo muito educativo.
-- É. Não se preocupem conosco -- Brincou Júnior -- Temos todo tempo do mundo.
Jenny pôs-se de pé de um salto. Sam ajudou-a a abotoar o sutiã.
-- Pervertidos! -- Xingou Jenny.
-- Pensei que tínhamos trabalho a fazer, Sam -- Debochou Muniz -- Mas pelo visto, você está muito ocupada.
-- Você tá é com inveja que não é você, Muniz -- Provocou Jenny.
-- Tudo bem. O show já acabou -- Cortou Sam -- Júnior ajude Jenny com a mala.
Júnior a obedeceu.
-- O que tem aqui, chumbo?
-- Não reclama -- Rebateu jenny -- Você não aceitou esse trabalho? Agora aguenta.
Jenny estava frustrada. Se os intrusos não tivessem interrompido...
A guarda-costas acompanhou Jenny e o irmão até a porta.
-- Quando te vejo de novo? -- Questionou a garota.
-- Espere-me para o jantar -- Murmurou Sam, puxando Jenny pra um beijo.
Com aquela promessa, Jenny partiu.
Junior reclamava durante o trajeto do peso da mala de Jenny. Aos poucos, ele foi perdendo a compostura, parecia mais jovem e desengonçado. Jenny perguntava-se aonde havia ido parar aquela criatura diabólica que tanto lhe amedrontara no início. Já não conseguia vê-lo como antes mesmo sabendo do sociopata que era e toda a maldade que levava consigo.
-- Depois que eu que sou a garotinha chorona -- Alfinetou ela.
Pingos de suor escorriam pela testa de Júnior que parou abruptamente para lançar um olhar dos mais terrível a Jenny.
Dessa vez, ela riu. Definitivamente não tinha mais medo daquele olhar.
Fim do capítulo
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