• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Faces Ocultas
  • Cronologia Criminal Dia 3 – Segunda-feira, 16/04/2018, 04:01

Info

Membros ativos: 9600
Membros inativos: 1621
Histórias: 1980
Capítulos: 21,039
Palavras: 53,307,772
Autores: 812
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: RIZE REZENDE

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • Desafio das Imagens 2026
    Em 23/04/2026
  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025

Categorias

  • Romances (880)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (230)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • A volta do amor que nunca se foi
    A volta do amor que nunca se foi
    Por priskelly
  • Mundos invertidos
    Mundos invertidos
    Por Natalia S Silva

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • UM DIA  NOS ENCONTRAREMOS
    UM DIA NOS ENCONTRAREMOS
    Por EdyTavares
  • A Seguranca
    A Seguranca
    Por Lena

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (880)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (230)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Faces Ocultas por oliviahayes

Ver comentários: 0

Ver lista de capítulos

Palavras: 3417
Acessos: 1174   |  Postado em: 15/04/2019

Cronologia Criminal Dia 3 – Segunda-feira, 16/04/2018, 04:01

 

Os olhos de Laura estavam pesados. Abriam-se pouco, mas logo estavam fechados, sem forças. Sua cabeça latej*v* de uma forma descomunal, como nunca sentira antes. Sua boca amargava e seu corpo doía, tal como seu cérebro.

Quando enfim conseguiu manter suas pálpebras abertas por pouco mais que milésimos de segundos, pôde ver o local onde se encontrava, circundando-o com o olhar: era um cômodo espaçoso, refinadamente mobiliado. A cama em que estava deitada era king size, coberta por lençóis de boa qualidade. À sua esquerda havia uma poltrona e ao fundo uma grande janela. À sua direita observou duas portas, que ela supôs ser uma do banheiro e outra de um closet, pois a que estava à sua frente era maior e mais bem trabalhada, levando a crer que era a do acesso principal.

Quando olhou para um ponto focal de dor, em seu braço direito, vendo uma faixa enrolada, um pouco suja de sangue, foi que algumas memórias vieram retornando para a sua mente. Mas as lembranças eram demasiadas confusas, e a mulher preferiu não forçar seu cérebro naquele momento. Bastava o latejar intenso que já a incomodava.

Mais uma vez a detetive reuniu forças e se pôs de pé, diante de uma dificuldade de minutos a fio. Quando enfim conseguiu, é que ela percebeu que as roupas que vestia não eram dela: Randik trajava uma camiseta de banda de rock larga e uma calça de moletom.

“A quem pertence isso?”, ela pensou.

Tentando se preocupar com o mais importante, que era descobrir onde estava, foi caminhando a passos lentos até a janela, cambaleando pela tontura que a dor causava. Havia um grande jardim, ornado por cíclames e orquídeas; um muro alto, muito alto, com cerca elétrica reforçada e ao menos duas câmeras de segurança, somente até onde seus olhos alcançavam.

“Que merd* de lugar é esse?”

Agora, por mais que se esforçasse para lembrar, não conseguia recordar de nada depois de ter ouvido pneus cantando na estrada e disparos vindos contra ela e a prisioneira que estava à sua frente.

Laura resolveu, então, tentar sair dali, mesmo que houvesse uma surpresa desagradável atrás da porta. Ao girar o trinco, notou que estava trancada naquele cômodo.

“Droga!”

O esforço a fez tontear e esbarrar em um belo quadro que ficava naquela parede. Este veio ao chão, fazendo um barulho estrondoso por ter levado consigo um vaso que estava em uma mesinha decorativa bem abaixo dele.

O embrulho no estômago aumentou descomunalmente. A cabeça da mulher começou a girar, como se ela estivesse em um grau alto de embriaguez. Quando a detetive caminhou em direção a porta que imaginou ser do banheiro, ouviu o barulho da porta principal se abrindo. De súbito, agarrou um abajur que ficava no criado mudo, pondo-se de prontidão para o que desse e viesse.

Mas a fraqueza e as dores fizeram com que sua pressão arterial abaixasse, deixando a sua visão enturvecida. Por conta disso, e pelo facho de luz que inundou repentinamente o cômodo, conseguiu enxergar apenas um vulto adentrando o local. 

– Estava preocupada contigo. – Só pela silhueta, Randik já havia identificado que era uma mulher, e agora com a voz, percebeu que era alguém conhecida – O seu braço dói menos?

– Quem... Céus! Quem é você? – A policial indagou, fazendo um abajur cair no chão ao tentar amparar seu corpo na parede próxima – Onde estou?

– Você está na minha casa. – O vulto foi se aproximando. A voz era levemente rouca e denotava certa simpatia – Eu não podia simplesmente te deixar lá na estrada.

– Estrada... - Laura respirou profundamente, conseguindo ver o rosto da mulher a sua frente com um pouco mais de nitidez – Você...

– Eu me declaro culpada, meritíssima. – A mulher zombava, sarcástica – Tive que te carregar e... Uau! Você é mais pesada do que aparenta ser.

A detetive, boquiaberta com a ousadia da criminosa e ainda um pouco tonta, foi tateando a parede até conseguir se sentar. Como se já não bastasse estar em cárcere privado, machucada, ainda tinha que ouvir desaforos sobre seus 68 kg muito bem distribuídos em 1,70 de altura.

– Vá se foder! – Randik xingou, mesmo com a voz vacilante.

A gargalhada da tatuada ecoou pelo cômodo, e se fosse em outra situação, talvez até tivesse contagiado a policial.

– Sente fome? – Só então, quando ouviu a pergunta é que Laura se deu conta de que sim, seu estômago reclamava – Não importa. Com fome ou sem fome precisa comer alguma coisa. Vem comigo. – A policial estreitou os olhos para ter uma visão mais distinta da mulher. Ela sorria, aquele mesmo sorriso com ares de safadeza, enquanto fazia um gesto para que Laura fosse na frente – Meu nome é Honora... Honora Andrey, mas você já deve saber quem sou eu.

Mesmo desconfiada, porém sem alternativas, Randik foi caminhando lentamente para fora do quarto, seguindo por um corredor largo, de paredes escuras e decorado com algumas obras de arte. Quando Honora pôs-se a caminhar ao seu lado, é que a detetive – com uma claridade visual e consciência melhoradas - pôde ver que a outra também havia trocado de roupa. Estava agora usando uma camisola curta de seda, com um decote tão cavado que quase expunha seus seios. O robe que trajava por cima, de nada adiantava, já que pendia dos ombros e não a cobria. Aquela era uma mulher deveras exuberante, naturalmente sedutora. Seu perfume poderia ser considerado inebriante. As notas florais-frutadas, juntamente com o exalar de uma doçura extremamente exótica combinavam bem com sua personalidade, ao menos com a que sua aparência incitava. Seu olhar era penetrante; inquiridor por vezes, mas naquele momento denotava uma preocupação genuína, destonando completamente do perfil de uma bandida sequestradora.

– O que eu estou fazendo aqui? – Não era bem essa a pergunta que queria fazer, mas sua mente ainda não raciocinava direito.

– Está aqui para que eu cuide de você, oras! Eu não tirei a bala do seu braço, fiz uma transfusão de sangue e te mediquei à toa. – Quando ouviu aquela fala, instintivamente Laura interrompeu seus passos, engolindo em seco ao imaginar o que aquela mulher poderia ter feito com ela enquanto estava desacordada. Parecendo perceber o receio e as indagações internas da outra, Andrey respirou fundo, revirando os olhos – Eu não fiz nada demais. Apenas salvei a sua vida, troquei as suas roupas e agora vou te alimentar. Não pretendo fazer mal algum a você. Estou desarmada, não percebeu? – A criminosa ergueu os braços como em rendição, voltando a caminhar, sendo seguida pela policial.

Assim que terminaram de descer as escadas, Randik teve sua primeira grande surpresa. Não era só o cômodo onde estava que era luxuoso, a casa inteira parecia ser decorada com os mais requintados móveis, misturando tendências clássicas com contemporâneas. A sala de estar era espaçosa e confortável, o que fez a detetive se perguntar se tudo aquilo era fruto dos crimes que Honora já cometera.

Logo quando foram avançando para outro ambiente com conceito aberto, onde a sala de jantar se fundia com a cozinha, Laura teve sua segunda grande surpresa. Bem perto de uma das ilhas, um belo espécime de pitbull estava parado, em posição de ataque, encarando-a.

– P-u-t-a m-e-r-d-a! – A policial proferiu as palavras em sussurro, pausadamente.

Honora deu outra gargalhada contagiante.

– Não se preocupe. – Ela foi caminhando até o animal – Este é o Hans. Ele não morde, a não ser que eu ordene. Diz oi para a nossa hóspede, garotão! – A bandida dizia, enquanto brincava com o cachorro – Pode se aproximar sem medo.

– Sem medo? Eu estou extremamente debilitada, mal conseguindo ficar de pé e você me pede para não ter medo desse monstro de cinquenta quilos?

– Ah, vamos! Não exagere! Ele só tem trinta e oito.

– Oh, sim! Obrigada por me informar. – Radik meneou a cabeça negativamente.

– Vou te provar. – A bandida aprumou sua postura, firmando o tom de voz – Hans, aproxime-se dela. – Devagar, o cão foi se aproximando, enquanto a tremedeira nas pernas da detetive ficava cada vez mais evidente. O animal, sem desviar os olhos da mulher a sua frente, sentou-se quando chegou ao limite da proximidade – Viu só?

Em silêncio, mal conseguindo andar pela debilitação e pelo nervosismo, Laura - com muito custo – sentou-se em um dos bancos da ilha. A cozinha era luxuosa como todo o restante da casa. Eletrodomésticos em inox, objetos decorativos de muito bom gosto e cores sóbrias nos móveis, tal como a personalidade de sua dona. Ao lado esquerdo de onde estava sentada, havia uma bonita porta de madeira, que ela supôs ser a porta dos fundos.

Seria uma boa ideia fugir por ali, isso se não estivesse machucada e se Hans não estivesse de guarda, vigiando todos os seus movimentos, enquanto Honora retirava alguns pães de um pote, colocando-os em uma torradeira. A tatuada acendeu uma das bocas do cooktop onde estava uma pequena panela.

– O que está fazendo? – A policial perguntou, sem nenhuma pretensão.

– Eu tinha deixado essa sopa preparada para quando você acordasse. Estou esquentando e fazendo algumas torradas. Vai bem, não? Só não vou lhe oferecer um vinho porque está medicada. Aliás...

A criminosa ausentou-se do cômodo por um momento, seguindo para onde o campo de visão de Randik não conseguia alcança-la. Em segundos, ela retornou com uma maleta parecida com a que médicos carregam para cima e para baixo. De lá, retirou uma seringa e um frasco.

– Que merd* é essa? O que vai fazer comigo? – Instintivamente, como um gesto de defesa, a detetive afastou o banco para trás.

– Relaxa! Vou lhe aplicar uma dose de opioide.

– Não! – A outra protestou, como se estivesse em condições de negar o que quer que fosse.

– Prefere sentir dor? – Laura meneou a cabeça positivamente, enquanto a bandida revirava os olhos – Deixa de ser idiota! Sabe ao menos para que servem os opioides? Esse, em específico, é a codeína. É uma mistura de opioide e analgésico. Serve para dores moderadas a severas. Eu sei o que estou fazendo. Não estudei por mais de nove anos à toa.

– Estudar? Como assim, estudar? Estudou para quê? – O tom de voz com o qual a policial fez a indagação saiu mais desdenhoso do que deveria.

– Qual o motivo do espanto? Uma ladra, psicopata, assassina, traficante, e sei lá mais do que me acusam, não pode ter um curso superior? – Andrey sorriu de canto.

– Não foi exatamente isso o que eu quis dizer... – Randrik engoliu em seco, com os olhos esbugalhados e fixos na seringa – Você... Você não tem um comprimido ou algo parecido? – O peito da detetive arfava, ao passo em que ela gaguejava as palavras – Você não ouse enfiar nada em mim.

– Entendi. – A tatuada mordia os lábios prendendo o riso – Você, com esse tamanho todo, tem medo de agulhas. Isso é sério? – Laura meneou afirmativamente – Já foi diagnosticada? – Dessa vez Honora recebeu um menear negativo – Não posso afirmar com toda a certeza, mas creio que seja aicnofobia. Esse é o medo irracional de agulhas, não necessariamente de injeção, acertei?

– Sim. – Após um suspiro, a resposta veio falada – Mas, independente de qualquer coisa, eu não sinto dores fortes mais. Um simples comprimido vai resolver meu problema. – Ela mentiu, mesmo sabendo que a verdade estava estampada em seu semblante.

– Sabe que, na faculdade, eu conheci uma pessoa que sofria dessa fobia. Não é caso de rir, mas chegava a ser engraçado alguém que estava estudando para se formar em uma profissão onde teria que conviver constantemente com o objeto do seu maior medo. – Enquanto falava, a criminosa foi abaixando-se perto da policial, estreitando os olhos para um cisco que estava no chão. Ela deixou a seringa ali, levantando-se e indo até onde estava pendurado um rolo de papel toalha. Randik observava seus movimentos, mas estranhamente porque havia se interessado pela história – Eu tive professores bons e ruins. Acho que acontece essa divisão com a maioria de nós, não é mesmo? – Andrey ia matraqueando, enquanto se abaixava novamente para limpar a tal sujeira no chão. De repente ela começou a rir, como se lembrasse de um episódio engraçado – Um desses professores bons, se compadeceu tanto da situação desse colega de estudos que... – A criminosa deu mais uma gargalhada, conseguindo arrancar da detetive o esboço de um sorriso - ... que ele acabou aplicando uma injeção sem que o outro sentisse. – Ela ergueu a seringa, já sem o líquido que continha nela – Eu poderia tentar a hipnose, mas preferi te distrair como pais fazem com as crianças. Agora, não sentirá mais dor por um bom tempo.

A mulher tatuada levantou-se, colocando o objeto perfurante dentro da pasta, acomodando-a em um canto do armário ao fundo. Foi até o fogão, desligou o fogo, servindo duas conchas de sopa no ramequim de louça elegantemente decorada. Em um prato à parte, colocou as torradas, dispondo a comida na frente de Laura.

– Obrigada. – A policial agradeceu em um fio de voz, constrangida e ainda abismada com o que a outra havia acabado de fazer. Passou a comer desenfreada, agradecendo internamente por ter aquele alimento que saciava a sua fome, e ainda por cima, que estava tão delicioso – Você cozinha bem.

– Cozinhar é uma de minhas paixões... – Honora dirigiu-se até uma mini adega que ficava próxima da porta dos fundos, tirou uma garrafa de Chardonnay e se serviu de uma taça, sentando-se em frente a Randik.

Enquanto a mulher degustava seu vinho fino, tomou um celular que estava ali perto nas mãos e ficou mexendo em um aplicativo ou outro. Quando a fome da detetive deixou de ser um incômodo em seu estômago, graças à refeição deveras apetitosa, ela começou a prestar atenção nos trejeitos da outra, mas de uma forma diferente da que fazia quando estavam dentro do furgão. Talvez não a forma, mas o sentimento.

Honora estava tão compenetrada no que fazia que não dava a mínima para as ações de Laura. Ela jamais admitiria, mas naquele momento adorou ser ignorada. Assim, podia observar os olhos de um tom quase esverdeado da outra, as poucas sardas distribuídas pelo nariz, assim como pelo seu colo. Ah, o seu colo! Ele estava todo exposto, e também uma pequena parte de seus mamilos. Nada naquela visão parecia desagradável, muito pelo contrário. Andrey era realmente bela e enigmática, com uma assimetria perfeita no rosto e no corpo; perfeita aos olhos da policial e, certamente, aos de diversas outras pessoas.

– Você é bem distraída para uma criminosa da sua estirpe. – Randik comentou, antes de morder um pedaço de sua torrada – Uma sequestradora cuidadosa não ficaria entretida no celular.

Demorou alguns segundos, mas Honora ergueu a cabeça ao mesmo tempo em que respirou profundamente, deixando o celular de lado e mantendo finalmente o contato visual com a detetive.

– Em primeiro lugar, não sou uma sequestradora. Já viu algum caso de sequestro em que o sequestrado se alimenta de uma sopa preparada com ervas finas? – A mulher ergueu o sobrolho esquerdo – Em segundo lugar, você está ferida, debilitada, desarmada e sendo vigiada pelo melhor segurança particular do mundo, quão grande ameaça poderia ser para mim? – Laura bufou, achando que, com sua fala, teria chances de desconcertar a outra, mas estava enganada – Você pode ter a impressão de que estou te prendendo aqui, mas não estou. É livre para sair quando achar que deve.

– Por que, quando acordei, a porta estava trancada? – Andrey entreabriu a boca, mas não teve chance de responder, pois de imediato veio outra pergunta – Quais foram as suas intenções reais ao me trazer para cá?

A criminosa fitou a policial, tombando o seu tronco alguns centímetros para frente, estreitando a distância entre elas.

– Por acaso eu tenho cara de quem larga as pessoas para morrer? – O semblante de Laura já bastava como indicativo positivo – É... Eu sei que tenho, mas não o fiz dessa vez. Acho que mereço o crédito, apesar de que sei que preferia que eu tivesse morrido com aqueles tiros. Na verdade, você preferia estar morta a estar aqui comigo.

A policial notou aspereza e certo esmorecimento no tom de voz da outra, podia até jurar que havia visto um fio de sentimento correr pelo seu semblante.

– O mundo seria bem melhor se todos os criminosos fossem extintos, massacrados. – Randik afirmou friamente, sendo sincera com seus princípios e linha de pensamento – Não concorda comigo? Ou vai dizer que o mundo precisa de assassinos... estupradores... – Ela engasgou ao proferir a última palavra, esforçando-se para não demonstrar nenhuma emoção além do que já havia demonstrado.

– Você ficaria desempregada, querida! – O deboche veio com o erguer da taça e a mulher sorvendo todo o líquido que continha ali – Eu estou do lado de cá, eu sou uma das pessoas que, pelo visto, você tanto odeia só por elas serem quem são, mas eu posso te afirmar, categoricamente, que nem todos merecem a morte, como você imagina.

– Todos temos escolhas a fazer e devemos pagar o preço das suas consequências. Você só está nessa posição porque quis e continua querendo. A morte, para muitos, é pouco. – A detetive afirmou com ainda mais convicção do que apresentava antes, olhando bem dentro das íris da outra.

O semblante de Honora pareceu se transformar em milésimo de segundos. O que antes era visto por Laura como sendo sarcasmo, divertimento, malícia e até um pouco de sedução, tornou-se raiva, rancor, ódio. Provavelmente, um reflexo de si mesma quando tocava no assunto “morte aos criminosos”.

– Você não me conhece, então, acho melhor calar a sua boca. – A mulher levantou-se de súbito, esbarrando o braço na taça, fazendo-a espatifar-se no chão. Seu peito arfava e seus olhos faiscavam. A policial sobressaltou-se com o rompante, arrepiando-se com aquele olhar sombrio, principalmente por estar indefesa por completo. Hans também alarmou-se, passando a rosnar bem baixinho – Vá embora, agora! – Ela apontou para a porta dos fundos.

– Isso... Isso é uma espécie de teste? Uma pegadinha?

– E por acaso estou com cara de quem está brincando? Eu posso ser várias coisas, mas te disse que não sou sequestradora. Eu salvei a sua vida, mas quer saber? Eu podia mesmo ter deixado o Phill passar ali mais algumas vezes até conseguir te matar. E mesmo que ele não passasse mais, eu poderia ter te deixado sangrar até a última gota de vida se esvair do seu corpo. Ao menos não ouviria merd*, como a que acabei de ouvir. – Randik foi pega de surpresa com a reação de Andrey, que ela própria ficou sem reação – Estou cansada e com sono. Vai embora ou não vai?

– Eu... Eu não faço ideia de onde estou. – A detetive constatou o fato junto com sua fala, o que a deixou mais tensa ainda. Não sentia dor, só um leve pulsar, quase imperceptível, no ferimento e na cabeça, efeito o opioide, que logo passaria – Não tenho nem como entrar em contato com alguém que possa me ajudar.  

– Eu poderia até te emprestar um telefone, mas não tenho descartáveis disponíveis no momento. Este é grampeado. – A mulher ergueu o aparelho, permanecendo em silêncio em seguida, ponderando por alguns segundos antes de continuar – Ok. Você fica aqui essa noite e amanhã eu consigo um celular para você, quer dizer, daqui a pouco. – Honora, pela primeira vez em todo o tempo depois que Laura acordou, ajeitou o robe, cobrindo seu colo. Ela saiu da cozinha, pisando firme. A policial, por instinto, a seguiu, e estava certa em sua atitude, ao ver a outra parando em frente a porta do quarto em que estava antes – E se não se importa, vou te trancar aqui dentro. Você ainda tem um braço bom, e este pode muito bem manusear uma arma, seja de que tipo for. Não quero deitar em minha cama e correr o risco de não acordar mais, ou de acordar agonizando. – E novamente Randik arrepiou-se com aquele olhar maligno - Tenha uma noite suportável, detetive.

 

 

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 4 - Cronologia Criminal Dia 3 – Segunda-feira, 16/04/2018, 04:01:

Sem comentários

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web