Capítulo 6 - Bad Romance
No dia seguinte, Jenny acordou bem-humorada. Pensara no beijo antes de adormecer e quando acordou pensou ter sido um sonho. Tomou um café da manhã saudável para começar bem seu dia. Billy veio vê-la e o sorriso em seu rosto não passou despercebido pelo maquiador.
-- Me conta logo Jen. O que andou aprontando?
-- Não aprontei nada, Bi.
Ele cruzou os braços sobre o peito, impaciente.
-- Larga disso, Jen. Já soube que você saiu ontem. Está em toda a mídia seu encontro com o ex gostoso e aquela sonsa da Dália Menezes. Nunca confiei nela.
-- Eu não tô nem aí para aqueles dois, Bi.
-- Hum, quer dizer que tem mais alguém na jogada. É isso? Diz logo com quem você terminou a noite ontem, Jen?
Jenny não aguentava mais guardar toda a felicidade que sentia para si. Decidiu contar tudo ao amigo, que ficou pasmo quando ouviu o que aconteceu.
-- Para tudo. Você e sua guarda-costas? Oh, my God! Você não deixa escapar uma, hein garota?
-- Calma, Bi. Foi só um beijo. Quer dizer, só um selinho de nada -- Disse Jenny, tentando não criar maior alarde sobre o que aconteceu.
-- Só um selinho? Mas o suficiente para você ficar aí toda mole. Aquela mulher deve ter pegada. Até eu que não gosto da fruta ia querer experimentar um beijo de Samanta Kane.
-- Não exagera.
-- E agora o que você vai fazer? Vai pra cama com ela?
Jenny ficou vermelha somente em pensar naquela possibilidade.
-- Eu não sei, Bi.
-- Qual é, você é Jenny Brooks. Se olha no espelho, garota. Quem não iria para cama com você?
Jenny riu, mas estava nervosa. Estranhou sua timidez, geralmente não era assim. Ela e Billy conversaram mais um pouco. Depois, com a ajuda do amigo, a garota escolheu um look para começar seus compromissos daquele dia.
Ela encontrou Sam no corredor com quem trocou um bom dia tímido. Mas, a guarda-costas evitou olhar diretamente para ela. Elas seguiram para o carro, Jenny estava acompanhada por seu estafe que lhe atualizava sobre os compromissos de trabalho. A garota se esforçou para cumprir suas tarefas, mas sempre que possível observava Sam. A guarda-costas estava séria, como de hábito. Jenny sabia que ela estava fazendo seu trabalho, mas ao longo do dia começou a perceber a frieza de Sam para com ela. Só lhe dirigiu a palavra quando estritamente necessário. E em um ou dois momentos em que estiveram sozinhas, Sam não dava atenção a ela.
À noite, quando enfim Jenny retornou ao hotel para descansar, ela já estava profundamente irritada com Sam. Quando sua guarda-costas lhe acompanhou até o quarto, Jenny decidiu pôr tudo às claras com ela.
-- Por que você voltou a me ignorar? -- Perguntou Jenny.
-- Não estou ignorando você, senhorita Brooks. E se tem alguma reclamação a fazer sobre mim sugiro que procure o senhor Gouveia.
-- Você é inacreditável -- Explodiu Jenny, diante da frieza de Sam -- Já esqueceu por acaso o que aconteceu entre nós ontem à noite?
-- Não aconteceu nada ontem à noite, senhorita Brooks -- Falou Sam, firme. Sem nenhum traço de sentimento na voz.
Jenny encarou Sam, sem acreditar em suas palavras.
-- Que memória seletiva a sua, Samanta Kane. Esqueceu que me beijou?
-- Cometi um erro -- Admitiu Sam -- Mas, não se preocupe isso não vai mais acontecer.
-- Um erro? -- Repetiu Jenny -- Você é cruel.
-- Posso ir agora? Ou tem mais algo que eu possa fazer por você, senhorita Brooks.
A garota a encarou, ressentida.
-- Tem sim -- Falou com raiva -- Você pode sumir daqui. Agora! Vá embora e não volta.
Jenny gritava, mas Sam não se deixou abalar.
-- Como quiser.
-- Você me paga, Samanta Kane -- Disse Jenny, antes de Sam deixar seu quarto.
A garota deitou em sua cama com Kitty. Não conseguiu conter as lágrimas. Não conseguia aceitar que após a noite maravilhosa que passaram juntas, Sam a trataria com tanto distanciamento. Sentiu-se estúpida por criar falsas ilusões. Sam apenas brincara com ela. Com certeza, provara mais uma de suas “teorias”.
-- Isso não vai ficar assim -- Jenny falou para si mesma.
***
A partir do dia seguinte, Jenny decidiu tornar a vida de sua guarda-costas um inferno. Ela era boa em irritar as pessoas. Sabia como ser mimada.
Ela decidiu ir a algumas lojas de grife no centro da cidade enquanto Sam a acompanhava por toda parte, como uma sombra. Esperou Jenny experimentar milhares de roupas enquanto era bajulada por várias pessoas. O tempo todo a garota agia como se Sam não existisse. Sam também teve que se virar quando Jenny decidiu fazer uma aparição pública no shopping causando um grande tumulto de jovens fãs da cantora. Sam teve muito trabalho para conseguir reforçar a segurança.
Durante dias a garota dificultou o trabalho de Samanta até Gouveia vir chamar sua atenção.
-- Vou fazer o que eu quiser -- Jenny disse a ele -- Diga a guarda-costas que você contratou que se ela não aguenta o tranco que peça demissão.
-- Sam é uma excelente profissional e em nenhum instante reclamou das excentricidades que você anda aprontando nos últimos dias, mas eu e Lyanna conversamos bastante e achamos que não está sendo bom para sua imagem ficar agindo como uma garota mimada.
-- Não me importo com o que acham de mim. Podem falar o que quiser.
Jenny deu o assunto por encerrado. Dispensou Gouveia que ficou muito chateado com o menosprezo da garota. O estafe da cantora também estava cansado do mau humor insuportável de Jenny, o trabalho andava difícil para todos.
Samanta Kane sabia exatamente o motivo de Jenny está agindo assim. Sua raiva por Sam ignorá-la não passara e atingia não somente ela, mas a todos ao seu redor. Achava que cedo ou tarde aquele comportamento infantil passaria e ela poderia voltar a fazer seu trabalho sem se envolver demais com sua cliente. Mas, Jenny já passara dos limites e estava comprometendo sua própria segurança.
Na noite em que saíra do quarto de Jenny após beijá-la, Sam ouviu as músicas que a garota lhe dera. Uma música lhe chamou atenção pelo título, chamava-se Bad Romance. Era exatamente isso que se tornaria sua relação com Jenny se ela deixasse que acontecesse. Um romance ruim, fadado ao fracasso, e ainda por cima Sam não conseguiria se concentrar em seu trabalho como devia. Quebrara uma regra de ouro: não se envolva com seu cliente. Ele é um objeto que deve ser mantido em um cofre seguro. Apenas isso. Já cometera um erro por um beijo e embora dissesse a si mesma que nunca deveria ter feito aquilo, ela se arriscaria novamente por aqueles lábios. A verdade é que Sam nunca lhe dera com emoções como aquelas que Jenny lhe causava. Era tudo novo para ela, por isso não sabia como agir. Só o que sabia era que precisava fazer o seu trabalho o melhor possível.
Mas ela ganhou complicações extras quando decidiu fazer a coisa certa que era se distanciar de Jenny. A reação da garota foi como ela previra: inconsequente. Vendo que isso não mudaria Sam decidiu que era hora de intervir.
-- Precisamos conversar -- Disse Sam, adentrando o quarto de Jenny.
A garota estava acompanhada de sua secretária e seu maquiador.
-- Não tenho o que falar com você.
-- Vocês podem nos deixar a sós um momento, por favor? -- Pediu Sam a Amanda Ávila e Billy Sens.
-- Eles não vão a lugar nenhum.
-- Jen, é melhor sairmos -- Interferiu Billy que acompanhara o plano e vingança de Jenny para com sua guarda-costas -- Voltamos daqui a pouco.
O maquiador arrastou a secretária particular de Jenny para fora do quarto deixando as duas sozinhas.
-- O que você quer agora?
-- Quero que você pare de agir como uma criança.
-- Você não manda em mim -- Provocou Jenny.
Sam aproximou-se de Jenny, fazendo-a encará-la. Era difícil para a garota manter o controle com ela tão perto. Seu corpo reagia involuntariamente.
-- Não pode deixar o que aconteceu entre nós interferir em sua segurança -- Disse Sam.
-- O que aconteceu entre nós? Pensei que tinha dito que nada aconteceu entre nós.
-- Você sabe do que estou falando, Jenny. Eu não posso me envolver com você e ao mesmo tempo protegê-la -- Confessou Sam.
-- Então é isso? -- Desafiou Jenny -- Quer dizer que não significo nada para você. Sou apenas sua cliente. Então por que iria se importar com meus sentimentos, não é? Quer saber, Sam. Faça seu trabalho e me deixe em paz. E se se preocupa tanto em eu cooperar com você, esqueça. Eu sempre fiz o que quero e vou continuar assim.
-- Você é mesmo uma garota mimada e inconsequente.
As palavras de Sam atingiram Jenny em cheio.
-- Se acabou quero que saia do meu quarto agora -- Falou ela, cheia de ódio.
-- Tudo bem, senhorita Brooks -- Disse Sam, impassível.
Jenny sentiu-se mais uma vez magoada. Doía muito ser desprezada. Há muito não tinha esse sentimento, era ela que costumava magoar as pessoas e não o contrário. Precisava sufocar aquela amargura que lhe inflava o peito. Tomou mais uma decisão. Ligou para algumas pessoas que poderiam providenciar o que ela queria. O que planejava iria com certeza tirar a insensível guarda-costas do sério.
-- Você mexeu com a pessoa errada, Samanta Kane.
***
Após a conversa difícil com Jenny, Sam tentou deixar aquilo de lado e concentrou-se em seu trabalho. Já se passaram semanas desde a tentativa de sequestro e mais nenhum atentado acontecera. Aquilo não era um alívio, ao contrário, a quietude assustava. Significava que algo grande estava por vir. Sam colocou seus seguranças e seus informantes sob alerta.
Todos os dias ela colocava alguém para examinar o hotel. Até onde sabia tudo estava em ordem. O único transtorno era uma reforma na área de lazer. Aquela época do ano havia poucos turistas o que era ideal para aquela reforma acontecer. O gerente tratou de cuidar pessoalmente do credenciamento dos operários que trabalhavam na construção e garantiu a Sam que somente pessoas autorizadas entrariam no hotel.
Sam estava em seu quarto estudando alguns dossiês quando foi interrompida pela visita de Lyanna Smith. Não se surpreendeu, a mulher não largava do seu pé desde que ela começara aquele trabalho.
-- Tenho novidades para você. Se me deixar entrar.
-- Fique à vontade, Smith -- Disse Sam, cansada.
-- Que desânimo. Admira que você se deixe vencer por aquela garota.
-- Não estou vencida. Apenas cansada.
-- Eu sei. Você trabalha demais, Sam.
Os músculos retesados de Sam não passaram despercebidos por Lyanna.
-- Deixe-me cuidar de você. Vou lhe fazer uma massagem.
-- Não precisa -- Recusou Sam, mas Lyanna a ignorou e com as duas mãos começou a massagear o pescoço, os ombros e as costas de Sam.
-- Isso é bom -- Admitiu Sam, com um suspiro de satisfação.
-- Viu? Tenho mãos de anjo -- Lyanna gabou-se -- Posso te mostrar como é bom, Sam. Você precisa relaxar toda essa tensão.
-- Não insista, Smith. Você sabe que não vai acontecer.
-- Como dizem a esperança é a última que morre.
-- Afinal, não vai dizer a que veio. O que foi dessa vez? O que Jenny está planejando?
-- É tão óbvio assim que a garota está aprontando.
-- Eu sei que ela está aprontando, mas ainda não sei o que.
-- Então, vou ser boazinha e lhe dizer -- Falou Lyanna, satisfeita.
-- E o que quer em troca?
-- Tão desconfiada, Sam. Não quero nada em troca a não ser sua amizade e poder compartilhar com você momentos como esse.
-- Só porque deixei você entrar aqui e me fazer uma massagem não significa que sejamos amigas, Lyanna.
-- Lyanna? Chamando-me pelo primeiro nome, Sam. Já é um avanço.
Sam não deu importância às insinuações de Smith, mas não podia negar que aquela massagem era exatamente o que estava precisando.
-- Vou logo dizer o que a garota anda tramando. Hoje à noite, esse hotel presenciará uma festinha particular com muita bebida, música e homens e mulheres sarados. Se quiser, apenas dois telefonemas meus e dou a lista completa dos convidados.
-- Não precisa, Lyanna. Com um telefonena eu descubro.
-- Que eficiente. Mas, não parece preocupada, Sam.
-- Jenny já foi longe demais.
-- O que você vai fazer?
-- Não vou fazer nada. Sou apenas mais uma das subordinadas de Jenny Brooks. Se ela quer sua festinha particular, ela terá sua festinha.
Smith sentiu toda a ironia nas palavras de Sam. Quando terminou a massagem, Sam agradeceu. Lyanna aproveitou para dar um beijo demorado na bochecha dela. Sam aspirou o perfume daquela mulher provocativa. Com certeza, muitas outras já caíram em sua sedução. Uma mulher cheia de nuances e caminhos perigosos, esta era Lyanna Smith.
***
A noite caiu.
À meia-noite, a suíte máster já estava lotada de pessoas. Jenny Brooks era a atração principal. Convidava todos a dançar no seu ritmo. Ela usava uma minissaia, um top, meia-calça preta e coturnos. Sam observava a tudo sem esboçar reação. A cantora só fizera tudo aquilo para provocá-la e mostrar que era onipotente em seu mundo.
Gouveia estava transtornado. Não esperava aquela bagunça. Achou que Jenny havia mudado. Todos do seu estafe tinham esperanças de que ela deixasse a vida de promiscuidade e bebidas para trás.
-- Sam, por favor. Faça alguma coisa -- Gouveia implorou -- Não a deixe acabar com sua saúde.
-- Senhor Gouveia, meu trabalho é protegê-la de outras pessoas não de si mesma.
-- Sam, ela é só uma garota. Vítima do descaso dos pais.
-- Que já tem idade suficiente para saber o que quer da vida, senhor Gouveia.
-- Como pode ser tão insensível, Sam?
A guarda-costas refletiu. Lembrou-se de Jenny dizer o mesmo sobre ela.
-- Tudo bem. Eu cuido disso.
-- Obrigada, Sam. Serei eternamente grato a você.
Sam procurou o rapaz que trouxera bebidas e drogas para a festa. O encontrou no banheiro vomitando. Puxando-o pela gola da camisa, ela o arrastou até o corredor.
-- JD. leve esse merd* até a porta do hotel e não o deixe mais entrar. Depois se livre de tudo o que encontrar com ele.
-- Tudo bem, Sam.
A guarda-costas retornou até a suíte e foi recebida por uma Jenny enfurecida.
-- O que fez com o Leandro? -- Acusou a garota.
-- Não sei do que está falando.
-- Não se faça de santa. Vi quando você sumiu com ele.
-- “Aquele” Leandro. Ele tava me dando nos nervos.
-- Ora, sua...
-- Não se rebaixe ainda mais, senhorita Brooks.
Do mesmo modo intempestivo que se aproximou de Sam, Jenny a deixou. A garota se dirigiu para o meio dos convidados. Depois desapareceu pelo corredor com um rapaz e outra garota.
Sam sentiu o sangue pulsar em suas veias. Não esperava que aquilo pudesse mexer tanto com ela. Sem pensar em mais nada decidiu agir e seguiu pelo caminho que Jenny havia ido. Chegou até o elevador e viu Jenny beijando na boca da garota que havia ido com ela, enquanto o rapaz a envolvia por trás beijando sua nuca. Sam impediu que a porta do elevador se fechasse.
-- Cabe mais um? -- Disse ela, irônica.
Jenny não lhe deu atenção, mas o rapaz interrompeu sua exploração pelo corpo da garota e disse:
-- Claro, gata. Sempre tem lugar para mais um.
Sam observou o rapaz convencido que não usava camisa, deixando seus músculos à mostra.
-- Ótimo. Por que minha amiguinha aqui está louca para participar -- Disse Sam, sacando sua Glock.
-- Ei, qual é. Não aponta isso para mim.
-- Vai embora! -- Protestou Jenny.
A garota que estava com ela tremia, assim como o rapaz. Sam baixou a arma, e disse:
-- Saiam daqui vocês dois.
Prontamente eles abandonaram o elevador, deixando Jenny e Sam à sós. A guarda-costas adentrou o elevador e apertou o botão do primeiro andar.
-- Por que fez isso? -- Jenny exigiu saber.
Sam a observou. A maquiagem estava borrada, sua meia-calça preta estava rasgada e o top deixava à mostra boa parte dos seus seios.
Não respondeu à garota, em vez disso avançou sobre ela, pressionando-a contra o espelho do elevador. Sam colou seu corpo ao dela. Deixou a atração que sentia por Jenny explodir em ondas de excitação cada vez mais intensas. Fitou os olhos de Jenny que pareciam estar fora de órbita. Sentiu sua respiração descompassada e seu hálito quente antes de acabar com a distância entre seus lábios. Sua língua adentrou a boca de Jenny explorando-a, sentindo seu doce sabor. A garota respondia com igual paixão, gem*ndo a cada sucção desenfreada da boca da mulher que tanto desejava.
Quando elas se deram conta, o elevador parou e a porta se abriu. Um casal de idosos as observava do lado de fora, indecisos se entravam ou não.
-- Desculpem, mas esse aqui está lotado -- Disse Sam, ofegante antes de apertar mais uma vez o botão e ver a porta do elevador fechar-se.
Fim do capítulo
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