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  • Capitulo 33 - Um decimo, um forró e um carro

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As escolhas de Helena por escolhasdehelena

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Palavras: 3575
Acessos: 2219   |  Postado em: 07/06/2019

Capitulo 33 - Um decimo, um forró e um carro

 

Pendências nunca foram o ponto forte de Helena. Bem, esperar por uma nota que define o desempenho de um semestre inteiro em uma das matérias mais importantes do ciclo básico deixaria qualquer um ansioso. Não conseguia sair de casa, mas ao mesmo tempo não queria ficar reclusa. Não conseguia dirigir, pois o pensamento constante sobre o assunto lhe desfocava a ponto de faltar com a atenção a cruzamentos e pedestres. Sendo assim, nossa protagonista tentou se distrair mandando mensagens aos seus amigos de São Paulo, fazendo planos para o restante do período de férias, além de se divertir com os mais diversos joguinhos de raciocínio em seu smartphone.

            Chegando do trabalho, Anna Júlia viu a colega de apartamento no quarto com porta entreaberta, deitada observando a tela do celular com o rosto tenso.

            “O que você está fazendo que ainda não se arrumou para a festa junina do seu curso?!” A advogada se aproxima da cama da amiga desanimada.

            “Eu não vou. O professor prometeu que postaria ainda hoje a nota no site da faculdade.” Helena responde brevemente, com a nítida expressão de quem quer ser deixado em paz.

            “Mas já está anoitecendo, tem certeza que ele decidiu postar nesse horário mesmo?”

            “Sim, ele disse que seria hoje, e ele cumpre o que promete.” Helena responde, ainda sem vontade, alternando janelas entre aplicativos de entretenimento e o navegador de seu celular com o site da faculdade.

            “Não adianta insistir, essa eremita não dá o braço a torcer!” Lívia grita, do outro quarto, enquanto se arruma.

            “Se eu saio demais, vocês reclamam. Se resolvo ficar em casa, reclamam mais ainda. Assim não dá.” Helena atualiza pela última vez a página e então arregala os olhos ao finalmente aparecer o boletim atualizado. “Quer saber? Pois agora eu vou.”

 

________//________

 

            Fogueira de São João, bandeirinhas coloridas, mesas de plástico com decorações bregas, barraquinhas com as mais diversas guloseimas, desde o clássico bolo de fubá até pamonha e pé-de-moleque, sempre acompanhado do bom e velho quentão, e também do vinho quente. O ‘Arraiá’ do curso de Medicina era sempre protagonizado pelos então veteranos que estavam perto de terminar o internato, uma vez que a festa ajudava a angariar fundos para a formatura.

            Lívia, acompanhada de Dante, estava ansiosa para a dança de quadrilha encabeçada pelos internos. Dante estava mais empolgado pelo bailão que seguiria logo após, pois se considerava um bom dançarino. Helena pegou uma mesa perto da barraca que vendia as tais gostosuras.

            “Helena chegou a lhe contar se passou ou não? As notas dos exames finais já saíram para todos e ela não comentou nada. Será que ela viu?” Lívia questiona Anna Júlia, enquanto elas e Dante aguardam Helena voltar à mesa com a bandeja de vinho e quitutes.

            “Ela não me disse nada, mas se não passou está disfarçando muito bem. Ela parece contente.” Anna Júlia responde, também analisando a colega de apartamento de longe.

            “Estais falando da matéria que Helena ficou de final?” Dante pergunta, sem perceber que Helena se aproxima.

            “Então, antes eu achava o Dante parecido com aquele cantor pop do NSYNC, mas agora que ele está usando o cabelo meio diferente, não está parecido com o Josh Holloway?” Anna Júlia tenta mudar de assunto.

            “O quê? Nada a ver, Anna!” Lívia dá risada. “Espera, quem é Josh Holloway mesmo?”

            “Aquele ator que fez Lost.” Helena complementa ao chegar, colocando a bandeja à mesa para que todos possam se servir.

            “Lost? Essa série é antiga para caramba! Eu nem faço ideia de quem estais falando.” Dante pega seu vinho quente, com cara de perdido.

            “Lívia, seu namorado está sendo ofensivo!” Anna brinca. “Lost nem é tão velho assim. E esse ator que falei também faz aquela série Colony, ele é o protagonista, se não me engano.”

            “Às vezes até eu esqueço que Dante é quase um bebê!” Lívia também entra na risada.

            “Agora que tua referência é mais atual, já sei quem é. Mas não, eu não me pareço com ele, aí tu forçaste a barra. E eu também tenho meus gostos de velho, confesso que, por mais que meu estilo não demonstre, eu adoro um bom forró romântico de final de festa junina.”

            “Você está falando sério? Minha avó é professora de forró, acredita?” Anna Júlia se surpreende.

            “Finalmente Dante encontrou outra pessoa no Universo que partilhe desse gosto peculiar.” Lívia ri, enquanto Helena permanece quieta, sem tocar em sua bebida.

            “E eu vou fazer outra confissão: eu condeno o sertanejo universitário quando estou sóbria, mas depois de alguns copos de vinho, eu me acabo com essas músicas de afogar as mágoas!” Anna Júlia se empolga.

            “Tenho o mesmo problema.” Dante ergue a mão e dá risada.

            “Tem mesmo. Houve uma época que dava para ouvir do meu quarto os seus Jorge & Mateus da vida. Era deprimente.” Helena o entrega.

            “E como tu reconhecias que era essa dupla?!” Dante pega a amiga no flagra.

            “Olha só, Helena se entregando que conhece a parcela do sertanejo deprê!!” Anna Júlia provoca.

            “Quietos! Vai começar a quadrilha!” Lívia vira a cadeira para assistir melhor a apresentação.

            “Que divertido saber que vou pagar esse mico quando for interna.” Helena comenta ironicamente, revirando os olhos.

            “Mas vocês são obrigados a participar disso?” Anna Júlia aponta para o palco improvisado de madeira.

            “Não, geralmente é para quem está arrecadando dinheiro para a formatura. Quem vai se formar em gabinete nem costuma fazer parte da organização.” Dante comenta.

            “Você vai se formar em gabinete? Não vai querer colar grau com a turma e fazer a festa de formatura?” Anna Júlia não consegue acreditar.

            “Eu não. Vou aproveitar a grana para gastar em concursos e provas de residência médica.” Dante tenta se exibir.

            “Vai nada. Vai é torrar tudo em algum mochilão pela Europa e voltar dois meses depois.” Helena finaliza seu vinho quente. “Eu vou buscar quentão, pois agora preciso de cachaça.”

 

________//________

 

            Após a quadrilha, Lívia se deliciava com três pedaços de bolos de sabores diferentes. Helena esquentava a garganta com outra dose de quentão e Dante se levantava, ajustando o cinto e a calça.

            “Você vai ali na barraca? Pode pegar uma pamonha para mim?” Lívia pede, de boca cheia. “Prometo que semana que vem eu vou todos os dias na academia com você.”

            “Eu não vou para a barraca, eu vou ali para o palco, vão começar a tocar forró, tu não vens?” Dante responde.

            “Na verdade, acho que o excesso de quitutes está pesando no meu estômago...” Lívia demonstra uma cara de desconforto que esconde o fato de simplesmente não querer dançar naquele momento.

            “Eu vou! Vamos ver se ainda lembro os ensinamentos da minha avó.” Anna Júlia se levanta e acompanha o garoto ao palco.

 

 

________//________

 

            Helena continuava distante, enquanto Lívia observava os casais dançando, ou  melhor, tentando dançar e falhando na maioria dos casos.

            “Eu não passei.” Helena responde, após finalmente terminar seu último quentão da noite.

            “O quê?” Lívia se vira para a amiga, não compreendendo.

            “Eu não passei em semiologia. Por 0,1. Eu não passei por um décimo, Lívia.”

            “Como assim? Mas eles não arredondam?”

            “Eles arredondam até 0,05.”

            “Não acredito! Mas você se esforçou tanto!” Lívia puxa a cadeira para mais perto da amiga.

“Está tudo bem. Como você disse alguns dias atrás, ainda consigo acompanhar a turma.”

“Mas você está se sentindo bem mesmo? Você passou várias vezes pela barraca de bebidas.”

“A gente fica triste, né. Normal. Achei que a festa junina me animaria um pouco, mas eu só consigo pensar que cada questão valia 0,3 e que se eu tivesse acertado somente mais uma, ainda teria sobrado nota na minha prova.”

“Sei como você se sente. Quando reprovei em anatomia, lá no primeiro semestre, parecia o fim do mundo. Acho que só o tempo cura qualquer sentimento de malogro ou perda.” Lívia, sem perceber, acaricia a mão de Helena, e ao tomar consciência do que estava fazendo, interrompeu a ação, recolhendo sua mão.

“A questão é que tudo parece sempre estar à beira desse um décimo, sabe? Lembro que fiquei de final em outra matéria também por um décimo, já passei em matérias também por questão de um décimo... lá na frente teremos décimos de segundo para tomarmos uma decisão que vai salvar a vida de alguém... como um décimo pode ser tão frágil e tão importante?” Helena começa a brincar com o copo vazio.

“Realmente... é bizarro saber que vamos ter tamanha responsabilidade no futuro.” Lívia cruza os braços, reflexiva.

“Eu só sei que no momento, o que menos quero pensar é em responsabilidades futuras. Vou pegar mais cachaça, quer?” Helena se levanta.

“Mais? Nem pensar, Helena.” Lívia segura seu braço e faz com que a amiga volte para o lugar.

“Por que não? Relaxa, eu não sou mais aquela Helena que bebia, ficava escrota e tentava trans*r com você. Eu só queria beber para ficar um pouco letárgica, ir para casa e dormir.” A garota se senta contra a própria vontade.

“Eu não estava assumindo isso. Porém você sabe que excessos nunca são bons e você se mete em encrenca quando se excede.” Lívia contrai os supercílios enquanto dá bronca na amiga. “E abaixe a voz, você já está naquela tonalidade de bêbado alegre.”

“Eu não falei alto, Lívia, e ninguém vai escutar com esse forró todo.” Helena franze a testa. “E outra coisa, supera, isso já foi, você fica tratando como se fosse um assunto intocável e misterioso.”

Lívia escutou cada palavra de Helena. Desviou o olhar, suspirou e pareceu distante por alguns segundos.

“Você ficou chateada com algo que eu disse?” Os sinais empáticos de Helena parecem intactos, mesmo sob efeito de álcool.

“Não, pelo menos não com o que você disse agora...” A sutil micro expressão de Lívia revela raiva por algo que não se limitava àquela situação.

“É pela maneira que me comportei antes, não é?” As pálpebras e comissuras labiais de Helena rapidamente decaem.

Lívia deglute saliva com certo esforço. Vê Dante distraído, divertindo-se no ‘risca-faca’. “Você praticamente me chamou de incapaz em conseguir amar uma pessoa só. Como se eu não tivesse a mínima competência e dignidade em ser de uma pessoa somente.”

“Eu não disse isso! E por que você acha isso indigno? Tem pessoas que simplesmente são assim e não são menos dignas por isso.”

“Mas eu não sou assim, Helena, e não vou ficar com você novamente.”

“E eu também não quero ficar com você. Você não se aceita, parece ser cheia de repressões, só espero que você não machuque ninguém enquanto isso.”

“Helena, você está triste, bêbada e novamente quer descontar em mim, tentando me fazer sentir mal ou culpada. Pois saiba que não conseguiu.”

“A parte de eu estar triste e bêbada é verdadeira. Mas eu não queria descontar em você. Peço até perdão se pareceu isso, ou se lhe ofendi no que disse da outra vez. Mas por que se irrita tanto quando o assunto é esse?”

“O forró acabou, eles já estão descendo do palco.” Lívia coça o lóbulo da orelha de modo aflito e corta a amiga.

 

________//________

 

Dante e Anna Júlia retornaram para a mesa, rindo feito bobos das pisadas no pé e os semi-tropeços.

“Eu adorei lhe ver soltando o senhor de setenta anos que há dentro de você naquele palco.” Lívia ri, tentando esquecer do assunto previamente conversado.

“Sempre soube que minha alma se apoiava em suspensórios e arrasta pé.” Dante sorri satisfatoriamente. “A propósito, vou comprar um carro.” O garoto se senta ao lado da namorada.

“Oi?” Lívia se assusta com o comentário.

“Ele vai comprar meu carro, e eu vou comprar uma moto.” Anna Júlia complementa.

“E quando foi que você tomou essa decisão?” Lívia continua a interrogar.

“Ali no palco, enquanto dançava.” Dante levanta os ombros mostrando indiferença com a questão.

“Você chegou a conversar com seu pai? Você sabe a respeito da responsabilidade de um carro? Essa daqui quase morreu em um acidente!” Lívia aponta para Helena.

“Poxa, Lívia, tu reclamavas que a gente sempre precisava de uber!” Dante contesta.

“Eu sei, e eu sei que isso beneficiaria nossas vidas, mas não é uma decisão que se toma no tempo de uma música!” Lívia exclama.

“Lívia, você decidiu alugar um apartamento mais caro em pouco tempo também.” Helena se intromete.

“Assim você não ajuda!” Lívia olha furiosamente para a amiga. “Você sabe que as circunstâncias foram diferentes.”

“Você só está assim porque ele não tomou a decisão com você.” Helena dá uma risadinha sarcástica.

Lívia bufa, impaciente, e ignora Helena. “Dante, chegando em casa a gente conversa.”

“Credo, parece uma mãe falando.” Helena faz um último comentário antes de receber um olhar mortal de Lívia.

“Veja bem, Lívia. Dante me disse que precisa reaprender a dirigir carro de câmbio manual. Eu vejo como ele se sai e vocês conversam com o pai dele, pode ser?” Anna Júlia argumenta e Lívia parece se acalmar.

 

________//________

 

Dante se levantou logo pela manhã, deu um beijo na testa de Lívia e foi para a cozinha tomar seu cereal. Encontrou Anna Júlia terminando de preparar uma vitamina de morango e banana e resolveu pegar um copo para experimentar.

“Empolgado para o test drive?” Anna Júlia sorri e serve o garoto.

“Não lembro nem como se usa a embreagem.” Dante ri. “Eu lembro de ter passado na prova prática, e aí eu só dirigia o carro do meu pai que era-”

“Automático, entendo, e você desacostumou. Mas é como andar de bicicleta, não se preocupe.”

“Não sei, porque também sinto que esqueci como se anda de bicicleta!” Dante se senta em frente ao balcão da cozinha enquanto se delicia da vitamina.

“Alguém fez café?” Helena aparece, tentando cobrir os olhos com a mão para não pegar a claridade da janela.

“Bom dia, fã de quentão!” Anna Júlia responde, brincalhona. “Não fiz, mas tem um smoothie cheio de saúde para você.”

“Deixa para lá, não quero nada saudável, só queria um golpe de cafeína no momento.” Helena resolve pegar o pacote de café para preparar.

            Anna Júlia acabou ajudando a amiga a preparar o café e logo depois saiu com Dante. Ela dirigiu até um estrada de terra ali perto para que ele pudesse treinar.

            “Você lembra do básico né? Ajustar o banco e o retrovisor, até porque você é bem mais alto do que eu.” Ela troca de lugar com ele e inicia as instruções.

            “Lembro sim.” Dante sorri, envergonhado, pois estava prestes a deixar passar esses pequenos detalhes. “E tu, por que queres uma moto?”

            “Sempre quis uma Harley Davidson, mas só agora tive coragem para comprar.”

            “Uma Harley? Não sabia que eras radical assim.” Dante termina de ajustar o espelho retrovisor. “Posso ligar o carro?”

            “Não está esquecendo de nada não?”

            “Eu já chequei tudo, acho.” Dante pensa um pouco. “Ah! Ponto morto. Certo, tudo parece dentro dos conformes. Posso ligar?”

            “Tem algo ainda.” Anna Júlia cruza os braços, aguardando.

            “Não falta mais nada, caramba! Eu-ah, tens razão...” Dante pigarreia e finalmente coloca o cinto de segurança.

            “Agora pode ligar o carro.” Anna Júlia ri quando vê o menino desconcertado.

            “Eu lembro que ficava todo nervoso no começo das minhas aulas práticas e-” Logo ao ligar o carro, ele tenta fazer movê-lo mas logo o veículo morre.

            “Tudo bem, acontece, você só está um pouco enferrujado.”

            Dante tenta mais uma vez e finalmente faz o carro andar. Dirigindo lentamente, finalmente consegue trocar de marcha: “Bem que tu estavas correta, é como andar de bicicleta!”

            “Eu disse, não disse?” Anna Júlia sorri. “Se eu lhe confessar uma coisa, promete não interpretar mal?”

            “O quê?”

            “Quando a gente se conheceu e eu disse que você parecia o Lance Bass, eu logo lembrei do meu primeiro namorado, porque vocês dois são extremamente parecidos.”

            “Não é ofensivo tu me achares parecido com teu ex. Por que achavas que eu interpretaria mal?”

            “Não necessariamente ofensivo, mas tem gente que interpreta isso como cantada, quando na verdade eu só queria dizer que vocês dois são assustadoramente parecidos.”

            “Relaxa, não interpretei assim.” Dante ri. “Mas depois tu disseste que eu parecia com aquele outro ator lá, o de Colony. Ele não se parece em nada com o primeiro carinha que tu usaste como exemplo.”

            “Sim, tentei corrigir minha comparação porque eu sempre chamava meu ex de Lance Bass, então eu quis apagar isso da minha mente fazendo outra comparação.” Anna Júlia ri mais uma vez, um pouco desconfortável.

            “Então tu querias parar de pensar no teu ex quando olhavas para mim e tentou substituir fazendo uma comparação que não tinha nada a ver?”

            “Foi uma técnica ridícula, não foi?”

            “Foi teu jeito de superar. Se ele era mesmo parecido comigo, deve ter um rostinho angelical difícil de superar.” Dante olha para ela por um momento e dá uma piscadinha, brincando.

            “Você é sempre exibido assim ou só aos sábados, domingos e feriados?” Anna Júlia revira os olhos, respondendo à brincadeira.

            “O medo da transfobia me rodeia diariamente, daí eu brinco para tentar apaziguar minha mente.”

            “É sério isso?” Anna Júlia muda de expressão rapidamente.

            “Sobre o medo? Sim, com certeza. Nossa sociedade evoluiu, mas não está boa o suficiente ainda para a letra T de LGBT. O Brasil é o país que mata mais transexuais no mundo.”

“Mas, digo, você se assemelha deveras a um cisgênero. Imagino que o preconceito nesse caso seja um pouco velado, apesar da hipocrisia da sociedade.”

“Sim, mas os lugares que vou, as pessoas mais próximas a mim, tanto aqui quanto em Porto Alegre são sempre alvo. Mas a gente acaba se sentindo forte quando está ao lado de quem se ama. São essas pessoas que me fortificam. Lívia me apoia bastante, hoje em dia. Eu me sinto eu mesmo ao lado dela.”

“Isso é muito bom...” A voz de Anna Júlia se enfraquece.

“Tem algo errado?”  Dante olha para ela mais uma vez, antes de fazer uma curva na estrada de terra para fazer o retorno.

“Não tem não. É bom que você e Lívia estejam assim.” Anna Júlia desvia o foco e começa a observar a janela.

Dante suspira profundamente. “Eu sei sobre ela e Helena.”

“Espera...” Anna Júlia fica surpresa. “Como? Ela lhe contou?”

“Não, mas eu ouvi naquele dia do churrasco.”

“E você nunca falou nada? Nunca perguntou?”

“Não, se ela não quer me contar é porque acha que vai me machucar. Eu já passei por isso antes. Já estive na posição em que hoje ela se encontra.”

“E você não se preocupa de ela lhe trocar? Ou continuar a trans*r com a Helena?”

“Procuro não focar nisso. Mas eu sei que ela me ama. E eu sei como ela fica quando deixa de amar alguém, eu vi o que aconteceu com o Bruno. Então quando ela começar a agir assim eu sei que acabou. Mas se elas tivessem algo a nível sentimental do jeito que eu e Lívia temos, ela já teria agido daquele jeito.”

“Mas...”

“Sim, eu sei, parece papo de corno manso.” Dante suspira mais uma vez.

“Eu não ia dizer isso. Até achei bonito seu discurso. Mas eu não iria querer ficar com alguém que me esconde algo assim.”

“A questão é muito mais complexa, Anna. O amor é uma coisa complexa.”

“E você não vai confrontá-la nunca? Vai deixar que ela esconda?”

“Talvez um dia eu pergunte. Talvez eu nunca questione.” Dante ergue os ombros.

“...Ou você está esperando alguma briga para jogar na cara.”

“Não é isso.” Dante franze a testa e se irrita.

“Está com medo de ela ser polígama e logo agora que resolveu se apaixonar e se conectar a uma pessoa, ela não faz o mesmo.”

“Não é isso.” Ele repete. “Houve um momento da minha vida que pensei ser polígamo, até eu ter me apaixonado por ela e perceber que ela é suficiente para mim.”

“Só que agora você está com medo de ela não lhe achar suficiente, não é?”

“Guria, eu acho que esse pode ser o começo de uma ótima amizade entre nós, e respeito sua preocupação, mas prefiro agora não continuar esse assunto.” Dante para o carro no meio da estrada, sem paciência.

“Tudo bem, desculpe-me, passei dos limites. É que eu acho meio injusta toda essa situação.”

“E tu achas que não sei? Tudo que eu queria era que ela me contasse para que pudéssemos resolver, mas ela deve achar que sou um desses caras inseguros que ficaria violento, como foi com o ex dela. Isso dói muito, saber que posso não ser bom o bastante para ela, mas eu não consigo viver sem essa guria!” Dante se exalta.

“Vai ficar tudo bem...” Anna Júlia segura a mão que Dante usa para trocar a marcha e a aperta gentilmente, enquanto ele se esforça para sorrir. “Quer que eu converse com ela a respeito?”

Dante olha fundo nos olhos da nova amiga. “Não, isso é algo que ela tem que me falar por vontade própria. Mas agradeço.” Dante liga o carro novamente e termina o percurso.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Oi pessoal! Ainda estou aprendendo a mexer no site, mas eu já lia alguns contos daqui antes, e foi quando minha amiga pediu para auxiliar na história dela (antes com personagens, e agora com enredo). Não sou muito experiente com escrita, mas procurei me esforçar ao máximo então espero que apreciem!!


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Comentários para 33 - Capitulo 33 - Um decimo, um forró e um carro:
tagigomide
tagigomide

Em: 12/08/2024

oi Autora! Acabei de descobrir essa história, lendo sem parar! Por algum motivo o capítulo 33 não está aparacendo no site...queria saber o desfecho da Izabel! Help!


escolhasdehelena

escolhasdehelena Em: 22/02/2026 Autora da história
Oi querida! Fico feliz que tenha gostado!
Não tinha percebido que o problema no cap. 33 havia retornado... tentei republicá-lo agora, vamos ver se dá certo! Obrigada por ter reparado!


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rhina
rhina

Em: 02/09/2020

 

Foi um capítulo de certos pingos nos I

Rhina

Responder

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