Capítulo 10 - Only girl in the world
Want you to make me feel like I'm the only girl in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only one who knows your heart
Only girl in the world...
- Only girl (In the World) Rihanna
O lugar escolhido era no alto de um morro. Perto do céu, explicou Jenny, era ali que gostaria que sua gata fosse enterrada. Participaram do enterro, além de Jenny e sua guarda-costas, Gouveia, Smith, Billy e Amanda, a secretária particular de Jenny que muitas vezes havia levado Kitty para casa e cuidado dela como se fosse sua. Nessas ocasiões, Kitty dividia a casa de Amanda com os outros cinco gatos da secretária.
Os presentes foram convocados a dizer algumas palavras. Apenas Smith se recusou.
“Ela sempre estava por perto”, disse Gouveia, “sentiremos muito sua falta”.
Billy que passava uma mão em torno do ombro de Jenny e chorara muito com ela, disse:
“Kitty era manhosa, amável, tinha um olhar bondoso. Era a gata mais linda que já passou pela terra”.
“Eu a amava muito”, disse Amanda, “Kitty era muito carinhosa e tranquila. Para mim, foi como perder alguém da família”.
Jenny mal conseguiu contém as lágrimas.
“Era minha melhor amiga”, conseguiu dizer ela, sendo amparada novamente por Billy.
Por último, Jenny pediu que Sam também dissesse algumas palavras. Sam ficou surpresa. Os olhares de curiosidade dos demais repousaram sobre ela, o de Smith era um misto de incredulidade e desdém. Mas, o olhar perdido de Jenny, fez-lhe tomar a decisão de dizer algumas palavras.
Nesse momento, só restava a Sam ser sincera. Era o que a garota esperava dela. Por isso, ela falou:
-- Não conhecia Kitty muito bem. Mas, em pouco tempo, pude perceber o quanto ela era importante para você, Jenny. Apesar de não ter conhecido muitos gatos na vida, Kitty era... peculiar. Espero que ela esteja em um lugar bem melhor agora.
Sam olhava diretamente para Jenny, que agradeceu suas palavras com um sorriso em meio ao mar de lágrimas.
Quando todos foram embora, Jenny quis ficar um tempo sozinha diante do túmulo improvisado para sua gatinha. Sam ficou com ela, observando-a a distância. Apesar de tudo, a garota estava indo bem, depois de presenciar a cena de horror que encontrou em seu quarto.
Nenhuma pista havia sido encontrada. O quarto foi periciado, mas as digitais encontradas eram dos suspeitos de sempre, ou seja, todo o estafe de Jenny. Aranha também não havia visto o agressor. Lembrava-se de ouvir uma batida na porta, mas quando atendeu não havia ninguém. Quando virou de costas, sentiu uma picada no pescoço e apagou instantaneamente.
O intruso só podia ser um dos convidados da festa. E Sam sabia que era alguém ainda mais próximo. A violência que havia praticado mostrava um indivíduo descontrolado que poderia ter uma aparência calma por fora, mas com uma mente bagunçada. Odiava Jenny e queria vingança por algum motivo desconhecido.
A morte de Kitty deixava uma clara mensagem: Jenny seria a próxima.
Após respeitar o último adeus da garota à sua gatinha. Sam se aproximou.
-- Você está bem? -- Perguntou ela.
-- Quero que me prometa, Sam que quem fez isso a Kitty vai pagar.
-- Eu prometo -- Garantiu Sam -- E por falar em promessas. Está na hora de eu cumprir uma.
Jenny a olhou, curiosa. Sam pediu-a para segui-la. Chegaram a uma área de campo aberto, Sam pegou algumas garrafas que trazia em sua mochila e colocou-as enfileiradas a certa distância. A guarda-costas mostrou à garota como carregar a arma e acionar o gatilho. Jenny estranhou a arma em suas mãos, o peso, a forma. Sam deixou-a se acostumar a ela durante um tempo, antes de ensiná-la a atirar. Jenny estava tensa e tremia um pouco.
-- Está com medo?
-- Eu nunca peguei em uma dessas antes -- Explicou Jenny.
-- Não precisa temer a arma, Jenny, ela que precisa temer você. Com uma dessas na mão, você tem o poder de vida ou morte.
-- É assim que me pede para não ter medo. Saber que com uma dessas eu posso acabar com uma vida...
-- Mas, também pode salvar a sua -- Argumentou Sam -- A melhor defesa é o ataque, Jenny. Você precisa saber revidar.
Sam entregou a garota alguns equipamentos de segurança. Ensinou-lhe o posicionamento, e como utilizar uma arma como a sua, uma Glock 25. Da primeira vez, Jenny sentiu o impacto do disparo. De início, era assustador. Estava impressionada como pessoas iguais a Sam podiam utilizar uma arma com tanta facilidade. Mas, à medida que as tentativas se sucediam, ela ficou mais relaxada e foi tomando gosto. Quando enfim acertou um alvo, Jenny comemorou bastante. Sam a incentivou, mas conteve sua empolgação, pedindo-a para continuar.
O sol estava a pino, a garota suava por todos os poros. Sam permitiu-lhe uma pausa para beber água, mas logo pediu para sua aluna retornar ao treino. Após um tempo, Jenny já estava dolorida e protestou:
-- Podemos parar agora? Eu tô cansada.
-- Não, vamos continuar. Concentre-se.
-- Mas...
-- Sem mais, concentre-se.
Jenny fechou a cara e continuou a mirar os alvos, gastando a munição. Estava chegando ao seu limite e não entendia porque Sam estava sendo tão cruel com ela. A guarda-costas estava irredutível.
-- Chega, eu não posso mais continuar.
-- Você não vai a lugar nenhum -- Disse Sam, autoritária -- Sua lição ainda não acabou por hoje.
Jenny a olhou, incrédula.
-- Você tá louca se pensa que vou ficar aqui torrando nesse sol -- Rebateu ela -- Eu já aprendi como atira, não podemos ir para casa agora?
-- Precisa treinar mais para não errar o alvo -- Insistiu Sam.
-- Tá falando sério, Sam? Porque eu não sou o Rambo como você -- Disse Jenny, irônica.
-- Não é hora para infantilidades, Jenny. Isso é sério.
-- Tá me chamando de criança de novo? Porque você acaba de colocar uma arma na minha mão, então não venha me chamar de criança...
Jenny não conseguia pensar direito, estava perturbada com o calor. Seu cabelo já grudava na testa devido ao suor. Naquela situação, ela não aguentaria os rompantes de Sam, muito menos no dia em que ela enterrara Kitty.
-- Acha que eu teria pena de você pelo que aconteceu com Kitty? -- Disse Sam, como que adivinhando os pensamentos da garota -- Pois, saiba que eu não tenho. Sabe por que? Porque ninguém mais teria. Muito menos, quem fez isso a ela. Encare aquele túmulo, Jenny, como aquilo que ele é. Você não pode mudar o que aconteceu, mas pode decidir o que fará com isso. Acha que isso aqui é difícil, você ainda não viu nada. Não duraria um minuto lá fora se continuar a sentir pena de si mesmo.
Jenny tentou segurar o choro com todas as forças que tinha.
-- Vai chorar, Jenny? É isso que você vai fazer? Vai ficar aí chorando como uma garotinha enquanto espera virem matá-la?
Foi então que algo despertou em Jenny. A frustação se transformou em raiva.
-- Não, eu não sou uma covarde -- Disse Jenny, com firmeza, encarando Sam.
Depois a garota recarregou a arma e voltou a atirar com disparos sucessivos. Sam observou sua fúria. Nunca vira Jenny tão determinada.
-- Sente isso dentro do seu peito? -- Perguntou Sam ao ouvido de Jenny, enquanto ela voltava a carregar a arma -- É o que te dá poder.
Jenny assentiu. Sam, então, tirou a arma de suas mãos.
-- O que você está fazendo? -- Perguntou s garota, surpresa.
-- Vamos embora, você está cansada e já aprendeu muito por hoje.
-- O que? Pensei que queria que continuássemos. Para que foi tudo isso, então? -- Questionou Jenny, desconfiada.
Sam fez ouvido de mercador. Continuou a guardar as armas, as munições e os equipamentos de segurança na mochila.
-- Ah, entendi. Você fez de propósito. Foi um teste?
-- Sim. E você passou -- Disse Sam -- Parabéns.
-- Sua filha da...
-- Ei, nada de palavrões.
-- Então, aquele negócio de criança era só para me tirar do sério? -- Jenny riu -- Isso não é justo você conhece meus pontos fracos, mas eu não conheço os seus...
-- Eu não tenho pontos fracos -- Retrucou Sam, dando uma pausa na sua tarefa para fitar Jenny -- Exceto um.
Com o coração aos saltos, a garota prendeu seus olhos nos da mulher à sua frente.
-- E... o que seria?
-- Será que você não sabe?
Jenny deixou escapar um sorriso. Sam levou a mochila para o carro e a garota a seguiu. Ela não conseguia deixar de olhá-la. Havia tanto que queria dizer. Sua admiração por Sam só cresci à medida que ela a conheci melhor. Aquela insinuação de que ela seria seu único ponto fraco, era mais do que Jenny esperava em qualquer um de seus sonhos. Esperou elas estarem devidamente acomodadas no carro, para dizer, com cautela:
-- Sam, gostaria de falar sobre o que aconteceu há pouco.
-- Não se preocupe, era só uma lição que precisava ensiná-la. E você foi bem.
-- Não é disso que estou falando -- Falou Jenny -- Olha, eu sei que eu prometi me afastar e deixar você fazer seu trabalho, mas não é isso o que eu quero. Eu quero você, Sam.
Jenny gesticulava sem saber onde colocar as mãos. Precisara de muita coragem para se declarar para Sam. Já tinha admitido para si que seria corajosa na situação em que se encontrava, isso também envolvia seus sentimentos em relação a Sam.
A guarda-costas tamborilou os dedos no volante. Respirou fundo, e falou:
-- Desculpe-me Jenny. Mas, eu não posso.
Sam disse isso sem encará-la. O silêncio dentro do carro era sufocante. Em seu íntimo, a guarda-costas queria ceder aos seus sentimentos pela garota. Não tinha coragem de encará-la, pois se fizesse isso, todas as suas barreiras cairiam novamente.
-- Vou respeitar sua decisão, mais uma vez -- Jenny quebrou o silêncio.
A guarda-costas ficou surpresa com a decisão madura e racional de Jenny, ainda assim uma parte de si sentiu uma grande frustação por ela ter aceitado tudo tão passivamente. Talvez não fosse o que Sam esperasse dela, afinal. Mas, não precisou lamentar muito sua frustação. De repente, Jenny se deslocara de seu banco para o colo de Sam. Encaixou suas pernas em torno do banco do motorista e escorou as costas no volante. Seu corpo se encaixou totalmente no de Sam. Um contato irresistível.
-- É assim que você respeita minha decisão? -- Perguntou Sam, ofegante.
-- Não, só quero tirar uma casquinha -- Disse Jenny, mordendo a orelha esquerda de Sam -- Agora, é minha vez de explorar seus pontos fracos.
-- Isso é golpe baixo -- Expressou Sam, deixando escapar um gemido de prazer com as carícias ousadas de Jenny.
-- Baixíssimo -- Concordou Jenny, antes de beijar os lábios de Sam que àquela altura já tinha o corpo todo arrepiado.
Ambas que já estavam suadas, elevaram o calor às alturas. Como Jenny mal podia mexer-se devido ao volante, Sam deitou o banco, deitando também à garota sobre si. Jenny era mesmo fogo, um caldeirão de delícias. Era difícil para Sam esconder a excitação, se continuassem assim ela não iria manter o controle. Mas, era Jenny que impunha suas regras. Dessa vez ela tomara a atitude de beijar Sam, sendo assim faria com ela o que quisesse. Queria explorar o corpo maravilhoso daquela mulher. Sua mão entrava pela blusa de Sam, desenhando uma trilha sobre suas costas. Mas, quando Sam tentou desabotoar a blusa de Jenny, a garota a impediu.
-- Você não pode, lembra?
Sam não escondeu a decepção. Num ímpeto, Jenny a beijou novamente.
-- Eu quero você, Sam -- Murmurou ela -- Mas, não assim.
Então, Jenny retornou ao banco do carona e tentou se recompor. Ainda com a respiração ofegante.
Sam deu a partida no carro, com a certeza de que tudo queria era ter Jenny em seus braços, mas como ela mesma dissera não ali num banco de um carro, num calor quase insuportável, tendo que pensar apenas em como salvar a vida da garota. Mas, será que existiria um futuro para elas, em algum lugar? Isso, só o tempo poderia dizer.
Fim do capítulo
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