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Ela Vale Milhões por Bruna 27

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Palavras: 4002
Acessos: 3942   |  Postado em: 01/06/2019

Capítulo 4 - Just a Girl

 

 

Chegando ao hotel, Jenny subiu para o quarto. A garota estava amuada, com aspecto carregado. Ela não parecia querer a companhia de ninguém, nem mesmo de Billy. Então, Sam a deixou para descansar.

 

Sam olhou o relógio. Passava das três da manhã. Dirigiu-se a um dos quartos do andar inferior. Bateu discretamente na porta.

 

A mulher ainda estava sonolenta quando abriu a porta, mas quando viu Samanta à sua frente, ela pareceu despertar.

 

-- Posso entrar? -- Perguntou Sam, sem perder tempo.

 

Lyanna Smith se afastou para dar passagem a Sam, mas não muito para que seu corpo tocasse propositadamente no dela.

 

-- A que devo essa ilustre visita noturna, por acaso decidiu se render aos meus encantos? -- Questionou Smith, presunçosa.

 

Ela caminhou até sua cama, deixou o corpo cair e se aconchegou nas almofadas. Sam a observou friamente, antes de falar:

 

-- Como sabia que Jenny iria à boate?

-- Me acordou para isso? -- Exclamou Lyanna, decepcionada -- Poderia ter esperado até de manhã.

-- Prefiro não esperar -- Rebateu Sam -- Não quando tem milhões de coisas acontecendo bem debaixo do nariz.

-- Bem-vinda ao show bussines. Aqui todo mundo pode ser passado para trás, até mesmo você...

-- Por favor, apenas responda minha pergunta.

 

Lyanna estudou o rosto de Sam, antes de falar:

 

-- Lamento, Sam. Mas assim como você eu também não posso revelar minhas fontes.

 

Sam respirou fundo.

 

-- Tudo bem. Tenho outros meios de descobrir -- Disse ela, dando meia-volta para deixar o quarto.

-- Espera! -- Pediu Lyanna, impedindo a saída de Sam -- Mas já vai sair assim? Invade meu quarto no meio da noite, me tira de um sonho restaurador para nada?

-- O que você quer? Que eu arranque a resposta à força? -- Sam questionou.

-- Até que seria interessante -- Disse Lyanna com um sorriso malicioso.

-- Não vale a pena. Eu sei que você não vai me dizer nada.

-- Você pode ter tudo, sabia? -- Insinuou Lyanna, aproximando-se de Sam -- Só basta querer...

 

Sem mais, a mulher deu o bote. Avançou sobre Sam, desabotoando sua blusa com habilidade. Sam não se moveu.

 

-- Não faça isso -- Alertou ela, encarando Lyanna.

-- Por que não? Eu sei que você quer. Não veio aqui para me perguntar nada. Já sabia de minha resposta, mas não se preocupe, vou cuidar muito bem de você...

 

Enquanto falava, Lyanna fazia movimentos com a mão, massageando o corpo da outra mulher. Estava extasiada e no íntimo vangloriava-se por estar conseguindo o que tanto queria, mas seu triunfo durou pouco, quando Sam a interrompeu e se afastou dela.

 

Lyanna a olhou com um misto de ódio e desejo e apesar da rejeição que acabara de sofrer quis ainda mais ter aquela mulher para si, mesmo que por uma noite.

 

-- Você nasceu para ser de ninguém, Samanta Kane -- Constatou Lyanna -- É fria como gelo.

-- Não comenta o erro de achar por um minuto que me conhece, senhorita Smith -- Falou Sam, séria.

-- Não cometo. Sei que você é uma caixinha de surpresas -- Respondeu Lyanna -- Entendo que está fazendo seu trabalho, mas um pouco de sex* não faz mal a ninguém.

-- Isso depende -- Disse Sam, enigmática -- Mas o fato é que não confio em você.

-- O que quer dizer? Que você só fode com quem confia? Então, você é uma virgem, Sam?

 

Sam se permitiu esboçar um sorriso. E respondeu:

 

-- Eu devo a você pela informação que me deu. Mas não é assim que pago minhas dívidas.

-- Que pena. Mas tem razão, você me deve. Olha que eu cobro.

 

Sam assentiu.

 

-- Vou para meu quarto. Desculpe por acordá-la no meio da noite.

-- Tudo bem. Mas da próxima vez, só me acorde se quiser compartilhar uma cama comigo, do contrário nem se der ao trabalho.

 

Sam cruzou o olhar com o daquela mulher perspicaz antes de sair pela porta.

 

***

 

Chegando a seu quarto, Sam livrou-se de toda sua roupa. Só havia uma coisa que a relaxava completamente: um banho de água gelada. O quarto possuía uma banheira imensa. Sam depositou sua Glock 25 ao lado da banheira antes de submergir seu corpo. Fechou os olhos e prendeu a respiração embaixo d’água. Aprendera a ficar sem respirar durante alguns minutos. Essa habilidade já havia sido útil em situações em que Sam já estivera. Uma vez quando sob tortura, foi forçada a ficar embaixo d’água numa temperatura baixa. Mas, seus algozes não sabiam que para Samanta estar na água fria era quase prazeroso. Ela mal sentia o frio penetrando como agulhas afiadas em sua pele, enquanto seu cérebro registrava aos poucos a insuficiência de oxigênio, mas antes de a confusão mental se instalar era hora de retornar a superfície, minutos depois do qualquer outro ser humano poderia aguentar sem perder totalmente os sentidos.

 

Sam se permitiu cochilar alguns minutos na banheira. Teve que deixar a água quando sua pele já enrugava. Agora que conseguia pensar com clareza, ela se permitiu relembrar os acontecimentos daquele dia. O incidente na boate deixara claro que a situação não estava sobre controle. Antunes havia passado por cima de suas ordens. Obviamente, ele não aceitara muito bem a autoridade de Sam. Aquilo era preocupante, eles não tinham tempo para rixas internas. Ela precisava fazer algo quanto a isto. Após pensar muito, chegou à conclusão que só havia um tipo de linguagem que o Velho lobo entendia e Sam a usaria para colocá-lo em seu lugar.

 

Quanto a Lyanna Smith, ela sabia mais do que estava contando. Era muito esperta e ardilosa. Seria uma ótima aliada, se Sam se permitisse confiar nela, o que seria um grande erro. Smith fazia questão de se mostrar como uma mulher perigosa e pouco confiável. Sam conhecia aquele jogo, era como o jogo dos tronos. Lyanna seria Littlefinger dizendo a Ned Stark que não podia confiar nele. E o fim da história todos conhecemos: cabeças de lobos são cortadas. Mas, nesta história apenas uma cabeça rolaria. A de um Velho lobo.

 

Sam não fora tão indiferente ao toque de Lyanna. Ela era uma mulher experiente com certeza, mas quando se tratava de controle, ninguém ainda havia abalado o de Sam ao ponto de ela se deixar levar. Sexo até que era uma coisa boa, mas que envolvia uma intimidade compartilhada, coisa em que Samanta não era tão boa assim. Às vezes, quando não estava trabalhando, ela ia para cama com pessoas que conhecia na noite. Eram pessoas sem rosto, sem nome. Não havia nem um tipo de envolvimento afetivo, Sam até esquecera o que era sentir-se próxima a alguém. Preferia assim, evitava muitos problemas.

 

Para fechar sua análise prévia da situação, Sam começou a levar em conta um elemento surpresa. Este se tratava de algo que ela não previra: a garota. Jenny Brooks. Havia lido tudo sobre ela, traçou seu perfil, viu todos seus vídeos clipes, estudou seus amigos, familiares, seu estafe. Mas sentia que não sabia nada sobre a cantora. Jenny era teimosa, só fazia o que queria, irritava qualquer um que trabalhasse ao seu lado. O que Sam não entendia era o poder que a garota parecia exercer sobre as pessoas ao seu redor. Ousava dizer que poderia despertar até mesmo nela sentimentos confusos. Na boate, enquanto Jenny bebia e dançava, Sam observava os inúmeros olhares sobre ela. Depois, enquanto ela beijava desconhecidos, Sam sentiu seu sangue ferver, algo que atribuiu ao fato da cantora querer provocá-la. No fim, toda aquela situação havia sido uma birra de Jenny para desagradar sua guarda-costas. Mas, quando a garota estava visivelmente assustada, algo doloroso despertou no peito de Sam o que a levou a tocar o rosto de Jenny, sentindo sua pele macia. Seu gesto tranquilizou a garota.

 

Sam não podia nutrir nenhum tipo de sentimentos pela pessoa que estava protegendo. Nem mesmo compaixão. Nunca esquecera o que um de seus instrutores lhe dissera uma vez sobre segurança pessoal: "Estamos na intimidade das pessoas, mas não somos íntimos delas". Há muito Sam não sentia empatia por ninguém e isso a assustava. Não podia se permitir ceder ao mistério que envolvia Jenny Brooks.

 

***

 

 

Quando Jenny chegou ao seu quarto, sentia um aperto no peito. A multidão na boate a assustou bastante, fez seu coração quase saltar pela boca. Ela já se sentia mal devido ao álcool. De todas as suas bebedeiras aquela havia sido uma das piores. Não fazia ideia de quantas doses de vodka havia ingerido na boate. Talvez estivesse na hora de parar com aquilo. Nem mesmo para seu analista soubera dizer de onde vinha aquela necessidade que surgia quando estava em situações sociais. Era muito suscetível a ambientes, se via pessoas ingerindo bebida alcoólica, ela fazia o mesmo. Desde sempre fora assim, sua mãe dizia que ela era uma Maria vai com as outras. Jenny odiava ser chamada daquele modo e também detestava não ter controle sobre si mesma. Somente quando subia no palco e soltava a voz, ou quando tocava algum instrumento, Jenny sentia-se no comando de sua vida.

 

Mas naquela noite, Jenny não se sentia bem. Só queria ver gente, dançar, “curtir” como os jovens de sua idade. Mas, acabou sendo um desastre. Primeiro, aquela tal de Sam não saiu de perto dela. Irritada com a vigilância, Jenny decidiu provocá-la. Exibiu-se na sua frente. Mas ao ver Sam quase quebrar o braço de um homem, Jenny ficou perplexa e ao mesmo tempo sentiu inveja daquela mulher tão cheia de si que não precisava de ninguém para protegê-la.

 

Mas o pior veio depois, quando as coisas saíram do controle na boate. Jenny ainda tremia ao lembrar-se da multidão que veio correndo em direção a ela e que foi despistada por Sam. Se a guarda-costas não estivesse ali, teriam avançado sobre ela. Podiam tê-la machucado. Também se sentia péssima por Billy, o pobre rapaz passara por sérios apuros.

 

Após revirar na cama por muito tempo, o sono finalmente encontrou Jenny. Acordou no dia seguinte na pior das ressacas. Mal tocou no café da manhã. Precisou de todas as forças possíveis para criar coragem para fazer seus exercícios matinais. Estranhou Sam não aparecer para “ver se estava tudo bem com ela”. Depois da noite passada, Jenny não queira encarar a sua guarda-costas. Ela possivelmente teria um ar de “eu avisei” no semblante.

 

Mas Sam não apareceu. Deixou um segurança com uma horrenda tatuagem no pescoço vigiando os arredores do quarto. Quando saiu vestida com sua roupa de ginástica, acompanhada de seu personal, Jenny foi seguida pelo segurança.

 

Ao chegar à academia do hotel, Jenny percebeu uma pequena agitação em torno do tatame. Perplexa, ela se aproximou e viu sua guarda-costas diante de dois homens maiores que ela. Sam estava descalço, vestia uma camiseta e calça comprida pretas e tinha o cabelo amarrado em um rabo de cavalo.

 

-- O que está acontecendo? -- Perguntou Jenny a um dos homens que circundavam o tatame.

-- Bom dia, senhorita Brooks -- Disse ele, com polidez.

-- Fiz-lhe uma pergunta. O que diabos está acontecendo aqui?

-- Samanta irá lutar.

-- Com aqueles dois? Mas, por que? Isso é injusto.

-- Não para Sam, ela já fez isso antes.

 

Jenny olhava para a situação sem acreditar. Um dos homens avançou sobre Sam, tentando atingir um soco em seu rosto, mas ela foi mais rápida e se esquivou. Ele fez mais duas tentativas sem sucesso, até que Sam acertou um chute em seu estômago. O outro homem decidiu entrar na luta. Conseguiu acertar um soco na mulher, arrancando sangue da sua boca. Sam tocou o lábio ferido e sorriu. Estranhamente ela parecia está se divertindo com aquilo. Cercada pelos dois, ela os observava, esperando qual deles faria o próximo movimento. Quase que simultaneamente eles atacaram, ela se esquivou de um deles e derrubou o outro com uma rasteira. O homem era corpulento e caiu com um baque pesado. Sam não perdeu tempo e golpeou o homem que estava de pé, encaixou socos rápidos e sucessivos, com uma força impressionante. Logo ele estava sangrando muito e ficou meio cambaleante. O outro levantou e tentou atacar Sam que lhe aplicou um mata-leão, em segundos o grandalhão apagou.

 

O homem que permanecia na luta observava Sam com uma expressão de desagrado. Quando a atacou, ele derrubou a mulher, iniciando uma luta no chão no qual ambos aplicavam vários golpes. Embora o homem parecesse bem forte e no começo tivesse controle sobre a situação, acabou com o braço esquerdo torcido em suas costas, num ângulo não muito agradável de ver. Ele urrava de dor e pediu desesperadamente para ela parar. Jenny achou que Sam quebraria o braço do segurança, mas ela o largou, deixando o homem no chão, derrotado. Alguns homens que estavam ali a cumprimentaram, um deles deu a Sam uma toalha para limpar sangue e suor do rosto.

 

Jenny que quase prendera a respiração assistindo a luta aproximou-se da guarda-costas.

 

-- O que você pensa que está fazendo?

 

Sam a olhou sem entender e respondeu:

 

-- Bom dia, senhorita Brooks. Não sabia que já estava de pé.

-- Não fuja da minha pergunta. Que palhaçada foi essa aqui?

 

Sam ordenou aos seguranças que voltassem aos seus postos antes de voltar a falar com a garota:

 

-- Um acerto de contas. Desculpe, senhorita, não era para você ver isso.

 

Sam falava com educação, mas o tom respeitoso desagradou Jenny que achava que a sua segurança estava debochando dela.

 

-- Não me chame de senhorita.

-- Tudo bem, então voltarei a chamá-la de garota.

 

Jenny bufou, irritada.

 

-- Você devia está em seu posto. Foi para isso que foi contratada.

-- Pensei que não lhe agradasse minha contratação.

 

Aquilo foi a gota d’água para Jenny.

 

-- Está demitida -- Disse ela.

-- O senhor Gouveia que me contratou, só ele pode me demitir -- Falou Sam, séria.

-- Isto não é problema porque ele trabalha para mim. Vou agora mesmo chamá-lo.

 

Elas se encararam. Nenhuma das duas parecia entender o rumo daquela discussão ou se havia um motivo plausível para ela. Sam suspirou. Sua resolução de não bater de frente com Jenny ia por água a baixo.

 

-- Desculpe, senhorita Brooks -- Falou Sam.

-- Jenny...

-- Jenny. Isso não vai mais acontecer.

-- Tudo bem. Vou dá mais uma chance a você -- Cedeu a garota -- Mas quero saber porque estava batendo naqueles caras.

-- Tivemos um pequeno problema interno, mas agora está tudo resolvido.

-- Engraçado o modo que você resolve as coisas -- Provocou Jenny -- Melhor ir cuidar desses ferimentos. Não quero que digam por aí que a minha guarda-costas é um galo de briga.

 

Sam assentiu e foi cuidar de seus cortes. Não pode controlar um sorriso discreto diante do que Jenny havia dito sobre ela ser sua guarda-costas. A garota enfim parecia estar aceitando sua presença. Isso era bom, pois precisava da confiança de Jenny, mas havia algo mais. Uma espécie de satisfação particular, a estranha fascinação pela garota que Sam vinha tentando suprimir.

 

***

Jenny não conseguiu realizar muitas das suas atividades físicas. Fez somente algumas séries e pediu a Rodrigo para liberá-la.

 

-- Desisto, cara -- Disse ela, literalmente jogando a toalha -- Hoje não dá mais. Meu estômago está embrulhado.

 

O personal a olhou com seriedade.

 

-- Jenny? De novo?

 

Jenny fez cara de culpada.

 

-- Sem sermões, Rodrigo. Não é para isso que você é pago.

-- Está acabando com sua saúde.

-- Eu vou parar. Ok?

 

Jenny prometera aquilo mais de uma vez. O homem a olhou com compaixão e acabou liberando a garota que seguiu de volta para seu quarto. Após um banho relaxante, ela recebeu a visita de Gouveia. Ele estava transtornado devido ao incidente na boate.

 

-- Dan! Dan! Chega de drama. Eu estou bem.

-- É um alívio, Jen. Não ter acontecido nada com você. Eu não me perdoaria.

Jenny olhou com compreensão e tristeza para Gouveia. Sentia um grande carinho por ele e não gostava de vê-lo assim.

 

-- Obrigada, Dan. Por se preocupar.

 

Ele esboçou um sorriso, e falou mais calmo:

 

-- Ainda bem que Samanta conseguiu contornar a situação.

 

Jenny estremeceu ao ouvir o nome de Samanta. Cruzou os braços sobre o peito, e falou:

 

-- Dan, sobre essa mulher. Quero saber tudo.

-- Sobre sua guarda-costas? Pensei que não queria saber nada sobre ela...

 

A garota fechou a cara e falou:

 

-- Agora eu quero. Por que a contratou? O que ela tem de tão especial?

-- Samanta Kane tem um currículo invejável. Recomendada por todos. Recebe tantas propostas que pode se dar ao luxo de escolher. Por isso fiquei feliz por ela ter aceitado trabalhar conosco.

 

Jenny preferiu não comentar sobre o entusiasmo de Dan pela sua guarda-costas, em vez disso perguntou:

 

-- Por que contratá-la se temos um chefe de segurança?

-- Antunes já está muito velho e tornou-se desleixado. Precisávamos de alguém mais jovem, mas ao mesmo tempo experiente. Sam é essa pessoa. É muito diligente com seu trabalho e a melhor no que faz.

 

Os olhos de Gouveia brilhavam quando ele falava de Sam. Jenny se irritou:

 

-- Do jeito que fala poderia até pensar que você está apaixonado por ela.

 

O homem enrubesceu.

-- Relaxa, Dan. Tô só brincando -- Disse Jenny. Gouveia já costumava ser bastante nervoso e a garota não o queria gaguejando no meio da conversa -- Dan, quero um relatório sobre Samanta. E quero isso para ontem.

-- Tudo bem -- Concordou Gouveia.

 

Para ele, aquele era mais um dos pedidos excêntricos de Jenny que nunca se preocupara com aspectos de sua segurança privada. Ele providenciou uma cópia de um extenso arquivo sobre Samanta Kane que ele conseguira antes de contratá-la.

 

Jenny leu o calhamaço com muito interesse. Há alguns anos, ela adotara o nome Samanta Kane. Seu nome de batismo não era mencionado nem qualquer outra informação antes de ela se alistar no exército aos dezoito anos de idade. Seguiu a carreira militar durante sete anos, depois começou a trabalhar com segurança particular após um curso de formação no oriente médio. Havia feito faculdade de psicologia e tinha curso técnico de enfermagem. Era especialista em armas, negociação com reféns e tecnologia da informação. Seu currículo de especialidades era extenso. Gouveia não tinha exagerado.

 

Jenny estava absorta no relatório que tinha em mãos. Observou várias fotos de Samanta no exército. Desde jovem ela já tinha o ar de superioridade e o olhar determinado que lhe eram característicos. A passagem pelo exército também explicava sua postura dura. Vendo as fotos de Sam, Jenny pegou-se admirando a beleza daquela mulher. Suspirou fundo e decidiu fechar o relatório.

 

Pegou Kitty que estava sobre a cama e a acariciou.

 

Deixou seus pensamentos totalmente voltados para a guarda-costas. Nunca conhecera alguém como ela. Misteriosa e ao mesmo perigosa. Remoia na memória a cena com os dois grandalhões, o modo como Sam os tinha subjulgado. Selvagem, mas ao mesmo tempo incrivelmente sexy. Jenny tinha que admitir que era esse o pensamento que tomava conta dela. As mulheres mais atraentes que conhecia e as quais já tido algo nem de longe superariam Sam.

 

Mas não poderia se deixar levar por aqueles pensamentos loucos. Era como se render a um velho clichê de romance de quinta ou a algum filme hollywodiano em que a mocinha era salva por seu guarda-costas por quem se apaixonava. Jenny Brooks se apaixonava todo dia, mas a paixão só durava a distância de um beijo. Era como uma vela que se apagava ao primeiro sopro. Não se renderia ao clichê. Tratava-se apenas de uma fantasia. Todos tinham as suas, alguns as colocava em prática. Jenny preferia que algumas delas continuassem a ser apenas o que eram. Afinal, essa era a graça delas. Depois de satisfeitas perdiam todo o encanto. Poderia seduzir a guarda-costas se quisesse. Era Jenny Brooks, desejada por todos. Seria fácil, embora Sam fosse diferente de qualquer homem ou mulher com quem houvesse estado. Mas ao mesmo tempo, Jenny não era de dá para trás. Talvez até fosse divertido seduzir sua guarda-costas. Como ela mesma havia dito, passariam muito tempo juntas.

 

Não demorou e Sam apareceu. Mais uma vez queria saber como Jenny estava e confirmar os compromissos que a garota teria aquele dia.

 

-- Tudo como programado -- Respondeu Jenny. Depois apontou para o relatório em cima da mesa de cabeceira -- Sabe o que é aquilo?

 

Sam fez que não com a cabeça.

 

-- Vá em frente. Dê uma olhada.

 

A guarda-costas hesitou um instante, mas logo em seguida pegou o calhamaço em mãos. Passou os olhos rapidamente por cima e o fechou, com uma expressão enigmática.

 

-- Me diz uma coisa. Por que “Samanta Kane”? Por acaso, viu em um filme e gostou do nome.

 

A garota estava sendo sarcástica. Sam não se abalou, e revelou:

 

-- Alguns colegas me deram esse apelido.

-- Não gostava do seu verdadeiro nome? -- Interrogou Jenny.

-- Não mudei meu nome porque não gostava dele.

-- Então, por que?

-- Isso não posso revelar.

 

Jenny examinou a mulher parada de pé em seu quarto. Sam não a olhava diretamente. Jenny percebeu a veia que saltava em seu pescoço. Embora a expressão de seu rosto fosse impassível, aquela veia denunciava a irritação de Sam. A garota percebeu que estava conseguindo provocá-la.

 

-- Foi uma leitura interessante? -- Sam perguntou, quebrando o silêncio.

-- Oh, sim. Interessantíssima -- Disse Jenny, com ar zombeteiro -- Aposto que você também deve ter se deliciado com o que leu sobre mim.

-- Fiz meu dever de casa.

-- Traçou meu perfil psicológico? Deixe-me adivinhar. Sou narcisista, mimada, megalomaníaca. Tenho traumas por ter perdido meu pai na infância. Odeio minha mãe. Sou sexualmente promíscua. Mas, apesar da minha arrogância, no fundo sou uma garota doce, com um grande talento artístico. Expresso todos os meus ímpetos amorosos na minha gatinha Kitty. O que mais estou esquecendo? Ah, não aceito bem a derrota e tenho um medo patológico de não ser amada. Preciso da aprovação dos outros para me sentir bem.

 

Samanta esboçou um sorriso e falou:

 

-- Eu não teria dito melhor.

 

Jenny também sorriu. Depois se colocou de pé e encarou Sam que continuava imóvel. Sam ouviu a respiração da garota bem próxima ao seu rosto e se perguntou o que ela podia está querendo com aquela repentina aproximação.

 

-- Sou mais que isso, Sam. Você devia saber. Não importa o que um monte de papel diz sobre mim, nem sua psicologia barata.

 

A garota falava com firmeza o que levou Sam a finalmente encarar aqueles olhos azuis.

 

-- Digo o mesmo sobre esse monte de papéis que você tem em mãos sobre mim.

 

A garota sustentou o olhar no de Sam. Que mulher era aquela que com um simples olhar a hipnotizava. Sua respiração ficou descompassada. Atordoada, Jenny se afastou abruptamente de Sam que continuava a observá-la. Agora com uma expressão de curiosidade.

 

Jenny parou em frente à janela, de braços cruzados, de costas para Sam. Esta pediu permissão para se retirar, Jenny assentiu e a deixou ir.

 

Sentiu-se fraca e decidiu se deitar abraçada a Kitty. Só conseguia pensar na mulher que acabara de sair e em como sua resolução de tentar seduzi-la seria um fracasso retumbante. Só em se aproximar dela, Jenny perdera facilmente o controle sobre seus sentidos. Além disso, a mulher era uma pedra de gelo. E seria muito difícil derretê-la.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 4 - Capítulo 4 - Just a Girl:
Lea
Lea

Em: 16/02/2023

Personalidades fortes!!!

Responder

[Faça o login para poder comentar]

rhina
rhina

Em: 16/07/2019

 

Kkkkkkk

Concordo......a mulher é uma pedra de gelo......mas .....mas.....não seria difícil derretê-la basta as mãos cartas. ....

Rhina


Resposta do autor:

Exatamente!

Responder

[Faça o login para poder comentar]

JanBar
JanBar

Em: 12/06/2019

No Review

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