Capítulo 16

MULHERZINHA INSUPORTÁVEL

de A CARTOMANTE , por Tay Bandeirah

Tamanho do texto
1.764 palavras2.380 leituras1 comentários

 

POV Alexandra

 

Meu dia estava hiper agitado, tinham pelo menos 3 cirurgias agendadas, isso sem contar as eventuais emergências. Tomei um café bem forte e depois de um longo suspiro saí da sala dos médicos.

Peguei meus prontuários e mentalmente fui organizando minha vida, definindo as prioridades e rezando para que, pelo menos hoje não tivesse nenhuma emergência. Passei as visitas, liberei as altas e parti para o centro cirúrgico. Graças a Deus a cirurgia correu bem e foi mais rápida que eu esperava.

Olhei o relógio e vi que já eram quase 13h, passei na cantina e comprei uma salada.

_ Senta aqui loira. Procurei a voz que me chamava e vi ao longe a Luna sentada em uma mesinha. Caminhei até ela e com pouquíssimas conversas finalizei meu almoço.

_ A gente se mais tarde. Te espero lá em casa.

Apesar de corrido meu dia estava fluindo bem e meu bom ânimo estava começando a voltar. Antes das 17h já tinha finalizado minha segunda cirurgia. Essa sim me deu trabalho, elenquei ela como sendo mais fácil que a primeira e me surpreendi com a quantidade de intercorrências que aconteceram naquele centro cirúrgico, mas graças a Deus conseguimos, eu e minha equipe fazer da operação um sucesso.

Estava pegando o prontuário da minha última cirurgia quando senti meu bipe tocar. _ Estava demorando. Falei pra mim mesma enquanto corria em direção a emergência.

_ Acidente de carro. Mulher, 29 anos, grávida de 32 semanas. Sinais vitais instáveis, fratura exposta na perna, arritmia cardíaca e pressão à 119X110. Falava o paramédico.

Corremos para a sala de cirurgia. Enquanto nos preparávamos tentávamos traçar uma estratégia. Entramos oficialmente em cirurgia, conforme combinado a Heloísa assumiu a liderança enquanto a Carina monitorava os sinais vitais do bebê e eu aguardava minha hora de entrar em cena. No meio da cirurgia a mulher teve uma parada cardiorrespiratória e conseguimos trazê-la de volta. Percebemos que o coração estava com uma pequena perfuração que precisava ser reconstituído o mais rápido possível.

Quando estava começando a abrir o peito da paciente a Carina falou que o bebe estava entrando em sofrimento e que precisaria fazer a cesariana de emergência.

_ Carina eu preciso reparar o coração dela.

_ Alex eu não posso permitir que você inicie uma incisão no coração da mãe. O bebe não vai aguentar. Preciso tirar ele agora, caso contrário ele morrerá.

A Heloísa nos olhava discutindo, tentando mensurar qual procedimento seria mais necessário.

_ Carina eu não vou permitir que você sacrifique essa mulher. Não sei se ela aquenta mais uma parada cardíaca.

_ O tempo que estou perdendo ouvindo você resmungar eu já tinha tirado esse bebe.

Sem esperar que eu falasse mais alguma coisa ela pegou o bisturi e começou a fazer a cesariana. A Heloísa nos olhava incrédula enquanto finalizava sua parte. Em poucos minutos ela retirou o bebê, entregando a residente que a acompanhava.

_ Pronto Dra. Alexandra a paciente é toda sua.   

 

POV Carina

_ Mulherzinha insuportável essa sua amiga Luna.

_ Que amiga?

_ A Dra. Alexandra. Discutiu comigo no centro cirúrgico e enquanto isso o bebê estava em sofrimento fetal.

_ Fica calma que ela é muito responsável e deve ter tido os motivos dela para discordar de você.

_ Claro que teve, eu sei que a mãe precisava de uma reparação no coração, mas o procedimento dela é consideravelmente mais demorado que uma cesariana e o bebe não aguentaria esperar. Não quero mais falar disso, deixa eu te contar, colocaram uma nova residente para trabalhar comigo e a garota é linda, mas insuportável, kkkk

_ Não entendi a risada.

_ Ela me olha com olhos de desejo, mas não curte obstetrícia, quer se especializar em ortopedia e resolveu dificultar a minha vida na esperança que eu desista de trabalhar com ela.

_ Continuo sem entender Carina.

_ Tenho quase certeza que é ela a mulher que a Cartomante falou.

_ De onde você tirou essa conclusão?

_ Do jeito como ela me olha, de como ela se insinua pra mim. É obvio que a insuportabilidade dela, se é que existe essa palavra, kkk... é em razão dela querer ir pra Orto.

_ E o que você pensa em fazer?

_ Penso não gata, estou fazendo. Estou infernizando a vida da garota, se ela não me der um tapa é santa.

_ Você acha mesmo que ela vai bater na superior dela? Só se ela for maluca Carina.

_ Já pensei nisso meu bem, estou provocando ela em todos os ambientes, pra você ter uma ideia eu infernizei a vida dela no bar, kkkk... Ela me olhou como tanta raiva que eu achei que fosse receber o tapa naquela hora.

_ Coitada, kkk

_ Olha ela ali. Apontei para a morena que entrava na cantina acompanhada de outro interno. _ Dra. Smith posso saber se terminou de passar as visitas que determinei? Olhei para a Luna que tentava a todo custo esconder um sorriso.

_ Sim Dra. Carina.

_ Ótimo. Vou entrar em cirurgia com a Dra. Heloísa e preciso que você dê suporte a Dra. Luna no berçário.

_ Deixa eu participar da cirurgia, gosto muito de ver a Dra. Heloísa trabalhando. No mais você sabe que é a especialização que eu quero fazer.

_ Sim eu sei, mas no momento a Dra. Luna está precisando de suporte, uma vez que o Dr. Caio está de folga e dois internos faltaram. Fica tranquila Dra. Débora o próximo módulo da sua residência será na ortopedia e você poderá se lambuzar com métodos da Dra. Heloísa Hernández, enquanto isso você está comigo.

A menina maneou a cabeça em sinal de desaprovação e saiu batendo pé. Começamos a rir desesperadamente.

_ Como você é má Carina. Coitada da menina.

_ No final das contas ela irá me agradecer. Agora deixa eu ir que a sua esposa entrará em cirurgia e preciso acompanhar.

 

POV Alexandra

Saí do centro cirúrgico tão irritada com a Carina que não consegui levar meu plantão adiante. Remarquei a que seria minha última cirurgia para o dia seguinte e fui para casa pretextando mal estar. Pouco mais de 2 horas a Luna chegou e entre vinhos e petiscos comecei a desabafar.

_ Não sabia que sua namoradinha era tão prepotente?

_ Já tô sabendo do seu desentendimento com a Carina.

_ Desentendimento é sacanagem. Ela ignorou completamente minhas considerações naquela sala.

_ Você conseguiu reparar o coração da paciente?

_ Graças a Deus.

_ Então ela não estava tão errada assim Alex, muito provavelmente o bebê não aguentaria o procedimento.

_ Não fica defendendo aquela mulherzinha não. Eu até ia com a cara dela, afinal de contas ela te fez muito bem, mas eu nunca tinha percebido o quanto ela é prepotente.

_ Vamos mudar de assunto, por favor, eu preciso me aconselhar com você, a Helô quer conversar comigo e estou insegura.

_ Lu eu sei que você seguiu, ao seu modo as recomendações da Madame Berta, mas acho que se não tomar cuidado vai passar do ponto e quando perceber não terá como voltar atrás. Ou você acha que a Helô vai ficar nessa disputa com a Carina pra sempre? E por falar em disputa, você e a Carina resolveram se permitir algo mais profundo?

_ Não, kkkk. Ela está me ajudando a reconquistar a Helô. Pra ser sincera eu e a Carina já não ficamos há basicamente 2 meses. A última vez que transamos foi na viagem.

_ Essa garota é estranha, como pode ser tão gente fina com você e tão prepotente ao mesmo tempo?

_ Ela 100% e se não fosse a Helô eu investiria pesado nela. A pessoa que a tiver ao lado estará bem. Ela é amiga, companheira, confidente, gostosa e boa de cama, quer mais?

_ Não obrigada.

_ E você amiga, desde que seu marido morreu que você não se amarrou em ninguém.

_ Nem quero. Só me amarro se aparecer uma Helô na minha vida, kkkk.

_ Olha lá mulher, tira o olho que a latina é minha, kkk

_ Eu sei, nem curto mulher sua boba.

_ Não curte porque nunca provou, kkk

_ Verdade, mas só provaria se valesse a pena. Mulher é muito enrolada, imagina ter que disputar espaço no espelho na hora de se maquiar, kkkk.

_ Boba.

As horas passaram fáceis e quando percebemos já estávamos bêbadas e dançando na sala. Dormimos jogadas, cada uma em um sofá e no dia seguinte acordamos com a cabeça que parecia ter sido passada num moedor, de tanto que doía.

 

POV Luna

Depois do café e de uma aspirina, tomei um banho, peguei uma roupa emprestada da minha amiga e olhei meu celular pra ver se tinha alguma mensagem da Carol. Combinei que pegaria ela na escola e a qualquer momento ela me avisaria que a aula estava acabando.

Vi uma mensagem da Carina se convidando pra ir a minha casa tomar uma taça de vinho. Pensei ser uma ótima oportunidade de fazer essas duas se entenderem. Confirmei o horário e antes de sair combinei com a Alex nosso pequeno encontro. Claro, sem falar com nenhuma das duas sobre a presença da outra.

Eu estava de folga e passei o dia com minha filha no Shopping, fomos ao cinema, tomamos sorvete e compramos alguns brinquedos que ela me pediu. Ela confessou que viu a mãe conversando com a Maria sobre mim e que a tia disse que era pra Helô deixar de ser boba e me agarrar. Sorri ao ver que ela estava com o rostinho todo vermelho ao revelar a conversa da mãe. Finalizando nosso passeio a deixei na casa da Helô.  

_ Oi Lu, entra e toma um copo de vinho comigo.

_ Não Helô eu marquei com a Carina e ela já deve estar chegando lá em casa.

_ Vocês estão namorando? Você tem me evitado mais que o normal.

_ Combinamos de conversar na próxima folga, esqueceu?

_ Não Luna, tudo bem.

Me despedi dela com sorriso e corri para casa. Ao chegar dei de cara com a Carina na minha porta.

_ Achei que tivesse esquecido de mim?

_ Jamais, demorei um pouquinho com a Carol. Aquela menina e Shopping são sinônimos de gastos e cansaço, kkk

Entramos e enquanto fui na adega pegar o vinho a Carina tirou do congelador uns petiscos, colocando na air fryer. Ouvimos a campainha tocar e fui atender, já imaginando a cena que se seguiria.

_ Não acredito que você chamou essa mulherzinha para nossa noite de vinhos Luna?

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

1
V

Vanderly

04/10/2019 às 20:43

Acho que o tapa vai sair agora kkkkkk!

Que surpresa em! 

Essa Luna está muito malvada viu!

Beijão

Informar violação das regras