Capítulo 17 - Firework
Sam observava atentamente o rosto de Jenny. Ouvir sua respiração tão próxima era reconfortante. Aqueles dias haviam sido sombrios. Sam chegou a julgar que a garota a odiaria e teria medo. Outras pessoas teriam. Já aconteceu antes, diversas vezes. Sam deixara muitos verem aquele que considerava seu pior lado. Apesar disso, esse era seu lado mais autêntico. Sempre julgara a Sam distante, fria e que não demonstrava emoções como sua face mais verdadeira.
Sendo assim como poderia amar alguém? Jenny conseguira penetrar no que Sam tinha de mais profundo, e em sua própria opinião, de mais vulnerável. Ela a fazia vulnerável. Por isso, Sam evitara tanto se envolver, se apaixonar. Já ouvira dizer que era impossível escapar disso, embora nunca tenha acreditado. Na verdade, nunca aceitara. No começo da adolescência, ao descobrir sua preferência por garotas, sua mente já racional, rejeitou qualquer tipo de sentimentalismo. As garotas se apaixonavam facilmente por ela. Quanto mais Sam as rejeitava mais apaixonadas elas ficavam. O seu desprezo, Sam concluíra, era diretamente proporcional ao interesse delas. Recebia longas cartas que não lia. Presentes, flores. Recusar não adiantava. Então, sempre calada, Sam aceitava os presentes e recebia sorrisos esperançosos em troca.
Um tempo depois, já no fim da adolescência, Sam descobrira o mundo egoísta dos adultos. Em vez de sentir-se frustrada pelo o que chamam de perda da inocência, ela sentiu finalmente que existia um lugar no mundo para pessoas como ela. As garotas, agora mulheres, não lhe mandavam mais cartas. Eram quentes, maliciosas. O sex* sempre selvagem, despretensioso e com gosto de perigo. Do jeito que Sam gostava. Sem sentimentos envolvidos. Nem havia tempo para isso, os encontros casuais eram rápidos, tórridos, guiados apenas pela busca de prazer.
Ainda assim de vez em quando acontecia. Uma ou outra mulher se apaixonava. Para Sam, era uma decepção. Por isso, nunca se arriscava duas noites com a mesma mulher. Sempre tinha muitas. Mas, ela tinha uma espécie de código que criara para si e que nunca havia quebrado. Uma de suas regras, relacionadas a sex*, era bastante específica: nunca durante um trabalho. Quando não estava trabalhando, era uma, duas ou até mais mulheres diferentes. Mas, quando tinha um dever a cumprir, essa parte de si não existia.
Mas, com Jenny era como andar na corda bamba todos os dias. Sentia algo desconhecido avolumar-se em seu interior sem que ela pudesse controlar. Quando começou aquele trabalho, Sam não podia prever nada do que iria acontecer entre elas. Tudo ainda lhe parecia muito surreal. Como se estivesse presa a uma realidade paralela. Não sabia dizer em qual momento havia acontecido. Tinha sido aos poucos e depois muito rapidamente e agora não existia nada mais para ela a não ser Jenny.
Sam nunca levara ninguém até sua casa que para ela era como um santuário. O único lugar do mundo que pertencia somente a si. Agora, Jenny estava ali na sua cama, penetrando em seu mundo. Um caminho irremediavelmente sem volta.
Jenny a beijou e pelo desejo em seus olhos, Sam sabia exatamente o que ela queria. Mas, o código existia por um motivo. Seu cérebro calculista fazia questão de sinalizar isso.
-- Jenny, lembra o que falei aquele dia no carro, após ensiná-la a atirar - Murmurou Sam, interrompendo o beijo.
-- Como eu poderia esquecer? -- Respondeu Jenny, desapontada.
-- Eu lhe disse que não podia fazer isso -- Disse Sam, sem convicção -- Ainda não posso. Há regras...
Jenny levantou da cama de repente. Olhou seriamente para Sam que imitara seu movimento, ficando de pé imediatamente.
-- Danem-se as regras -- Disse Jenny, incrédula -- Não é você mesma que diz que faz suas próprias regras? Esperava mais coragem de você...
-- E eu esperava que entendesse -- Rebateu Sam -- Você amadureceu bastante nesses últimos meses, Jenny.
-- E pelo visto você não -- Acusou a garota -- Por que me trouxe aqui afinal, se era para me afastar?
-- Trazê-la aqui foi a melhor alternativa dadas as circunstâncias do caso -- Falou Sam, assumindo uma postura profissional.
Aquilo irritou Jenny profundamente.
-- Quer saber, fique aí com suas regras. Pra mim já deu.
Dizendo isso, a garota saiu apressada do quarto. Sam a seguiu.
-- Jenny, espera. Onde você pensa que vai?
Jenny não respondeu, caminhou para fora da casa sendo acompanhada por Sam.
“Inacreditável”, resmungava Jenny, “ malditas regras”.
-- Você ao menos sabe para onde está indo, garota?
Jenny parou e olhou em volta. Havia vegetação por toda parte.
-- Não importa. Só quero ir para longe de você!
Sam que estivera apreensiva até então, acabou irritando-se.
-- Como é teimosa! -- Exclamou a guarda-costas.
Jenny começou a correr sem rumo. O vento soprava, desarrumando seus cabelos. Ela corria o mais rápido que suas pernas permitiam. A adrenalina percorria seu corpo. Aqui e ali, ela arranhava-se em um galho. Em determinado ponto, olhou para trás, mas não viu Sam. Decidiu parar, assustada. Não fazia ideia de onde estava. Será que havia corrido rápido demais?
“Que ideia fantástica, Jenny”, suspirou. “Agora vou ser devorada por algum bicho. Eu mereço!”
Começou a andar pelo caminho que viera. Será que era mesmo por ali?
-- SAAM! -- Começou a gritar.
Para piorar, o clima fechou. Jenny não conhecia a região, mas sabia muito bem que quando as rajadas de vento eram gélidas assim e as nuvens estavam carregadas, podia-se esperar por chuva.
-- SAAM! -- Gritou novamente, depois disse em voz, baixa: -- Eu não tava falando sério...
Ela olhou para os próprios pés, desolada. Levantou os olhos ao ouvir um barulho próximo.
-- Eu sei.
Sam estava diante dela. Com os braços cruzados sobre o peito.
-- Você fez de propósito! -- Constatou Jenny, levando a mão ao peito -- Eu quase morro de susto...
-- Isso foi para você aprender a não brincar comigo -- Disse Sam.
Jenny arqueou uma sobrancelha.
-- Como soube que eu não estava falando sério?
-- Simples -- Respondeu Sam, aproximando-se de Jenny -- Lembrei-me que não existe no mundo ninguém mais birrenta que você.
-- Vou melhorar isso -- Disse Jenny, tímida.
-- Na verdade, eu até gosto -- Confessou Sam -- Mas você também é muito teimosa.
-- Você não fica atrás -- Rebateu Jenny.
-- E muito corajosa também.
Jenny sorriu, cheia de si.
-- Agora eu tô gostando. E o que mais?
-- E linda -- Respondeu Sam, fitando os olhos de Jenny que assumiram um azul profundo e enigmático -- A mulher mais linda que eu já conheci.
Jenny nem teve tempo para reagir às palavras de Sam quando esta enlaçou sua cintura puxando-a próximo a seu corpo, devorando-a num beijo avassalador. Demorou para a ficha de Jenny cair, para acreditar que estava mesmo acontecendo. Enlouquecida de desejo, ela enlaçou suas pernas ao corpo de Sam que a ergueu. Jenny colocava seus braços em torno do pescoço da mulher mais alta, enquanto sua boca buscava a de Sam. Sugando, mordendo. Como se quisesse arrancar um pedaço dela para si.
Com Jenny em seus braços, Sam carregou-a de volta a casa. Ao contrário da cantora, ela conhecia o lugar como a palma da mão.
Sam conduziu Jenny a seu quarto, colocando-a na cama. Pediu para esperá-la enquanto fechava as janelas. O vento agora circulava forte. Prenunciando uma tempestade.
Deitada, Jenny fitou o teto. Passou as mãos pelos cabelos, nervosa. Refletiu sobre o que estava prestes a acontecer e sentiu-se novamente como uma adolescente ante sua primeira vez. Deu-se conta que sentia medo ao mesmo tempo que aquilo era o que mais desejava. Talvez por isso aquele friozinho na barriga a fazia tremer. “Esse é um daqueles momentos únicos na vida. Que fazem todo o resto valer a pena”, pensou.
Fechou os olhos e respirou fundo. Quando os abriu novamente, era observada por Sam, em silêncio. Seus olhares se cruzaram. Mais uma vez, não precisaram dizer nada. A cumplicidade era evidente. A compreensão, mútua.
Sam tirou suas botas e debruçou-se sobre a cama. Jenny deixou-se ficar deitada. Sua respiração estava cada vez mais irregular. Seu peito subia e descia num movimento lento, mas constante. Arrepios perpassavam seu corpo, sem nem ao menos Sam tocá-la. Bastava saber que ela estava ali, observando-a, totalmente entregue, esperando ansiosamente pelo momento em que pertenceriam, enfim, uma a outra.
A respiração de Sam também estava ofegante. Lentamente, ela desabotoou o jeans de Jenny que notou que os dedos dela estavam trêmulos. Ela sorriu e ajudou Sam naquela tarefa. Dava-se conta que Sam estava tão nervosa quanto ela. Tentou controlar sua respiração e concentrar-se nas sensações que o toque dela lhe causava. A peça foi deixada de lado e Sam se deteve durante algum tempo a percorrer com a ponta dos dedos toda a extensão das pernas de Jenny. A garota fechou os olhos, esquecendo-se do resto do mundo para entregar-se apenas àquela sensação prazerosa. Sam parecia querer explorar cada parte dela. E aquilo era bom.
Sam levantou a blusa de Jenny. Em seguida, acariciou sua barriga e delicadamente a beijou. Ao sentir os lábios dela em sua pele, Jenny deixou escapar um gemido. Seu corpo estava despertando para sensações incríveis. Aquele simples toque a deixara enlouquecida. Queria mais. Sam parecia entender isso muito bem, pois num gesto rápido, mas eficiente, ela rasgou a blusa de Jenny. E sem demora, retirou seu sutiã, deixando os seios fartos e firmes à mostra. Mais uma vez, apenas com as pontas dos dedos, Sam tocou-a, sentindo a pele macia dos seios e culminando com carícias leves sobre os mamilos enrijecidos. Jenny gem*u novamente. Dessa vez com mais intensidade.
Então, Sam procurou os lábios dela com os seus. Continuava a acariciar seus seios, primeiro com delicadeza, depois com movimentos firmes. Jenny sussurrava palavras desconexas, exigentes. Com as duas mãos em volta da cintura de Sam, ela a puxava para si, aumentando o contato entre seus corpos.
Sam desceu uma mão pelo corpo de Jenny até sua calcinha. Livrou-se dela com impressionante rapidez. Tocou seu sex*, constatando o quanto estava molhado. Massageou-o demoradamente com as pontas dos dedos. Jenny sentia-se em êxtase, um prazer cada vez mais vigoroso se apoderando dela. Habilidosa, Sam não se precipitou, queria deixá-la cada vez excitada antes de atingir o clímax. Sentia o corpo dela tremer sob o seu.
Jenny também queria sentir o corpo de Sam, a textura de sua pele. Ajudou-a a se despir. Ela tinha um corpo incrível. Os músculos eram evidentes em todas as partes. Jenny fez questão de beijar cada uma de suas cicatrizes. Havia muitas espalhadas pelo corpo. Ela impressionou-se com um hematoma recente nas costas de Sam, tinha uma coloração arroxeada. Tratou-a de enchê-la de caricias leves, mas carregadas de desejo. Era a vez de Jenny explorar cada centímetro de Sam.
Nossa história inscreve-se no corpo. Narrada por cada simples linha de expressão.
O cheiro de Jenny, seus gemidos, sussurros, seus grandes olhos azuis fora de órbita. Para Sam, aquela era a visão do paraíso. Queria-a por inteiro para si. Com delicadeza, inseriu um dedo no sex* molhado dela e começou movimentos lentos que foram se intensificando. Depois inseriu mais um, movimentando-os cada vez mais rápido. Estava dentro dela. Encaixando-se perfeitamente. Era quente e molhado.
Jenny agora já não tinha pudores e gritava descontroladamente até que restou apenas um grito final. Saído do fundo da garganta. Sam também fora tomada de um gozo profundo. Jenny imediatamente aninhou seu rosto no peito de Sam, enquanto as respirações se acalmaram. Só então ouviram o barulho da chuva. Há quanto tempo começara a chover, não faziam ideia. Esqueceram-se do mundo.
Elas ficaram a se olhar intensamente. Um pouco após recuperarem o fôlego, Jenny beijou Sam novamente.
Nuas, elas encaixaram-se num contato íntimo e intenso até atingirem o clímax novamente. Abraçadas e suadas, descansaram ouvindo o barulho da chuva que agora caia fina. Depois de um tempo anoiteceu.
-- Devem estar nos esperando para o jantar -- Lembrou Sam, sem empolgação.
-- Quem precisa comer?
Sam sorriu.
-- Infelizmente, nós. Meus irmãos devem ter preparado um grande jantar. Não podemos decepcioná-los.
-- Você tem outro irmão?
-- Eu tenho três irmãos, Jenny.
-- Mal posso esperar para conhecer os outros dois -- Disse Jenny, animada.
-- Só poderá conhecer um deles, Jenny. Meu outro irmão está morto.
-- Eu sinto muito, Sam -- Jenny apressou-se em dizer.
-- Foi há muito tempo.
-- Quer falar sobre isso?
-- Não hoje -- Disse Sam, aproximando seu rosto ao de Jenny -- Tem algo que eu quero antes do jantar.
-- O que tem em mente?
Sam aproximou sua boca da orelha esquerda de Jenny e sussurro algo para ela. O corpo de Jenny imediatamente acendeu. Sam beijou seus lábios, depois seu pescoço. Demorou-se um pouco a saborear seus seios. Percorreu sua barriga com os lábios até chegar a seu sex*, massageando seu clit*ris com a língua. Sem dúvida, era o sex* oral mais sensacional que Jenny já tivera. Sam sabia exatamente que movimentos fazer, onde sugar. Ela não hesitava, saboreava-se com seu líquido. O gozo veio intenso. Por um instante, Jenny alcançara um clímax mágico, seu corpo flutuava.
Estava constatado. Ela era a amante perfeita. Sendo Sam, Jenny jamais desconfiaria que não fosse. Só queria viver ainda por muitos e muitos anos, compartilhando de todos os momentos ao lado daquela que era a mulher de seus sonhos.
Fim do capítulo
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